Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

2 de junho de 2008

A TERNURA DO CRISTO E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.

(Rohane de Lima)



Hoje trago o texto de minha amiga Rohane da comunidade "Teologia da Libertação"do Orkut:


http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=258351



A TERNURA E OS EVANGELHOS
Nenhuma outra parte da Bíblia é tão carregada de ternura quanto o Novo Testamento.

Nos Evangelhos Jesus nos dá a Boa Nova, nos ensina a deixar de lado o “olho por olho, dente por dente”, desvia nosso olhar de um Deus iracundo e furioso e nos convida a olhar para um Deus que perdoa, apazigua, acolhe, ama e dá a outra face. O tempo todo Jesus nos ensina a curar, a viver e a morrer pelo outro, a orar, a confiar em Deus e não a temê-Lo. Jesus nos ensina a partilha do alimento e da confiança, nos ensina que julgar o outro não é função nossa e que em vez de julgar, devemos acolher com misericórdia.Segundo o psiquiatra colombiano Luiz Carlos Restrepo (in o Direito a Ternura, 1988) no original grego do Novo Testamento, ao referir-se a dimensão milagrosa de Cristo, os Evangelistas utilizam a palavra splacnisomai, que corresponde a conjugação de um verbo desaparecido no século II a III de nossa era e que poderíamos traduzir como “sentir nas vísceras”. Para os que estiveram perto do Jesus histórico, um dos sinais de sua grandeza era a capacidade de aproximar-se dos enfermos – tanto do corpo quanto da alma – sentindo-os com suas próprias vísceras. A tradução latina de splacnisomai é misericórdia; foi essa tradução que se integrou a tradição pastoral e litúrgica e aí a bagagem vivencial para tornar-se simples formalismo. A expressão “Senhor, tem misericórdia de mim” deve ser entendida pelo cristão como rogar a Deus que Ele nos sinta como suas vísceras. Sentir alguém nas vísceras é trazê-lo pra debaixo da própria pele e sentir sua dor como se fosse a nossa própria carne, é deixar de ver a dor do outro como diferente da minha. (Mateus 7, 22; Lucas 6, 31).Ao sermos Misericordiosos demonstramos uma disposição de alma, de ser semelhante a Cristo na relação com amigos, inimigos, desprezados, e pecadores. É uma manifestação da conduta. O misericordioso usa de bondade ao olhar para os outros; procura o melhor, não o pior; é lento para condenar, rápido para recomendar.Por que referir a ternura e não ao amor? Porque amor, quando não sentido entre casais, pais e filhos, amigos e irmãos, fica difícil de ser compreendido e é muitas vezes confundido com paixão; porque o amor tem no outro extremo, o ódio. Amamos do outro, o que ele tem de igual a nós, ou amamos uma imagem que projetamos do outro, onde sonhamos encontrar o que não possuímos. O amor é ainda um aprendizado difícil para a maioria de nós.A ternura é o meio do aprendizado entre o amor e o ódio – sentimentos humanos e cotidianos em nossas relações. A ternura é o caminho que percorremos quando nos descobrimos frágeis e falíveis. É pela ternura que, quando nos deparamos na fronteira do ódio, quando nossa impaciência está a ponto de tornar-se intolerância e violência, conseguimos olhar as diferenças como algo que nos enriquece mesmo nos aborrecendo e não correspondendo as nossas expectativas e que a singularidade do outro nos oferece oportunidade de crescimento e de evolução.É através do enternecimento que abrimos o coração e a mente para acolher o próximo mesmo quando desconhecido; é através a ternura que nos abrimos para o gesto amoroso que protege e confere paz. Com a ternura se alcança a contenção sem a dominação e sem a intolerância. Com a ternura somos misericordiosos com os “defeitos” (leia-se diferença) nos outros, até porque muitas vezes esses mesmo defeitos estão em nós (nas nossas vísceras!).Ainda em Restrepo (1988), podemos ler que "Somos ternos quando abandonamos a arrogância de uma lógica universal e nos sentimos afetados pelo contexto, pelos outros, pela variedade de espécies que nos cercam. Somos ternos quando nos abrimos a linguagem da sensibilidade, captando em nossas vísceras o prazer ou a dor do outro. Somos ternos quando reconhecemos nossos limites e entendemos que a força nasce de compartilhar com os outros o alimento afetivo. Somos ternos quando fomentamos o crescimento da diferença, sem tentar nivelar aquilo que nos contrasta. Somos ternos quando abandonamos a lógica da guerra, protegendo os nichos afetivos e vitais para que não sejam contaminados pelas exigências de funcionalidade e produtividade a todo transe que pululam no mundo contemporâneo”A partir da compreensão do que é ser terno, podemos perceber a imensa ternura que Jesus nos dedica quando nos encontra tão renitentes e tão primitivos no aprendizado do amor. Os Evangelhos são explícitos ao narrar que a missão de Jesus é nos ensinar a amar (Mateus 5,43-44; 6, 14-15 ;14, 13-21; 15, 29-36; 18,19; 22, 36-40. João 8-7) e não existe a conjugação do amor sem o outro, então somente através do outro chegaremos a Jesus e somente por Ele iremos ao Pai (João 14,6; 15, 12-17). No Sermão da Montanha, quando das bem-aveturanças, temos novamente a evidência de um Jesus cheio de ternura e misericórdia, nos ensinando a sermos ternos e misericordiosos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles. Bem-aventurados sois, quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”. (Mateus, 5, 1 - 12)



A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A TERNURA



Na segunda metade do século passado, (meados da década de 60) surge uma elaboração teológica embasada na vida do povo latino-americano. Como conseqüência da vivência, do engajamento social e político e do testemunho cristão no meio do povo, a Ação Católica inicia uma enorme reflexão teológica a partir da vida, do cotidiano desse mesmo povo. Os movimentos de Ação Católica, e o resultado do Concílio Vaticano II, levaram teólogos a elaborar uma teologia que iluminasse os cristãos, de forma ordenada e profunda – a buscar o engajamento político e social. Contidos nessa elaboração teológica, estavam valores de libertação - inspirados na longa experiência do Povo de Deus, do tempo do Antigo Testamento, e nas experiências dos cristãos, renovados pela Boa Nova de Jesus Cristo – havia, também, valores e contra-valores dos conflitos de classe, existentes no Sistema de Exploração do Trabalho. A Teologia da Libertação contém o conceito da Luta de Classes encontrados em Marx, assim como estão presentes os anseios e as lutas pela libertação, apresentados nos livros da Bíblia, presente nas experiências do povo Hebreu e também na pregação e na prática de Jesus Cristo. (Mt. 5, 1-12; 9, 14-17; 23 (todo); Mc. 11, 15-19; 12,1-10;12, 38-40; Lc. 1,46-55; 2,33-35; 4, 17-21 e 24, 17-21)).Daí o porquê do crescimento da Teologia da Libertação na América Latina: “a religião passa a ser um fator de mobilização e não de freio” (BOFF, 1980). O pastor não diz às ovelhas que se contentem com o sofrimento provocado pela miséria, pela exploração e pela exclusão A religião não mais se apresenta como “ópio do povo”. A religião passa a ser um fator de libertação e de esperança para o homem e não mais se reduz a uma ideologia que mantém o status quo social e político. A TL mostra que Deus encarna-se na história, gera libertação de um povo humilhado, gera vida e esperança a um povo condenado a viver sem sonhos. Podemos dizer, metaforicamente, que a TL revela Deus como àquele que resgata a dignidade dos humilhados da terra. Dando grande ênfase à situação social humana, a TL encontra ressonância entre a maioria dos fiéis no Brasil e na América Latina – espaço geográfico onde a maioria da população é de oprimidos, miseráveis e excluídos – num período em que as práticas de governar baseavam-se em torturas e perseguições políticas e aí a TL foi fundamental para que a Igreja viesse a denunciar os crimes dos governos militares, exigindo seu fim e a volta da democracia. A opção pelos pobres, assumida pela Igreja, está alicerçada nos profundos conceitos de justiça nela contidos.A partir dessa luz os fieis deixam de ser meros freqüentadores de missas e novenas e passam a constituir de fato as comunidades, como nos tempos iniciais do cristianismo. Unidos trabalham pelo fortalecimento da Nova Igreja, assumem funções dentro das comunidades, para educar-se, acolher-se e cuidar uns dos outros nos grupos de trabalho. Descobrem o direito de serem iguais quando a diferença os exclui e inferioriza e reivindicam o direito de ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza.As reuniões de Medellin e Puebla, já sob as luzes da Teologia da Libertação, motivaram as Comunidades Eclesiais de Base, para a Igreja que trabalhava o sentido da libertação evangélica, para vencer a “moderna” opressão imposta pelo poder de nossos tempos. Das CEBs, nascem grupos que assumiram as lutas por moradia, transporte, saneamento básico, iluminação pública, educação, creche, saúde pública. A Teologia da Libertação mostra que Deus é “Pai-Nosso” e que por isso homens e mulheres devem se relacionar como irmãos e irmãs, sem exclusão, sem opressão ou sem qualquer tipo de violação da dignidade humana. Lutar pela libertação é valorizar a paternidade universal de Deus, que se manifesta nas relações justas e fraternas entre todos os seres humanos. Como caráter teológico, foi o momento único da Igreja como Instituição, em trabalhar na união dos cristãos e na busca dessa comunhão, disseminou o ideal de auxílio aos excluídos, de acolhimento e empoderamento dos oprimidos para uma caminhada transformadora que libertasse a todos. Aos oprimidos, busca liberta-los da ignorância que os deixa vulneráveis e a mercê dos opressores, ao mesmo tempo que oferece ao opressor – através do mesmo evangelho e do mesmo amor – a oportunidade de libertar-se para o gesto de amar e desprender-se na busca do sentimento de pertencimento a uma comunidade de irmãos e irmãs, filhos e filhas de um mesmo Pai.Fontes:RESTREPO, Luiz Carlos. O direito a ternura. Ed. Vozes. Petrópolis-RJ. 1998.

FERNANDES, Rubem César. Teologia da Libertação in www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/artcult/religiao/tlibert/index.htm



Minhas reflexões sobre o Texto:
(José Ricardo A. de Oliveira)

De minha parte eu aprendi que "dar a outra face" é na realidade, mostrar a outra face da questão, o outro lado da moeda, uma outra possibilidade para a situação que se apresenta.Não tem nada que ver com humilhar-se diante do agressor.Como por exemplo no caso da pergunta se é licito pagar impostos.Jesus apresenta uma outra possibilidade que é dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.Já que Cesar apesar de exigir que o adorem como, não é um Deus é um déspota que exige o pagamento injusto dos impostos.E penso também que até para se exercer a justiça, para dizer a verdade temos que saber como fazer, como dizia o Che, sem perder a ternura.O mundo segue hoje na direção do capital, da impessoalidade, do desrespeito pelo outro.A máxima é que: eu sou o centro do mundo, e dane-se quem não estiver comigo., como na famigerada Lei de Gerson: há que se levar vantagem em tudo.Vejo que a mensagem do Cristo é justamente a "contra mão" dessa realidade. A justiça é feita, mas dentro da perspectiva do amor, da caridade, ou como disse nossa amiga Rohane da ternura.O amor e a ternura são coisas piegas para o mundo capitalista, não dão lucro e não abrem caminho para a exansão e o crescimento.Por isso o cristão é aquele que faz valer seus direitos e principalmente o direito de seu irmão, mas não o faz como os déspotas ou como os que não levam em consideração o semelhante, porque por mais dificil que seja ele precisa reconhecer a filiação divina em todos os seres humanos mesmo que seja um Hitler, um Benedito 16 ou um Bush.Aí talvez esteja a grande dificuldade nossa e a nossa necessidade de aprimoramento.

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