O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

27 de fevereiro de 2010

GUERREIRO DA PAZ

Nestes momentos difíceis de ajustamento para nossa civilização
é hora de convocar o conselho dos anciãos
e colocar em alerta os Guerreiros da Paz.

http://www.youtube.com/watch?v=DhoEb7nZ9sQ





GUERREIRO DA PAZ

Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar
Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar
Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as estrelas
Chamo o universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar
Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o poder da criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar
Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos orixás
Eu chamo todos com suas forças divinas
Eu quero ver o universo iluminar
Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade
Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um
guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor
Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu senhor
Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós todos somos um nesta união
Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde o principio
todos nós somos irmãos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva o Poder de todo o universo!

**************************************


WARRIOR OF PEACE
I call the force, I call the force
I call the force
forces of the stones to firm me
I call the earth, I call the earth
I call the earth
I call the earth to root me
I call the wind, I call the wind
I call the wind
I call the wind comes to rise me up
I call the fire, I call the fire
I call the fire
I call the fire to become purified
I call the Moon, I call the Sun
I call the stars
I call the universe to illuminate me
I call the water, I call the rain
and I call the river
I call all to wash me
I call the ray, the lightning and the thunder
I call all the power of the creation
I call the sea, I call the sky and the infinite
I call all to free us
I call Christ, I call Budha
I call Krishna
I call the force of all Orixás
I call all with their divine forces
I want to see the universe light up
I thank for the life and the courage
To the universe for the opportunity
And my life I dedicate with love
To our humanity's alive dream
I am messenger, I am comet, I am indigenous
I am son of the nation of the rainbow
With my siblings I will be one more
warrior
In the noble cause of Inka Redentor
I am warrior, I am warrior and I am going struggling
My sword is the word of the love
My shield is the kindness in my chest
And my helmet is my gentleman's talents
I thank our Mother and to our Father
And to all my brothers for to help me
My glory for all I give
Because us all are one in this union
Ñdarei a sã
ñdarei a sã ñdarei a sã
ñdarei a sã
From the begining
all of us are brothers!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Live the Power of the whole universe!

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GUERRERO DE PAZ
El que une la verdad...
Llamo la fuerza, llamo la fuerza
llamo la fuerza
fuerza de las piedras para firmarme
Llamo la terra, llamo la terra
llamo la terra
llamo la tierra para enraizarme

Llamo el viento, Llamo el viento
Llamo el viento
Llamo el viento vem a elevarme
Llamo el fuego, Llamo el fuego
Llamo el fuego
Llamo el fuego para purificarme

Llamo la luna, llamo el Sol
llamo las estrelas
Llamo el universo para iluminarme
Llamo el agua, llamo la lluvia
y llamo el rio
los llamo a todos para lavarme

Llamo el rayo, el relámpago y el trueno
Llamo todo el poder de la creacion
Llamo el mar, llamo el cielo y el infinito
Llamo a todos para libertarnos

Yo llamo Cristo, llamo a Budha
llamo a Krishna
Llamo la fuerza de los Orixás
Llamo a todos con sus fuerzas divinas
Yo quiero ver el universo iluminar

Yo agradezco por la vida y el corage
Al universo por la oportunidad
Y mi vida dedico con amor
al sueño vivo de nuestra humanidad

Soy mensajero, soy cometa, soy indígena
Soy hijo de la nación del Arco Íris
con mis hermanos voy a ser un guerrero más
En la noble causa del Inca redentor

Yo soy guerrero, soy guerrero y voy luchando
Mi espada es la palabra del Amor
Mi escudo es la bondad en mi pecho
Y mi casco son los dones de mi señor

Yo agradezco a nuestra Madre y a nuestro Padre
Y a mis hermanos por ayudarme
Mi gloria para todos yo entrego
Porque todos somos uno dentro de esta unión

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde el principio
todos somos hermanos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva el Poder de todo el universo!

********************************

سلحشور صلح ال qué unë در verdad من اسمش زور ، من اسمش قدرت من اسمش قدرت نیروی سنگ ها به من ثابت من اسمش زمین ، من اسمش زمین من اسمش زمین من تماس بگیرید برای دریافت زمین ریشه
من اسمش باد ، من اسمش باد من اسمش باد من اسمش باد آمد بلند من تا من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش را به آتش مرا پاک
من اسمش ماه ، من خورشید ستاره کهکشان من اسمش را به من تعلیم من اسمش آب تماس ، من تماس با باران و من اسمش تمام رودخانه برای شستن
من اسمش رعد و برق ، رعد و برق و غرش من اسمش تمام قدرت خلقت من اسمش دریا ، بینهایت آسمان تماس بگیرید و من اسمش را به هر کس آزاد است؟
من اسمش مسیح ، من اسمش را بودا من اسمش کریشنا من اسمش قدرت تمام خدایانشان من اسمش همه نیروهای خود را الهی من می خواهم برای دیدن نور جهان
من از شما سپاسگزارم به زندگی و جهان شده توسط شجاعت و فرصت را وقف زندگی من دوست دارم زندگی رویای انسانیت ما
من فرستاده ، من مرتکب ، من هند من پسر رنگینکمان کشور با برادران من من بیشتر جنگجو در علت اصیل آمرزنده اینکا
من قوی ، من قوی بود و من مبارزه با شمشیر من این است که کلمه ای از عشق من این است سپر خوبی در قفسه سینه ام و من کلاه از هدایای پروردگار من
Ndari Ndari Ndari صدا صدا صدا از همان آغاز ما همه برادران! من دعا کنم دعا دعا ÖÜå ÖÜå ÖÜå زنده باد قدرت تمام جهان!

21 de fevereiro de 2010

Um novo tempo - Quaresma- 40 dias no Deserto


No Ocidente, as Igrejas cristãs mais antigas começam os 40 dias de retiro da Quaresma, em preparação mais próxima para as celebrações anuais da Páscoa.
É mais do que nunca o que Paulo chamava de "tempo oportuno e dia favorável" para retomarmos nosso propósito de conversão e transformação interior e social.

Antigamernte, se compreendia isso de forma pesada e negativa. (por exemplo, como tempo de jejuns, sacrifícios e até mortificações).

Hoje, o compreendo como tempo de alegria e de preparação para a festa pascal que já é festa interior e no coração.

Fico feliz que as sete Igrejas cristãs do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) estejam lançando hoje a 3a Campanha da Fraternidade Ecumênica com o tema "Economia e Vida". E o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".
Que isso nos faça pensar e planejar bem concretamente em nossas vidas pessoais e familiares como organizar melhor uma economia de partilha como sinal e expressão desta caminhada pascal.(D.Marcelo Barros, Mosteiro da Anunciação-Goias)



"Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. " (Lc. 4, 1-2a).

Também nós queremos que o Espírito Santo nos conduza ao deserto. Em toda a tradição bíblica e também dos primeiros séculos da Igreja, o deserto é um lugar especial de encontro com Deus. "Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração" (Os. 2, 16).

Ir ao deserto com Jesus durante esse tempo de quaresma, ou outro tempo que você mesmo eleger (não necessariamente a quaresma), é nos colocarmos no firme propósito de termos um encontro com Deus e com nossa própria verdade. O deserto não é um lugar, mas uma disposição espiritual.

Os "demônios" que precisamos enfrentar estão, antes de tudo, dentro de nós. São nossos próprios traços de personalidade, inclinações, atitudes que precisam ser reconciliados ou até mesmo vencidos, exorcizados para vivermos debaixo da Vontade de Deus.

Essa batalha se trava do decorrer de toda nossa vida. Sempre precisaremos de mudança, conversão. Ninguém se sinta pronto por ter percorrido um determinado trecho de sua senda espiritual. Sempre haverá a necessidade de se colocar novamente a caminho, de se confrontar, de mudar, de crescer. É tarefa de uma vida inteira.

É preciso ainda lembrar que sem a graça de Deus toda ascese (disciplina espiritual) é vã. A iniciativa é de Deus. É o Espírito Santo quem conduz Jesus ao deserto. "Porque é Deus quem segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar" (Flp. 2, 13).
Pe. Sérgio Luis e Silva (Ig S. José - BH. MG )

12 de fevereiro de 2010

Cinco anos sem Irmã Doroty- até quando seremos coniventes com a impunidade?


Cinco anos passaram desde aquele fatídico sábado em que Rayfran e Clodoaldo, empregados de Tato, cruzaram o caminho da Irmã Dorothy, não para cumprimentá-la, mas para executar o sinistro plano, há tempo concebido pelo consórcio do crime, e cumprir o nefasto papel de matar a Irmã que dedicou toda a sua vida aos pobres.
Os pobres de hoje não são apenas uns explorados e oprimidos. São excluídos, expulsos da sociedade e da terra por serem considerados "supérfluos" (cf. DAp 65). Irmã Dorothy fez a opção de sua vida exatamente por essas pessoas, por essas famílias "sem eira nem beira", desprezadas e maltratadas, sem perspectivas num mundo em que perderam sua pátria.
Foi aos pobres, que Deus assegurou seu amor incondicional e preferencial. As palavras do profeta Jeremias calaram fundo no coração de Dorothy: "Ponde em prática a justiça e o direito, livrai o oprimido das mãos do opressor, nunca prejudiqueis ou exploreis o migrante, o órfão e a viúva nem jamais derrameis sangue inocente no país" (Jer 22,3). Dorothy não apenas acompanhou as famílias de Anapu e da Transamazônica na busca de seus direitos e defendeu seus interesses, peregrinando de repartição em repartição, procurando falar com prefeitos, vereadores, deputados, senadores. Dorothy fez e foi muito mais: Ela amou! E esse amor fez vibrar cada uma das fibras de seu coração. Ela foi mãe, foi irmã, foi filha de seu povo! Dorothy nos lembra a passagem tão sugestiva na primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Apresentamo-nos no meio de vós cheios de bondade, como u'a mãe que acaricia os seus filhinhos. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor que vos tínhamos" (1 Tes 2,7-8).
Naquela manhã de sábado, 12 de fevereiro de 2005, ela testemunhou "o evangelho de Deus", derramando o seu próprio sangue. Foi morta porque amou sem medida, foi trucidada porque entendeu que seu lugar era "ao lado dessas pessoas constantemente humilhadas" [1] foi assassinada porque abraçou "a justiça e o direito" e lutou para livrar "o oprimido das mãos do opressor" (Jer 22,3), foi eliminada do meio do povo pobre porque contrariou os interesses e ambições de "gente que se considera poderosa", como ela mesma costumava expressar-se.
Dorothy viveu em vida a opção pelos pobres sem deixar-se intimidar ou constranger. Com a sua morte, porém, Dorothy ultrapassou todos os limites e fronteiras. Sacudiu o mundo, descerrando a face ensanguentada da Amazônia, fazendo ecoar os gritos e revelando as dores que golpeiam os povos que aqui vivem.
Cinco anos passaram! Cinco anos, também repletos de tramas e trâmites judiciais. Prisões efetuadas com grande alarde, sentenças condenatórias solenemente proferidas e com a mesma solenidade anuladas, pedidos de habeas corpus deferidos e liberdade provisória concedida. Sempre novas versões do crime, chegando até ao cúmulo absurdo de transformar a vítima em ré, alegando legítima defesa.
Há poucos dias um dos acusados é preso outra vez [2] . Foi condenado a 30 anos e absolvido em um segundo julgamento. Agora outro recurso consegue anular o veredicto anterior e o fazendeiro recebe novamente voz de prisão. E a imprensa divulga o fato como se fosse a prova mais convincente de que a Justiça funciona. Só tem um detalhe! Nós todos já estamos saturados de tais notícias. Em breve, algum advogado experto vai achar outra brecha na legislação e o homem conseguirá mais um alvará de soltura para acrescentar à sua coleção. O mesmo se diga do tal desaforamento anunciado agora [3]. Precisava cinco anos para chegar a essa conclusão?!
E o consórcio do crime? Nada mais tem a temer! A poeira há tempo sentou. Afinal, já há quem responde pelo homicídio! Por que procurar outros para submetê-los a processos complicados? Por que investigar a quem já não quer lembrar-se de nada? E aqueles que de longa data prepararam o terreno e o ambiente para que a irmã fosse morta? Agora negam tudo! Há pessoas que andaram de cima para baixo com a Dorothy e com ela comeram farofa na casa da Prelazia. Hoje estão do outro lado! Habilitaram-se a jogar no time adversário! É o salmo 41 bem atualizado: "Até meu amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou o calcanhar contra mim" (Sl 41 (40),10).
Neste ano de 2010, o mês de fevereiro, em que Irmã Dorothy foi assassinada, ganha mais uma razão para tornar-se histórico. A Amazônia que Dorothy tanto defendeu e pela qual doou sua vida, recebe mais um golpe, desta vez de proporções que ainda nem sequer podemos vislumbrar. O Presidente da República me prometeu pessoalmente [4] a continuação do diálogo sobre o projeto Belo Monte. No dia primeiro deste mês o Ibama tornou pública a licença prévia para que o Xingu fosse barrado. 1522 km2 de destruição à vista: 516 km2 de área inundada e 1006 km2 de área deteriorada porque faltará água!
Todas as 40 condicionantes que a Licença Prévia elenca para serem observadas pela empresa que sairá vitoriosa no leilão, nada mais são que uma confissão pública do Governo que o projeto, se for executado, terá consequências desastrosas. Ao exigir um bilhão e meio de reais em projetos para mitigar os efeitos, o próprio Governo admite de antemão que Belo Monte causará um terrível e irreversível impacto sobre a Amazônia. Onde já se viu tanto esmero para atenuar sequelas antes de iniciar a obra? É a prova cabal de que o próprio Governo sabe que está dando um tiro no escuro. Até esta data, o Ibama nem sequer conseguiu identificar a abrangência e intensidade dos impactos. Como esse órgão então pode realmente atestar a viabilidade de Belo Monte? Lamentavelmente, quem sofrerá os trágicos efeitos não serão os tecnocratas em Brasília e políticos míopes, mas os povos desta região da Amazônia. O Xingu nunca mais será o mesmo. O solo será danificado, a floresta devastada e das águas turvas e mortas emergirão apenas os esqueletos esbranquiçados das outrora frondosas árvores.
É a política do rolo compressor, é a tática do fato consumado, é o método do autoritarismo que não aceita contestação!
E Dorothy, no seu túmulo, chora a desgraça anunciada!
Mas não deixa de encorajar-nos na luta em favor da vida contra projetos de morte. Nosso caminho é aquele traçado pelo Evangelho. Somos enviados por Jesus para anunciar a Boa Nova aos pobres e denunciar o que se opõe ao Evangelho da Vida, para quebrar as algemas da opressão e tirania, para defender o lar que Deus criou para todos nós e as futuras gerações, e proclamar um ano de graça do Senhor (cf. Lc 4,18-19).
Amém! Marána thá! Vem Senhor Jesus!
Anapu, 12 de fevereiro de 2010
Erwin Kräutler, Bispo do Xingu

6 de fevereiro de 2010

A Igreja no abismo !!! ? !!!

.
A igreja precisa de uma tríplice reforma:
teológico-catequética, espiritual e pastoral


P. Henri Boulad, sj *


[O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS à Igreja de hoje numa carta dirigida a Bento XVI. A missiva foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula nos meios eclesiais de todo o mundo].

Santo Padre:
Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Vós, pois o meu coração sangra ao ver o abismo no qual se está precipitando a nossa Igreja. Certamente desculpará a minha franqueza filial, inspirada na "liberdade dos filhos de Deus" à qual nos convida São Paulo, e pelo meu amor apaixonado pela Igreja.
Agradecer-lhe-ia também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que "são menos cinco" e que a situação não pode esperar mais.
Permita-me em primeiro lugar apresentar-me. Jesuíta egípcio libanês de rito melquita, de 78 anos. Desde há três anos sou reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de teologia no Cairo, diretor de Caritas-Egito e vice-presidente de Caritas Internationalis para Oriente Médio e África do Norte.
Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos nas suas reuniões como Presidente dos superiores religiosos de institutos no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são meus antigos alunos. Por outro lado, conheço pessoalmente o Papa Chenouda III, a quem via com frequência. E quanto à hierarquia católica da Europa, tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente muitas vezes com algum dos seus membros, como o cardeal Koening, o cardeal Schönborn, o cardeal Martini, o cardeal Daneels, o Arcebispo Kothgasser, os bispos diocesanos Kapellari e Küng, os outros bispos austríacos e outros bispos de outros países europeus. Estes encontros acontecem devido às minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suíça, Hungria, França, Bélgica... Nestas viagens dirijo-me a auditórios muito diferentes e aos media (periódicos, rádios, televisões...). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.
Visitei cerca de cinquenta países nos quatro continentes e publiquei uns 30 livros em 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, quiçá tenha "Gottessöhne, Gottestöchter" [Filhos, Filhas de Deus], que lhe fiz chegar pelo seu amigo o Pe. Erich Fink de Baviera.
Não digo isto para presumir, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções fundamentam-se num conhecimento real da Igreja universal e da sua situação atual, em 2009.
Volto ao motivo desta carta, e tentarei ser breve, claro e o mais objetivo possível. Em primeiro lugar, algumas constatações (a lista não é exaustiva):
1. A prática religiosa diminui constantemente. As igrejas são frequentadas por pessoas cada vez mais idosas que vão desaparecer num prazo bastante curto.
2. Os seminários e os noviciados esvaziam-se de dia para dia e as vocações desaparecem a um ritmo assustador. O futuro apresenta-se sombrio e não vemos quem virá atrás de nós para melhorar a situação.
3. Muitos padres deixam o exercício sacerdotal e o pequeno número dos que vão ficando, cuja idade frequentemente ultrapassa a da reforma, são obrigados a assumir o encargo de várias paróquias, fazendo-o de uma maneira apressada e administrativa.
4. A linguagem da Igreja é anacrônica, aborrecedora, repetitiva, moralizadora e completamente inadaptada à nossa época. Não pretendo afirmar que se deve dizer sim a tudo nem adotar uma atitude demagoga, pois a mensagem do Evangelho deve apresentar-se com toda a sua exigência e significado. O importante é começar a "nova evangelização" de que falava João Paulo II. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não consiste na repetição de tudo o que é antigo e que não interessa a quase ninguém, mas na invenção duma nova maneira de proclamar a fé aos homens do nosso tempo.
5. Para consegui-lo, é urgente uma renovação profunda da teologia e da catequese que devem ser completamente repensadas e reformuladas. Infelizmente, temos de constatar que a nossa fé é demasiado cerebral, abstrata, dogmática e que fala bem pouco ao coração e ao corpo.
6. A consequência é que uma grande parte dos cristãos foi bater à porta das religiões asiáticas, das seitas, da "new age", do espiritismo, das igrejas evangélicas ou de outras parecidas. Ficamos admirados? Eles buscam noutro lugar o alimento que não encontram entre nós, pois têm a impressão que em vez de pão lhes oferecemos pedras.
7. No que diz respeito à moral e à ética, as imposições do magistério sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados casados de novo, etc., já não interessam a quase ninguém e provocam nas pessoas cansaço e indiferença.
8. A Igreja católica que, durante séculos, foi a grande educadora na Europa, esquece que esta Europa se tornou adulta e intelectualmente madura, recusando ser tratada como uma criança que ainda não atingiu a idade do uso da razão. As maneiras paternalistas duma Igreja "Mater et Magistra" passaram de moda e são rejeitadas pela nossa época.
9. As nações que outrora foram as mais católicas - França, "primogênita da Igreja" ou o Canadá francês ultracatólico deram uma reviravolta de 180 graus, caindo no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outras nações europeias, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.
10. O diálogo com as outras igrejas e religiões tem recuado. O progresso constatado durante meio século está atualmente muito comprometido.
Perante tais constatações, a reação da Igreja é dupla:
• Ou considera sem importância a gravidade da situação e se consola constatando certos fervores e conquistas no campo mais tradicionalista e nos países do terceiro mundo.
• Ou invoca a confiança no Senhor que a socorreu durante 20 séculos e que vai continuar a ajudá-la também a superar esta nova crise, como o fez nas crises precedentes. Afinal, não tem ela promessas de vida eterna?
A isso eu respondo:
• Para resolver os problemas de hoje e de amanhã, não basta refugiar-se no passado nem apoiar-se em amostras sem fundamento sério.
• A aparente vitalidade da igreja nos continentes em vias de desenvolvimento é falaciosa. Mais cedo ou mais tarde, essas novas Igrejas passarão pelas mesmas crises vividas pelo atual cristianismo europeu.
• A modernidade é incontornável e foi por a Igreja ter esquecido isto que passa hoje por tal crise.
• Por que razão continuar uma política como um jogo da cabra-cega? Até quando recusar ver as coisas como elas são? Porque é que havemos de tentar salvar as aparências, uma fachada que hoje não consegue convencer ninguém? Até quando continuar nesta teimosia, nesta intolerância total a recusar todas as críticas, em vez de ver nelas uma ocasião de se renovar? Até quando iremos adiar uma reforma que se impõe imperativamente e que já tardou demais?
• Repito o que disse no princípio: é pouco o tempo que nos resta. A história não fica à nossa espera, sobretudo numa altura em que o ritmo se acelera e tudo anda tão depressa.
• Qualquer empresa comercial, ao constatar prejuízos ou um mau funcionamento, põe-se imediatamente em questão, convoca peritos, tenta recuperar, mobiliza todas as suas energias para se transformar radicalmente.
• E a Igreja? Quando pensa ela mobilizar todas as suas forças vivas para uma transformação integral? Vai ela continuar a ser dominada pela preguiça, cobardia, medo, orgulho, falta de imaginação e criatividade, por um quietismo culpável, convencida de que Deus tudo vai resolver e de que a situação atual acabará por ser ultrapassada como já o foram outras situações, talvez piores, no passado?

O que é que se pode então fazer? A Igreja precisa de três reformas urgentes:
• Uma reforma da sua teologia e da sua catequese, repensando completamente a fé e reformulando-a de uma maneira coerente e compreensível para a sociedade contemporânea.
• Uma reforma da sua pastoral, abandonando as estruturas herdadas do passado.
• Uma reforma da sua espiritualidade, inventando outra mística e concebendo os sacramentos de outra maneira, para encarná-los na existência atual e adaptar à vida do homem de hoje. A Igreja é formalista demais. Temos a impressão de que a instituição abafa o seu carisma e de que, para ela, o importante é, ao fim de contas, a estabilidade exterior, superficial, aparente. Corremos mesmo o risco de que Jesus, um dia, nos trate "de sepulcros caiados".
Para terminar, gostaria que houvesse em toda a Igreja um sínodo geral com a participação de todos os cristãos, católicos e não católicos, para analisar franca e abertamente todos os aspectos de que lhe falei e outros que poderiam ser sugeridos. Esse sínodo (evitemos a palavra concílio) duraria 3 anos e seria concluído por uma assembleia geral que faria um resumo de todos os resultados e elaboraria as conclusões.
Termino, Santo Padre, pedindo-lhe para me perdoar tanta franqueza e audácia e solicitando a sua bênção paternal.
Pe. Henri Boulad, sj
henriboulad@yahoo.com
* Jesuíta egípcio libanês de rito melquita. Reitor do colégio dos jesuítas no Cairo

16 de janeiro de 2010

Loverlock diz que quer ver a Terra do alto

.
'Vou ao espaço ver a Terra do alto, antes que desapareça'
Entrevista com James Lovelock

Os anos 70 nem tinham começado ainda e o britânico James Lovelock já trabalhava numa teoria que soou muito hippie, num primeiro momento, mas se revelaria profética. Considerado o pai do ambientalismo, o cientista foi um dos primeiros a levantar a questão do aquecimento global em sua hipótese de Gaia - em que apresenta a Terra como um organismo vivo e o homem como o seu maior predador. Seu novo livro, “Gaia: alerta final” (Ed. Intrínseca), em que trata das mudanças climáticas, acaba de ser lançado no Brasil.



A entrevista é de Roberta Jansen e publicada pelo jornal O Globo, 15-01-2010.

Eis a entrevista.

O senhor pretende ir ao espaço ver a Terra do alto?

Sim, eu quero ver a Terra do alto, antes que desapareça. Acho que não há nada como ver essa imagem. As fotos dos astronautas são tão impressionantes, quero ter a chance de ver por mim mesmo.

Em seu novo livro o senhor diz que essa imagem icônica da Terra “está sofrendo uma mudança sutil à medida que o gelo branco desaparece gradualmente, o verde das florestas e das pastagens se transforma lentamente no tom pardo das regiões desérticas e os oceanos perdem a tonalidade azul-esverdeadas (...) ao se tornarem desertos”. O senhor espera conseguir ver essas diferenças?


Tenho pensado sobre isso. Não vou tão alto quanto os astronautas. Talvez não consiga ver as mudanças que estão acontecendo. Não sei ainda quando vou partir. Fui conhecer a espaçonave em dezembro, mas o lançamento depende da aprovação do governo americano (Lovelock pretende ir ao espaço com a primeira companhia espacial privada do mundo, a Virgin Galactic).


Por que o senhor diz que a situação do planeta é pior do que aponta o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU?


Acho que eles subestimaram as mudanças. Mas o que me incomoda mais sobre as previsões é que ninguém tem muita certeza sobre o que está acontecendo. O cenário intermediário do IPCC fala em um aumento de temperatura de 3 graus Celsius até o fim do século, o que é muito ruim. Mas não sei se é real. As alterações não são tão suaves assim, acontecem mais abruptamente. O fato é que não sabemos o suficiente e é tolice fazer esse tipo de previsão.


Mas qual é a alternativa?


O mais importante é ter bons dados, vindos de toda parte. Não podemos fazer boas previsões se não tivermos bons dados, sem entender o que está acontecendo. Nos faltam dados da temperatura do oceano, por exemplo. E isso é importante porque todo o calor do Sol é absorvido pelo oceano.


O que o senhor achou dos resultados da reunião de Copenhague, que produziu apenas uma carta de intenções e não estabeleceu metas climáticas como se esperava?


Não esperava que nada de muito bom viesse de lá, e não veio mesmo. E nem poderia, se pararmos para pensar. As previsões do IPCC são muito amplas. Vão de (um aumento da temperatura média de) 2 graus Celsius até 8 graus Celsius no fim do século. Veja, é uma grande diferença e é difícil para os governos saberem em que acreditar.


O senhor acha que o acordo, como muitos disseram, é um bom primeiro passo?


Acho que é pura política. Não acredito que façam nada efetivamente. As intenções podem até ser boas, mas acho que nem sabem o que fazer exatamente. Não sabemos quais mudanças (climáticas) vão acontecer. E o público fica pressionando: “onde está o aquecimento global com todo esse frio?”. Não é fácil.


Os políticos têm a exata noção dos riscos que o planeta enfrenta. Por que não conseguem adotar medidas mais significativas?


Porque as principais coisas nas quais estão pensando são recessão e desemprego em seus países. Mesmo em Copenhague eles estavam pensando dessa forma. Não querem se comprometer com gastos (para deter o aquecimento global) que possam ampliar a recessão ou o desemprego.


O senhor acha que teremos outra oportunidade como essa? Outro momento político tão simbólico, com 110 chefes de Estado reunidos?


Mesmo que tenhamos, será inútil. Nada foi feito depois da Rio-92, nem depois de Kyoto, exceto mais reuniões. A única forma possível é enxergarmos vantagens financeiras no combate ao aquecimento. É dessa forma que se faz. É o que o Brasil fez com o álcool.


Na sua opinião, quem são os maiores culpados pelo aquecimento global? Quem deve pagar a conta? Os EUA? Os países em desenvolvimento? As economias emergentes?


Não há culpados, não devemos nos sentir culpados. Quando começamos a usar combustível fóssil para cozinhar, para mover máquinas, não pensávamos em destruir o planeta. Não houve má intenção, então não pode haver culpa. Agora que começamos a entender o problema, temos que tentar resolvê-lo. Claro que os EUA serão sempre responsabilizados, assim como a China. Mas acho que estamos todos envolvidos.


Como o senhor vê a posição brasileira em todo esse processo?


Acho a posição brasileira muito interessante, com muitas ações de sucesso, como o biocombustível. Mas acho que vocês também devem começar a se perguntar mais sobre as consequências do aquecimento. O que um aumento de temperatura de 4 graus Celsius a 5 graus Celsius até o fim do século poderá acarretar? E o que poderemos fazer sobre isso? Nós estamos nos preparando para esse tipo de mudança? Estamos procurando soluções locais?


O senhor acha que a adaptação é mais importante que a mitigação (a redução dos gases que causam o efeito estufa)?


Ambos são muito importantes. Mas todas as conversas que ocorrem hoje no mundo são sobre mitigação. É como se achassem que falar em adaptação fosse admitir que não se pode fazer mais nada. Não é bem assim. Temos que pensar em como vamos fazer.


Tantos anos depois de o senhor levantar a questão do aquecimento global pela primeira vez, ainda existem muitos céticos do clima. Como o senhor os vê?


Com muita simpatia. Sério. Eu os entendo de certa forma. Acho que estão errados, claro, o aquecimento global é real. Mas o que vai acontecer, quanto ou quando — pode demorar uma semana ou cem anos — nós não sabemos. Então eu simpatizo com os céticos porque eles intuem que tem algo faltando.


O seu novo livro se chama “Alerta final”. Estamos ficando sem tempo para prevenir o aquecimento?


Acho que não temos mais tempo para prevenir, se as coisas acontecerem como prevê o IPCC. Não vejo como as ações possam impedir que aconteça.

14 de janeiro de 2010

Alterações climáticas estão acontecendo mais rápido, diz Lovelock do que o previsto

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Em livro, James Lovelock alerta para o ritmo das mudanças climáticas


As previsões catastróficas sobre o aumento da temperatura mundial e a subida do nível dos oceanos, entre outras alterações climáticas causadas pelo aquecimento global, podem estar erradas. Na realidade, elas seriam ainda piores. É esta mensagem que o renomado ambientalista independente James Lovelock tenta passar em "Gaia: Alerta Final".

Conheça a nossa livraria especializada em aquecimento global
Biocombustíveis são embuste criado por interesses, diz autor em "Gaia: Alerta Final"

No capítulo "A Previsão Climática", ele cita uma pesquisa de 2007 publicada na conceituada "Science" que mostra claramente que existem divergências significativas entre as medições físicas e previsões feitas pelo IPCC (Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), o principal órgão mundial a estudar a questão. "O nível do mar medido subiu a uma velocidade 1,6 vez maior que a prevista", escreve.

O próprio título já faz jus à sua longa história de lutas pela preservação do meio ambiente. Atuando já há algumas décadas nesta área, o cientista ganhou notoriedade internacional ao elaborar a chamada hipótese Gaia, segundo a qual todos os elementos do planeta contribuiriam para manter condições ambientais equilibradas, agindo como um superorganismo. Desde que publicou estas ideias em "Gaia: Um Novo Olhar Sobre a Vida na Terra", explorou a mesma temática em diversos outros volumes, como "A Vingança de Gaia" ou "Gaia: A Prática Científica da Medicina Planetária", sempre tentando abrir os olhos do mundo para o problema.

Divulgação
O criador da hipótese Gaia adverte sobre falsas tecnologias "verdes"
Durante muito tempo, as ideias de Lovelock foram vistas com descrédito por boa parte da comunidade científica, disseminando-se principalmente entre áreas "menos ortodoxas" da ecologia e até entre místicos e esotéricos. Quando, no entanto, ele passou a defender publicamente o uso da energia nuclear como uma das melhores ações a serem tomadas para se combater o aquecimento global, ganhou desafetos também entre estes outros grupos.

Mas ele nunca esteve muito preocupado em evitar polêmicas. Em "Gaia: Alerta Final", ele faz duras críticas às ditas tecnologias verdes, principalmente às de geração de energia, como os parques eólicos e os biocombustíveis. No livro, ele afirma que algumas destas tecnologias não passam de "um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes". Leia aqui um trecho da obra.

O grande problema disso tudo, no entanto, não é que estamos em um ponto irreversível. O que aflige Lovelock é que ele acredita que não seremos capazes de implantar as soluções que criamos. "Nosso desejo de manter as coisas como estão provavelmente nos impedirá de nos salvarmos", alerta. Talvez seja por isso que, aos 90 anos, o seu último grande sonho seja ver a Terra, ou Gaia, do alto e, como os astronautas, confirmar que ela continua azul. Resta saber por quanto tempo mais ela continuará assim.

Tudo pode ser mudado, basta que nos unamos...

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Parece tão simples e, é justamente isso que o video nos mostra
através do canto de 156 nações do planeta.

O que mais precisamos?
O que é que mais necessitamos neste momento?

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, se não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha...”
( I Cor. 13,1-8)

como não consegui baixar o video ai vai a url do youtube

http://www.youtube.com/watch?v=x-_xzIPo4BU

31 de dezembro de 2009

2010 - Renova-se a esperança


Um novo tempo ( Ivan Lins)
"No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer

No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça"

Que este novo tempo nos encontre unidos na luta por um mundo mais fraterno,mais igual com a certeza de que trilhamos o caminho da luz em direção à construção do Reino. Feliz novo tempo! Feliz 2010 !

Cosmogênese Quotidiana

(J. Ricardo A de Oliveira)

Cosmogênese Quotidiana
(Ou Manvantara & Pralaya do dia a dia)


Transcender todo o tédio
Vencer o medo, o nojo, o ódio.
Vomitar a amargura
Lutar,
Até as últimas forças,
E,
Exaurido quedar...

Transcender a inércia
Vencer a pressa, a urgência o pânico...
Recolher os pedaços da luta
Recompor o universo desfeito em cacos
Cacos mortos...
Cal sobre os cacos,
Caos !...

Reiniciar o movimento/
Organizar o sentimento...
Emoção,
Caos,
Théos,
Deus ?
Luz !
Fiat !

23 de dezembro de 2009

A verdadeira história do Natal em cordel


21 de dezembro de 2009

Podem me chamar de sonhador, mas não sou o único.

Natal é tempo de Paz,
e uma das canções mais fantásticas sobre a Paz
é sem dúvida "Imagine."
O vídeo que vamos ver é especial,
em todos os sentidos...
Trata-se de um coral de surdos...
deixe que a emoção fale mais alto,
não se envergonhe se uma lágrima insitir em rolar pela sua face,
é sinal de que,
mesmo rodeado por tanta indiferença e consumismo,
o seu coração está preservado e muito VIVO.

http://www.youtube.com/watch?v=cSlGocYJ2Dk

20 de dezembro de 2009

“Jesuses” cotidianos

J. RIcardo A. de Oliveira
.
No alto de um morro,
em meio a favela,
num barracão qualquer,
ele chegou.

Não houve hospital.
Nem médico,
nenhum luxo,
nasceu quase no lixo.
De uma negra sofrida
De nome Maria,
Que como tantas Marias,
De ventre crescido,
sofrendo e sorrindo,
mesmo faminta ela ria
Para o reizinho que vinha.

Uma estrela brilhou,
No silencio,
Um choro se ouviu
E, apesar de tanta dor,
Maria era feliz.

No alto de um morro
Uma estrela a brilhar,
No Brasil
Num qualquer lugar
Esquecido ficou,
E como sempre acontece,
com os milagres de vida
Ninguém noticiou!

Mas naquele dia,
Quando aquela estela brilhou
Algo muito importante,
No quase silencio ocorreueu.
É que o negro menino
De Maria sem homem,
Lavadeira com fome,
Era pobre
E,
Mais que projeto de homem,

Era um Deus.

7 de dezembro de 2009

Conferência de Copenhague


A 15.ª Conferência das Partes acontece entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhagen, Capital da Dinamarca. O encontro é considerado o mais importante da história recente dos acordos multilaterais ambientais pois tem por objetivo estabelecer o tratado que substituirá o Protocolo de Quioto, vigente de 2008 a 2012.
Escolho para marcar esse importante evento um vídeo proibido nos EUA do cantor Michael Jackson muito sugestivo.
A Música chama-se"EARTH SONG" o clipe foi censurado nos Estados Unidos .
Esta gravação faz parte do filme "This is it".
Esta foi a última mensagem que ele deixou e que iria passar durante a tourné mundial que ia fazer...morreu dias antes...
O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.
A letra fala sobre desmatamento, pesca, poluição, e, por um pequeno detalhe, talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão.
"Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta.
Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clipe. Ou seja, o que não passa nos Estados Unidos ... pelo visto não passa em boa parte do resto do mundo.

Veja, então, o que os americanos não mostraram de Michael Jackson.
Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.



O Meio ambiente
é
o meio d'agente

26 de novembro de 2009

A Flor e a Náusea

(Carlos Drumond de Andrade)
.


Preso à minha classe e a algumas roupas,

Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu. "

6 de novembro de 2009

aquele que em mim, insiste em sorrir...

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Há um menino,

há um moleque

Morando sempre no meu coração

Toda vez que o adulto balança

Ele vem pra me dar a mão

Há um passado no meu presente

Um sol bem quente lá no meu quintal

Toda vez que a bruxa me assombra

O menino me dá a mão

E me fala de coisas bonitas

Que eu acredito que não deixarão de existir

Amizade, palavra, respeito

Caráter, bondade, alegria e amor

Pois não posso, não devo, não quero

Viver como toda essa gente insiste em viver

E não posso aceitar sossegado

Qualquer sacanagem ser coisa normal

Bola de meia, bola de gude

O solitário não quer solidão

Toda vez que a tristeza me alcança

O menino me dá a mão...



As vezes me assusto como o profeta Milton expressa tão bem aquilo que sinto...

Há dias que só mesmo esse menino e esse moleque me fazem suportar tanta mediocrdade
que somos obrigados a conviver em nossos dias atuais...

30 de outubro de 2009

Memória de Santo Dias da Silva 30 de Outubro

(Colaboração Graça Ribeiro)





Santo Dias da Silva foi um autêntico operário cristão (22/02/42 - 30/10/79), assassinado em defesa do povo oprimido. Conheceu, de perto, os problemas dos sem-terra. Foi lavrador e meeiro em Terra Roxa (SP), onde nasceu. Como metalúrgico, conheceu também os problemas das pessoas que moram na cidade. Teve participação ativa em Sindicato, Sociedade de Amigos de Bairro, Pastoral Operária, Comunidade Eclesial de Base (...)

O ano de 1979 foi um ano agitado. Em agosto, depois de vários anos de intensa movimentação popular exigindo anistia aos presos políticos e exilados, o governo editou a Lei de Anistia, estendendo-a também a torturadores e participantes do aparato repressivo.

Em março, a Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo fez seu primeiro congresso definindo como princípios de sua atividade uma frente de sindicalistas que lutavam pela mudança da estrutura sindical, que entendiam deveria ser independente do Estado e organizada a partir das comissões de fábrica.

Santo Dias participa desse processo agora mais amadurecido pela prática. De 31 de maio a 2 de setembro, o 1o. Congresso da Mulher Metalúrgica reforçou as teses da Oposição. Em outubro, os metalúrgicos começam nova campanha salarial. Desta vez, a reivindicação era 83% de aumento dos salários, não aceita pelos patrões.

Uma assembléia com seis mil trabalhadores na rua do Carmo decidiu, numa sexta-feira, iniciar a greve. No primeiro dia da paralisação, 28 de outubro, as subsedes do Sindicato, abertas para abrigar os comandos de greve, foram invadidas pela Polícia Militar, que prendeu mais de 130 pessoas. Sem o apoio do sindicato e com a intensa repressão policial sobre sua ação, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro, sendo a Zona Sul a região de maior concentração da categoria.
No dia 30, Santo Dias, como parte do comando de greve, saiu da Capela do Socorro, para engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvânia e discutir com os operários que entravam no turno das 14h00. Viaturas da PM chegam e Santo Dias tenta dialogar com os policiais para libertar companheiros presos.
A polícia agiu com brutalidade e o PM Herculano Leonel atirou em Santo Dias pelas costas. Ele foi levado pelos policiais para o Pronto Socorro de Santo Amaro, mas já estava morto. O corpo de Santo Dias só não “desapareceu” por conta da coragem de Ana Maria, sua esposa.
Ela entrou no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal, apesar de abalada emocionalmente e pressionada pelos policiais a descer, não cedeu. Divulgada a notícia de sua morte pelos vários meios de comunicação, seu corpo seguiu para o velório na Igreja da Consolação.
No dia 31 de outubro, 30 mil pessoas saíram às ruas da Capital para acompanhar o enterro e protestar contra a morte do líder operário, pelo livre direito de associação sindical e de greve e contra a ditadura.
Fonte:
http://www.cebs-sul1.com.br/sp-1/noticias/memoria-de-santo-dias

29 de outubro de 2009

A Igreja católica Imperial - Livro "A Igreja Católica "

continuando o resumo da obra de H Küng:

Através de um sonho, Constantino, imperador de Roma viu no “Deus dos Cristãos” e no “símbolo da Cruz” o motivo de sua vitória e sua ascensão ao trono de Roma. Sendo assim em 313 dc concedeu a liberdade de religião ilimitada a todo império. Em 315 aboliu o castigo de crucifixão. Em 321 o domingo foi introduzido como feriado e a igreja foi autorizada a receber legados.
Em 325 Constantino tornou-se soberano único do Império Romano e convocou o I Concílio Ecumênico, realizado em sua residência em Nicéa.

Com a liberdade religiosa no império romano as tensões internas no cristianismo, já presentes há muito tempo vieram à luz. A Cristologia interpretada em termos helenísticos, ou seja, o mistério do filho e do pai, cada vez mais feriam o monoteísmo. Pareciam 2 deuses e não um só.

Ário (presbítero Alexandrino Ário) criador do Arianismo, afirmava que embora o filho, o Cristo, tivesse sido criado antes de todas as coisas e de todos os tempos, ainda assim era uma criatura. Por temer uma grande separação em seu império, que com tanta dificuldade estava unificando, Constantino Convocou o Concilio de Nicéa.

No concílio todo o poder de decisão era do imperador.
O bispo de Roma não foi sequer convidado!
Por fim Constantino tornou as suas decisões oficiais, transformando-as em leis da igreja e do império. Com isso aproveitou para unir a igreja com o seu império.
Muitas das leis da igreja ate hoje em uso vem de decisões do Imperador Constantino, dentre elas a obrigatoriedade de “ouvir missas aos domingos e dias santos de guarda”.

O império passou a ter então a sua religião oficial, e uma “igreja imperial”.
É deste primeiro concílio que a igreja passou a ter um credo oficial, lei da igreja e do império, para todas as igrejas.
O credo dizia: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, mas não criado, “c o n s u b s t a n c i a l “ ao Pai...
Constantino fez questão de inserir a palavra “consubstancial”. A palavra foi enxertada !

A igreja primitiva via Jesus como subordinado ao Pai (o Único)
Essa idéia é oposta a inclusão por parte de Constantino do termo
consubstancial= mesma substancia no credo Niceno.( de Nicéa)

Mesmo fazendo todas estas modificações e determinando artigos de fé e doutrina, o imperador feria um dos princípios mais caros e iniciais do cristianismo, ele não era batizado. Portanto não havia recebido os mistérios, o que nos faz pensar em uma atuação de fora para dentro da comunidade cristã apostólica.
É possível até pensar-se em um “golpe” ...
Constantino só foi batizado, já no final de sua vida, que ocorreu em 337.
Com a morte de Constantino o reino foi dividido.

Constancio
senhor do oriente adotou uma política fanática contra os pagãos. As outras religiões foram erradicadas a força, já que o cristianismo era a religião oficial.

Teodósio
imperador do séc IV tornou a heresia um crime contra o estado ( crime de “lesa majestade” ).


Em menos de um século a igreja passa de perseguida a perseguidora !

A partir desta época a igreja rejeita praticamente suas raízes judaicas Os judeus passam a ser um povo maldito: o povo escolhido que quebrou a aliança com Deus.

Segundo Concilio Ecumênico de Constantinopla
Convocado por Teodósio em 381, definiu a identidade de substancia do Espírito Santo com o Pai e o Filho ( SS.Trindade).
Estes conceitos foram então suplementados ao credo Niceno, que passou então a chamar-se Credo Niceno-Constantinopolitano.
Basílio o grande, Gregório Nazianzeno e Grigório de Nissa - os três Capadócios elaboraram a fórmula ortodoxa da Santíssima Trindade, a saber: um único ser divino em 3 pessoas.

Com a Morte de Teosdósio em 395 o Império sedivide em Império do oriente e Império do ocisente. Apesar de Roma ser a principal sede do império o ponto focal da igreja estava no oriente.

Em 451, no IV Concilio Ecumênico de Calcedônia criou-se a fórmula cristológica Clássica: Jesus Cristo = uma pessoa divina com duas naturezas uma divina e outra humana.
Neste concílio foram discutidas e deliberadas decisões mais políticas do que teológicas.
Em um cânon solene foi concedido a Constantinopla o status semelhante a Roma: “A nova Roma”.
Entre 381 e 451 foram formados os 5 patriarcados clássicos, que exiistem até hoje e que obedeciam a uma hierarquia.
Roma – Patriarcado do Ocidente
Nova Roma – Constantinopla
Alexandria
Antioquia
Jerusalém

Embora Roma possa se arvorar em ser a primaz, todas as igrejas fundadas pelos apóstolos estavam no oriente, e com o maior número de cristãos.
O Cristianismo latino parecia nesta época (381-451) um apêndice do cristianismo Romano Oriental Bizantino, que era a liderança espiritual. Era justamente o Império do Oriente quem transmitia o paradigma ecumênico da igreja inicial. ( é por essa razão que as igrejas Ortodoxas , separadas de Roma posteriormente, reclamam para si até hoje, autenticidade dos verdadeiros ritos e do verdadeiro carisma cristão).
Em 1453, com a queda de Constantinopla, a segunda Roma, o paradigma passaria para os eslavos e Moscou seria finalmente a 3ª Roma.
A Igreja Russa tem até hoje profundas marcas Bizantinas.

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25 de outubro de 2009

A igreja Cristã inicial do livro " A Igreja Católica"

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Ainda baseado no livro " A Igreja Católica" de H Küng, segue mais um trecho.

A Palavra Católico - “Katholikos” não é usada no novo testamento, não há menção sobre uma “igreja Católica” nas escrituras.
É Sto. Inácio, bispo de Antioquia que em sua carta á comunidade de Esmirna que primeiro registra este termo, mas no sentido de “igreja inteira”, toda a igreja, em oposição a igrejas individuais e locais. Esta expressão que mais tarde será “eclésia cathólica” ou “universalis” denota a igreja universal e abrangente.

É curioso que em 1ª Coríntios, Paulo (um legalista por excelência) ache normal que a Eucaristia seja celebrada sem que qualquer pessoa tenha sido designada para isso.

Vem dai a idéia de que o batismo qualifica o batizado como sacerdote, que foi abandonada mais tarde com a formação do clero.

É no ano 100 em Antioquia que pela primeira vez aparece a tríplice hierarquia: Bispo, presbítero, diácono. A Eucaristia não podia mais ser celebrada sem o bispo.
Passa então a ser muito clara a divisão entre o clero e o povo.

Ser Cristão significava estar disposto a aceitar o martírio.
Importante é entender que aceitar não é buscar.

O Cristianismo aparece como verdadeira filosofia com Justino, um dos apologistas (165 DC).
No centro do cristianismo estava o “logos” divino, o “verbo” eterno implantado em cada ser humano como “semente da verdade” que iluminou os profetas de Israel e também os sábios da Grécia e finalmente se fez homem em Jesus de Nazaré.
Esta foi a concepção adotada por Orígenes de Alexandria no séc III. Ele é considerado como inventor da teologia como ciência.
Para ele a encarnação de Deus, em última análise, levava a divinização dos seres humanos.

Do ponto de vista de suas origens (hebraicas) a verdade cristã não era para ser teorizada e sim praticada, vivenciada. Por isso que em João 14,16, Jesus é chamado de O caminho, a verdade e a vida.

Com o “cristianismo helenista” as discussões foram tornando-se menos práticas.
Essa teorização esta cristologia do Logos foi afastando-se do ideal hebraico formulado pelo próprio Jesus, que era eminentemente prático em suas ações.
Começa a nascer uma doutrina que acaba por tranformar-se no “dogma do Deus encarnado”.
O termo católico ( inteiro,universal, abrangente) que na sua origem nada tinha de polêmico, passou a ser usado com enfoque de “crença verdadeira - única verdade”.

No séc. II a grande discussão era a gnose, para quem havia a crença da descida da centelha divina da vida ao corpo humano que precisava ser libertada para subir-ascender novamente, ou seja, do mundo divino da luz para o mundo mau da matéria e deste novamente para mundo divino da luz.

Irineu de Lyon defendia a fé (Pitis) simples da comunidade cristã.
Ele defendia os evangelhos, os mandamentos e os ritos simples em face do “Conhecimento” supostamente superior e puramente espiritual baseado em revelações, mitos, tradições secretas e sistemas de mundo específicos em combinação com rituais misteriosos e procedimentos mágicos e marcado por uma mitologização sincrética e uma hostilidade ao mundo, à matéria e ao corpo.

A IGREJA CATÓLICA, agora já uma instituição recusou-se a aceitar essa tendência gnóstica e reagiu com um conjunto de normas.
1) Adotou um credo sumário que era de costume no batismo que poderia ser suplementado com definições e dogmas que determinava os limites da “crença correta e ortodoxa”.

2) Foi estabelecido um cânone de escrituras do novo testamento baseado na Bíblia Hebraica para os escritos que eram “permitidos” e reconhecidos para a liturgia”.

3) Criação do cargo de “Episkopos”, ou bispo. Originalmente este se relacionava mais com a organização, mas gradativamente se ocuparia mais e mais com o ensino que deveria ser correto e apostólico com base na sucessão apostólica. Listas de Bispos e sínodos de bispos. A tradição, tornavam-se cada vez mais importante, o poder dos bispos crescia cada vez mais.
Os bispos tomaram lugar dos professores carismáticos e dos profetas e profetisas.
Estabeleceu-se uma estrutura hierárquica que impediu a emancipação e ordenação das mulheres ( até hoje observada na ICAR), desaparecem as diaconisas.
Passa-se a observar a hostilidade á sexualidade, um fenômeno generalizado no final da antiguidade, que assume uma marca especial no cristianismo.

O gênero masculino assume o poder da dominação no âmbito do sagrado – bispos e teólogos advogam a inferioridade feminina, mais tarde vão acrescentar a impureza como característica das mulheres.
Contra tudo que se observava nas primeiras comunidades primitivas, as mulheres estavam então excluídas, passavam a ser meras coadjuvantes.
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17 de outubro de 2009

Os Primórdios da Igreja. do Livro "A Igreja Catolica"

Já por mais de uma vez me pedem que eu escreva alguma coisa sobre a História do cristianiasmo e sobre o maravilhoso livro de Hans Küng esse teólogo fantástico de nossa época que escreveu inúmeras obras sobre o assunto, dentre eles "A Igreja Catolica" que serve de base para estes resumos.


Baseado na obra de Hans Küng de nome " A Igreja Católica “
Ed Objetiva/2001, Rio de Janeiro

Os Primórdios da Igreja.

Fundada por Jesus?

O Homem de Nazaré nunca usou o termo “igreja”. Jesus nunca proclamou uma igreja, nem a si mesmo, mas o “Reino de Deus”.
Ele convocou um grande movimento escatológico coletivo. Os 12 eram um sinal da restauração das 12 tribos de Israel.
Para irritação de beatos e tradicionalistas ortodoxos convidou também pessoas de diversas crenças ( Samaritanos), pessoas politicamente comprometidos (Coletores de impostos), pessoas que falharam moralmente ( adúlteros), pessoas exploradas sexualmente ( prostitutas).
Jesus era um grande crítico de seu tempo, da religião oficial de sua época, mas não fundou nenhuma igreja durante a sua vida.
A igreja surgiu depois de sua morte e ressurreição. De qualquer forma a “Eklesia” nunca foi uma organização de funcionários espirituais e sim uma comunidade que se reunia em hora e locais específicos para uma ação específica.

A grande pergunta que surge é se Jesus era católico.
A ICAR diz que sim, mas a questão que se coloca é: poder-se-ia imaginar Jesus de Nazaré, participando de uma missa papal, em S. Pedro em Roma?
Ou será que as pessoas ali presentes perguntariam como o grande inquisidor de Dostoievski; “Por que vens? Para nos perturbar?”.
Além disso, é difícil imaginar o Jesus do evangelho participando de uma hierarquia patriarcal.
Dificilmente alguém que lavou os pés dos seus discípulos e ensinou a servir e disse que: “o que dentre vós é o maior, torne-se o último”, pode ter desejado estruturas aristocráticas e monárquicas para sua comunidade de discípulos.
O espírito da igreja nascente ( comunidade de apóstolos) era Diakonia + serviço. Não havia autoridade hierárquica, Jesus sempre se manifestou claramente contra essa forma de estruturação.

A palavra sacerdote no novo testamento é designada para outras religiões nunca para a comunidade de cristãos. A palavra usada é “Presbítero” ou seja ancião.
Desde tempos imemoriais que as comunidades Judaicas eram (são) encabeçadas por anciãos (presbíteros). Certamente as primeiras comunidades tinham seus anciãos, como pode-se constatar nos Atos dos apóstolos.
Curiosamente Pedro era o discípulo mais velho, um ancião e logicamente o presbítero...

16 de outubro de 2009

Um depoimento sobre o querido Geraldo Magela

Graça é uma amiga virtual, dessas que mesmo sem nunca termos nos visto parece que já nos conhecemos há muito tempo. É uma pessoa muito bonita, uma militante das Comunidades Eclesiais de base lá de Sampa, fermento na massa, trabalhadora da construção do Reino.
Ela me escrevei falando de Gedraldo e do que ele tinha feito na vida dela e eu não resistí, pedi a ela para colocar odepoimento aqui no Blog, como ela permitiu, aí vai.
Que Geraldo interceda por vocês sempre, e se puderem leiam "o bêbado de Deus" uma história de um santo muito especial.

Fala Graça:

Zeh, a história é muito longa, maior que a entrevista do Boff. Bem, quando meu filho caçula nasceu, o neonatologista foi claro, o diâmetro da cabeça indicava problemas. Ele chorava muito, custou a andar e falar, bem diferente dos irmãos mais velhos, só se destacava por sua grande inteligência, começou a ler aos dois anos de idade, como isso aconteceu? Não sabemos... Os neurologistas diziam que ele tinha um alto QI e um baixo QE. Sempre foi o "patinho feio", não conseguia escrever e na escola era o"bobo" da turma, nunca conseguiu nadar ou andar de bicicleta. Resultado: super protegido pela mãe e pela família. Até que um dia, eu "a super mãe", fui a capela do bairro, e ali recebi o convite para ler a vida do santo padroeiro da paróquia. Não conhecia nada sobre o santo e não pude ler antes da celebração, então, de primeira, comecei a ler a vida de São Geraldo Magela. Á medida que lia, me identificava com o história, até que chegou a parte da mãe de São Geraldo (Dona Benedita) que o prende em casa para que ele não seguisse os redentoristas e Geraldo foge pela janela. Depois a carta de encaminhamento de Geraldo, escrita pelo Pe. Cáfaro para o Santo Afonso : AÍ SEGUE UM SERVO INÚTIL. Parei por aí e comecei a chorar, ninguém entendeu nada, mas sai dali disposta a mudar. Literalmente, "joguei meu filho no mundo". Claro que contei com o apoio da família e da equipe multidisciplinar que o acompanhava, mas foi muito difícil. Hj o meu patinho feio já se transformou num lindo cisne negro (mãe é coruja mesmo). Lembro que conseguiu amarrar o cadarço do tênis aos 12 anos e foi um acontecimento, nesse dia ajoelhei diante da imagem de São Geraldo e agradeci. O mais importante é que ele aprendeu a conviver com algumas das limitações e a superar outras tantas. Sei que foi o "dedo de Deus" que me indicou para aquela leitura e foi São Geraldo quem me "chacoalhou" para que eu acordasse e descobrisse que os "especiais" tb são amados por Deus e só precisam de oportunidades, não de super proteção. Este ano meu filho forma-se por uma conceituada universidade e já trabalha no serviço público como funcionário concursado.
É tão sereno e determinado quanto São Geraldo, seu padrinho.

Valeu minha amiga.

14 de outubro de 2009

A revolucionária Teresa D’Ávila

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Nada te perturbe.
Nada te espante.
Tudo passa.
A paciência tudo alcança.


Nada me perturbe.
Nada me espante.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta.

Ela nasceu no dia 28 de março de 1515 e foi batizada Tereza de Cepeda Y Ahumada , em Avila, Castilha, Espanha. Era filha de Alonso Sanchez de Cepeda e Beatrice Davila y Ahumada. Tereza foi educada pelas irmãs Agostinianas até 1532 quando ela voltou para casa por causa de sua saúde. Quatro anos mais tarde ela entrou para o Convento das Carmelitas Descalças, em Ávila, um estabelecimento que era negligente com relação pobreza e a clausura.
Ela voltou de novo para casa em 1536 por dois anos devido a sua saúde.
De 1555 a 1556 ela teve visões e ouviu vozes. No ano seguinte São Pedro de Alcântara passou a ser o seu diretor espiritual e ajudou-a sobremaneira em seu apostolado religioso. Desejosa de ser uma freira que obedecesse com austeridade a regra das Carmelitas, Santa Tereza fundou em 1567 o convento de São José em Ávila onde ela foi seguida por outras irmãs que desejavam uma vida mais austera.
Em 1568 ela recebeu permissão do Pior Geral da Ordem das Carmelitas para continuar no seu trabalho e ela fundou 16 outros conventos ,recebendo o apelido e "a freira ambulante " devido as suas freqüentes viagens.
Tereza se encontrou com São João da Cruz outro Carmelita buscando a reforma, em Medino del Campo, local do seu segundo convento. Ela fundou ainda um monastério para homens em Duruelo em 1568 , mas passou a responsabilidade dirigir e reformar ou fundar outros novos monastérios para São João da Cruz.

A oposição se desenvolveu entre as Carmelitas (calçadas)e membros da Ordem original e o Consilho de Piacenza em 1575 restringiu muito as suas atividades. A rixa continuou até que o Papa Gregório XIII (1572-1585) a pedido do Rei Felipe II, da Espanha, reconheceu as Reformadas Carmelitas Descalças como uma província separada da Ordem das Carmelitas originais. Nesta altura a maturidade espiritual de Santa Tereza era evidente e os seu livros e cartas foram sendo conhecidos e passaram a se tornar clássicos da literatura espiritual e logo incluíram sua autobiografia chamada "O caminho da Perfeição" e o seu livro "Castelo Interior" como clássicos da teologia espiritual.
Santa Tereza foi reverenciada como uma grande mística, tendo notável senso de humor e bom senso, combinando uma deslumbrante atividade, com uma mística contemplação.
Ela morreu no dia 4 de outubro de 1582 (14 de outubro pelo calendário Gregoriano que passou a vigorar no dia seguinte a sua morte, e avançou o calendário por 10 dias).
Foi canonizada em 1622 pelo Papa Gregório XV e declarada Doutora da Igreja em 1970 pelo Papa Paulo VI.




Não deixe que Morra !

J. Ricardo A de Oliveira
Vista hoje, quase 40 anos depois esta música de 1971 de Hurricane Smith, que embalou os passos nos bailes de muitos dos sessentões atuais, poderia ser encarada como profética.
Certamente imaginávamos que vivíamos sob a ameaça de uma 3ª Guerra mundial, de uma destruição atômica, mas não imaginávamos que poderíamos sofrer risco de extinção por nossas ações inconsequentes.
Mas, ainda é tempo !
Pequenas ações podem fazer toda a diferença. Algo simples como separar lixo orgânico do lixo do reciclável. Ou repensar o gasto de água potável, fechando a torneira emquanto se ensaboa. Ou talvez simplesmente apagando as luzes ao sair de um cômodo.
São pequenas ações, feitas por um grande número de pessoas que podem não deixar morrer o nosso sonho.