Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

26 de junho de 2008

religiosidade Popular

(J.Ricardo A. de Olivevira)
Hoje o papo é sobre a igreja popular ou, como querem alguns o catolicismo popular...



Há por parte da igreja católica Romana uma tendência a desvalorizar esse tipo de manifestação popular, afirmando que isso é crendice, superstição ou sincretismo.
Pode-se ter um catolicismo popular que não seja só Romano, já que católicos são também os Ortodoxos, os Anglicanos e os da Igreja Católica Brasileira. Inclusive no cristianismo primitivo quando o termo foi usado inicialmente, o foi em seu sentido de universalidade. Assim a igreja católica de Jerusalém, a de Antioquia e outras mais, antes de Roma determinar que seria a Sede, não tinham o sentido do que se entende por "Católicismo Romano" que existe hoje.

Não vejo nada demais em se ter um catolicismo popular que não seja uma extensão só da ICAR. Afinal há santos populares, venerados pela religiosidade popular que não foram canonizados pela hierarquia Romana e nem por isso deixam de acontecer os milagres e o povo deixa de cultuá-los. Aliás muitos dos Santos foram santificados popularmente, e exatamente por isso foram canonizados.Geralmente estes são os santos em que se vê mais claraente a sua real santidade e que a chancela de Roma só ratificou o que já era "catolicamente" reconhecido.A igreja popular é a igreja de Jesus, é a igreja que seguia o nazareno pelos caminhos da palestina, onde ele ia. Sentava-se no chão para ouvir suas palavras. Depois que Ele se foi, encontravam-se nas casas para partir o pão. Reunia-se informalmente para ouvir os presbíteros (anciãos escolhidos pelas comunidades). Depois reuniu-se às escondidas. A igreja popular sempre prescindiu de uma legalidade. Primeiro os sacerdotes da instituição oficial judaica a perseguiam, depois foram os poderosos do Império Romano. Romaria dos Mártires da caminhada

A força do cristianismo nascente sempre foi o seu fermento. Primava pelo informalismo e pela falta de institucionalização.
Não havia templos, sacerdotes, o poder era atribuido pela comunidade áqueles que reconhecidamente tinham recebido o ensinamento e podiam repassá-lo.
A autoridade era algo muito diferente daquilo que observamos hoje.
Tanto que Pedro, tido como chefe, (embora haja controvérsias sobre a natureza desta chefia) foi contestado por Paulo.
Pedro na minha visão, era o presbítero, o ancião do grupo e logicamente o Judeu Jesus entregou a ele a continuidade de seu magistério.
Mas como eu ia dizendo, Pedro foi contestado por Paulo no concílio de Jerusalém, e acabou cedendo e aceitando que a circuncisão não fosse regra para aderir ao cristianismo.
A se pensar em Pedro como um papa, como uma figura de autoridade monárquiaca como em nossos dias, isso jamais aconteceria. A prova disso é o número de "Paulos" que foram silenciados ao longo da história da igreja tais como Giordanio Bruno, Galileu, e mais recentemente, Maister Eckhart, Teilhard de Chardin, Hans küng e o brasileiro Leonardo Boff, odiado por três entre dois católicos fundamentalistas.
Se digo tudo isso é para refletir que a verdadeira igreja do mestre é a igreja do populacho, que não sabe ler, que não entende de documentos pontifícios rebuscados, de linguagem dúbia que só servem para disputas teológicas de gente que detesta povo, odeia pobre, diferentemente daquilo que Jesus nos demonstrou com sua vida entre os pobres e excluídos da sociedade de sua época.
A igreja popular é aquela que reune a benzedeira, a missa dominical, a crença na reencarnação ( 80% dos católicos segundo o IBGE) a visita ao preto velho quando as coisas não vão bem e o pedido de Bênção ao "Seu padre", geralmente muito distante da vida da maioria dos seus fiéis por sua erudição, embora seus votos devereiam tê-lo feito um servidor do povo e e não alguém superior a este povo.
Na igreja popular se reza ao Padim Padre "Ciço Rumão Batista",
para Nhá Chica,para a menina Izildinha, para a escrava Anastácia e para o santinho Helder Câmara. Reza-se para santa irmã Teresa e pra São João paulo II...
Reza-se benditos, com um linguajar todo próprio que faria tremer qualquer prelado da Cúria romana:


"... com dois eu te vejo,
com três eu te afasto,
no poder do Pai,
do filho e do Espírito Santo ".

Na igreja popular o Latim é visto como sinal de poder e força, mas não no sentido que pensam os tradicionalistas, mas no sentido de força pra afastar o bicho ruim, o chifrudo que atrapanha e fecha os caminhaos...
A sabedoria da igreja popular finge que aceita que a vela e o incenso são só símbolos de exaltação a Deus, aceita e dá o rizinho no canto da boca e diz: tá bom, faz de conta que eu não ví o padre dar três voltinhas no altar, rodar o incenso três vezes pra cada lado, que o sacristão "defumou" o padre e depois todo mundo.
Tá, faz de conta que "nós num sabe"que é pra afastar o que tem de ruim...
Contestar a igreja popular é negar que é ela a verdadeira representante da simplicidade que Jesus pretendia quando enviou seus discípulos ao mundo. Que foi a ela que os apóstolos se dirigiram quando saíram do cenáculo cheios do Espirito Santo anunciando o início do Reino profetizado por Jesus.
A riqueza desta igreja popular é que deu sustentação á mensagem do Espírito Santo para a manutenção do cristianismo.
Foi essa igreja popular que foi para arena cantando, sabendo que seria devorada pelos leões do domiínio imperial .
Foi só quando a igreja popular foi relegada ao lado de fora, á condição de leiga, que a instituição imperial pode conseguir o que tanto buscava.
Mas como o objetivo divino, já foi dito, não perecerá jamais,(as portas do inferno jamais prevalecerão...) ela resiste, nas romarias, nas novenas, nas CEBs, nas tradições seculares de congadas, reizados, nas danças de S. Gonçalo, no sincretismo com outras formas de adoração do mesmo e único Deus, mesmo que muitas vezes seja queimada nas fogueiras, presa nos carceres, ou silenciada pela autoridade auto denominada como representante de Deus.

. Axé! Awerê! Shalom! Salam ! Namastê! Paz !
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