O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

3 de abril de 2010

Liturgia das horas - Sábado Santo


De uma antiga Homilia no grande Sábado
Santo (séc IV), de um autor grego
desconhecido - Da Liturgia das Horas –
II leitura do Sábado Santo.

“Que está acontecendo hoje? Um grande
silêncio reina sobre a terra. Um grande
silêncio e uma grande solidão. Um grande
silêncio porque o Rei está dormindo; a
terra estremeceu e ficou silenciosa,
porque o Deus feito homem adormeceu e
acordou os que dormiam à séculos. Deus
morreu na carne e despertou a mansão dos
mortos.

Ele vai, antes de tudo, à procura de
Adão, nosso primeiro pai, a ovelha
perdida. Faz questão de visitar os
que estão mergulhados nas trevas e na
sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao
encontro de Adão e Eva cativos, e agora
libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam,
levando em suas mãos a arma da cruz
vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro
pai, o viu, exclamou para todos os
demais, batendo no peito e cheio de
admiração: “O meu Senhor está no meio de
nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com
teu espírito”. E tomando-o pela mão,
disse: “Acorda, tu que dormes,
levante dentre os mortos, e Cristo te
iluminará. Eu sou o teu Deus, que por
tua causa me tornei teu filho; por ti e
por aqueles que nasceram de ti, agora
digo, e com todo o meu poder, ordeno aos
que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que
jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”;
e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”


Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes,
porque não te criei para permaneceres na
mansão dos mortos. Levanta-te, obra de
minhas mãos; eu sou a vida dos mortos.
Levanta-te, obra das minhas mãos;
levanta-te, ó minha imagem, tu que foste
criado à minha semelhança. Levanta-te,
saiamos daqui; tu em mim e eu em ti,
somos uma só e indivisível pessoa.


Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu
filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua
condição de escravo. Por ti, eu, que
habito no mais alto dos céus, desci à
terra, e fui mesmo sepultado abaixo da
terra; por ti, feito homem, tornei-me
como alguém sem apoio, abandonado entre
os mortos. Por ti, que deixaste o jardim
do paraíso, ao sair de um jardim fui
entregue aos judeus e num jardim,
crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti
recebi; para restituir-te o sopro da
vida original. Vê nas minhas faces as
bofetadas que levei para restaurar,
conforme à minha imagem, a tua beleza
corrompida. Vê em minhas costas as
marcas dos açoites que suportei por ti
para retirar dos teus ombros os pesos
dos pecados. Vê minhas mãos fortemente
pregadas à árvore da cruz, por causa de
ti, como outrora estendeste levianamente
tuas mãos para a árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança
penetrou no meu lado, como Eva surgiu do
teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado
curou a dor do teu lado. Meu sono vai
arrancar-te do sono da morte. Minha
lança deteve a lança que estava voltada
contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te
expulsou da terra do paraíso; eu, porém,
já não te coloco no paraíso mas num
trono celeste. O inimigo afastou de ti a
árvore, símbolo da vida; eu, porém, que
sou a vida, estou agora junto de ti.
Constituí anjos que, como servos, te
guardassem; ordeno agora que eles te
adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Está preparado o trono dos querubins,
prontos e a postos os mensageiros,
constituído o leito nupcial, preparado o
banquete, as mansões e os tabernáculos
eternos adornados, abertos os tesouros
de todos os bens e o reino dos céus
preparado para ti desde toda a
eternidade.”

2 de abril de 2010

A “teologia da cruz” como subversão e poesia dos crucificados

(Paulo Nascimento)


Fecisti nos ad Te et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te.
[Fizeste-nos para Ti, e nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Ti.]
(Santo Agostinho, Confissões, Livro I)


Considero a “teologia da cruz”, como elaborada por Paulo de Tarso, um duplo exercício intelectual de subversão e poesia.
Mas também não posso deixar de dizer que o Cristianismo parece ter desprezado o sentido político da crucificação de Jesus. Para Rudolf Bultmann foi justamente Paulo o primeiro a “espiritualizar” a crucificação, tornando-a de um evento político num evento religioso. Eu discordo totalmente dessa interpretação. Prefiro pensar com Pablo Richard, para quem a despolitização do evento da crucificação de Jesus de Nazaré foi levada a cabo mais tardiamente, pelos quatro primeiros concílios ecumêmicos da Igreja Católica. Na verdade, já o Credo Apostólico parece testemunhar um claro desprezo tanto pela práxis de Jesus de Nazaré quanto pelas razões humanas da crucificação. No Credo, os únicos elementos mencionados da vida concreta de Jesus são seu nascimento e sua morte. Os três anos de sua subversiva atividade não são contemplados na produção desse documento dos primeiros séculos da Era Cristã. Portanto, Paulo de Tarso não deveria ser responsabilizado por tal esvaziamento dos significados políticos da cruz.
A Sexta-feira Santa talvez seja o melhor dia do ano para dizer que a crucificação de Jesus foi um evento político-religioso. Gosto da frase de Frei Betto, mencionada pelo meu amigo Ascânio Júnior, que diz que “Jesus não morreu atropelado por um jumento numa esquina de Jerusalém”. Nossa teologia cristã se aferrou por muito tempo à idéia de que o Império Romano interpretou de forma equivocada a práxis de Jesus. Instigados pelas perturbações religiosas da elite sacerdotal judaica, os romanos teriam se equivocado na acusação impetrada contra Jesus de Nazaré. Dessa forma, a sua crucificação permaneceria sendo um evento de dimensões meramente religiosas, ligada à “teologia do sacrifício vicário” oferecido por Deus aos seres humanos.
Richard A. Horsley e John Dominic Crossan talvez sejam dois dos melhores nomes que têm nos ajudado a compreender o significado político da crucificação de Jesus de Nazaré. Conforme eles, a acusação romana resumida na inscrição ao alto da cruz Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum foi legítima. Com isso não se está concordando com a sentença do aparelho judicial romano em sua condenação de Jesus de Nazaré. O que se está afirmando é que conforme a natureza da atividade de Jesus de Nazaré, outra acusação não seria possível. Também se está afirmando que somente hoje, a partir de nossa dicotomia moderna entre práticas estritamente políticas e práticas estritamente religiosas, é que podemos pensar que a práxis de Jesus era exclusivamente dirigida à correção das almas humanas. Ora, sua crucificação é a melhor prova de que as coisas não eram bem assim!
A crucificação, por parte dos romanos, constituía a pena capital do aparelho jurídico imperial a fim de preservar o controle, a dominação e a expropriação econômica das províncias subjugadas pela presença romana. O controle, a dominação e a expropriação das províncias subjugadas davam o suporte econômico para a Pax et Securitas Romana, que era pax et securitas somente para os próprios romanos. Profetas ambulantes movidos à base de meros sonhos religiosos, numerosos naqueles dias, nunca exigiram o gasto de um prego por parte de Roma. Pregos, madeiros, soldados e armas, eram exclusivamente utilizados contra aqueles que representavam uma ameaça concreta às campanhas imperiais de expropriação das colônias, sobretudo com a prática abusiva de impostos. Conforme Horsley, a cruz romana deveria ser dirigida exclusivamente aos “bandidos”, isto é, ela era uma forma de reprimir os insurretos que representassem uma ameaça à expropriação imperial feita em nome da pax romana.
Nesse contexto, a atividade de Jesus de Nazaré não pode ser circunscrita a uma atividade meramente religiosa. Ela se inscreve numa tradição de resistência anti-imperial presente em Israel, representada sobretudo pelos profetas. Mais do que a correção das almas humanas, a práxis de Jesus de Nazaré deve ser vista como a luta por revitalizar as formas tradicionais de vida na Palestina, que vinham sendo paulatinamente esmagadas pela opressão imperial. Tais formas tradicionais de vida deveriam ser marcadas pelo comunitarismo, pela fraternidade e por uma sociedade sem os flagelos da pobreza, da miséria e da exclusão (por exemplo, cf. Dt 15,7-11). Não estou equiparando o “movimento de Jesus” aos demais movimentos revolucionários e aos banditismos sociais contemporâneos a Jesus de Nazaré na Palestina. Mas a cruz, como repressão máxima do aparelho jurídico romano, foi o fim comum entre Jesus de Nazaré e os demais líderes de movimentos anti-imperiais de que temos notícia naqueles dias.
A “teologia da cruz” como subversão dos crucificados
Paulo de Tarso, mais do que todos nós hoje, sabia de todos esses pormenores. E ainda que ele quisesse esvaziar o conteúdo político da cruz, isso não lhe seria possível, a menos que sua atividade apostólica fosse desempenhada fora do alcance geográfico do Império Romano. Sua “teologia da cruz”, pelo contrário, se dá justamente no miolo do Império. E eu concordo com Neil Elliott quando afirma que, mais do que isso, a “teologia da cruz” em Paulo se dá em oposição deliberada ao Império. Utilizar a cruz como símbolo teológico tal como Paulo o fez seria insano, a menos que ele quisesse fazê-lo como oposição deliberada ao Império, como diz Elliott.
Num raciocínio simples, perguntemo-nos o seguinte: como o Império reagiria ao saber que alguém propalava em algumas de suas principais cidades (Corinto, Roma, Éfeso, Tessalônica etc) que um dos muitos “bandidos” e “insurretos judeus” abatidos pela crucificação agora havia ascendido à condição de Sotér kai Kýrios (Salvador e Senhor)? Não seria subversivo atribuir a um crucificado os títulos cabíveis somente ao Divino César – justamente os títulos de Senhor e Salvador (1Co 12,3)? Mais ainda subversivo do que atribuir os títulos pontifícios a um crucificado galileu, é afirmar que os “príncipes deste mundo” (archontes em grego, uma explícita alusão aos dirigentes do Império [1Co 2,6-8]) estão julgados por terem crucificado aquele insurreto.
Portanto, fazer do crucificado Sotér kai Kýrios não pode ser tomado como um esvaziamento do caráter político da cruz. Num contexto de dominação imperial, essa teologização só pode ser vista como um grande ato subversivo, de afronta deliberada às autoridades romanas, sobretudo ao Imperador. Não devemos esquecer que a política de expansão romana se dava justamente à base das prerrogativas messiânicas da pax, securitas et soteria – paz, segurança e salvação –, agora tributadas ao crucificado Jesus de Nazaré.
No plano das possibilidades e desdobramentos dessa “teologia da cruz”, temos então a potencialização e o empoderamento de todos crucificados e crucificadas do mundo. O próprio Paulo chegou a explorar esses desdobramentos, ao dizer que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são” (1Co 1,27-28). É por isso que a palavra da cruz só pode ser “loucura” para uns e “poder de Deus” para outros (1Co 1,18).
Isso quer dizer que uma “teologia cruz”, enquanto potencialização e empoderamento dos humilhados e humilhadas da terra, é mais do que necessária entre nós que hoje vivemos entre milhares de crucificados e crucificadas [Não é Alagoas, por exemplo, um estado majoritariamente feito de crucificados e crucificadas?]. Nesse sentido, a “teologia da cruz” consiste em falar do potencial que os humilhados e humilhadas têm de retomar a força e de serem autores de sua própria história. Significa tratar-lhes de forma não infantilizada. Mas, como dizia o grande psicólogo social Ignácio Martin-Baró, significa explorar o potencial de libertação latente no coração dos próprios oprimidos. Significa ainda viver à luz da convicção de que, se a história hoje é escrita em função dos crucificadores, amanhã é possível uma reversão disso, de modo que ela seja escrita pelos crucificados.
Assim como o crucificado de ontem foi feito Senhor e Salvador, uma “teologia da cruz” consiste em que os crucificados e crucificadas de hoje também possam ser feitos “senhores” e “salvadores”, pelo menos de suas próprias histórias.
A “teologia da cruz” como poesia e reconciliação
A Adélia Prado dizia no programa Sempre um Papo que a criação poética consiste num exercício de transcendência. A pedra que Carlos Drummond de Andrade viu não é a mesma que eu vi hoje no meio do caminho. O corpo feminino que instigou Vinicius de Moraes a escrever o poema Receita de Mulher não é o mesmo corpo feminino que o anatomista vê. Os seres humanos se tornam poetas e poetizas assim que esta capacidade de ver as coisas “transcendidas” os alcança. E é assim mesmo: é essa capacidade que os alcança, e não elas a ela!
Pensando assim eu reputo a “teologia da cruz” como uma poesia de tamanho maior. Porque ver a pedra no meio do caminho e um belo corpo feminino transcendidos, talvez esteja entre a média da criação poética. Mas ver um espetáculo como a crucificação, marcado pelo horror e o terror, transcendido como a forma com que “Deus reconcilia consigo todo o mundo” (2Co 5,19), ou é o Maior Delírio Psicótico da História, ou é a criação poética maximizada à toda potência. É por meio da fé que fazemos a segunda opção!
A crucificação era um espetáculo de horrores. Como Michel Foucault mostrou muito depois em Vigiar e Punir, “o corpo” era o local de manifestação das penas judiciárias. Todos os pormenores do ritual de suplício no corpo dos condenados deveriam ser minimamente regulamentados pelos códigos penais vigentes. No caso das crucificações romanas, a quantidade de chibatadas, o quebrar dos braços e pernas, a posição e a quantidade dos pregos, a caracterização pública do tipo de crime cometido (no caso de Jesus, a ridicularização da sua “realeza” por meio da coroa de espinhos), deveriam estar detalhadamente explicitados nos códigos penais. Conforme Foucault, o horror dos suplícios se prestava a duas coisas: (1) à afirmação do poder soberano sobre os corpos dos supliciados; (2) e o caráter exemplar para as testemunhas. Não é possível afirmar se Mel Gibson, em Paixão de Cristo, reproduziu com fidelidade o horror da crucificação de Jesus de Nazaré. Mas é possível arriscar a opinião de que sua dramaturgia deva estar mais próxima da crueldade das crucificações que a maioria das representações iconográficas que temos delas.
A “teologia da cruz”, tal como a temos em Paulo, transcende esse aspecto de horror ao ver na cruz a reconciliação do mundo com Deus (Cl 2,14-15).
Mas que significa estar reconciliado com Deus? Num mundo cheio de crucificados e crucificadas, como ter a paz que advém da reconciliação com Deus? Nesse mundo de crucificados e crucificadas, paz e sossego não seriam sinônimos de cinismo? Gosto da resposta que Rubem Alves deu a essas perguntas em sua tese de doutorado. Ele dizia em 1969: “Estamos reconciliados com Deus na medida em que compartilhamos da sua irreconciliação com o mundo, irreconciliação que faz com que Deus e os homens sofram. Por isso a paz com Deus significa uma ‘espada’ para o mundo: o julgamento permanente e a rejeição da inverdade daquilo que é, em favor de um novo amanhã de reconciliação e libertação”.
Sim, uma vez que Deus não está em paz com o mundo, estar reconciliado com Ele significa estar “inquieto” junto a Ele, até que “a justiça corra com um rio perene” (Am 5,24). A “teologia da cruz”, portanto, consiste nessa inquietação que nos impele a uma prática transformadora no mundo, e que tem por fundamento o movimento poético de ver a reconciliação do mundo com Deus, num lugar onde aparentemente reina um espetáculo de horrores.

Trabalhos citados
ALVES, Rubem. Da Esperança. Campinas: Papirus, 1987
BULTMANN, Rudolf. O significado do Jesus histórico para a teologia de Paulo. In: Crer e compreender: Ensaios selecionados. São Leopoldo: Sinodal, 2001
CROSSAN, John Dominic. O Jesus Histórico: A vida de um camponês judeu no mediterrâneo. Rio de Janeiro: Imago, 1997
ELLIOTT, Neil. A mensagem antiimperial da cruz. In: HORSLEY, Richard A. (Org). Paulo e o império: Religião e poder na sociedade imperial romana. São Paulo: Paulus, 2004
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. 36ª edição, Petrópolis: Vozes, 2009
HORSLEY, Richard A. Jesus e o império: O reino de Deus e a nova desordem mundial. São Paulo: Paulus, 2004
________ (Org.). Paulo e o império: Religião e poder na sociedade imperial romana. São Paulo: Paulus, 2004
MARTIN-BARÓ, Ignácio. Para uma Psicologia da Libertação. In: GUZZO, Raquel & LACERDA JR., Fernando. Psicologia Social: O resgate da Psicologia da Libertação. São Paulo: Alínea, 2009
RICHARD, Pablo. El Jesús histórico y los cuatro evangelios: Memoria, credo y canon para una reforma de la Iglesia. http://www.servicioskoinonia.org/relat/343.htm

www.opiocoisanenhuma.blogspot.com
www.aliancadebatistas.com.br
http://www.novosdialogos.com/


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21 de março de 2010

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS

(Rabino Nilton Bonder)

Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e alienação.
Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem "ficar", trocando o "ser" pelo "estar".
Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.
Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.
A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande "radical livre" que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

15 de março de 2010

Os Chacras

Com o lançamento do livro de Leonardo Boff [Meditação da luz: O caminho da simplicidade]que cita os Chacras e a energia Kundalini cresceu a curiosidade de algumas pessoas sobre esse assunto. sendo assim resolvi postar algo a respeito.



OS CHAKRAS
Em cada ser humano existe uma rede de nervos e órgãos sensoriais que interpretam o mundo físico exterior. Ao mesmo tempo, em nós, reside um sistema sutil de canais (nadis) e centros de energia (chakras) que cuidam do nosso ser físico, intelectual, emocional e espiritual.
A palavra chakra (chacra) é sânscrita e significa roda. Os chakras, ou centros de força, são pontos de conexão ou enlace, pelos quais flui a energia de um a outro veículo ou corpo do homem da superfície, quando este se encontra sob a lei do karma e sob a lei do livre arbítrio. Os clarividentes podem vê-los facilmente no duplo etérico, em cuja superfície aparecem sob forma de depressões semelhantes a pratinhos ou vórtices. Desse modo cada chakra assemelha-se a uma flor cujas pétalas estão em movimento constante e harmônico. Quando já totalmente desenvolvidos, assemelham-se a círculos de uns cinco centímetros de diâmetro, que brilham mortiçamente no homem comum, mas que, ao se excitarem vividamente, aumentam de tamanho e são vistos como refulgentes e coruscantes torvelinhos à maneira de diminutos sóis. Todas essas rodas giram incessantemente e pela boca aberta de cada uma delas flui continuamente a energia do mundo superior, a manifestação da corrente vital diamante do Segundo Aspecto do Logos Solar, a que chamamos energia primária, de natureza sétupla, cujas modalidades in totum agem sobre cada chakra, ainda que com particular predomínio de uma delas segundo o chakra. Sem esse influxo de energia, não existiria o corpo físico.

São ao mesmo tempo transmissores e transformadores de energia de corpo para o corpo, uma vez que seu mecanismo sincroniza as energias emocionais, mentais e etéricas. Eles aumentam ou reduzem a energia, ou moderam ou aceleram sua atividade, de um corpo para outro, de modo que a energia mais rápida do corpo emocional possa afetar a energia mais lenta do etérico, e vice-versa.
As cores, que variam de chakra para chakra, também reluzem de um modo que contribui para sua aparência de flor. Numa pessoa saudável, as formas dos chakras se encontram num belo equilíbrio simétrico e orgânico, em que todas as partes fluem em uníssono, num padrão rítmico. Seu movimento tem na verdade um caráter harmônico e musical, com ritmos que variam de acordo com as diferenças individuais de constituição e temperamento.
Portanto, os chakras atuam em todos os seres humanos. Nas pessoas pouco evoluídas seu movimento é lento, o estritamente necessário para formar o vórtice adequado ao influxo de energia. No homem bastante evoluído, refulgem e palpitam com vívida luz, de maneira que por eles passa uma quantidade muitíssimo maior de energia, e o indivíduo obtém como resultado o acréscimo de suas potências e faculdades.

Os principais chakras do corpo etérico estão alinhados ao longo de um eixo vertical, com os cinco chakras inferiores paralelos à medula espinhal, estendendo-se da base da coluna vertebral ao crânio, e os outros dois, um situado entre as sobrancelhas e o outro no alto da cabeça. Este último, o Chakra Coronário, é em geral maior do que os outros, sendo a sede dominante da consciência.



Os chakras variam de tamanho e brilho, que indicam talentos e habilidades especiais. O centro laríngeo e frontal de um cantor talentoso, por exemplo, é bem maior do que o normal, além de mais brilhante e mais luminoso, girando ainda com maior rapidez.
Cada um dos centros possui ligações especiais com determinados órgãos do corpo, bem como com certos estados de consciência.
As glândulas endócrinas – projeções físicas de cada um dos sete chakras – são sustentadas pelos padrões de energia oriundos de cada um deles a que estão relacionadas.
Os chakras também revelam a ênfase fundamental do indivíduo – o foco do "Eu". Se uma pessoa se identifica basicamente com os sentimentos, os centros do coração e o do plexo solar serão mais ativos e proeminentes do que os outros. Um frontal muito brilhante indica um grau de integração pessoal; um coronário luminoso indica o desenvolvimento da consciência espiritual.
O fio da consciência que desperta está ligado ao núcleo do Chakra Coronário. Durante o sono esse fluxo de energia diminui, sendo reativado no momento do despertar. O fio da vida (Cordão de Sutratma) contudo, liga o Chakra Cardíaco ao coração físico, e essa ligação não se rompe durante a vida. Na ocasião da morte, o fio da consciência se retira do Chakra Coronário e o fio da vida se desliga do coração, sinalizando a desintegração de todos os outros chakras.

As principais funções dos chacras etéricos são:
1- absorver e distribuir o prana ou energia vital ao corpo etérico e, através deste, ao corpo físico;
2- manter as ligações dinâmicas com os chakras correspondentes nos corpos emocional e mental.
O físico é afetado não apenas pela velocidade do fluxo da energia etérica, mas também pelo grau de harmonia no seu ritmo, e qualquer obstrução que possa deformar os padrões normais de energia resultam na perda de vitalidade e em doença. O processo da doença é bastante visível nos chakras, uma vez que não apenas rompe seu movimento harmônico como também altera a textura dos seus componentes.


CHAKRAS E BIJA-MANTRAS*



SÉTIMO CHAKRA - CORONÁRIO
(do sânscrito: "Sahashara": "O lótus da mil pétalas")

Localização: topo da cabeça
Correlação física: ligado à glândula pineal (epífise). É o chakra mais importante, pois é o responsável pela irrigação energética do cérebro. Bem desenvolvido, facilita a lembrança e a conscientização das projeções da consciência. É muito importante na telepatia e na mediunidade. É o chakra por onde penetra a energia cósmica.
Cor: branco fosforescente, violeta ou dourado
Pedra: Quartzo Branco
Bija-mantra: "Brahmarandra" ou o "OM"
O chacra coronário tem 972 pétalas (raios), sendo 960 na parte periférica e mais 12 raios em seu núcleo central (960 + 12 = 972). Por motivos esotéricos, os iogues arredondaram logo para 1000 pétalas.

Corresponde ao Sol Central Espiritual. É regido por Urano antes da primeira Iniciação e após a
terceira. Entra em atividade após a 3ª Iniciação, e é o órgão para a distribuição do primeiro aspecto (energia monádica e do aspecto vontade da divindade). Está vinculado à personalidade através do ANTAKARANA e alcança sua plena atividade após a destruição do Corpo Causal, na 4ª Iniciação. É o órgão de síntese, porque após a 3ª Iniciação e antes da destruição do corpo causal reúne em si os três aspectos da vida manifestada.
É o centro de Shambala no corpo físico e o agente do Pai, ou primeiro aspecto divino. Registra o propósito, corresponde ao "fogo elétrico"do Sistema Solar e é de qualidade dinâmica.
A glândula pineal é a sua exteriorização física. Está ativa durante a infância, até que a vontade esteja suficientemente desenvolvida, para atar o homem à vida física. Nas última etapas da vida humana entra de novo em atividade como agente para cumprir na terra a energia volitiva do ser humano. Este centro está relacionado com o Chakra Básico (Muladhara). A interação entre ambos produz a manifestação da vontade ou propósito divino. Quando as forças do Centro Coronário e do básico se combinam, produzem a mais alta manifestação do "fogo elétrico"individual, que quando se expressa plenamente é denominado fogo kundalini.
Está relacionado com o PRIMEIRO RAIO.


SEXTO CHAKRA - FRONTAL
(do sânscrito: "Ajnã": "Centro de comando". Também chamado Agnya)

Localização: fronte
Correlação física: ligado à glândula hipófise (pituitária).
É o responsável pela irrigação energética dos olhos. Bem desenvolvido, facilita a clarividência e a intuição. Por vezes, a sua atividade cria uma palpitação na testa ou sensação de calor (parece um coração batendo na testa).
Cor: branco-anil fosforescente, amarelo ou esverdeado
Pedra: Ametista ou Sodalita
Bija-mantra: "OM"

Corresponde ao Sol físico e é a expressão da personalidade integrada e atuante. É regido por Mercúrio antes da primeira iniciação e após a terceira. Adquire plena atividade quando se recebe a 3ª Iniciação. É o órgão de distribuição da energia do 3º aspecto, a Inteligência Ativa.
Está relacionado com a personalidade mediante o ‘cordão criador" e, portanto, está intimamente relacionado com o Centro Laríngeo (centro da atividade criadora)
O estabelecimento de uma interação ativa entre o Centro Ajna e o laríngeo produz uma vida criativa e uma manifesta expressão da vida divina por parte do inciado. Quando as forças do Centro Ajna e do laríngeo se combinam, produzem a mais alta manifestação do "fogo por fricção".
Este centro relaciona a tríade espiritual com a personalidade. Este centro registra ou enfoca a intenção de criar. Não é um órgão de criação, como o Centro Laríngeo, porém contém a idéia que jaz por trás da criatividade ativa, o conseguinte ato de criação que oportunamente produz a forma ideal para a idéia. Expressa as duas formas mais elevadas da imaginação e do desejo, sendo estes, dois fatores dinâmicos que estão contidos em todo ato criativo.
Este centro fusiona, expressa. É o centro que simboliza a natureza dual da manifestação nos três mundos. Fusiona as energias criativas da garganta e as energias sublimadas do desejo ou verdadeiro amor do coração.
É também o órgão do idealismo e está relacionado com o SEXTO RAIO.
A pituitária constitui a sua exteriorização física densa. Os dois lóbulos dessa glândula correspondem às duas pétalas do Centro Ajna.


QUINTO CHAKRA - LARÍNGEO
(do sânscrito: "Vishudda": "O purificador")

Localização: garganta
Correlação física: ligado à glândula tireóide e paratireóide. É o responsável pela irrigação da boca, garganta e órgãos respiratórios. Bem desenvolvido, facilita a psicofonia e a clariaudiência. É considerado também como um filtro energético que bloqueia as energias emocionais, para que elas não cheguem até os chakras da cabeça.
Cor: azul celeste, lilás, branco-prateado ou rosa
Pedra: Lápis - Lazuli
Bija-mantra: "HAM"

Localiza-se na parte posterior da nuca, estendendo-se para cima até a medula oblongada, envolvendo a glândula carótida e desce até os omoplatas. É um centro extremamente poderoso e um dos mais desenvolvidos no homem. Na atual raça, ária, está despertando rapidamente.
É regido por Saturno antes da primeira iniciação e após a terceira. É o centro através do qual a Tríade espiritual, a personalidade e a Alma atuam. É o órgão para a distribuição da energia criativa, a energia do Terceiro Aspecto, empregada pelos aspirantes de discípulos probacionistas. No homem comum, o centro é o Sacro. Nos discípulos e iniciados é o Ajna.
Relaciona-se com a personalidade através do "cordão criador", com a alma através do "cordão da consciência"e com a mônada através do Sutratma ou "fio da vida".
É o órgão da palavra criadora. Registra o propósito ou intenção criativa da alma, transmitido pela fluência da energia desde o Centro Ajna. A fusão das duas energias ( matéria e espírito) conduz a algum tipo de atividade criadora. É a analogia superior do Centro Sacro (neste centro se encerram as energias criadoras positiva e negativa, personificadas independentemente no homem e na mulher, as quais se põem em relação através de um ato criador, ainda que sem um propósito definido).
A tireóide é a personificação física densa desta glândula, de importância capital para o bem-estar do ser humano comum. Seu propósito é resguardar a saúde, balancear o equilíbrio corporal e simboliza o Terceiro Aspecto da inteligência impregnada pela mente. Tem vinculação com o Espírito Santo, influindo sobre a Mãe, a Virgem Maria. As paratireóides simbolizam Maria e José e sua relação com o Espírito Santo.
Este loto está invertido nas primeiras etapas da evolução e incluem os pulmões ou parte deles. Durante a evolução, gira lentamente para cima e suas pétalas se estendem até as orelhas, incluindo a medula oblongada e a carótida.

QUARTO CHAKRA - CARDÍACO (do sânscrito: "Anahata": "Invicto", "Inviolado")

Localização: coração
Correlação física: ligado à glândula timo. É o chakra responsável pela irrigação do coração. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. É o chakra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual.Quando existe um bloqueio nesse chakra, a pessoa sente depressão, angústia, irritação ou pontadas no peito.
Cor: amarelo-ouro
Pedras: Quartzos Verde e o Rosa
Bija-mantra: "YAM"

("Como o homem pensa em seu coração, assim ele é")
Localiza-se entre as omoplatas e registra a energia do amor. Nos seres mais evoluídos, se transforma em agente de amor espiritual (Budi).
Corresponde ao "coração do Sol", e portanto é a fonte espiritual de Luz e Amor.
Corresponde ao "fogo solar" dentro do sistema solar, e é de qualidade magnética e atividade radiativa. É o órgão da energia que produz a inclusividade.
Funciona ativamente após a 2ª Iniciação, a qual marca a consumação do propósito pelo qual a natureza emocional (com sua destacada qualidade do desejo) é colocada sob o controle da alma e o desejo do eu inferior foi transmutado em amor. A capacidade de pensar com o coração é o resultado do processo de transmutação do desejo em amor, durante a tarefa de elevar as energias do plexo solar até o coração. Pensar com o coração também indica que o aspecto superior do Centro Cardíaco alcançou um ponto de real atividade. A reflexão como resultado do correto sentimento substitui a sensibilidade pessoal.
Sua exteriorização física densa é a glândula timo.
É o órgão de fusão. À medida que o Centro Cardíaco entra em atividade, o aspirante é atraído lentamente para uma relação mais estreita com a sua alma.
Pode-se dizer que simbolicamente "o coração do homem está atrelado ao plexo solar", ou, em outras palavras, o "amor ao desejo". Nas primeiras etapas de evolução, suas pétalas voltam-se para baixo, até o plexo solar. Na medida que o homem evolui o loto do plexo (também voltado para baixo) também gira para cima, isso porque as energias "aprisionadas"nas regiões inferiores agora sofrem um processo de transmutação, procurando evadir-se da "prisão", como resposta à atração espiritual.


TERCEIRO CHAKRA - UMBILICAL (do sânscrito: "Manipura": "Cidade das jóias". Também chamado Nabhi)

Localização: plexo solar. Cerca de dois centímetros acima do umbigo
Correlação física: ligado ao pâncreas. É o responsável pela irrigação do sistema digestivo.Quando está bloqueado, causa enjôo, medo ou irritação.Bem desenvolvido, facilita a percepção das energias ambientais.
Cor: verde-forte
Pedra: Topázio Citrino
Bija-mantra: "RAM"

Localizado abaixo das omoplatas, é um chakra extremamente ativo. Obteve um elevado grau de desenvolvimento na raça atlante. Este centro está peculiarmente relacionado aos centros Cardíaco e Ajna.
O plexo solar é um reflexo do "coração do Sol", assim como o é também o Centro Cardíaco. Constitui o fator central da vida da humanidade comum e do discípulo probacionista. Nesse ponto a mente começa definidamente a funcionar, ainda que tenuemente. É o ponto de saída do corpo astral para o mundo externo e o instrumento através do qual flui a energia emocional. É o órgão do desejo, que deve ser controlado e transmutado em amor/aspiração.
Este centro integra a energia do Segundo Aspecto da divindade.
O plexo solar só entrou em funcionamento durante a época atlante. É o centro distribuidor de todas as energias que se encontram sob o diafragma. É o centro mais separatista dos centros (excessão para o Ajna, para quem segue o caminho da "esquerda"), porque se encontra no ponto médio, entre o Centro Laríngeo e o Centro Cardíaco – acima do diafragma – e os centros Sacro e Básico, abaixo do diafragma.
É o centro do veículo etérico e através dele flui a "brilhante luz gerada na Atlântida" e se faz contato com a luz astral, portanto é o centro onde trabalha a maioria dos médiuns e atuam os clarividentes.
A exteriorização física deste centro é o pâncreas, com uma exteriorização secundária no estômago e no fígado. É um órgão de síntese e recolhe em si mesmo todas as energias inferiores durante certa etapa do desenvolvimento superior do ser humano. Suas pétalas se estendem até o Centro Cardíaco, significando com isso que a energia emocional (ambição e desejo) se esforçam para alcançar o caminho superior.

SEGUNDO CHAKRA - SACRO (do sânscrito: "Swadhistana": "Morada do Prazer")

Localização: baixo ventre (pela sua própria localização no corpo, esse chakra seria melhor denominado como "gênito-urinário").
Correlação física: ligado às gônadas (homem: testículos; mulher: ovários). É o responsável pela irrigação dos órgãos sexuais; é também responsável pela vitalização do feto em formação, função essa que divide com o chakra básico. Aliás, a ligação desse dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.
Cor: laranja, roxo ou vermelho (dependendo das circunstâncias).
Pedra: calcita
Bija-mantra: "VAM"

Localiza-se na parte inferior da zona lombar e é muito poderoso, pois controla a vida sexual, e deve continuar assim até que dois terços da humanidade receba a iniciação, porque os processos procriadores devem continuar e estar ativos a fim de proporcionarem corpos para as almas que vão encarnar.
Este centro corresponde ao Sol físico e suas energias devem ser elevadas ao Centro Laríngeo. Este centro foi levado à plena atividade na época lemuriana. Registra a energia do Terceiro aspecto da divindade. Sua energia é a do Espírito Santo.
A exteriorização física deste centro está nas gônadas, os órgãos físicos da procriação.
Este centro está estreitamente relacionado com a matéria e existe uma afluência de energia entre os três pontos existentes na parte inferior do corpo humano, ou seja: o baço, órgão do prana ou da vitalidade física que provém do Sol; o Centro Sacro, agente que predispõe à procriação física e o centro na base da coluna vertebral que nutre o princípio doador da vida, a vontade de viver em todas as partes da estrutura humana.
Estes três criam um grande triângulo de forças relacionado com a matéria, a substância, a construção de formas, a criação, a vitalidade e a persistência da forma. Este triângulo é um reflexo de outro superior, composto por:
• Centro laríngeo, que corresponde ao Centro Sacro.
• Corpo pituitário, que corresponde ao Centro Esplênico (baço).
• A glândula pineal, que corresponde ao Centro Básico.


PRIMEIRO CHAKRA - BÁSICO (do sânscrito: "Muladhara": "Base e fundamento"; "Suporte")

Localização: base da coluna
Correlação física: ligado às glândulas supra-renais. É o responsável pela absorção da kundalini (energia telúrica) e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue.
Cor: vermelhão
Pedra: granada
Bija-mantra: "LAM"

Este centro localiza-se na base da coluna vertebral e sustém os demais centros. Na época atual encontra-se passivo, pois só entra em atividade por um ato de vontade dirigida e controlada pelo iniciado. Responde ao aspecto VONTADE. Da mesma forma que o princípio vida está situado no coração, também a vontade de ser está situada na base da coluna abaixo do osso sacro. Seu principal aspecto é a inocência. Inocência é a qualidade pela qual nós experimentamos alegria pura, infantil, sem as limitações do preconceito ou condicionamentos. A inocência nos dá dignidade, equilíbrio e um enorme senso de direção e propósito na vida. É apenas simplicidade, pureza e alegria.
Neste centro se unem espírito e matéria, e a vida se relaciona com a forma. É o centro onde a "serpente de Deus"experimenta duas transformações:
• A serpente da matéria permanece enrolada sobre si mesma.
• Tal serpente é transformada na "serpente da sabedoria".
• A serpente da sabedoria é transladada e se converte no "dragão de luz vivente".
Estas três etapas estão nutridas pela vida e pela energia que flui e desce através de toda a coluna vertebral, por intermédio da analogia etérica do cordão vertical.
*Bija-mantra (do sânscrito): "Núcleo vibratório de um mantra"; "Mantra-semente"; "Senha vibratória para evocação de uma determinada freqüência espiritual".
Kundalini (do sânscrito: "Enroscada"; "Fogo Serpentino") é a energia que entra no campo energético por intermédio do chakra básico. É também chamada genericamente aqui no Ocidente de energia telúrica (energia da terra) ou geoenergia. Contudo, essa definição ocidental é muito pobre. Os orientais, notadamente os hindus, tibetanos e chineses antigos (taoístas), aprofundaram-se bastante no estudo dessa energia. Ela também é chamada pelos iogues de "Shakti" (do sânscrito): a força divina aninhada na base da coluna (chakra básico). O despertar da kundalini é um processo puramente espiritual e energético em essência. Envolve a ativação dos chakras, principalmente do chakra cardíaco, que equilibra e distribui corretamente o fluxo ascendente da shakti ao longo dos nádis.
OBS. a palavra INICIAÇÃO aqui se refere às Iniciações relacionadas à Grande Fraternidade Branca Universal.
Todos os centros (Lótus) estão desde o início invertidos, com as pétalas para baixo, em direção à base da coluna vertebral. Durante o processo de evolução, todos gradualmente abrem suas pétalas e giram lentamente para cima, "para a cúspide do cetro". A única excessão é o LOTUS do Centro Coronário, que durante a liberação mantém a posição invertida, com o talo do loto (em realidade o antakarana ascendendo ao "sétimo céu", vinculando o iniciado com o primeiro e principal centro planetário, Shambala.
A excessão está no CENTRO AJNA. Este centro tem somente duas pétalas, não é um verdadeiro loto no mesmo sentido dos demais centros. Suas pétalas estão compostas de 96 pétalas menores ( 48+ 48) ou unidades de força, mas estes não assumem a forma da flor de lotus, como os demais centros. Se abrem como AS ASAS DE UM AVIÃO, à direita e esquerda da cabeça, simbolizando as sendas da direita e da esquerda, os caminhos da matéria e do espírito. Constituem os braços da cruz onde o homem está crucificado, duas correntes de energia ou luz, cruzadas obliquamente através da corrente da vida que desce da mônada até a base da coluna vertebral, passando através da cabeça.

* * *

Há muito mais chakras do que os sete principais. Há chakras secundários nas palmas das mãos, plantas dos pés, pulmões, fígado, estômago, orelhas, mandíbulas, ombros, joelhos, entre as escápulas (omoplatas) e espalhados por todo corpo. E, em escala menor, pode-se dizer que para cada poro do corpo há um pequeno chakra em correlação direta no campo vibratório correspondente.

Fonte principal:
“OS CHAKRAS – os centros magnéticos vitais do ser humano” – C. W. Leadbeater

27 de fevereiro de 2010

GUERREIRO DA PAZ

Nestes momentos difíceis de ajustamento para nossa civilização
é hora de convocar o conselho dos anciãos
e colocar em alerta os Guerreiros da Paz.

http://www.youtube.com/watch?v=DhoEb7nZ9sQ





GUERREIRO DA PAZ

Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar
Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar
Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as estrelas
Chamo o universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar
Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o poder da criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar
Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos orixás
Eu chamo todos com suas forças divinas
Eu quero ver o universo iluminar
Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade
Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um
guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor
Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu senhor
Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós todos somos um nesta união
Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde o principio
todos nós somos irmãos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva o Poder de todo o universo!

**************************************


WARRIOR OF PEACE
I call the force, I call the force
I call the force
forces of the stones to firm me
I call the earth, I call the earth
I call the earth
I call the earth to root me
I call the wind, I call the wind
I call the wind
I call the wind comes to rise me up
I call the fire, I call the fire
I call the fire
I call the fire to become purified
I call the Moon, I call the Sun
I call the stars
I call the universe to illuminate me
I call the water, I call the rain
and I call the river
I call all to wash me
I call the ray, the lightning and the thunder
I call all the power of the creation
I call the sea, I call the sky and the infinite
I call all to free us
I call Christ, I call Budha
I call Krishna
I call the force of all Orixás
I call all with their divine forces
I want to see the universe light up
I thank for the life and the courage
To the universe for the opportunity
And my life I dedicate with love
To our humanity's alive dream
I am messenger, I am comet, I am indigenous
I am son of the nation of the rainbow
With my siblings I will be one more
warrior
In the noble cause of Inka Redentor
I am warrior, I am warrior and I am going struggling
My sword is the word of the love
My shield is the kindness in my chest
And my helmet is my gentleman's talents
I thank our Mother and to our Father
And to all my brothers for to help me
My glory for all I give
Because us all are one in this union
Ñdarei a sã
ñdarei a sã ñdarei a sã
ñdarei a sã
From the begining
all of us are brothers!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Live the Power of the whole universe!

******************************************

GUERRERO DE PAZ
El que une la verdad...
Llamo la fuerza, llamo la fuerza
llamo la fuerza
fuerza de las piedras para firmarme
Llamo la terra, llamo la terra
llamo la terra
llamo la tierra para enraizarme

Llamo el viento, Llamo el viento
Llamo el viento
Llamo el viento vem a elevarme
Llamo el fuego, Llamo el fuego
Llamo el fuego
Llamo el fuego para purificarme

Llamo la luna, llamo el Sol
llamo las estrelas
Llamo el universo para iluminarme
Llamo el agua, llamo la lluvia
y llamo el rio
los llamo a todos para lavarme

Llamo el rayo, el relámpago y el trueno
Llamo todo el poder de la creacion
Llamo el mar, llamo el cielo y el infinito
Llamo a todos para libertarnos

Yo llamo Cristo, llamo a Budha
llamo a Krishna
Llamo la fuerza de los Orixás
Llamo a todos con sus fuerzas divinas
Yo quiero ver el universo iluminar

Yo agradezco por la vida y el corage
Al universo por la oportunidad
Y mi vida dedico con amor
al sueño vivo de nuestra humanidad

Soy mensajero, soy cometa, soy indígena
Soy hijo de la nación del Arco Íris
con mis hermanos voy a ser un guerrero más
En la noble causa del Inca redentor

Yo soy guerrero, soy guerrero y voy luchando
Mi espada es la palabra del Amor
Mi escudo es la bondad en mi pecho
Y mi casco son los dones de mi señor

Yo agradezco a nuestra Madre y a nuestro Padre
Y a mis hermanos por ayudarme
Mi gloria para todos yo entrego
Porque todos somos uno dentro de esta unión

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde el principio
todos somos hermanos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva el Poder de todo el universo!

********************************

سلحشور صلح ال qué unë در verdad من اسمش زور ، من اسمش قدرت من اسمش قدرت نیروی سنگ ها به من ثابت من اسمش زمین ، من اسمش زمین من اسمش زمین من تماس بگیرید برای دریافت زمین ریشه
من اسمش باد ، من اسمش باد من اسمش باد من اسمش باد آمد بلند من تا من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش را به آتش مرا پاک
من اسمش ماه ، من خورشید ستاره کهکشان من اسمش را به من تعلیم من اسمش آب تماس ، من تماس با باران و من اسمش تمام رودخانه برای شستن
من اسمش رعد و برق ، رعد و برق و غرش من اسمش تمام قدرت خلقت من اسمش دریا ، بینهایت آسمان تماس بگیرید و من اسمش را به هر کس آزاد است؟
من اسمش مسیح ، من اسمش را بودا من اسمش کریشنا من اسمش قدرت تمام خدایانشان من اسمش همه نیروهای خود را الهی من می خواهم برای دیدن نور جهان
من از شما سپاسگزارم به زندگی و جهان شده توسط شجاعت و فرصت را وقف زندگی من دوست دارم زندگی رویای انسانیت ما
من فرستاده ، من مرتکب ، من هند من پسر رنگینکمان کشور با برادران من من بیشتر جنگجو در علت اصیل آمرزنده اینکا
من قوی ، من قوی بود و من مبارزه با شمشیر من این است که کلمه ای از عشق من این است سپر خوبی در قفسه سینه ام و من کلاه از هدایای پروردگار من
Ndari Ndari Ndari صدا صدا صدا از همان آغاز ما همه برادران! من دعا کنم دعا دعا ÖÜå ÖÜå ÖÜå زنده باد قدرت تمام جهان!

21 de fevereiro de 2010

Um novo tempo - Quaresma- 40 dias no Deserto


No Ocidente, as Igrejas cristãs mais antigas começam os 40 dias de retiro da Quaresma, em preparação mais próxima para as celebrações anuais da Páscoa.
É mais do que nunca o que Paulo chamava de "tempo oportuno e dia favorável" para retomarmos nosso propósito de conversão e transformação interior e social.

Antigamernte, se compreendia isso de forma pesada e negativa. (por exemplo, como tempo de jejuns, sacrifícios e até mortificações).

Hoje, o compreendo como tempo de alegria e de preparação para a festa pascal que já é festa interior e no coração.

Fico feliz que as sete Igrejas cristãs do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) estejam lançando hoje a 3a Campanha da Fraternidade Ecumênica com o tema "Economia e Vida". E o lema: "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".
Que isso nos faça pensar e planejar bem concretamente em nossas vidas pessoais e familiares como organizar melhor uma economia de partilha como sinal e expressão desta caminhada pascal.(D.Marcelo Barros, Mosteiro da Anunciação-Goias)



"Cheio do Espírito Santo, voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo demônio durante quarenta dias. " (Lc. 4, 1-2a).

Também nós queremos que o Espírito Santo nos conduza ao deserto. Em toda a tradição bíblica e também dos primeiros séculos da Igreja, o deserto é um lugar especial de encontro com Deus. "Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração" (Os. 2, 16).

Ir ao deserto com Jesus durante esse tempo de quaresma, ou outro tempo que você mesmo eleger (não necessariamente a quaresma), é nos colocarmos no firme propósito de termos um encontro com Deus e com nossa própria verdade. O deserto não é um lugar, mas uma disposição espiritual.

Os "demônios" que precisamos enfrentar estão, antes de tudo, dentro de nós. São nossos próprios traços de personalidade, inclinações, atitudes que precisam ser reconciliados ou até mesmo vencidos, exorcizados para vivermos debaixo da Vontade de Deus.

Essa batalha se trava do decorrer de toda nossa vida. Sempre precisaremos de mudança, conversão. Ninguém se sinta pronto por ter percorrido um determinado trecho de sua senda espiritual. Sempre haverá a necessidade de se colocar novamente a caminho, de se confrontar, de mudar, de crescer. É tarefa de uma vida inteira.

É preciso ainda lembrar que sem a graça de Deus toda ascese (disciplina espiritual) é vã. A iniciativa é de Deus. É o Espírito Santo quem conduz Jesus ao deserto. "Porque é Deus quem segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar" (Flp. 2, 13).
Pe. Sérgio Luis e Silva (Ig S. José - BH. MG )

12 de fevereiro de 2010

Cinco anos sem Irmã Doroty- até quando seremos coniventes com a impunidade?


Cinco anos passaram desde aquele fatídico sábado em que Rayfran e Clodoaldo, empregados de Tato, cruzaram o caminho da Irmã Dorothy, não para cumprimentá-la, mas para executar o sinistro plano, há tempo concebido pelo consórcio do crime, e cumprir o nefasto papel de matar a Irmã que dedicou toda a sua vida aos pobres.
Os pobres de hoje não são apenas uns explorados e oprimidos. São excluídos, expulsos da sociedade e da terra por serem considerados "supérfluos" (cf. DAp 65). Irmã Dorothy fez a opção de sua vida exatamente por essas pessoas, por essas famílias "sem eira nem beira", desprezadas e maltratadas, sem perspectivas num mundo em que perderam sua pátria.
Foi aos pobres, que Deus assegurou seu amor incondicional e preferencial. As palavras do profeta Jeremias calaram fundo no coração de Dorothy: "Ponde em prática a justiça e o direito, livrai o oprimido das mãos do opressor, nunca prejudiqueis ou exploreis o migrante, o órfão e a viúva nem jamais derrameis sangue inocente no país" (Jer 22,3). Dorothy não apenas acompanhou as famílias de Anapu e da Transamazônica na busca de seus direitos e defendeu seus interesses, peregrinando de repartição em repartição, procurando falar com prefeitos, vereadores, deputados, senadores. Dorothy fez e foi muito mais: Ela amou! E esse amor fez vibrar cada uma das fibras de seu coração. Ela foi mãe, foi irmã, foi filha de seu povo! Dorothy nos lembra a passagem tão sugestiva na primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses: "Apresentamo-nos no meio de vós cheios de bondade, como u'a mãe que acaricia os seus filhinhos. Tanto bem vos queríamos que desejávamos dar-vos não somente o evangelho de Deus, mas até a própria vida, de tanto amor que vos tínhamos" (1 Tes 2,7-8).
Naquela manhã de sábado, 12 de fevereiro de 2005, ela testemunhou "o evangelho de Deus", derramando o seu próprio sangue. Foi morta porque amou sem medida, foi trucidada porque entendeu que seu lugar era "ao lado dessas pessoas constantemente humilhadas" [1] foi assassinada porque abraçou "a justiça e o direito" e lutou para livrar "o oprimido das mãos do opressor" (Jer 22,3), foi eliminada do meio do povo pobre porque contrariou os interesses e ambições de "gente que se considera poderosa", como ela mesma costumava expressar-se.
Dorothy viveu em vida a opção pelos pobres sem deixar-se intimidar ou constranger. Com a sua morte, porém, Dorothy ultrapassou todos os limites e fronteiras. Sacudiu o mundo, descerrando a face ensanguentada da Amazônia, fazendo ecoar os gritos e revelando as dores que golpeiam os povos que aqui vivem.
Cinco anos passaram! Cinco anos, também repletos de tramas e trâmites judiciais. Prisões efetuadas com grande alarde, sentenças condenatórias solenemente proferidas e com a mesma solenidade anuladas, pedidos de habeas corpus deferidos e liberdade provisória concedida. Sempre novas versões do crime, chegando até ao cúmulo absurdo de transformar a vítima em ré, alegando legítima defesa.
Há poucos dias um dos acusados é preso outra vez [2] . Foi condenado a 30 anos e absolvido em um segundo julgamento. Agora outro recurso consegue anular o veredicto anterior e o fazendeiro recebe novamente voz de prisão. E a imprensa divulga o fato como se fosse a prova mais convincente de que a Justiça funciona. Só tem um detalhe! Nós todos já estamos saturados de tais notícias. Em breve, algum advogado experto vai achar outra brecha na legislação e o homem conseguirá mais um alvará de soltura para acrescentar à sua coleção. O mesmo se diga do tal desaforamento anunciado agora [3]. Precisava cinco anos para chegar a essa conclusão?!
E o consórcio do crime? Nada mais tem a temer! A poeira há tempo sentou. Afinal, já há quem responde pelo homicídio! Por que procurar outros para submetê-los a processos complicados? Por que investigar a quem já não quer lembrar-se de nada? E aqueles que de longa data prepararam o terreno e o ambiente para que a irmã fosse morta? Agora negam tudo! Há pessoas que andaram de cima para baixo com a Dorothy e com ela comeram farofa na casa da Prelazia. Hoje estão do outro lado! Habilitaram-se a jogar no time adversário! É o salmo 41 bem atualizado: "Até meu amigo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou o calcanhar contra mim" (Sl 41 (40),10).
Neste ano de 2010, o mês de fevereiro, em que Irmã Dorothy foi assassinada, ganha mais uma razão para tornar-se histórico. A Amazônia que Dorothy tanto defendeu e pela qual doou sua vida, recebe mais um golpe, desta vez de proporções que ainda nem sequer podemos vislumbrar. O Presidente da República me prometeu pessoalmente [4] a continuação do diálogo sobre o projeto Belo Monte. No dia primeiro deste mês o Ibama tornou pública a licença prévia para que o Xingu fosse barrado. 1522 km2 de destruição à vista: 516 km2 de área inundada e 1006 km2 de área deteriorada porque faltará água!
Todas as 40 condicionantes que a Licença Prévia elenca para serem observadas pela empresa que sairá vitoriosa no leilão, nada mais são que uma confissão pública do Governo que o projeto, se for executado, terá consequências desastrosas. Ao exigir um bilhão e meio de reais em projetos para mitigar os efeitos, o próprio Governo admite de antemão que Belo Monte causará um terrível e irreversível impacto sobre a Amazônia. Onde já se viu tanto esmero para atenuar sequelas antes de iniciar a obra? É a prova cabal de que o próprio Governo sabe que está dando um tiro no escuro. Até esta data, o Ibama nem sequer conseguiu identificar a abrangência e intensidade dos impactos. Como esse órgão então pode realmente atestar a viabilidade de Belo Monte? Lamentavelmente, quem sofrerá os trágicos efeitos não serão os tecnocratas em Brasília e políticos míopes, mas os povos desta região da Amazônia. O Xingu nunca mais será o mesmo. O solo será danificado, a floresta devastada e das águas turvas e mortas emergirão apenas os esqueletos esbranquiçados das outrora frondosas árvores.
É a política do rolo compressor, é a tática do fato consumado, é o método do autoritarismo que não aceita contestação!
E Dorothy, no seu túmulo, chora a desgraça anunciada!
Mas não deixa de encorajar-nos na luta em favor da vida contra projetos de morte. Nosso caminho é aquele traçado pelo Evangelho. Somos enviados por Jesus para anunciar a Boa Nova aos pobres e denunciar o que se opõe ao Evangelho da Vida, para quebrar as algemas da opressão e tirania, para defender o lar que Deus criou para todos nós e as futuras gerações, e proclamar um ano de graça do Senhor (cf. Lc 4,18-19).
Amém! Marána thá! Vem Senhor Jesus!
Anapu, 12 de fevereiro de 2010
Erwin Kräutler, Bispo do Xingu

6 de fevereiro de 2010

A Igreja no abismo !!! ? !!!

.
A igreja precisa de uma tríplice reforma:
teológico-catequética, espiritual e pastoral


P. Henri Boulad, sj *


[O jesuíta egípcio mais destacado nos âmbitos eclesial e intelectual, Henri Boulad, lança um SOS à Igreja de hoje numa carta dirigida a Bento XVI. A missiva foi transmitida através da Nunciatura no Cairo. O texto circula nos meios eclesiais de todo o mundo].

Santo Padre:
Atrevo-me a dirigir-me diretamente a Vós, pois o meu coração sangra ao ver o abismo no qual se está precipitando a nossa Igreja. Certamente desculpará a minha franqueza filial, inspirada na "liberdade dos filhos de Deus" à qual nos convida São Paulo, e pelo meu amor apaixonado pela Igreja.
Agradecer-lhe-ia também que saiba desculpar o tom alarmista desta carta, pois creio que "são menos cinco" e que a situação não pode esperar mais.
Permita-me em primeiro lugar apresentar-me. Jesuíta egípcio libanês de rito melquita, de 78 anos. Desde há três anos sou reitor do colégio dos jesuítas no Cairo, depois de ter desempenhado os seguintes cargos: superior dos jesuítas em Alexandria, superior regional dos jesuítas do Egito, professor de teologia no Cairo, diretor de Caritas-Egito e vice-presidente de Caritas Internationalis para Oriente Médio e África do Norte.
Conheço muito bem a hierarquia católica do Egito por ter participado durante muitos anos nas suas reuniões como Presidente dos superiores religiosos de institutos no Egito. Tenho relações muito próximas com cada um deles, alguns dos quais são meus antigos alunos. Por outro lado, conheço pessoalmente o Papa Chenouda III, a quem via com frequência. E quanto à hierarquia católica da Europa, tive a oportunidade de me encontrar pessoalmente muitas vezes com algum dos seus membros, como o cardeal Koening, o cardeal Schönborn, o cardeal Martini, o cardeal Daneels, o Arcebispo Kothgasser, os bispos diocesanos Kapellari e Küng, os outros bispos austríacos e outros bispos de outros países europeus. Estes encontros acontecem devido às minhas viagens anuais para dar conferências pela Europa: Áustria, Alemanha, Suíça, Hungria, França, Bélgica... Nestas viagens dirijo-me a auditórios muito diferentes e aos media (periódicos, rádios, televisões...). Faço o mesmo no Egito e no Oriente Próximo.
Visitei cerca de cinquenta países nos quatro continentes e publiquei uns 30 livros em 15 línguas, sobretudo em francês, árabe, húngaro e alemão. Dos 13 livros nesta língua, quiçá tenha "Gottessöhne, Gottestöchter" [Filhos, Filhas de Deus], que lhe fiz chegar pelo seu amigo o Pe. Erich Fink de Baviera.
Não digo isto para presumir, mas para lhe dizer simplesmente que as minhas intenções fundamentam-se num conhecimento real da Igreja universal e da sua situação atual, em 2009.
Volto ao motivo desta carta, e tentarei ser breve, claro e o mais objetivo possível. Em primeiro lugar, algumas constatações (a lista não é exaustiva):
1. A prática religiosa diminui constantemente. As igrejas são frequentadas por pessoas cada vez mais idosas que vão desaparecer num prazo bastante curto.
2. Os seminários e os noviciados esvaziam-se de dia para dia e as vocações desaparecem a um ritmo assustador. O futuro apresenta-se sombrio e não vemos quem virá atrás de nós para melhorar a situação.
3. Muitos padres deixam o exercício sacerdotal e o pequeno número dos que vão ficando, cuja idade frequentemente ultrapassa a da reforma, são obrigados a assumir o encargo de várias paróquias, fazendo-o de uma maneira apressada e administrativa.
4. A linguagem da Igreja é anacrônica, aborrecedora, repetitiva, moralizadora e completamente inadaptada à nossa época. Não pretendo afirmar que se deve dizer sim a tudo nem adotar uma atitude demagoga, pois a mensagem do Evangelho deve apresentar-se com toda a sua exigência e significado. O importante é começar a "nova evangelização" de que falava João Paulo II. E, ao contrário do que muitos pensam, ela não consiste na repetição de tudo o que é antigo e que não interessa a quase ninguém, mas na invenção duma nova maneira de proclamar a fé aos homens do nosso tempo.
5. Para consegui-lo, é urgente uma renovação profunda da teologia e da catequese que devem ser completamente repensadas e reformuladas. Infelizmente, temos de constatar que a nossa fé é demasiado cerebral, abstrata, dogmática e que fala bem pouco ao coração e ao corpo.
6. A consequência é que uma grande parte dos cristãos foi bater à porta das religiões asiáticas, das seitas, da "new age", do espiritismo, das igrejas evangélicas ou de outras parecidas. Ficamos admirados? Eles buscam noutro lugar o alimento que não encontram entre nós, pois têm a impressão que em vez de pão lhes oferecemos pedras.
7. No que diz respeito à moral e à ética, as imposições do magistério sobre o casamento, a contracepção, o aborto, a eutanásia, a homossexualidade, o casamento dos padres, os divorciados casados de novo, etc., já não interessam a quase ninguém e provocam nas pessoas cansaço e indiferença.
8. A Igreja católica que, durante séculos, foi a grande educadora na Europa, esquece que esta Europa se tornou adulta e intelectualmente madura, recusando ser tratada como uma criança que ainda não atingiu a idade do uso da razão. As maneiras paternalistas duma Igreja "Mater et Magistra" passaram de moda e são rejeitadas pela nossa época.
9. As nações que outrora foram as mais católicas - França, "primogênita da Igreja" ou o Canadá francês ultracatólico deram uma reviravolta de 180 graus, caindo no ateísmo, no anticlericalismo, no agnosticismo, na indiferença. No caso de outras nações europeias, o processo está em marcha. Pode-se constatar que quanto mais dominado e protegido pela Igreja esteve um povo no passado, mais forte é a reação contra ela.
10. O diálogo com as outras igrejas e religiões tem recuado. O progresso constatado durante meio século está atualmente muito comprometido.
Perante tais constatações, a reação da Igreja é dupla:
• Ou considera sem importância a gravidade da situação e se consola constatando certos fervores e conquistas no campo mais tradicionalista e nos países do terceiro mundo.
• Ou invoca a confiança no Senhor que a socorreu durante 20 séculos e que vai continuar a ajudá-la também a superar esta nova crise, como o fez nas crises precedentes. Afinal, não tem ela promessas de vida eterna?
A isso eu respondo:
• Para resolver os problemas de hoje e de amanhã, não basta refugiar-se no passado nem apoiar-se em amostras sem fundamento sério.
• A aparente vitalidade da igreja nos continentes em vias de desenvolvimento é falaciosa. Mais cedo ou mais tarde, essas novas Igrejas passarão pelas mesmas crises vividas pelo atual cristianismo europeu.
• A modernidade é incontornável e foi por a Igreja ter esquecido isto que passa hoje por tal crise.
• Por que razão continuar uma política como um jogo da cabra-cega? Até quando recusar ver as coisas como elas são? Porque é que havemos de tentar salvar as aparências, uma fachada que hoje não consegue convencer ninguém? Até quando continuar nesta teimosia, nesta intolerância total a recusar todas as críticas, em vez de ver nelas uma ocasião de se renovar? Até quando iremos adiar uma reforma que se impõe imperativamente e que já tardou demais?
• Repito o que disse no princípio: é pouco o tempo que nos resta. A história não fica à nossa espera, sobretudo numa altura em que o ritmo se acelera e tudo anda tão depressa.
• Qualquer empresa comercial, ao constatar prejuízos ou um mau funcionamento, põe-se imediatamente em questão, convoca peritos, tenta recuperar, mobiliza todas as suas energias para se transformar radicalmente.
• E a Igreja? Quando pensa ela mobilizar todas as suas forças vivas para uma transformação integral? Vai ela continuar a ser dominada pela preguiça, cobardia, medo, orgulho, falta de imaginação e criatividade, por um quietismo culpável, convencida de que Deus tudo vai resolver e de que a situação atual acabará por ser ultrapassada como já o foram outras situações, talvez piores, no passado?

O que é que se pode então fazer? A Igreja precisa de três reformas urgentes:
• Uma reforma da sua teologia e da sua catequese, repensando completamente a fé e reformulando-a de uma maneira coerente e compreensível para a sociedade contemporânea.
• Uma reforma da sua pastoral, abandonando as estruturas herdadas do passado.
• Uma reforma da sua espiritualidade, inventando outra mística e concebendo os sacramentos de outra maneira, para encarná-los na existência atual e adaptar à vida do homem de hoje. A Igreja é formalista demais. Temos a impressão de que a instituição abafa o seu carisma e de que, para ela, o importante é, ao fim de contas, a estabilidade exterior, superficial, aparente. Corremos mesmo o risco de que Jesus, um dia, nos trate "de sepulcros caiados".
Para terminar, gostaria que houvesse em toda a Igreja um sínodo geral com a participação de todos os cristãos, católicos e não católicos, para analisar franca e abertamente todos os aspectos de que lhe falei e outros que poderiam ser sugeridos. Esse sínodo (evitemos a palavra concílio) duraria 3 anos e seria concluído por uma assembleia geral que faria um resumo de todos os resultados e elaboraria as conclusões.
Termino, Santo Padre, pedindo-lhe para me perdoar tanta franqueza e audácia e solicitando a sua bênção paternal.
Pe. Henri Boulad, sj
henriboulad@yahoo.com
* Jesuíta egípcio libanês de rito melquita. Reitor do colégio dos jesuítas no Cairo

16 de janeiro de 2010

Loverlock diz que quer ver a Terra do alto

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'Vou ao espaço ver a Terra do alto, antes que desapareça'
Entrevista com James Lovelock

Os anos 70 nem tinham começado ainda e o britânico James Lovelock já trabalhava numa teoria que soou muito hippie, num primeiro momento, mas se revelaria profética. Considerado o pai do ambientalismo, o cientista foi um dos primeiros a levantar a questão do aquecimento global em sua hipótese de Gaia - em que apresenta a Terra como um organismo vivo e o homem como o seu maior predador. Seu novo livro, “Gaia: alerta final” (Ed. Intrínseca), em que trata das mudanças climáticas, acaba de ser lançado no Brasil.



A entrevista é de Roberta Jansen e publicada pelo jornal O Globo, 15-01-2010.

Eis a entrevista.

O senhor pretende ir ao espaço ver a Terra do alto?

Sim, eu quero ver a Terra do alto, antes que desapareça. Acho que não há nada como ver essa imagem. As fotos dos astronautas são tão impressionantes, quero ter a chance de ver por mim mesmo.

Em seu novo livro o senhor diz que essa imagem icônica da Terra “está sofrendo uma mudança sutil à medida que o gelo branco desaparece gradualmente, o verde das florestas e das pastagens se transforma lentamente no tom pardo das regiões desérticas e os oceanos perdem a tonalidade azul-esverdeadas (...) ao se tornarem desertos”. O senhor espera conseguir ver essas diferenças?


Tenho pensado sobre isso. Não vou tão alto quanto os astronautas. Talvez não consiga ver as mudanças que estão acontecendo. Não sei ainda quando vou partir. Fui conhecer a espaçonave em dezembro, mas o lançamento depende da aprovação do governo americano (Lovelock pretende ir ao espaço com a primeira companhia espacial privada do mundo, a Virgin Galactic).


Por que o senhor diz que a situação do planeta é pior do que aponta o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU?


Acho que eles subestimaram as mudanças. Mas o que me incomoda mais sobre as previsões é que ninguém tem muita certeza sobre o que está acontecendo. O cenário intermediário do IPCC fala em um aumento de temperatura de 3 graus Celsius até o fim do século, o que é muito ruim. Mas não sei se é real. As alterações não são tão suaves assim, acontecem mais abruptamente. O fato é que não sabemos o suficiente e é tolice fazer esse tipo de previsão.


Mas qual é a alternativa?


O mais importante é ter bons dados, vindos de toda parte. Não podemos fazer boas previsões se não tivermos bons dados, sem entender o que está acontecendo. Nos faltam dados da temperatura do oceano, por exemplo. E isso é importante porque todo o calor do Sol é absorvido pelo oceano.


O que o senhor achou dos resultados da reunião de Copenhague, que produziu apenas uma carta de intenções e não estabeleceu metas climáticas como se esperava?


Não esperava que nada de muito bom viesse de lá, e não veio mesmo. E nem poderia, se pararmos para pensar. As previsões do IPCC são muito amplas. Vão de (um aumento da temperatura média de) 2 graus Celsius até 8 graus Celsius no fim do século. Veja, é uma grande diferença e é difícil para os governos saberem em que acreditar.


O senhor acha que o acordo, como muitos disseram, é um bom primeiro passo?


Acho que é pura política. Não acredito que façam nada efetivamente. As intenções podem até ser boas, mas acho que nem sabem o que fazer exatamente. Não sabemos quais mudanças (climáticas) vão acontecer. E o público fica pressionando: “onde está o aquecimento global com todo esse frio?”. Não é fácil.


Os políticos têm a exata noção dos riscos que o planeta enfrenta. Por que não conseguem adotar medidas mais significativas?


Porque as principais coisas nas quais estão pensando são recessão e desemprego em seus países. Mesmo em Copenhague eles estavam pensando dessa forma. Não querem se comprometer com gastos (para deter o aquecimento global) que possam ampliar a recessão ou o desemprego.


O senhor acha que teremos outra oportunidade como essa? Outro momento político tão simbólico, com 110 chefes de Estado reunidos?


Mesmo que tenhamos, será inútil. Nada foi feito depois da Rio-92, nem depois de Kyoto, exceto mais reuniões. A única forma possível é enxergarmos vantagens financeiras no combate ao aquecimento. É dessa forma que se faz. É o que o Brasil fez com o álcool.


Na sua opinião, quem são os maiores culpados pelo aquecimento global? Quem deve pagar a conta? Os EUA? Os países em desenvolvimento? As economias emergentes?


Não há culpados, não devemos nos sentir culpados. Quando começamos a usar combustível fóssil para cozinhar, para mover máquinas, não pensávamos em destruir o planeta. Não houve má intenção, então não pode haver culpa. Agora que começamos a entender o problema, temos que tentar resolvê-lo. Claro que os EUA serão sempre responsabilizados, assim como a China. Mas acho que estamos todos envolvidos.


Como o senhor vê a posição brasileira em todo esse processo?


Acho a posição brasileira muito interessante, com muitas ações de sucesso, como o biocombustível. Mas acho que vocês também devem começar a se perguntar mais sobre as consequências do aquecimento. O que um aumento de temperatura de 4 graus Celsius a 5 graus Celsius até o fim do século poderá acarretar? E o que poderemos fazer sobre isso? Nós estamos nos preparando para esse tipo de mudança? Estamos procurando soluções locais?


O senhor acha que a adaptação é mais importante que a mitigação (a redução dos gases que causam o efeito estufa)?


Ambos são muito importantes. Mas todas as conversas que ocorrem hoje no mundo são sobre mitigação. É como se achassem que falar em adaptação fosse admitir que não se pode fazer mais nada. Não é bem assim. Temos que pensar em como vamos fazer.


Tantos anos depois de o senhor levantar a questão do aquecimento global pela primeira vez, ainda existem muitos céticos do clima. Como o senhor os vê?


Com muita simpatia. Sério. Eu os entendo de certa forma. Acho que estão errados, claro, o aquecimento global é real. Mas o que vai acontecer, quanto ou quando — pode demorar uma semana ou cem anos — nós não sabemos. Então eu simpatizo com os céticos porque eles intuem que tem algo faltando.


O seu novo livro se chama “Alerta final”. Estamos ficando sem tempo para prevenir o aquecimento?


Acho que não temos mais tempo para prevenir, se as coisas acontecerem como prevê o IPCC. Não vejo como as ações possam impedir que aconteça.

14 de janeiro de 2010

Alterações climáticas estão acontecendo mais rápido, diz Lovelock do que o previsto

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Em livro, James Lovelock alerta para o ritmo das mudanças climáticas


As previsões catastróficas sobre o aumento da temperatura mundial e a subida do nível dos oceanos, entre outras alterações climáticas causadas pelo aquecimento global, podem estar erradas. Na realidade, elas seriam ainda piores. É esta mensagem que o renomado ambientalista independente James Lovelock tenta passar em "Gaia: Alerta Final".

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Biocombustíveis são embuste criado por interesses, diz autor em "Gaia: Alerta Final"

No capítulo "A Previsão Climática", ele cita uma pesquisa de 2007 publicada na conceituada "Science" que mostra claramente que existem divergências significativas entre as medições físicas e previsões feitas pelo IPCC (Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, na sigla em inglês), o principal órgão mundial a estudar a questão. "O nível do mar medido subiu a uma velocidade 1,6 vez maior que a prevista", escreve.

O próprio título já faz jus à sua longa história de lutas pela preservação do meio ambiente. Atuando já há algumas décadas nesta área, o cientista ganhou notoriedade internacional ao elaborar a chamada hipótese Gaia, segundo a qual todos os elementos do planeta contribuiriam para manter condições ambientais equilibradas, agindo como um superorganismo. Desde que publicou estas ideias em "Gaia: Um Novo Olhar Sobre a Vida na Terra", explorou a mesma temática em diversos outros volumes, como "A Vingança de Gaia" ou "Gaia: A Prática Científica da Medicina Planetária", sempre tentando abrir os olhos do mundo para o problema.

Divulgação
O criador da hipótese Gaia adverte sobre falsas tecnologias "verdes"
Durante muito tempo, as ideias de Lovelock foram vistas com descrédito por boa parte da comunidade científica, disseminando-se principalmente entre áreas "menos ortodoxas" da ecologia e até entre místicos e esotéricos. Quando, no entanto, ele passou a defender publicamente o uso da energia nuclear como uma das melhores ações a serem tomadas para se combater o aquecimento global, ganhou desafetos também entre estes outros grupos.

Mas ele nunca esteve muito preocupado em evitar polêmicas. Em "Gaia: Alerta Final", ele faz duras críticas às ditas tecnologias verdes, principalmente às de geração de energia, como os parques eólicos e os biocombustíveis. No livro, ele afirma que algumas destas tecnologias não passam de "um elaborado embuste criado pelo interesse de algumas nações cujas economias se enriquecem a curto prazo pela venda de turbinas eólicas, usinas de biocombustível e outros equipamentos energéticos supostamente verdes". Leia aqui um trecho da obra.

O grande problema disso tudo, no entanto, não é que estamos em um ponto irreversível. O que aflige Lovelock é que ele acredita que não seremos capazes de implantar as soluções que criamos. "Nosso desejo de manter as coisas como estão provavelmente nos impedirá de nos salvarmos", alerta. Talvez seja por isso que, aos 90 anos, o seu último grande sonho seja ver a Terra, ou Gaia, do alto e, como os astronautas, confirmar que ela continua azul. Resta saber por quanto tempo mais ela continuará assim.

Tudo pode ser mudado, basta que nos unamos...

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Parece tão simples e, é justamente isso que o video nos mostra
através do canto de 156 nações do planeta.

O que mais precisamos?
O que é que mais necessitamos neste momento?

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, se não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal. Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor nunca falha...”
( I Cor. 13,1-8)

como não consegui baixar o video ai vai a url do youtube

http://www.youtube.com/watch?v=x-_xzIPo4BU

31 de dezembro de 2009

2010 - Renova-se a esperança


Um novo tempo ( Ivan Lins)
"No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer

No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça"

Que este novo tempo nos encontre unidos na luta por um mundo mais fraterno,mais igual com a certeza de que trilhamos o caminho da luz em direção à construção do Reino. Feliz novo tempo! Feliz 2010 !