Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

5 de novembro de 2015

Tempos difíceis

(J. Ricardo A. de Oliveira)

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo,,,
                                                        ( oração ao Tempo – Caetano Veloso)



Seguia hoje de taxi quando o rádio me despertou a atenção para a notícia de um espancamento. Ia já desviar a atenção como de costume, já que as rádios parece que não fazem outra coisa além de noticiar desgraças, morte, quando a voz do locutor disse algo que despertou minha atenção e curiosidade: O rapaz havia sido espancado até a morte por torcedores de um time de futebol rival, por trajar a camisa de seu time.
“Terminou em morte mais um caso de violência entre torcedores de futebol. Morreu nesta quarta-feira (4/11/2015) Felipe Souza Moreira, 24 anos, um dos quatro feridos em uma briga na área externa da estação de trem de Mesquita, na Baixada Fluminense, na tarde de domingo (1º), momentos antes do jogo entre Fluminense e Vasco pelo Campeonato Brasileiro.”
 ( na internet  se pode ver um vídeo deplorável  e extremamente  violento dos agressores festejando o sucesso da agressão: 
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/11/torcedor-do-vasco-morre-3-dias-apos-ser-espancado-por-torcida-do-flu.html)

Que mundo é este que vivemos? Parece que hoje é ofensa pensar diferente da manada. Há alguns meses todos assistimos verdadeiros absurdos contra pessoas que vestiam-se de vermelho.  Ou do outro lado do panorama politico defendiam um ponto de vista contrário ao de um determinado grupo.

 Não importa que grupo, vivemos um tempo de exclusão do diferente. O time, o partido político, a religião, a preferência sexual, a cor da pele, o bairro onde mora. Tudo é motivo para agressão.  
Não importa a classe social, parece que se perdeu de vez o mínimo de respeito e educação que se tinha.  Se o indivíduo discorda da religião de um desconhecido as palavras de referência parece que saem do mais baixo dos termos com o objetivo claro de agredir.
 Desaprendemos a viver com as diferenças, retiramos a palavra INCLUSÃO de nossos dicionários.
O respeito e a tolerância parece que passaram  a ser algo inadmissível.

Eu particularmente sou contra o aborto, mas não é por isso que vou excomungar ou execrar qualquer pessoa que se coloque a favor. Mas a simples frase ”sou contra o aborto” dependendo de onde for colocada pode gerar uma série de agressões intermináveis.
Curioso que se eu me posicionar de forma contrária, dependendo do grupo que irá ler também vai gerar uma outra interminável série de agressões.
Uma pessoa que milite em uma religião afro brasileira pode ser apedrejada por estar trajando roupas brancas. Homosseuais pode ser espancados pelo simples fato de terem a preferencia sexual diversa de seus agressores. Rapazes pobres que pretendem ir à praia  na zona sul do Rio de Janeiro, podem ser objeto da ira dos moradores mais abastados daquela região da cidade, alguns chegando a conclamar seus vizinhos para a exterminação do "pretos pobres" que estão invadindo a praia... Uma praia que até prova em contrário é PÚBLICA .





O que mais me preocupa é que essas agressões já saíram das páginas do mundo virtual das redes sociais e ganharam as ruas do mundo real. São casas de culto afro-brasileiros destruídas, igrejas católicas que tem seus santos quebrados e seus sacrários profanados, é a cor de uma camisa que no imaginário doente pode significar a tendência política e gerar agressões físicas, uma roupa branca estendida num varal que passa a ser indicativo de culto demoníaco para mentes irracionalmente manipuladas ou até uma simples camisa do time de futebol pode ser indicativa de um alvo a ser agredido.


Mas o que estará por traz de tudo isso?

Levei algum tempo assuntando com um e outro, lendo aqui e ali para tentar entender o que está transformando um povo que gostava de futebol, que respeitava seus dirigentes e convivia com toda e qualquer religião sem maiores problemas.
Encontrei algumas pistas...
A primeira e mais óbvia é a já famosa lei de Gerson.
Se  "tenho que levar vantagem em tudo" como assevera a tal lei, não posso admitir que eu não detenha a verdade e leve a tal vantagem. Se tem gente que pensa diferente, isso passa a ser uma ameaça.
Um outro ponto interessante é o crescimento do Pentecostalismo e do Neopentecostalíssimo seja nas igrejas protestantes e também na igreja católica romana. O diferente para essas ”seitas” assume o papel de "inimigo".  A ameaça do “inimigo“ protagonizada pelo "demônio" passa a ser a grande ameaça de quem não segue cordeiramente o pensamento do pregador, seja ele de que denominação for. O inimigo, essa figura tão falada entre os fundamentalistas pode ser qualquer coisa ou pessoa que coloquem em um suposto risco o pregador,  seus interesses e os interesses das seitas.

Por fim cheguei ao grande e aparentemente maior responsável por esse estado de coisas. Logicamente o sistema que regula praticamente todo o planeta advoga a máxima de que tudo deve girar em torno do lucro, do ganho.  O grande objetivo parece ser a “vitória”. Vitoriosos são os que se distinguem na sociedade. Este é o grande anseio de todos, reza-se nas igrejas pela vitória, pede-se ao alto a vitória e nenhum elogio supera o fato de dizer-se a alguém que ele é uma pessoa VITORIOSA.
Num mundo de vitoriosos os diferentes são os derrotados, são aqueles que devem ser eliminados. Desta forma, todos passaram a buscar a vitória a qualquer preço, e quando digo isso estou dizendo “qualquer” mesmo. Desta forma se o meu partido perdeu as eleições, e clamo por um impeachment, se a igreja do vizinho segue um rito diferente do meu, eu vou lá e destruo. Se o seu time de futebol é um empecilho para a vitória do meu, eu pelo menos posso trucidar o torcedor oponente. E por ai seguem-se uma série de absurdos, atos violentos, discussões insanas e um rancor que gradativamente vira ódio. Uma estratégia importada  que aliás sempre foi praticada pelas equipes de marketing, com seus gritos de guerra e palavras de ordem que visavam derrotar o “inimigo”. A meta é vencer, sempre foi, mas a vitória completa é vencer e derrotar ou de preferência destruir o concorrente.




Quanto aos perdedores que se cuidem e se escondam porque a estes está reservada a vergonha, a humilhação como aquele longínquo personagem que acabou seus dias pendurado em uma cruz por ousar subverter esse tipo de regra, anunciando a subversiva lei do Amor:
Amai-vos, esse é o único mandamento, o mandamento da inclusão, da aceitação incondicional, da compaixão, da aceitação de todos por aquilo que cada um é.


Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...

Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra

( O Sal da terra - Beto Guedes)









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