O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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16 de maio de 2026

Subiu ao céu

 

Neste domingo em que se reflete sobre ascensão, ou a subida de Jesus ao céu o texto que mais me chama atenção é o do Atos dos Apóstolos, no capitulo primeiro. Muitas vezes ele passa desapercebido mas tem uma mensagem para mim que é de crucial importância, especialmente nestes tempos estranhos que estamos vivendo. Ali há um recado especial sobre o seguimento de Jesus, de como os que se dizem cristãos devem proceder.

 Diz o texto no capitulo 1 :

“Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?7Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder,8mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo.9Dizendo isso elevou-se da (terra) à vista deles e uma nuvem o ocultou aos seus olhos..10Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhes apareceram dois homens vestidos de branco, que lhes disseram:11Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que acaba de vos ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu.

Me parece que essa é a grande questão. Primeiro ele diz para sermos suas testemunhas, e cabe refletir como devemos testemunhar a existência e a maneira de viver desse Jesus que se elevou diante de todos .  E o segundo ponto também de suma importância é o que os anjos dizem aos discípulos:  Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu?” E é exatamente isso que muitos fazem, ficam olhando para céu, buscando o Jesus que subiu e esquecem que devem ser testemunhas, e a melhor maneira de testemunhar esse Jesus é viver e divulgar a maneira como ele vivia.
Portanto neste dia em que se faz memória da ascensão é bom estarmos atentos para o fato de que ele deixou claro como testemunhá-lo, e essa chave está muito clara  no evangelho , especialmente de fora muito explicita em Mateus 25, versículos 21 e seguintes.

27 de setembro de 2021

Salve as crianças ! Salvem as Crianças e todos nós !


Parece que essa ausência das crianças, da alegria barulhenta delas, nos denuncia que há uma mudança muito ruim à nossa volta. Há gente que está desvirtuando e demonizando esse jeito simples de ser criança, de correr arás de doces, de reverenciar  os santos médicos, que para o gosto popular, foram sincretizados como crianças. Verdadeiros arquétipos da alegria, da simplicidade do jeito bom de ser eternamente criança. Não há espaço para isso mais. Mas não culpem a pandemia. Isso começou bem antes. Começou quando a intolerância seletiva passou a ter espaço, quando gente corrupta resolveu acabar com a corrupção, dos outros. Quando os supostos evangélicos passaram a agir na contramão do que pregam os evangelhos, quando o preconceito, o racismo, a homofobia e tudo mais de ruim que  os auto proclamados “gente de bem“ perderam a vergonha de mostrar publicamente. 

Foi desde aí que espancar pessoas homoafetivas, amarrar meninos negros em postes e começaram a bradar que bandido bom é bandido morto. Mas  eles só não dizem que depende do bandido. Porque bandido branco e rico, esses estão acima de qualquer condenação, e dependendo são merecedores de votos e de cargos nos altos escalões governamentais.
Hoje  minha oração tem endereço certo, eu a dirijo aos santos médicos, aos santos meninos, peço a eles que pelo bem desta nação, que dizem ter sido abençoada por Deus, e que parece caiu nas garras de algum espírito trevoso, que eles venham em nosso socorro. Que eles tomem Jesus, o verdadeiro, o que disse que o reino era dos puros, das crianças, dos ladrões e das prostitutas, antes de ser dos sacerdotes e auto proclamados “homens de bem”, que de mãos dadas com ele, o divino mestre e que ele, como fez no tempo quando andava nesta terra, de chicote na mão, expulse essa gente falsa, esses vendilhões que dizem falar em seu nome, que usam trechos do evangelho que exalta a verdade, para esconder suas mentiras. Que ele, o senhor dos senhores expulse de uma vez por todas esse verdadeiro câncer que adoenta a nossa terra de Santa Cruz, o Brasil de todos os brasileiros: índios, negros, brancos, mulatos, pobres e também ricos, desde que tenham boa vontade.
 São Cosme e São  Damião, os santos médicos, Doum, Crispim Crispiniano, Caboclinhos da mata e toda sorte de crianças nós estamos pedindo, venham salvar este país, porque já estamos perdendo a alegria, essa alegria infantil de nossas crianças interiores que sempre nos ajudaram a seguir em frente com confiança.
Salve Cosme e Damião ! Salve  os Erês !
SALVEM AS NOSSAS CRIANÇAS!
SALVEM-NOS!

29 de junho de 2021

Pedro, pedra, pedreiro na edificação do Reino do Pai

 “Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.

Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”

(Bruno Camurati)

Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo. O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.

Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nu, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...
Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.
Pedro Tú és céfas!

Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.


                      

Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

3 de abril de 2021

O Amor venceu

 A morte não é o final da vida, é apenas uma etapa,

uma transição necessária para atingirmos escalas mais altas,
mais próximas daquele que nos criou
.


Naquela manhã, diante do túmulo vazio, 

Maria de Magdala encontra-se com Jesus.

Era ela que estava com Maria aos pés da cruz
até o fim, quando os outros fugiram.

É a ela que Ele pede que avise a Pedro e aos outros.
Foi a ela que ele escolheu dar primeiro esta notícia:
Estou aqui !

eu vencí !



Da mesma forma que os apóstolos acreditaram

no que parecia impossível,

é preciso manter sempre acesa a esperança,

manter firme o sonho

de que uma nova maneira de viver é possível:

mais fraterna, igualitária e amorosa. 





Jesus Ressuscitou!

O AMOR venceu!

É tempo de ressuscitar os sorrisos,

 o amor, a certeza de novos e melhores dias

Ressuscitar a Alegria e a esperança.
Ressuscitar a vontade de lutar
por um mundo que tenha a face do amor.
A face de Jesus.

Que a nossa páscoa seja a certeza de que caminhamos todos para a luz, 
para a igualdade, para o renascimento da Paz, da justiça 
e da alegria para todos, sem exceções.


Feliz Páscoa !

21 de novembro de 2020

Cristo Rei do Universo

Ele não quis e não quer estar ACIMA DE NADA e deixou como recado que os últimos serão os primeiros no seu reino.

Que fique claro que este Rei não habita em palácios, não veste capa e não usa coroa de ouro, não se cerca de pompas. Ele mesmo disse que o Reino dele não era deste mundo.
Sua única coroa foi de espinhos, lavou os pés dos seus súditos e os mandou fazer o mesmo.









Rei que deixa claro que que sua prioridade são os pobres , os excluídos, os famintos os abandonados. Diz com clareza que os ladrões e as prostitutas precederão os sacerdotes e doutores da lei no seu Reino.
Neste Reino os poderosos só tem poder se colocarem este poder a serviço do amor. Por mais que o consumismo nos indique o caminho do prazer do consumo e das suntuosidades, nada disto faz parte do Reino que Jesus pediu que construíssemos.
Como indicação de como seria seu reino nos deixou muito claramente esta advertência:
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
31Quando o Filho do Homem vier em sua glória,
acompanhado de todos os anjos,
então se assentará em seu trono glorioso.
32Todos os povos da terra serão reunidos diante dele,
e ele separará uns dos outros,
assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
33E colocará as ovelhas à sua direita
e os cabritos à sua esquerda.
34Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita:
`Vinde benditos de meu Pai!
Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou
desde a criação do mundo!
35Pois eu estava com fome e me destes de comer;
eu estava com sede e me destes de beber;
eu era estrangeiro e me recebestes em casa;
36eu estava nu e me vestistes;
eu estava doente e cuidastes de mim;
eu estava na prisão e fostes me visitar".
37Então os justos lhe perguntarão:
`Senhor, quando foi que te vimos com fome
e te demos de comer?
com sede e te demos de beber?
38Quando foi que te vimos como estrangeiro
e te recebemos em casa,
e sem roupa e te vestimos?
39Quando foi que te vimos doente ou preso,
e fomos te visitar?"
40Então o Rei lhes responderá:
`Em verdade eu vos digo,
que todas as vezes que fizestes isso
a um dos menores de meus irmãos,
foi a mim que o fizestes ..." (Mt 25,31-ss)

27 de fevereiro de 2020

A grande Quaresma


Tempo de revisão de vida e de preparação. São Francisco era muito simpático às quaresmas e fazia várias: a “Grande Quaresma”, a “Quaresma do Advento”, a “Quaresma da Epifania”, a “Quaresma de São Miguel” e a “Quaresma de Nossa Senhora”. Mas como ele mesmo denominava, a mais importante era a “Grande Quaresma”, os 40 dias que antecedem a Páscoa.


 É o momento para refazer a caminhada junto com Jesus até o calvário, ser pregado junto com Ele na cruz, descer com Ele ao túmulo, para depois poder explodir de alegria com sua ressureição. Uma revisão indispensável, nestes nossos tempos tão difíceis de tanta irritação, agressividade gratuita, violência e egoísmo, uma verdadeira faxina para nos recompor.


Tempo de reflexão e de esforço para mudanças significativas em nossos hábitos e comportamentos. Tempo para ressignificar velhas práticas como o Jejum e a esmola, muitas vezes dissociados e muito ligados apenas ao sofrimento pelo sofrimento e a prepotência do ato de se sentir superior a quem se dá a esmola.


O Jejum segundo o papa Leão Magno, era prescrito para nos lembrar não apenas da abstinência, mas sobretudo do emprego daquilo que seria economizado com o Jejum nas obras assistenciais aos pobres

No antigo manuscrito dos primeiros cristãos, “O Pastor de Hermas”, 
(século II), há uma referência clara a como o jejum que deve ser praticado:

 “Eis como deveis praticar o jejum, tu comerás só pão e água, depois calcularás quanto terias gasto para o teu alimento naquele dia e tu oferecerás este dinheiro a uma viúva, a um órfão ou a um pobre; assim tu te privarás de alguma coisa para que o teu sacrifício seja útil para alguém alimentar-se. E então ele rezará ao Senhor por tí em agradecimento. Se tu jejuares desse modo, o teu sacrifício será agradável a Deus”.

Façamos de nossa quaresma um tempo de revisão e mudança principalmente eliminando preconceitos e resistências a ver Jesus em cada pessoa que se aproximar de nós, sem qualquer exceção.



24 de fevereiro de 2020

A verdade vos fará Livres - Mangueira 2020



Mangueira:
Toquinho e Vinícius já tinham profetizado que “ um bom samba é uma forma de oração”, mas nunca alguém tinha realizado na pratica, esta profecia como a Mangueira nos proporcionou na madrugada desta segunda feira de carnaval. 
Lindo, tocante, profético e sobretudo uma verdadeira celebração religiosa. Muito digna, e extremamente profunda a provocação da estação primeira, nesta reflexão sobre o “Jesus da gente”. Nunca tinha visto alguém realizar um cristianismo tão verdadeiro e autêntico.
O carnavalesco Leandro Vieira não sei se propositalmente ou não, acabou fazendo o que o Papa Francisco tem pedido insistentemente a Igreja católica, com muito pouco sucesso, por parte de seus bispos e padres. O Jesus da gente é o líder da “igreja em saída” da igreja “com cheiro de ovelha”.

O Jesus que está verdadeiramente no meio de nós, proclamado por religiosos, mas nunca realizado na prática como Leandro da Mangueira ousou mostrar. O Jesus negro, gay, mulher, o pobre perseguido pela polícia e pela sociedade. o Jesus mendigo,  filho do José desempregado e da Maria de tantas dores, que “sobe e desce as ladeiras” das favelas.
O Jesus índio, a cada dia mais próximo da extinção pelas ações genocidas, dos poderes constituídos. A mangueira ousou mostrar sem maquiagem o verdadeiro Jesus que disse que estaria conosco até o fim dos tempos.




Certamente a Mangueira não agradou  a quem detém o poder, nem civil nem religioso. Seu desfile denuncia séculos de mentiras e estratégias para manter o poder pelo medo e a culpa. 
A imagem de um Jesus que nada tem a ver com o jovem galileu. O Jesus que embora exaltado em ostensórios sobre o altar prefere estar embaixo dos viadutos ou esmolando pelas calçadas da cidade.
Não existiria homofobia, preconceito racial, feminicídio, exploração, e desigualdade sócio econômica, se cada um reconhecesse no seu semelhante, o mesmo Jesus que anima a sua própria vida. É essa identidade, esse Emanuel, o Deus conosco, que quando reconhecido dá sentido ao “amai ao próximo como a ti mesmo” e o “amai-vos uns aos outros como eu vos amo”.
Ele deixou claro em várias passagens do evangelho, que foram deturpadas na busca do controle do poder. Porque fizeram o povo não levar a sério o “os ladrões e as prostitutas vos precederão no Reino”, dito aos sacerdotes do templo?


A Mangueira num só desfile desmonta as teologias inventadas, da prosperidade, do sucesso, da predileção pelos que mais doam seus parcos recursos aos padres e pastores gananciosos .
Mais que cantar e desfilar a Mangueira rezou e nos fez rezar, por um novo Brasil sem preconceitos, com melhor distribuição da riqueza, com respeito e igualdade e oportunidade para todos, sem armas nas mãos, sem destruição e genocídio.

O Jesus real foi posto para sambar na avenida, e faz a sua ressureição na consciência do povo pobre e sofrido que sempre foi barrado nas igrejas por estar maltrapilho. O Jesus da gente não precisa de templo feito por mãos como diz o salmo, ele vive no coração de cada um de nós que bate como  surdo de marcação, tão característico da Mangueira.

Chegou a hora de todos nós, não só a Mangueira pegar a visão:
Não há futuro sem partilha e muito menos Messias de arma na mão.

Felizmente ainda temos sacerdotes de varias correntes cristãs que anunciam e vivem o verdadeiro Jesus da gente e estavam abrindo a procissão negra da Mangueira na avenida.
 



Cantemos todos com a Mangueira,
Jesus ressuscitou!    Aleluia !!!

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também


video completo do desfile













16 de outubro de 2019

Geraldo Magela, o “doidinho de Deus”

Geraldo era alguém muito interessante. Um jovem teimoso e insistente.
Era fraco e doente e ninguém o queria. Mas ele insistia e diante da negativa das ordens religiosos em aceita-lo partiu para o inusitado, resolveu perseguir pelo caminho os redentoristas, até que eles não tiveram como não o aceitar. Mas mesmo assim foi enviado para a ordem com um bilhete que o qualificava como um jovem fraco, doente e  inútil.
Ele não se importava. Dizia que queria ser santo. Aliás, foi isso que escreveu no bilhete que deixou em casa quando fugiu para ir atrás dos redentoristas: “Vou ser santo”.


Aprontou todas para atender aos pobres e excluídos, e fazia isso com a autoridade de quem era intimo da madona e do menino. Afinal era com ele que na sua infância ele brincava, e era sempre ela, a madona, que o presenteava com o pãozinho de farinha branca, uma raridade e um luxo proibido na época, que em casa ninguém compreendia onde ele tinha conseguido. Eram muito pobres, esses luxos (pães de farinha branca) eram coisa de quem tinha muitos recursos. E ele, com naturalidade dizia que fora a Madona, a mãe de seu amigo, que lhe havia presenteado. Chegou a causar suspeitas em sua mãe... Mas esse era Geraldo, que na necessidade se fazia de alfaiate para sustentar a família, sem nunca compreenderem como ele conseguia tal proeza sem nunca ter aprendido o oficio. Fazia muito mais, não sabia negar comida a quem pedia e, como era porteiro,  esvaziava a dispensa  para que nenhum pobre sentisse fome... Isso lhe causava castigos, mas sempre era socorrido por seu amigo e pela madona que sem que ele soubesse providenciavam tudo para que tudo se arranjasse.
Geraldo nunca se ordenou, na verdade sempre foi tido como muito fraquinho. Não lhe deram a chance de se torar um sacerdote.  Foi sempre um irmão na ordem que causava espanto por seus hábitos estranhos, tais como dormir no chão sob o altar, dizendo que não queria se afastar de seu grande amigo. Muitas vezes em suas andanças conversava e convencia assaltantes a não lhe roubar e a se converter.Certa vez por calúnia, foi castigado por seu superior, Santo Afonso de Ligório, que o proibiu de comungar. Contam que em sonho ele recebia regularmente o sacramento, até que a mentira tivesse sido desfeita e ele liberado. São muitas as histórias e muitos os relatos de situações extraordinárias. Talvez por isso seja um santo com tantos devotos, especialmente entre os necessitados e os perseguidos.

Ele era o “doidinho de Deus”, era assim que o chamavam, o “louquinho”, rejeitadoe tido como inútil, que nos convida a ir além das etiquetas e dos padrões para fazer a vontade daquele seu particular amigo, Jesus.
Jesus para ele era o prisioneiro do sacrário... posso dizer que foi ele que me apresentou a esse modo de se referir a Jesus: "O prisioneiro do altar", "o prisioneiro do sacrário". Dai o nome do blog que eventualmente publico algumas reflexões    https://prisoneirodoaltar.blogspot.com/
ou aqui mesmo neste blog :https://oabsurdoeagraca.blogspot.com/search/label/As%20Conversas%20com%20o%20prisioneiro%20do%20altar

 Que Geraldo nos inspire com sua vida completamente incomum, toda ela dedicada ao amor aos “pequeninos” de Jesus.

16 de outubro de 2017

Geraldo Magela, o doidinho de Deus

Geraldo era alguém muito interessante. Um jovem teimoso e insistente.
Era fraco e doente e ninguém o queria. Mas ele insistia e diante da negativa das ordens religiosos em aceita-lo partiu para o inusitado, resolveu perseguir pelo caminho os redentoristas até que eles não tiveram como não aceita-lo. Mas mesmo assim foi enviado para a ordem com um bilhete que lhe qualificava como um jovem fraco, doente e  inútil.
Ele não se importava. Dizia que queria ser santo. Aliás, foi isso que escreveu no bilhete que deixou em casa quando fugiu para ir atrás dos redentoristas: “Vou ser santo”.


Aprontou todas para atender aos pobres e excluídos, e fazia isso com a autoridade de quem era intimo da madona e do menino. Afinal era com ele que na sua infância ele brincava, e era sempre ela, a madona, que o presenteava com o pãozinho de farinha branca, que em casa ninguém compreendia onde ele tinha conseguido. Eram muito pobres, esses luxos naquela época eram coisa de quem tinha muitos recursos. E ele com naturalidade dizia que fora a Madona, a mãe de seu amigo, que lhe havia presenteado. Chegou a causar  suspeitas em sua mãe... Mas esse era Geraldo, que na necessidade se fazia de alfaiate para sustentar a família, sem nunca compreender como ele conseguia tal proeza sem nunca ter aprendido o oficio. Mas fazia muito mais, não sabia negar comida a quem pedia e como porteiro esvaziava a dispensa  para que nenhum pobre sentisse fome... Isso quase lhe causava castigos, mas sempre era socorrido por seu amigo e pela madona que sem que ele soubesse providenciavam tudo para que nada faltasse.
Geraldo nunca se ordenou, foi sempre um irmão na ordem e causava espanto por seus hábitos estranhos, tais como dormir no chão sob o altar, dizendo que não queria se afastar de seu grande amigo. Outras vezes conversava e convencia assaltantes a não lhe roubar e a se converter. São tantas as histórias. Talvez por isso seja um santo com tantos devotos, especialmente entre os necessitados e os perseguidos.

Ele era o doidinho de Deus, era assim que o chamavam, o louquinho que nos convida a ir além das etiquetas e dos padrões para fazer a vontade daquele seu particular amigo, Jesus, que para ele era o prisioneiro do sacrário... posso dizer que foi ele que me apresentou a esse modo de se referir a Jesus: "O prisoneiro do altar", "o prisioneiro do sacrário".
 Que Geraldo nos inspire com sua vida completamente incomum, toda ela dedicada ao amor aos “pequeninos” de Jesus.