Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

28 de novembro de 2010

O Rio de Janeiro bem próximo do caos

J. Ricardo A. de Oliveira



Na verdade este caos a que se chegou no Rio de Janeiro não começou do dia par a noite.
Lembro-me da minha infância nos anos 50, na antiga Guanabara e da admiração que policiais exerciam sobre as crianças. Havia a dupla de “Cosme e Damião” como foram apelidados os policiais militares que percorriam nossas pacatas ruas e que eram reconhecidos como amigos pelas crianças e pelos moradores adultos que viam neles mais do que proteção, mas a segurança de poder pedir ajuda nas mais variadas situações.
Eles paravam, conversavam à noite com as senhoras que se sentavam em suas portas, davam bronca nas crianças que aprontavam alguma travessura. Mas os Anos 60 chegaram e inauguraram uma nova imagem da policia. A Policia militar dos gentis “Cosmes & Damiões” de amizade certa com os moradores, foram substituídos pela polícia do exército, esta mal encarada, repressora e estúpida que pouco conversava e aos gritos nos parava nas ruas fossemos, adolescentes, jovens ou adultos. Todos éramos suspeitos, possíveis comunistas. Uma polícia comandada pelo arbítrio e pela violência. Temida e odiada, que qualificava nossos simples bate papos de esquina como formação de quadrilha e atitude subversiva. Ao grito de: D O C U M E N T O S ! Fazía-nos gelar os ossos e temer pela nossa sorte, principalmente porque sabíamos como reagiam ao constatar que éramos “estudantes ! O comentário era certo e sempre dito em tom agressivo: "estudante pra mim é vagabundo, subversivo, tá fazendo o quê na rua ?"
Era assim, sempre...
Foram anos, os anos de chumbo, muito tempo mesmo. Anos que levaram, no meu caso, do início da adolescência até a idade adulta, tempo que só piorou e nos afastou da boa lembrança da polícia e fizeram com que a maioria da população não visse mais os policiais como amigos.
Paralelamente a isto houve ainda muitas mudanças nas estruturas do poder paralelo, que no início nem mesmo merecia este nome.
Desde a adolescência e dos anos de chumbo, sempre estive ligado a ICAR e a trabalhos sociais nas comunidades. O Ambiente era de muita liberdade. O poder geralmente nas comunidades era exercido pelo contraventor, o chefe do jogo do bixo, que na maioria das vezes estava preocupado com seus negócios e com a escola de samba. Era alguém que na maioria das vezes era oriundo da própria comunidade, conhecia praticamente todos os moradores, e era um grande pai para comunidade providenciando aquilo que o estado nunca se preocupou em oferecer. Assim de uniforme de escola, vestido de noiva a tijolo para construção, todos podiam contar com aquele paizão.
Em algum momento, em plena era do pulso forte dos militares a droga foi se espalhando pelo Brasil, não que eles sejam responsáveis, não tenho dados para fazer uma afirmação leviana destas. Mas o que quero é só situar cronologicamente os acontecimentos.
Inicialmente a maconha entrou com muita força, especialmente naquela época em que a sociedade brasileira iniciou seu longo período de alienação. Depois do AI-5 não havia mais perspectivas, só as trevas de um regime autoritário, e terrivelmente violento.
Não posso por falta de dados afirmar quando a inversão se deu, mas fato é que já no final destes anos terríveis uma mudança muito clara já se podia perceber. Nas comunidades, agora, bem mais populosas devido aos anos de empobrecimento da classe C, já começava uma guerra pelo controle das comunidades e uma figura despontava nas comunidades: O traficante. Inicialmente com características bem parecidas com o contraventor. Em muitos casos um membro da própria comunidade.
Em 1982, ano que marcou a primeira eleição para governadores no Brasil, elegeu-se no Rio de Janeiro Leonel Brizola. Um homem interessado nas bases, mas que agia de forma muito equivocada. Sua negligencia, embora bem intencionada, no que se refere à repressão destes grupos que despontavam nas comunidades, deram um grande impulso nas suas atividades criminosas. É desta época as normas que dificultavam a prisão preventiva destas pessoas e a necessidade do flagrante para seu enquadramento. Volto a dizer que a intenção podia ser boa, já que vínhamos de um período de extrema rigidez, mas talvez a dose tenha sido errada.

Não posso deixar de ressaltar um fato importante, que acredito tenha contribuído enormemente para a falência de nossa sociedade e especialmente facilitado o aumento da criminalidade. Refiro-me ao “milagre Brasileiro” da década de 70. Quando a sociedade brasileira definitivamente teve seus valores mudados a fórceps. É desta época o incentivo ao consumo e a doutrinação maciça que eternizou a fórmula Felicidade = alto poder de compra, ou “Só é feliz aquele que pode TER”, e ter a cada dia mais e mais.
Vem também daí a lei de Gerson e toda esta situação de razão cínica em que o país e em especial a sociedade carioca, hedonista por natureza, consolidou.

A partir desta realidade era preciso ter a cada dia mais bens, dinheiro, posses porque isso era o que contava para que o indivíduo se sentisse feliz.
Em meus quase 60 anos, sou de um tempo em que poucos na classe média tinha carros. Bem poucos tinham aparelho de ar condicionado. Uma viagem à Exterior era motivo de festa com direito a comes e bebes na despedida e na volta. Compravam-se roupas e sapatos por sua qualidade e durabilidade e não pela etiquetas ou pela propaganda.
Ao mesmo tempo em que a “Revolução Redentora” e seus militares dirigentes faziam com que a sociedade Brasileira se tornasse abúlica, e sem perspectivas, as estratégias consumistas tiravam do cidadão sua capacidade de decisão, de desejo e sonho sem que ele percebesse.

É neste cenário de salário não tão altos, de pouco emprego, de multinacionais se instalando de desnível social absurdo que desejando a felicidade a classe menos favorecida é quase que empurrada, na busca de ser feliz aos expedientes de dinheiro fácil.
Ora a droga era uma excelente alívio para um sociedade alienada, especialmente a classe “A” que além de poder aquisitivo para comprar a droga tinha por ela o fascínio de lhes manter a mente ainda mais adormecida.
Com e a baixa repressão ficou fácil para os “novos” donos das comunidades, recrutarem seus exércitos e se instalarem nas comunidades, muitas vezes expulsando os antigos contraventores, que hoje moram em sua maioria no asfalto.
Aproximadamente 30 anos se passaram e estes novos “monarcas da droga não tiveram nenhuma dificuldade para estender seus territórios, organizarem-se em facções e fazer valer a sua vontade.
Quando hoje perguntam como foi possível chegar a esta situação eu fico pensando se quem pergunta tem memória curta, não sabe ou é de certa forma conivente com a situação.
Sabemos que o batalhão de usuários de drogas é muito maior do que os 600 ou 700 homens que foram vistos em fuga da “Vila Cruzeiro” pelas redes de TV de todo o mundo.
Sabemos também que o fato de prender os narcotraficantes e toar seu território e devolver ao povo os espaços controlados por eles é apenas o início.
Não podemos esquecer que as bases em que se organizaram o crime, a violência e o consumo de drogas, ainda estão aí. Não fizemos ainda uma mudança nos valores consumistas que facilitaram arregimentar soldados do trafico pelo ganho fácil, não atacamos o problema principal que é o consumo. E enquanto houver consumo haverá quem queira vender e lucrar.
Por esta razão e que mesmo feliz com a vitória das forças militares que devolveram aos moradores dos complexos da Vila Cruzeiro e Alemão os seus territórios, ainda fico na espera e numa posição de cobrança sobre que providências vão ser tomadas no que se refere a projetos de educação, ação social, reconstrução de cidadania, e tratamento de dogadictos, para no futuro podermos sim fazer uma grande comemoração, a comemoração da verdadeira libertação.

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