Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

20 de julho de 2010

Por que sou cristão?

Marie-Dominique Chenu

Por que sou cristão?
Publicamos aqui um artigo do grande teólogo francês dominicano Marie-Dominique Chenu, falecido há 20 anos, republicado na revista Koinonia, nº. 352, maio de 2010.

Nele, Chenu afirma que, "se sou cristão, não é porque acredito em um Deus-Deus, como um ser absoluto, eterno, imutável, inconhecível". Mas sim em "um Homem-Deus". A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

Na medida em que a fé da minha infância tornou-se adulta, isto é, consciente de si mesma e do próprio conteúdo além da ingênua espontaneidade, tornou por isso mesmo "crítica". Não apenas busquei discernir os motivos do meu crer, mas encontrei prazer ao alimentar a minha fé com inteligência, de tal modo que ela se estendesse entre dois polos: um consentir amoroso à Palavra de Deus e um remeter sempre totalmente em questão.

A fé gera então uma "teologia", isto é, um conhecimento do mistério no qual a busca se entrecruza com a certeza, em uma dialética permanente. Quanto mais sou fascinado pelo meu consentir, mais a minha curiosidade é estimulada pelo amor do mistério que assim me conquistou.

Essa estranha forma de conhecimento é exercida em todo o campo da economia judaico-cristã, em um messianismo que começa com a vocação de Abraão e continua dia após dia a partir da ressurreição de Cristo, que o prolonga para além de toda previsão por obra do Espírito enviado por Ele.

O centro nevrálgico desse "mistério" se encontra não em uma verdade eterna qualquer, mas sim em um "evento": Deus entra na história, mas de um tal modo que o objeto da minha comunhão divinizante não é diretamente Deus em si mesmo, na sua transcendência, mas sim um Homem-Deus. Ao entrevistador que lhe perguntava quem era Deus para ele, o arcebispo ortodoxo da Inglaterra respondeu categoricamente: "É um homem, até na sua dimensão política, segundo a própria lógica da encarnação. Assim, é um homem que me ensina como o homem pode se tornar Deus" (Clemente de Alexandria, século III).

Se, portanto, eu sou cristão, não é porque acredito em um Deus-Deus, como um ser absoluto, eterno, imutável, inconhecível. O limite dos enunciados do Concílio Vaticano I é o de serem completamente guiados pela obsessão de provar a existência de Deus com motivações que deveriam refutar o ateísmo desde então até suas origens. Naquela metafísica sagrada, se desenvolvia um deísmo autoritário, no qual a religião cristã dificilmente podia evitar de se transformar em um aparato ideológico, em contraste com a história e com a autonomia do homem. Viu-se logo: Deus se tornava insuportável aos homens, se não se fizesse homem. Indício dessa mudança de perspectiva: não se falava mais de teologia, mas sim de "teodiceia", uma teologia sem mistério, se pode-se assim dizer.

O Concílio Vaticano II reencontra a presença humana de Deus: esse é o denominador comum de todas as suas posições, começando pela sua própria constituição. A resistência que a sua inspiração e o seu dinamismo, ainda mais do que os seus decretos, encontram hoje em algumas formas de integralismo vem justamente dessa imperialismo, sustentado pela Igreja, a partir de Constantino até a Santa Aliança. Eis que o Evangelho retorna, a boa notícia do Homem-Deus, a palavra retorna mais de 200 vezes nos textos, enquanto no Vaticano I era pronunciada só duas vezes.

Realiza-se o anúncio do profeta Sofonias que coloca na boca de Javé estas palavras: "Me enamorei de vocês, e quero vir a viver com vocês: então, dançarei de alegria". Que desapareça, segundo a decisão de João XXIII, a Igreja dos anátemas! Se a instituição é necessária, também com a sua dimensão política, segundo a lógica própria da encarnação, então ela não será outra coisa que um serviço, um conjunto de "ministérios".

Eis por que e como eu sou cristão, adepto de um Deus envolvido nas mudanças do mundo, no nó do mistério de Deus e do mistério do homem, em uma Igreja que traça o seu caminho no homem (João Paulo II).

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