Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

1 de outubro de 2009

Maria Clara L. Bingemer - O Pacto das catacumbas

(Maria Clara Lucchetti Bingemer)

Neste ano em que se celebra o centenário de Dom Helder Câmara, muitaslembranças e recordações do grande Dom, que foi um dos presentes maiores deDeus à Igreja do Brasil têm sido desentranhados e trazidos à luz novamente.Limpos da poeira do esquecimento por nossa às vezes curta e ingrata memória,brilham como estrelas de primeira grandeza realimentando nossa vidaespiritual e nossa capacidade ética.

Talvez um dos mais importantes seja a re-visita do chamado Pacto dasCatacumbas.
No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, cerca de 40 Padres Conciliares celebraram umaEucaristia nas catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade aoEspírito de Jesus. Após essa celebração, firmaram o "Pacto das Catacumbas".
O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" - aos bispos presentes,portanto, - a levarem uma "vida de pobreza", a construir uma Igreja que sequeria "servidora e pobre", como sugeriu o papa João XXIII. Os signatários -dentre eles, muitos brasileiros e latino-americanos, sendo que mais tardeoutros também se uniram ao pacto - se comprometiam a viver na pobreza, arejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobresno centro do seu ministério pastoral.
O texto teve forte influência sobre a Teologia da Libertação, quedespontaria e floresceria nos anos seguintes.Um dos signatários,propositores e mesmo articuladores do Pacto foi Dom Hélder Câmara.
O belo texto do Pacto é altamente inspirador para toda a Igreja hoje comoontem. Aqui o transcrevemos do livro "Concílio Vaticano II", Vol. V, QuartaSessão (Vozes, 1966), organizado por Dom Boaventura Kloppenburg, pp.526-528.

PACTO DAS CATACUMBAS DA IGREJA SERVA E POBRE

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre asdeficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados unspelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar asingularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado;contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com aoração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses;colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante daIgreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, nahumildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda adeterminação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça,comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no queconcerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daíse segue.. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza,especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias dematéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., emnosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome dadiocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s..

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e materialem nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seupapel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores eapóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulosque signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...).Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28;23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquiloque pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferênciaqualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos,classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quemquer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou porqualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suasdádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na açãosocial. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração,meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos gruposlaboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que issoprejudique as outras pessoas e grupos da diocese.
Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chamaa evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e otrabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relaçõesmútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociaisbaseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas asexigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf.Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelosnossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturase as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e aodesenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, poraí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem edos filhos de Deus.. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica naassunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física,cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
· A participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentesdos episcopados das nações pobres;
· A requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mastestemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção deestruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletáriasnum mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem desua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida comnossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nossoministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
· Esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
· Suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundoo espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
· Procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
· Mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião.Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossosdiocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão,seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS. Com essas humildes e fervorosas palavrasterminavam os bispos seu pacto. Elas precediam suas assinaturas. Que amesma prece habite nosso coração e que o pacto das catacumbas, devidamenteadaptado a nosso estado de vida, quer sejamos leigos, religiosos ouclérigos, possa ser o norte de nossas vidas.

Fonte:
http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407&cod_canal=47> &cod_canal=47

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