O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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7 de dezembro de 2023

Maria: a mãe da humanidade


Ela é Maria, de muitos nomes e apelidos, mas sempre a mesma Maria. Não importa o manto que use, se branco ou Azul. Nem faz diferença se é negra e a chamam de Aparecida ou branca conhecida como senhora de Nazaré. Se ela é de Fátima ou de Lourdes, ou de lugares outros pouco conhecidos.


Ela é sempre a mesma mãe, seja a mãe zelosa católica do Perpétuo Socorro ou a mãe das águas, ora salgadas reverenciada como Yemanja, Odô Yá !  Ou até mesmo as águas doces que correm nos riachos e cascatas pelo imenso Brasil cultuada como Oxum, Ora Yê Yê Ô!


 Ela sempre será a mãe, a que disse SIM, e se tornou referência nos momentos de dor. A figura que transmite a ternura, a doçura, mas que guarda em si a força e a autoridade de quem

 “... dispersa os soberbos; derruba os poderosos de seus tronos/e eleva os humildes;/ sacia de bens os famintos, / despede os ricos sem nada. ” (Magnificat – Lucas 1:52-53)
Como diz o grande cantor e compositor Altay Veloso:
Esta Maria é “ cheia de Raça...não teve de graça o que recebeu
Quando alguém é um rio que gera um oceano
Não há nenhum tirano que arranque o que é seu
Um ventre quando se transforma em um santuário é revolucionário a meu modo de ver
Ninguém vai do parto ao santo sudário sem saber porque
Tem que ter a luz da humildade/ Cumplicidade, amor e revelia
Ninguém se torna mãe da cristandade sem a santa ousadia ...” 
( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

Ela é a Maria que nos adotou como filhos, nos fazendo irmãos de seu filho redentor. Ela tomou para si a tarefa de defensora de cada um dos humanos no tribunal da eternidade.




Que ela nos inspire sempre por sua força de permanecer de pé diante do sofrimento por ver covardia a que seu filho foi submetido.

“Divina mãe...estrela luminosa que perpetuou Belém
Guerreira mãe...nos dias de trevas nas ruas de Jerusalém...
Olhai por nós nas horas de tristezas, nos momentos de aflição
E derramai a poderosa força de vontade em nosso coração. ”  

( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

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12 de outubro de 2019

A Mãe surgida das águas. Uma mãe de Deus morena, como o povo desta nossa terra.



Hoje Mãe quero te venerar assim, simples, sem manto e coroa, como teu povo sofrido, os teus devotos que não tem o que vestir. Um povo que vive por teimosia e que mesmo lutando para sobreviver não cansa de te agradecer. Quero te venerar do jeito que você escolheu se apresentar aoteu povo.




Mãe negra, Yá querida, chegaste pelas mãos de simples pecadores, certamente os poderosos não te aceitariam, danificada, sem cabeça. Mas insististe, e num segundo arremesso, entregou sua cabeça aos pescadores assustados com tamanha Graça.



Foram perseguidos, caluniados e até precisaram te esconder da fúria dos sacerdotes oficiais e dos poderosos. Mas não cansaste de nos dar sinais, e como que por pura provocação, em um milagre, fez romper as correntes de um cativo, mostrando o teu horror pela escravidão.
Neste dia em que todos se voltam para tí, inspira àqueles que vão te reverenciar com a repugnância a todo tipo de escravidão, inspira a todos nós com os ideais da libertação.



Hoje somos todos caipiras, pescadores e ardentes devotos de tí Mãe que se fez negra para mostrar que a mãe de Deus não tem cor, ela tem todas as cores porque a sua verdadeira cor é a cor do amor.
Salve a mãe do Céu Morena, a senhora Aparecida!


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27 de junho de 2017

Mãe do Perpétuo Socorro




27 de junho: Maria, Mãe do Perpétuo Socorro.


Muitos autores afirmam que o primeiro Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi pintado em madeira por São Lucas, no século I, na época em que a VIRGEM MARIA morava em Jerusalém. Revela a tradição que Ela com o MENINO JESUS aos braços viu a pintura e apreciou muito, abençoando o artista e o seu trabalho.

Quando Lucas completou o Ícone, é tradição que ele deu de presente ao seu amigo pessoal e patrono Teófilo, e viajou em companhia de São Paulo, no prosseguimento do trabalho de evangelização.

Consta ainda de informações antigas, que em meados do século V, o Ícone da VIRGEM foi encontrado no Império Bizantino. Santa Pulquéria, que era Rainha e governava o país, ergueu um Santuário em honra da VIRGEM MARIA em Constantinopla, e segundo fontes fidedignas, aquele Ícone permaneceu lá por muitos anos, onde nossa MÃE SANTÍSSIMA era venerada por milhares de cristãos: reis, imperadores, santos e pecadores, homens, mulheres e crianças, ricos e pobres, e sobre todos derramava, uma quantidade incontável de graças, milagres e benefícios. Também neste período, se tem conhecimento de que já existia pelo menos uma copia do original, que se encontrava no salão imperial de audiências da Rainha em Constantinopla.

Por outro lado, desde longa data, a arte sempre foi influenciada pela religiosidade popular, e mais especificamente nos séculos XII e XIII, com muito fervor foi colocada em grande evidência a Natureza Humana de JESUS, sendo divulgados com frequência os sofrimentos da Paixão, o Drama do Calvário do SENHOR e as Dores de NOSSA SENHORA. Aqueles fatos tristes e terríveis centralizavam a devoção das pessoas, que pelo cultivo deles, revelavam a grandeza de seu piedoso amor e carinho a JESUS e a VIRGEM MARIA. Neste sentido, dois grandes Santos da época contribuíram exercendo uma forte influência com suas pregações, para que existisse de fato um acentuado exercício da devoção aos sofrimentos do SENHOR: foram São Bernardo de Claraval e São Francisco de Assis.
E esta ênfase foi sentida principalmente no Oriente, através da obra evangelizadora dos Padres Franciscanos. E desta realidade, resultou o aparecimento de uma manifestação artística denominada “Kardiotissa”, derivada da palavra grega (kardia ou kardio, que significa coração). Assim, a denominação artística “Kardiotissa” ou “Kariotissa”significava (revelar misericórdia e piedade, mostrar um sentimento de compaixão). Então, esta corrente de pintores colocava as imagens sacras de seus quadros, expressando algum tipo de dor e sofrimento em relação à Paixão do SENHOR.
Historicamente fomos encontrar informações fidedignas relacionadas à pintura de São Lucas, somente a partir desta época, e mais precisamente no ano 1207, num despacho do Papa Inocêncio III, em face da admirável quantidade de milagres que NOSSO SENHOR realizava, pela intercessão da sua MÃE, representada numa pintura em madeira, com o MENINO JESUS ao colo, que afirmavam ser a pintura de São Lucas. Sua Santidade o Papa declarou que “verdadeiramente a alma de MARIA parecia se encontrar na imagem, uma vez que era tão bonita e tão milagrosa”.
Segundo afirma a tradição, São Lucas era grego, da mesma maneira que os seus pais. Assim o estilo bizantino originário daquela região, estava por assim dizer, no seu sangue. Então, nos séculos XII, XIII e XIV, os pintores fizeram diversas cópias em madeira e tela, criando o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, procurando mesclar o estilo bizantino de Bizâncio, com aquela nova manifestação artística, buscando colocar expressões de sofrimento, dor e expectativa, nas faces da VIRGEM MARIA e do MENINO DEUS.
Importante, todavia, era que o poder da graça Divina continuava operando de maneira notável naqueles Ícones benzidos e consagrados, que se tornaram verdadeiros intercessores milagrosos. A VIRGEM MÃE DE DEUS continuou vivendo naquelas imagens, ajudando, socorrendo as necessidades das pessoas, protegendo, inspirando, e estimulando todos os seus filhos que buscavam a ternura de seu inefável afeto e tão querido amor.
Entretanto o Ícone original desapareceu misteriosamente. A tradição comenta que foi durante o cerco de Constantinopla.
A conquista da capital bizantina pelo Império Otomano, no dia 29 de Maio de 1453, causou o desaparecimento de diversas relíquias cristãs, de valor inestimável. Descreve a tradição que na véspera da queda da Cidade, durante o reboliço vivido pela multidão, cada pessoa se movimentava articulando alguma providência para escapar do cerco turco. À noite alguém se apossou do Ícone da VIRGEM e da Coroa Imperial, dos quais, nunca mais se teve qualquer notícia!
Este fato nos faz presente, que a passagem dos séculos não alterou e nem modificou o comportamento e a dedicação de MARIA em relação a humanidade, Ela continua demonstrado o mesmo carinho, a preciosa atenção e o perpétuo auxílio, através do Ícone pintado por São Lucas, assim como de todos os outros Ícones cópias e imagens, que visam, sobretudo, fazer com que Ela, a MÃE DE DEUS, seja mais conhecida e amada pelos seus filhos.
Assim o Ícone (“eikon”, palavra grega cuja tradução é imagem) de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO que normalmente conhecemos, é desse tipo: tradicional bizantino ligeiramente modificado pelo medieval estilo “Kardiotissa”. Nele observamos a VIRGEM MARIA segurando o MENINO JESUS aos braços, e ELE, com uma expressão de expectativa um pouco assustado, segurando fortemente com as duas pequenas mãos, o polegar direito de sua MÃE, e olhando na direção do Arcanjo Gabriel. O Arcanjo Gabriel está com a Cruz da Redenção e a esquerda da VIRGEM MARIA, está o Arcanjo São Miguel com os instrumentos da Paixão do SENHOR: a lança, o cravo de ferro, balde e a cana (vara de hissopo) com a esponja molhada no vinagre (conforme Jo 19, 29). Como uma criança assustada diante daqueles terríveis instrumentos de Sua Paixão, ELE deve ter se movimentado nos braços da MÃE e involuntariamente soltado de seu pé direito a sandália, que está dependurada. A face de NOSSA SENHORA é séria e triste, olhando em nossa direção, nos mostrando o seu pequenino e amoroso FILHO, e ao redor, os instrumentos da sua abominável flagelação e crucificação, suscitando nossa piedade e devoção, e nos convidando a lembrar sempre os motivos do sofrimento e das dores de JESUS para Redimir a Humanidade de todas as gerações. 
A Ilha de Creta na Grécia era uma possessão veneziana (Monarquia de Veneza na Itália) desde 1204. Pela facilidade de transporte e comunicação com a Europa, era o centro dominador da produção e distribuição de mercadorias entre o Oriente e o Ocidente.
No século XV, por volta do ano 1498, havia um Ícone muito bonito de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO numa Igreja na Ilha de Creta, que desde algum tempo vinha atraindo frequentadores e causando emoção pelos milagres de DEUS que aconteciam em face das orações, preces e suplicas do povo à MÃE DE DEUS na presença intercessora daquela imagem. Inclusive pessoas com elevada posição social afirmavam que aquele Ícone era o original pintado por São Lucas.  Ele já estava naquela Igreja há algum tempo e era conhecido e venerado por todas as pessoas. Um dia, um comerciante local, com sérios problemas financeiros, com planos de viajar para a Itália, roubou a imagem e a levou consigo num navio.
Por causa das embarcações não serem suficientemente resistentes, o percurso marítimo era margeando a costa do continente. Entretanto, já distante de Creta, se formou uma grande tempestade, e os marinheiros apavorados imploraram a misericórdia de DEUS, pedindo a NOSSA SENHORA que intercedesse por eles para salvar a embarcação e suas vidas. Suas preces foram ouvidas e eles foram salvos do naufrágio, sem saberem que dentro da embarcação existia uma cópia ou o original, do Ícone da VIRGEM DO PERPÉTUO SOCORRO.
O grego raptor da Imagem desembarcou em Veneza, e trabalhou durante um ano na cidade, quando decidiu mudar para Roma. A imagem seguia com ele, muito bem protegida. Instalado na Cidade Eterna há mais de quatro anos, em face do excesso de trabalho, pegou uma séria enfermidade, que se agravou na sequência dos meses.
Entre as amizades que formou, tinha um amigo especial, também grego como ele, que lá residia há mais de dez anos e inclusive tinha esposa e uma filha.  O raptor sabendo que seu estado de saúde não era bom abriu o coração e narrou ao amigo, à audaciosa aventura de sua vida: “Alguns anos passados, eu roubei um quadro com uma bela imagem da MADONNA na Igreja de Creta! Não era para vender. Estava atravessando uma fase infeliz nos negócios e queria uma proteção pessoal, a fim de ter coragem para me aventurar e desbravar outros horizontes. Não sou um fervoroso religioso, mas só de olhar a imagem, sempre senti crescer uma poderosa força dentro de mim. Por isso, agora doente, no fim da vida, peço levá-la a uma Igreja, e, por favor, descreva este fato apresentando as minhas desculpas. Eu lhe imploro que a imagem seja colocada numa Igreja onde o povo possa visitá-la e honrá-la”.
Assim que ele faleceu, o amigo encontrou o quadro e o levou para sua casa, a fim de mostrá-lo a sua esposa e juntos, escolherem a Igreja, aonde deveriam conduzi-lo. Mas, ao ver a imagem, a esposa ficou admirada e naquele primeiro momento não quis levar o Ícone da VIRGEM para uma Igreja. Na verdade, o casal não era muito religioso, rezavam às vezes, mas nunca seguidamente, por que também nada conhecia da obra de JESUS e da incomensurável grandeza do Amor Divino.
Aquele quadro foi colocado na parede da sala de refeições, e numa posição tão estratégica, que ao passar diante dele, ou estando à mesa durante as refeições, involuntariamente o olhar descansava na beleza invulgar e profunda da MÃE DE DEUS. E assim, o casal adquiriu a delicadeza de olhar a imagem da VIRGEM, sempre que se assentava a mesa. Como primeira manifestação, o casal começou a se persignar diante da imagem antes das refeições. Depois se acostumaram a trocar algumas palavras diante da Imagem, como se a colocassem participando do assunto. E às vezes, em silêncio, deixavam o coração falar... No silêncio da voz o ouvido do coração se abria com mais nitidez a resposta do SENHOR. Outras vezes, confiantemente suplicavam a VIRGEM pedindo a Divina proteção no trabalho, para vencer as dificuldades do cotidiano, conservando-lhes a boa saúde para a continuidade da caminhada existencial.
Certo dia, oito meses após a morte do amigo, junto ao Ícone da VIRGEM, o casal conversava e trocava idéias, sobre a necessidade de ser cumprida a vontade do falecido, como condição primordial, para se conseguir uma necessária paz interior e também, a amizade de NOSSA SENHORA. Eles já estavam frequentando a Igreja com mais pontualidade e até faziam algumas orações. Por esse motivo, naquele momento, contritos e decididos diante da Imagem da VIRGEM, receberam uma “Luz”, que entenderam ser o desejo de NOSSA SENHORA, que o quadro fosse colocado numa Igreja situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão.
Naquele mesmo dia 27 de Março de 1499, a imagem foi levada para a Igreja de São Mateus Apóstolo, no Monte Esquilino, uma das sete colinas de Roma, que estava situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão. Foi colocada entre duas lindas colunas de mármore preto de Carrara, logo acima de um magnífico altar de mármore branco.
E se constituiu numa maravilha, durante três séculos, desde 1499 até 1798, a Igreja de São Mateus, foi uma das mais procuradas pelos peregrinos que visitavam Roma, porque queriam rezar diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO.  
Entretanto, em 1796/1797, o exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte invadiu os Estados Pontifícios. Roma ficou diante da terrível ameaça do inimigo, a tal ponto que o Papa Pio VI, foi forçado a assinar um Tratado de Paz, o Tratado de Tolentino, em 17 de Fevereiro de 1797.
Todavia, um ano após a assinatura do Tratado, o general francês Louis Alexandre Berthier marchou sobre Roma e proclamou a "República Romana Livre". Ele mentiu, dizendo que não havia liberdade e que o povo estava escravizado. Mas na realidade, o pretexto da quebra do Tratado de Paz foi justamente o assassinato de um general da embaixada francesa em Roma, de nome Mathurin Léonard Duphot, num tumulto popular provocado por revolucionários franceses e italianos no dia 28 de Dezembro de 1797. E por esse motivo, pelo fato de ter mentido e ser muito autoritário, pouco depois, Berthier foi substituído pelo general francês André Masséna.
Em 03 de junho de 1798, o General André Masséna querendo espaço para instalações militares e administrativas na cidade, ordenou que trinta Igrejas fossem destruídas! Uma delas foi a Igreja do Apóstolo São Mateus, onde estava o Ícone da VIRGEM! Foram dias difíceis para os cristãos e as Ordens Religiosas. E como também o Mosteiro Agostiniano estava na relação e foi destruído, os Padres foram autorizados a retornar a Irlanda, a terra natal. Os monges se dividiram: alguns voltaram para a Irlanda, outros ficaram na Igreja Matriz de Santo Agostinho, em Roma e os demais, levaram o Ícone milagroso de NOSSA SENHORA e se mudaram para o Mosteiro de Santo Eusébio, que era pobre e antigo, necessitando de urgentes reparos e muita limpeza.
A imagem de NOSSA SENHORA ficou em Santo Eusébio durante 20 anos. O local foi tratado e ampliado, mas eram poucos monges que viviam ali e o povo quase não tinha acesso a imagem, e assim, também pelo fato de ser muito grande para eles, em 1819, o Papa Pio VII, pediu aos jesuítas para assumirem Santo Eusébio. O Santo Padre deu aos agostinianos a Igreja e o Mosteiro de Santa Maria, em Posterula, do outro lado da cidade, para onde os monges levaram a Imagem milagrosa da VIRGEM MARIA e a colocaram num lugar de honra na Capela do Mosteiro.
Entre os agostinianos estava Frei Agostinho Orsetti que era muito caprichoso e organizado, mantendo a sacristia e as imagens em Santa Maria, com o maior rigor de limpeza. Também treinava os coroinhas, ensinando-lhes o preparo e trabalho no Altar, durante a Santa Missa e primordialmente, o posicionamento correto e digno, nas celebrações e solenidades religiosas. Um dos coroinhas de nome Michael Marchi se tornou muito amigo do Frei Agostinho e sempre estavam conversando. O Frei sempre lhe dizia: “Michael, observe bem esta imagem. É um Ícone muito antigo. É a milagrosa VIRGEM MARIA que estava na Igreja do Apóstolo São Mateus, única imagem nesta cidade. Muitas pessoas vinham rezar diante dela e suplicar sua eficaz intercessão junto a DEUS. Lembre-se sempre do que estou lhe dizendo”.
Em 1854, a Ordem dos Redentoristas foi fundada por Santo Afonso de Ligório. Compraram uma área de terra no Monte Esquilino, no local chamado Villa Caserta, que por uma coincidência toda especial, a tal área também abrangia o local onde existiu a Igreja de São Mateus Apóstolo, onde o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi louvado e honrado por muitos cristãos.
Em 1855, Michael Marchi desejando se tornar sacerdote entrou na Ordem Redentorista. Em 25 de março de 1857, fez os votos de pobreza, castidade e obediência e continuou os seus estudos, sendo ordenado sacerdote no dia 2 de outubro de 1859.
Um dia, quando a Comunidade estava no recreio, um Padre mencionou que havia lido alguns livros antigos sobre uma Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA, que tinha sido venerada na antiga Igreja de São Mateus Apóstolo. Padre Michael Marchi com alegria falou para todos: "Eu sei sobre o Ícone milagroso da VIRGEM MARIA. Seu nome é NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e ele pode ser encontrado na Capela dos Padres Agostinianos, no Mosteiro de Santa Maria, em Posterula. Eu vi a imagem muitas vezes durante os anos de 1850 e 1851 quando ainda era um jovem estudante universitário e servi como coroinha, a Santa Missa em sua Capela”.
Em 7 de Fevereiro de 1863, Francis Blosi, um Padre jesuíta durante uma Santa Missa na Basílica de São João de Latrão, fez um sermão sobre a famosa imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Ele descreveu a imagem da VIRGEM MARIA, e disse: "Espero que alguém na multidão de fiéis que me ouve, saiba onde a imagem está! Se assim for, por favor, diga a pessoa que mantém o Ícone da MÃE DE DEUS escondido por setenta anos, que a VIRGEM ordenou ser este quadro colocado numa Igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e esta Basílica onde estamos, de São João de Latrão. Esperemos que a pessoa se arrependa de seu ato impensado e traga a Imagem para ser colocada no Monte Esquilino, a fim de que todos os fiéis novamente possam honrá-la."
O sermão do Padre Blosi logo ficou conhecido dos Padres Redentoristas. Sabendo que sua Igreja estava localizada próximo ao local da antiga Igreja de São Mateus Apóstolo, apressaram-se em levar a notícia ao Padre Mauron, que era o Superior Geral dos Redentoristas. Padre Mauron ouviu a notícia e sentiu uma grande alegria, mas não teve pressa. Ele orou por quase três anos para conhecer a Santa Vontade de DEUS, nesta importante questão.
Em 11 de dezembro de 1865, o Padre Mauron e o Padre Michael Marchi, pediram uma audiência ao Papa Pio IX. Ansiosamente, os dois padres, descreveram ao Papa, a história detalhada da imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Eles relembraram inclusive, que a VIRGEM MARIA manifestou o desejo de que a Imagem fosse colocada numa igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e São João de Latrão. Depois de ouvir toda a história, o Papa perguntou-lhes se tinham colocado aquela solicitação por escrito. Padre Mauron entregou a Sua Santidade, um documento que o Padre Marchi tinha escrito e assinado sob juramento.
Sensibilizado com aquela narrativa e tendo o Santo Padre o Papa Pio IX, um grande amor à VIRGEM MARIA, imediatamente pegou a folha de papel onde o Padre Marchi tinha escrito o seu testemunho, e de próprio punho, escreveu uma mensagem no verso do documento:
11 de Dezembro de 1865:
O Cardeal Prefeito vai convocar o Superior da pequena comunidade de Santa Maria, em Posterula e lhe dirá que é nossa vontade que a Imagem de MARIA SANTÍSSIMA, que esta petição trata, seja devolvida a Igreja situada entre São João de Latrão e Santa Maria Maggiore. Todavia, o Superior da Congregação do Santíssimo Redentor está obrigado a substituí-la por outra imagem adequada.
(assinado) O Papa Pio IX

O Papa falou e como é lógico, o caso foi encerrado. A MÃE DO PERPÉTUO SOCORRO, logo estaria em casa, depois de quase 75 anos distante. Na madrugada do dia 19 de Janeiro de 1866, Padre Michael Marchi e Padre Ernesto Bresciani atravessou a cidade de Roma, indo até Santa Maria, em Posterula, para obter a imagem sagrada.
Os agostinianos estavam tristes por ver a sua amada MADONNA partir, mas eles se regozijaram que NOSSA SENHORA voltasse a ser homenageada no lugar onde Ela desejava. Os monges agostinianos quiseram uma cópia exata da imagem original, e isso lhes foi dado pouco tempo depois, conforme a decisão do Santo Padre, o Papa.
Os Redentoristas de Santo Afonso esperaram alegremente pela chegada de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e sentiram uma grande felicidade sabendo que Ela ia permanecer definitivamente na sua Igreja. Mas, embora as cores do Ícone ainda estivessem brilhantes, havia muitos buracos de pregos na parte posterior do quadro. Um talentoso artista polonês, que viveu em Roma, foi convidado e restaurou a imagem, cujo trabalho terminou no princípio do mês de Abril.
Dia 26 de abril de 1866, Festa de NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO, uma grande procissão partiu do Mosteiro de Santo Afonso. Durante a procissão muitos acontecimentos milagrosos foram relatados. Uma pobre mãe vendo que a procissão se aproximava, pegou o seu filho de quatro anos de idade, que estava quase morto na cama, com uma doença no cérebro, com febre constante nas últimas três semanas, segurou firme a criança e levou-a até a janela. Quando a Imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO passou ela gritou: "Ó boa Mãe, quer curar o meu filho ou quer levá-lo consigo para o Paraíso?" Dentro de poucos dias o menino ficou totalmente curado. Ele foi com sua mãe a Igreja de Santo Afonso para acender uma vela de ação de graças no Santuário de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO.
Em outra casa uma menina de oito anos, estava aleijada e desamparada, desde a idade de quatro anos. Quando a procissão se aproximava e a Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA chegou perto, a mãe da criança ofereceu sua filhinha à SANTÍSSIMA VIRGEM. De repente, a criança sentiu uma grande mudança, e recuperou parcialmente o movimento de seus braços e das pernas. Ao ver isto, a mãe ficou muito confiante de que NOSSA SENHORA ia de fato ajudar a menina. No dia seguinte, logo pela manhã, levou a criança a Igreja de Santo Afonso e colocou-a diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Olhando para a Imagem, rezou: "Agora, ó minha Mãe MARIA, termine o trabalho que a Senhora começou." Ela mal tinha acabado de dizer as palavras e de repente à menina se levantou sobre seus pés, totalmente curada!
Na Igreja de Santo Afonso o Ícone da VIRGEM foi colocado no Altar mor. A Igreja estava toda decorada e o Altar feericamente iluminado com grande quantidade de velas. Terminada a procissão, foi celebrada uma solene Santa Missa de ação de graças e, em seguida, o senhor Bispo concedeu a bênção com o Santíssimo Sacramento.
No dia 05 de maio de 1866, o Papa fez uma visita pessoal ao Santuário para conhecer e rezar diante do Ícone da VIRGEM MÃE.
Anos após, um novo Altar de mármore em estilo gótico foi construído possuindo no centro superior uma magnífica decoração brilhante, com guarnição em ouro. Quando tudo estava terminado, o Ícone da VIRGEM MARIA foi carinhosamente colocado naquele lugar, onde se encontra até hoje. A primeira Santa Missa celebrada no novo Altar do Santuário foi no dia 19 março de 1871, Festa de SÃO JOSÉ.





Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


A devoção a Maria sempre foi uma devoção especial de Sto Afonso Maria de Ligório e  o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, desde que foi entregue à guarda dos Redentoristas é a devoção mariana mais forte na congregação.
Segue abaixo a descrição do ìcone em seus detalhes.

"Socorrei-nos ó Maria, dia e noite sem cessar, os doentes e os aflitos, vinde vinde consolar,
Vosso olhar a nós volvei, vossos filhos protegei"

 Ícone foi pintado no estilo bizantino da Igreja Oriental.
ivo desse estilo de arte não é mostrar uma cena ou pessoas, mas transmitir uma bela mensagem espiritual.

Explicação do simbolismo do Ícone
1. Em grego as letras significam: Mãe de Deus. 2. O quadro original foi coroado em 1867.
3. A estrela representa que Maria nos guia até Jesus, guindo-nos no mar da vida até o porto da salvação.
4. Abreviação de Arcanjo São Miguel.
5. O Arcanjo São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice da amargura.
6. A boca de Maria guarda silêncio.
7. Túnica vermelha cor da realeza.
8. O Menino Jesus segura as mãos de Maria que não segura as mãos do Menino Deus, permanecendo aberta nos convidando a por as nossas mãos na sua, unindo-nos a Jesus. Seus dedos apontam para seu Filho nos mostrando que Ele é o caminho.
9. Abreviação de Arcanjo São Gabriel.
10. Maria olha diretamente para você, não para Jesus, nem para o céu, nem para os anjos.
11. São Gabriel com a cruz e os cravos.
12. Abreviatura de Jesus Cristo em grego. 
13. Jesus veste roupas da realeza. O halo ornado com uma cruz proclama que ele é Jesus Cristo.
14. A mão esquerda de Maria sustenta Jesus: a mão do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.
15. A sandália desatada, simboliza a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e também a esperança de um pecador que agarrando a Jesus busca a Sua misericórdia. O Menino ainda levanta o pé, para não deixar a sandália cair, para salvar aquele pecador.
16. Manto azul, com o forro verde sobre a túnica vermelha são as cores da realeza. Somente a Imperatriz podia usar estas combinações de cores. O Azul também era o emblema das mães da época.
Todo o fundo dourado mostra a importância de Maria, é o simbolo de poder e nobreza, da glória do paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro da Santíssima Mãe de Deus.
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20 de junho de 2017

Sou caipira pirapora, Senhora Aparecida... Absurdo e Graça ao mesmo tempo.


Acabo de chegar da "Disneylândia da fé", se é que  se pode chamar assim aquele local magico que no passado me inspirava e me confortava e me dava forças para continuar seguindo em frente com a certeza de que Ela estaria intercedendo por todos os que a procuravam.
Não sei porque, mas ao passar por ela fiquei com a sensação de que ela está assim meio escondida, trancafiada naquele cofre. Também fiquei com a impressão de que a prendem lá porque se a deixassem livre ela iria fugir e voltar para a beira do Rio, na capelinha de taboas pobrezinha que os pescadores lhe deram.



Fiquei impressionado com o que Aparecida se tornou. A basílica é de uma suntuosidade que assusta. Não questiono a beleza e a genialidade da construção, do acabamento e dos afrescos belíssimos. Mas me choca tudo aquilo comparado à simplicidade e pobreza de muitos dos romeiros que vão lá pagar suas promessas e fazer seus pedidos.



                              


O comércio no entorno, dentro e fora dos limites do santuário são um verdadeiro shopping, com direito a estacionamento para 6000 veículos, praças de alimentação, Bob’s, McDonald’s e sei lá mais quantas outras marcas famosas de restaurantes e lanchonetes.





Para além disso há um verdadeiro centro de lazer da fé com museu de cera, cine 3D, teleférico, bondinhos e balsas para passear no rio onde Ela foi encontrada, tudo pago, nos moldes de qualquer centro de lazer e entretenimento.
Na verdade, eu fiquei muito pensativo e um tanto preocupado com a coerência com os fatos geradores, sejam eles o galileu, filho do carpinteiro José e da silenciosa Maria, ou a própria Maria que se revelou aos pobres pescadores do Rio Paraíba. Tenho a impressão que ambos não se sentiriam confortáveis em meio a tanta opulência e ostentação.



13 de maio de 2015

Maria de muitos nomes e de muitas visitas à nossa terra

Fátima-1917


Maria, mãe Maria, ou  como em seu poema dizia Teilhard de Chardim, Mãe Matéria.
 Aquela a quem Deus se serviu para materializar-se entre suas criaturas. Maria, o lado materno de Deus .



Hoje  dia 13 de Maio relembramos o fenômeno acontecido em Portugal no distante ano de 1917.
Três crianças e uma mulher revestida de sol  como está dito no livro do Apocalipse . Maria aparece e reaparece durante alguns meses, para as mesmas crianças e para um público cada vez maior.




              


                                                            




Não há dúvida é ela mesma. e como aconteceu tantas outras vezes e vem acontecendo também na atualidade em Medjugorje ela refaz o seu pedido. E na essencia é sempre o mesmo: não esqueçam a mensagem de meu filho. Ela pode dizer isso de inúmeras formas, mas em síntese sempre é esta a m


               




Sei que o que aconteceu em Fátima está cercado de ruídos, e não tenho dúvidas disso. Mas não ouso jogar fora o bebê junto com a água da bacia. Seria um desperdício. As aparições Marianas têm seu valor, e claro que sempre estarão envolvidas com as questões mais emergentes no mundo. Fátima com o Comunismo, Aparecida com a causa da escravidão, e assim por diante. Mas daí a negar os fenômenos, a ação do sobrenatural sobre a terra seria o mesmo que justificar a não crença em Jesus tendo em vista as questões entre Roma e os Judeus. 

   





Acredito na minha maneira de pensar que essas manifestações são sinais sobrenaturais da existência de algo que não entendemos. Negá-los seria assumir uma postura quase agnóstica. Eu prefiro vê-los da mesma forma que vi o papa lidando com esse sobrenatural, que fora da fé não tem explicação. Quando o sangue de São Genaro ou Januário se liquefez na ampola nas mãos de Francisco ele apressou-se em desfazer qualquer possibilidade de que se usasse o fenômeno para santificá-lo e logo disse: Só a metade do sangue ficou liquido, isso é sinal de que sou só metade santo e preciso me aprimorar mais.



Quando olho esses fenômenos marianos acontecendo ao longo do tempo recolho para mim a mensagem principal e que é comum a praticamente todas as aparições: Maria diz que é preciso que as pessoas se convertam a seu filho. E esta mensagem é a que importa. Importa porque vemos um mundo cada dia mais egoísta, mas materialista, submerso no capitalismo. Um mundo que se converte a Jesus é um mundo que precisa seguir os mandamentos d'Ele, que são simples e objetivos como ele mesmo ensinou: Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amo, nisso estão TODA a lei e TODA a profecia. 


O resto, é o resto. O que se acrescentar a isso faz parte da mentirada tão comum em nossos dias e da utilização herética de algo tão puro e belo que não devia servir para usos tão escusos.






23 de fevereiro de 2011

UMA IGREJA QUE MARIA PODE AMAR

por Nicholas D. Kristof
Nicholas D. Kristof é colunista do New York Times
Tradução: Rodrigo Garcia

É bom lembrar que o Vaticano não é sinônimo da Igreja Católica, que tem inúmeros exemplos de freiras, padres e leigos que realizam um grande trabalho em favor do próximo. Dia desses, ouviuma piada sobre um devoto que morre, vai para o céu e tem direito a uma audiência com a Virgem Maria. O visitante pergunta a Nossa Senhora por que, mesmo com todas as suas graças, ela sempre aparece nos quadros como se estivesse um pouco triste, um pouco melancólica: "Está tudo bem"? Maria tranquiliza o visitante: "Sim, tudo está ótimo. Nenhum problema, é só que nós sempre quisemos ter uma filha". Lembro-me da história nesse momento em que o Vaticano enfrenta as consequências de uma mentalidade patriarcal pré-moderna: escândalo, acobertamento e a autodefesa mais desastrada desde Watergate. É isso que ocorre com clubes de garotos velhos. Não era inevitável que a Igreja Católica crescesse tão vinculada ao domínio masculino, ao celibato e a hierarquias rígidas. O próprio Jesus se fixou mais nos necessitados do que nos dogmas; ele desviou-se de sua rota para ir ao encontro das mulheres e as tratava com respeito. A Igreja do primeiro século era inclusiva e democrática, englobando até mesmo uma ala e textos protofeministas. O Evangelho de Felipe, um texto gnóstico do século 3, afirma sobre Maria Madalena: "Ela era a quem o Salvador amava mais do que a todos os seus discípulos". Da mesma forma, o Evangelho de Maria (do início do século 2) sugere que Jesus confiou a Maria Madalena a tarefa de ensinar aos apóstolos suas pregações religiosas. São Paulo se refere, em Romanos 16, a uma mulher do primeiro século, chamada Júnias, como figura importante entre os primeiros apóstolos, e a uma mulher de nome Febe que trabalhava como diaconisa. A apóstola Júnias se tornou cristã antes de São Paulo (tradutores machistas às vezes usam o nome como se fosse de um homem, sem nenhuma base histórica para isso). Ao longo dos séculos seguintes, a Igreja se voltou para atitudes fortemente patriarcais, ao mesmo tempo que ficava cada vez mais desconfortável com a sexualidade. A mudança pode ter surgido com as igrejas sendo transferidas das casas, onde as mulheres eram naturalmente aceitas, para reuniões mais públicas. A consequência foi que os textos protofeministas não foram incluídos quando a Bíblia foi compilada e, em grande parte, ficaram perdidos até a época moderna. Tertuliano, um líder cristão primitivo, denunciou as mulheres como "a porta para o demônio", enquanto crônicas da época relatam que o eminente Orígenesde Alexandria levou sua devoção até um passo além e se castrou. A Igreja Católica de hoje ainda parece presa a esse comportamento patriarcal. A mesma fé tão pioneira, que teve Júnias como apóstola logo no primeiro século, não consegue atualmente sequer ter uma mulher como simples sacerdotisa de paróquia. Diaconisas, permitidas durante século, são proibidas hoje. O clube do garotos velhos do Vaticano ficou tão autocentrado quanto outros clubes de garotos velhos, como o Lehman Brothers, com resultados parecidos. E essa é a razão pela qual o Vaticano está cambaleando agora. Contudo, existe mais para ser mostrado do que isso. Em minhas viagens pelo mundo, encontrei duas Igrejas Católicas. Uma é a rígida hierarquia do Vaticano, composta apenas de homens, que parece estar fora da realidade quando proíbe preservativos até para casais casados quando um dos cônjuge é HIV positivo. Pelo menos para mim, essa Igreja –obsecada por dogmas e regras e afastada da justiça social – é uma repetição moderna dosfariseus que Jesus criticou. Mas também existe outra Igreja Católica, que admiro intensamente. Essa é a Igreja Católica das bases, que faz muito mais coisas boas para o mundo do que recebe em créditos. É a Igreja que apoia extraordinárias organizações de ajuda, como a Catholic Relief Services (CRS) e a Caritas, salvando vidas todos os dias, e que mantém escolas fantásticas, garantindo a crianças necessitadas uma escada para sair da pobreza. É a Igreja de freiras e padres no Congo, trabalhando no anonimato para alimentar e educar crianças. É a Igreja do padre brasileiro que combate a aids e que me disse que, se fosse papa, ergueria uma fábrica de preservativos no Vaticano para salvar vidas. Essa é a Igreja das irmãs Maryknoll , na América Central, e das irmãs Cabrini na África. Existe um estereótipo de freiras como tradicionalistas vitorianas enfadonhas. Eu vi o contrário na Suazilândia – enquanto me agarrava à vida no banco de passageiros e uma irmã norte-americana, com pé de chumbo, dirigia seu jipe por entre picadas e cruzava riachos para visitar órfãos da aids. Após vários encontro como esses, comecei a crer que as pessoas mais divertidas e interessantes do mundo podem ser freiras. Então, quando você ler sobre os escândalos, lembre-se que o Vaticano não é a mesma coisa que a Igreja Católica. Leprosos, prostitutas e moradores de favelas talvez nunca vejam um cardeal, mas diariamente encontram um verdadeiro nobre da Igreja Católica na forma de padres, freiras e membros leigos lutando para fazer a diferença. É a última chance do Vaticano se inspirar nesse sublime – até divino – lado da Igreja Católica, com seus membros cuja grandeza se baseia não em suas vestes, mas em seu altruísmo. Eles são o suficiente para fazer a Virgem Maria sorrir.
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"O nosso testemunho no campo missionário e político é estarmos ao lado dos deserdados, sofrendo com os que sofrem, chorando com os que choram, nos alegrando com os que se alegram" - Paulo Wright - cristão e subversivo