O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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29 de agosto de 2023

Uma viagem pelo tempo, ou os 72 ciclos em torno do sol

Vida, essa eterna companheira passageira,
Se me permitem a alegoria.
No início os anos verdes, tudo à espera de se desenvolver.
Muito sentimento, razão pouca e quase nenhuma sabedoria,
Quase tudo ainda está por aprender.

 A vida passa, segue o seu caminhar...
Chegam os anos quentes, de uma vitalidade imensa
Busca-se muito, mas geralmente não se sabe bem o quê...

E ela, a vida, essa incansável passageira,
continua o seu passar.
E eis que se chega à metade dela,
Os anos, nem quentes nem frios.
São como mormaço úmido,
Como uma sequência de outonos,
Céus sem nuvens, expectantes,
Muitas dúvidas quanto às noites frias,
Começa-se a avaliar a possibilidade do inverno.



Mais adiante, sem que se perceba com clareza,
Descobre-se que a vida inicia um lento caminhar.
A chegada do inverno sentencia,
Já não é mais possível correr com facilidade.
Parece que a leveza deu lugar a algo frágil...
O céu já não está tão limpo,
Os dias ensolarados já não são uma constante,
Há dias em que as nuvens se apresentam mais escuras
Chegam as dúvidas quando a possíveis temporais. 



Depois de poder ver o sol,
Retornar ao mesmo ponto inicial,
Por setenta e duas vezes, posso perceber,
Que nesta longa caminhada muita vida foi vivida.
Muitas lágrimas foram derramadas,
Mas muito mais sorrisos foram possíveis.
É neste ponto do caminho que parei para meditar...
Inquieto, volto a perguntar como já o fiz tantas vezes:
O que mais passará ainda, amiga vida?



Que a esperança, não me abandone neste caminho
Que ela me seja sempre companheira.
Que as lembranças, o medo e a dúvida,
Não sufoquem a experiência da descoberta
De que uma espécie de nova infância se aproxima.

 Ah, amiga vida, não quero perder nenhuma oportunidade,
De recuperar a simplicidade e a ingenuidade infantis,
Depois de ter experimentado o exercício da razão,
E de ter sido merecedor da sabedoria.

Peço a Deus que me dê a humildade
Para perceber o momento exato,
De saber pedir ajuda,
De precisar ser cuidado,
Sem revoltas ou rancor.

Quero então estar preparado, amiga vida,
Para quando chegar a hora, que espero ainda demore,
Que o momento me seja suave, leve
E repleto de gratidão pela sua companhia.




28 de agosto de 2022

O Rio da minha vida. As 71 voltas em torno do sol.

E o sol deu mais uma volta pelo céu.  Confesso que tenho a impressão, que desta vez, o acelerador estava o tempo todo acionado. É como se eu tivesse dormido e acordado 365 dias depois em uma só noite. Mas quando penso com mais cuidado, percebo que muita coisa aconteceu neste um ano. Foram dias de apreensão, de medo até. Temos tido que aprender a viver sob as mais variadas ameaças. Cada dia parece ter uma, ou várias provas a serem vencidas. Tenho a nítida impressão que aqueles anos de paz e tranquilidade, como um rio que corre lentamente em direção ao oceano, se transformaram em verdadeiras corredeiras que exigem atenção e cuidado o tempo todo. O importante, na verdade, é não esquecer de fluir e ter a certeza de que no final, o que se vai encontrar, não há a menor dúvida, é o grande mar.

É lá que todos iremos nos encontrar um dia.
A todo momento, e em tudo, não podemos esquecer que que o principal é a aprendizagem, o crescimento e o fluir, tendo o amor como regra e a fraternidade como princípio.

Sou muito grato ao criador que me proporcionou essas 71 (setenta e uma) voltas em torno do sol.
Sou grato pela luz desse sol, que iluminou sempre o meu caminho.
Sinto muito pelos tropeços que me detiveram no caminho, e dos momentos em que recusei temporariamente a ir adiante.
Peço ao grande criador que me perdoe por minha imaturidade e se algumas vezes fui rebelde e me recusei a aprender a lição.
Faço questão aqui de declarar o meu eterno amor a Ele , fonte de toda a vida, e de todo amor que banha nosso universo.


É como eu certa vez escrevi:
A minha vida é como um rio.
Da nascente à grande vazão,
A novidade é a constante.
Nenhuma gota repete um caminho já feito.
Tudo é novo, similar, parecido talvez,
mas sempre novo.
Numa curva como agora, 
O murmurar das aguas ansioso
Repete a eterna pergunta:
Quanto ainda falta para ao grande mar chegar?
Loucuras de rio afoito,
Que não percebe que o melhor do trajeto
É a simplicidade do suave marulhar.

Que eu continue a agradecer esse fluir de energia, que há cada ano, me presenteia sempre com um novo, simples e desafiante marulhar cotidiano. 


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28 de agosto de 2021

Alvorecer aos 70...


Silencio e me recolho para contemplar.
sirvo-me daquela oração havaiana:

“Minhas queridas memórias, eu as amo...”

Olhar o desenrolar da vida traz um gosto doce,
Que vez por outra, se mistura com o sal daquela lágrima
De alegre emoção, ou de uma  lembrança saudosa.
As vezes é  uma dor funda
Que vem de um canto triste da memória...
Mas há também lembrança boa,
Lembrar da risada gostosa de minha mãe preta,
E também dos carinhos da minha vó branca,
As reuniões familiares, o alvoroço dos primos...
De um tempo em que a vida passava bem devagar.
    
               

Quanta ternura neste baú de lembranças...
Remexendo encontro o pátio da escola pública,
Amigos, professora, comemorações cívicas...
E de repente o desafio do curso de admissão ao ginasial.
Revejo então a chegada no ginasial,
A insegurança de um mundo novo,
Depois o colegial, a universidade o primeiro emprego...
Os anos de chumbo, os tempos cinzentos...
As muitas perdas, pai, irmã, mãe...
Amigos que foram exterminados pelo regime da época...
Mas nem tudo é  só cinza neste baú.
Salta então da memória
O casamento, os filhos as realizações...
São muitos os recortes de lembranças,
Tantos, nestas setenta voltas do sol
Que se relatados aqui se tornariam um livro.

Mas, olhando daqui,
Me parece que passaram tão rápido.
Teriam sido setenta mesmo ?

Mas, é tempo de olhar adiante.
Há muito que fazer ainda.
É hora de rever a bagagem
Abandonar, desapegar.
Há muita coisa, coisa demais até
Que só pertence ao passado,
É urgente libertá-las:

Minhas queridas memórias, eu as amo.
 Sou grato por poder libertá-las
E assim também me libertar...

É hora de transformar lembranças em experiência.

Minhas queridas memórias...

Lembro que ultrapassei, e muito, o meio da viagem,
Não faz  mais sentido acumular bagagem.
Pra onde eu vou agora,
Nas urgências desta vida,
Uma pequena maleta de  sonhos,
Uma mochila com boas esperanças,
Cheia de muito amor e bem querer,
Que acondicione bem uma boa porção
De bom humor e muitos sorrisos,
É só o que eu preciso, pra terminar bem
Essa minha feliz e bem sucedida viagem.
Hoje a palavra e o sentimento são um só:
Gratidão.

Sinto muito,
Se no caminho desapontei alguém.

Me perdoe,
Se mais que desapontar eu magoei ou ofendi alguém.

Sou Grato ,
Ao Divino Criador que tudo me deu,

E, é a ele que não me canso de dizer
Eu te amo

29 de agosto de 2020

Uma reflexão depois das sessenta e nove voltas em torno do sol.

E de repente eu me dou conta de que mesmo trancado a quase seis meses, sem colocar a cara na rua, o sol deu mais uma volta. Meu Deus, como passa rápido. Noto que ele, o sol está começando a cansar, afinal já foram sessenta e nove voltas, e a cada nova volta parece que o caminho fica um pouco mais difícil. Esta última volta foi especialmente mais complicada. Os sonhos, parece que já não estão tão fáceis de serem sonhados e isso acaba por comprometer demais a esperança. Mas o que fazer se há dias em que não se consegue ver a linha do horizonte e sem horizonte, sabemos fica difícil manter a crença nas utopias. Mas não vou dizer como o poeta maior que o tempo é de fezes e maus poemas, ah Drummond se você soubesse que até os poemas estão difíceis de escrever. Queria muito ver flores nascendo no asfalto, mas do jeito que estamos já me contento em vê-las nascendo nos jardins. Hoje é um dia de recordações, já não tenho mais o frescor dos verdes anos, mas isso não me impede a rebeldia. Não vou me entregar, não abro mão de sonhar.
Quero degustar cada momento,
Saborear ainda a experiência dos anos. Abrir bem largo os meus braços E abraçar a VIDA e Todo o tempo que me restar. Esta incansável caminhante Que jamais se detém, Não se prende só aos sorrisos, Ou ao rolar de uma lágrima, Sege incansável sem parar. Seja nos anos inquietos da juventude, Ou na meia idade, Anos nem quentes nem frios, São mormaço úmido. Uma sequência de outonos de céus sem nuvens, expectantes, com a dúvida, se haverá noites frias de inverno. Chegado o inverno, É neste ponto do caminho que paro para meditar... O quê mais me reservará a amiga vida? Que a rebeldia, me seja sempre companheira. Que as lembranças, Não sufoquem a euforia da descoberta De que ainda é possível sonhar. Ah, amiga vida, não quero perder a oportunidade, Por nada deste mundo, De sempre me rebelar, Contra os que insistem em sufocar em nós Essa sede de liberdade. E esta vontade de gritar bem alto: Jamais desistiremos de amar !

28 de agosto de 2018

Como um Rio (aos 67)



Segue como um rio.
Em seu eterno passar
O rio da vida me leva.
Hora em calmaria,
Em momentos outros em corredeiras...
Contorna algumas pedras, afoga outras,
E muitas, simplesmente as faz rolar...
Mas sempre seguindo.
Num caminho sinuoso,
Limitado pelas margens
Abriga sonhos de transbordamento.
A natureza revolta das aguas
Vez por outra, denuncia que nem tudo é tranquilidade.
E segue.
Da nascente à grande vazão,
A novidade é a constante,
Nenhuma gota repete um caminho já feito.
Tudo é novo, similar, parecido talvez, mas sempre novo.

Numa curvam como agora,
O murmurar das aguas ansioso se pergunta:
Quanto ainda falta para ao grande mar chegar?
Loucuras de rio afoito
que não percebe que o melhor do trajeto
é a simplicidade do suave marulhar.

Que eu continue a agradecer esse fluir de energia, que há 67 primaveras, me presenteia sempre com um novo, simples e desafiante marulhar cotidiano.