Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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17 de maio de 2013

Tempos difíceis, meditando com Drummond...

J Ricardo A de oliveira
Olho ao redor, e não me agrada o que vejo.
Olho para dentro e não encontro o que já fui...
Onde se escondeu o poeta?
Onde foram parar a esperança, a fé...
Em que canto escondido eu me separei da utopia?
Ouço, ao longe uma voz, parece  o Drummond ...
Reconheço as palavras:

“Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias, espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres, mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo  e dou a poucos uma esperança mínima...”


Mas a voz silencia, justo agora...
Apuro o ouvido,tento desesperadamente ouvir o desfecho...
Mas não consigo ouvir  o barulho da flor rompendo o asfalto...
Procuro uma flor que possa romper o asfalto,
procuro a inspiração que possa fecundar em mim a poesia outra vez,
Quero de volta a esperança a utopia...
Quero sonhar com horizontes mais próximos sem as nuvens escuras que obscurecem o céu.
Quanto será que ainda falta para vê-la romper o tédio, o nojo  o ódio ?
Quanto será que ainda tardará o novo tempo, o novo dia,
um amanhã cheio de luz com o sol o anunciando que um novo tempo é possível.

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