Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Receba "O Absurdo e a Graça" por Email

Total de visualizações de página

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

20 de janeiro de 2011

Romero esquecido


mil anos nenhum Papa não proclama como beato o Papa que o havia precedido. Processo aberto antes dos cinco anos da morte formalmente previstos para investigar a santidade. Mas o vazio deixado por João Paulo II era insuportável na Igreja ferida por uma crise de credibilidade: necessidade de recordar a esperança empalidecida pelos escândalos de sacerdotes e bispos que indignam os fiéis. Recordá-la em torno da figura de um pontífice carismático, atento à cotidianidade das pessoas que adoravam a sua simplicidade e sua mensagem profética.
A reportagem é de Maurizio Chierici, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 18-01-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
A notícia de um milagre permitiu encurtar os tempos. É preciso dizer que a revelação de uma intervenção sobre-humana é só um dos motivos contemplados pelo tribunal dos santos. Para a Igreja, santo é a pessoa à qual são reconhecidas virtudes excepcionais; exemplo a ser seguido. Havia acontecido isso com Teresa de Calcutá. Dois meses depois da morte, ignorando as vozes dos prodígios, o próprio João Paulo II confirmava o processo de beatificação.
Antes da pequena mulher que viveu entre os desesperados, o beato mais rápido da história (se assim se pode dizer) havia sido José María Escrivá de Balaguer, pregador que incensava o franquismo e fundador da Opus Dei. Último suspiro em 1975: sete anos depois, nos altares. "Recomendado por grupos poderosos", é a amargura dos teólogos discordantes.
Mais recomendado do que Pio XII, que vai embora em outubro de 1958. Em 2001, o cardeal Ratzinger (prefeito da Congregação da Fé) dá início ao processo, mas passam-se oito anos antes da assinatura que decreta as "virtudes heroicas", descontentando as comunidades judaicas: aquele silêncio sobre as deportações aos campos da morte.
Resta entre nós, mortais, o bispo Romero, morto no altar em San Salvador, em 1980: defender os agricultores famintos não o tornou popular no Vaticano. Atingiram-no no altar como a Thomas Becket, arcebispo de Canterbury 750 anos antes. O poema Eliot lhe dedica (Assassinato na Catedral) aparece para aproximar no tempo o sacrifício de quem resiste aos poderes violentos quando fascismo e nazismo envenenam a Europa. Agora é a América de Romero. Em 1997, chegam a Roma as conclusões da Igreja salvadorenha: havia aberto o processo com algumas dificuldades.
Dificuldades que continuam. Certos bispos, certos cardeais não se rendem: o Romero beato torna-se a derrota de uma vida dedicada a marginalizá-lo. Fácil nos anos em queWojtyla pensava na Igreja do silêncio da sua Polônia. Um religioso morto emVarsóvia torna-se o herói que conquista o altar, mas os padres, as irmãs e os jesuítasmassacrados no El Salvador pela doutrina Reagan ofuscam o projeto norte-americano de ajudar o Solidarnosc a se livrar de Moscou.
Lembro a solidão de Romero: não conseguia informar ao Papa as tragédias que ensanguentavam a inocência dos fiéis. O Núncio Apostólico Kadar, reticente; burocracia vaticana, blindada. Finalmente, ele se encontra com João Paulo com o seu pacote de cartas que relatam sobre os sacerdotes mortos por serem "comunistas". "Jogue fora". Wojtyla talvez tem medo de folheá-las. Porém, a visita muda o Papa. Com a Polônia democrática, o olhar se amplia para o mundo dito livre e infeliz. No fim do século XX, anuncia solenemente os nomes dos mártires da fé. Surpreendentemente, também está Romero. Não é a surpresa dos fiéis: é a surpresa dos compiladores da lista dos exemplos a serem amados. Mais uma vez, haviam se esquecido dele: João Paulo remedia no último momento.
E o cardeal Ratzinger se lembra do bispo Pedro Casaldáliga: a sua diocese é a maior do mundo no Brasil do Xingu. A sua catedral parece uma igreja do interior. No interior, expõe um retrato de Romero, "santo das Américas". Ratzinger ordena que ele desapareça. E o bispo volta desconsolado entre as misérias: "Pobre, Romero, Roma continua detestando-o. Sabe-se lá por quê".

fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=40065

Nenhum comentário:

Postar um comentário