Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

26 de abril de 2010

Hércoles Jaci - Chico Xavier me levou ao cinema.

O Hercoles é dessas pessoas que passam pela nossa vida e deixam marcas, boas marcas.
Muito do que sei sobre Terapia Floral, eu aprendi com ele. Mas não foi só isso, junto com o pacote, com os florais de Bach, Califórnia, Minas, Austrália e um monte mais de sistemas, que nomeá-los seria cansativo ele nos mostrou uma nova maneira de "Ser Terapeutas".
O Hercoles apareceu em nossa vida, minha e de minha mulher, num momento de revisão de valores. Nós dois, eu recém saído da vida empresarial, ela e eu, amargando a perda com o fechamento do nosso Espaço Cultural e Terapeutico "O ENCONTRARTE".
Vimos um anúncio de um curso sobre Florais de Bach. Já conhecíamos os florais, mas não tinhamos nos animado a estudá-los e a nos transformar em terapeutas Florais.
Surge então o Hercoles, num colégio em meio a mata da floresta da Tijuca, um lugar lindíssimo, com um jeito todo especial de questionar a realidade para nos "fazer" terapeutas de flores. Mas, mais que isso, ele nos aprimorou a sensibilidade, o olhar dialógico, a visão holística do sujeito, que nem paciente e nem cliente se apresentava a nossa frente para ser cuidado.
Essa sensibilidade sempre foi a marca do Hercoles, seu humor e suas sacadas diretas.
Estivemos em contato com esse grande amigo e mestre durante toda a década de 90, em cursos, seminários e na pós graduação na UERJ.
Já não nos vemos já há muto tempo, mas trocamos e-mails, felicitações e mantemos o carinho por quem nos ajudou a encontrar um novo caminho.

Hoje Hercoles nos mandou um presente de sua sensibilidade na forma de e-mail.
Um relato sobre a sua experiência ao ver o filme do querido Chico Xavier.

Com a devida licença dele aí vai o relato.
Valeu Hercoles!

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Chico Xavier me levou ao cinema. 25/04/2010.

Sou de uma geração que sempre ia ao cinema, tenho amigos e amigas que adoram, vão ao cinema até hoje. Adoro cinema mas prefiro ver em casa no conforto do meu sofá, tenho uma preguiça de ir ver cinema no cinema. Mas senti uma vontade tão grande de ir ver o filme sobre Chico Xavier e convidei uma amiga de infância, Sandra Greco, para ir comigo. Já li todas as biografias sobre Chico Xavier, tive contato com as críticas sobre o filme, sentimentos dos atores, as notícias sobre as pré-estréias, várias entrevistas sobre a realização dessa produção; aumentando com isso meu desejo de ver a obra. Combinamos de ir na sessão das 18:20 h no Diamond Mall, perto de minha casa, porém achamos melhor, por causa da procura pelo filme, de chegar lá por volta de 17:45 h-sessão de domingo. Saí de casa com uma sensação de ir a uma matiné, pois desde a minha infância, adolescência não ia a uma matiné, que significa ir ao cinema ainda de dia.
A fila era grande, eram dois filmes em cartaz de muita procura no mesmo espaço com 5 salas : Chico Xavier e Alice no País das Maravilhas em 3 D; atração que mobiliza os pós modernos. Quando eu e minha amiga entramos na sala indicada para o filme depois de boa fila; estranhamos um pouco (ela também é pouco assídua no cinema) porque “achamos” o público mas para Alice no País da Maravilhas do que Chico Xavier. Cochichamos muito nos perguntando se era ali mesmo o nosso filme, posto que as pessoas portavam sacos de pipocas gigantes (me senti num cinema americano), o público era muito jovem, tinha até criança. Começaram as propagandas de filmes que passarão nos próximos dias e meses e eu ainda carregava a sensação de não estar na sala correta. Eram muitos anúncios e bastante barulho de pipoca, caixa de Mentex, balas, uma orquestra de celofane...Até que começou o filme. Nisso, qualquer pessoa um pouco mais sensível perceberia a energia, o clima mudar....A comilança parou, o celofane quietou o facho, o astral pós moderno foi se transformando. Aconteceu um silêncio vivo e atento, o fluxo da energia doce e humilde de Chico Xavier mesmerizou nossos sentidos. Há muitos anos peregrino numa busca espiritual, atrás de mim mesmo, de minha origem cósmica, dos meus por quês e dos meus para onde e sempre o cenário era ou a Índia, ou o deserto americano, os Andes, o sul da Espanha, o Oriente como um todo; mas, dessa vez o filme, a história do Chico e sua espiritualidade viva e prática tem a paisagem da minha terra; Minas Gerais. A espiritualidade na sua forma mais essencial estava se passando aqui em Minas. A fotografia e a direção do filme são de uma exuberância, numa focalização do simples, do barroco, das montanhas, daqui dessas Minas, dessa Mãe Terra montanhosa. A simplicidade de Minas Gerais é exuberante!!!!! A figura de Chico retratado por Daniel Filho é de uma doçura, de um humor, humildade, de um amor incondicional ; grandeza!!!. As cenas, os diálogos, a dinâmica do filme num “vai e volta” muito interessante, onde três atores muitos bons “fazem” o Chico em três fases etárias de sua vida. Chico era muito especial e assim como todos que são diferentes de alguma forma são perseguidos. Nossa sociedade hipócrita e ignorante não suporta o diferente, não admite o que destoa de uma verdade congelada e cristalizada.
Por volta de 1980/81 conheci um mestre indiano chamado Rajneesh (hoje o chamam de Osho) e me tornei discípulo dele. Ele faleceu em 1990. Era uma empreitada de enfrentamento dessa sociedade hipócrita e congelada, do sistema “entorpecedor” das consciências humanas . Nós, seus “sannyasins”(iniciados) éramos mal vistos pelos amigos, pelas famílias que abominavam aquela troupe de loucos e nós sabíamos (eu sabia que eu estava de fato “desenlouquecendo”) o quanto aquilo tudo era saudável, o quanto ouvir o mestre era nutritivo, o quanto sua orientação paradoxal e aparentemente anárquica era o melhor remédio para a cura de tudo que foi feito para abafar nossa essência. Em Julho de 1983 teríamos um grande encontro de todos os sannyasins do mundo com o mestre Rajneesh-Osho no estado do Oregon-USA. Nós ficamos completamente agitados nos preparando para ir nos juntar a ele, participar desse evento com +- 10..000 pessoas do mundo inteiro, onde o lema era viver, amar, rir, brincar, meditar, silenciar a mente e escutar a alma, a existência. Um sannyasin amigo daqui de Belo Horizonte queria muito ir a esse encontro e seu pai, que tinha condições financeiras, não queria patrocinar de jeito algum aquela viagem pois achava que era uma insanidade completa. Como esse pai era um espírita muito ligado ao Chico e naquele dia de maio de 1983, eu sabia que o Chico estaria em Belo Horizonte, tive uma intuição de irmos procurá-lo depois do evento ainda mais que esse pai estaria ao lado do Chico. Não deu outra, chegamos na garagem do enorme auditório onde o Chico recebeu uma condecoração e encontramos o Chico que estava com seus colaboradores, entre eles esse pai. Quando o tal pai nos viu (nós usávamos só vermelho e um colar no pescoço chamado “malla” com a foto do mestre) disse: - Veja Chico, lá está meu filho que você conhece desde que nasceu , lá está ele com a turma de loucos do tal guru que os estão convocando para essa viagem maluca que eu estava te contando. O Chico nos recebeu com seu melhor sorriso e quando eu fui beijar a sua mão e pedir a sua benção e ele disse com a voz do fundo da alma: -Deus te abençoe!!! . Eu senti meu liquor dentro da minha coluna. Eu tive uma sensação corporal de inteireza, de harmonia, senti uma vibração passar pelo meu corpo das mais fortes e inesquecíveis já vividas. Depois de cumprimentar e saudar cada um de nós, o Chico voltou-se para o pai aflito e disse: -Dê a passagem e as condições para seu filho ir nesse encontro, esse povo é muito feliz!!! Eles são muito alegres!!! Chico Xavier “sacou” Rajneesh (Osho); eu senti isso nessa hora. Chico ficou muito feliz com nossa presença. Veja a foto inédita tirada numa noite maio de 1983 em Belo Horizonte no anexo desse e-mail. Chico entendia perfeitamente aqueles que seguiam caminhos diferentes, aqueles que estavam à margem da massificação, aqueles que buscavam um bem maior, um bem mais abrangente do que o oferecido no adestramento social.
Voltando ao filme, quando percebi que estava terminando, me espantei, pois não senti que havia se passado 2 horas e nunca tinha assistido a um filme no qual parte dele ainda se passa enquanto se mostra os créditos finais e ninguém arreda pé. Quando a luz acendeu para irmos embora, senti na aura da sala o que o Chico fala sobre irmandade, amor universal, suavidade. Aquela comilança e ansiedade pós moderna percebidas antes do filme e a suspeita de estar numa sala para assistir Alice no País das Maravilhas em 3D deram lugar à uma paz, um contentamento interno, à uma decantação dessa ansiedade; à uma sensação de felicidade por voltar no cinema na matine de domingo. Chico Xavier me levou ao cinema!!!!!
Esse filme é um presente e eu indico para todos aqueles que acreditam no amor, acreditam que a vida é muito mais que esse olhar apequenado que nos permitiram ter. Esse filme traz a espiritualidade, a possibilidade desse reencontro com a essência aqui mesmo, por aqui nas Minas, aqui dentro de mim, dentro de cada um de nós; sempre....
Um abraço;
Hercoles Jaci- Psicólogo clínico e Organizacional- Professor na Pós em Belo Horizonte-MG. hercoles@uai.com.br




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