O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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20 de dezembro de 2019

Alba Zaluar uma batalhadora contra a violencia



Deixou-nos hoje a antropóloga, professora e batalhadora contra a violência
Que ela tenha o merecido descanso.
Alba Maria Zaluar. 2 de junho de 1942, / 19 de dezembro de 2019

Vá na paz daqueles que cumpriram sua missão com louvor.

22 de outubro de 2016

Quando se vai um amigo...



Desde que você chegou por aqui sempre nos entendemos muito bem, eu era um adolescente e seus conselhos a minha mãe me foram muito uteis. Embora houvesse uma grande diferença de idade tínhamos uma visão do cristianismo bem parecida. Tão parecida que acabamos colegas de pré-vestibular para Psicologia. Em nossas conversas o meu e o seu jeito critico sobre algumas posturas combinava perfeitamente, e isso nossos anéis de tucum podiam atestar, até mesmo quando alguns tentavam demonizar esse simbolo da opção cristã pelos mais necessitados. Éramos muitos a lhe admirar. As crianças que corriam ao seu encontro, os jovens, que recebiam as suas broncas cheias de amor, os adultos e os mais velhos a quem você sabia tão bem tranquilizar e aliviar o coração. Você tinha esse dom de saber falar ao coração de cada um, de convencer-nos que o amor de nosso Deus era infinitamente maior do que qualquer falta que pudéssemos cometer.


Você nos ensinou a sermos inclusivos como Jesus, a deixar os julgamentos de lado, a na hora do ofertório, oferecer tudo, mas tudo mesmo, principalmente as nossas limitações, as nossas falhas, a entregar nas mãos do Pai exatamente aquilo que somos, com todos os nossos defeitos. quase posso ouvir você dizendo e olhando para nós:  vai! entrega! sem medo! se coloque por inteiro, coloque a sua vida aqui neste altar.


Embora a gente saiba que vai sentir saudade, tenho certeza de que hoje o céu está em festa, imagino que Santo Afonso estará de braços abertos para receber esse seu filho muito amado. Quanto a nós ganhamos um grande intercessor.

Descanse em Paz Pe. Marques, um descanso merecido depois de tantas ocupações e tantas realizações, os seus amigos especiais são muito gratos pela realização de uma obra fantástica, a Casa da Convivência. São gratas também as muitas famílias que aconselhou como psicólogo/sacerdote, além delas as incontáveis crianças que passaram pelo catecismo da Santo Afonso que durante muitos anos, por sua causa, tinha a fama de ser o melhor da arquidiocese. Foi uma jornada maravilhosa e você meu amigo e confessor, merece toda a nossa admiração.




A igreja do Brasil lhe deve a catequese dos especiais, uma luta sua em um tempo em que ninguém acreditava ser possível. Você desbravou e abriu muitos caminhos, cabe a nós caminhar e aprimorá-los.




Fica para nós essa saudade incomoda e a falta de alguém que celebre a Eucaristia com esse sorriso e essa intimidade que nos fazia sentir Jesus alí, bem perto de nós. 

                                                   

Quem ousará abrir caminhos e ouvir as criticas pela ousadia de fazer o novo?
Quem não se lembra da primeira vez que você colocou as crianças à sua volta no altar 
no momento da consagração?
Colocar especiais como acólitos?
Santa Ousadia !
Santa Alegria!
Santa disponibilidade para acolher a tantos.




Para nós o sentimento mais forte será sempre a gratidão.
Receba o nosso carinho e no céu continue a rezar por nós.

Até um dia Pe. Marques


+ 22-10-2016







10 de setembro de 2013

O Pe. João Egg hoje voltou para casa do Pai.


A lembrança mais forte que vai ficar do Pe. João, nas duas vezes que ele esteve na Santo Afonso, é a da sua imensa disponibilidade para com os paroquianos. Sua presença junto à cantina ou Lojinha do Redentor, ali no adro da igreja, sempre pronto para um conselho, um abraço, um papo e principalmente para um estímulo a quem se mostrasse mais abatido. "Melhor, melhor, melhor!" Quem é capaz de pensar nele sem lembrar desta afirmação?
Pe. João deixa saudade e isso pode-se perceber pela reação das pessoas nas comunidades por onde ele passou. Apesar da saudade tenho certeza de que ele não gostaria de nos ver tristes. Vamos fazer força para espantar a tristeza e pedir a Nossa Senhora a quem ele tanto amava que o receba com seu amor e o conduza aos braços do Redentor a quem ele dedicou toda a sua vida.

10 de setembro de 2013


17 de janeiro de 2011

Adeus Pe. Marcus Bach !



Pe. Marcus vivia no Rio Grande do Sul, era dessas pessoas únicas que conseguiram encarnar o espírito
do Concilio Vaticano II.

Era um dos grandes defensors de um cristianismo autêntico semelhante ao praticado pelas primeiras comunidades.
Uma grande perda para todos nós.

Reproduzo aqui duas matérias uma do blog Unificante
http://unificante.blogspot.com e outra de 2008 que foi pulicada no blog da IHU
J Ricardo


Blog Unificante

Adeus Pe. Marcos!

Aqui em São Paulo, recebi hoje telefonema da Célia Bach, comunicando que às duas horas desta madrugada faleceu o querido Pe. João Marcos Bach,SJ, no Residencial São José, em São Leopoldo, onde estava internado nos últimos meses. Algumas vezes no ano passado eu o visitei na sua enfermidade e muitas vezes o visitei em Portão e Bom Princípio. Na década de 90 ele residiu quase 6 anos no Vale de Nazaré. A Fraternidade o tirou de um certo ostracismo eclesial naqueles anos e Pe. Marcos ajudou muito nas comunidades da Paróquia Espírito Santo e animou um grupo de leigos por 3 anos numa reflexão mais elevada e mais crítica da fé.

Hoje às 17h a Comunidade dos Padres Jesuítas celebrará a Santa Missa de sufrágio, na capela do Residencial São José, fazendo o sepultamento a seguir junto ao túmulo do Pe. Reus.

À Célia nossa fraterna solidariedade pelos longos anos em que ela se tornou irmã e companhia zelosa junto à pessoa de Pe. Marcos. De uma forma prática e vivencial a Célia nos deu este bonito testemunho. Obrigado Célia!

Pe. Marcos foi um divisor de água entre a mediocridade eclesial e a profecia.

Muitos o detestavam e muitos outros o amavam. Seus inúmeros livros enfoca uma série de temas e sempre semeiam idéias para o futuro, questionando a acomodação e visão curta da realidade e da história.

Pensamentos assim, fustigantes, faz muita falta nesses tempos de endeusamento institucional e redução da profecia.

Dom Ivo Lorscheiter tinha grande apreço pela pessoa de Pe. Marcos. Há 10 anos eu acompanhei Dom Ivo, levando ele à casa de Pe. Marcos, onde os dois passaram um dia inteiro com muita prosa e amizade.

QUE ELE DESCANSE NA PAZ DO DEUS VIVO
A QUEM SERVIU COM FIDELIDADE,
MESMO QUE NEM SEMPRE
DENTRO DA ECLESIAL INSTITUCIONALIDADE!




Esta foto foi feita no dia 14.01.2009, quando de uma visita em Portão.

Pe. Marcos tinha então 93 anos.



Matéria do IHU

Marcus Bach.
Um gênio incompreendido pelo seu tempo



No dia 26 de fevereiro de 2008, o blog do IHU, publicou o seguinte depoimento de Graziela Wolfart, jornalista, sobre Marcus Bach, padre jesuíta, ontem falecido, em São Leopoldo, RS.
Eis o depoimento.
Um pequeno apartamento, de um dormitório, no sossegado município de Bom Princípio, no Rio Grande do Sul, é o cenário onde vive um gênio de 92 anos que insiste em defender idéias além do seu tempo. Sim, ele vive ainda, com saúde. E pensa, lê e escreve. Na cabeceira, dois livros: Despertar de uma Nova Consciência, de Eckhart Tolle, e Microfísica do Poder, de Michel Foucault. Em frente ao sofá da sala, uma estante enorme, repleta de livros. Do total, mais de 40 são de sua autoria, mas apenas 14 foram publicados. Cerca de 30 obras estão lá, intactas, à espera de uma editora que possa tornar público o conhecimento e a sabedoria deste senhor de cabelos ralos e longos e de barba cerrada. Estou falando do padre jesuíta José Marcus Bach.

A jornalista que escreve este artigo teve a oportunidade de conhecer pessoalmente este homem que, por muitos, é considerado um grande mestre, e por outros, uma pessoa contraditória e até confusa. Ele explica. “Faz 30 anos que digo a mesma coisa e apenas agora algumas das minhas idéias começam a fazer sentido. O que eu escrevo hoje só será compreendido pelas gerações que viverem daqui a 50 anos”. E avisa: “vocês não tem dimensão da gravidade da situação que estamos nos aproximando. O pesadelo que aguarda a humanidade não virá das catástrofes climáticas e com a doença do Planeta Terra, mas da falta de amor entre os homens”.

Pe. Marcos descobriu que o amor é o caminho para a salvação da humanidade. O amor incondicional, amor que Deus ensina e que Cristo pregou na Terra. “Quem chega ao final de sua vida e descobre que nunca amou ninguém como a si próprio e não foi amado dessa forma, pode ter certeza de que teve uma vida vazia, jogada fora”. Por essa razão e com o objetivo de dividir seu conhecimento e continuar aprendendo, Pe. Marcus decidiu criar a Comunidade Eclesial de Amor em Cristo (CEAC). Trata-se de um grupo que realiza encontros comunitários e familiares nas cidades de Portão eBom Princípio. O objetivo é oferecer “uma oportunidade de dar, de repartir e compartilhar com outros um excesso de amor que nossa sociedade de consumo não consegue absorver”.

O doutor em Teologia fala muito. Tem necessidade de exteriorizar suas reflexões. E uma delas é sobre a importância de viver o presente. “Esqueçam do passado e não se preocupem com o futuro. Vivam o agora, o presente. Pensar que estamos dentro de uma linha de tempo é bobagem. Aprendemos que nossa vida acontece no tempo e, após a morte, passamos para a eternidade. Mentira! Já estamos na eternidade. O que precisamos é viver de forma mais contemplativa e tranqüila o momento presente. Eu esqueço que tenho 92 anos. A idade é você quem faz”, explica. No entanto, depois de um período de uma cansativa explanação, ele “desliga o cérebro”, conforme suas palavras. Observo seus movimentos. Ele se recosta no sofá, olha para cima, com o olhar parado, fixo, respira lentamente. Está fora do mundo, com certeza. E ele garante que não escuta nada do que se fala a sua volta. “Preciso desses momentos para recuperar energia”. Em instantes, ele volta a falar.

Mas Pe. Marcos não vive sozinho. Desde 1977 ele conta com o amor, o companheirismo e a ajuda de Célia Bach, sua prima, que também é sua parceira intelectual. Com ela, escreveu A caminho da verdade interior. Liberte-se meditando. (Petrópolis: Vozes, 1986). Entre seus livros publicados mais recentemente, cito A esperança cristã: guardar tradições ou abrir horizontes?(São Paulo: Paulus, 1999) e Uma Nova Moral? (Petrópolis: Vozes, 1990). A inspiração de Pe. Marcus Bach vem do também jesuíta Teilhard de Chardin, outro que foi incompreendido por todos de sua época. Por isso, é possível entender porque, entre os livros de Bach não publicados, parados lá na estante, estão obras que falam sobre ciência e Deus, teoria quântica, Deus, caos e ordem, novos laços afetivos na pós-modernidade, entre outros temas que definitivamente, para muitos, ainda não fazem sentido. E o jesuíta garante: “Hoje, os cientistas estão mais perto de Deus do que os teólogos”.

Entre os projetos de Pe. Marcus e Célia, está a consolidação da Associação Cultural Pe. Marcus Bach (APEBACH), que, mesmo ainda sem sede construída, já tem um calendário de atividades culturais para 2008. Célia conta que a prefeitura do município de Portão já doou um terreno para a construção da sede. Enquanto isso, as palestras serão realizadas na biblioteca pública de Portão. O tema central das conversas é “ainda há espaço para o amor humano na pós-modernidade?”.

A jornalista que vos escreve não se conteve em perguntar ao sábio jesuíta sobre o papel de Deus na sociedade contemporânea. Pe. Marcus não hesitou em responder que é fundamental. “Deus é o único capaz de perdoar a todos sem impor condições ou questionamentos. E é o único capaz de amar a todos incondicionalmente”. “E o senhor acha que o ser humano, na sua essência, nasce bom ou mau, Pe. Marcus?”, pergunto eu. “Todos nascemos com uma carga de bondade. A explicação para a maldade humana é a falta de amor. Ou você acha que Deus criaria seres ruins? A filosofia ensina que a maldade é necessária para que possamos reconhecer a bondade. Como saberíamos o que é bom se não conhecêssemos o outro lado?”, dispara, antes de mais um momento de “pausa restauradora”.

No meio da tarde, aparece outra visita, de um ex-aluno de Pe. Marcus. Lá, ele comenta se já sabiam do falecimento de Hugo Assmann. Sim, já sabiam. A Célia lê todos os dias as Notícias do Dia, do site do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. “Muito bom, conhecem?”. Levei de presente para eles três edições da revista IHU On-Line, que também conhecem e acompanham. Ficaram muito felizes.

E de pensar que eu fui até lá para acompanhar meu marido que, na infância, brincava no pátio da casa de Marcus e Célia Bach, em Montenegro, e desenhava borboletas entre as roseiras que o próprio jesuíta gostava de plantar. Em nossa conversa, falamos ainda de casamento, de família, de robótica, de cotas raciais e de educação. Foi uma grande aula. Dessas que sempre faltam na faculdade. Dessas que a gente não encontra por aí. Dessas que marcam a gente. Quem conhece José Marcus Bach sabe do que estou falando. Quem não conhece e já ouviu falar, pode imaginar. Mas quem não conhece, basta ir até lá. Naquele pequeno apartamento, de um dormitório, cercado de árvores, em Bom Princípio. Lá tem chimarrão, biscoito, doce de pêra e conhecimento.

4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa nos deixou

..
Mercedes Sosa nos deixou,

neste domingo 4/10/09, aos 74 anos,

a voz da luta pelos direitos dos povos,

alguém que gritava

pelos os oprimidos da América Latina

calou-se.



(Mercedes Soza e Beth Carvalho)


"Solo le pido a Dios

Que el dolor no me sea indiferente,

Que la reseca Muerta no me encuentre


Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente."

Mercedes Sosa
“La Negra”

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