O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *
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22 de abril de 2016

Golpismo na década de 50

curiosidades politicas







DÉCADA DE 50.O GOLPE QUE TENTARAM APLICAR NA PETROBRAS. SABE O QUE O POVO FEZ? LEIA!



Você sabe quem criou a Petrobrás?
A Petrobras foi criada em outubro de 1953, através da Lei 2004, sancionada pelo presidente Getúlio Vargas.
Sabe porque ele se suicidou? O Globo, um bandido chamado Lacerda (a serviço dos EUA) e uma corja que vivia lá na capital do Brasil, que ainda era o RJ, buscavam de todas as formas e todos os dias boicotar o Brasil e a Petrobrás.
Olha na imagem acima a reação do povo contra O Globo, quando da morte de Getúlio Vargas.
Tu meu bom coxinha pseudo-intelectual, que não lê História, tem os olhos vendados pelo PIG e não sabe da missa um terço sobre “de quando” vem o golpismo contra nosso país e contra o nosso Petróleo, te informa aí com a História, inocente coxinha.
Aprende aí com a História em imagem na tua tela e trata de se informar para deixar de dar uma de “sabidão” nas redes sociais sem sequer conhecer a história de teu próprio país!
Nada como a HISTÓRIA para abrir corações e mentes obscurecidas por uma mídia que escraviza em plena era da informação.

17 de abril de 2016

Um certo dia 17 de abril de 2016: o dia do Golpe


Aí eu pergunto, perguntar não ofende:
o povo conquistou a independência,
ou ela foi imposta pelo filho do Rei?
O Povo conquistou a república,
ou ela foi conquistada pelo marechal?
O Povo conseguiu acabar com as ditaduras ?
E as diretas? O povo conquistou?
Com a experiencia de quem foi as ruas em 68 e não conseguiu nada, voltou as ruas pelas diretas e mais uma vez nada, e agora nas ruas voltamos a ver que é sempre a vontade dos poderosos que nos impõe os rumos desta nação...
Ou começamos a pensar seriamente em educar para cidadania as crianças do curso fundamental ou jamais mudaremos a história deste País.
A sensação é de que não há vitoriosos hoje, todos perdemos, unsa agora os outros vão tomar consciencia daqui há alguns meses.
Eu já não espero mais mudanças, na minha idade, na versão 6.5 não vai dar mais tempo. mas sinceramente sonho ainda com uma nação livre e soberana com igualdade para todos e para minha neta que está a caminho.
Que Deus possa olhar por esse Brasil tão sofrido de tanta desigualdade . Que um dia a justiça seja soberana para que o sonho de Dom Bosco e as metas de Ismael possam acontecer e ai sim, sermos uma verdadeira nação, pátria do evangelho e coração do mundo.
Por hora só me resta cantar:
" A sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi (a minha) mocidade perdida..."

Ensina a teu filho FREI BETTO

Ensina a teu filho (FREI BETTO)
 O Estado de S. Paulo
Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.
Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa.
Saiba o teu filho que, no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pela ética no cargo que lhes foi confiado.
Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.
Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais férteis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.
Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédios públicos são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.
Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.
Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.
Ensina teu filho a evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que nos tenta incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética.
Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.
Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz se se unir àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.
Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem e, se a maioria tiver a mesma reação, será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.
Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito. Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.

Uma noite de vigília pelo Brasil


Nesta noite de muitas esperanças, 
temores e vigílias, quero pedir a a nossa Mãe do Céu Morena, 
que tome em suas mãos e envolva com seu manto 
a nação que é o coração do mundo, a pátria do evangelho 
o laboratório onde a mistura de tantas raças 
demonstra que somos todos iguais na irmandade e na filiação ao Pai Maior.

Que esta nação de tantas crenças 
de tanta diversidade 
possa atravessar esse vale escuro 
e ser guiada pelas mãos do divino mestre 
e encontrar a Luz da justiça e da fraternidade.

Que a nossa pátria 

que ostenta no céu o Cruzeiro 
possa comemorar a vitória da liberdade, 
da legalidade e da igualdade 
entre todos os seus filhos.

Que assim seja, Amém!]

Boa noite a todos !

19 de dezembro de 2015

É preciso parar esta onda que espalha mau humor e ódio !

J. Ricardo A. de Oliveira


Hoje no supermercado eu no caixa vi uma cena que me deu o que pensar.
Uma senhora perguntou a um senhor se aquela fila era a fila dos idosos. 
Ele olhou-a de alto a baixo e mandou: 
Porque, tá querendo entrar aqui? Vê se toma vergonha que você é muito nova.
A senhora visivelmente envergonhada olhou para ele e disse: 
Senhor eu só fiz uma pergunta.
E de volta ele vociferou:
É se colar colou , né ?
Ela educadamente respondeu: 
Eu tenho sessenta e dois anos tenho direito a entrar nesta fila, não entrei na sua frente, só perguntei...
E Ele:
Que sessenta o escambau que você não tem cara de sessenta. Novinha querendo passar a perna nos outros
.

 A essa altura a senhora já tinha ido para uma outra fila mais distante, mas isso não impediu que as pessoas ao redor do tal velho continuassem a falar absurdos. A senhora já transformada em “aquela zinha”, ou “a espertinha” e outros absurdos até lógico chegar nas críticas ao governo, à presidente e tudo o que temos visto e ouvido no nosso dia a dia.
Lembrei de que ainda nesta semana que passou presenciei esse tipo de discussão com certa frequência na rua e até mesmo uma briga, entre duas mulheres que rolavam no chão até um ambulante, vendedor de empadas, resolver interferir, e mesmo levando uns tapas de ambas, conseguiu separar aquela cena grotesca. Vi gente brigando e aos palavrões impedir o transito em plena Praça Saens Peña. Parece que todos estão com os nervos à flor da pele.

Percebo que a semente que vem sendo lançada há alguns anos parece que começa a germinar. São anos e anos de noticiários despejando desgraças, e coisas desagradáveis diariamente, notícias sobre escândalos, roubalheira. É como se houvesse uma programação para incutir na cabeça das pessoas que não temos saída, que tudo vai muito mal. Que não devemos acreditar que podemos ter dias felizes e que vivemos em um lugar maravilhoso invejado por todo mundo.



Toda essa situação de ódio, revolta parece atender a uma programação.  Sempre fomos um povo cordato, hospitaleiro, que gosta de festa, de futebol e extremamente alegre. A Alegria sempre foi a marca dos brasileiros, sempre sorridentes e que em qualquer lugar fazem a diferença quando em grupo. Fico com a impressão de que estamos perdendo esta característica. O que venho percebendo nas ruas é um ódio crescente, um constante mal humor, como se os todos estivessem prontos para explodir. Ainda outro dia, andando pela rua esbarrei de leve em uma senhora e já estava me virando e dizendo “me perdoe senhora”, mas não deu tempo. A reação dela foi de aos berros dizer: seu idiota não olha por onde anda sua cavalgadura? 

Não sei, ou não quero acreditar que saiba, a quem interessa este estado de coisas. A Única coisa que sei é que precisamos mudar esta situação. É urgente voltar ao estado de ânimo que tínhamos, à alegria de viver, a àquele espírito característico que provocava nos estrangeiros o comentário: “são brasileiros”, como se isso explicasse tudo.

Tenho muitos amigos virtuais e em sua maioria são professores, terapeutas, sacerdotes católicos ou protestantes, dirigentes espíritas e de cultos afro. Gente que fala ao povo, que tem um espaço para fazer alertas e esclarecer. Penso que eles poderiam ajudar na conscientização das pessoas. Serem anunciadores da necessidade de olharmos o mundo com olhos mais compassivos e alegres. Acredito que poderiam dedicar uma parte de suas falas à restauração do bom humor, da esperança e do sonho. A alegria, como aliás o Papa Francisco tem alertado, é fundamental para a vida, para a saúde e para a construção de um mundo melhor.
 Façamos então todos nós uma cruzada contra o mau humor, vãos rejeitar toda essa campanha de más notícias, de notícias de desgraças, vamos parar de falar de desgraças,
Vamos investir em dias melhores, em sonhos que abandonamos e projetos que deixamos de acreditar. Vamos juntos construir um mundo novo acreditando que um outro mundo é possível.

7 de novembro de 2015

A mentira que vivemos



Vídeo Excelente,para assistir mais de uma vez.

Deveria ser obrigatória a exibição deste filme nas escolas seguido de debate,

 enquanto há tempo...





8 de setembro de 2015

Não ao Genocídio


7 de setembro de 2015

Já podeis da pátria filhos, ver contente a mãe gentil.

Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil ?
( J. Ricardo A. de Oliveira)


Os desinformados ou mal intencionados não se dão conta que o Brasil neste momento da história é um porto seguro para o resto do mundo que parece estar desabando. EUA e Europa em meio a crise, o El expulsando e matando milhares de pessoas na Síria. O continente Africano em convulsão, China desabando e nós aqui tendo que conviver com os “riquinhos” batedores de panela que acham que temos o pior pais do mundo .
Somos uma ilha de prosperidade, mostramos ao mundo que podemos reverter crises e acabar com a fome. O Brasil é verdadeiramente a o CORAÇÃO DO MUNDO e a PÁTRIA DO EVANGELHO.
Não permitamos que as forças das trevas desviem o caminho anunciado por Dom Bosco e por Ismael. Não podemos nos desviar pelos caminhos da ilegalidade e do golpe. A vontade do povo tem que ser respeitada, para isso existem as urnas e as leis. É preciso preservar a DEMOCRACIA para garantir nossa INDEPENDÊNCIA.
Viva o Brasil!


3 de abril de 2015

Neste ano a Sexta feira santa, aconteceu numa quinta...



Estarrecido abro o meu computador no final da noite desta quinta feira santa e vejo , ouço os gritos de uma mãe desesperada. Em seguida a cena  nos transporta para uma criança morta em meio a uma poça de sangue.
Não, não é um filme,  não é na palestina, não foi o EI , nem qualquer outro exercito palestino...
Foi aqui, bem ao nosso lado, na palestina brasileira, no Alemão...

Hoje agora pela manhã mais uma vez, abro o meu computador tentando me esquivar daquela cena que  ainda não saiu da minha cabeça e leio:

Os “esquerdinhas” choram a morte do menino da favela, mas não dizem nada pela morte do filho do governador Alkimin !

Será que SÓ os “esquerdinhas” se chocam com a morte violenta de um menino de 10 anos?
Os “direitinhas” já não se chocam mais com barbáries deste tipo ? Perderam sua capacidade de se indignar, ou isso para eles é seletivo? Em essência não são pessoas iguais ou a escolha da cor política muda também o caráter , a personalidade e a sensibilidade das pessoas ?
Meu Deus, meu Deus, porque nos abandonastes ?
 Não há dúvida que a morte do filho do governador de S. Paulo é algo a se lamentar, a perda de um filho é algo que não faz parte dos planos normais da vida de ninguém. O governador merece nossas condolências, nossos pêsames mais sinceros. Nesta hora de dor não há partidos só inteiros !
Mas meu Deus ! será que são coisas comparáveis, além da dor da perda de um filho?  A morte do filho de Geraldo Alkimin é uma fatalidade, um acidente,  não foi provocada ! Não foi morte MATADA , como diria João Cabral de Melo Neto.   A do menino do Alemão é fruto da truculência, é fruto de um sistema social completamente fora de propósito que divide pessoas pelo seu poder de compra, pelo fato de ter ou não conta bancária, investimentos, poder econômico de consumo.   Se delitos  esse menino cometeu, sua tenra idade nos indica que certamente um adulto o colocou no desvio. E este desvio certamente vem de longe, não tem sua origem ali, como nos querem fazer acreditar que os donos do tráfico estão nas comunidades, nas favelas.    Todos nós sabemos que não. Nunca uma batida policial numa favela encontrou meia tonelada de pó !!!

Há algo mito sinistro em toda essa história, algo muito maldoso, querem nos fazer pensar que os meninos pobres são facínoras , que a maioridade penal deve  ir pra os 16, 14... Ou quem sabe 10 como o menino morto  ontem ? Mas  curiosamente os “meninos”  de 18/19 anos que queimam índios e mendigos, que estupram empregadas domésticas nos pontos de ônibus de bairros de poder aquisitivo mais alto, ficam sistematicamente  I M P U N E S !
Há momentos que penso que estou ficando senil , que alguém mudou a ordem do mundo. Aliás o mano Caetano já havia cantado que : “ alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”

 Hoje é Sexta Feira Santa, certamente  a pessoa que escreveu sua revolta pelos “esquerdinhas” terem se indignado pela morte daquele “marginalzinho” de dez anos, vai piedosamente  se ajoelhar diante da cruz, e talvez até chorar pelo martírio daquele que ela apregoa como seu Deus. Vai beijar a cruz hipocritamente. Sim hipocritamente porque não consegue entender o que Jesus disse com  todas as letras: “TODAS AS VEZES QUE FIZERDES A UM DE MEUS PEQUENINOS É A MIM  QUE O FAREIS.”
Eu espero e rezo a Deus que não só os esquerdinhas, que são tachados de ateus, nos ajoelhemos  diante do menino de dez anos do alemão, porque ao fazer isso estaremos diante do mestre da Galileia, do Raboní Joshua, mais uma vez martirizado como tantas vezes vem sendo ao longo destes mais de dois mil anos pelos becos de uma Jerusalém que ocupa todos os espaços deste nosso planeta que perdeu o caminho do AMOR, como Ele nos amou .

 Deixo aqui  aos pé da cruz a minha revolta e as minhas orações para aquela mãe desesperada que gritava ontem pelas ruas do alemão e também a minha solidariedade, meus sentimentos e a promessa de minhas orações também à família do governador de  São Paulo pela perda de seu filho.

Que Deus tenha compaixão de nós,  perdoe nossos pecados e nos conduza,  porque continuamos não sabendo o que fazemos .

22 de maio de 2012

Cristovam Buarque - A POBREZA DA RIQUEZA

Cristovam Buarque

Em raros países os ricos dispõem de tanta ostentação quanto no Brasil. Apesar disso,
os ricos brasileiros são pobres.
São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os
exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado
dos ônibus de subúrbio. E às vezes são assaltados, seqüestrados e mortos nos sinais
de trânsito.
Presenteiam belos carros a seus filhos, mas não dormem tranqüilos enquanto eles não
chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por
arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se
vivessem nos tempos dos castelos medievais.
Os ricos brasileiros usufruem privadamente de tudo que a riqueza lhes oferece, mas
vivem encalacrados na pobreza social.
Nas sextas-feiras, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da
Europa não poderiam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que por
perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a comer em
restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam
de jantar escondidos, são obrigados a tomar o carro na porta, trazido por um
manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro e seguir até
o bar preferido para conversar sobre o que viram.
Não é raro que o rico seja assaltado antes de terminar a refeição, ou no caminho de
casa.
Quando isto não acontece, a viagem é um susto até quando se abriu o portão
automático, como as antigas pontes levadiças dos castelos medievais. E, às vezes, o
susto continua dentro de casa. Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por
mais riquezas que acumulem no presente, são pobres  na falta de segurança para
usufruir seu patrimônio e no susto permanente diante das incertezas em que os filhos
crescerão.
O rico brasileiro fica menos rico de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os
desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas provocam em termos de
insegurança e ineficiência. No lugar de usufruir todo o seu dinheiro, é obrigado a
gastar uma parte dele para proteger-se de perdas que sua riqueza provoca. Por causa
da pobreza ao redor, os ricos brasileiros vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos
têm que ficar mais pobres, gastando cada vez mais dinheiro apenas para se proteger
da realidade hostil e ineficiente.
Quando viajam ao exterior, se tiverem um mínimo de informação, os ricos sabem que
no hotel onde se hospedarão serão vistos como destruidores de florestas na
Amazônia, usurpadores da maior concentração de renda no planeta, assassinos de
crianças na Candelária, portadores de malária, dengue, verminose. São ricos
empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.
Porém, a maior pobreza dos ricos brasileiros encontra-se em sua incapacidade de
enxergar a riqueza que há nos pobres.
Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, há cem
anos, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado o
direito de trabalhar a imensa e ociosa terra de que o país dispunha. Se tivessem
percebido esta riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros
teriam abolido a pobreza que os acompanha ao redor  da riqueza. Se os latifúndios
tivessem sido colocados à disposição dos braços dos 34 ex-escravos, a riqueza criada
teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração
descontrolada, com uma população sem miséria.
A pobreza de visão dos ricos impediu-os de ver a riqueza que há na cabeça de um
povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar  a riqueza só deles e ficaram
pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos
equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de
compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor. Muito mais ricos seriam os ricos se
vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.
Achando que ao comprar água mineral se protegiam das doenças dos pobres, os ricos
construíram viadutos para seus carros com o dinheiro que teria permitido colocar água
e esgoto nas casas do povo. Montam modernos hospitais, mas têm dificuldades para
evitar infecções decorrentes da falta de esgotos nas cidades. Com a pobreza de achar
que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da
doença.
Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave
que a maior parte deles não percebe. Por isso, a pobreza de espírito tem sido o maior
inspirador das decisões governamentais das pobres elites ricas brasileiras.
Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os
ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos
nteresses de nossas massas. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil nteiro,
pois os pobres sairiam da pobreza e os ricos sairiam da vergonha, da insegurança, da
ineficiência e da insensatez.
Mas talvez isto seja querer demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste
pobreza em que usufruem suas malditas riquezas.
Disponível em: http://www.portalbrasil.net/reportagem_cristovambuarque.htm
Texto do livro “Os Instrangeiros”, de Cristovam Buarque, editora Garamond.

20 de maio de 2012

Cristovam Buarque - O Rico Pobre

Cristovam Buarque 
(O Globo 12.02.01)

Em nenhum outro país os ricos demonstraram mais ostentação que no Brasil. Apesar disso, os brasileiros ricos são pobres. São pobres porque compram sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos ônibus de subúrbio. E, às vezes, são assaltados, seqüestrados ou mortos nos sinais de trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos e não voltam a dormir tranqüilos enquanto eles não chegam em casa. Pagam fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em turnos.

Os ricos brasileiros usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social.

Na sexta-feira, saem de noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não conseguiriam freqüentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando terminam de
comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta, trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que viram.

Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.

Os ricos brasileiros são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem no presente, são pobres na
falta de segurança para usufruir o patrimônio no futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos crescerão.

Os ricos brasileiros continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para corrigir os desacertos criados pela
desigualdade que suas riquezas provocam: em insegurança e ineficiência.

No lugar de usufruir tudo aquilo com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve apenas para evitar perdas. Por causa da pobreza ao redor, os brasileiros ricos vivem um paradoxo: para ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas para se proteger da realidade hostil e eficiente.

Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão serão vistos como assassinos de crianças na Candelária, destruidores da Floresta Amazônica, usurpadores da maior concentração de renda do
planeta, portadores de malária, de dengue e de verminoses. São ricos empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos estrangeiros.

Na verdade, a maior pobreza dos ricos brasileiros está na incapacidade de verem a riqueza que há nos pobres. Foi esta pobreza de visão que impediu os ricos brasileiros de perceberem, cem anos atrás, a riqueza que havia nos braços dos escravos libertos se lhes fosse dado direito de trabalhar a imensa quantidade de terra ociosa de que o país dispunha. Se tivesse percebido essa riqueza e libertado a terra junto com os escravos, os ricos brasileiros teriam abolido a pobreza que os acompanha ao longo de mais de um século. Se os latifúndios tivessem sido colocados à disposição dos braços dos ex-escravos, a riqueza criada teria chegado aos ricos de hoje, que viveriam em cidades sem o peso da imigração descontrolada e com uma
população sem miséria.

A pobreza de visão dos ricos impediu também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo, desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram pobres: contraam trabalhadores com baixa produtividade, investem em modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o mundo, não sabem construir um novo
país que beneficie a todos. Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos fossem educados.

Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades, achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres. Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país doente e vivem no meio da doença.

Há um grave quadro de pobreza entre os ricos brasileiros. E esta pobreza é tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres ricas elites brasileiras.

Se percebessem a riqueza potencial que há nos braços e nos cérebros dos pobres, os ricos brasileiros poderiam reorientar o modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto, contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria o Brasil inteiro - os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam
da vergonha, da insegurança e da insensatez.

Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas.

Cristovam Buarque, professor da UNB, é autor do livro "A desordem do progresso". (Jornal O Globo, Opinião, pág. 7 - 12/02/2001).

21 de julho de 2011

Por que os brasileiros não reagem?

Juan Arias
http://www.tribunadaimprensa.com.br/?p=20832
O fato de que em apenas seis meses de governo a presidente Dilma Rousseff tenha tido que afastar dois ministros importantes, herdados do gabinete de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva (o da Casa Civil da Presidência, Antonio Palocci – uma espécie de primeiro-ministro – e o dos Transportes, Alfredo Nascimento), ambos caídos sob os escombros da corrupção política, tem feito sociólogos se perguntarem por que neste país, onde a impunidade dos políticos corruptos chegou a criar uma verdadeira cultura de que “todos são ladrões” e que “ninguém vai para a prisão”, não existe o fenômeno, hoje em moda no mundo, do movimento dos indignados.
Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam? Não lhes importa que tantos políticos que os representam no governo, no Congresso, nos estados ou nos municípios sejam descarados salteadores do erário público? É o que se perguntam não poucos analistas e blogueiros políticos.
Nem sequer os jovens, trabalhadores ou estudantes, manifestaram até agora a mínima reação ante a corrupção daqueles que os governam.
Curiosamente, a mais irritada diante do saque às arcas do Estado parece ser a presidente Rousseff, que tem mostrado publicamente seu desgosto pelo “descontrole” atual em áreas do seu governo e tirou literalmente – diz-se que a purga ainda não acabou – dois ministros-chave, com o agravante de que eram herdados do seu antecessor, o popular ex-presidente Lula, que teria pedido que os mantivesse no seu governo.
A imprensa brasileira sugere que Rousseff começou – e o preço que terá que pagar será elevado – a se desfazer de uma certa “herança maldita” de hábitos de corrupção que vêm do passado.
E as pessoas das ruas, por que não fazem eco ressuscitando também aqui o movimento dos indignados? Por que não se mobilizam as redes sociais?
O Brasil, que, motivado pela chamada marcha das Diretas Já (uma campanha política levada a cabo durante os anos 1984 e 1985, na qual se reivindicava o direito de eleger o presidente do país pelo voto direto), se lançou nas ruas contra a ditadura militar para pedir eleições, símbolo da democracia, e também o fez para obrigar o ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) a deixar a Presidência da República, por causa das acusações de corrupção que pesavam sobre ele, hoje está mudo ante a corrupção.
As únicas causas capazes de levar às ruas até dois milhões de pessoas são a dos homossexuais, a dos seguidores das igrejas evangélicas na celebração a Jesus e a dos que pedem a liberalização da maconha.
Será que os jovens, especialmente, não têm motivos para exigir um Brasil não só mais rico a cada dia ou, pelo menos, menos pobre, mais desenvolvido, com maior força internacional, mas também um Brasil menos corrupto em suas esferas políticas, mais justo, menos desigual, onde um vereador não ganhe até dez vezes mais que um professor e um deputado cem vezes mais, ou onde um cidadão comum depois de 30 anos de trabalho se aposente com 650 reais (300 euros).
O Brasil será em breve a sexta potência econômica do mundo, mas segue atrás na desigualdade social, na defesa dos direitos humanos, onde a mulher ainda não tem o direito de abortar, o desemprego das pessoas de cor é de até 20%, frente a 6% dos brancos, e a polícia é uma das que mais matam no mundo.
Há quem atribua a apatia dos jovens em ser protagonistas de uma renovação ética no país ao fato de que uma propaganda bem articulada os teria convencido de que o Brasil é hoje invejado por meio mundo, e o é em outros aspectos.
E que a retirada da pobreza de 30 milhões de cidadãos lhes teria feito acreditar que tudo vai bem, sem entender que um cidadão de classe média europeia equivale ainda hoje a um brasileiro rico.
Outros atribuem o fato à tese de que os brasileiros são gente pacífica, pouco dada aos protestos, que gostam de viver felizes com o muito ou o pouco que têm e que trabalham para viver em vez de viver para trabalhar.
Tudo isso também é certo, mas não explica que num mundo globalizado – onde hoje se conhece instantaneamente tudo o que ocorre no planeta, começando pelos movimentos de protesto de milhões de jovens que pedem democracia ou a acusam de estar degenerada – os brasileiros não lutem para que o país, além de enriquecer, seja também mais justo, menos corrupto, mais igualitário e menos violento em todos os níveis.
Este Brasil, com o qual os honestos sonham deixar como herança a seus filhos e que – também é certo – é ainda um país onde sua gente não perdeu o gosto de desfrutar o que possui, seria um lugar ainda melhor se surgisse um movimento de indignados capaz de limpá-lo das escórias de corrupção que abraçam hoje todas as esferas do poder.
Juan Arias é correspondente do jornal  El País no Brasil 

23 de fevereiro de 2011

A direita católica não atina com a verdade mais profunda de um Jesus Cristo plenamente humano

E se aquelas pessoas da direita católica mais preocupadas atualmente em defender a fé tiverem, na verdade, uma compreensão inadequada da mais central das doutrinas cristãs? Não a proibição doutrinal da contracepção artificial: a direita católica aprendeu esse ensinamento completamente.
Estou falando da reivindicação de que Deus se tornou um de nós.
A reportagem é de David DeCosse e publicada pelo National Catholic Reporter, 11-02-2011. A tradução é de Luiz Marcos Sander.
David DeCosse é diretor de programas de ética no Centro Markulla de Ética Aplicada da Universidade de Santa Clara, na Califórnia.
A controvérsia ocorrida em dezembro passado no Instituto Smithsoniano emWashington por causa da retirada, numa exposição, de um vídeo em que formigas se arrastavam sobre um crucifixo evoca tal pergunta. É claro que a pergunta também se levanta numa época em que a direita católica, dentro e fora das estruturas formais da igreja, está ligando em grau crescente a fé católica a uma série de testes de tornassol destinados a demarcar fronteiras.
É preciso se opor à legalização do aborto e ao casamento entre homossexuais. É preciso pensar que Cristo proibiu explicitamente que mulheres fossem sacerdotes. É preciso ter apreço pela profundidade redentora do tedioso e sangrento filme “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson.
Geralmente, a justificação teológica desses testes se baseia em duas coisas. Em primeiro lugar, há um apelo a Cristo abstrato, sagrado mas distante de nosso mundo bagunçado e deficiente em termos de alma humana. Em segundo lugar, há um apelo a essa concepção de Cristo como justificação para a autoridade de medidas tomadas pelo magistério hierárquico da igreja.
Mas a controvérsia em torno daquele incidente no Instituto Smithsoniano oferece uma ocasião para perceber a debilidade teológica desses argumentos – e desses testes de tornassol. A controvérsia começou quando a Liga Católica pelos Direitos Religiosos e Civis questionou por que verbas governamentais foram usadas para mostrar um vídeo que, segundo a Liga, era ofensivo para os católicos.
Embora a Liga não tenha pedido que o vídeo fosse removido, o museu fez isso de qualquer modo. O filme supostamente ofensivo era um segmento curto de um vídeo muito mais longo, feito pelo falecido artista católico gay David Wojnarowicz, que era uma reflexão sobre o fato de ele próprio estar morrendo de AIDS.
O crítico de arte Holland Custer, do New York Times, disse a respeito do vídeo, chamado “A Fire in my Belly” [Um fogo em meu ventre], que Wojnarowicz “se sentia, com razão, envolvido num combate mortal, e o vídeo está repleto de símbolos da vulnerabilidade sob ataque: mendigos, animais mortos em matadouros, corpos deslocados e o Jesus crucificado. No simbolismo da natureza de Wojnarowicz – e isto é confirmado em outras obras – as formigas eram símbolos de uma vida humana movida mecanicamente por suas próprias necessidades, desatenta a qualquer outra coisa. Neste caso elas se apinham cegamente sobre um emblema de sofrimento e autossacrifício.”
A reivindicação central em toda a doutrina cristã é que o Filho de Deus se tornou plenamente humano. Isto não significa apenas que Cristo entrou no mundo como uma criança desamparada. Mas significa também que Cristo assumiu os fardos complexos da liberdade humana e da corporificação humana, chegando ao ponto de aceitar livremente a morte. E quando consideramos essa doutrina central, chegamos a duas conclusões surpreendentes. Primeiramente, que o vídeo de Wojnarowicz passa facilmente no teste dessa crença ortodoxa.
Em segundo lugar, a Liga Católica e seus aliados parecem estar atuando a partir de uma compreensão inadequada dessa convicção cristã central.
A controvérsia em torno do vídeo de Wojnarowicz tem a ver com a aceitação da humanidade plena de Cristo. Particularmente, a questão doutrinal em jogo está representada pela antiga máxima cristã: Quod non est assumptum non est sanatum [O que não foi assumido também não foi redimido]. Ou, em outras palavras, a menos que se entenda que o Filho de Deus assumiu as profundezas da experiência humana – incluindo o medo e a solidão da morte –, não se poderia dizer que Cristo também redimiu essa experiência.
Essa é uma máxima dura porque exige que se veja Jesus Cristo não como uma figura abstrata e sagrada cujo poder sobre o pecado combina com sua distância em relação a tudo que poderia enodoá-lo. Pelo contrário: exige que se o veja como uma figura cuja sacralidade é obtida em sua presença para com tudo que está enodoado e através dessa presença.
E aí podemos ver as raízes da tensão relacionada ao vídeo mostrado no Instituto Smithsoniano. Para um grupo como a Liga Católica, o vídeo é um ataque – ou, como eles preferem se expressar, um “golpe” – contra algo sagrado: o fato de formigas andarem sobre uma estátua de Cristo sinaliza um ato indiferente de macular o que é santo e puro.
Mas para Wojnarowicz, a imagem supostamente ofensiva representa uma forma vigorosa de imaginar um Cristo compassivo, um acompanhante do artista moribundo e de todas as outras pessoas no desamparo e na vergonha da morte. Num processo judicial que ganhou contra Donald Wildmon, um ralhador moral de uma geração mais antiga, Wojnarowicz falou dessas convicções teológicas que animavam sua arte.
Podemos ver um problema teológico afim no apreço que os guerreiros da cultura católica têm pelo filme “A paixão de Cristo”, de Mel Gibson. Aos olhos deles, o retrato extenso e brutal da crucificação de Jesus feito pelo filme tornou claro o grau do sacrifício de Cristo. Mas seu louvor do filme se fundamentou no erro sutil, porém significativo, de pensar que a mera capacidade de Jesus de suportar a dor física era, em si mesma, um testemunho de seu nobre compromisso de aceitar o fardo de uma morte dolorosa.
A dor, na opinião deles, provava o amor. Certamente esse juízo pode ser correlacionado com a melhor avaliação crítica do filme enquanto filme: Gibsonconseguiu, de modo esquisito, criar as visões e sons vívidos de uma crucificação de uma forma dramaticamente rasa. Foi um desfile de sangue coagulado em exibição – não o retrato da destruição de um homem.
Mas essa forma de estimar a dor como prova de amor tem afinidades com uma heresia rejeitada nos primeiros séculos pela igreja. Essa heresia sustentava que Cristo assumiu um corpo humano, mas não uma alma plenamente humana com toda a liberdade, emoção e racionalidade de uma pessoa.
O teólogo e cardeal católico Walter Kasper falou dessa “heresia subliminar” que persiste até a atualidade entre as pessoas que consideram a redenção da Sexta-Feira Santa apenas em termos “da dor física de Jesus e quase nada em termos de sua obediência pessoal e entrega completa ao Pai”.
Tudo indica que podemos esperar mais testes de tornassol da fé católica nos anos vindouros. A hierarquia cada vez mais conservadora favorece tal política temerária em detrimento da solicitude pastoral. E a sempre vigilante Liga Católica não precisa de motivação para denunciar outro caso de “golpe”.
Mas nós faríamos bem em examinar os compromissos teológicos que estão por trás desses testes de tornassol. Uma defesa da fé católica que esteja animada por uma concepção abstrata de Cristo desligada do mundo faz com que as pessoas se sintam ofendidas onde não há razão para isso – e com que absolutamente não atinem com o sentido de um vídeo como o de Wojnarowicz.
De modo semelhante, uma defesa da fé que esteja animada por uma concepção de Cristo com uma alma humana diminuída faz com que se valorize o meramente físico às custas do espiritual.
Também deveríamos nos lembrar de outra admoestação de Kasper no sentido de tomar cuidado com as pessoas que invocam esse Cristo abstrato como ideologia para defender como eternas as estruturas eclesiásticas de feitura humana e, ao fazerem isso, confundem as fronteiras fixas dos testes de tornassol com a verdade católica mais profunda de que estamos sempre a caminho de Jesus Cristo.

21 de outubro de 2010

Sobre aborto e eleições

Neuza Tetzner
Sobre aborto e eleições:
Somos responsáveis pelo cuidado da Criação Inteira

Não sou escritora, política, ou entendida em assuntos muito profundos como os que estamos debatendo e assistindo no momento. Mas em meio à enxurrada de textos que recebo todos os dias, me vejo na necessidade de reagir. Mais que um texto de posicionamento pessoal, eu quero apenas "vomitar" algumas idéias e sentimentos que estão me corroendo por dentro, e na impossibilidade de poder soltar um grito, me atrevo a escrever e espalhar alguns pensamentos, assim como muitos estão fazendo nestes dias.

Desde os primeiros debates e pesquisas do primeiro turno, até o resultado das eleições tenho tentado refletir sobre a responsabilidade dessas duas mulheres que se dispuseram a assumir o risco de concorrer à presidência da República. Desde há muito tempo queremos ver como mulheres e feministas a nós mesmas representadas no Planalto. E para nós mulheres, creio que foi fundamental ver essas duas mulheres, diferentes e iguais ao mesmo tempo, demonstrando sua capacidade de articular e mobilizar o Brasil em torno de dois temas tão importantes e urgentes para todo o país, bem como para toda humanidade. A partir desta campanha o rosto da mulher brasileira fará parte dos debates políticos. Não será mais possível ignorar a presença das mulheres na política, porque através delas todas nós estivemos representadas e fomos o alvo das atenções. No rosto de Marina a mulher pobre pode se ver, no rosto de Dilma a intelectual, a empresária, as mulheres que tiveram acesso à educação. Fomos vistas não como objeto de cama e mesa, mas como mulheres capazes de conduzir um país, e representá-lo no mundo.

Após o resultado do primeiro turno recai sobre essas mulheres uma enorme responsabilidade.
De um lado a enorme responsabilidade de Marina Silva, por ter complicado a vitória de Dilma no primeiro turno e ter agora que tomar uma posição. Sem Marina, talvez teria sido mais fácil Dilma vencer. Talvez. De outro lado a terrível discussão sobre o aborto, tema nunca encarado de fato por nenhuma candidatura.
Dois temas polêmicos e urgentes e duas mulheres na condução do debate, ainda que o rosto de Marina esteja ausente da tela.
Conheço Marina como a maioria das pessoas. Sua história, sua vida de luta e sacrifício, sua coragem, que se mistura com o seu corpo franzino. Quando a vi em Porto Velho no intereclesial me impressionou a sua maneira de falar, mas me veio à mente, algo que às vezes experimento como mulher e pastora. Como é fácil arrancar aplausos no meio de quem pensa como a gente, ou está sedento de novidades. Como é fácil emocionar as pessoas com nossas estórias de vida.

Por sua força e determinação, e também pela estratégia de seus apoiadores, Marina foi capaz de trazer a discussão sobre o Meio Ambiente para o Ambiente Inteiro, em especial junto aos jovens, aumentando a onda verde. Mas toda onda é passageira, e o risco é que a discussão morra na praia, pois onda não se segura. É preciso mais Educação para que a juventude possa assumir essa luta com mais compromisso, e assim no futuro tenhamos um país mais "consciente e consistente" em relação ao Ambiente Inteiro.


Tão doloroso quanto ver a devastação do Ambiente Inteiro é assistir a discussão sobre o aborto, personalizado na candidatura de Dilma. Ninguém em sã consciência é favor do aborto. Assim como ninguém em sã consciência ateia fogo numa floresta em tempo de seca. Ambos são atos criminosos. A diferença é que os crimes contra a Natureza são difíceis de se comprovar. O aborto é fácil, pois a vitima é conhecida, está próxima de nós, e muitas vezes morta.
Se a questão do aborto surgiu nesta campanha, é porque ele é um fato tão grave e tão importante quanto a destruição Meio Ambiente, pois em ambos está presente a preservação da vida, em toda a sua plenitude. Por isso é hipócrita quem defende um projeto e exclui o outro. Se as Igrejas defendem a preservação da Natureza e trabalham o tema Ecologia, não podem deixar de trabalhar a questão do aborto com a mesma força e intensidade. Se é necessário preservar a Natureza é igualmente necessário preservar a Vida da Mulher.
Quando uma mulher recorre ao aborto é porque lhe faltaram todas as informações necessárias para não engravidar: Educação sexual, métodos anticoncepcionais de prevenção, e homens com o mesmo conhecimento e respeito, capazes de impedir que uma gravidez indesejada aconteça. Porque uma gravidez só acontece quando se tem um homem na relação. E aí está o grande problema na questão do aborto. O homem está saindo ileso na discussão. E pior está conduzindo a discussão como quem está fora do problema. Olhando apenas para a vida que foi gerada por ele, e não para a vida que está ameaçada por causa dele. É importante perceber que quem está escrevendo e debatendo mais sobre o aborto são homens, em nome das Igrejas ou de seus próprios interesses. Digo das Igrejas porque por trás da Católica, outras se escondem ou incluem o seu discurso. A vida da mulher não interessa para os homens, não interessa para as Igrejas, até o momento em que está para acontecer um aborto. Nesse momento todos entram com seus discursos baseados na religião, na ética, na moral, fazendo prevalecer a lei e a justiça.
Discriminalizar o aborto não significa apoiar para que as mulheres realizem o aborto sempre que engravidarem, mas significa não punir com uma pena maior, que aquela que já carregam por conta própria. Se uma mulher tiver que responder como crime por abortar, que também sejam punidos os que cometem crimes contra a Natureza, ou seja, contra o Ambiente Inteiro.
O tema do aborto entrou no debate para aterrorizar as pessoas e não para esclarecer e ajudar a pensar em políticas públicas para as mulheres. Somos mais de 50% das eleitoras e mãe dos outros 50%.

Compete a nós mulheres termos clareza sobre o cuidado com o nosso corpo, clareza sobre os interesses que se tem sobre o nosso corpo. Com o nosso corpo vendem-se de sabonete a carros importados. Somos responsáveis pela propaganda e pela compra de milhares de produtos. Somos responsáveis pelo cuidado da Criação Inteira.
Façamos valer a nossa condição de Mulher e o nosso direito a Opinar sem o autoritarismo de quem quer que seja, Estado - Igreja - Marido.


Neuza Tetzner é pastora da IECLB - Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

15 de outubro de 2010

‘A CNBB está vivendo um momento difícil’, diz Dom Demétrio

"Não foi, oficialmente, a CNBB que explorou eleitoralmente a questão do aborto”. É o que esclarece Dom Demétrio Valentini, numa breve entrevista por correio eletrônico ao Brasil de Fato, 13-10-2010. Segundo ele, certos episódios, como a distribuição de panfletos como o texto intitulado “Apelo aos fiéis”, distribuídos em algumas igrejas católicas paulistas, em plena campanha eleitoral, ameaçam seriamente a instituição.

Eis a entrevista.

Dom Demétrio, você achou legítima e democrática a distribuição de panfletos contra a candidatura de Dilma Roussef (PT) pela Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)? Por quê?

Já temos agora a declaração oficial da Presidência da CNBB, emitida no dia 08 de outubro, denunciando a manipulação feita, envolvendo indevidamente o nome daCNBB. Diz textualmente a Nota da Presidência da CNBB: "Lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica, tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação". A Nota da Presidência da CNBB se refere, evidentemente, à farta distribuição de folhetos, que usavam a "recomendação" feita pelo Sul 1, apresentando-a como se fosse uma recomendação oficial da própriaCNBB. É o caso típico de manipulação, com a clara intenção de enganar o eleitor. Infelizmente, foi o que a "recomendação" do Sul 1 proporcionou.

Essas eleições têm causado desconforto entre os bispos da CNBB?

A CNBB está vivendo um momento difícil, que certamente demandará uma profunda avaliação, passadas as eleições, para analisar com serenidade de espírito os episódios que estão ocorrendo nesta campanha eleitoral e que ameaçam seriamente a credibilidade desta instituição, que já deu no passado importante contribuição para a sociedade brasileira.

O senhor acredita que a questão do aborto, por exemplo, tem sido explorada de uma forma extremamente eleitoral por parte da CNBB e que, desse modo, alimenta enormemente os votos nos tucanos?

De novo é preciso reafirmar com clareza: não foi, oficialmente, a CNBB que explorou eleitoralmente a questão do aborto. É evidente que está havendo uma exploração eleitoral do questão do aborto. E para isto estão utilizando posicionamentos pessoais de alguns bispos e padres, para apresentar estes posicionamentos com se fossem daCNBB. Esta é a instrumentalização que está sendo feita. E os bispos e padres que usam a religião para manifestar publicamente sua opção partidária, deveriam se dar conta de quanto estão sendo explorados pelos partidários de uma determinada candidatura.

Alguns sociólogos afirmaram que o voto em Marina foi, sobretudo, uma resposta ao caráter antirreligioso da candidatura de Dilma Roussef, e denominaram isso como uma demonstração de uma face fascista do Brasil. Como o senhor analisa isso?

Pode ser que isto ajude a entender o resultado do primeiro turno. O fato evidente é que esta campanha está mostrando problemas muito sérios, existentes em nossa sociedade brasileira. Existem os saudosistas da ditadura militar, há ódios e rancores represados que começam perigosamente a se manifestar, há posturas religiosas fundamentalistas, que se aproximam perigosamente do fanatismo. Tudo isto nos desafia a todos e nos convoca para o bom senso e para a responsabilidade.

13 de outubro de 2010

MANIFESTO

“Se nos calarmos, até as pedras gritarão!”



Manifesto de Cristãos e cristãs evangélicos/as e católicos/as em favor da vida e da Vida em Abundânci
a!



Somos homens e mulheres, ministros, ministras, agentes de pastoral, teólogos/as, padres, pastores e pastoras, intelectuais e militantes sociais, membros de diferentes Igrejas cristãs, movidos/as pela fidelidade à verdade, vimos a público decla
rar:

1. Nestes dias, circulam pela internet, pela imprensa e dentro de algumas de nossas igrejas, manifestações de líderes cristãos que, em nome da fé, pedem ao povo que não vote em Dilma Rousseff sob o pretexto de que ela seria favorável ao aborto, ao casamento gay e a outras medidas tidas como “contrárias à mo
ral”.
A própria candidata negou a veracidade destas afirmações e, ao contrário, se reuniu com lideranças das Igrejas em um diálogo positivo e aberto. Apesar disso, estes boatos e mentiras continuam sendo espalhados. Diante destas posturas autoritárias e mentirosas, disfarçadas sob o uso da boa moral e da fé, nos sentimos obrigados a atualizar a palavra de Jesus, afirmando, agora, diante de todo o Brasil: “se nos calarmos, até as pedras gritarão!” (Lc 19,
40).
2. Não aceitamos que se use da fé para condenar alguma candidatura. Por isso, fazemos esta declaração como cristãos, ligando nossa fé à vida concreta, a partir de uma análise social e política da realidade e não apenas por motivos religiosos ou doutrinais. Em nome do nosso compromisso com o povo brasileiro, declaramos publicamente o nosso voto em Dilma Rousseff e as razões que nos levam a tomar esta ati
tude:
3. Consideramos que, para o projeto de um Brasil justo e igualitário, a eleição de Dilma para presidente da República representará um passo maior do que a eventualidade de uma vitória do Serra, que, segundo nossa análise, nos levaria a recuar em várias conquistas populares e efetivos ganhos sócio-culturais e econômicos que se destacam na melhoria de vida da população brasil
eira.
4. Consideramos que o direito à Vida seja a mais profunda e bela das manifestações das pessoas que acreditam em Deus, pois somos à sua Imagem e Semelhança. Portanto, defender a vida é oferecer condições de saúde, educação, moradia, terra, trabalho, lazer, cultura e dignidade para todas as pessoas, particularmente as que mais precisam. Por isso, um governo justo oferece sua opção preferencial às pessoas empobrecidas, injustiçadas, perseguidas e caluniadas, conforme a proclamação de Jesus na montanha (Cf. Mt 5, 1-
12).
5. Acreditamos que o projeto divino para este mundo foi anunciado através das palavras e ações de Jesus Cristo. Este projeto não se esgota em nenhum regime de governo e não se reduz apenas a uma melhor organização social e política da sociedade. Entretanto, quando oramos “venha o teu reino”, cremos que ele virá, não apenas de forma espiritualista e restrito aos corações, mas, principalmente na transformação das estruturas sociais e políticas deste m
undo.
6. Sabemos que as grandes transformações da sociedade se darão principalmente através das conquistas sociais, políticas e ecológicas, feitas pelo povo organizado e não apenas pelo beneplácito de um governante mais aberto/a ou mais sensível ao povo. Temos críticas a alguns aspectos e algumas políticas do governo atual que Dilma promete continuar. Motivo do voto alternativo de muitos companheiros e companheiras Entretanto, por experiência, constatamos: não é a mesma coisa ter no governo uma pessoa que respeite os movimentos populares e dialogue com os segmentos mais pobres da sociedade, ou ter alguém que, diante de uma manifestação popular, mande a polícia reprimir. Neste sentido, tanto no governo federal, como nos estados, as gestões tucanas têm se caracterizado sempre pela arrogância do seu apego às políticas neoliberais e pela insensibilidade para com as grandes questões sociais do povo mais empobre
cido.
7. Sabemos de pessoas que se dizem religiosas, e que cometem atrocidades contra crianças, por isso, ter um candidato religioso não é necessariamente parâmetro para se ter um governante justo, por isso, não nos interessa se tal candidato/a é religioso ou não. Como Jesus, cremos que o importante não é tanto dizer “Senhor, Senhor”, mas realizar a vontade de Deus, ou seja, o projeto divino. Esperamos que Dilma continue a feliz política externa do presidente Lula, principalmente no projeto da nossa fundamental integração com os países irmãos da América Latina e na solidariedade aos países africanos, com os quais o Brasil tem uma grande dívida moral e uma longa história em comum. A integração com os movimentos populares emergentes em vários países do continente nos levará a caminharmos para novos e decisivos passos de justiça, igualdade social e cuidado com a natureza, em todas as suas dimensões. Entendemos que um país com sustentabilidade e desenvolvimento humano – como Marina Silva defende – só pode ser construído resgatando já a enorme dívida social com o seu povo mais empobrecido. No momento atual, Dilma Rousseff representa este projeto que, mesmo com obstáculos, foi iniciado nos oito anos de mandato do presidente Lula. É isto que está em jogo neste segundo turno das eleições de
2010.
Com esta esperança e a decisão de lutarmos por isso, nos subscrev
emos:



Dom Thomas Balduino, bispo emérito de Goiás velho, e presidente honorário da CPT nacion
al.
Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Feliz do Araguaia-MT.
Dom Demetrio Valentini, bispo de Jales-SP e presidente da Cáritas nacional.
Dom
Luiz Eccel - Bispo de Caçador-SC
Dom Anto
nio Possamai, bispo emérito da Rondônia.
Dom Sebastiã
o Lima Duarte, bispo de Viana- Maranhão.
Dom Xavier Gille
s, bispo emérito de Vina- Maranhão.
Padre Paulo Gabriel,
agente de pastoral da Prelazia de São Feliz do Araguaia /MT
Jether Ramalho, Rio de J
aneiro.
Marcelo Barros, monge benedi
tino, teólogo
Professor Candido Mendes, cientis
ta político e reitor
Luiz Alberto Gómez de Souza, cientista
político, professor
Zé Vicente, cantador popular. Ceará
Chico
césar. Cantador popular. Paraíba/são paulo
Revdo Roberto Zwetch, igreja IELCB e professor de teologia em São Leopoldo.
Pastora Nancy Cardoso, metodista, Vassouras / RJ
Antonio M
arcos Santos, Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Juazeiro - Bahia
Maria Victoria Benevides, professora, da USP
Monge Joshin, Comunidad
e Zen Budista do Brasil, São Paulo
Antonio Cecchin
, irmão marista, Porto Alegre.
Ivone Gebara, religiosa católica
, teóloga e assessora de movimentos populares.
Fr
. Luiz Carlos Susin – Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Frei
Betto, escritor, dominicano.
Luiza E. Tomita – Sec. Executiva EATWOT(Ecumenical Associa
tion of Third World Theologians)
Ir. Ir
io Luiz Conti, MSF. Presidente da Fian Internacional
Pe. João Pedro Baresi, pres. da Comissão Jus
tiça e Paz da CRB (Conferência dos religiosos do Brasil) SP
Frei
José Fernandes Alves, OP. – Coord. da Comissão Dominicana de Justiça e Paz
Pe. Oscar Beozzo, diocese de Lins
.
Pe. Inácio Neutzling – jesuíta, diretor do Instituto Humanitas Unisinos
Pe. Ivo P
edro Oro, diocese de Chapecó / SC
Pe. Igo
r Damo, diocese de Chapecó-SC.
Irmã Pompeia Bernasconi, cônegas de Santo Agos
t
inho
C
ibele Maria Lima Rodrigues, Pesquisadora.
Pe. John Caruana, Rondônia.
Pe. Julio Gota
rdo, São Paulo.
Toninho Kalunga, São Paulo,
Washingtonn L
uiz Viana da Cruz, Campo Largo, PR e membro do EPJ (Evangélicos Pela Justiça)
Rica
rdo Matense, Igreja Assembléia de Deus, Mata de São João/Bahia
Silva
nia Costa
Mercedez Lopes,
André Marmilicz
Raimundo Cesar Barreto Jr, Pastor Batista, Doutor em é
tica social
Pe. Arnildo Fritzen, Carazinho. RS.
Darciolei Volpato, RS
F
rei Ildo Perondi - Londrina PR
Ir. Inês W
eber, irmãs de Notre Dame.
Pe. Domingos Luiz Costa Curta, Coord. Dioc de Pastoral da Diocese
de Chapecó/SC.
Pe. Luis Sartorel,
Itacir
Gasparin
Célio Piovesan, Ca
noas.RS
Toninho Evangelista - Hortolâ
ndia/SP
Geter Borges de Sousa, Evangélicos
Pela Justiça (EPJ), Brasília.
Caio César Sousa Marçal - Missionário da Igreja de Cris
to - Frecheirinha/CE
Rod
inei Balbinot, Rede Santa Paulina
Pe. Cleto João Stu
lp, diocese de Chapecó.
Odja Barros Santos
- Pastora batista
Ricardo Aléssio, cristão de tradição presbiteriana,
professor universitário.
Maria Luíza Aléssio, professora universitária, ex-secre
tária de educação do Recife
Rosa Maria Go
mes
Roberto Cartaxo Machado Rios
Rute Maria Mon
teiro Machado Rios
Antonio Souto, Caucaia,
CE
Olidio Mangolim – PR
Joselita Alves Sampaio – PR
Kleber Jorge e silva, teologi
a – Passo Fundo - RS
Terezinha Albuquerque
PR. Marco Aurélio Alves Vicente - EPJ - Evangé
licos pela Justiça, pastor-auxiliar da Igreja Catedral da Família/Goiânia-GO
Padre Ferraro, Ca
mpinas.
Ir, Carmem Vedovatto
Ir.
Letícia Pontini, discípulas, Manaus.
Padre Manoel, PR
Maga
li Nascimento Cunha, metodista
Stela Maris da Silva
Ir.
Neusa Luiz, abelardo luz- SC
Lucia Ribeiro, socióloga
Marcelo Timotheo da Costa, historiador
Maria Helena Silva Timotheo da Costa
Ianete Sampaio
Ney Paiva
Chavez, professora educação visual, Rio de janeiro
Ant
onio Carlos Fester
Ana Lucia Alves, Brasília
I
vo Forotti, Cebs – Canoas - RS
Agnaldo da Silva Vieira - Pasto
r Batista. Igreja Batista da Esperança - Rio de Janeiro
Irmã Cl
audia Paixão, Rio de Janeiro
M
arlene Ossami de Moura, antropóloga / Goiânia.
Ir. Maria Celina Correia Leite, Recife
Pedro Henriques de Moraes Melo - UFC/ACEG
Fernanda Seibel, Caxias do Sul.
Benedito Cunh
a, pesquisador popular, membro do Centro Mandacaru - Fortaleza
Pe. Lino Allegri - Pastoral do P
ovo da Rua de Fortaleza, CE.
Juciano de Sousa Lacerda, Prof. Doutor de Comunicação Social da
UFRN
Pasqualino Toscan - Guaraciaba SC
Fr
ancisco das Chagas de Morais, Natal - RN.
Elida Araúj
o
Maria do Socorro Furtado Veloso - Natal, RN
Maria Letícia Ligneul Cotrim, educadora
Maria
das Graças Pinto Coelho/ professora universitária/UFRN
Ismael de Souza Maciel membro do CEBI - Centro de Estudos Bíbi
cos Recife
Xavier Uytdenbroek, prof. aposentado da UFPE e membro
da coordenação pastoral da UNICAP
Maria Mércia do Egito Souza agente da Pa
storal da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife
Leonardo Fernando de Barros Autran Gonça
lves Advogado e Analista do INSS
Karla Juliana Souza Uytdenbroek Ba
charel em Direito
Targelia de Souza Albuquerq
ue
Maria Lúcia F de Barbosa, Professora UFPE
Débora Costa-Maciel,
Profª. UPE
Maria Theresia Seewer
107. Ida Vicenzia Dias Maciel

108. Marcelo
Tibaes

109. Sergio Bernardoni, diretor da CARAVIDEO- Goiânia - Goiás

110. Claudio de Oli
veira Ribeiro. Sou pastor da Igreja Metodista em Santo André, SP.

104 . Pe. Paulo Sérgio Vail
lant - Presbítero da Arquidiocese de Vitória – ES

106. Roberto Fernandes de
Souza. RG 08539697-6 IFP RJ - Secretario do CEBI RJ

107
. Sílvia Pompéia.

108. Pe.
Maro Passerini - coordenador Past. Carcerária - CE

109. Dora Seibel – Pedagoga, caxias
do sul.

110. Mosara Barbosa
de M
elo

111. Maria de Fátim
a Pim
entel Lins

112
. Pr
of. Renato Thiel, UCB-DF

114 . Alexandre Brasil Fonseca
, Soc
logo, prof. da UFRJ, Ig. Presbiteriana e coordenador da Rede FALE)

115 Daniel
a Sa
nches Frozi, (Nutricionista, profa. da UERJ, Ig. Presbiteriana, conselheira do CONSEA Nacional e vice-presidente da ABUB)

116. Marcelo Ayres Camurça –
Prof
essor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião – Universidade Federal de Juiz de Fora

117. Revd. Cônego Francisco
de Assis da Silva,Secretário Ger
al da IEAB e membro da Coordenação do Fórum Ecumênico Brasil

11
8.
Irene Maria G.F. da Silva Telles

119. Manfredo Araújo de Oliveira

120. Agnaldo da Silva Viei
ra -
Pedagogo e Pastor Auxiliar da Igreja Batista da Esperança-Centro do Rio de Janeiro

121. Pr. Marcos Dornel - Pastor Evangélico -
Igrej
a Batista Nova Curuçá - SP

122. Adriano Carvalho.

123. Pe. Sérgio Campos, Fundação Redentorista de Comunicações Sociais –
Para
naguá/Pr.

124. Eduardo Dutra Machado, pastor presbiteriano

125. Maria Gabriela Curubeto Godoy - médica psiquiatr
a - R
S

1
26. Genoveva Prima de Freitas- Professora – Goiânia

127. M. Ca
ndida
R. Diaz Bordenave

128. Ismael de Souza Maciel membro do CEBI - Centro de Estudos Bíbicos Recife

129.
Xavie
r Uytdenbroek prof. aposentado da UFPE e membro da coordenação pastoral da UNICAP

130. Maria Mércia do Egito Souza agente da Pastoral da Saúde Arquidiocese de Olinda e Recife

131. Le
onard
o Fernando de Barros Autran Gonçalves Advogado eAnalista do INSS

132. Karla Juliana Souza Uytdenbroek Bac
harel
em Direito

133. Targelia de Souza Albuquerque

134.
Maria Lúcia F de Barbosa (Professora - UFPE)

135. Paulo Teixeira, parlamentar, são paulo.

136. Alessandro M
olon,
parlamentar, Rio de janeiro.

137. Adjair Alves (Professor - UPE)

138. Luziano Pere
ira M
endes de Lima - UNEAL

139. Cláudia Maria Afonso de Castro-psicóloga- trabalha
dora
da Saúde-SMS Suzano-SP

140. Fátima Tavares, Coordenadora do Programa de Po
s-Gra
duação em Antropologia FFCH/UFBA

141. Carlos Caros
o, Pr
ofessor Associado do Departamento deAntropologia e Etrnologia da UFBA.

142. Isab
el To
oda

143. Joanildo Burity (Anglicano, c
ienti
sta político, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco,

14
4. Prof. Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade, Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Professor de Teologia PUC- Rio

145. Aristóteles R
odrig
ues - Psicólogo, Mestre em Ciência da Religião

146. Zwinglio Mota Dias - Profes
sor A
ssociado III – Universidade Federal de Juiz de Fora

147. Antonio Francisco Braga dos San
tos-
IFCE

148. Pa
ulo C
outo Teixeira, Mestrando em Teologia na EST/IECLB

149. Rev. Luis Omar Dominguez Espinoza


15
0. Anivaldo Padilha - Metodista, KOINONIA, líder ecumênico

151. Nercina Gonçalves

152. Hélio Rios, pastor presbiteriano

153. João Jos
é Sil
va Bordalo Coelho, Professor- RJ

154. Lucilia Ramalho. Rio de janei
ro.

155. Maria tereza Sartorio, educadora, ES

156. Maria jose Sartorio, saúde, ES

157.
Ni
lda Lucia sartorio, secretaria de ação social, Espírito santo

158. Ângela maria fernandes -Curitiba paraná

159. Lúcia Adélia Fernandes

160. Jeanne Nascimento - Advogada em São Paulo/SP

16
1,. Frei José Alamiro, franciscano, São Paulo, SP

162.Leonardo Boff, teólogo e escritor

163 Marcia M.M.Miranda, Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petropolis RJ

164 J. Ricardo A de Oliveira , Psicoterapeuta, RJ