Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

17 de abril de 2009

A visão de Jean Yves Leloup sobre o caso da menina de Olinda

c.
Esta é a resposta de Jean-Yves Leloup, autor de inúmeros livros, varias traduções de textos canônicos e apócriofos das escrituras, ex sacerdote católico, dominicano e atualmente padre da Igreja Ortodoxa francesa, sobre o caso da menina estuprada por seu padastro em Olinda.
Esta resposta foi dada no retiro do último fim-de-semana, aqui no estado do Rio de Janeiro
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Pergunta: Uma menina de nove anos é estuprada pelo padrasto e engravida. A justiça e a medicina concordam que ela não sobreviveria à gestação e concordam com o aborto. Os arcebispos de Olinda excomungam todos os envolvidos no aborto desde a diretora do hospital ao motorista da ambulância, a enfermeira que desinfeta os instrumentos, médicos e a mãe da menina. Em sua opinião, como reatar a conexão com o Divino neste ato da Igreja Católica?Jean-Yves Leloup: Nós poderíamos perguntar o que teria feito Cristo. Eu acho que Ele não teria escutado nem o juiz nem o arcebispo, Ele teria ido ver a menina para cuidar dela e escutar, naquele momento, aquilo que a Vida estaria Lhe inspirando.É claro que se a vida da mãe e a vida da criança estão em perigo é preciso escolher que um dos dois sobreviva, se os dois não podem sobreviver. Depois, é preciso escutar o sofrimento desta menina e, o que pode ser ainda mais difícil, saber o que conduziu o padrasto a esta atitude.Contudo, tanto em um caso como em outro, nós não estamos em uma atitude de julgamento, em uma atitude onde devamos fazer isto ou aquilo. Trata-se de escutar a pessoa que está sofrendo, escutar aquilo que a Vida deseja nela, pois a vontade de Deus é a vontade da Vida que quer viver.Como não acrescentar sofrimento ao sofrimento? O que pode nos parecer dramático é o fato da culpa ser acrescentada ao sofrimento - acrescentamos mal ao mal....No Evangelho, nós nunca vimos Jesus excomungando alguém e, antes de tudo, será que é possível excomungar alguém? O diabo não pode nos separar de Deus se permanecermos fiéis à Sua Presença. Se o diabo não pode nós separar de Deus, um arcebispo também não!Confesso que há alguma coisa que eu não compreendo nisto tudo: é este encadeamento de excomunhões. Se eu estivesse de mau humor, eu diria que a única pessoa que o arcebispo não excomungou é o padrasto que é o culpado...No entanto, não é essa a questão. Nenhuma igreja, nenhum ser humano tem o poder de nos excomungar: Nós não podemos separar um ser da Fonte do Ser, não podemos separar a consciência da Fonte da Consciência, mas podemos envenenar e perturbar a vida dos outros...Isso é grave. Normalmente, a função da igreja não é a de nos envenenar a vida, mas a de curar o nosso sofrimento, de aliviar a nossa dor. Aliviar a dor dessa menina, aliviar a dor daqueles que a cercam e não culpabilizar aqueles que estão tentando ajudá-la, pelo contrário, ajudá-los no seu discernimento para saberem o que é melhor para essa menina.Essa é a função da igreja. Não é sua função condenar ou excomungar, senão ela se tornará uma instituição como qualquer outra que está a serviço do poder e o poder sobre as almas é algo muito perigoso, mais perigoso do que o poder sobre os corpos. É por isso que sempre é bom voltarmos aos Evangelhos ou, simplesmente, voltar ao nosso coração e não nos deixarmos impressionar por leis externas, mesmo as leis religiosas. A lei a qual obedecemos é a lei da Vida e o espírito que está em nós é o Espírito da Vida. É isso que dirá São Paulo. Não dependemos mais de leis externas. Trata-se de escutar a Vida em nós, de escutarmos a Luz em nós, de escutar o Amor em nós, de escutar a Presença do Eu Sou que É porque aí está o discernimento. No entanto, algumas vezes é preciso coragem para encarar estas instituições que talvez estejam se esquecendo dessa dimensão do ser. Muitas vezes, estas instituições são vítimas de suas próprias ideologias.É interessante escutar os argumentos do arcebispo de que não devemos destruir a vida. Mas vocês podem sentir que a sua teoria está separada da realidade. Seus grandes princípios, que não são ruins, esquecem aquele caso em particular. E existem apenas casos particulares. Não podemos legislar de uma maneira geral porque o amor é sempre o amor por um caso em particular. O que é verdadeiro para um pode não ser verdadeiro para o outro. A nossa prática de meditação pode nos ajudar a nos tornar atentos a essa via interna, a essa lei interna, que não julga a priori, nem com princípios políticos, nem com princípios médicos, nem com princípios religiosos, mas que está em contato com a Realidade; que escuta o que a Vida em outra pessoa e o que a Vida em nós pede.Talvez essa seja a condição para execermos um ato justo, uma condição que deixe o nosso coração em paz mesmo que, à nossa volta, nós não compreendamos. É importante o critério dessa paz interna, esse sinal de que existe uma unidade no interior de nós mesmos.Penso nas palavras de São Serafim de Sarov: "Encontre a paz no interior de você mesmo e uma multidão será salva ao seu lado..."Ache a paz no interior de você mesmo e você descobrirá o gesto justo que não vai ser uma ideologia, ou um grande princípio, mas o respeito pela Vida na sua fragilidade e na sua vulnerabilidade.Teríamos muito a dizer sobre todas essas suas questões, mas o que eu acho importante é que cada um descubra a resposta que vem do seu interior. Ninguém tem o direito de pensar no seu lugar. O papel de um ensinamento, o papel de uma comunidade ou de uma igreja não é dizer o que devemos fazer, aquilo que é bom e o que é ruim, mas de nos dar elementos para esclarecer o nosso discernimento, para que nós nos tornemos inteligentes, uma inteligência esclarecida e iluminada pela compaixão.Também eu me senti excomungado pelo bispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, juntamente com a mãe daquela menina brasileira de 9 anos, grávida de gémeos, em consequência da violação-estupro, do próprio padrasto, de 23 anos de idade, já preso e confesso autor de semelhante monstruosidade humana. Ele próprio, depois de preso, confessou ainda que, além dessa monstruosidade humana, havia cometido outra, concretamente, havia abusado, durante três anos, de uma irmã da mesma menina grávida de gémeos, de 14 anos de idade. A excomunhão do bispo atingiu igualmente, de forma explícita e pública, toda a equipa médica que, com o consentimento da mãe da menina violada-estuprada, teve o bom senso de, nestas circunstâncias concretas, provocar o aborto clínico à menina grávida e, assim, salvar-lhe a vida e, tanto quanto possível, o seu futuro humano. E, implicitamente, acaba por atingir todo o Brasil, para não dizer todo o Mundo, que, em peso, se levantou contra semelhante indignidade episcopal-eclesiástica e a condenou como uma monstruosidade em tudo semelhante à do padrasto violador-estuprador. A excomunhão atinge-me também directamente a mim, presbítero da Igreja do Porto, que, daqui, de Portugal, não hesito em afirmar que estou inteiro com a aquela mulher-mãe excomungada pelo bispo de Olinda e Recife e com a equipa médica que, em boa hora, decidiu realizar o aborto clínico à menina violada-estuprada. Pelos vistos, só não atingiu, nem explícita nem implicitamente, o padrasto violador-estuprador da menina. Nem o cardeal da Cúria romana, Giovanni Battista Re, que, em seu nome pessoal e em nome da Cúria, portanto, em nome do próprio papa Bento XVI que a ela preside, já veio a correr dizer urbi et orbi que o bispo excomungador de Olinda e Recife agiu muito bem, ao fazer o que fez. Mas a excomunhão do Bispo de Olinda e Recife já atinge, implícita e explicitamente, Jesus, o de Nazaré, que nunca soube, nem sabe /saberá de excomunhões, apenas de misericórdia. E, em Jesus, o de Nazaré, atinge, obviamente,implícita e explicitamente, Jesus, o de Nazaré, que nunca soube, nem sabe /saberá de excomunhões, apenas de misericórdia. E, em Jesus, o de Nazaré, atinge, obviamente, toda a Igreja-Movimento-Sopro daqueles dois ou três que, um pouco por toda a parte, vivem reunidos em seu nome e em comunhão com o seu mesmo Espírito, com a fecunda e arriscada Missão de prosseguirem, em cada tempo e lugar, as suas mesmas práticas maiêuticas e os seus duelos teológicos contra a Idolatria, também contra a Idolatria que dá cobertura ao Sistema Eclesiástico Romano, servido por funcionários-bispos como este de Olinda e Recife e tantos outros como ele e muitos párocos que funcionam, nas respectivas paróquias, como outros tantos braços compridos dos bispos-Poder eclesiástico e da Cúria Romana, e como outros tantos eunucos sem afectos e sem entranhas de humanidade, apenas com faro para o Negócio religioso e para os ritos em honra do seu Deus-Ídolo excomungador. Está visto que um Sistema eclesiástico assim pode ter tudo, e tem, de Religioso, mas não tem nada de Jesus, o de Nazaré, nem nada da sua mesma Fé. O Deus que ele diariamente pratica e serve é um Ídolo que se alimenta de gente, com tudo de Monstro, de Besta, sempre de mãos dadas com o Deus-Dinheiro, o grande Dinheiro que pariu esta Ordem Mundial sem entranhas de humanidade, fabricadora de pobres e de pobreza em massa e de outras inúmeras vítimas humanas e de natureza. Deste Sistema eclesiástico, pode-se bem dizer o que Jesus disse do Templo de Jerusalém: não há-de ficar pedra sobre pedra. Cabe-nos a nós, seres humanos, deixar de o alimentar, deixar de nos dedicarmos a ele e de lhe darmos as nossas filhas, os nossos filhos. Em vez disso, ousemos escutar as Vítimas da História e, nelas, o Espírito de Jesus. Ousemos integrar aquele pequeno resto dos dois ou três que vivem reunidos em nome de Jesus e animados pelo seu mesmo Espírito. O Religioso deixará de ter mais qualquer lugar no nosso viver. Conheceremos a Verdade e ela nos fará livres, por isso, mulheres e homens que se atrevem a prosseguir, neste nosso século XXI e dentro desta perversa Ordem Mundial do grande Dinheiro, as mesmas práticas maiêuticas de Jesus e os seus duelos teológicos contra a Idolatria, antes de mais, a do Deus-Dinheiro, e também a do Poder Religioso e a do Poder Político. Experimentemos dar este passo. E descobriremos, por experiência, que o melhor antídoto contra a Idolatria não é o Ateísmo /Agnosticismo, hoje cada vez mais generalizado, mas sim a mesma Fé de Jesus, a única que leva o Humano que somos até à sua plenitude, porque nos faz mulheres /homens-para-os-demais-e-com-os-demais. A partir das vítimas.

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