Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

29 de setembro de 2009

Cisma do Oriente

J. Ricardo A. de Oliveira.
Setembro passou como um raio e eu nem ví.
Mas antes que o mes termine preciso colocar aqui algo que me pediram e que acho muito interessante comentar. Trata-se do "Cisma do oriente", ou mais simplesmente, a separação entre a igreja de Roma e a de Constantinopla. o Texto é grande ,mas é importante que seja claro.

O Cisma do Oriente

A pilhagem de Constinopla

Andaram me perguntando sobre a igreja ortodoxa e não foi a primeira vez. Resolvi então reunir o que estudei a respeito e o que aprendi com O Pe. Francisco e com Jean Yves Leloup ( Père Seraphim) nos meus tempos do Mosteiro da Terra da Trindade., em Terê. Pena que acabou...

Vamos lá:
Uma das chagas mais sangrentas e doloridas na histótria do catolicismo foi a dissensão entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Católica Ortodoxa.
Esta pendenga vem de longa data e recebeu o nome de "Cisma do Oriente".
Esta verdadeira guerra entre católicos e ortodoxos e foi a causa de grandes disputas e perseguições. Fazendo um retrospecto vamos encontrar:
No século IV Constantino I, primeiro Imperador de Roma que aceitou o Cristianismo como religião oficial do Império Romano, reuniu no em 325 D.C., na cidade de Nicéia, o primeiro concílio ecumênico, que ficou conhecido como 1º Concílio de Nicéia, onde ficou definida a divindade de Jesus Cristo. A bem da verdade já haviam sido realizado o concilio de Jerusalém, mas na gestão de Constantino, Niceia foi o primeiro.
As Igrejas foram então divididas em cinco:
Igreja Católica Ortodoxa de Alexandria;
Igreja Católica Ortodoxa de Constantinopla;
Igreja Católica Ortodoxa de Antioquia;
Igreja Católica Ortodoxa de Jerusalém;
Igreja Católica Apostólica Romana;
Com esta divisão a igreja de Jerusalém, teoricamente a mais importante perde a primazia para a igreja de Roma nonde estava a sede do império. Para ser bem honesto não é que esta primazia de Jerusalém fosse algo formal. As comunidades não tinham até então um "governo" único, eram muito mais um colegiado. Com a imperialização do cristianismo esse colegiado terminou e Roma assumiu o comando.
Ainda foram feitos mais seis concílios antes do cisma das Igrejas Ortodoxas e Romana. São eles:
Constantinopla I (ano 381)
Divindade do Espírito Santo, com o ensino da fórmula “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o filho é adorado e glorificado”(Símbolo Niceno-Contantinopolitano).
Condenação de Macedônio, bispo de Constantinopla, que defendia que o Espírito Santo não era Deus. Divisão das Pentarquias.

Efésio (ano 431)
Maternidade Divina de Maria. Sim, até aquela época ninguém tinha se decidido se a gravidez fora divina ou não.
Condenação de Nestório que se opôs ao termo “Mãe de Deus”, porque abordava a divindade de Cristo de tal maneira que poderia ofuscar sua natureza humana, além de não aceitar o emprego de imagens, a não ser a cruz.
Em Cristo uma Hipóstase, a Divina. Jesus era Deus e pronto, acabou-se!
Uma curiosa divindade por decreto humano.
Calcedônia ( ano 451)
Dualidade da natureza em Jesus Cristo, reafirmando que ele era homem e deus ao mesmo tempo.
Condenação de Eutiques, que ensinava o monofisismo, ou seja, a doutrina que admitia em Jesus Cristo uma única natureza, a divina. Como podem ver, uma hora não sabiam se a natureza de Jayé era divina, humana ou ambas. Eles esqueceram de perguntar ao próprio o que ele achava, mas aí é uma questão de fé de cada um.

Constantinopla II (553)
Condenou as obras escritas pelos seguidores do herege Nestório.

Constantinopla III (680)
Dualidade de Vontades em Jesus Cristo, não contrariadas uma pela outra, mas a vontade humana sujeita à vontade Divina, uma espécie de “esquizofrenia santa”.
Condenação do Monotelismo, que defendia que o Jóquei de Jegue detinha apenas uma única natureza (a divina, é claro). Eutiques, arquimandrita dum mosteiro de Constantinopla, defendeu que, havendo uma só pessoa, também devia haver uma só natureza, admitindo que a humana fora absorvida pela divina.

Nicéia II (787)
Condenação do Iconoclasmo, para a erradicação da adoração de ícones religiosos.
Não vejo diferença entre adorar ícones ou imagens.
É bem similar a adorar três figuras e se dizer monoteísta. Enfim






Ortodoxia
A Ortodoxia é formada por várias igrejas cristãs orientais que professam a mesma fé e, com algumas variantes culturais, praticam basicamente os mesmos ritos.
A autoridade suprema na Igreja Ortodoxa é o Santo Sínodo Ecumênico, que se compõe de todos os Patriarcas chefes das Igrejas Autocéfalas e os Arcebispos Primazes das Igrejas Autônomas, que se reúnem por chamada do Patriarca Ecumênico de Constantinopla e sob a sua presidência, em local e data que ele determinar.
A autoridade suprema regional em todos os Patriarcados autocéfalos e Igrejas Ortodoxas autônomas é da competência do Santo Sínodo Local, que é composta dos Metropolitas chefes das arquidioceses sob a presidência do próprio Patriarca ou Arcebispo que convoca a reunião, marcando a data, o local e a ordem do dia.
Hoje em dia, as Igrejas Ortodoxas Autocéfalas incluem os 4 antigos patriarcados orientais (Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém), assim como as outras dez Igrejas Ortodoxas que surgiram: Rússia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Geórgia, Chipre, Grécia, Albânia e Repúblicas Tcheco e Eslováquia.
Existem 5 Igrejas Ortodoxas Autônomas que funcionam de modo independente no que diz respeito aos seus assuntos internos, porém, sempre dependendo canonicamente de uma Igreja Ortodoxa Autocéfala. Na prática, isto significa que a “cabeça” de uma Igreja Autônoma deverá ser confirmada em ofício pelo Santo Sínodo de sua Igreja-Mãe.
As Igrejas Ortodoxas de Finlândia e Estônia são dependentes do Patriarcado Ecumênico, enquanto que a de Monte Sinai depende do Patriarcado de Jerusalém. A estas 3 Igrejas Ortodoxas Autônomas deveríamos acrescentar as outras 2 Igrejas que Moscou outorgou autonomia: a Igreja Ortodoxa da China e a Igreja Ortodoxa do Japão, ambas filhas da Igreja Russa. Tais ações ainda não tiveram o reconhecimento oficial do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla.

Igreja Católica Apostólica Romana
A Igreja Católica Apostólica Romana, ou simplesmente Igreja Católica (ou abreviadamente ICAR), na perspectiva do número de fiéis, é considerada a principal organização religiosa do mundo e o ramo mais importante do cristianismo. Ela se define notavelmente pelas palavras do Credo, como:
UNA – Nela subsiste a única instituição fundada por Cristo para reunir o povo de Deus;
SANTA – Esposa de Cristo, por sua ligação única com Deus e que visa, através dos sacramentos, santificar e transformar os fiéis;
CATÓLICA – Espalhada por toda a Terra e portando a integralidade do depósito da fé;
APOSTÓLICA – Fundamentada na doutrina dos apóstolos cuja missão recebeu sem ruptura.
Um dos traços que a caracterizam é o reconhecimento do Bispo de Roma (Papa), como sucessor direto do apóstolo Pedro e como vigário de Jesus Cristo.
O adjetivo “católica” é aplicada à Igreja Latina (de “rito latino”) quanto às Igrejas orientais católicas. Entretanto, é mais empregada referindo a primeira, sendo “católicos” os fiéis nela batizados, ou batizados em outras Igrejas particulares, de rito diferenciado, mas que nela tenham professado fé.

Segundo Marcos 16:14-15, aos apóstolos foi cabido divulgar o evangelho (boa nova) a toda criatura de todas as nações. Muito bem, Deus (supostamente) concedeu a Pedro, o pescador de homens , a ser transmitido a seus sucessores, da mesma forma permanece todos apóstolos de apascentar a Igreja, o qual deve ser exercido para sempre pela sagrada ordem dos bispos. A ICAR ensina que os bispos, por instituição divina, sucederam aos apóstolos como pastores da Igreja, já que aqueles que os ouvem, ouvem a Jesus Cristo em pessoa, e quem os despreza, despreza J.C. da mesma forma.

Os católicos acreditam na Santíssima Trindade. Os pontos de vista católicos diferem dos ortodoxos em alguns pontos, incluindo a natureza do Ministério de S. Pedro (o Papado), a natureza da Trindade e o modo como ela deve ser expressa no Credo Niceno, assim como o entendimento da salvação e do arrependimento.
O Cisma do Oriente
O Cisma Ocidente-Oriente, Cisma do Oriente ou Grande Cisma foi a cisão (cisma) formal da unidade da igreja cristã em igreja Oriental Bizantina (Ortodoxa) e a Ocidental (Romana), que tornou-se documentalmente evidente em 1054.

Dá-se o nome de Cisma do Oriente ao período compreendido entre 1378 e 1417, durante o qual dois e, mais tarde, três papas reclamavam a sua legitimidade na direção da Igreja. Todavia, alguns autores (na visão dos ortodoxos, “errônea e abusiva”) designam de Grande Cisma esta divisão da Igreja do Ocidente nos séculos XIV e XV.

O que realmente motivou o Cisma?
O distanciamento entre as duas igrejas cristãs tem raízes culturais e políticas muito profundas, cultivadas ao longo de séculos. As tensões entre as duas igrejas datam no mínimo da divisão do Império Romano em oriental e ocidental, e a transferência da capital da cidade de Roma para Constantinopla, no século IV.

Uma diferença crescente de pontos de vista entre as duas igrejas resultou da ocupação do oeste pelos outrora invasores bárbaros, enquanto o leste permaneceu herdeiro do mundo clássico. Enquanto a cultura ocidental se foi paulatinamente transformando pela influência de povos como os germanos, o Oriente permaneceu desde sempre ligado à tradição da cristandade helenística. Era a chamada Igreja de tradição e rito grego. Isto foi exacerbado quando os papas passaram a apoiar o Sacro Império Romano no oeste, em detrimento do Império Bizantino no leste, especialmente no tempo de Carlos Magno.

coroação de Carlos Magno

Havia também disputas doutrinárias e acordos sobre a natureza da autoridade papal.
A Igreja de Constantinopla respeitou a posição de Roma como a capital original do império, mas ressentia-se de algumas exigências jurisdicionais feitas pelos papas, reforçadas no pontificado de papa Leão X (1048-1054) e depois no dos seus sucessores. Para além disso, existia a oposição do Ocidente em relação
a subordinação da Igreja oriental a um chefe secular, como acontecia na Igreja de Bizâncio.
Uma ruptura grave ocorreu de 456 a 867, sob o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, patriarca Fócio.

Quando Miguel Cerulário se tornou patriarca de Constantinopla, no ano de 1043, deu início a uma campanha contra as Igrejas latinas na cidade de Constantinopla, envolvendo-se na discussão teológica da natureza do Espírito Santo, questão que viria a assumir uma grande importância nos séculos seguintes.
Roma enviou o cardeal Humberto a Constantinopla em 1054 para tentar resolver este problema. No entanto, esta visita acabou do pior modo, com a excomunhão do patriarca Cerulário. Isso foi entendido como a excomunhão de toda a Igreja Bizantina e ao qual o Sínodo e Cerulário responderam do mesmo modo a Roma, excomungando o papa Leão IX. As Igrejas, através de seus representantes oficiais, também anatematizaram (denunciaram formalmente) uma a outra.

Todo mundo excomungou todo mundo. Todo mundo foi condenado ao inferno um do outro.

Pelo sim, pelo não, a deterioração das relações entre as duas Igrejas contribuiu largamente para o triste e célebre episódio do saque de Constantinopla durante a 4ª Cruzada (1204) e o estabelecimento do Império Latino (Ocidental) por algum tempo. Isso aprofundou ainda mais a ruptura.

A dinastia dos Ângelo (1185 - 1204) anulou os privilégios concedidos a Veneza que, em represália, desviou a Quarta Cruzada contra Constantinopla (1204), cuja conquista resultou no Império Latino do Oriente.

“O altar sagrado da grande igreja de Santa Sofia, feito de todas as espécies de matérias preciosas e admirado em todo o mundo, foi despedaçado e repartido pelos soldados, tal como as outras riquezas sagradas dum esplendor infinito. Quando os vasos sacros e os objetos duma arte e duma graça inexcedíveis (...) e as guarnições de ouro e prata cinzelada (...) e as portas e outros ornamentos foram levados como despojo, as mulas e os cavalos arreados foram introduzidos no santuário do templo. Alguns de entre eles, que não conseguiam equilibrar-se no lajedo escorregadio, eram apunhalados até cair, de tal modo que o admirável chão sagrado ficou [todo] poluído de sangue e esterco. Além disso, uma prostituta (...) insultando Cristo, sentou-se na cadeira patriarcal, para cantar uma canção obscena, e dançou freneticamente.”
(Nicetas Acominato, Crônicas. Citado por FREITAS, G, de, op. cit., pág. 152.)
Houve várias tentativas de reunificação, principalmente nos conselhos eclesiásticos de Lyon (1274) e Florença (1439), mas as reuniões mostraram-se efêmeras.

Todas as tentativas acabaram efetivamente quando os turcos otomanos tomaram Constantinopla, em 1453, e ocuparam quase todo o antigo Império Bizantino por muitos séculos.

As mútuas excomunhões só foram levantadas em 7 de Dezembro de 1965, pelo Papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I, por forma a aproximar as duas Igrejas, afastadas havia séculos. As excomunhões, entretanto, foram retiradas pelas duas Igrejas em 1966. Somente recentemente o diálogo entre elas foi efetivamente retomado, a fim de sanar o cisma.
Entretanto, a igreja da Russia permanece renitente e não parece disposta a esquecer o episódio do saque a Constantinopla. Há muita mágoa e isso ficou bem expresso na visita do papa a aquele país.

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