Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

10 de dezembro de 2008

Capitalismo, Socialismo, cristianismo...

(J. Ricardo A. de Oliveira)

E m recente artigo: Um cristão pelo capitalismo, James Gwartney diz:"Muitos líderes cristãos – evangélicos, protestantes tradicionais e católicos – parecem acreditar que o capitalismo é injusto e que talvez seja necessária mais intervenção governamental para humanizá-lo.
Embora muitos de nós que somos economistas e cristãos consideremos essa visão equivocada, às vezes não temos argumentos suficientes para ajudar a mudá-la.
Mas eu gostaria de oferecer alguns. "<http://www.ordemlivre.org/node/324>

Essa é mais uma tentativa de encobrir o sol com uma peneira. O capitalismo baseia-se na propriedade privada e na defesa desta propriedade a qualquer custo. O cristianismo funda-se numa utopia que apregoa a necessidade da igualdade. A máxima evangélica expressa em Mateus,( Mt:25,31-ss.) mostra um Jesus dizendo “tive fome, tive sede, estive desempregado...”e o julgamento proposto parte do que cada um de nós, os que se dizem seguidores deste Jesus fizemos com suas necessidades básicas. Ele, ainda que para desespero de muitos, esclarece que na verdade, cada um daqueles pequeninos, ou seja, os excluídos por esta sociedade injusta, são representações d’Ele mesmo.Se isso não fosse o suficiente, podemos encontrar ainda nos Atos dos Apóstolos, passagens que deixam claro a necessidade de que não sobre a uns, o que falta a outros. Lucas registra com palavras muito claras, que os defensores do capitalismo cristão, fazem questão de fingir que não existirem: (At:4,32-37)"32. A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum.33. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.34. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, 35. e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade. 36. Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo. 37. Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos.O posicionamento quanto ao egoísmo de reter para si o que deve ser compartilhado fica muito claro na passagem em que Ananias e sua mulher Safira (At:5,1-11) que mentem quanto ao valor da venda de um terreno, para não ter que distribuir com os irmãos a quantia.O grande erro da maioria das pessoas é penar que o socialismo, ou o comunismo seriam soluções. Na verdade a imperfeição destes sistemas esbarra na questão básica que os mantém. Falta-lhes, para serem encarados como soluções cristãs, a base fundamental que é justamente o amor utópico proposto pelo filho do carpinteiro de Nazaré.Jesus e os apóstolos propõem uma comunidade fraterna, baseada no respeito e no amor ao semelhante. A justiça é condição para que haja o amor. O absurdo de que alguém semelhante a mim, criatura como eu do mesmo Deus e, merecedor dos mesmos direitos que eu por filiação divina são a base de sustentação de um sistema que não prega a disputa entre classes porque não as admite. Um sistema em que a máxima de seu precursor diz que "os últimos serão os primeiros". Um sistema que é possível já que foi testado no primeiro século do cristianismo, mas que por ser tão revolucionário, levou seu criador à humilhação de uma morte injusta e violenta como que num aviso para que ninguém mais tentasse repeti-lo.Em minha opinião imperfeita, não podem coexistir capitalismo e cristianismo, porque são antagônicos. O capitalismo defende propriedades, o cristianismo apregoa o exemplo de seu criador que dizia: venha ver, o filho do homem não tem sequer, um lugar para repousar a sua cabeça.Talvez o importante fosse denunciar o absurdo de uma igreja que se diz católica e se propõe seguidora do Cristo, mas é conduzida por um imperador, que habita em palácios, com guarda imperial e se faz rodear de príncipes que comandam uma plebe submissa que é chamada contribuir com as primícias de seus bens para sustentar todo o fausto e opulência deste absurdo.Por outro lado em oposição a esta há uma outra que se diz reformada, mas que conduziu o mundo por ideais que deram sustentação justamente ao sistema capitalista e hoje em uma boa parte de suas denominações populariza um tipo de teologia nefasto que apregoa a prosperidade e abundancia de bens materiais particulares como fruto, absurdo dos absurdos, do desenvolvimento espiritual cristão, revelando um profundo antagonismo ao que Lucas expressa com a passagem de Ananias e Safira que citei.De minha parte não sei qual o caminho a tomar. O mundo vive hoje um processo de desintegração. Na base deste fenômeno encontra-se exatamente o egoísmo e a falta de respeito pelo semelhante. Como cristão vejo que falhamos profundamente para com aquele que nos incumbiu de anunciar a boa nova e iniciar a construção do “Reino do Pai”. Vejo-me hoje como Judas nesta traição de omissão e silêncio em companhia de meus ancestrais cristãos.Não conseguimos levar adiante nem mesmo um milímetro na direção proposta por Jesus. Penso que é urgente nos recolhermos e analisarmos onde estamos insistindo em falhar e o que podemos fazer para mudar a situação, porque aparentemente dentro de muito breve não teremos tempo para mais nada.Penso que neste momento a solução tem que partir de um recolhimento profundo e de um grande silêncio interior para tentar ouvir, se ainda for possível a voz de Jesus no interior de cada um de nós, já que talvez tenhamos nos descuidado do fato de que:
“ O Reino de Deus está no meio de vós”

Um comentário:

  1. http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    Quando iniciei a minha pesquisa histórica acerca da origem do cristianismo senti-me profundamente incomodado com a historiografia oficial. Um não crente como eu percebe prontamente que essa historiografia está seriamente contaminada pela fé. O acatamento da Bíblia não é científico. Claro que o propósito da nossa cultura era lastrear a fé cristã e fortalecê-la constantemente. Para isso, serviu-se da história como um mero instrumento utilitário de convencimento. Se a Igreja dissesse que preto era branco, todos tinham que acreditar piamente. Especialmente os professores, que eram sustentados por ela. Não havia escola que não fosse cristã.

    Não é difícil imaginar o resultado disso séculos a fio. Desse modo, o absurdo passou a se tornar natural, pois a proteção à fé estava acima de tudo. É ai que surge uma questão moral da maior relevância pela sua contradição: a obrigação da academia seria zelar pelo ensino honesto de história [a honestidade é um dos valores basilares do cristianismo] ou dar guarida às necessidades da religião, por mais justificável que isso possa parecer?

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