Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

10 de setembro de 2015

A questão de Gênero


A questão de gênero deve ser tratada, estudada e melhor compreendida. "Ideologia" é a forma como alguns grupos querem tratar ou ignorar o assunto, achando que suprimindo se resolve(m) o(s) problema(s).
Se queremos ter uma sociedade mais justa, solidária e humana, onde a fraternidade aconteça e exista, a diversidade e o respeito a ela devem ser tratados na escola sim. Educar é mais que formar, pois se educa para a vida e para o viver da vida em liberdade.
( Prof Cesar Kuzma do depto de teolgia da PUC/RJ)



"a presença das temáticas de gênero e diversidade nos currículos em todos os níveis de ensino é imprescindível para promover uma formação cidadã. A escola é um dos locais fundamentais para garantir a socialização democrática e isso só será feito com a promoção do debate e não com o silenciamento dogmático. Excluir das salas de aula conhecimento científico relevante e reconhecido equivale a censurar a liberdade de pensamento e expressão".
Gênero e Diversidade Sexual. Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR publica manifesto

"A retirada dos termos “diversidade de gênero” e “orientação sexual” dos planos municipais e estaduais de educação é um retrocesso na defesa dos direitos humanos e um desrespeito à Constituição Federal", afirma manifesto do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR.
Segundo o manifesto, "a presença das temáticas de gênero e diversidade nos currículos em todos os níveis de ensino é imprescindível para promover uma formação cidadã. A escola é um dos locais fundamentais para garantir a socialização democrática e isso só será feito com a promoção do debate e não com o silenciamento dogmático. Excluir das salas de aula conhecimento científico relevante e reconhecido equivale a censurar a liberdade de pensamento e expressão".
O manifesto foi publicado no portal da Universidade Federal do Paraná - UFPR, 23-07-2015.


 Eis o manifesto.

Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Paraná é um grupo de pesquisa multidisciplinar com vinte e um anos de existência, cuja produção científica é reconhecida nacional e internacionalmente tendo apoio financeiro das agências nacionais de fomento à ciência e à pesquisa (CAPES e CNPq) tanto individual quanto institucionalmente.
Frente aos recentes debates públicos relacionados à aprovação dos planos municipais e estaduais de educação em âmbito legislativo, nós, pesquisadoras e pesquisadores do Núcleo de Estudos de Gênero da UFPR, repudiamos publicamente a nomenclatura “ideologia de gênero” que está sendo usada para deslegitimar uma área de estudos, de pesquisa e de defesa dos direitos humanos que há pelo menos meio século se consolida no Brasil e outros países, nas mais prestigiadas universidades e centros de pesquisa. “Ideologia” é um termo ambíguo e controverso, sem definição consensual, que carrega uma forte conotação negativa relativa à falsidade e/ou enganação.
Acusar grupos de pesquisa universitários de defender e praticar “ideologia de gênero” é uma difamação infundada, desrespeitosa e irresponsável que responde a interesses políticos antidemocráticos. Nós não praticamos nem defendemos “ideologia de gênero”. Pelo contrário, pesquisadoras e pesquisadores dos estudos de gênero sempre atuaram e continuarão atuando no sentido de compreender como sistemas de dominação e de exclusão são construídos e se tornam permanentes a partir da oposição entre homens e mulheres. Nossos estudos e nossos esforços visam compreender como ideologias de gênero são construídas e originam violência, discriminação e exclusão. Denunciamos e combatemos a violência, os preconceitos e a discriminação contra mulheres e pessoas LGBTT, lutando para tornar nossa sociedade menos injusta e menos desigual. Violência, discriminação e inferiorização são componentes centrais da ideologia de gênero que está presente no nosso cotidiano, nas escolas, nos locais de trabalho e nas representações da mídia.
A retirada dos termos “diversidade de gênero” e “orientação sexual” dos planos municipais e estaduais de educação é um retrocesso na defesa dos direitos humanos e um desrespeito à Constituição Federal. A presença das temáticas de gênero e diversidade nos currículos em todos os níveis de ensino é imprescindível para promover uma formação cidadã. A escola é um dos locais fundamentais para garantir a socialização democrática e isso só será feito com a promoção do debate e não com o silenciamento dogmático. Excluir das salas de aula conhecimento científico relevante e reconhecido equivale a censurar a liberdade de pensamento e expressão.
Desejamos que estas iniciativas antidemocráticas e obscurantistas que pressionam deputados e vereadores pela exclusão de toda uma área de conhecimento dos currículos representem uma oportunidade para nosso próprio aprendizado político. Que a necessidade de defesa da legitimidade do nosso trabalho sirva como alavanca para ampliar nosso espaço público e garantir maior articulação entre grupos de pesquisa nacionais e internacionais.
Que nossas redes de pesquisa e de ação fortaleçam sua atuação para que ”diversidade de gênero” e “orientação sexual” sejam reconhecidas não como “ideologias”, muito menos como “perversões”, que estão na cabeça ou na fantasia daqueles que difundem mentiras pelo proselitismo, mas sim como conceitos acadêmicos cuja circulação tem como finalidade promover um país mais democrático, com menos preconceito e capaz de ensinar as crianças e os jovens a não temer o conhecimento, mas a participar plenamente das transformações em curso. Uma educação que não forme pessoas servis e covardes, mas que saibam pensar livremente.




A questão de Gênero  de forma esquemática

Não podemos/ ou devemos falar em “ideologia” de gênero, porque não se trata disto. Ideologia é o que as pessoas que estão tentando abafar essa discussão séria estão fazendo.
Ideologia é posicionar-se contra o que a ciências estão colocando. É como já se fez no passado anatematizar que afirmava que a Terra  não era plana.

 Vamos então fazer  uma distinção nas várias categorias que precisam ser diferenciadas nesta questão de gênero:

1- Sexo Biológico
que refere-se a características  como órgãos (ovários, testículos, útero..., hormônios e cromossomos ( XX – XY)
Fêmea (feminino)   --- Macho (masculino) ---- HERMAFRODITA

2- Identidade de Gênero
[
Como a pessoa pensa a respeito de si mesma]
Mulher ---  Transgenero ---- Homens

3- Expressão de Gênero / Identidade  Sexual  
[
é a maneira como as pessoas expressam seu gênero. A foma de agir, vestir e interagir]
Feminino  --- Andrógino  ---Masculino


4- Orientaçao afetiva sexual 
[
refere-se a quem é fisicamente e emocionalmente desejado ou atraído]
Heterosexual  ----- Bissexual  ----- Homosexual


Até bem pouco tempo, as pessoas acreditavam que qualquer expressão sexual que fugisse dos padrões de comportamento socialmente definidos para o homem e a mulher era considerado anormalidade, ou mesmo doença. No entanto, estudos mostram que não é bem assim.
Para o autor do livro "Os Onze Sexos", Ronaldo Pamplona, a sexualidade é formada por cinco elementos: o sexo biológico, a identidade de gênero, o papel sexual, a identidade sexual e, por fim, a orientação sexual. A combinação entre estes elementos marca as diferenças no jeito de cada pessoa ser e viver sua sexualidade. Vamos entender um pouco o que quer dizer cada um destes elementos.

Sexo Biológico
Quando um espermatozoide penetra o óvulo ocorre a fecundação. Todo óvulo contém um cromossomo X, já os espermatozoides podem conter os cromossomos X ou Y. Se o espermatozoide que o fecundou for do tipo X, o bebê será do sexo feminino. Mas, se o vencedor for do tipo Y, o bebê será do sexo masculino.
A partir de então, cada um dos sexos forma o seu aparelho genital, inclusive um tipo de glândula interna específica: ovário nas meninas e testículo nos meninos. Externamente, as meninas, quando bebês, são identificadas pela presença da vulva, vagina e clitóris e os meninos pelo pênis e a bolsa escrotal.

Identidade de Gênero e Papel Sexual
Por volta dos 2 ou 3 anos, as crianças descobrem os seus genitais. Essa descoberta anatômica tem uma grande importância na tomada de consciência de gênero e no desenvolvimento dos papéis sexuais. Os pequenos associam seu tipo de genital ao dos pais e, de acordo com a similaridade, imitam os comportamentos do pai ou da mãe.
Além disso, meninos e meninas são tratados de forma diferente desde a hora em que os adultos descobrem seu sexo, muitas vezes, ainda na barriga da mãe. Por meios de gestos, palavras, brincadeiras, prêmios e castigos, a família, a escola e a mídia passam para a criança informações e modelos que ensinam como eles esperam que um menino ou uma menina se comporte. Isto é o Papel sexual – a forma como cada um expressa sua sexualidade.

Identidade Sexual
A identidade sexual é o que o indivíduo acredita ser. E isto é um processo de construção psicológica que envolve o sexo biológico e o comportamento social. Para um garoto, por exemplo, acreditar que ele é homem, é preciso que ele saiba que é do sexo masculino, se reconhecer como homem e saber como um homem deve agir.
Parece óbvio, mas a aquisição da identidade nem sempre é assim. Os travestis, por exemplo, são pessoas com uma identidade sexual variável: num momento sentem-se homens, no outro, mulheres. Já os transexuais têm uma identidade sexual fixa, ou seja, acreditam ser homens ou mulheres, só que o seu corpo não corresponde a esse sentir. Um exemplo conhecido é o da Roberta Close.

Orientação Sexual
A forma como cada pessoa se sente – a identidade sexual – é individual e pessoal, bem como o desejo por alguém para amar e fazer sexo. A Orientação sexual é exatamente a direção para qual se inclina este desejo, de acordo com o gênero pelo qual a pessoa se sente atraída. Desta forma, existem três tipos de orientação sexual: heterossexual, quando se deseja pessoas do sexo oposto; homossexual, que é desejo por alguém do mesmo sexo; e bissexual, quando se deseja pessoas de ambos os sexos.
Assim, um homem heterossexual, por exemplo, nasce com os genitais masculino, sabe que pertence a este gênero, aprende a se comportar como a sua cultura espera, se sente homem e deseja sexualmente pessoas do sexo oposto. No homem homossexual, todos os elementos da sua sexualidade ocorre como no homem hetero, só que o seu desejo sexual está direcionado a alguém do seu mesmo sexo. Já na pessoa bissexual a atração pode ocorrer tanto por um gênero como pelo outro.
Como vocês podem perceber, a orientação sexual é um desejo que não depende da vontade consciente da pessoa. Ninguém decide ser hétero, homo ou bissexual de uma hora para outra, e muito menos porque é moda ou alguém falou para ser assim. Quando se tem um desejo que não corresponde às expectativas sociais, o indivíduo sofre bastante com a discriminação, o preconceito e a ignorância das pessoas.

Combate ao preconceito
Nos últimos cinco anos, vários estudos, como o Juventude e sexualidade , da UNESCO;Revelando Tramas e descobrindo segredos: violência e convivência nas escolas, estudo sobre as escolas do Distrito Federal, de Miriam Abromovay, Ana Lucia Cunha e Priscila Pinto Calaf;Preconceito e Discriminação no ambiente  Escolar, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e ainda Diversidade e homofobia no Brasil, publicada pela Fundação Perseu Abramo, mostram o quanto, cada vez mais, a homofobia/transfobia (medo ou ódio irracional às pessoas LGBT) está presente na sociedade brasileira, inclusive nas escolas.

Por isso eu lamento muito o ocorrido com o material didático do projeto Escolas sem Homofobia, apelidado pejorativamente de Kit Gay, recolhido recentemente da rede pública de ensino devido à pressão de setores da sociedade.
Este material traria, pela primeira vez, a oportunidade de a escola trabalhar com os alunos os diferentes jeitos sexuais de ser, mostrando de forma positiva que isto é uma condição humana como tantas outras e que merece ser respeitada.


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