O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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4 de junho de 2016

Mariama protege o Teu Brasil !




Mariama,
Nossa Senhora, mãe de Cristo e mãe dos homens!
Mariama,
mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.
Pede a teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver. Mas é importante, Mariama, que a igreja de teu filho não fique em palavras, não fique em aplausos. O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros. Como entrou de cheio na pastoral da terra e na pastoral dos índios.
Não basta pedir perdão pelos erros de ontem. É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.
Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo. É Evangelho de Cristo, Mariama!
Mariama, mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos. Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.
Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas. O mundo precisa fabricar é paz.
Basta de injustiças!
Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.
Basta de uns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.
Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.
Mariama, Nossa Senhora, mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino. Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e os pobres de mãos cheias.
Nem pobre, nem rico!
Nada de escravo de hoje ser senhor de escravos amanhã.
Basta de escravos!
Um mundo sem senhores e sem escravos.
Um mundo de irmãos.
De irmãos não só de nome e de mentira.
De irmãos de verdade, Mariama!"  
Dom Hélder Câmara

27 de outubro de 2015

D. Helder e o preto velho




O teólogo Marcelo Barros recorda que, uma vez, acompanhou o arcebispo a uma favela.
Passando pelas vielas, D. Hélder cumprimentava as pessoas e entrava em cada barraco.
Chegou atrasado ao centro comunitário, onde as pessoas o esperavam para uma reunião. Numa das casas, um senhor da Umbanda deu-lhe de presente uma imagem de um Preto Velho (um dos espíritos da religião africana).
D. Hélder chegou à reunião, trazendo nos braços o Preto Velho.


A quem se espantou com o atraso, explicou: 
“Estava me encontrando com um irmão, do qual séculos me distanciaram”.

Quando lhe perguntaram se o contato do arcebispo com líderes de outras religiões negras não favorecia o sincretismo e a confusão, D. Hélder respondeu: 
“O sincretismo existe desde que os nossos antepassados obrigaram os negros a se batizarem. Durante séculos, eles foram obrigados a viver a sua fé de modo escondido. O que eu faço é reconhecer o seu direito a exercerem a sua religião. Sei que muitos, desde crianças, são, ao mesmo tempo, católicos e de um culto afro. Conhecendo-os, vejo que são pessoas de tanta fé e tão dedicadas aos outros que só posso pensar que essa integração faz bem”.

Com os agradecimentos ao amigo Jorge Alexandre que publicou esta passagem no Facebook

4 de junho de 2015

O Corpus Christi de Dom Helder




No primeiro ano de seu serviço pastoral, na Festa de Corpus Christi,  o arcebispo chega pontualmente à catedral para iniciar a missa e depois a procissão na qual deve carregar pelas ruas o ostensório dourado com o Santíssimo Sacramento. Começa a missa. Na oração da coleta, não consegue ler o que está no missal. Com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, ora:
“Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como poderemos passar pelas ruas, com o pão, sinal da tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão?
Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados”.
Dom Marcelo Barros
[Barros, Dom Marcelo. Dom Helder, profeta do macroecumenismo
(Reflexão em estilo de testemunho).
 Em: Rocha, Zildo (organizador). Helder, o dom. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1999, p. 179.]
Nesse entardecer de quinta-feira, festa de Corpus Christi, peguei na estante um livro adquirido há alguns anos e que há tempos eu não lia. É um livro que foi organizado por Zildo Rocha e publicado em 1999, em homenagem aos noventa anos de Dom Helder Camara. Queria ler um texto escrito pelo monge beneditino Dom Marcelo Barros. Dom Marcelo teve o privilégio de trabalhar com Dom Helder Camara, além de, como ele próprio afirma, ter tido “a graça de ser ordenado diácono e padre por Dom Helder”.
Pois bem, quis ler este texto hoje porque ele começa exatamente com um relato que Dom Marcelo faz de uma celebração de Corpus Christi, a primeira presidida por Dom Helder depois dele  ter sido sagrado arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife.  O relato, posto como epígrafe a este texto, nos fala muito da mística do arcebispo cearense que, de Pernambuco, influenciaria decisivamente os rumos da Igreja Católica no continente latino-americano.
Dom Helder foi um homem profundamente místico, disso não tenho dúvidas. Mas sua mística era a mística da ação, embora tenha sido, simultaneamente, um homem que vivenciou  uma relação íntima com Deus na Oração. Mas, diferentemente daquele tipo de místico que precisa ficar a sós para falar com Cristo, ele prescindia de tal estratégia porque sua forma de encontrar o Mestre a quem amava e a quem dedicou sua vida era estar com os muitos Cristos com os quais cruzava diariamente nas ruas, praças, avenidas  e bairros pobres da cidade.
Para um homem da estirpe de Dom Helder Camara,  Cristo assomava em cada esquina, esperando apenas um aceno para que se manifestasse em busca de um gesto de acolhimento, de um olhar misericordioso, de quem lhe estendesse a mão.  Talvez essa experiência, a de quem é capaz de ver Cristo transfigurado no irmão que sofre por sentir-se excluído e desamparo, seja a mais autêntica experiência espiritual a que alguém possa aspirar.
Não é coisa fácil. Não se trata apenas de dar um pedaço de pão ou um prato de comida ao irmão faminto, embora isso não esteja excluído. Viver a experiência do Cristo transfigurado que se  manifesta no quotidiano de cada um de nós implica, mais que  ajudar a matar a fome por um dia, cuidar para que as condições sejam tais que não haja mais fome e, portanto, não seja mais necessário sair rua a fora distribuindo o alimento aos necessitados. Foi isso o que fez Dom Helder. É isso o que raramente conseguimos fazer.
Então, me pergunto: eu ousaria celebrar a festa de  Corpus Christi como Dom Helder a celebrava?  Não sei se eu poderia responder afirmativamente esta pergunta. Seguir um cortejo capitaneado por um padre que leva à frente um ostensório é fácil. Difícil é seguir aquele Cristo que assoma bem ali à minha frente à espera de que eu lhe estenda a mão.
Quero concluir este texto com uma observação feita por Dom Marcelo a propósito da profunda compaixão  e respeito que Dom Helder tinha por todas as pessoas, mesmo por aquelas que ele mais teria motivos para antipatizar ou rejeitar. São palavras que têm muito a nos ensinar, pois fazem ver o Cristo transfigurado em todos os irmãos, mesmo nos mais antipatizados. Escreve Dom Marcelo:
“No Recife, Dom Helder encontrou um clero no qual havia padres conhecidos por suas posições conservadoras. Nunca, ninguém pôde dizer que foi preterido ou marginalizado pelo arcebispo. Ele gostava de repetir:
- Se você concorda comigo, me confirma. Mas, se discorda, me ajuda mais porque me obriga a aprofundar o meu ponto de vista”
 A autoria do Texto é do  Psicólogo Vasco Arruda
Psicólogo e professor de História das Religiões e Psicologia da Religião

Em http://blog.opovo.com.br/

16 de junho de 2014

Livro de D. Helder e C. Suenens

           Livro recomendado pelo papa Francisco no congresso da Renovação carismática




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27 de maio de 2014

45 anos da morte do Pe. Henrique Pereira Netto no Recife

(Atualização  de  postagem feita de 2011) 

Pe. Antonio Henrique Pereira Neto Foi covardemente assassinado e quiseram ainda, para piorar, justificar que ele era homossexual, como se isso pudesse justificar qualquer morte. 
Além de assassinos eram homofóbicos. Crime cometido, em 27-05-1969, na Cidade Universitária, em Recife-PE.
Na verdade queriam atingir D. Helder de quem o Pe. Henrique era assessor.
Deixo aqui o cordel do pe Henrique de autoria de Patativa do Assaré.



O Pe. Henrique e o Dragçai da Maldade  (Patativa do Assaré)

 Sou um poeta do mato
vivo afastado dos meios
minha rude lira canta
casos bonitos e feios
eu canto meus sentimentos
e os sentimentos alheios

Sou caboclo nordestino
tenho mão calosa e grossa,
a minha vida tem sido
da choupana para roça,
sou amigo da família
da mais humilde palhoça
Canto da mata frondosa
a sua imensa beleza,
onde vemos os sinais
do pincel da Natureza,
e quando é preciso eu canto
a mágoa, a dor e a tristeza

Canto a noite de São João
com toda sua alegria,
sua latada de folha
repleta de fantasia
e canto o pobre que chora
pelo pão de cada dia

Canto o crepúsculo da tarde
e o clarão da linda aurora,
canto aquilo que me alegra
e aquilo que me apavora
e canto os injustiçados
que vagam no mundo afora

E, por falar de injustiça
traidora da boa sorte
eu conto ao leitor um fato
de uma bárbara morte
que seu deu em Pernambuco
famoso Leão do Norte

Primeiro peço a Jesus
uma santa inspiração
para escrever estes versos
sem me afastar da razão
contando uma triste cena
que faz cortar coração

Falar contra as injustiças
foi sempre um dever sagrado
este exemplo precioso
Cristo deixou registrado.
Por ser reto e justiceiro
foi no madeiro cravado

Por defender os humildes
sofreu as mais cruéis dores
e ainda hoje nós vemos
muitos dos seus seguidores
morrerem barbaramente
pelas mãos dos malfeitores

Vou contar neste folheto
com amor e piedade
cujo título encerra
a mais penosa verdade:
O Padre Antonio Henrique
e o Dragão da Maldade

O Padre Antonio Henrique
muito jovem e inteligente
a 27 de Maio
foi morto barbaramente,
no ano 69
da nossa era presente

Padre Henrique tinha apenas
29 anos de idade,
dedicou sua vida aos jovens
pregando a santa verdade
admirava a quem visse
a sua fraternidade

Tinha três anos de padre
depois que ele se ordenou
pregava a mesma missão
que Jesus Cristo pregou
e foi por esse motivo
que o dragão lhe assassinou

Surgiu contra Padre Henrique
uma fúria desmedida
ameaçando a Igreja
porque estava decidida
conscientizando os jovens
sobre os problemas da vida

Naquele tempo o Recife
grande bonita cidade
se achava contaminada
pelo dragão da maldade,
a rancorosa mentira
lutando contra a verdade

Nesse clima de tristeza
os dias iam passando
porém nosso Padre Henrique
sempre a verdade explicando
e ameaças contra a igreja
chegava de vez em quando




Por causa do seu trabalho
que só o que é bom almeja
o espírito da maldade
que tudo estraga e fareja
fez tristes acusações
contra D. Hélder e a igreja

Com o fim de atemorizar
o apóstolo do bem
chegavam cartas anônimas
com insulto e com desdém,
porém quem confia em Deus
jamais temeu a ninguém

Anônimos telefonemas
com assuntos te terror
chegavam constantemente
cheios de ódio e rancor
contra Pe. Henrique, o amigo
da paz, da fé e do amor

Os ditos telefonemas
faziam declaração
de matar 30 pessoas
sem ter dó nem compaixão
que tivessem com D. Hélder
amizade ou ligação

Veja bem leitor amigo
quanto é triste esta verdade
o que defende os humildes
mostrando a luz da verdade
vai depressa perseguido
pelo dragão da maldade

Mas o ministro de Deus
possui o santo dever
de estar ao lado dos fracos,
suas causas defender
não é só salvar a alma
também precisa comer

Os poderosos não devem
oprimir de mais a mais,
a justiça é para todos
vamos lutar pela paz
ante os direitos humanos
todos nós somos iguais

A Igreja de Jesus
nos oferece orações
mas também precisa dar
aos humildes instruções
para que possam fazer
suas reivindicações

Veja meu caro leitor,
a maldade o quanto é:
o Padre Henrique ensinava
cheio de esperança e fé,
aquelas mesmas verdades
de Jesus de Nazaré

E foi por esse motivo
que surgiu a reação,
foi o instinto infernal
com a fúria do dragão,
que matou o nosso guia
de maior estimação

A 27 de maio,
o santo mês de Maria
no ano 69
a Natureza gemia
por ver o corpo de um padre
morto sobre a terra fria

Naquele dia de luto
tudo se achava mudado,
parece até que o Recife
se mostrava envergonhado
por ver que um triste segredo
estava a ser revelado

Rádio, TV e jornais,
nada ali noticiaram
porque as autoridades
estas verdades calaram
e o padre Antonio Henrique
morto no mato encontraram

Estava o corpo do padre
de faca e bala furado,
também mostrava ter sido
pelo pescoço amarrado
provando que antes da morte
foi bastante judiado

No mato estava seu corpo
em situação precária:
na região do lugar
Cidade Universitária
foi morto barbaramente
pela fera sanguinária

Por aquele mesmo tempo
muitos atos agravantes
surgiram lá no Recife
contra os jovens estudantes
que devem ser no futuro
da pátria representantes

Invadiram o Diretório
Estudantil, um recinto
Universidade Católica
de Pernambuco e, não minto,
foi atingido por bala
o estudante Cândido Pinto

Foi seqüestrado e foi preso
o estudante Cajá
o encerramento no cárcere
passou um ano por lá
Meu Deus! a democracia
deste país onde está?

Cajá o dito estudante
pessoa boa e benquista,
pra viver com os pequenos
deixou de ser carreirista
e por isto, o mesmo foi
taxado de comunista

Será que ser comunista
é dar ao fraco instrução,
defendendo os seus direitos
dentro da justa razão,
tirando a pobreza ingênua
das trevas da opressão?

Será que ser comunista
é mostrar certeiros planos
para que o povo não viva
envolvido nos enganos
e possa se defender
do jogo dos desumanos?

Será que ser comunista
é saber sentir as dores
da classe dos operários,
também dos agricultores
procurando amenizar
horrores e mais horrores?

Tudo isto, leitor, é truque
de gente sem coração
que, com o fim de trazer
os pobres na sujeição,
da palavra comunismo
inventa um bicho papão

Porém a Igreja dos pobres
fiel se comprometeu,
cada um tem o direito
de defender o que é seu,
para quem segue Jesus
nunca falta um Cirineu

Mostrando a mesma verdade
de Jesus na Palestina
o movimento se estende
contra a opressão que domina
sobre os nossos irmãos pobres
de toda América Latina

Quando Jesus Cristo andou
pregando sua missão
falou sobre a igualdade,
fraternidade e união,
não pode haver injustiças
na sua religião

Por este motivo a Igreja
nova posição tomou
dentro da América Latina
a coisa agora mudou,
o bom cristão sempre faz
aquilo que Deus mandou.

É justo por excelência
o Autor da Criação,
devemos amar a Deus
por direito e gratidão,
cada um tem o dever
de defender seu irmão

Por isto, os nossos pastores
trilham penosas estradas
observando de Cristo
suas palavras sagradas,
trabalhando em benefício
das classes desamparadas

Declarando dessa forma
a santa luz da verdade
para que haja entre todos
amor e fraternidade
e boa organização
dentro da sociedade

Pois vemos o estudante
pelo poder perseguido,
operário, agricultor,
o nosso índio querido
e o negro? Pobre coitado!
é o mais desprotegido

Vendo a medonha opressão
que vem do instinto profano,
me vem a mente o que disse
o grande bardo baiano
O Poeta dos Escravos
apelando ao Soberano

Senhor Deus dos desgraçados
dizei-me vós, Senhor Deus,
se é mentira, se é verdade
tanto horror perante os céus.

Meu caro leitor desculpe
esta falta que cometo,
me desviando do assunto
da história que lhe remeto,
o caso do padre Henrique,
motivo deste folheto

Se me desviei do ritmo,
não queira se aborrecer,
é porque as outras cousas
eu queria lhe dizer,
pois tudo que ficou dito,
você precisa saber

Mas, agora lhe prometo
com bastante exatidão,
terminar para o amigo
esta triste narração
contando tudo direito
sem sair da oração

Eu disse ao caro leitor
que foi no mato encontrado
nosso padre Antonio Henrique
de faca e bala furado,
agora conto direito
como ele foi sepultado

Na Igreja do Espinheiro
foi o povo aglomerado
e ao cemitério da Várzea
foi pelos fiéis levado
o corpo do padre Henrique
que morreu martirizado

Enquanto o cortejo fúnebre
ia levando o caixão
este estribilho se ouvia
pela voz da multidão:
“Prova de amor maior não há
que doar a vida pelo irmão”

Treze quilômetros a pé
levaram o corpo seu
lamentando lagrimosos
o caso que aconteceu
a morte de um jovem padre
que pelos jovens morreu

Ia naquele caixão
quem grande exemplo deixou
em defesa dos oprimidos
a sua vida entregou
e foi receber no céu
o que na terra ganhou

O corpo ia acompanhado
em forma de procissão
com as vozes dos fiéis
ecoando na amplidão:
“Prova de amor maior não há
que doar a vida pelo irmão”

A vida do padre Henrique
vamos guardar na memória
ele morreu pelo povo,
é bonita a sua história
e foi receber no céu
sua coroa de glória

Pensando no triste caso
entristeço e me comovo,
o que muitos já disseram
eu disse e digo de novo
o padre Henrique é um mártir
que morreu pelo seu povo

Prezado amigo leitor
esta dor é minha e sua
de ver morrer padre Henrique
de morte tirana e crua
porém a Igreja dos pobres
sua luta continua

Quem da Igreja do Espinheiro
Santa Casa de oração
ao cemitério da Várzea
palmilhar aquele chão
a 27 de maio
sentirá recordação

Do corpo de um padre jovem
conduzido em um caixão
e parece ouvir uns versos
com sonora entoação
“Prova de amor maior não há
que doar a vida pelo irmão”




                    

28 de maio de 2011

Loucura Sagrada


"Sonhei que o Papa enlouquecia
E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano
E à Basílica de São Pedro.

Loucura sagrada!

Porque Deus atiçava o fogo que os
Bombeiros, em vão, tentavam extinguir.
O Papa, louco, saia pelas ruas de Roma
Dizendo adeus aos embaixadores
Credenciados junto a ele
Jogando a Tiara ao tibre.
Espalhando pelos pobres, todos,
O dinheiro do banco do Vaticano.


Que vergonha para os cristãos!
Para que um Papa viva o Evangelho
Temos que imaginá-lo em plena loucura
.

8 de fevereiro de 2011

Novas utopias: Polêmica a vista


Recentemente foi lançado no mercado cultural um livro mediúnico trazendo as reflexões de um padre depois da morte, atribuído, justamente, ao Espírito Dom Helder Camara, bispo católico, arcebispo emérito de Olinda e Recife, desencarnado no dia 28 de agosto de 1999, em Recife (PE).

O livro psicografado pelo médium Carlos Pereira, da Sociedade Espírita Ermance Dufaux, de Belo Horizonte, causou muita surpresa no meio espírita e grande polêmica entre os católicos. O que causou mais espanto entre todos foi a participação de Marcelo Barros, monge beneditino e teólogo, que durante nove anos foi secretário de Dom Helder Câmara, para a relação ecumênica com as igrejas cristãs e as outras religiões.
Marcelo Barros secretariou Dom Helder Câmara no período de 1966 a 1975 e tem 30 livros publicados. Ao prefaciar o livro Novas Utopias, do espírito Dom Helder, reconhecendo a autenticidade do comunicante, pela originalidade de suas idéias e, também, pela linguagem, é como se a Igreja Católica viesse a público reconhecer o erro no qual incorreu muitas vezes, ao negar a veracidade do fenômeno da comunicação entre vivos e mortos, e desse ao livro de Carlos Pereira, toda a fé necessária como o Imprimátur do Vaticano.
É importante destacar, ainda, que os direitos autorais do livro foram divididos em partes iguais, na doação feita pelo médium, à Sociedade Espírita Ermance Dufaux e ao Instituto Dom Helder Câmara, de Recife, o que, aliás, foi aceito pela instituição católica, sem qualquer constrangimento.
No prefácio do livro aparece também o aval do filósofo e teólogo Inácio Strieder e a opinião favorável da historiadora e pesquisadora Jordana Gonçalves Leão, ambos ligados à Igreja Católica. Conforme eles mesmos disseram, essa obra talvez não seja uma produção direcionada aos espíritas, que já convivem com o fenômeno da comunicação, desde a codificação do Espiritismo; mas, para uma grandiosa parcela da população dentro da militância católica, que é chamada a conhecer a verdade espiritual, porque “os tempos são chegados”, estes ensinamentos pertencem à natureza e, conseqüentemente, a todos os filhos de Deus.
A verdade espiritual não é propriedade dos espíritas ou de outros que professam estes ensinamentos e, talvez, porque, tenha chegado o momento da Igreja Católica admitir, publicamente, a existência espiritual, a vida depois da morte e a comunicação entre os dois mundos.
Na entrevista com Dom Helder Câmara, realizada pelos editores, o Espírito comunicante respondeu as seguintes perguntas sobre a vida espiritual:
Dom Helder, mesmo na vida espiritual, o senhor se sente um padre?
Não poderia deixar de me sentir padre, porque minha alma, mesmo antes de voltar, já se sentia padre. Ao deixar a existência no corpo físico, continuo como padre porque penso e ajo como padre. Minha convicção à Igreja Católica permanece a mesma, ampliada, é claro, com os ensinamentos que aqui recebo, mas continuo firme junto aos meus irmãos de Clero a contribuir, naquilo que me seja possível, para o bem da humanidade.
Do outro lado da vida o senhor tem alguma facilidade a mais para realizar seu trabalho e exprimir seu pensamento, ou ainda encontra muitas barreiras com o preconceito religioso?
Encontramos muitas barreiras. As pessoas que estão do lado de cá reproduzem o que existe na Terra. Os mesmos agrupamentos que se formam aqui se reproduzem na Terra. Nós temos as mesmas dificuldades de relacionamento, porque os pensamentos continuam firmados, cristalizados em determinados pontos que não levam a nada.
Mas, a grande diferença é que por estarmos com a vestimenta do espírito, tendo uma consciência mais ampliada das coisas podemos dirigir os nossos pensamentos de outra maneira e assim influenciar aqueles que estão na Terra e que vibram na mesma sintonia.
Como o senhor está auxiliando nossa sociedade na condição de desencarnado?
Do mesmo jeito. Nós temos as mesmas preocupações com aqueles que passam fome, que estão nos hospitais, que são injustiçados pelo sistema que subtrai liberdades, enriquece a poucos e colocam na pobreza e na miséria muitos; todos aqueles desvalidos pela sorte. Nós juntamos a todos que pensam semelhantemente a nós, em tarefas enobrecedoras, tentando colaborar para o melhoramento da humanidade.
Como é sua rotina de trabalho?
A minha rotina de trabalho é, mais ou menos, a mesma.. Levanto-me, porque aqui também se descansa um pouco, e vamos desenvolver atividades para as quais nos colocamos à disposição. Há grupos que trabalham e que são organizados para o meio católico, para aqueles que precisam de alguma colaboração. Dividimo-nos em grupos e me enquadro em algumas atividades que faço com muito prazer.
Qual foi a sua maior tristeza depois de desencarnado? E qual foi a sua maior alegria?
Eu já tinha a convicção de que estaria no seio do Senhor e que não deixaria de existir.
Poder reencontrar os amigos, os parentes, aqueles aos quais devotamos o máximo de
nosso apreço e consideração e continuar a trabalhar, é uma grande alegria. A alegria do trabalho para o Nosso Senhor Jesus Cristo.
O senhor, depois de desencarnado, tem estado com freqüência nos Centros Espíritas?
Não. Os lugares mais comuns que visito no plano físico são os hospitais; as casas de saúde; são lugares onde o sofrimento humano se faz presente. Naturalmente vou à igreja, a conventos, a seminários, reencontro com amigos, principalmente em sonhos, mas minha permanência mais freqüente não é na casa espírita.
O senhor já era reencarnacionista antes de morrer?
Nunca fui reencarnacionista, diga-se de passagem. Não tenho sobre este ponto um trabalho mais desenvolvido porque esse é um assunto delicado, tanto é que o pontuei bem pouco no livro. O que posso dizer é que Deus age conforme a sua sabedoria sobre as nossas vidas e que o nosso grande objetivo é buscarmos a felicidade mediante a prática do amor. Se for preciso voltar a ter novas experiências, isso será um processo natural.
Qual é o seu objetivo em escrever mediunicamente?
Mudar, ou pelo menos contribuir para mudar, a visão que as pessoas têm da vida, para que elas percebam que continuamos a existir e que essa nova visão possa mudar profundamente a nossa maneira de viver.
Qual foi a sensação com a experiência da escrita mediúnica?
Minha tentativa de adaptação a essa nova forma de escrever foi muito interessante, porque, de início, não sabia exatamente como me adaptar ao médium para poder escrever. É necessário que haja uma aproximação muito grande entre o pensamento que nós temos com o pensamento do médium. É esse o grande de todos nós porque o médium precisa expressar aquilo que estamos intuindo a ele. No início foi difícil, mas aos poucos começamos a criar uma mesma forma de expressão e de pensamento, aí as coisas melhoraram. Outros (médiuns) pelos quais tento me comunicar enfrentam problemas semelhantes.
Foi uma surpresa saber que poderia se comunicar pela escrita mediúnica?
Não. Porque eu já sabia que muitas pessoas portadoras da mediunidade faziam isso. Eu apenas não me especializei, não procurei mais detalhes, deixei isso para depois, quando houvesse tempo e oportunidade.
Imaginamos que haja outros padres que também queiram escrever mediunicamente, relatarem suas impressões da vida espiritual. Por que Dom Helder é quem está escrevendo?
Porque eu pedi. Via-me com a necessidade de expressar aos meus irmãos da Terra que a vida continua e que não paramos simplesmente quando nos colocam dentro de um caixão e nos dizem “acabou-se”. Eu já pensava que continuaria a existir, sabia que haveria algo depois da vida física. Falei isso muitas vezes. Então, senti a necessidade de me expressar por um médium quando estivesse em condições e me fossem dadas as possibilidades. É isto que eu estou fazendo.
Outros padres, então, querem escrever mediunicamente em nosso País?
Sim. E não poucos. São muitos aqueles que querem usar a pena mediúnica para poder expressar a sobrevivência após a vida física. Não o fazem por puro preconceito de serem ridicularizados, de não serem aceitos, e resguardam as suas sensibilidades espirituais para não serem colocados numa situação de desconforto. Muitos padres, cardeais até, sentem a proteção espiritual nas suas reflexões, nas suas prédicas, que acreditam ser o Espírito Santo, que na verdade são os irmãos que têm com eles algum tipo de apreço e colaboram nas suas atividades..
Como o senhor se sentiu em interação com o médium Carlos Pereira?
Muito à vontade, pois havia afinidade, e porque ele se colocou à disposição para o trabalho. No princípio foi difícil juntar-me a ele por conta de seus interesses e de seu trabalho. Quando
acertamos a forma de atuar, foi muito fácil, até porque, num outro momento, ele começou a pesquisar sobre a minha última vida física. Então ficou mais fácil transmitir-lhe as informações que fizeram o livro.
O senhor acredita que a Igreja Católica irá aceitar suas palavras pela mediunidade?
Não tenho esta pretensão. Sabemos que tudo vai evoluir e que um dia, inevitavelmente, todos aceitarão a imortalidade com naturalidade, mas é demais imaginar que um livro possa revolucionar o pensamento da nossa Igreja. Acho que teremos críticas, veementes até, mas outros mais sensíveis admitirão as comunicações. Este é o nosso propósito.
É verdade que o senhor já tinha alguns pensamentos espíritas quando na vida física?
Eu não diria espírita; diria espiritualista, pois a nossa Igreja, por si só, já prega a sobrevivência após a morte. Logo, fazermos contato com o plano físico depois da morte seria uma conseqüência natural. Pensamentos espíritas não eram, porque não sou espírita. Sem nenhum tipo de constrangimento em ter negado alguns pensamentos espíritas, digo que cheguei a ter, de vez em quando, experiências íntimas espirituais.
Igreja – Há as mesmas hierarquias no mundo espiritual?
Não exatamente, mas nós reconhecemos os nossos irmãos que tiveram responsabilidades maiores e que notoriamente tem um grau evolutivo moral muito grande. Seres do lado de cá se reconhecem rapidamente pela sua hombridade, pela sua lucidez, pela sua moralidade. Não quero dizer que na Terra isto não ocorra, mas do lado de cá da vida isto é tudo mais transparente; nós captamos a realidade com mais intensidade. Autoridade aqui não se faz somente com um cargo transitório que se teve na vida terrena, mas, sobretudo, pelo avanço moral.
Qual seu pensamento sobre o papado na atualidade?
Muito controverso esse assunto. Estar na cadeira de Pedro, representando o pensamento maior de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma responsabilidade enorme para qualquer ser humano. Então fica muito fácil, para nós que estamos de fora, atribuirmos para quem está ali sentado, algum tipo de consideração. Não é fácil. Quem está ali tem inúmeras responsabilidades, não apenas materiais, mas descobri que as espirituais ainda em maior grau. Eu posso ter uma visão ideológica de como poderia ser a organização da Igreja; defendi isso durante minha vida. Mas tenho que admitir, embora acredite nesta visão ideal da Santa Igreja, que as transformações pelas quais devemos passar merecem cuidado, porque não podemos dar sobressaltos na evolução. Queira Deus que o atual Papa Ratzinger (Bento XVI) possa ter a lucidez necessária para poder conduzir a Igreja ao destino que ela merece.
O senhor teria alguma sugestão a fazer para que a Igreja cumpra seu papel?
Não preciso dizer mais nada. O que disse em vida física, reforço. Quero apenas dizer que quando estamos do lado de cá da vida, possuímos uma visão mais ampliada das coisas.
Determinados posicionamentos que tomamos, podem não estar em seu melhor momento de implantação, principalmente por uma conjuntura de fatores que daqui percebemos. Isto não quer dizer que não devamos ter como referência os nossos principais ideais e, sempre que possível, colocá-los em prática.Espíritas no futuro?
Não tenho a menor dúvida. Não pertencem estes ensinamentos a nossa Igreja, ou de outros que professam estes ensinamentos espirituais. Portanto, mais cedo ou mais tarde, a nossa Igreja terá que admitir a existência espiritual, a vida depois da morte, a comunicação entre os dois mundos e todos os outros princípios que naturalmente decorrem da vida espiritual.
Quais são os nomes mais conhecidos da Igreja que estão cooperando com o progresso do Brasil no mundo espiritual?
Enumerá-los seria uma injustiça, pois há base em todas as localidades. Então, dizer um nome ou outro seria uma referência pontual porque há muitos, que são poucos conhecidos, mas que desenvolvem do lado de cá da vida um trabalho fenomenal e nós nos engajamos nestas iniciativas de amor ao próximo.
Amor – Que mensagem o senhor daria especificamente aos católicos agora, depois da morte?
Que amem, amem muito, porque somente através do amor vai ser possível trazer um pouco mais de tranqüilidade à alma. Se nós não tentarmos amar do fundo dos nossos corações, tudo se transformará numa angústia profunda. O amor, conforme nos ensinou o Nosso Senhor Jesus Cristo, é a grande mola salvadora da humanidade.
Que mensagem o senhor deixaria para nós, espíritas?
Que amem também, porque não há divisão entre espíritas e católicos ou qualquer outra crença no seio do Senhor. Não há. Essa divisão é feita por nós, não pelo Criador. São aceitáveis porque demonstram diferenças de pontos de vista, no entanto, a convergência é única, aqui simbolizada pela prática do amor, pois devemos unir os nossos esforços.
Que mensagem o senhor deixaria para os religiosos de uma maneira geral?
Que amem. Não há outra mensagem senão a mensagem do amor. Ela é a única e principal mensagem que se pode deixar?
Livro: Novas Utopias
Autor: Dom Helder Câmara (espírito)
Médium: Carlos Pereira
Editora: Dufaux

http://www.blogdopaulonunes.com/v3/2011/02/07/novas-utopias-polemica-a-vista/#more-20116



1 de outubro de 2009

Maria Clara L. Bingemer - O Pacto das catacumbas

(Maria Clara Lucchetti Bingemer)

Neste ano em que se celebra o centenário de Dom Helder Câmara, muitaslembranças e recordações do grande Dom, que foi um dos presentes maiores deDeus à Igreja do Brasil têm sido desentranhados e trazidos à luz novamente.Limpos da poeira do esquecimento por nossa às vezes curta e ingrata memória,brilham como estrelas de primeira grandeza realimentando nossa vidaespiritual e nossa capacidade ética.

Talvez um dos mais importantes seja a re-visita do chamado Pacto dasCatacumbas.
No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, cerca de 40 Padres Conciliares celebraram umaEucaristia nas catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade aoEspírito de Jesus. Após essa celebração, firmaram o "Pacto das Catacumbas".
O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" - aos bispos presentes,portanto, - a levarem uma "vida de pobreza", a construir uma Igreja que sequeria "servidora e pobre", como sugeriu o papa João XXIII. Os signatários -dentre eles, muitos brasileiros e latino-americanos, sendo que mais tardeoutros também se uniram ao pacto - se comprometiam a viver na pobreza, arejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobresno centro do seu ministério pastoral.
O texto teve forte influência sobre a Teologia da Libertação, quedespontaria e floresceria nos anos seguintes.Um dos signatários,propositores e mesmo articuladores do Pacto foi Dom Hélder Câmara.
O belo texto do Pacto é altamente inspirador para toda a Igreja hoje comoontem. Aqui o transcrevemos do livro "Concílio Vaticano II", Vol. V, QuartaSessão (Vozes, 1966), organizado por Dom Boaventura Kloppenburg, pp.526-528.

PACTO DAS CATACUMBAS DA IGREJA SERVA E POBRE

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre asdeficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados unspelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar asingularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado;contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com aoração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses;colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante daIgreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, nahumildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda adeterminação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça,comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no queconcerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daíse segue.. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza,especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias dematéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., emnosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome dadiocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s..

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e materialem nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seupapel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores eapóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulosque signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...).Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28;23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquiloque pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferênciaqualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos,classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quemquer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou porqualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suasdádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na açãosocial. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração,meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos gruposlaboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que issoprejudique as outras pessoas e grupos da diocese.
Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chamaa evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e otrabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relaçõesmútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociaisbaseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas asexigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf.Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelosnossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturase as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e aodesenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, poraí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem edos filhos de Deus.. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica naassunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física,cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
· A participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentesdos episcopados das nações pobres;
· A requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mastestemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção deestruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletáriasnum mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem desua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida comnossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nossoministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
· Esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
· Suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundoo espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
· Procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
· Mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião.Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossosdiocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão,seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS. Com essas humildes e fervorosas palavrasterminavam os bispos seu pacto. Elas precediam suas assinaturas. Que amesma prece habite nosso coração e que o pacto das catacumbas, devidamenteadaptado a nosso estado de vida, quer sejamos leigos, religiosos ouclérigos, possa ser o norte de nossas vidas.

Fonte:
http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407&cod_canal=47> &cod_canal=47

7 de fevereiro de 2009

alguns videos sobre o "DOM"

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Ainda em clima de comemoração pelo centenário ai vão endereços de videos sobre o DOM no you tube:

Dom Helder Camara

parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=tWGG9H7bJfM&feature=related
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=nmqJNlk5w6Y&feature=related
parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=7TrXcW1N3oU&feature=related
100 anos do DOM pela Globo
http://www.youtube.com/watch?v=rDqgIJ9iHWg&feature=related
A Ditadira e o DOM
http://www.youtube.com/watch?v=dYVRZO2NZJI&feature=related
Mariama
http://www.youtube.com/watch?v=6-y0xKqAHTw&feature=related

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