Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

1 de outubro de 2012

Sobre Revoluções e o ideal cristão da libertação.

J. Ricardo A. de Oliveira



Hoje uma pessoa me questionou sobre a compatibilidade entre o ideal cristão da Teologia da Libertação e a luta armada. Sei que talvez com o que vou dizer vá desagradar muitas pessoas, mas eu não sei como compatibilizar essas duas coisas.
 Da mesma forma como não concordo com o que escreveram no Catecismo da Igreja Católica sobre pena de morte, não sou a favor de uma revolução armada como única forma de mudança. Acredito inclusive que esse tipo de expediente é muito questionável em termos de longo prazo, pelo que podemos observar no mundo. A minha perspectiva é de longo prazo e que anda em par com a esperança da utopia cristã. Só acredito em mudanças que partam do interior. Não acredito em revoluções como agentes de mudança de longo prazo, e sim em evolução. É por isso eu concordo com o Darcy Ribeiro que dizia que a grande revolução deveria começar nas escolas, no oferecimento de um melhor padrão de educação se quiséssemos mudar a estrutura da sociedade. 
Eu sei que sempre vamos nos deparar com a urgência, com a necessidade, com a fome, com a miséria, com a carência extrema da maioria da população. Sinceramente não consigo vislumbrar como uma revolução armada poderá mudar essa situação. Acho inclusive que esse tipo de solução traria mais descontrole, mais carência e mais miséria, porque se não houver preparação, educação, treinamento para que os hábitos sejam modificados de nada servirá uma mudança  abrupta de patamar. 
É preciso que se faça primeiro uma revolução nas consciências. Se tomarmos a classe pobre brasileira, que vem sendo bombardeada com a crença de que ser feliz é ter, possuir, acumular, gastar, se embriagar no consumismo desenfreado, não adianta mudar-lhes o padrão socio-econômico porque essas pessoas esgotariam os seus recursos em pouco tempo e voltariam à condição de miseráveis.
A palavra chave, a mais revolucionária que existe chama-se:
E D U C A Ç Ã O.
Paulo Freire já dizia isso e nosso querido Darcy Ribeiro também. A nossa história recente foi montada em cima de uma farsa, de milagres fictícios produzidos ás custas da miséria. Para forjar o milagre brasileiro na década de 70 criou-se uma consciência doentia de que ser feliz é ter, é possuir. E o que é pior, ter e possuir bens descartáveis, não duráveis. Forjou-se uma mentalidade de que consumir era sinal de felicidade. 
Eu sou de um tempo em que poucas pessoas tinham carro, os eletro domésticos eram o rádio, a geladeira e o liquidificador. Televisão eram poucos e os que podiam comprar e as pessoas costumavam ir á casa dos vizinhos para assistir ao "Reporter Esso" á noite.  Havia um sentido de comunidade. A necessidade de crescimento econômico isolou as pessoas, aumentou a criminalidade porque o ser feliz era medido pela capacidade de ter e consumir. Quem não tinha precisou roubar para se sentir feliz! 
Tive experiência em grupos de periferia de cidades do interior do estado do Rio, com projetos de mudança de habitos alimentares e hortas domésticas que reverteram a situação de miséria em 70%, sem revoluções, com resgate da dignidade, da cidadania e com a melhoria da auto imagem e principalmente da auto estima. 
É preciso que se entenda o que é a mensagem cristã, a pedagogia que o jovem galileu passou para os discípulos que criaram as primeiras comunidades onde o amor era a norma de vida, e a propriedade era comum.
A utopia Cristã não passa pelos ideais dos Zelotes, nem pela espada impulsiva de Pedro, que preferiu cortar a orelha do soldado Romano. A nossa Utopia passa pela construção de um reino. Não se trata de pegar em armas para tomar um reino. O Reino que queremos precisa ser construído. Infelizmente tudo foi deturpado e a mentalidade Romana beligerante/ conquistadora e consumista por excelência tomou posse e tudo ficou muito distante da mensagem original. Mas as palavras, embora às vezes pareçam sem sentido por quem as pronuncia, ainda estão valendo.... "aquele que quiser ser o primeiro no Reino, que se coloque como último"Não se trata de dominar e sim de auto domínio...
É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. 
Não é questão de fazer com que todos sejam ricos, mas sim que todos tenha oportunidade de uma vida digna. 
São palavras de fogo, queimam e muitas vezes parece não fazer sentido no mundo de hoje. Mas se pensarmos bem, não faziam sentido também no tempo d'Ele. Penso que cada um de nós, hoje é chamado a fazer uma revolução sem armas. Cada um, na sua possibilidade, tomar sobre seus ombros a responsabilidade de orientar a mudança na consciência das pessoas mais próximas para que cada uma dessas pessoas, possa ser um multiplicador que atuará com outras pessoas e assim por diante. Assim talvez consigamos realizar uma revolução/evolução capaz de construir uma vida Nova - um Reino de Paz e amor como Ele nos incumbiu.

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