"O pontificado de Bento XVI é o das oportunidades perdidas e não o das oportunidades aproveitadas", deplorou o teólogo, que se converteu, nos últimos dez anos, em um dos críticos mais férreos da Cúria Romana.

A reportagem é do sítio Religión Digital, 23-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Ao detalhar essas "oportunidades perdidas", Küng citou: "a aproximação com as Igrejas protestantes, o acordo duradouro com os judeus – ele fala deles como do povo deicida –, o diálogo aberto com os muçulmanos – qualificou o Islã de religião violenta e desumana – e a oportunidade de ajudar os povos africanos em sua luta contra a superpopulação mediante a contracepção e a utilização dos preservativos para lutar contra a Aids".
O teólogo também critica o Papa por fomentar o retorno da missa tridentina em latim e a prática da eucaristia dando as costas à assembleia de fiéis. "Não são em nada sinais de abertura", avalia.
Hans Küng, conhecido por seus posicionamentos liberais, em especial com relação ao celibato dos sacerdotes, afirma que está em "oposição leal" com o Papa, por quem diz sentir estima.
"É porque tenho estima por Ratzinger que me oponho a ele. Temos caminhos paralelos, ambos viemos de famílias católicas, conservadoras. Fizemos nossos estudos de teologia ao mesmo tempo. Éramos os dois mais jovens especialistas conciliares do Vaticano II. Em 1968, nossos caminhos divergiram. Os movimentos contestatários dos estudantes chocaram Ratzinger profundamente", lembrou.
"Ele voltou para a Baviera e tomou um caminho cada vez mais conservador. Ele se converteu em bispo e assumiu a direção da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele se encerrou há 30 anos nessa bolha conservadora que o isolou da realidade humana", acrescentou Küng.
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http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32733