Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

1 de agosto de 2017

Coisas do progresso



Hoje pela manhã, ao me aproximar da esquina, notei um grupo de moradores em acalorada conversa.  Alguns reconheci como vizinhos e ao parar para atravessar pude ouvir parte da conversa.  Confabulavam sobre a expulsão de alguém, falavam do barulho e do incomodo, e de que não era possível conviver com esse absurdo. Já pensando tratar-se de algum morador incômodo, desses que ao ouvirem música, não se contentam de ouvir sozinhos, e insistem que todos ouçam suas preferencias musicais compulsoriamente, ou de alguém que na calada da noite causa  intermináveis “DRs” ou discussões outras com a participação silenciosa de toda a vizinhança. Decobri que qual nada, logo verifiquei que se tratava de um canto.
Pensei: seria algum cantor lírico a ensaiar nas madrugadas, ou quem sabe os sabiás  já estariam precocemente começando a anunciar a primavera, como já aconteceu há alguns anos atrás e causou tanta revolta em gente desacostumada a ouvir os pássaros. Não, era sim uma ave, um Galo cantor!
Tenho que Confessar que já o tinha ouvido no silencio da madrugada. Não nego que senti um certo saudosismo de minha infância e adolescência quando eram comuns na vizinhança e até no quintal de meus avós os galinheiros. Mas com o progresso que a tudo corrompe e destrói com a desculpa de melhorar a vida da população, os tornou cada vez mais raros e um canto de galo em plena manhã é, pelo menos para mim um alento de que a natureza ainda não desistiu de nós, apesar do tanto que a temos maltratado.
Então era esse o motivo da revolta e do complô. Era preciso expulsar o galo! Certamente ele estava distraindo a atenção e perturbardo quem já se acostumou com os gritos de socorro na madrugada, ou com os tiros seguidos de correria, ou quem sabe, com as descargas barulhentas (será que acham barulhentas?)  
dos automóveis dos frequentadores dos bares. Talvez prefiram as rizadas e o falatório dos frequentadores dos bares animados pelo elevado estado etílico...


 
Andando pela rua em direção ao trabalho fiquei pensando em como nos afastamos da natureza e de como hoje não nos reconhecemos como parte dela. Será que alguém se dá conta de que este afastamento está na base de tantas doenças e da maior e mais frequente delas a depressão?
Não ! Galos são coisa de gente pobre, a menos que estejam maquiados e disfarçados em bandejinhas nas geladeiras de supermercados. Estes já não podem cantar nem incomodar nossas neuroses cotidianas.
Veio a minha mente a alegria, a felicidade que ainda hoje sinto quando ouço em meio a madrugada, quando em viagens pelo interior, os sons da natureza, o cantar dos galos, o piar dos pássaros noturnos...
E por falar em saudosismo lembrei do saudoso Belchior:

“Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,

Que hoje eu trago e tenho
....................................................................
Eu era alegre como um rio, 
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia, 
Quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo, 
O mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo, 
Hoje eu canto muito mais”

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