Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Receba "O Absurdo e a Graça" por Email

Total de visualizações de página

18 de agosto de 2013

Um tempo de incertezas.

J. Ricardo A. de Oliveira



Vive-se um momento de muitas dúvidas, pouquíssimas certezas, muita gritaria, agitação. 
Mas o que dizer de lideranças, de objetivos, de reivindicações?  
E da paciência então tão escassa... A ordem é exigir, cobrar tudo de uma só vez, 
e prá já. Tem-se a impressão de que repentinamente a insatisfação que ficou guardada por 
décadas explodiu. A ultima gota que faltava fez o copo transbordar...
Para variar tenho como todos,  mais dúvidas do que certezas. Fico me indagando porque 
esses protestos só aconteceram justo quando a popularidade da presidente atingiu 
níveis impensáveis...  Fico também me questionando porque só se fala em corrupção 
associada ao partido do governo?
Questiono o que pode estar escondido por traz da aparente, com perdão do neologismo, 
“apartidariedade” destes movimentos?
Uma chuva de mentiras parece nos envolver. Das declarações de políticos aos comunicados 
dos policiais passando ela legitimação da depredação e dos abusos, é impossível separar 
joio de trigo. Nas redes sociais vê-se de tudo, desde um atirador de bombas incendiárias 
que depois  de atirar seu artefato se recolhe ao grupo de policiais, aparentemente como 
um deles, até policiais que não reagem enquanto mascarados destroem o patrimônio público. 
São bombas de gás que são atiradas dentro de hospitais por policiais  e manifestantes 
que “tomam” uma enfermaria sem o mínimo respeito pelo cidadãos ali hospitalizados. 
Como apoiar um ou outro lado, quando os excessos parecem ser a ordem do dia?  
E as manifestações seguem  diárias, por todos os cantos do país. Reivindicam tudo e 
coisa alguma, não há lideranças, embora os movimentos pareçam coordenados.  
Impossível ficar à margem desta movimentação toda. Mas com tomar partido quando 
se é contra e também a favor?

Eu já imaginava, lá pela década de 80, que a coisa não ia ser muito fácil, mas nunca 
pensei que fosse assim, deste tamanho, com essas proporções.  O autor Fritof Capra  
escreve em seu livro “O ponto de Mutação, escrito na década de 70 e publicado em 1982:
“Estou convicto de que, hoje (década de 70), nossa sociedade como um todo 
encontra-se numa crise ... Podemos ler acerca de suas numerosas manifestações todos 
os dias nos jornais. Temos taxas elevadas de inflação e desemprego, temos uma crise 
energética, uma crise na assistência à saúde, poluição e outros desastres ambientais, 
uma onda crescente de violência e crimes, e assim por diante.”
“...tudo isso são facetas diferentes de uma só crise, que é, essencialmente, uma 
crise de percepção. Tal como a crise da física na década de 20, ela deriva do fato 
de estarmos tentando aplicar os conceitos de uma visão de mundo obsoleta — 
a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiana-newtoniana — a uma realidade 
que já não pode ser entendida em função desses conceitos. Vivemos hoje num 
mundo globalmente interligado, no qual os fenômenos biológicos, psicológicos, 
sociais e ambientais são todos interdependentes. Para descrever esse mundo 
apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão de 
mundo cartesiana não nos oferece. Precisamos, pois, de um novo "paradigma'' 
uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos 
pensamentos, percepções e valores... “
“As últimas duas décadas de nosso século (Século 20) vêm registrando um 
estado de profunda crise mundial. É uma crise complexa, multidimensional, cujas 
facetas afetam todos os aspectos de nossa vida — a saúde e o modo de vida, a qualidade 
do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política. É uma 
crise de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e premência 
sem precedentes em toda a história da humanidade.”
É impressionante como este autor parece descrever situações neste livro publicado 
em 1982 como se estivesse falando de nossos dias.
A Crise é sem precedentes e não adianta desesperar porque ou encontramos um novo 
caminho ou ficaremos dando voltas ao redor de nos mesmos. As velhas respostas, 
os velhos padrões não irão conseguir propiciar novos caminhos. Isso parece a cada 
dia mais evidente. Será que alguém tem segurança para delimitar na politica nacional 
o que é “direita”, e o que é “esquerda”?  Alguém tem dúvidas, ao visitar qualquer loja 
comercial de que os padrões de atendimento estão aquém do esperado? Ou tem percebido 
a maneira como o setor bancário tem tratado o cidadão comum, antes tão disputado 
como cliente?  Nestas horas me vem à mente a  voz do Caetano Veloso dizendo: 
“Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial...”
Acreditem tem muita cosa fora da ordem.
Mas qual será esta nova ordem mundial? Certamente algum tipo de ordem 
onde não haverão estados totalitários que queiram mandar em todo o mundo, 
que não espione, não manipule  e principalmente não minta.
Uma ordem onde os representante do povo representem em primeiro lugar seus 
eleitores  ao invés de apenas se beneficiarem com a representatividade. Com uma 
policia que tenha como objetivo defender o povo que paga com seus impostos a 
sua existência. Uma nova ordem onde AMOR seja algo mais, maior e melhor do 
que o arremedo distorcido e requentado de relacionamento apresentado na novela 
das oito. Uma novíssima ordem sem a cultura da razão cínica, e onde a lei de Gerson 
tenha sido revogada e transformada em crime de lesa humanidade.
Mas estamos longe, pelo visto, deste tempo e precisamos ainda aprender a conviver 
com o desrespeito às liberdades individuais,  às conquistas democráticas e com essa 
mania de só enxergar o próprio umbigo.  
Tomara que consigamos conviver com essa esquizofrenia coletiva e ultrapassar a zona 
do cinturão de fótons das Plêiades, se é que me entendem, para alcançar um 
novo tempo e uma nova civilização com novos paradigmas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário