Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Receba "O Absurdo e a Graça" por Email

você pode me acompanhar também

Minha página facebook:
https://web.facebook.com/jricoliveira

Ou a pagina do Blog no Facebook:
https://web.facebook.com/oAbsurdoeaGraca/

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

20 de novembro de 2008

Dom Cláudio Hummes fala em sínodo sobre queda no catolicismo

(Comentando o artigo: J Ricardo A de Oliveira)

A mensagem do meu amigo Helio, ou melhor, a provocação da amiga do Helio sobre o pronunciamento de D. Cláudio;(http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI700176-EI312,00.html )
fez retornar em mim algumas reflexões que já há muitos anos eu venho fazendo.
Na verdade, em mim essas inquietações são coisas muito antigas.Eu fui procurar alguns dos livros que muito me marcaram e que tem sido companheiros nesses anos de muita reflexão.
São eles:"A Igreja Católica" do genial Hans Küng ( Objetiva)"Minhas esperanças para a Igreja" do não menos genial Teólogo redentorista Bernard Häering.( Paulus/Santuário)" A igreja do Futuro e o futuro da Igreja" der Agenor Brighenti,(Paulus)"Um Deus para hoje" de Andrés Torres Queiruga,(Paulus)A" A vinda do Cristo Cósmico" de Mathew Fox,( Record)O Enigma da Religião do Rubem Alves,( Papirus)"Do Vaticano II a um novo concílio" Luiz Alberto Gómes de Souza( Loyola)"A História perdida e reencontrada de Jesus de Nazaré - dos sinóticos a Paulo" Juan Luiz Segundo (Paulus).
Estes são alguns dos livros que tenho, já há mais de 20 anos, me debruçado para tentar entender esse fenômeno que D Cláudio tornou público, no sínodo.Eu poderia citar alguns outros , mas não quero criar resistências adcionais á minha reflexão, uma vez que são autores que têem um índice de rejeição alto entre alguns católicos.Gostaria de iniciar essa reflexão com um trecho do livro dos Atos dos Apóstolos:(AT 2,42-47)“42. Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações.43. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações.44. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum.45. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um.46. Unidos de coração freqüentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração,47. louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros que estavam a caminho da salvação.”diz D. Cláudio Hummes:“"Estamos nos perguntando com angústia por quanto tempo ainda o Brasil permanecerá um país católico?"Algumas considerações precisam ser levantadas.No cristianismo nascente o que distinguia o grupo cristão era justamente a força de sua fé, a fraternidade de seus membros e a simplicidade de seu ministério.Na verdade, esse cristianismo descrito no inicio dos Atos dos Apóstolos não é claramente uma “religião” não institucional,. Tem um “clero” informal e uma capacidade de inclusão tão vasta como a que Jesus demonstrou em sua passagem pela terra. Jesus se fazia acompanhar por gente do povo. Pescadores ignorantes, várias mulheres, gente não bem vista pela sociedade dominante da época.Era preponderantemente um grupo questionador, cheio de coragem em defesa da verdade e com uma fé inabalável. Não fazia alianças com os poderosos e nem com os religiosos da época. Defendia os pobres, as viúvas, os órfãos e os excluídos.E hoje?Como se apresenta a nossa igreja?Se compararmos o gigantismo de nossa igreja com o projeto de Jesus o que se pode perceber.O que aconteceu com a perspectiva de um líder que dizia que veio para servir ?O que se deve entender quando Jesus afirmava que veio para os pecadores?Que posições a igreja tem tomado na defesa dos pobres e dos pequeninos de Jesus?Posso estar errado, mas não consigo imaginar alguém como o apostolo Pedro tendo que entender e estudar a imensidão de documentos, cartas encíclicas que foram produzidos ao longo destes 2000 anos.Alguém simples como ele precisando de uma série de normas, regras quando a simplicidade sempre foi a marca do cristianismo.Temos hoje na nossa igreja uma tradição que curiosamente remonta à idade média ao invés de se relacionar com as práticas dos primeiros séculos.Lamentavelmente o que foi tentado na década de 60 pelo querido João XXIII vem ao longo destes 40 anos sendo colocado de lado, gradativamente a igreja retorna a um estilo Tridentino, anterior ao Vaticano II.Fico a cada dia mais espantado com a distancia que a maioria dos nossos sacerdotes tem de seu rebanho. Espanta-me como nós leigos nos relacionamos com a hierarquia, num papel de subserviência e submissão. Não consigo imaginar algum de nós no papel de um Paulo confrontando Pedro e André numa norma adotada como a da necessidade da circuncisão.Assusta-me como nós leigos nos relacionamos uns com os outros.Temo que não se possa dizer de nós o que diziam dos primiros cristãos: “vede como se amam!“Embora eu já tenha contado para algumas pessoas, acho que vale repetir o que aconteceu com um primo que ficou viúvo há uns dois anos. Esposa dele embora católica “de berço” freqüentava a igreja Universal do bispo Macedo. Acontece que ele ficou seriamente doente e não podia mais freqüentar os cultos. Em menos de um mês d ausência dela algumas senhoras foram procurá-la e passaram a ir semanalmente e,m sua casa para “orar” com ela. Varia vezes se faziam acompanhar de um estudante, futuro pastor. Com o agravamento da doença, já nas ultimas semanas de vida dela, ela tinha um câncer, as visitas passaram a ser diárias e as do pastor, não mais o estudante, duas a três vezes na semana. Na véspera da morte e durante o velório o pastor não saiu do lado de meu primo. Dando-lhe conforto e atenção.Eu lhes pergunto: qual de nós sabe que algum companheiro de paróquia, destes que são freqüentes só nas missas dominicais, não tem aparecido. E se percebe se preocupa em descobrir seu endereço e visitá-lo? Em qual paróquia nossa existe um cadastro atualizado dos paroquianos. Talvez dos dizimistas até tenha, mas e dos não dizimistas?Nos anos 70 uma nova forma de ser igreja começou a se espalhar, criaram-se alguns grupos, comunidades eclesiais de base, alguns ainda resistem em algumas dioceses mais liberais. Estes grupos tinham a intenção e cumpriam muito bem seu papel de ser igreja inserida na vida do povo.Mas, aparentemente isso não agradou muito à cúpula de nossa igreja que logo fez com que se dispersasse estas CEBs.. No Rio acho que não existe mais nenhuma.Esses grupos estavam justamente na base, junto ao povo, eram presença constante. Os lideres pastorais sabiam, quem eram os componentes da comunidade, onde moravam a vida que levavam.Eles eram membros da comunidade. Rezavam, celebravam e dividiam a vida. Curiosamente com o término destes grupos a participação de nossa igreja nas periferias e comunidades carentes encolheu. E o espaço ficou aberto e foi sendo preenchido pelas igrejas protestantes.Um levantamento mostra que o maior crescimento das igrejas evangélicas protestantes deu-se justamente onde as CEBs (comunidades eclesiais de base) deixaram de existir. É curioso porque muitos gostam de criticar a Teologia da libertação como causadora deste crescimento do protestantismo, mas foi justamente em locais onde as CEBs e a TdL continuou atuando que este fenômeno não aconteceu e o protestantismo não avançou.Existem algumas questões que são de fundamental importância para que se entenda esse fenômeno do avanço do protestantismo e o encolhimento do catolicismo.Um dos conceitos fundamentais é o de “CARIDADE”.O movimento que Jesus fundou visava estar junto aos pobres, os seus pequeninos, como Ele deixa muito claro no evangelho de Mateus 25,31-ss .Há uma grande diferença em se colocar junto aos pobres (os bem aventurados do reino) e colocar-se acima deles para ajudá-los.O conceito da CARIDADE, quando não é bem entendido, pode transformar-se em instrumento de humilhação.Vejo hoje muitos grupos caridosos fazendo o bem, por e/ou pelos pobres e não junto com eles.Quando numa periferia ou numa comunidade aparece um agente pastoral, um Vicentino ou alguém de nossa igreja para fazer distribuição de alimento, ou prestar algum serviço assistencial, é visto como alguém de fora.Quando é alguém da comunidade, da igreja evangélica cujo obreiro, participante e/ou pastor moram na comunidade e oferecem-se para ajudá-los a conotação é bem diferente.Somos hoje uma igreja gigante, semelhante a um grande império. Muitas são as regras, as normas, as cartas, documentos... a grande maioria dos católicos desconhece tudo isso, e o que é pior, desconhecem até a sagrada escritura. Não fomos acostumados a ter gosto pela leitura sagrada, pelas coisas de Deus. È como se a religião fosse coisa de final de semana, ou melhor de domingo.Muitos católicos são católicos só de missa dominical. E muitos nem isso...Não é de assustar que estejamos encolhendo.Temos dois caminhos. Um deles o caminho do orgulho do avestruz. Enfia-se a cabeça na terra para não ver o perigo e afirma-se que estamos encolhendo sim, mas isso é normal porque resolvemos privilegiar a qualidade e não a quantidade. Como que esquecidos da missão que Jesus nos confiou de evangelizar todos os povos.O outro é o da humildade. Olhar de frente para o problema, buscar os erros, buscar novos caminhos, questionar o que não anda bem e partir para a mudança. Quem sabe um novo concílio? Quem sabe revendo a questão do sacerdócio e a participação dos leigos. Quem sabe buscando as raízes dos primeiros 2 séculos do cristianismo?Tudo vai depender daquilo que quisermos ter como igreja no futuro e da nossa disposição em nos abrirmos às mudanças necessárias.Não é mais admissível que a igreja seja refém de alianças políticas econômicas que só a colocam em situações grotescas, como as que envolveram o nosso cardeal num quase escândalo dos cartões de fidelidade católica, ou no apoio a candidatos de passado e práticas mais duvidosas ainda. Apoiar Marta Suplicy em S. Paulo esquecendo-se de suas posições ou, Eduardo Paes no Rio que coloca a ex candidata, que foi nominalmente criticada pela arquidiocese, como nova secretária em seu governo.Precisamos ser uma igreja preocupada com a essência.Somos hoje uma igreja preocupada com a aparência, com o externo e pouco com o lado interno, místico e mítico da espiritualidade. Temos uma espiritualidade riquíssima deixada por Francisco de Assis, Teresa D’ávila, João da Cruz, Afonso de Ligório e tantos outros.Nossa liturgia não tem espaço para o silêncio, para a meditação, para ouvir o que Deus está falando.Ou rezamos, ou cantamos ou ouvimos o que está sendo proclamado ou rezado pelo sacerdote.Nada de Silêncio, contemplação, meditação...Temos práticas religiosas estereotipadas.Há quem entre na igreja durante uma missa e vá direto a uma imagem sem se dar conta, por exemplo, de que está sendo realizada uma missa, às vezes até durante a consagração. A pessoa entra, reza junto ao santo e vai embora como se o que fez fosse mais importante do que a própria missa.Nós mesmos, de equipes de liturgia, ficamos mais preocupados com a procissão de entrada, das ofertas e com aspectos meramente externos da liturgia e perdemos a oportunidade de rezar e participar fetivamente da missa.Há algo muito sério para pararmos e transformarmos em nossa prática religiosa, ou, sucumbiremos como denunciou D. Cláudio Hummes.Sei que muitos podem estar pessando que estou sendo muito crítico e ácido com nossa igreja, mas fico tranqüilo com minhas criticas porque lembrei de uma música do Pe Zezinho que diz assim:“Eu sei que da verdade eu não sou dono,
Eu sei que não sei tudo sobre Deus.
Às vezes, quem duvida e faz perguntas,
É muito mais honesto do que eu.”
****************************************************************
Cantiga Por Um Ateu(Pe. Zezinho, Scj)Um grande amigo meuQue a sua fé perdeu,
No dia de Natal me procurou.
Contou-me a sua cheia de incertezas
Com tanta honestidade
Que me fez chorar.
E a lágrima teimosa caindo no meu rosto
Lavou meu preconceito de cristão.
Eu sei que da verdade eu não sou dono,
Eu sei que não sei tudo sobre Deus.
Às vezes, quem duvida e faz perguntas,
É muito mais honesto do que eu.
Ao grande amigo meuQue a sua fé perdeu,
dia de Natal me confessei.
-lhe a minha vidaTão cheia de procuras
Com tantas esperanças
Que ele até sorriu.
aquele riso aberto
Nos trouxe bem mais perto,
Lavou seu preconceito de ateu.
Por este amigo meu
Que a sua fé perdeu,
Naquele mesmo dia eu fui rezar.
E a minha prece amiga
Gerou esta cantiga
Que eu fiz pensando muito
Em meu país cristão.
Às vezes muita gente
Não crê no que acredita
E afasta o seu irmão da religião.

Nenhum comentário:

Postar um comentário