Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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16 de agosto de 2016

Consumismo, Capitalismo, Teologia da libertação e Teologia da Prosperidade

J Ricardo A. de Oliveira


Tenho pensado muito sobre essa questão. Lembrei do Joãozinho 30 que dizia que quem gosta de pobreza é intelectual, pobre gosta de luxo de riqueza e de brilho. Acho que é isso que vem acontecendo, a teologia da prosperidade fala a linguagem que foi usada para domesticar as grandes massas, o capitalismo e seu infernal consumismo.



A Teologia da prosperidade baseia-se em que os indivíduos têm como objetivo na vida tornarem-se ricos, para serem felizes. A suprema felicidade é ter cada vez mais para atingir a riqueza material, para ai sim ser feliz. Os bordões clamam que Deus vai abençoar a vida de seus filhos, se eles tiverem fé e “se entregarem”a Jesus, assim sem maiores lutas, ou esforços. É o próprio Deus quem vai abençoar a vida de seus filhos, com riquezas abundantes e prosperidade constante. Convenhamos que para quem passa fome, esta é uma proposta muito tentadora.
O indivíduo passa a vida sendo doutrinado:  fume "Free" e seja um intelectual de óculos caros, livros, mulheres e carros. Roupas impecáveis, com etiquetas milionárias. Ou ainda: tenha o carro do ano e descubra a felicidade e a liberdade! Compre uma TV de Plasma e sinta-se como um jogador da copa, dentro do campo!
De manhã à noite o bombardeio é incansável mostrando a essas pessoas, e porque não dizer a muitos de nós também, que tudo, absolutamente tudo, pode ser COMPRADO. De saúde a felicidade, tudo parece ter um preço...



Os jovens, preocupados com prazeres imediatos, porque sabem que a vida é curta e as oportunidades quase inexistentes querem tudo prá já, aqui e agora.
A Teologia da libertação tem como perspectiva o aumento da consciência dos indivíduos, a formação destes indivíduos num projeto de cidadania, o consumo regrado e consciente, o desenvolvimento sustentável, o não desperdício de recursos, a simplicidade voluntária, uma divisão de renda que implique na inexistência de exploradores e explorados e consciência da liberdade que cada individuo vem ao mundo. Para a TdL o amor de Deus se manifesta não pela acumulação de bens materiais, mas pela fraternidade, pela ajuda mútua, pelos elos de ligação fraterna entre os indivíduos. Era assim que eram reconhecidos os primeiros cristãos: "Vejam como se amam".
A TdL em suas atividades convida a todos a se posicionar : vamos juntos, aprender, buscar uma melhor educação, uma melhoria cultural, ampliar a nossa consciência de cidadãos e lutar pela igualdade de oportunidades.
Na verdade, esta perspectiva libertadora não aparece como libertadora para as camadas sociais mais pobres. Esse discurso está na contramão do que esses indivíduos tiveram como formação. Isso é a antítese do consumismo, que é apresentado como um  saboroso doce a ser consumido por todos, e apregoado pela mídia em geral. É essa a “deformação” que precisamos  suplantar para levar adiante o discurso libertador. A cada dia percebe-se nos grandes centros o povo mais avesso a isso. A Lei de Gerson, a cultura da "farinha pouca meu pirão primeiro" impera. É mais fácil fazer uma oração alienante e cruzar os braços e esperar a "Bênção" do que lutar pela realização desta.
Talvez por isso que muitas CEBs andam namorando com a CN e com os programas dos padres cantores, ou os arautos da Teologia da facilidade ou da Prosperidade.
Não sei onde perdemos o fio da meada, mas temos que nos voltar para uma nova educação, uma nova estratégia que revitalize o valor da cidadania, da realização pessoas através do trabalho honesto, a recondução da moral e da ética ao lugar de destaque na formação do caráter de nossa gente.
Só pela educação de qualidade, pelo empenho de cada um de nós, primeiro através de uma vigilância de nossos próprios atos, não burlando, não nos permitindo participar de nenhum tipo de suborno, principalmente os mais corriqueiros, no trânsito, nas repartições. Cuidando de nossos excessos de consumo de supérfluos, no excesso da valorização das grifes e etiquetas.
Precisamos em primeiro lugar assumir uma conduta ética, séria para que com nosso exemplo possamos transmitir essa postura de verdadeiros revolucionários.
A teologia da Prosperidade é justamente a resposta de acomodação ao mundo capitalista que estimula cada vez mais o consumo.



A teologia da Libertação procura justamente o contrário, ou seja, a valorização do indivíduo, o predomínio da ética e da verdade, a busca da simplicidade e do necessário, a formação de cidadãos que sabem os seus direitos e não se deixam manipular.
Para finalizar pode-se dizer que enquanto a Teologia da Prosperidade está empenhada em TER para consumir, a Teologia da Libertação empenha-se para que os indivíduos SEJAM para comungar com o próximo.

Eis a diferença: Consumir X comungar.

2 comentários:

  1. Apreciei muito o seu texto. Sou católica, catequista na Paróquia de Nossa Senhora do Sagrado Coração, na Praça Seca. Apesar de os padres missionários do Sagrado Coração conduzirem nossa paróquia, semeando a preocupação social com o outro, numa linha mais libertadora, vejo com perplexidade grande parte dos paroquianos, especialmente os jovens, acomodados e presos( não sei de que forma) a um lado da Igreja ultraconservadora. Parecem desconhecer completamente Jesus Libertador. Como semear o despertar de consciências é o maior desafio do cristão hoje.

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  2. Muito boa reflexão. Nessa sociedade doente, ser livre pra fazer escolhas é difícil. Vivemos sob pressão para competir com os outros nos esquecendo de nossa própria essência. A simplicidade parece uma coisa "démodé". Nosso desafio é o exemplo, é descobrir a felicidade no interior, no nosso interior, não nas coisas, não no exterior. Conservar um olhar sereno, amistoso e tolerante com nosso próximo é a única forma de se fazer a diferença nesse mundo onde nos tornamos escravos da aparência...

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