Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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24 de maio de 2015

Pentecostes

(Frei Isidoro Mazzarolo)*



A Festa de Pentecostes  é um marco solido da fé cristã. A narrativa de Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-13) revela que os discípulos estavam reunidos no mesmo local dos encontros anteriores (os discípulos se reuniam de modo secreto e escondido, pois temiam perseguições por estarem envolvidos com Jesus, que fora condenado como malfeitor).
Pentecostes é o evento em que os discípulos perdem o medo e encontram através da força do Espírito Santo a coragem de testemunhar o Evangelho e assumir todos os riscos inerentes à vocação.
As línguas de fogo representam a força do alto, a intervenção divina e a luz do Espírito Santo que ilumina, aquece e encoraja. Pode-se dizer que as línguas de fogo são a unção de Deus para a nova missão dos discípulos. Eles até agora reunidos a portas fechadas, deixam o lugar e partem corajosamente para anunciar a missão, a paixão e a ressureição de Jesus.
Assim como quando Jesus lê o livro do profeta Isaias ( Is 61,1-2) e se sente ungido  para anunciar a boa nova aos pobres, libertar os cativos e curar todas as enfermidades.
Pentecostes pode ser considerado como o evento do início da Igreja. O  medo, a perseguição, os sofrimentos não são mais razões para o confinamento das testemunhas oculares dos fatos da vida de Jesus. Agora eles entendem e assumem a sua vocação missionária e evangelizadora, e para tanto, sabem que precisam sair  ao encontro das pessoas.
Ao contrário de babel, onde os habitantes que eram da mesma cultura viviam a perfeita confusão, em Pentecostes, todos entendem, mesmo sendo de culturas e línguas diferentes . Sob a assistência do Espírito Santo, nasce a igreja verdadeiramente unificadora. Como vai afirmar Paulo, mais tarde, a igreja busca a unidade no evangelho, superando as distinções existentes entre homem e mulher, escravo  e livre, grego e judeu. Dessa forma os cristãos se sentem impelidos e ungidos para uma missão que exigia desinstalação, saída, busca e caminho para fora, a fim de levar ao mundo a mensagem do Cristo Ressuscitado. ( MT 28,18-20)
A unidade das línguas, das raças e das culturas e uma demonstração de que o Espírito de Deus esta sobre o mundo, ligando e conectando corações, inteligências e vontades.
Exigências atuais para depois de Pentecostes: não restam dúvidas de que há hoje uma necessidade imperativa de entender a vocação e a missão a partir de Pentecostes. Há muitos cristãos que ainda estão fechados sobre si mesmos, trancados em seus apartamentos e casas com medo da missão, da evangelização e do anúncio. Há uma acomodação e certo comodismo religioso carecendo profundamente do vigor do espírito.
Pentecostes é missão, é saída e busca das ovelhas que não são deste aprisco e elas não serão reunidas se não houver missionários e evangelizadores que deixem seus redutos para ir em busca das mesmas a fim de que haja um só rebanho e um só pastor. ( Jo 10,16)

É mister rever, reviver e encarar a missão dos apóstolos, em Pentecostes. O mundo precisa de evangelizadores que anunciem o Cristo ressuscitado e, nele construam a verdade, a justiça e a ética entre os povos. Pentecostes é evangelização e missão. Celebrar Pentecostes é colocar na vida de cada momento, o espírito missionário que une línguas, povos, culturas , sociedades. O diálogo com as representações religiosas e a diaconia à verdade e ao evangelho precisam ser aprofundados para que através do serviço aos mais necessitados possam ser uma expressão da presença de Pentecostes na evangelização e transformação hoje.

·         Autor de inúmeros livros e doutor em Teologia, Frei Isidoro é professor de Teologia na PUC-Rio (artigo publicado na folha paroquial nº 177 – ano de 2012 Paróquia da Santíssima Trindade - Rua Senador Vergueiro 141 Flamengo Vicariato Sul – RJ)

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