Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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15 de junho de 2016

A Opção preferencial pelos pobres

Meu bom José,
hoje quero lhe falar das origens e de um tema que muitos não conseguem entender.



Olhando a atual sociedade humana percebo que o que chama a atenção e incomoda é que as pessoas conscientes do que é ser um verdadeiro seguidor meu, sabem que é preciso reconduzir o povo ao meu projeto original.

Infelizmente este projeto foi abandonado quando a igreja foi institucionalizada e saiu das casas dos humildes, das catacumbas, da clandestinidade para os palácios, para a nobreza romana que sentia necessidade e saudade de seus deuses pagãos. Com isso acabou fazendo pressão até conduzir um representante meu  a um trono de ouro e púrpura pouco íntimo daqueles a quem eu dei a tarefa de construir o  reino de Justiça, Paz e amor de meu Pai.
Há um grande abismo entre o cristianismo descrito pela comunidade de Lucas  nos Atos dos apóstolos e aquele que a igreja vem professando ao longo dos tempos.



Nada mais é comum. Até mesmo a Eucaristia é para selecionados e é vista como prêmio aos puros e não mais remédio para os fracos.
O pão não é partido mais nas casas, ninguém mais se ocupa com os órfãos e as viúvas,  esta já não é tarefa de diáconos, ninguém chama mais os diáconos para rezar quando adoece, o condutor da barca , já não pesca mais nu,  como o meu velho amigo Pedro. Já não existem mais diaconisas e os sacerdotes esqueceram a minha mensagem de que não vim para ser servido, mas para servir.



 Não é questão de ajudar aos pobres e somente ir às periferias para angariar adeptos. Perceba que quando se fala assim de nossos irmãos estamos nos colocando acima para “ajudá-los”. O fundamental é saber que aquele que está ali maltrapilho, oprimido , com fome e sede, sem emprego, aquela pessoa que muitas vezes já perdeu até a dignidade, tamanha a força da exclusão que lhe foi imposta, ele é um filho de Deus como qualquer um de nós.
É este  a quem eu chamo de um dos meus pequeninos!
Cada vez que viram o rosto, tapam o nariz, escorraçam o infeliz é a mim próprio que estão fazendo tudo isso.
Não é fazer por eles, é ser com eles é resgatá-los e elevá-los á condição de verdadeiros filhos e herdeiros do reino. È descobrir-lhes no íntimo, a pureza, a simplicidade de quem nada tem.
Eu tive fome e não me alimentastes, tive sede e não me saciastes, estive preso e não me visitastes, será que esqueceram que eu disse isto ?

Muitos de vocês preferem me ver  somente no sacramento. Preferem me ver dentro de uma âmbula, ou rodeado de ouro em um ostensório, ou ainda trancafiado como você me chama, “o prisioneiro do sacrário”. É mais cômodo.

Estar cara a cara comigo, a cada dia, ver-me em todos os lugares e estar de braços dados comigo na construção do Reino, isso muitos poucos querem.
  

Engana-se redondamente quem pensa que quem fez a opção preferencial pelos pobres foi a igreja. Antes dela, muito antes mesmo, eu e meus companheiros já tínhamos feito. É por isso que diziam que eu me fazia acompanhar de ladrões, prostitutas, cobradores de impostos, pescadores ignorantes. Eu, o filho daquele operário de Nazaré. 



Eu poderia ir até mais longe e afirmar que a opção primeira pelos pobres quem fez foi meu Pai, quando escolheu aquela singela família na obscura Nazaré para fazer nascer no seio dela o seu filho amado, em meio aos animais em uma estrebaria, porque já naquela época os pobres já não tinham lugar na sociedade.



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