Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
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"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

29 de janeiro de 2011

Hans Küng: ''Ratzinger se converteu em Papa, tornando-se, certamente, mais falível''


Hans Küng já é doutor Honoris Causa na Espanha. Depois de décadas de silêncio por parte das universidades católicas, teve que ser uma instituição laica, a Universidad a Distancia (Uned), que outorgou o 15º doutorado da carreira do teólogo suíço. Das mãos do decano de Filosofia, Manuel Fraijó, e com a presença do ministro da Educação, Ángel Gabilondo, Küng trouxe sua tese sobre “Ética mundial e direito mundial”, e teve uma lembrança especial de sua relação com Bento XVI. “Eu terminei perdendo a licença docente eclesiástica em 1979, mesmo que continuando dando aulas. Ele, por outro lado, se converteu em Papa, tornando-se, certamente, mais falível”.

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada no sítio Religión Digital, 27-01-2011. A tradução é de Anne Ledur e revisada pela IHU On-Line.

Antes de seu discurso, o teólogo se encontrou brevemente com a imprensa. Diante da mídia, criticou que “a Igreja quer dominar” de tal modo, que “a chamada reevangelização é, na realidade, uma “rerromanização”, uma volta à primazia doVaticano frente a qualquer outra opção. “Muitos católicos não entendem a imoralidade da pílula aos contraceptivos”, ressaltou.

Em seu discurso, Küng criticou “o funesto que pode chegar a ser a dedução de mandamentos morais a partir da natureza humana”, pondo como exemplo a encíclica“Humanae Vitae”, de Paulo VI, na que se decretava “a proibição de todo o tipo de contracepção por contrariar a natureza”. Isso provocou a crítica do teólogo suíço em seu livro Infalível? Uma pergunta, que acabou condenando seus ensinamentos como teólogo católico.

Ratzinger, “40 anos depois, defende a encíclica 'Humanae vitae', apelando ao 'maravilhoso plano que o Criador inscreveu no corpo humano'. Na sua última viagem à Espanha, em outubro de 2010, o Papa ressaltou os velhos temas, especialmente o valor da família como célula fundamental da sociedade, destacando, ao mesmo tempo, que 'a Igreja apoia todo aquele que fomenta a ordem natural no âmbito da instituição familiar' (Barcelona, 7 de novembro de 2010). Mas o apelo a Deus só pôde convencer uma minoria de católicos da verdade desse rigoroso ensinamento sobre a sexualidade. Na Espanha, se estima hoje, onde 73% da população se diz católica, enquanto que apenas 6% atribui grande importância à religião no âmbito sexual, e outros 12% lhe dá certa influência. A moral sexual, portanto, se secularizou, se liberando progressivamente da moral religiosa.”

Em seu discurso, Küng traçou os princípios de sua “ética mundial”, que baseou em três pontos-chave: em primeiro lugar, “um amplo consenso internacional”; em segundo, sua “força vinculante. São uns padrões de comportamento obrigatórios, não de livre escolha”; e, finalmente, sua função como “precursores de normas jurídicas internacionais, pois abordam temas que se propõem hoje no contexto da globalização”.

“Estamos convencidos – acrescentou o teólogo suíço – que “é imperiosamente necessário um compromisso em favor do respeito e do entendimento entre culturas, assim como uma atuação para conseguir padrões éticos na sociedade, incluindo na política e na economia. A ética mundial é uma visão realista que, naturalmente, não pode se materializar de um dia para o outro, mas requer tempo”.

Finalmente, e sobre a situação atual entre a Igreja e o Estado na Espanha, baseado em contextos que vão da família à interrupção da gravidez, ou à inseminação artificial,Küng insistiu na importância de “ter bem presente a diferença entre o plano de direito e da ética. Como se sabe, o plano de direito é o âmbito da legalidade, das leis, da jurisdição, assim como da jurisprudência. No plano de direito é possível, e às vezes necessária, a comprovação direta e a coerção, pois existem sanções externas de diversos tipos para reclamar e impôr o direito”.

A “laudatio” do novo Honoris Causa correu a cargo do decano de Filosofia da Uned,Manuel Fraijó, que foi aluno tanto de Küng como de Ratzinger. Fraijó destacou que o novo doutor é um “homem de clareza e precisão”. Consciente da vocação universal do cristianismo, cuida sua expressão falada e escrita para que, além de chegar a seus iguais, a seus colegas, alcance também às pessoas não tecnicamente iniciadas na matéria.

Fraijó agradeceu que Küng “busca a praça pública, a ágora, o fórum. Homem de diálogo, que gosta de confrontar os argumentos e as boas razões. Está, além disso, convencido de que o cristianismo resiste à mais exigente confrontação intelectual”.

Küng deseja que a religião e a ética trabalhem em boa harmonia em prol de um mundo mais humano, livre e fraterno”, insistiu o apresentador, que concluiu com o convencimento de que “Küng é fiel à Igreja. Nem nos piores momentos, pensou em abandoná-la. Seu trabalho é crítico, vigilante, incômodo, arriscado, mas necessário, inclusive imprescindível”.

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