Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

29 de setembro de 2010

DE ELEIÇÕES E ELEITORES


O Artigo abaixo foi escrito pelo Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R.que foi, por alguns anos o Provincial de nossa Congregação Redentorista - Prov. do RJ, MG e ES e atualmente é Reitor na paróquia de S. José em B. Horizonte

Achei muito lúcido, aliás como tudo o que o Pe. Dalton escreve, e resolvi colocar aqui para nossa reflexão nestes importantes momentos que antecedem a nossa escolha quanto ao rumo do nosso país.

O Artigo foi publicado no AKikolá (Redentoristas do Leste em Notícias) Set de 2010, que acabo de receber.

Um grande abraço,

J. Ricardo


DE ELEIÇÕES E ELEITORES

ELEIÇÃO. Palavra simples e evocadora. Toca no sensível de cada pessoa: a liberdade. Deus nos elegeu como povo de sua aliança para o evangelho da liberdade. Ah, este evangelho de Deus! Aos cegos, ver; libertação para os aprisionados em cativeiros de dependência. Em liberdade, andarmos juntos, todos nós, na cidade: sociedade civil, poder cidadão. Escolhendo para o poder público alguns dentre nós. Quais? Eis a questão. A Escola de Jesus é uma escola da liberdade com os outros. Primeiro, o Outro (o Pai e seu reino) nos faz sair dos cativeiros; os outros nos livram do apego individualista que sozinho quer ser livre a seu modo, sem eira nem beira.

Para a libertação fomos escolhidos (eleitos!) em Jesus Cristo, que ao repartir conosco sua filiação, além de nos tornar eternos, faz de todos nós pessoas iguais. Assim, a vocação para a liberdade e a igualdade nos estrutura; compõe o conjunto das motivações da evolução humanizadora. Pela liberdade guerreamos, derrubamos barreiras, alargamos limites, sonhamos horizontes largos. E altos! Ainda que esquecidos da gualdade...

LIBERDADE NAS ELEIÇÕES

Quem diz eleição diz escolha. Quem escolhe aponta caminhos para as libertações. Todo eleitor só pode ser amoroso da liberdade desejada para todos. O que significa iguais oportunidades de crescer livres com os outros, na diversidade. Façamos escolha para votar. As pessoas estão fazendo espumar a onda adesista, por interesses rasteiros. Tudo parece gravitar em torno de vantagens, hipotecando apoio a marqueteiros,

desfigurando a realidade. O adesismo dissemina o apoio aos mercadores de promessas. Adere não. Faça sua escolha, coisa consciente. Afirme-se, ao escolher. Seja capaz de concordar e discordar. Pondere as conseqüências. Não seja determinado por fatores de subordinação a meias-verdades, a versões distorcidas do que realmente acontece no país. Não perca o senso crítico nem sua autonomia. Não se renda. Adesismo não. O peso de um país desigual, de regiões destratadas, de campo e cidades nada contemporâneos mostra-nos com evidência o quanto somos desiguais. A não aderir junte um repensar sua própria inclusão profissional na vida social.

FICHA LIMPA

Estas semanas eleitorais hão de ser positivas se nos posicionarmos em vista de revisar a vida na Verdade e no Amor. Eleição é um rito democrático para purificar os entulhos sociais e retirar as travas e diminuir as distâncias que desfiguram a ética da convivência. Afinal, a lei hoje do FICHA LIMPA não significa o havermos conseguido re-estabelecer o “cartão vermelho” (fora de jogo), mostrado a tantos políticos desabusados? Uma vigorosa vitória que purifica a história suja, dado o deserviço deles à verdade na vida em sociedade.

SATYAGRAHA

Ocorre-me esta palavra satyagraha. (Está se lembrando de alguma coisa!?). Esta palavra para Gandhi definia uma opção de vida. Quem dela se vale para expressar suas convicções começa unificando-se, liberto das fragmentações incoerentes. O tempo eleitoral favorece o eleitor para seguir na busca pela própria integridade, a

inteireza de vida, antes de dar seu voto a alguém caracterizável como “político coerente”, político do bem. Coisa certa é esta: ninguém alcança este estágio sem libertar-se dos medos de sujar as mãos na história; sem libertar-se das abstenções, este omitir-se quando se trata da luta pela justiça a favor de todos. Ninguém serve à verdade na vida sem empenhar-se com o viver na veracidade: fazendo os valores se encarnar no modo de ser e levar a vida, convivendo como cidadão.

Curioso: dos 190 milhões de brasileiros que somos, a maioria absoluta tem opinião clara e firmada sobre futebol. E gostamos de conversar, quando não de discutir acaloradamente, em qualquer roda quais técnicos e comentaristas especializados. E ninguém se envergonha de manifestar sua opinião. Entretanto, quando se trata de política, somos omissos.

Pouco dizemos, fingimos não ter opinião clara e firmada. Preferimos passar por meros assistentes, vendo a torcida passar...

É de Gandhi também este ensinamento de que o amor à verdade exige do satyagrahi “o repúdio ativo e permanente face a toda injustiça”.

Ação incessante, pois. O voto eletivo é um ato em meio a uma ação contínua de participação pelo bem comum.

Mas quem leva fé nos partidos? Quem honra a camisa partidária, membro inscrito de um desses? A reforma partidária, decantada como necessária, não aconteceu nestes últimos dezesseis anos! E até mesmo os movimentos sociais, indispensáveis à democracia nenhum deles tentou criar um clamor popular pelas mudanças. Será que todos mamavam tanto nos governos que...

A política é a dimensão maior da vida ética, regendo as dimensões da vida social. Sendo assim, esqueça não, leitor(a), o quanto o poder revela o homem. Os exemplos nesta última legislatura o mostram à saciedade. Então, avalie suas escolhas eleitorais e reveja sua própria prática cidadã.

Em nosso caminho espiritual cabe, claro, o interesse pela realidade histórica de nossa gente. A senha é “viver como _ “Filhos da luz”. E como nos lembra o apóstolo Paulo: -“ o fruto da luz se chama bondade, justiça, verdade”. Então, discernir analisando a realidade. “Discernir o que agrada ao Senhor” (Ef 5, 8-10). E “feliz

daquele cujo discernimento conduz a uma consciência segura”. Rm 14,22.

E vai aqui uma sugestão: criar um pequeno grupo de conversação sobre as questões políticas atuais. De forma intensa e motivada troquem saberes, valores de vida social, sentido do destino de grupos, famílias. Escutem juntos o que vem “lá de baixo” do sistema social. Avaliem as gestões solidárias nos municípios e no Estado. Comentem as pistas sobre ecologia. Pensem juntos a construção de amanhãs mais justos e igualitários,escolham políticos questionadores desta economia de mercado que nos coloniza. E se comprometam, e os políticos por vocês escolhidos, com a paz, enquanto ela é uma construção social. São as pessoas da vida de todos os dias as que podem se unir em favor da paz social. Sem propostas de vida solidária fi ca-se a buscar caminhos para a paz, quando a paz é o caminho social da igualdade e cidadania.

Votos a vocês (e) leitores:

"- Que vosso amor cresça ainda mais e mais, em conhecimento e em perfeita sensibilidade para discernir o que melhor convém." Fl 1,9-10.


Pe. Dalton Barros de Almeida, C.Ss.R.

Belo Horizonte, MG

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