Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

21 de março de 2014

Tempo de crises e mudanças profundas



Estamos muito longe de chegar a alguma solução em casos como este da moça jogada na mala de um Camburão da PM e arrastada pelas ruas, depois que a mala do carro abriu.
Definitivamente não adianta criminalizar só os policiais, assim como não adianta só punir os justiceiros que amarram pessoas em postes. Da mesma forma que não adianta ficar reclamando de todo e qualquer governo por que certamente nenhum terá o consenso e a aprovação de todos os eleitores. É o sistema que está doente, é a sociedade que enlouqueceu, é a civilização ocidental que entrou em sua crise derradeira. Não há mais paradigmas que respondam, sustentem ou apresentem soluções para o que estamos vivendo.

Estamos falidos, moralmente, socialmente, emocionalmente, psicologicamente e tantos ”mentes” quantos se nos apresentem.
Valores? Não há valores além daqueles é claro, que regem todo o comportamento da grande maioria da população, os valores econômico-financeiros ou se preferirem o popular, o dinheiro, a grana, o lucro, a vantagem...

O canhotinha de ouro nos brindou com a pérola que parece, passou reger nossos valores atuais. Quando achou que era tão bom com o cérebro como o era com os pés concluiu:
 ”você tem que levar vantagem em tudo, certo ?
ERRADO Gerson, errado !!!!!
Se todos quiserem levar vantagem como vamos ficar ? Para que alguém leve vantagem alguém tem que ficar em desvantagem! Mas se a ideologia não permite a desvantagem o que teremos? O Caos, a desorganização social, a criminalidade, a total submissão ao hedonismo desenfreado, ao consumismo desregrado.

Se nos fixarmos no nosso país, embora eu tenha certeza de que esta crise ultrapassa as nossas fronteiras, podemos nos reportar aos anos 70, época do milagre brasileiro que foi fabricado alicerçado nestes valores do ter, consumir, e que fez toda a população acreditar que ser feliz é POSSUIR, LEVAR VANTAGEM e lógico CONSUMIR .

Eu sou de uma época, nasci na década de 50, em que poucas pessoas possuíam seus carros, casas próprias, aparelhos de ar condicionado. Viagens para o exterior eram celebradas com festas de “bota fora”, porque eram acontecimentos excepcionais. Não me lembro de que fossemos infelizes.
Embora morasse no Rio de Janeiro, num bairro de classe média, a Tijuca, lembro do tempo em que o rádio tinha mais força do que a TV. Programas como “A Ave Maria” às 18 hs, seguida do seriado ”Jerônimo O Heroi do Sertão”, reuniam as famílias e estimulavam o nosso imaginário e enchia de sonhos nossas cabeças de crianças. Era preciso muito pouco para que nos sentíssemos realmente felizes. Não me lembro de me sentir infeliz por não possuir a última versão de qualquer coisa que fosse.
Com a chegada da TV começou uma mudança gradativa de embrutecimento da capacidade imaginativa que só foi ser percebida depois de muito tempo, e assim mesmo por muito poucos. Entretanto, penso que posso fixar os anos 70 como o marco definitivo da mudança de valores da sociedade como um todo. O boom da Bolsa de valores em 1971 e o que se seguiu, foi definitivo. O que os donos do poder, vivíamos ainda os anos do golpe militar, talvez em seus piores e mais sangrentos momentos,fizeram foi aproveitar a sequencia de fatos. Havíamos passado pelo ufanismo do Brasil TRI Campeão, todos juntos, pra frente Brasil... Foi fácil então fabricar o “Milagre Brasileiro”.  Um “milagre” construído  sobre o consumo de bens descartáveis acabou por nos levar a numa sociedade rude, primitiva que adormeceu seus valores emocionais em troca de benefícios e vantagens, lucro a qualquer preço e principalmente o indispensável: o poder de compra, que passou a ser a medida da felicidade.
Diante desta situação aberrante fundir-se ao capitalismo dominante no mundo foi apenas um detalhe.
A selva estava então completa. Todos, absolutamente todos os indivíduos querem ser felizes. Não conheci até hoje alguém que diga claramente que não quer. E, se para ser feliz é preciso ter, comprar, consumir passa a ser preciso, a qualquer custo, conseguir os recursos, mesmo que tenha que corromper, fraudar, desviar verbas, fazer tramoias, falcatruas e, na base da base da pirâmide, assaltar, sequestrar, roubar...
Pronto! Estava então montado o enredo e o samba, daí para frente, só poderia atravessar.
A Policia precisa ser firme e defender a ordem. Mas que ordem? Qual ordem estará estabelecida quando de alto a baixo a sociedade perdeu seus valores morais. Que ânimo tem um policial que muitas vezes mora muito próximo das áreas onde tem que atuar? Que sofre as mesmas pressões daqueles a quem precisa “combater”. Como agir contra alguém que é tão igual, nas necessidades e na busca desesperada desta falsa felicidade comprada a prestação. Como valorizar vidas que parecem existir para lhe esfregar na cara que são tão iguais, tão marginais quanto e que muito poucas perspectivas tem de ascender à classe que dá as ordens, que desfruta e com facilidade consegue comprar à vista a tal da felicidade... Se pelo menos as pessoas pudessem avaliar quanta raiva existe, quando vivendo em uma sociedade que só privilegia a aparência e as posses, o indivíduo se descobre tão distante disto tudo...
Não tomem essas minhas palavras como se fossem a defesa dos policiais que arrastaram a moradora daquela comunidade pelas ruas, jamais poderia defender um ato como este. Mas, só quero que pensem e que percebam que eles não são os únicos culpados, e pior não são nem de longe os últimos que farão absurdos como este.
Até que uma nova maneira de encarar a vida, até que se descubra o que realmente é ser feliz, até que se encontrem NOVOS PARADIGMAS que nos forneçam respostas adequadas para essa sinuca de bico que estamos, lamentavelmente ainda teremos o desprazer e a tristeza de ver
mulheres arrastadas, professores apanhando da polícia, repórteres sendo mortos, índios sendo queimados, domesticas estupradas, crianças vitimas de pedóflilos, gays covardemente espancados e toda sorte de loucuras imagináveis por mentes doentes, ávidas por ter cada vez mais, até que descubram que não é este o caminho que os levará a se sentirem completos, felizes e ajustados.
Nenhuma sociedade poderá se estruturar e tornar seus componentes felizes se não tiver a afetividade, o respeito à vida, a justiça e a oportunidade para todos, como seus valores máximos.
Enquanto alguns poucos se sentirem os donos de todos os demais, e o critério de felicidade for o tamanho da conta bancária ou o poder de compra de um individuo, sempre estaremos sujeitos à violência, corrupção e a barbárie. 

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