Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

20 de abril de 2009

ainda a menina de Olinda, Com a palavra a Academia Pontifícia para a vida

(J. Ricardo A. de Oliveira)
.
Muito se fala, se discute....Trago a reportagem do Presidente da Academia Pontifícia para a Vida - D. Rino Fisichella.
Fico feliz de encontrar entre os assessores do papa alguém que manifesta um pensamento semelhante ao meu e que sempre deixei claro em minhas mensagens sobre o assunto.Confesso que já estava preocupado com tantas condenações frias e distantes daquilo que acredito ser o papel de um cristão seguidor do mestre da Galileia.Respiro aliviado por pereber que não estou entres os excomungados, por não concordar com a atitude o bispo de Recife e Olinda, sucessor de meu querido e Santo Dom. Ficaria muito frustrado se descobrisse a essa altura do campeonato, que não tinha absorvido nada daquilo que me ensinaram os meus orientadores espirituais ao longo da vida.Não é que se vá aceitar agora ou relativisar a condenação ao aborto.O Arcebispo vem nos mostrar que da mesma forma que Jesus sabia que a "Lei" existe e é importante, e que mandava apedrejar a adultera, só devia apedrejá-la (matá-la) quem estivesse isento de pecado. Talvez nos mostrando que os que se arvoram a achar que são mais santos ou menos pecadores do que os outros são o que mais rápido serão condenados.Fonte, site dos padres Combonianos:http://www.combonianosbne.org/node/566Sobre a menina brasileiraAutor do texto:Rino FisichellaO debate sobre algumas questões se torna muitas vezes cerrado e as diferentes prospectivas nem sempre permitem considerar o quanto é verdadeiramente grande o que está em jogo. É este o momento no qual se deve olhar para o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que realmente não toca diretamente o problema. O caso, na sua dramaticidade, é simples. Há uma menina de somente nove anos – a chamaremos de Carmem – a quem devemos olhar atentamente nos olhos sem desviar o nosso olhar nem sequer um segundo, para fazer-lhe compreender quanto a queremos bem. Carmem, em Recife, no Brasil, foi violentada em inúmeras ocasiões pelo jovem padrasto, engravidou de dois gêmeos e não terá uma vida fácil. A ferida é profunda, porque a violência totalmente gratuita a destruiu interiormente e dificilmente lhe permitirá, no futuro, olhar para os outros com amor.Carmem representa uma história de violência quotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife apressou-se a declarar a ex-comunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, porém, teria passado despercebida - tanto se está habituado a sofrer, todos os dias, fatos de uma violência inigualável- se não fosse pelo alvoroço e pelas reações provocadas pelas intervenções do bispo. A violência em contra de uma mulher, já de por si grave, assume uma dimensão ainda mais lamentável quando é uma menina a sofrê-la, com o agravante da pobreza e da degradação social na qual vive. Não existem palavras adequadas para condenar tais episódios, e os sentimentos que se seguem são, com frequência, uma mistura de raiva e de rancor, que só se acalma quando se faz realmente justiça e a pena a ser infligida ao delinqüente em turno certamente é aplicada.Carmen deveria ser, em primeiro lugar, defendida, abraçada, acariciada, com doçura para fazê-la sentir que estávamos todos com ela; todos, sem distinção alguma. Antes de pensar na excomunhão, era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e fazê-la retornar a um nível de humanidade do qual nós, homens de Igreja, deveríamos ser expertos anunciadores e mestres. Não foi feito assim e, portanto, se ressente a credibilidade do nosso ensinamento, que aparece aos olhos de tantos como insensível, incompreensível e privado de misericórdia. É verdade, Carmen trazia dentro de si outras vidas inocentes como a sua, ainda que fruto da violência, e foram suprimidas; isto, no entanto, não basta para emitir um julgamento que pesa como um machado.No caso de Carmem, encontraram-se a vida e a morte. Por causa da sua pouca idade e das condições precárias de saúde, sua vida estava em sério perigo para a gravidez. Como agir nestes casos? Decisão difícil para o médico e para a própria lei moral. Escolhas como esta, ainda que em casos diferentes, se repetem todos os dias nas salas de reanimação e a consciência do médico se encontra sozinha consigo mesma no ato de dever decidir a melhor coisa a fazer. Ninguém, porém, chega a uma decisão deste tipo com facilidade; seria injusto e ofensivo pensar isso.O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve ser observada por todos e não se pode chegar a um juízo negativo sem primeiro considerar este conflito criado no seu íntimo. O médico traz consigo a sua história e a sua experiência; uma escolha como aquela de dever salvar uma vida, sabendo que isto coloca em risco uma segunda, nunca é vivida com facilidade. É certo que alguns se habituam a estas situações de modo a nem sentir mais; nestes casos, porém, a escolha de ser médico é reduzida a mera função vivida sem entusiasmo e passivamente. Mas generalizar isto além de incorreto seria injusto.Carmem nos coloca diante de um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo apressadamente não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem a todos os envolvidos sob qualquer título no episódio. Como todo caso singular e concreto, porém, merece ser analisado na sua peculiaridade, sem generalizações. A moral católica tem princípios dos quais não se pode prescindir, ainda que se quisesse. A defesa da vida humana desde a sua concepção é um destes princípios e se justifica pela sacralidade da existência.Cada ser humano, de fato, desde o primeiro instante leva impresso em si a imagem do Criador, e por isso, estamos convencidos que devem ser reconhecidos a dignidade e os direitos de cada pessoa; em primeiro lugar aqueles da sua intangibilidade e inviolabilidade. O aborto provocado sempre foi condenado, na lei moral, como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece inalterado desde os primórdios da Igreja até hoje. O Concílio Vaticano II na Gaudium et spes — documento de grande abertura e sensibilidade para com o mundo contemporâneo — usa de maneira inesperada palavras claras e duras contra o aborto direto. A própria colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando é realizada, conduz automaticamente para fora da comunidade cristã. Tecnicamente o Código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão acontece exatamente no momento em que o fato acontece.Não eram necessárias, segundo o nosso ponto de vista, tanta urgência e publicidade para declarar um fato que acontece de modo automático. Aquilo de que se sente maior necessidade neste momento é de um sinal de testemunho de proximidade com aquele que sofre; um ato de misericórdia que, mesmo mantendo o princípio, é capaz de olhar para além da esfera jurídica para chegar àquilo que o próprio direito prevê como o objetivo da sua existência: o bem e a salvação de quantos creiam no amor do Pai e de quantos acolham o Evangelho de Cristo com as crianças, que Jesus chamava para perto de si e os colocava entre seus braços dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.Carmem: estamos do seu lado. Compartilhamos contigo o sofrimento que experimentastes; gostaríamos de fazer de tudo para restituir-te a dignidade da qual fostes privada e o amor de que tens agora ainda mais necessidade. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não aqueles que te ajudaram a sobreviver e te ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos.Nota: Tradução do artigo publicado em L'Osservatore Romano, de 15 de março de 2009, sob o título "Dalla parte da bambina brasiliana". O autor do artigo é Arcebispo Presidente da Pontifícia Academia para a Vida.

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