Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Receba "O Absurdo e a Graça" por Email

você pode me acompanhar também

Minha página facebook:
https://web.facebook.com/jricoliveira

Ou a pagina do Blog no Facebook:
https://web.facebook.com/oAbsurdoeaGraca/

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

16 de junho de 2008

'Não nos comportemos como fariseus'.

Entrevista com D. Clemente Isnard

A dedicação de dom Clemente Isnard à Igreja Católica se aproxima de sete décadas. Nesse tempo, ele assumiu diversas funções. Foi o primeiro bispo de Nova Friburgo, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), além de ter participado como padre conciliar de todas as etapas do Vaticano II e integrado comissões junto à Santa Sé. O bispo emérito conhece bem os caminhos da Igreja, especialmente no campo litúrgico. Parte desse conhecimento está no livro Viver a liturgia também a ser lançado hoje, no qual reúne uma série de reflexões. Na obra, dom Isnar afirma que à medida que a idade vai chegando, sente-se mais livre para escrever o que pensa. "Gozando de plena liberdade, posso elogiar ou criticar também autoridades eclesiásticas sem considerar cargos ou pessoas", salienta. D. Clemente Isnard concedeu uma entrevista ao jornal Diário de Pernambuco, em 12 de junpo deste ano
Eis a entrevista.
Por que escrever sobre temas polêmicos como o celibato e a escolha dos bispos?


Para dar meu testemunho como bispo para o povo.
E como surgiu a idéia da publicação?
Depois da missa de meus 90 anos, na Igreja das Fronteiras, no ano passado. Na homilia, falei dos meus sonhos para a Igreja e depois da celebração padre José Comblin, da Paraíba, pediu para eu escrever. O livro é o resultado.


O senhor recebeu alguma pressão para não publicar o livro?

Quando o texto estava pronto, uma cópia foi tirada do meu computador sem minha autorização indo parar nas mãos do núncio apostólico, dom Lourenzo Baldisseri, que pediu a Editora Paulus para não publicar o trabalho. O livro está saindo por outra editora, a Olho d'Água.

Alguma autoridade chegou a pedir diretamente para que o senhor desistisse?


Todos os bispos do Regional Leste 1, que reúne as dioceses do Rio de Janeiro, fizeram uma carta me pedindo para não publicar o livro. Eles alegavam que os assuntos poderiam ser mal interpretados e isso seria ruim para a Igreja.

Não teme repercussões negativas?

Meu Deus!, Eu acho que a discussão sobre esses temas somente fará bem. A Igreja é santa e pecadora. E a história mostra que as mudanças na Igreja demoram séculos para mudar. Talvez tenhamos que esperar um milênio, mas temos que ser insistentes. Com o livro, quero apenas conscientizar as pessoas.
E se o Vaticano chamar o senhor como fez com Leonardo Boff nos anos 80?
Já estou velho, mas vou lá. Repito o que está no livro e outras coisas mais. Tudo farei sobre a luz do Evangelho, que pediu para não nos comportarmos como fariseus.


O senhor pensa escrever outros livros desse tipo?

Sim. E penso em incluir um capítulo que, a princípio, seria publicado nas reflexões atuais, mas retirei por sugestão de um padre que fez análise do livro.

E de que tratava?

Nesse capítulo, eu abordava a questão dos bispos auxiliares., tendo como fundamento experiências vividas em dioceses brasileiras.



Trechos do livro:

PARTICIPAÇÃO POPULAR
"Sabemos que certas nomeações episcopais são mal acolhidas pelo povo, e com razão. Quando se fala que o leigo de hoje chegou à maturidade, reconhece que é um dever urgente voltar aos costumes do primeiro milênio no que toca à eleição dos bispos (...) Como seria bom e bonito que, no dia marcado, o bispo metropolitano, se reunisse com representantes do clero e do povo e escolhessem todo o futuro bispo.


"REFORMA DA IGREJA"
O papa polonês teve um longo pontificado e, com a colaboração de elementos conservadores que pululavam na Cúria Romana e que já tinham levantado a cabeça no fim do governo de Paulo VI, deu-se uma parada ou uma desaceleração no movimento de reforma da Igreja com alguns sinais de retrocesso. Evidentemente, com o atual sistema de nomeação, de bispos, isso teria conseqüências nas promoções do Brasil.


"NOMEAÇÕES EPISCOPAIS"
Como fazer nomeações episcopais? O principal é que nelas estejam em atividade três elementos: o povo, o clero e a autoridade eclesiástica, o metropolita ou o papa. Não se trata de colocar a turba dentro da catedral como se fazia no primeiro milênio. Trata-se de fazer participar homens e mulheres engajados na Igreja, idosos e jovens, em número significativo conforme a diocese".


CELIBATO SACERDOTAL
"Fala-se tanto na falta de sacerdotes, nas paróquias sem padres, nos padres que se secularizaram deixando o ministério. E não se pensa nos padres de valor e que se casaram e que poderiam ter continuado no ministério se a Igreja lhes tivesse concedido matrimônio. Em igrejas orientais católicas os padres podem se casar. Por que não na Igreja Latina?".


SACERDÓCIO FEMININO
"O que dizer das palavras de São Paulo na Epístola aos Gálatas: "quem foi em Cristo, revestiu-se de Cristo. Não é um judeu nem grego; não é servo nem livre; não é macho nem fêmea. Todos vós sois um em Cristo" (3,27s). São Paulo nessa época prega a igualdade.


BISPOS EMÉRITOS
"O problema para os bispos eméritos é deixar a diocese e ficar vagando sem ter o que fazer. Depois deuma vida de intensa atividade, o bispo emérito não tem um trabalho empenhativo. Não foi o meu caso, pois logo comecei a trabalhar em Duque de Caxias. O povo, em geral, gosta do bispo e o bispo gosta de sentir o amor do povo".


Conclusão
"Terminada a redação desse opúsculo, falei de seu conteúdo ao abade do Mosteiro. Ele não leu o livro, mas por ouvir falar de algo nele abordado, julgou de seu dever me prevenir de que essa publicação iria me trazer muitos sofrimentos, e até respingos sobre ele e o mosteiro" (pág. 37).


E, após questionar Que sofrimentos seriam esses?,
o próprio bispo emérito Dom Clemente Isnard continua:
"Tenho certeza de que nesse opúsculo não há nada contra a fé católica. Pelo contrário, penso que embora ele arrisque para mim alguma contestação do superior (só tenho um superior que é o papa), enfrentarei isso com tranqüila consciência.Caso eu optasse agora pela minha tranqüilidade, pela velhice com honra e consideração, eu estaria traindo minha vocação, a vocação que me trouxe ao mosteiro, que me fez amar a Igreja a ponto de renunciar a tudo por ela. Estaria sendo covarde" (pág. 37).


Nenhum comentário:

Postar um comentário