Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

14 de novembro de 2016

Hora de rearrumar a estratégia de crescimento

Pois é!
Fica o dito e o redito
Por não dito
E é difícil dizer
Que foi bonito
É inútil cantar
O que perdi. (Chico Buarque)

Fico impressionado com a quantidade de absurdos, de mentiras, de desmentidos que vejo nas redes, nos jornais, na mídia em geral. Tenho a nítida impressão que perdemos o rumo e a história é um barco à deriva num oceano revolto. Já não falo de política por que tenho a certeza de que com o atual sistema não iremos a parte alguma. E também não pensem que me baseio só em terras tupiniquins, não, a coisa é bem maior, afinal vivemos em um mundo globalizado. Percebo que o sistema levou à esquizofrenia toda a sociedade, sim pois não encontro outra explicação para ver trumps, bolsonaros, tiriricas, temers e toda essa tchurma esdrúxula sendo apontada como solução de alguma coisa.  Se não fosse suficiente vou ter que conviver, como prefeito na minha cidade, um bispo de uma igreja que se arroga universal, mas exclui boa parte da população e a rotula preconceituosamente como tendo arte com o demo. Se não bastasse ela também exclui católicos e justifica dizendo que estes são operários de satanás. E para culminar neste sintoma esquizofrênico temos um prelado e alguns padres “católicos” apoiando o candidato da tal seita e ameaçando com excomunhão quem votasse no outro candidato. E o país que se diz laico tem bancada evangélica da qual participam católicos e a cada dia tem mais evangélicos em cargos de comando.
Mas eu disse que não era de política que eu iria falar, pelo menos da partidária. Quero refletir sobre mudanças, sobre como vamos ser capazes de adentrar na modernidade com um país que deu marcha ré e caminha em todos os sentidos para trás. De políticas públicas a preconceito contra pobres, nordestinos, negros, homoafetivos, índios e um sem número de outros, temos assistido a um retrocesso alarmante.
Mas como mudar, como proceder a mudança? Especialmente quando se prega mais retrocesso na educação com uma tal de “escola sem partido” onde os alunos não terão mais acesso a informações básicas sobre história, ciências e os professores não poderão mais articular discussões de cunho político.
Se a educação já ia mal e a formação de nossos jovens deixava muito a desejar imagine com esse tipo de mudanças.
Assistimos a um país refém de uma mídia aparelhada, cada dia mais parcial e que claramente manipula as informações contra o povo de forma a fazer dele massa de manobra.
Mas de que forma pode-se promover alguma mudança?

“Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar. ” (Beto Guedes)

Ouso responder que no coletivo não podermos, a cada tentativa tenho ouvido como reação as clássicas máximas da imprensa golpista: petralha, comunista, esquerdinha...
Já percebi também que ficar denunciando incansavelmente nas redes  não produz muita coisa além de um grande desgaste energético, uma sensação de impotência, e uma postura de só reclamar e nunca conseguir ver alternativa e futuro.
O que então se pode fazer numa situação destas?
Resta-nos o trabalho de formigas, as pequenas associações, a preocupação em criar redes de informação e ampliação do conhecimento algo que consiga minar o “esquemão” da mídia, e levar a informação verdadeira ao cidadão comum, aquele que se senta em frente a TV depois de um dia exaustivo e assiste ao noticiário, com as informações parciais e maquiadas e depois dormita diante da novela que lhe traz valores alienantes e uma realidade muito diversa daquela que ele tem em seu dia a dia.
Quem já observou formigueiros ao longo dos campos e o movimento constante das formigas vai entender o que eu estou falando.  Isso já foi tentado, mas foi ardilosamente desarticulado. Existe ainda em várias partes do Brasil, mas perdeu um pouco o gás. O nome: comunidades eclesiais de base, ou simplesmente “CEBs”. Onde as CEBs minguaram ou foram desarticuladas em seu lugar surgiram as igrejas pentecostais ou neo –pentecostais, a grande diferença é que enquanto as CEBs informam e ampliam a cidadania, as seitas alienam e restringem a capacidade de discernimento e crítica da realidade. Enquanto as CEBs se orientam por uma teologia de libertação, as seitas se orientam e propagam uma teologia de prosperidade que anuncia um Deus parcial, ciumento que quer ser agradado com ofertas e sacrifícios. O Jesus das CEBs é o galileu, o filho do operário José, da favela Nazaré, um preso político sentenciado e executado pelo poder daquela época. O Jesus das seitas está sempre bem vestido, barbeado, é parcial e faz distinção entre seus filhos, é ciumento, exige ser agradado e se deixa vender por sacrifícios materiais. O primeiro, o das CEBs, só quer uma coisa, que o AMOR seja a lei da humanidade, ama a todos indistintamente e aceita a todos como filhos. O segundo, o das seitas, faz distinção e escolhe a quem atender, tem regras para aceitar e distribuir suas benção e amor. Coloca fora das portas de seu reino homoafetivos e os seguidores de outras crenças, especialmente as provenientes da África e das camadas mais pobres da população.

“Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois”(
Beto Guedes)

Neste momento da história o que os resta é construir formigueiros, se me entendem. Nos aprimorar e crescer como pessoas, promover esclarecimento e parar de reclamar.
Do contrário o máximo que vamos conseguir é nos tornar chatos, ranzinzas e o pior ficar estagnados sem conseguir sair do lugar.
Precisamos criar comunidades não só virtuais mas principalmente reais, nas cidades, nos campos onde quer que exista alguém precisando sair do entorpecimento e da crença da escassez, da culpa e sobretudo do medo.
Mãos à obra!
Vamos construir formigueiros, vamos espalhar cultura e educação de qualidade, vamos transformar a realidade à nossa volta sem alarde e sem pressa. Sigamos caminhando, cantando e seguindo a canção, uma canção de Paz, discernimento e sobretudo de muito amor.


Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção (Geraldo Vandré)


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