O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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16 de março de 2024

‘todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." Mt 25, 31-40



Hoje, agora pela manhã, comecei a ouvir não muito longe um canto, aos poucos foi ficando mais perto, e pude distinguir claramente o que cantavam.

Reconheci o canto:

"Coroamos, a ti oh Rei Jesus, invocamos o teu nome, nos tendemos aos teus pés / consagramos todo nosso ser a ti".

Fui até a janela e pude ver uns 20 homens de terno preto, caminhando e cantando.

Pararam à frente do prédio do outro lado da rua, e começaram a "orar", todos a uma só voz, pela família, pela saúde, prosperidade daquela família... Pude perceber no primeiro andar, na sacada da varanda, a senhorinha que costumava colocar o jornal da Universal, na caixa de correio da minha casa... Ela agora bem idosa, acho que não sai mais de casa...

Eram 15 pastores, eu pude perceber. Cantaram, rezaram, acenaram para a senhorinha e foram embora caminhando em silêncio...

Fiquei pensando, não é sem motivo que as igrejas evangélicas que tanto criticamos não param de crescer.

Quando foi que vimos um grupo de padres católicos, ou até mesmo um grupo de leigos, se preocupar com os velhos e doentes, que não conseguem mais ir em suas igrejas, e vão até eles fazer uma oração ?

Não falo dos agentes da pastoral da saude, esses incansáveis,mas solitários fazem um.pouco desse serviço.

Fui muitos anos MECE, participava da pastoral da saúde, visitava doentes, e levava comunhão até eles. Muitos doentes pediam para confessar...

Mas, era difícil conseguir um sacerdote, para visitá-los.

Criei na década de 90 a pastoral da acolhida, na paróquia que frequentava.ja naquela época, me chamavam a atenção as igrejas evangélicas e os centros espíritas que tinham esse tipo de preocupação com seus frequentadores.

O projeto era bem abrangente, uma das propostas, era justamente a visitação aos paroquianos, e na igreja, a presença de duplas que se dispusessem a conversar com as pessoas e ver as necessidades delas, e ir a suas casas, para fazer orações e dar apoio. O projeto foi implantado as pessoas foram treinadas, mas com a mudança de pároco, os agentes viraram meros entregadores de folhetos de missa aos domingos.

"O que fizerdes a um dos meus pequeninos, é a mim que o fareis"

Lembro que no tempo em que as CEBs não eram perseguidas, e nos lugares que ainda sobrevivem esse trabalho aos pequeninos era muito bem feito.

Por isso,quando vejo críticas ao crescimento das igrejas protestantes eu fico pensando, o quanto os católicos não são responsáveis por seu acomodamento e apatia por esta situação.


 

12 de março de 2020

Por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado



A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.
Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou [...]é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso.
Nas catacumbas romanas, tanto nas de Santa Priscila como nas de São Calixto, onde se escondiam os cristãos para fugir da perseguição romana, não existem pinturas de Jesus na cruz. O líder dos cristãos aparece ou na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos, ou ainda criança nos braços da sua mãe. Nunca morto.
Lembro que no Instituto Bíblico de Roma nosso professor de idioma ugarítico, o jesuíta Follet, explicava-nos essa ausência da imagem de Jesus crucificado entre os primeiros cristãos: “Se o seu pai tivesse sido condenado à cadeira elétrica ou à guilhotina, certamente, por mais inocente que tivesse sido, vocês não levariam no pescoço uma efígie desses instrumentos de morte”, nos dizia ele. E acrescentava: “Ninguém conserva fotos dos seus familiares ou amigos quando mortos, e sim vivos e felizes”. Isso é o que ocorria com os cristãos: preferiam recordar Jesus em vida ou glorificado depois da sua morte.
Curiosamente, foi um imperador romano, o pagão Constantino, o Grande, quem introduziu a representação da cruz, mas sem o corpo de Jesus. Foi quando se converteu ao cristianismo, depois de ter tido um sonho, antes da batalha contra Magêncio, em que viu uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “Com este signo vencerá”. O Império Romano começava a se debilitar, e o imperador percebeu a força da seita dos cristãos que se deixavam matar em vez de adorar seus deuses pagãos. Constantino quis conquistar aquela gente, e o cristianismo passou de açoitado a ser religião oficial. O imperador ganhou a batalha, e sacralizou-se o sinal da cruz, que foi aceito como símbolo cristão pelo Concílio de Niceia no ano 325.
Mesmo assim, trava-se apenas da cruz nua, sem o corpo de Cristo. Os primeiros crucifixos com o Jesus agonizante ou morto aparecem só no século V, e com muitas polêmicas. Os cristãos continuavam preferindo a imagem de Jesus vivo ou ressuscitado. Apenas na Idade Média, mais de mil anos depois da morte de Jesus, apareceram as primeiras representações dos crucifixos com o corpo dele mostrando os sinais de dor, sangrando pelas mãos, os pés e nas laterais.
A única pintura do crucifixo que aparece já no século I, considerada como a “primeira blasfêmia cristã”, é um grafite numa parede de gesso em Roma, ridicularizando os cristãos e Jesus. O crucificado aparece com a cabeça de um asno e a seguinte inscrição: “Alexamenos, adorando o seu deus”. Era uma zombaria com os primeiros cristãos, cujo deus os romanos haviam matado como um criminoso comum.
Isso significava, ensinavam-nos no Instituto Bíblico, que, sob a influência da conversão de Constantino, a Igreja começou também a se hierarquizar e a se revestir com os símbolos do poder mundano. Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.
Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.
A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.

19 de fevereiro de 2020

A fé que me sustenta...






Eu um dia fui católico. Acho que não sou mais. Até bem pouco tempo caso alguém me perguntasse eu responderia que minha religião era católica. Tive um longo percurso na igreja, dos meus 68 anos, 59 foram na igreja. Missionário Leigo, coordenador pastoral, conselheiro paroquial, ministro extraordinário da comunhão, fundei junto com a saudosa Maria Pia, a associação dos psicólogos católicos do RJ. Mas é difícil remar contra a corrente o tempo todo. Como me submeter à confissão auricular, conhecendo algumas intimidades de alguns sacerdotes que se comportam com valores éticos e morais de forma oposta ao que eu acredito e pratico em a minha vida? Como expor a minha intimidade para alguém que não consigo ter respeito e confiança? Como seguir adiante quando se ouve um bispo encher a boca para dizer que gostaria de assassinar alguém, com veneno de rato?
Que tipo de mágica fará um padre para transubstanciar as espécies sagradas quando ele pratica pedofilia, ou assédio moral ou defende a tortura, a pena de morte, e conspira contra o sucessor de Pedro e deseja assassinar alguém?
Não! Ficou muito difícil, a hipocrisia parece que tomou conta. Os "votos" hoje são mera aparência: obediência X conspiração contra o Papa, Pobreza X Ostentação e esbanjamento. Caridade X seguranças nas igrejas para impedir pobres de entrarem...
É muito triste o que as instituições ditas cristãs fizeram com o Cristo, Foi uma verdadeira traição viver em desacordo com o evangelho e agir colocando um cristo falso no lugar do verdadeiro.
Volto a lembrar o poeta e essa poesia que parece me seguir, e em vários de seus trechos, revelar em diferentes situações uma sintetize do que sinto e penso.
"...Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo? " ( A flor e a náusea - C. Drumond de Andrade)
Eu decidi que não vou até o enjoo. Na verdade Jesus nunca criou uma religião, pregava um reino de amor, pediu que fizéssemos memória de seus gestos de humildade e partilha: Lavar os pés dos discípulos e partilhar o pão e o vinho, a partilha de sua vida para o bem de toda a humanidade. Explicou que os verdadeiros adoradores, os que mais agradam ao Pai, não deviam adorá-Lo nem no templo e nem no monte sagrado, mas em espírito e em verdade. Salmista já havia dito que Deus não habita tendas nem templos feitos por mãos humanas.
Sobra disto tudo, a verdadeira flor que brota do absurdo asfalto.
“... é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. ”
Essa flor na verdade é a presença que vive em mim, o “Eu Sou”
que só me exige que sem tédio, sem nojo e sem ódio eu seja capaz de exercitar a melhor forma de transmitir com meus atos, Amor.

6 de abril de 2019

Católicos queimam livros na Polônia !

Catolicos poloneses parece que querem reeditar o Index...


Hoje estava meditando sobre essas coisas que vem acontecendo e acabei concluindo que devo agradecer a Deus por tudo isso.
Na verdade ele está nos permitindo ver a realidade que por séculos esteve encoberta e dissimulada por um véu de santidade que nunca existiu.
Sim há sacerdotes e padres que são dignos , sérios e cristãos verdadeiros, mas convenhamos a maioria destes sempre foi perseguida pela igreja oficial ou por pregadores da ala fundamentalista. Se não, o que dizer do "D
om" ser chamado de bispo vermelho ? Do Irmão Pedro Casaldáliga ser até hoje chamado de bispo comunista por boa parte da igreja no Brasil, dos padres operários e do proprio papa Francisco que sofre ataques sistemáticos de padres, bispos e cardeais desta igreja que parece estar apodrecendo.
Deus é muito bom ele está fazendo a máscara dessa gente hipócria cair e daqui pra frente só se manterá fiel a essa gente, aqueles que se identificarem com eles.

Acho que comecei a etender a pedagogia divina, se eu creio que Deus é amor, tudo o que existe está imerso neste amor, logo, tudo faz parte do plano de Deus, até mesmo aquilo que nos parece completamente fora de propósito.

Pra que uma nova arvore nasça, o fruto precisa cair na terra, apodrecer para que a semente seja liberada. e aí então germinar e dar lugar a uma NOVA planta.

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5 de abril de 2019

A vaca voadora


Como os tempos mudaram desde o tempo de S. Tomás de Aquino !!!
Tomás de Aquino estava mergulhado em seus livros quando
foi interrompido por um aluno que gritava:
"Mestre, venha até aqui. Há uma vaca voando lá fora!"
Tomás levantou-se depressa, foi correndo até a janela e olhou para o céu.
No mesmo instante o jovem soltou uma sonora gargalhada
e disse em tom zombeteiro:
"Como pode alguém acreditar que uma vaca está voando?"
Então, Tomás de Aquino o olhou e respondeu:
"é mais fácil crer que uma vaca está voando
do que acreditar que um cristão está mentindo.

2 de abril de 2019

Católico, será que ainda sou?



Eu um dia fui católico. Acho que não sou mais.
 Até bem pouco tempo caso alguém me perguntasse eu responderia que minha religião era católica. Tive um longo percurso na igreja, dos meus 68 anos, 59 foram na igreja. Missionário Leigo, coordenador pastoral, conselheiro paroquial, ministro extraordinário da comunhão, fundei junto com a saudosa Maria Pia, a associação dos psicólogos católicos do RJ. Mas é difícil remar contra a corrente o tempo todo. Como me submeter à confissão auricular, conhecendo algumas intimidades de alguns sacerdotes que se comportam com valores éticos e morais de forma oposta ao que eu acredito e pratico em a minha vida? Como expor a minha intimidade para alguém que não consigo ter respeito e confiança? Como seguir adiante quando se ouve um bispo encher a boca para dizer que gostaria de assassinar alguém, com veneno de rato? 
Que tipo de mágica fará um padre para transubstanciar as espécies sagradas quando ele pratica pedofilia, ou assédio moral ou defende a tortura, a pena de morte, e conspira contra o sucessor de Pedro e deseja assassinar alguém?
Não! Ficou muito difícil, a hipocrisia parece que tomou conta. Os "votos" hoje são mera aparência: obediência X conspiração contra o Papa, Pobreza X Ostentação e esbanjamento. Caridade X seguranças nas igrejas para impedir pobres de entrarem...
É muito triste o que as instituições ditas cristãs fizeram com o Cristo, Foi uma verdadeira traição viver em desacordo com o evangelho e agir colocando um cristo falso no lugar do verdadeiro.
Volto a lembrar o poeta e essa poesia que parece me seguir, e em vários de seus trechos, revelar em diferentes situações uma sintetize do que sinto e penso.
"...Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo? " ( A flor e a náusea - C. Drumond de Andrade)
Eu decidi que não vou até o enjoo. Na verdade Jesus nunca criou uma religião, pregava um reino de amor, pediu que fizéssemos memória de seus gestos de humildade e partilha: Lavar os pés dos discípulos e partilhar o pão e o vinho, a partilha de sua vida para o bem de toda a humanidade. Explicou que os verdadeiros adoradores, os que mais agradam ao Pai, não deviam adorá-Lo nem no templo e nem no monte sagrado, mas em espírito e em verdade. Salmista já havia dito que Deus não habita tendas nem templos feitos por mãos humanas.
Sobra disto tudo, a verdadeira flor que brota do absurdo asfalto.
“... é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio. ”
Essa flor na verdade é a presença que vive em mim, o “Eu Sou”
que só me exige que sem tédio, sem nojo e sem ódio eu seja capaz de exercitar a melhor forma de transmitir com meus atos, Amor.

31 de março de 2018

Uma crucificação em nossos dias




Num exercício de imaginação, fiquei hoje após a meditação sobre a crucificação de Jesus entre ladrões, pénsando em como seria esta cena em nossos dias e em uma das nossas capitais do Sul/sudeste.
Imaginei aquela cruz e as pessoas ao redor a gritar: Vai pra Cuba! Ladrão! Enganador! Gentalha! Quem manda ficar vivendo com pobres, negros e putas, agora colhe o que plantou. Bandido bom é bandido morto ! Imediatamente lembrei de há algum tempo atrás o rapaz que foi amarrado a um poste, por ter furtado alguma coisa.
Lembrei como as pessoas se apressam a julgar e a fazer o que chamam de “justiça”, sem se preocupar em avaliar o que realmente aconteceu, os motivos que levaram aquela pessoa a cometer aquele ato.
Pensei também, como disse ontem, naquelas três figuras de rosto sofrido e desesperadas com a perda de alguém a quem amavam e por quem eram tão amadas: Maria, Madalena e João. E um dos justiceiros repetindo aquilo que se tornou quase um mantra: Tá com peninha? Leva pra casa!
Dois mil anos ainda não foram suficientes para sensibilizar os corações da humanidade e para que aprendêssemos a saber o que estamos fazendo.

26 de outubro de 2017

Será nova a onda tradicionalista na Igreja?


A foto do cardeal Burke que apareceu esta semana me levou a refletir e a ir longe...
Fiquei a imaginar que tipo de cristianismo chegou até nós. E isso me levou a pesquisar e a rever coisas escritas, procurar livros e anotações e um frio percorreu a espinha. Isso não é cristianismo. Mas que cristianismo chegou até nós? Muitas vezes, muitos de nós costumamos culpar Trento pelos absurdos. Mas O concílio na verdade não é o culpado. Os absurdos na igreja não começaram em 1545. É preciso assumir que muito antes do concílio de Trento, os Burkes da vida já eram figurinhas carimbadas na igreja com suas caudas, e esquisitices. Aliás se fossem só caudas até que não seria tão terrível. Mas o que falar das cruzadas, das mortes encomendadas, dos envenenamentos para obter poder, do assassinato de papas, reis, de amantes concubinas de bispos e toda sorte de apoios perversos a monarcas que mudavam de lado conforme mudava o vento do poder e dos tesouros. E as matanças em nome de Deus, a "Santa" Inquisição e a escravização do povo? O que pensar de toda aquela gente faminta, morrendo de peste e os prelados protegidos em seus priorados, monastérios e palácios. Peço que me perdoem, mas não consigo ver nenhum vestígio do jovem galileu nesta história.


Penso que na verdade os tradicionalistas sempre foram a igreja, o que é novo são os restauradores. Esses sim são o ponto fora da curva. Um Francisco de Assis entre outros poucos, que ousaram e quase pagaram com a vida, buscar o verdadeiro Jesus nesta instituição que desde que se aliou ao poder romano matou e substituiu por outro o verdadeiro e incômodo Joshua. Não é Burke, Lefebvre, João Clá, ou Plinio de Oliveira ou qualquer outro conservador, fundamentalista que estão fora da norma nesta igreja. São os Franciscos, o de Assis e o de Roma, e essa teimosia de atender o pedido de Jesus para restaurarem a sua igreja que são nota destoante nesta igreja que se perdeu do Cristo.


Será que alguém consegue imaginar um jovem cercado de gente da pior espécie para os padrões da sociedade cristã atual sendo levado a sério em uma pregação em uma praça qualquer de alguma cidade do mundo? Qualquer jovem malvestido que brada para o povo que passa qualquer um daqueles “ Ai de vós” que Jesus gritou aos quatro ventos, ou dizendo alto e bom som qualquer das bem-aventuranças? Seria tido como louco, drogado, embriagado, um vagabundo qualquer.  O livro dos Atos dos Apóstolos sempre me deixou com uma estranha sensação de que algo não bate, não encaixa. O livro “A Igreja Católica” do teólogo Hans Kung então me sacode as bases e os alicerces das minhas crenças. A história dos concílios, os livros de crônicas do período medieval, a Reforma Protestante e a Contra- reforma... Deus meu como estamos distantes... Diante disso a morte de João Paulo I, a renúncia de Bento XVI, os vários escândalos financeiros e sexuais nada mais são que repetição de algo que vem se repetindo ao longo destes quase dois mil anos.  Será que cabe falar em uma tradição? Em magistério da igreja? Qual tradição? A de Jesus e dos apóstolos, ou essa que manchou de sangue e vergonha os séculos em nome de um outro jesus? Qual magistério, o dos apóstolos, ou esse outro que inclui alguns papas que nem cristãos eram?
É muito triste, inclusive para mim que por um breve período de tempo tive o "Dom" como diretor espiritual e com o concílio vivi a esperança da mudança que deu origem ao surgimento de verdadeiros santos como o Ir Marcelo, o Leonardo Boff,  frei Beto e D Paulo e Ir Pedro Casaldáliga, e muitos outros além dos atuais como o amigo Cesar Kuzma. É triste constatar que eles na verdade são a exceção. São os perseguidos e cassados como Jon Sobrino, Leonardo Boff, e até assassinados como D. Romero, Pe. Burnier, Pe. Herrique Pereira Neto e o próprio João Paulo I. Esses lutadores, esses verdadeiros guardiões do verdadeiro cristianismo não tem lugar nesta igreja, que sobreviveu anunciando um Cristo que nada tem a ver com o verdadeiro, que não segue os seus ensinamentos. É essa igreja, a mesma que Francisco está tentando colocar nos trilhos, tal como o outro xará seu, de Assis, tentou mas não conseguiu, porque foi traído por seus iguais e sufocado pelo peso de uma igreja imperial, de uma igreja comprometida com o luxo e com a defesa dos poderosos. Espero que o nosso Francisco não morra de desgosto como o outro que não conseguiu fazer valer a regra que queria para sua ordem mendicante.
Sei que muita gente vai me achar, para variar, herege, mas já não tenho ilusões e nem certezas quanto ao que chegou até nós da verdadeira tradição dos primeiros tempos.
 Sei que vivemos tempos em que tudo parece desmoronar e isso me dá uma sensação boa, a de que é possível que Francisco de Roma consiga a restauração da instituição que Francisco de Assis não conseguiu.
Por hora me contento em tentar ser como aquelas primeiras comunidades, que se reuniam para ouvir a palavra, partiam o pão nas casas, e tentavam fazer do amor a sua maior lei, sendo que este último tópico confesso ainda é muito difícil de cumprir.


História dos 21 Concílios da Igreja – de Niceia ao Vaticano II Christopher M. Bellito Edições Loyola
A Igreja Católica – Hans Kung – Objetiva
História do Cristianismo- Paul Johnson- Imago

19 de outubro de 2017

Quando o comportamento de certos prelados nos angustiam



Escrevendo para uma amiga no facebook, eu disse a ela que eu já tinha ficado muito angustiado, mas uma luz brotou no meu coração e comecei a ver com outros olhos e com outro entendimento toda essa situação.
Somos eternos, dois milênios nos separam de Jesus, por mais que os Constantinos paganizem a mensagem do mestre, e uma malta de maus papas tenham desviado o caminho traçado por Jesus e os apóstolos, sempre haverá um Francisco de Assis sendo enviado pelo espírito Santo para reconstruir a eclésia e retomar a construção do Reino que parecia perdida entre as pompas, o luxo e a luxuria dos maus clerigos.
E mesmo mais de mil anos passados quando depois de um papado desatroso e um papado mais próximo do fundamentalismo como foi Bento, que revogou as excomunhões de Lefebrvistas, o Espirito Santo mais uma vez nos surpreende nos mandando outro Francisco, o Francisco do fim do mundo, Latinoamericano, o Francisco de Roma.
Tudo isso acabou por suavisar minha angústia. As portas do inferno não prevalecerão sobre a minha igreja diz a escritura.
Os tempos são cinzentos,não há dúvida, há sim muitas nuvens no céu e por muitas vezes é muito desanimador. 

De minha parte sinto tanta ou mais angústia como a que sentia naqueles anos de chumbo.
Mas é preciso seguir, como profeticamente o Vandré nos fez cantar naquela noite inesquecivel, naquele Maracanazinho lotado.
Vamos novamente "caminhando , cantando e seguindo a canção". Os poetas são sábios e nos ensinam que "é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar", porque de minha parte, "a sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida".
Eu quase consigo ouvir outra vez a Nara Leão cantado: Finda a tempestade, o Sol Nascerá...







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17 de outubro de 2017

Diaconisas

                                                      Febe a diacosnisa do novo testamento
Eu fico realmente curioso com a capacidade para fazer distorções que foram feitas e articuladas ao longo dos anos e que distorceram até as escrituras.
É curioso que de maneira desonesta, e se orgulham de rechaçar tudo o que não é “canônico”, falam dos apócrifos como se fossem escrituras do próprio demônio, mas se aproveitam dele para contar a história de Maria já que não se encontra nos evangelhos oficiais os vários fatos da ascendência e vida de Maria instrutora e primeira discípula do mestre.
Fica difícil negar as evidências bíblicas sobre as diaconisas, dizendo que seu fundamento não está na Bíblia, mas em autores consagrados.
Mas não seria Febe uma diaconisa?
Ou estaria a Bíblia Ave Maria errada?
Ou será que o erro é de Paulo autor da carta aos Romanos ?
E não me venham com uma destas desculpas esfarrapadas, que ao longo dos tempos, o magistério da igreja tem dado e que não convencem nem mais às crianças.
Atentem que no Segundo Testamento Grego, está registrado que “diakonos”, em Rm 16,1, é substantivo, acusativo, feminino, singular.
Se o texto em Romanos não for suficiente temos como alternativa o texto em 1Timóteo que coloco em duas versões na Bíblia Ferreira de Almeida e na Ave Maria:
Em Timóteo, temos uma série orientações acerca do diácono:
I Tim. 3.9
Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. 9-Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa. 10-"Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos."[u]11-As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo[/u].12-O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. ( Biblia Ferreira se Almeida)
I Tim. 3.9
Do mesmo modo, os diáconos sejam honestos, não de duas atitudes nem propensos ao excesso da bebida e ao espírito de lucro; 9.que guardem o mistério da fé numa consciência pura. 10.Antes de poderem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis.[u] 11.As mulheres também sejam honestas, não difamadoras, mas sóbrias e fiéis em tudo.[/u] 12.Os diáconos não sejam casados senão uma vez, e saibam governar os filhos e a casa. 13.E os que desempenharem bem este ministério, alcançarão honrosa posição e grande confiança na fé, em Jesus Cristo.( Bíblia Ave Maia)
A tudo isso devemos levar em consideração que nesta época a realidade do cristianismo era bem diversa da de nossos dias. Ainda não havia ocorrido a rendição à Roma, e nem mesmo existiam os sacerdotes ordenados como os conhecemos hoje, fruto da assimilação e inculturação com as religiões pagãs de Roma, uma vez que dois eram os entendimentos naquela época:
Ou todos os batizados eram tidos como sacerdotes, ou de que só havia um único sacerdote verdadeiro o Cristo.
Aliás, isso era o grande diferencial do caminho instituído por Jesus para a construção do Reino. Eram os pagãos que valorizavam os sacerdotes entre o homem e os deuses. Eram os sacerdotes que se incumbiam de aplacar a ira dos deuses. Para os cristãos que tinham um único e verdadeiro Deus e que Jesus revelou ser um abah, paizinho amoroso, não havia ira a ser acalmada e muito menos a necessidade de intermediário entre o pai amoroso e seus filhinhos.
"A idéia de "ordem" não tem origem bíblica. Tem origem política.
"Ordenação (ordinatio) era o termo técnico empregado no império romano para designar a nomeação de um funcionário imperial. Hoje se diz que a pessoa foi "nomeada" para um cargo. Naquela época se dizia que foi "ordenada".
Desde que Constantino transformou a Igreja num braço religioso do império romano, no século IV, os bispos, sacerdotes e diáconos passaram a fazer parte da hierarquia dos funcionários do império, com o direito de ostentarem títulos (como "pontífice" para o Papa) e vestes (como o pálio e a estola) que realçavam sua dignidade imperial. Mas o termo "hierarquia" só passou a ser aplicado à estrutura da Igreja a partir do século V. Introduzido por Dionísio Areopagita, como adequado a uma instituição que copiava seu modelo de Estado absolutista com sua pirâmide de poder.
O termo evangélico(bíblico) adequado aos ministérios estruturados na Igreja é "Diaconia" que significa "serviço".
(Sacramento da Ordem, A comunidade de Fé, pag. 126, Editora Ática - autor: Frei Betto)
O Conclio de Calcedônia, em 451, proibiu as "ordenações absolutas", sem relação a uma comunidade eclesial. Entenderam os bispos reunidos no concílio que é validamente ministro da Igreja quem for chamado e aceito por uma comunidade. Portanto, a ordenção incluia, naquele tempo, não só a imposição das mãos do bispo, mas também a inserção numa comunidade eclesial. E o padre que ficasse sem comunidade ficava também sem ministério na Igreja. Isso durou até o século XII. Portanto, durante mais de dez séculos, o "ser" do sacerdote esteve vinculado ao "fazer".
Não se concebia o sacerdócio como algo em si mesmo, como algo desligado do serviço a uma comunidade. Inclusive o quarto Concílio de Toledo, em 633, determinou que os bispos, padres e diáconos que haviam sido destituídos de suas funções por alguma falta grave, só poderiam retomá-las mediante nova ordenação.
Foi durante o século XII e XIII que se elaborou a teologia do sacramento da ordem. Era um momento em que a Igreja já não estava mais organizada em comunidades e sim em territórios feudais. A divisão geográfica passou a predominar sobre a dimensão comunitária.
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 127, ed. Ática, autor: Frei Betto)
...No terceiro Concílio de Latrão, em 1179, aceita-se que um sacerdote sem comunidade possa continuar no exercício de seu ministério desde que o bispo assuma seu sustento.
Da concepção de ministério como serviço à comunidade passou-se a idéia de um funcionário de culto mantido pelo bispo ou pela sua diocese.
E o quarto Concílio de Latrão, em 1215, declarou que a eucaristia só pode ser celebrada por um sacerdote devidamente ordenado - o que veio a reduzir a função do sacerdote à celebração eucarística, ainda que não esteja vinculado a uma comunidade ou mantenha um estilo de vida aparentemente pouco evangélico.
Ministérios e Carismas no Novo Testamento (NT)
(...) No NT são chamados "ministros" ou "diáconos" aqueles que exercem uma função de serviço a comunidade cristã. Função concedida pela própria comunidade ou por seu responsável (At 1, 17.25; 6,4;Rm11,13; 12,7; 1Cor 3,5; 12,5; 2Cor 4,1; 2Tm 4,5) É o caso dos "Bispos"  vigilantes), que presidem a comunidade; dos "presbíteros"( = anciãos) ou sacerdotes, e dos "diáconos"  servidores), que se dedicam especialmente aos cuidados dos pobres (At 6, 1-7)
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 128 - ed.Ática - autor: Frei Betto)
Essas mulheres maravilhosas e seus ministérios
É muito triste que se observe esse tipo de mentalidade misógina ainda hoje quando o mundo já deu tantas voltas.
Na décadade 80 eu estive numa comunidade uma certa vez e quem celebrou a ceia foi exatamente uma mulher, ela era a mais velha do grupo e por isso sua experiência falava mais alto. Ela é a parteira, é a conselheira, a rezadeira e porque não, a presbítera ?
Voltei com a alma lavada e agradecido a Deus por esta surpresa. Na verdade eu fui convidado para conhecer esse grupo e para vez por outra, estar com eles em suas reuniões e celebrações.
Eles são um grupo independente composto por alguns católicos, espíritas e dois ex evangélicos. Reúnem-se para discutir suas necessidades, estudar a palavra e celebrar uma ceia.
Cantam rezam e se alegram na partilha da palavra e da vida.
Eu não sabia que uma mulher liderava o grupo e pude ver de perto o quanto ela é cheia do Espirito Santo e com que autoridade ela proclama as coisas de Deus e os orienta em suas necessidades. Quanta sabedoria, quanto conhecimento numa mulher de uns 60 ou 70 anos presumidos e não mais de um metro e meio de altura.
Que Deus seja louvado, porque onde o Espírito santo atua verdadeiramente as hierarquias humanas não são capazes de impedir a que ele sopre e conduza o seu povo.
(J.Ricardo A Oliveira)

11 de setembro de 2016

13 de Setembro - São João Crisóstomo

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O doutor da Igreja São João Crisóstomo
disse um dos mais profundos gritos de libertação:




"Queres honrar o Corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no templo com vestes de seda, enquanto lá fora o abandonas ao frio e à nudez. Aquele que disse: « Isto é o meu Corpo », [...] também afirmou: « Vistes-Me com fome e não me destes de comer », e ainda: « Na medida em que o recusastes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o recusastes. [...] De que serviria, afinal, adornar a mesa de Cristo com vasos de ouro, se Ele morre de fome na pessoa dos pobres? Primeiro dá de comer a quem tem fome, e depois ornamenta a sua mesa com o que sobra »
S. João Crisóstomo: Fonte: Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 50, 3-4: PG 58, 508-509; cf. João Paulo II, Carta enc. Sollicitudo rei socialis (30 de Dezembro de 1987), 31: AAS 80 (1988), 553-556."






S. João Crisóstomo, em grego Ιωάννης ο Χρυσόστομος, (349, Antioquia da Síria, hoje Antakya, no sul da Turquia - 14 de Setembro de 407) foi um teólogo e escritor cristão, Patriarca de Constantinopla no fim do século IV e início do V. Sua deposição em 404 produziu uma crise entre a Santa Sé e a Sé Patriarcal. Pela sua inflamada retórica, ficou conhecido como Crisóstomo (que em grego significa «boca de ouro»).
"Como verdadeiro pastor, tratava a todos com cordialidade, (...) em particular nutria uma ternura especial pela mulher e dedicava uma atenção particular ao matrimônio e à familia" e "convidava aos fiéis a participar na vida litúrgica, que fez esplêndida e atractiva com criatividade genial". Mas "apesar de sua bondade (...) se viu envolto em freqüentes intrigas políticas, por suas contínuas relações com as autoridades e as instituições civis (...) e foi condenado ao exílio".
A atenção de João Crisóstomo para com os mais desfavorecidos é uma das suas mais relevantes características, a ponto de ter sido ele a celebrizar a expressão «o pobre é um "Alter Christus"». Para ele, de facto, oferecer atenção e dedicação a um pobre é dar ao próprio Cristo: «Não há diferença alguma em dar ao Senhor e dar ao pobre, pois Ele mesmo disse "quem dá a estes pequenos é a mim que dá."» ("Sobre o Evangelho de Mateus", LXXXVIII, 2-3)
Comentando os Atos dos Apóstolos, São João Crisóstomo propõe "o modelo da Igreja primitiva, como modelo da sociedade, desenvolvendo uma "utopia social", a idéia de uma cidade ideal, tratando de dar uma alma e um rosto cristão à cidade. Em outras palavras, Crisóstomo entendeu que não era suficiente dar esmolas, ajudar aos pobres, caso a caso, mas que era necessário criar uma estrutura, um novo modelo de
É considerado santo pelas Igrejas Ortodoxa e Romana; é, a par de Gregório de Nanzianzo, de Gregório de Nissa e de Basílio de Cesareia, um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental; é ainda um dos Doutores da Igreja Católica.

Natural de Antioquia, filho de uma família cristã, estudou, na sua cidade natal sob Libânio, filosofia e retórica. Com a idade de vinte e um anos, depois de estar três anos a colaborar com o bispo Melécio de Antioquia, e de ter recebido o baptismo, foi ordenado leitor. Contra a oposição familiar, viveu alguns anos como ermitão no deserto.
Ao longo deste tempo continuou o estudo das escrituras sagradas e, quando regressou a Antioquia foi ordenado Diácono por Melécio e Sacerdote pelo bispo Flaviano em 386. Acto contínuo, este último encarregou João Crisóstomo das pregações na principal igreja da cidade, cargo que desempenhou até 397. Este período de doze anos, foi o mais fecundo da sua vida e nele proferiu as sua homilias mais conhecidas e que, no século VI, lhe valeriam o qualificativo que passou a fazer parte inseparável do nome com que passou para a posteridade: crisóstomo, isto é, boca de ouro.
Os últimos anos de sua vida foram tumultuosos. Foi eleito bispo de Constantinopla em 397 e Teófilo de Alexandria foi, contra a vontade deste, obrigado a consagrá-lo bispo, coisa que não perdoaria jamais a João. Uma vez bispo, quis começar uma restauração eclesiástica na qual - quiçá por falta de habilidade - a sua boa, e decidida, vontade se deparou com os obstáculos existentes e com os muitos interesses de alguns privilegiados. Pouco a pouco entrou em conflito com parte do clero, e, pouco depois, com a imperatriz Eudoxia.
Nesta situação, Teófilo de Alexandria conseguiu reunir aquele que depois viria a ser chamado o Sínodo da Encina, perto de Calcedónia, onde, com acusações falsas, conseguiu que Crisóstomo fosse deposto e desterrado pelo Imperador. O povo de Constantinopla, em especial os mais desfavorecidos - por quem João tanto havia feito - amotinou-se e João, no dia seguinte ao da sua saída, voltou para a sua sé episcopal.
Contudo, poucos meses depois, a situação voltou a piorar e acabou por ser desterrado para a Arménia em 404, de onde, a pedido próprio - por causa do perigo que podia representar para a sua vida a inveja de seus inimigos face às multidões que a ele acudiam -, foi de novo desterrado para um lugar mais distante, na extremidade oriental do Mar Negro. A caminho deste seu último desterro, morreria no ano de 407. Os seus restos mortais foram levados para Constantinopla em 438, e o Imperador Teodósio II, filho de Eudoxia, pediu publicamente perdão em nome de seus pais.Desde o dia 1 de maio de 1626 o seu corpo repousa na Basílica de São Pedro .