O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

18 de julho de 2010

Ai que saudade dos tempos de outrora.

José Antônio Oliveira de Resende*
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé.Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia.
Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
* José Antônio é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

12 de julho de 2010

Somos um, será que temos consciência disto?


Até que ponto, se tivéssemos consciência de que SOMOS UM,
nos destruiríamos da maneira como estamos fazendo?

Possa este vídeo alertar, e mais que isso,
despertar a consciência de cada um daqueles que o assistirem.

Somos UM,
na medida em que destruirmos o que existe a nossa volta,
estaremos NOS destruindo.

Esquecemos de que somos criaturas,
no máximos parceiros do criador
mas, jamais, o senhor da criação

SOMOS UM

http://www.youtube.com/watch?v=L8_uZd9XDbQ




 





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10 de julho de 2010

Propriedade Privada e Coletiva

(Maurício Tupinanbá)

O Pentecostes , a conversão de Paulo , a abertura aos gentios - continuam presente entre nós e são de uma profunda relevância . Esse tipo de passado não morre -continua vivendo entre nós. A Revolução Cristã é um processo que continua em curso - no desenvolvimento histórico , em nossas orações e meditações , em nossos atos e resoluções. O Reino de Deus continua em marcha , e cada momento de nossas vidas pode promover ou obstruir seu progresso. Devemos meditar nas genuínas palavras de Jesus nos Evangelhos (sem deturpações ) , Ele salvou e salvará sempre a Humanidade no plano espiritual e temporal.
Jesus não fundou nenhuma Religião , Ele continuou com o Judaísmo , agora aberto a todos sem acepção de pessoas.

A Opção Pelos Pobres e o Desapego à Propriedade.

Vários dos filósofos cínicos, como o famoso Diógenes e Crates, também haviam renunciado a suas posses. Crates, admirado e amado por ser amigo de todos e filantropo, compôs um hino à simplicidade de vida com uma deusa (Euteleia), como séculos depois São Francisco cantaria os louvores da Madonna Povertá. Mas a "Opção Preferencial pelos pobres", tão característica dos Primeiros Cristãos, era algo de novo, numa sociedade tão obcecada por dinheiro e posição social, e tinha precedentes bem judaicos. Basta ler alguns dos Salmos para verificar que já antes do Senhor Jesus os termos "os pobres" (evionim, como em ebionitas, a seita judaico-cristã) ou "os humildes" (anawim) já haviam adquirido uma conotação de santidade ou devoção: eram os pobres que se mostravam mais fiéis à religião, enquanto os ricos se deixavam seduzir pelos luxos da cidade grega ou do Império romano. O comentarista da Bíblia, Manson, diz com acerto: "No judaísmo dos últimos dois séculos A.C., o termo "pobre" era praticamente sinônimo de "santo" ou "devoto" no melhor sentido da palavra". Mas havia uma tradição no judaísmo talvez ainda mais significativa, que tem sido relembrada nos últimos anos, para reforçar a Teologia e a luta por uma Reforma Radical: era a prática do "ano sabático" (ao fim de sete anos) e do "ano do jubileu" ou libertação (sete vezes sete e portanto quase cinquenta), em que os escravos seriam libertados e a própria terra teria repouso. Numa proclamação das mais significativas, a lei mosaica ou Torá nega qualquer direito absoluto à propriedade privada: "Nenhuma terra será vendida perpetuamente, pois a terra é minha (de Deus), e entrais nela como estrangeiros e hóspedes. Para todo o território de vosso patrimônio, será permitido o direito de resgatar a terra que foi vendida" (Lev., 25,23-24). Esta é uma completa negação da arrogância proprietária do "é meu e faço disto o que bem entender" e contra a dominação tirânica das "leis do mercado", envolvendo terras , pessoas e casa própria . E tem sido invocada com justiça para apoiar a Reforma Agrária em várias partes do mundo. A proclamação do Levítico a uma fala famosa de Jocasta na tragédia As Mulheres Fenícias de Eurípides, que afirma um princípio praticamente idêntico: "Os mortais não têm posses próprias. Não passamos de guardiões da propriedade dos deuses, e quando eles querem temos de devolvê-la" (Fen., 555-7). Esse princípio era às vezes invocado por reformadores gregos para justificar práticas como a reforma agrária (ou redistribuição periódica de terras), o cancelamento de dívidas, ou mesmo a manumissão de escravos. Ora, se a terra era de Deus, e os homens não passavam de inquilinos ou "posseiros" -- de peregrinos na terra, como era a visão cristã -, considerar algo como uma "posse absoluta" ou permanente era quase uma blasfêmia , proclamando o indivíduo um deus, negando um princípio afirmado várias vezes no Velho Testamento:
"A Terra é do Senhor e tudo o que ela contém" (Salmo, 24,1).

Essa oposição ao direito de propriedade provada surge com grande clareza e radicalismo nos escritos de São Basilio de Cesaréia (329-379) e São João Crisóstomo, ambos das maiores figuras da igreja grega.
Basilio era de uma familia de proprietários ricos da Asia Menor e, seguindo o exemplo de Santo Antônio do Egito (Santo Antão) , distribuiu tudo o que possuía entre os pobres. Num famoso sermão sobre a parábola do agricultor rico em Lucas (12, l4ss.) ele se antecipa ao famoso dito de Proudhon - "a propriedade é um roubo" - dizendo que quem guarda as posses para si em vez de ajudar os necessitados não passa de um ladrão. E se alguém alega "afinal de contas isto é meu", sua resposta é: (Diga-me só, o que é seu? Onde o conseguiu e trouxe para o mundo? É como se alguém ocupasse uma cadeira de teatro e expulsasse todos os que viessem depois, julgando que é só para si que deve ser usado por todos. Os ricos são assim: ocupam o que é comum e se apropriam daquilo com base nesta posse anterior. Se cada um só tirasse algo para satisfazer suas necessidades imediatas, deixando o restante para outros que também precisam, ninguém seria rico e ninguém seria pobre. Os argumentos de São João Crisóstomo (354-407) lembram um pouco os do historiador grego Éforo sobre a estreita ligação entre propriedade privada (competitiva) e falta de harmonia social. Ele lembra que Deus=Trindade Santa fez certas necessidades básicas comuns - sol, ar, água e terra, e quanto a estas não há dissensão. Mas quando alguém tenta apropriar-se de alguma coisa, fazendo-a sua, então surge o elemento de conflito, como se a própria natureza se indignasse com nossa avidez de separar-nos tomando posse de objetos e usando estas palavras frias - "meu e teu". É aí que surgem dissensão e intranquilidade. Mas onde não há apropriação, não há luta nem dissensão."Meu" e "teu" - como na filosofia indiana da vedanta o sentimento do ego - eram algo que tinha de ser eliminado na vida espiritual: a queda do "eu" tirânico que quer ser o centro do universo, como lembrava Pascal em sua famosa frase "le moi est haíssable". Mas o grande paradoxo ou mistério da vida cristã era que, a exemplo do Senhor Jesus , a renúncia e o esvaziamento total levavam a uma imensa recompensa espiritual, à plenitude: segundo a fórmula de São Paulo, "sem ter nada e no entanto possuindo tudo" (nu habentes et omnia possidentes,
- II Cor., 6,10).

Textos Bíblicos:
“A voz do Senhor eleva-se contra a cidade - é sabedoria temer o vosso nome. Ouve, tribo: ouve, assembléia da cidade. Haverá ainda na casa do ímpio tesouros mal adquiridos e um efá diminuído e maldito? Pode-se ser inocente com balanças falsas e com um saco cheio de pesos enganosos?” (Miquéias 6,9-11) .

"Ai daquele que para si construiu esse palácio por meios desonestos, e seus salões, violando a eqüidade. Ai daquele que faz seu próximo trabalhar sem paga, e lhe recusa o salário! E daquele que diz: Vou mandar construir suntuosa morada, salões espaçosos, com largas janelas e revestimento de cedro, e pinturas de vermelho" (Jeremias 22,13-14).

“A oferenda daquele que sacrifica um bem, mal adquirido, é maculada. E os insultos dos injustos não são aceitos por Deus. O Senhor (só se dá) àqueles que o aguardam no caminho da verdade e da justiça. O Altíssimo não aprova as dádivas dos injustos, nem olha para as ofertas dos maus; a multidão dos seus sacrifícios não lhes conseguirá o perdão de seus pecados. Aquele que oferece um sacrifício arrancado do dinheiro dos pobres, é como o que degola o filho aos olhos do pai. O pão dos indigentes é a vida dos pobres; aquele que lho tira é um homicida. Quem tira de um homem o pão de seu trabalho, é como o assassino do seu próximo. O que derrama o sangue e o que usa de fraude no pagamento de um operário são irmãos: um constrói, o outro destrói. O que lhes resta senão a fadiga? Um ora, o outro maldiz; de qual ouvirá Deus a voz?” (Eclesiástico 34, 21-29).

“Vós conheceis a bondade de nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo rico, se fez pobre por vós, a fim de vos enriquecer por sua pobreza. Aqui vos dou apenas um conselho. Isso vos convém. Há um ano fostes os primeiros, não só a iniciar esta obra, mas mesmo os primeiros a sugeri-la. Agora, pois, levai a termo a obra, para que, como houve prontidão em querer, assim também haja para a concluir, segundo as vossas posses. Quando se dá de bom coração segundo as posses (evidentemente não do que não se tem), sempre se é bem recebido. Não se trata de aliviar os outros fazendo-vos sofrer penúria, mas sim que haja igualdade entre vós. Nas atuais circunstâncias, vossa abundância supra a indigência daqueles, para que, por seu turno, a abundância deles venha a suprir a vossa indigência. Assim reinará a igualdade, como está escrito: O que colheu muito, não teve sobra; e o que pouco colheu, não teve falta (Ex 16,18)” (2a. Coríntios 8,9-15).
“Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. (...) Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade" (Atos 2,44-45;4,34-35)

Comentário-Resumo sobre o pensamento dos Santos Padres

Os escritores eclesiásticos da Antigüidade cristã (sobretudo dos séculos II ao V) são considerados testemunhas muitos autorizadas da fé. As preocupações pela justiça e pelos pobres são muito evidentes e são uma rica fonte de pensamento cristão, em alguns casos de surpreendente radicalidade.

Nos Padres da Igreja aparecem várias linhas de reflexão:

a) Não se pode separar a fé da caridade com os pobres, porque Cristo pertence aos humildes e nós o confessamos verdadeiramente através de nossas obras de amor e de justiça (Clemente Romano).
A esmola é superior à virgindade e ao jejum porque, diferente destes, ela não fica num só, mas abraça os membros de Cristo. O juízo final narrado por Mateus revela que não se condenam tanto os atos de maldade como a não-solidariedade.

b) Predileção da Igreja pelos pobres: não se deve fazer distinção de pessoas, antes pelo contrário é preciso visitar os pobres antes de qualquer outro (Clemente Romano).
As viúvas, os órfãos e os pobres são as pessoas que devem ser atendidas prioritariamente (Policarpo, Pastor de Hermas).
Dever-se-ia inclusive vender as jóias e os tesouros da Igreja para atender aos pobres porque assim se tornariam ouro útil, ouro de Cristo (Ambrósio).

c) Amar os ricos é adverti-los do perigo das riquezas: antes de adorar a estátua de ouro é preferível cair na pobreza (João Crisóstomo).
As riquezas provêm da exploração do alheio (Teodoreto de Ciro).
As riquezas fecham o coração para a fraternidade e trazem outros males (João Crisóstomo).
O dinheiro é o princípio de todos os males (Zenão de Verona).
Não é o acaso que faz ricos e pobres mas a rapina e a acumulação de riquezas (João Crisóstomo).

d) Amar os pobres é libertá-lo, romper o jugo que o oprime e para isso é preciso ver o drama social em si (Ambrósio).
Não se pode praticar a caridade sem primeiro se ter praticado a Justiça (João Crisóstomo).

e) Há situações de injustiça: opressão (Basílio Magno), luxo do rico que injuria o pobre (João Crisóstomo e Ambrósio); exploração do trabalhador através do salário (João Crisóstomo); desigualdade e escravidão (Lactâncio, Basílio Magno, Gregório de Nissa). A propriedade privada é fonte de desigualdades (Astério Amaseno, Agostinho de Hipona , Doutor da Igreja).
Ladrão é o que acumula mais do eu o necessário (Basílio Magno).

Ante os males sociais, a resposta cristã deve ser regida por estes princípios:
a) Não somos donos, mas administradores dos bens (João Crisóstomo, Basílio Magno, Astério Amaseno, Leão Magno).

b) Todos os bens da criação se destinam a todos os homens (consenso bastante claro entre os padres gregos e latinos).

c) O homem tem uma natureza social, é chamado a viver em comunidade (Basílio Magno, Lactâncio, Agostinho de Hipona).

d) Todos os homens temos uma igualdade básica (Gregório Nazianzeno, Jão Crisóstomo, Ambrósio, Gregório de Nissa, Lactâncio).

e) A propriedade privada sem solidariedade nem respeito pelo destino universal de todos os bens para todos os homens é fonte de egoísmos, divisões, exploração (Didaqué, Tertuliano, Lactâncio, Basílio Magno, Gregório de Nissa, João Crisóstomo, Ambrósio, Astério Amaseno, Zenão de Verona).

f) A participação de bens é uma exigência de justiça para cumprir o destino dos bens criados. Quem não remedeia a fome é homicida (Basílio Magno); alguns ajudam um pobre mas empobrecem cem (Gregório de Nissa); quando se dá esmola se devolve ao pobre o que lhe pertence; é, portanto, obra de justiça (João Crisóstomo, Ambrósio).
A misericórdia com o pobre é justiça (Agostinho de Hipona)”.

Textos Patrísticos:

“O pão que para ti sobra é o pão do faminto. A roupa que guardas mofando é a roupa de quem está nu. Os sapatos que não usas são os sapatos dos eu andam descalços. O dinheiro que escondes é o dinheiro do pobre. As obras de caridade que não praticas são uma entre outras tantas injustiças que cometes. Quem acumula mais que o necessário pratica crime” (São Basílio Magno, Comentário a Mateus 25,31-46).

“As riquezas são injustas porque são fruto da miséria dos outros” (São Jerônimo).

“A solidariedade com o pobre é lei de Deus, não um mero conselho” (São Gregório de Nissa)

"Nabot não foi o único pobre assassinado. Todo dia um Nabot cai ao solo, todo dia um Nabot é assassinado (...) Tu não estás dando ao pobre o que é teu, mas lhe devolves o que é dele. Pois o que é comum e foi dado a todos, tu o estás usurpando sozinho. A terra pertence a todos e não apenas aos ricos. Infelizmente, são pouquíssimos os que podem usufruir a terra” (Santo Ambrósio, Comentário a 1o. Reis 21).

“Tu vais participar da Eucaristia? Então, não humilhes teu irmão. Não desprezes o faminto (...) Quê? Tu fazes memória de Cristo e desprezas o pobre? Tu não ficas horrorizado? Bebeste o sangue do Senhor e não reconheces teu irmão? Ainda que o tenhas desconhecido antes, deves reconhece-lo nesta mesa (...) Tu, que recebeste o pão da vida, não faças obra de morte” (São João Crisóstomo, Comentário a 1a. Coríntios 11,17-34).

“Tu, que revestes tua cama de prata e de ouro o teu cavalo, se te pedirem conta e explicações de tanta riqueza, que razão alegarás? Quando tu já estiverdes morto, as pessoas que passarem diante do teu palácio, vendo o tamanho e o luxo, dirão ao seu vizinho: ‘ao preço de quantas lágrimas foi edificado este palácio?, de quantos órfãos deixados nus? De quantas viúvas injustiçadas? De quantos operários espoliados de seu salário?’ Sim, nem morto escaparás das acusações” (São João Crisóstomo, Comentário ao Salmo 49).

“Nenhum de vossos bens, se fosse um mal em si mesmo, poderia ser uma criação de Deus, porque toda a Criação é boa, diz a Escritura, e não podemos depreciá-la. O mandamento do Senhor não nos compele a renunciar e desprezar a nossos bens, mas nos exorta a usá-los dignamente. (...) Se alguém se condena, não é pelo mero fato de possuir riquezas, mas por havê-las viciado com pensamentos e desejos pecaminosos e feito mal uso delas” (São Basílio Magno).

“Que vais responder ao Juiz, tu que vistes as paredes e não vistes o ser humano, que adornas luxuosamente teus cavalos e desprezas teu irmão coberto de farrapos, que deixas apodrecer o trio e não alimentas os famintos, que enterras o ouro e abandonas o oprimido?” (São Basílio Magno).

“O que tu possuis, na realidade, pertence a outro: Deus. Propriamente falando, tu não tens direito de propriedade. Se alguém te confiasse alguma coisa para que a guardasses, tu dirias que é proprietário dessa coisa? De nenhuma maneira, porque o que possuis não te pertence, só te foi confiado para guardar” (São João Crisóstomo)

A Deturpação da Mensagem Evangélica.

Com o correr dos séculos, a realidade dinâmica dessa vida espiritual, que era o verdadeiro fermento cristão, começou a declinar, minada por uma institucionalização crescente. O processo se acelerou depois de Constantino, quando a Igreja passou a adquirir mais e mais propriedades, por meio de doações generosas. Como era de esperar, entrou para as comunidades um número crescente de ricos, ou mesmo milionários, que às vezes se "convertiam" por motivos de conveniência. Com a mundanizaçao veio a corrupção, e também o cuidado em não "ofender" ricos e poderosos - um " respeito humano" que antes nunca havia tolhido a franqueza de Jesus, dos profetas , ou mesmo de filósofos gregos e romanos. Bem cedo alguns apologistas começaram a suavizar as arestas e "ditos duros" do Senhor Jesus , num capcioso "não é bem assim" . Um bom exemplo é o sermão de Clemente de Alexandria (sem dúvida um dos maiores apologistas do século II) "Quis dives salvatur" ou "A salvação do homem rico". Seu texto é o famoso episódio do jovem rico, a quem o Senhor Jesus disse: "Ainda te falta uma coisa: vende tudo o que tens e distribui (o dinheiro) entre os pobres, e terás tesouro no céu" (Mc., 10,21).
No seu desejo de mostrar que este não é um “mandamento” absoluto e sim uma opção “facultativa” para os que “querem ser perfeitos” , ele faz a citação segundo Marcos , que deve ser a versão original , mas ao chegar à frase final de Jesus muda para Mateus sem avisar ao leitor : “ Se queres ser perfeito , vai , vendes teus bens , etc .” (Quis dives ,4-5).
Fazendo esta manipulação indevida de citações bíblicas, Clemente estabeleceu um precedente de exegese que vem transviando muitos até os tempos de hoje.
Basta uma breve análise comparativa para mostrar que Mateus tende a "suavizar" certos ditos mais radicais do Senhor Jesus , mas neste caso está em minoria: Lucas, Marcos e o Evangelho segundo os Hebreus (citado por São Jerônimo) dão todos a versão mais simples e radical, que deve ser a autêntica. É a mesma tendência que levou Mateus a qualificar "bem-aventurados são os pobres de espírito" (contrastando com a versão simples e direta de Lucas e do Evangelho de Tomás).

Clemente vai mais além. Em seu desejo de justificar a propriedade privada e as grandes posses dos ricos , chega a perguntar: "Que partilha (koinonia) poderia haver entre os homens se ninguém possuísse coisa alguma ? . Ele levanta esta questão para comentar o episódio de Zaqueu, o publicano abastado que deu hospitalidade a Jesus (Lc., 19,1- 10), mas tem-se argumentado coisa semelhante até sobre o Bom Samaritano! Ele só pôde ser "bom" e caridoso porque tinha dinheiro de sobra - uma curiosa apologia de regime de desigualdade ou capitalista: é essencial que ele exista para que os ricos possam ajudar os pobres... Aristóteles também usou esse argumento capcioso para repudiar o regime de propriedade coletiva. Na verdade, Clemente termina "corrigindo" os Evangelhos, ou reinterpretando-os, alegando que o mal não está na posse das coisas em si, mas nas paixões da alma":
Portanto, o homem deve livrar-se não de suas posses, mas das paixões que não o permitem utilizá-las bem. Assim, quando o evangelho nos diz para "renunciar a tudo o que possuímos" (Lc., 13,33) ou vender tudo o que nos pertence" (Mc., 10,21), a frase deve ser entendida com relação as paixões das almas ... Em suma, todos os Discípulos e Apóstolos , a Igreja Primitiva, e Santo Antônio do Egito, e muitos outros, erraram em "tomar ao pé da letra" a exortação de Jesus Cristo. Não é de admirar que nessa aceitação da riqueza e de uma sociedade de classes a prática de dar esmolas fosse surgindo como um sucedanêo cada vez mais importante do regime original de partilha de bens e solidariedade integral. O rico cristão podia agora como que "comprar" a salvação a peso de ouro - com suas sobras (como muito depois a Igreja de Roma "venderia" indulgências de pecados). O magnífico e generoso ÁGAPE - o amor que não mede o que dá nem abre livro de contas - foi-se convertendo mais e mais na caritas formal, e daí a degradação atual da palavra "caridade", que adquiriu um mau cheiro tal que muitos pobres têm repudiado com altivez. Nos países católicos em especial , mas não só neles, popularizou-se uma versão de um dos provérbios da Bíblia: " Quem dá aos pobres empresta a Deus" (19,17 : no original " quem é generoso para os pobres" ).
É em alusão a essa frase que Clemente chega a chamar tal caridade "um belo comércio e um negócio divino" - " comprar imortalidade com dinheiro" (32,1).
No século IV, quando o cristianismo já era religião oficial e protegida, São Gregório de Nazianzo, embora insistindo no preceito radical de Cristo, oferece opções:
Joga tudo fora e possui a Deus somente, pois as riquezas que estão em tuas mãos não te pertencem. Se não desejas dar tudo, dá a maior parte; ou se nem ao menos podes abrir mão disto, faz um uso piedoso do que te é supérfluo. Mas havia exceções nessa tendência a justificar uma sociedade desigual e injusta e viver em bons termos com ela. Há um escrito do século V, talvez de um discípulo de Pelágio (o monge britânico que teve uma famosa controvérsia com Santo Agostinho sobre o livre-arbítrio), com o título Sobre a riqueza (De divitiis). Como mostrou Sainte Croix, o autor não chega a condenar a riqueza como pecado, mas afirma que leva com frequência a ele, e quanto ao problema da pobreza tem esta frase bem radical: "Livremo-nos dos ricos, e só assim não haverá mais pobres".
A interpretação capciosa dos ditos de Cristo chegou a extremos ridículos na Idade Média, sobretudo quanto à famosa frase "é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha". Foram inventados dois meios contraditórios de "salvar" os ricos. O primeiro era que a palavra grega kamelos teria sido um erro, em vez de kamilos, uma corda grossa, uma "correção" que não tem a menor base no grego do Novo Testamento nem nos manuscritos da Bíblia. O segundo, não menos absurdo e fantasioso, era que um dos portões de Jerusalém seria conhecido pelo nome de "Agulha" e assim não seria tão difícil fazer um camelo passar por ele. Essas deturpações são bem reveladoras da mentalidade de quem as fez, e são uma completa traição do espírito e Estilo de Vida cristão. Por outro lado, a exortação de Jesus ao jovem rico também tem tido uma enorme força persuasiva, principalmente para a vocação monástica. Por volta de 270, o jovem Antônio do Egito ouviu um padre repetir a frase numa igreja, e o incidente revolucionou sua vida: vendeu tudo o que possuía (e era de uma familia próspera) e foi para o deserto da Tebaida, vindo a ser o grande modelo dos santos ascetas da época. Na verdade, as grandes ordens monásticas, e depois as de frades como os franciscanos , foram movimentos repetidos de sanar a corrupção da Igreja e sua "mundanização" : a partir de São Bento de Núrcia , que cerca do ano 500 se retirou para uma caverna , fugindo da vida dissoluta das cidades , e depois para o Monte Cassino com um grupo de companheiros. Sua famosa regra , ainda hoje governa a grande Ordem Benenitina , dá importância especial a extirpar o "vício" da propriedade privada e cita várias vezes os trechos dos Atos sobre o regime "comunista" da igreja de Jerusalém : "É da maior importância erradicar este vício do mosteiro... Os monges não devem considerar seus nem mesmo seus corpos ou vontades... Que todas as coisas sejam comuns a todos, como está escrito, e que ninguém diga que alguma coisa é sua ou passe a agir com base nesta suposição (Atos, 4) ." Havia um precedente para tal no tempo de Cristo: a ordem dos essênios, cuja comunidade hoje conhecemos melhor graças aos Manuscritos do Mar Morto, e também aos chamados Terapeutas do Egito, talvez um ramo seu, que Fílon de Alexandria descreve em detalhe. Mas os próprios mosteiros, a quem a cultura ocidental deve tanto em tantas esferas, tendiam a corromper-se, como sabido. Houve reformas sucessivas - como a de Cluny e a cisterciana, que não raro se tornaram vítimas de seu próprio sucesso. Os monges começavam seguindo a vida mais árdua, conforme o preceito de laborare est orare, aliando a oração e meditação ao trabalho incansável nos campos, desbravando florestas, drenando pântanos, e com isto prestando serviços inestimáveis à agricultura do Ocidente.
Esse "milagre econômico" da agricultura enriquecia a ordem, e daí a décadas os monges estavam se tornando indolentes como uma classe privilegiada e abandonando o trabalho aos "irmãos leigos", como as classes ricas tinham seus "empregados". Um historiador cristão das ordens monásticas, Herbert Workman, conclui com acerto que este processo de corrupção se repetiu várias vezes, por motivos semelhantes: "A história do movimento monástico no Ocidente é na verdade a repetição constante do mesmo tema, do mesmo ideal sendo corrompido de modo inevitável pelo próprio sucesso". O contraste entre os primeiros monges, magros, ágeis e ascéticos, e muitos dos que vêm depois - bem nutridos, obesos e amigos do conforto e do vinho (sem falar de seus deslizes sexuais), satirizados nos contos de Chaucer ou no Decameron de Boccaccio ou no Elogio da Loucura de Erasmo, já é bem conhecido. É claro que o perigo de corrupção pelo mundo era ainda maior no chamado "clero secular" (diferente do "regular" - monges e frades). E havia uma diferença marcante entre o humilde padre de alguma paróquia rural, ainda fiel aos preceitos de Cristo, e partilhando seus escassos recursos com os pobres, e os bispos e arcebispos: os simples "supervisores" do tempo de São Paulo e Santo Inácio se converteram muitas vezes em "príncipes da Igreja", vestindo-se com pompa, banqueteando-se como qualquer barão e habitando palácios. O gesto notável de Dom Helder Câmara, abandonando o "palácio do bispo" por uma casa modesta, brilhou justamente porque foi uma exceção. Nos princípios do século XIII, uma época ainda de grande devoção, o jovem Francisco de Assis causou um enorme choque renunciando à riqueza da casa paterna e convertendo-se no poverello. Pode-se imaginar o que pensaram dele e dos companheiros os cardeais ricos e suntuosos de Roma quando foi lá em 1209 pedir a aprovação do papa Inocêncio III para a regra de sua nova ordem. Mais de um século depois, em 1317, o papa João XXII dissolveu o que se pode chamar "a esquerda franciscana -- o grupo dos espirituais , que insistia em viver em absoluta pobreza como seu fundador São Francisco. E foi mais além: condenou como herética a tese de que Jesus e seus discípulos haviam vivido em completa pobreza, que é a verdade histórica. No ano seguinte o papa fez queimar na fogueira quatro franciscanos espirituais que sustentavam essa tese. Já há séculos que o bispo de Roma governava um vasto território, e se transformara num príncipe italiano, às vezes comandando exércitos em campo como Júlio II (150-13). (Ver Cap. 8). Sem dúvida o ascetismo monástico levava a excessos, aliás condenados em geral pelos líderes espirituais mais sábios, e podia produzir regimes os mais tirânicos e dos menos sadios, que em certos casos matavam e envelheciam mulheres e homens. Se havia um desenvolvimento desequilibrado e muito repressivo, era quase inevitável que desencadeasse depois o excesso oposto - indolência, falta de disciplina e queda num luxo ocioso. Na crise atual da religião, o monasticismo está procurando novos rumos, e vamos esperar que encontre um novo equilíbrio, mais flexível e sadio. A condenação cristã do luxo está bem ilustrada numa história divertida e genuína que se conta do famoso São Bernardo de Clairvaux, que em 1113 se tornou um dos líderes da Ordem Cisterciana. Depois de fazer uma longa viagem de uma semana, ele foi criticado por usar uma manta ricamente trabalhada em sua sela - típica dos vaidosos nobres da época. São Bernardo explicou que, absorvido em suas preces e meditações, nem havia olhado a sela (um monge budista, treinado em cultivar a atenção, não teria tal lapso!). Descobriu-se depois que o cavalo havia sido emprestado por um tio de Bernardo, monge beneditino de Cluny: sua ordem, que havia liderado a famosa reforma da Igreja no século XI (que deu o papa Gregório VII), era em geral composta de filhos de famílias aristocráticas e agora já havia resvalado para hábitos de luxo e requinte (a mesa do abade, por exemplo, "fazia as honras" a visitas de nobres, e seus banquetes podiam comparar-se aos de Lúculo ou do homem rico da parábola!). Assim, a crítica original a São Bernardo terminou voltando-se contra a ordem "degenerada" de Cluny. Foi o próprio santo que num de seus escritos condenou os hábitos de luxo dos monges do "hábito negro" de Cluny: Não posso imaginar como pode ter surgido entre monges tal intemperança em comida e bebida, vestuário e roupa de cama, equipagem e prédios... Frugalidade é agora considerada mesquinhez; a sobriedade é criticada como austera demais; e o silêncio melancolia. Enquanto isso, dissipação é olhada como coisa discreta; roupas efeminadas e fina equipagem como honrosas... Na mesa os pratos se seguem um após outro, e a arte dos cozinheiros é tão grande que mesmo depois de uma série de pratos o conviva é sempre capaz de comer mais. A variedade faz desaparecer o sentimento de saciedade e o estômago fica cheio sem que as pessoas o percebam .
Pelo exposto a Propriedade Coletiva tanto Rural como Urbana é a indicada pelo Senhor Jesus , a Igreja Primitiva e os Testemunhos dos Santos Padres da Igreja Cristã , é dever de todos construir o Reino de Deus , o Paraíso Terrestre mesmo no sofrimento , tarefa esta que Deus nos confiou através de Seu Filho Jesus Cristo e Ele Ressuscitado está no meio de nós ajudando a todos que são seus Discípulos e Discípulas.

9 de julho de 2010

30 anos sem Vinicios

Vinicius de Moraes

(Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980)


"Quem já passou por esta vida e não viveu. Pode ser mais mas sabe menos do que eu porque a vida só se dá pra quem se deu... "





30 de junho de 2010

Só por Hoje - Os dez mandamentos da serenidade do Papa João XXIII


O Papa bom


1. Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema da minha vida, todo de uma só vez.

2. Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros: delicado nas minhas maneiras; não criticar ninguém; não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim.

3. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.

4. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias, se adaptem todas aos meus desejos.

5. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar o meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma.

6. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.

7. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba.

8. Só por hoje me fareu um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E me guardarei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9. Só por hoje ficarei vem firme na fé, de quje a Divina Providência se opucpa de mim como se existisse somente eu no mundo - ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.

10. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gozar o que é belo e não terei medo de crer na bondade.

Durante doze horas de um dia posso fazer bem o que me desanimaria se pensasse que teria que fazê-lo durante toda a minha vida.

19 de junho de 2010

Um cristianismo capaz de aprender

"Um cristianismo segundo o estilo de Jesus não se apresenta como instituição detentora de um sistema de dogmas a serem ensinados ao mundo, mas sim como espaço em que as pessoas encontram a liberdade para que possa vir para fora a presença de Deus que já habita a sua própria existência."

A opinião é de Christian Albini, doutor em ciências sociais e teólogo italiano membro daAssociação Teológica Italiana, em artigo publicado em seu blog Sperare per Tutti, 16-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.
Do estilo de Jesus, surge a provocação de um cristianismo que aprende. As patologias e as infidelidades ao evangelho que invadem todas as épocas da história eclesial podem ser lidas como rupturas da correspondência entre forma e conteúdo. Quando prevalece a forma, tem-se um cristianismo reduzido a estetismo litúrgico, a instituição hierárquica, a estrutura onde está ausente a substância daquele amor que Jesus porta até a cruz.

Quando, ao contrário, prevalece o conteúdo, tem-se um cristianismo reduzido a um aparato doutrinal e dogmático, uma verdade feita de fórmulas às quais deve-se assentir, privada de um laço vital com a existência das pessoas. Este último seria um cristianismo sem conversão, em que Zaqueu não redistribuiria as suas riquezas...

Jesus, ao invés disso, indica o caminho de um cristianismo capaz de aprender. Jesus, segundo Christoph Theobald, não define a sua identidade e não a impõe a ninguém. Cria um espaço de liberdade em torno de si comunicando, unicamente com a sua presença, uma proximidade benéfica a todos os que encontra. Jesus não dá um ensinamento metafísico, ético ou moral, mas deixa intuir de modo diferente, de acordo com a pessoa que encontra, uma nova maneira de ver o mundo e de situar-se nele. É como se colocasse cada um na condição de experimentar a própria conversão, a própria descoberta do Reino de Deus em meio a nós.

Um cristianismo segundo o estilo de Jesus, por isso, é capaz de aprender. Em outras palavras, não se apresenta como instituição detentora de um sistema de dogmas a serem ensinadas ao mundo, mas sim como espaço em que as pessoas encontram a liberdade para que possa vir para fora a presença de Deus que já habita a sua própria existência.

Cada pessoa – qualquer que seja sua religião, o seu pensamento e a sua cultura – é portadora de uma imagem que Deus que espera se revelar, como para os apóstolos noPentecostes, isto é, de tornar próprio o estilo de Jesus. Não de imitá-lo segundo cânones padronizados, mas de realizá-lo dentro da própria unicidade e irrepetibilidade.

Por isso, os cristãos deveriam estar em busca da manifestação de Deus própria de cada religião, cultura e pensamento, ao invés de assumir atitudes de desvalorização e condenação.

16 de junho de 2010

Tao te King - A não-violência

.

A SABEDORIA DA NÃO-VIOLÊNCIA
(DO ‘TAO TE KING’ DE LAO-TSE, SÉCULO VI a.C)
A Vida verdadeira é como a água:
Em silêncio se adapta, ao nível inferior,
Que os homens desprezam.
Não se opõe a nada,
Serve a tudo.
Não exige nada,
Porque sua origem é da Fonte Imortal.
O homem realizado não tem desejos de dentro,
Nem tem exigências de fora.
Ele é prestativo em se dar
E sincero em falar,
Suave no conduzir,
Poderoso no agir.
Age com serenidade.
Por isto é incontaminável.
.

29 de maio de 2010

não vale tapar o sol com uma peneira

J. Ricardo A. de Oliveira& Unisinos


Tem circulado na internet um e-mail justificando que apenas uma parcela mínima dos padres são criminosos.

eis em sintese o que aprece em todos os e-mails:

Reflita: Você sabe quantos padres tem o Brasil?

Temos 18 mil padres no Brasil (abril de 2010).
E mais de 100 milhões de fiéis.
Isso significa que cada padre tem que atender a mais de 5555 fiéis.

Agora faça essa conta comigo:
10% de 18 mil padres = 1.800 padres
1% de 18 mil padres = 180 padres
0,1% de 18 mil padres = 18 padres
0,01% de 18 mil padres = 1,8 padres

Quantos padres brasileiros estão envolvidos em escândalos pela mídia?
2 ou 3?
Isso significa menos de 0,02% de todos os padres do Brasil!

E os outros 99,98%?
Nós vamos condenar todos os padres por causa de 2 ou 3?
Nós vamos deixar de acreditar em 11 Discípulos porque Judas traiu Jesus?
Nós vamos deixar de acreditar no Senhor por causa disso?
Deixaremos de ir à Igreja e de comungar por causa da mídia escandalosa?

Pense bem: mesmo você sendo pecador e imperfeito, mesmo com dúvidas, mesmo assim Ele morreu por você!

A esse e-mail eu tenho sistematicamente respondido que:

Certamente que não vamos condenar inocentes e muito menos deixar de ir à igreja ou comungar, isso não faria o meno sentido, mas é preciso ter clareza.

Prefiro seguir Bento XVI e olhar de frente para o problema,porque se seguir o seu raciocínio posso refletir:

Qual a população do Brasil 180 000 000 de habitantes
10% = 18.000.000
quantos chefes de tráfico temos no Brasil
no máximo uns 1000
isso representa o,oo5%
será que não devemos nos preocupar em combater o Tráfico no país?

Seguimos a um Deus que nos recomendou sermos perfeitos como o Pai,
alertou-nos para que não fôssemos motivo de escândalo e foi um ferrenho denunciador
dos absurdos da classe sacerdotal de sua época.
Se quisermos preservar a tarefa que Ele nos enviou, a construção do Reino, precisamos
ser mais corajosos e combater tudo o que é joio no seio de nossa igreja.
Os padres que por acaso tropeçaram merecem todo o nosso cuidado e ajuda.
Entretanto, não podem continuar manchando o nome da igreja, não podem dar motivo para que a mídia se aproveite de suas faltas para enlamear toda a igreja.
A igreja precisa ser reconhecida, como sempre foi, como reserva moral, como uma instituição divina, não pode permitir que nela estejam abrigados aqueles que só fazem divulgar e fomentar a devassidão e o desregramento.
Não é a mídia que está tentando denegrir a igreja, mas sim aqueles que fornecem os motivos para a mídia ter assunto e motivo para isso.
Os fatos, lamentavelmente não podem ser negados, e escondidos,

Desculpe, mas prefiro acreditar no ato corajoso do papa em admitir que o pecado
está escondido dentro de nossa igreja e que precisamos trabalhar para erradicá-lo.
Um indivíduo que dirige embriagado, padre ou não é um criminoso que atenta contra vidas.
Tão grave como combater o aborto é combater motoristas embriagados que também são assassinos em potencial.
Tão grave como combater o sexo desregrado e promíscuo na sociedade e não admitir os preservativos com a justificativa de que preservamos a moral é combater pédofilos, sejam eles padres ou não, que matam a inocência daqueles a quem Jesus disse que herdariam o reino.

Sejamos simples, mansos e humildes, mas intolerantes para com o pecado.
O papa Paulo VI disse certa vez que a fumaça de Satanás havia entrado sorrateira na igreja,
precisamos apagar o fogo que produz esta fumaça...


Agora chegam notícias da Alemanha e as declarações são bombásticas e são de uma enviada da própria igreja.

Já não é mais a mídia.


O Artigo abaixo é verdadeiramente preocupante.

Pedofilia: o escândalo sacode os jesuítas

Centenas de crianças e jovens foram violentados ou sofreram agressões físicas brutais durante décadas nas instituições escolares dos jesuítas da Alemanha, e durante décadas a ordem sistematicamente encobriu e silenciou as denúncias. A denúncia foi feita nesta quinta-feira pela advogada Ursula Raue, estudiosa [b]encarregada pela própria Igreja[/b] para investigar o escândalo dos abusos sexuais nas escolas jesuítas, e pelo padre StefanDartmann, provincial da Companhia de Jesus na Alemanha.
A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 28-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto
O relatório de Raue revela que o horror teve dimensões ainda mais amplas do que se pensava. E coincide com um êxodo em massa da Igreja Católica na Alemanha: 125 mil fiéis a deixaram, um recorde histórico que denuncia a gravíssima crise de credibilidade do catolicismo no país do Papa e que o expõe também a sérias dificuldades financeiras, com a diminuição das contribuições fiscais do fiéis.
"É escandaloso, é uma realidade que nos enche de vergonha e desonra. Peço perdão a todas as vítimas", disse o padre Dartmann. Ele condenou as décadas de silêncio, "fruto de uma cultura de solidariedade com os culpados em vez de suas vítimas, uma cultura não só escolhida por pessoas individuais, mas bem radicada na ordem naquele momento e, temo, ainda hoje". Mas Dartmann não quis indicar se haverá indenizações financeiras ou materiais para quem sofreu o martírio.
"Os casos confirmados são 205, mas temo que o número real é ainda maior", explicou Ursula Raue. Muitas vítimas, teme a investigadora oficial, provavelmente ainda não encontraram a coragem para superar a vergonha e para denunciar seu caso, enquanto outras já poderiam estar mortas. Segundo a mídia, pelo menos outros 50 casos foram confirmados em instituições católicas não administradas pelos jesuítas.
No seu relatório, a doutora Raue apresentou testemunhos terríveis. Pelo menos 12 sacerdotes, seis dos quais já faleceram, são culpados diretos. Outros 32 entre religiosos e assistentes leigos são fortemente suspeitos.
Havia o padre Eckhart, do prestigioso colégio Canisius de Berlim, que "batia muitas vezes e com gosto", ou o padre Michael, "que gostava de bater na bunda dos meninos nus na presença de outros menores e depois controlava quais dos outros menores tinha uma ereção".
Um outro religioso, do qual não se diz o nome, é acusado de ter violentado uma menina de nove anos e outra de 14 no confessionário. "O limite entre estupro e violência física era muitas vezes efêmero. Frequentemente, os padres se excitavam batendo nos menores", explicou Ursula Raue.
A lista das escolas religiosas envolvidas é um mapa de todo o país: Canisius de Berlim,Sankt Blasien, o colégio Aloisius em Bonn, Sankt Ansgar em Amburgo, instituições emGöttingen, o colégio da Imaculada em Büren e em Westfalia, diz a lista parcial divulgada nesta quinta-feira pela revista Spiegel.

Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32898

26 de maio de 2010

''Mulheres sacerdotisas''

A igreja são os ramos e as folhas das árvores. O chão, asfalto e grama, aquela que cresce corajosamente no meio das rodovias de Milão. O altar é uma mesinha Ikea. E atrás dele está ela, Maria Vittoria Longhitano, paramento vermelho e a voz afetada pela emoção.
A reportagem é de Annachiara Sacchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.




Inicia assim, ao ar livre, a "primeira" missa celebrada pela "primeira" mulher ordenada sacerdotisa na Itália. Avenida Caterina da Forlì, é aqui que se reúne a pequena comunidade da Igreja Vétero-Católica. São cerca de 50 fiéis: crianças, famílias, idosos. Há também os parentes de Maria Vittoria (a mãe e a irmã que chegaram da Sicília e o marido, Andrea), os amigos valdeses e alguns homossexuais e transsexuais que "só aqui" se sentem "mais perto de Deus".
Um auditório comovido assim como a oficiante que inicia a missa assim: "Espero ter voz". Mas apesar do tráfego, as suas palavras são claríssimas quando, durante a homilia, explica ter "sentido dor como mulher e como sacerdote" pelo não da Igreja Católica Romana de lhe permitir que rezasse a missa na capela diante dos jardins onde, como diaconisa, sempre pôde fazê-lo. Eis por que a missa é celebrada ao ar livre.
E eis por que, a partir do próximo domingo, madre Vittoria encontrará "asilo" na Igreja Batista da rua Jacopino da Tradate. "Comunicaram-me na semana passada: uma mulher não pode celebrar". Mas, "quanto maior a cruz, maior é a obra de redenção, e então é justo abrir caminho em um país que não se acostumou a ver uma mulher com os paramentos".
Coragem e determinação. Madre Vittoria cita duas figuras femininas. Uma é Emanuela Loi, policial vítima da máfia. A outra é Santa Rita. "A santa dos milagres impossíveis", à qual, explica, desde criança pedia para ser coroinha. "Hoje, me sinto como naquele momento, discriminada".
Madre Vittoria (que lembra também o massacre de Capaci) diz: "Obrigado por estarem perto de mim. Nós somos fracos, pobres, pequenos, mas tudo o que é negativo Deus tem o poder de transformar em força". E acrescenta: "Se não compreendermos o que é a marginalização – mesmo que cause raiva quando ela ocorre em nome de Jesus – não podemos ser instrumentos de libertação".
A missa chega ao fim. Para a comunidade, chega uma nova fase na Igreja Batista. "Ali – sorri Maria Vittoria –, terei que evitar o incenso: é a única coisa que não é admitida".

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32803

24 de maio de 2010

'Bento XVI é o Papa das oportunidades perdidas'', afirma Küng

Bento XVI é o Papa das "oportunidades perdidas", avalia o célebre teólogo suíço Hans Küng, declarando-se em "oposição leal" a Roma, em una entrevista que foi publicada neste domingo no parisiense Journal du Dimanche.

"O pontificado de Bento XVI é o das oportunidades perdidas e não o das oportunidades aproveitadas", deplorou o teólogo, que se converteu, nos últimos dez anos, em um dos críticos mais férreos da Cúria Romana.




A reportagem é do sítio Religión Digital, 23-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao detalhar essas "oportunidades perdidas", Küng citou: "a aproximação com as Igrejas protestantes, o acordo duradouro com os judeus – ele fala deles como do povo deicida –, o diálogo aberto com os muçulmanos – qualificou o Islã de religião violenta e desumana – e a oportunidade de ajudar os povos africanos em sua luta contra a superpopulação mediante a contracepção e a utilização dos preservativos para lutar contra a Aids".

O teólogo também critica o Papa por fomentar o retorno da missa tridentina em latim e a prática da eucaristia dando as costas à assembleia de fiéis. "Não são em nada sinais de abertura", avalia.

Hans Küng, conhecido por seus posicionamentos liberais, em especial com relação ao celibato dos sacerdotes, afirma que está em "oposição leal" com o Papa, por quem diz sentir estima.

"É porque tenho estima por Ratzinger que me oponho a ele. Temos caminhos paralelos, ambos viemos de famílias católicas, conservadoras. Fizemos nossos estudos de teologia ao mesmo tempo. Éramos os dois mais jovens especialistas conciliares do Vaticano II. Em 1968, nossos caminhos divergiram. Os movimentos contestatários dos estudantes chocaram Ratzinger profundamente", lembrou.

"Ele voltou para a Baviera e tomou um caminho cada vez mais conservador. Ele se converteu em bispo e assumiu a direção da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele se encerrou há 30 anos nessa bolha conservadora que o isolou da realidade humana", acrescentou Küng.

fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32733

23 de maio de 2010

Nem sempre o que você vê é realmente o que existe.

Eu recebi de um amigo um e-mail com estas curiosidades
e não resisti em colocá-las no Blog.
Na verdade mais do que simples curiosidade estas imagens e situações são fenômenos estudados pela psicologia e estão ligadas a leis de percepção
que muitos não conhecem.
Essas leis são estudadas por uma escola Gestaltista de psicologia.
São importantes para nos alertar que nem sempre vemos o que pensamos ver, o que pode realmente tornar temerário qualquer julgamento nosso
sobre algo ou algum comportamento de uma pessoa.
Há toda uma série de disposições internas e mecanismos
que impedem a nossa percepção da realidade.

Por hora, divirtam-se com as pegadinhas a seus cérebros.
Mas não esqueçam que o frio pode ser quente,
como quando seguramos por muito tempo uma pedra de gelo.
O doce pode ser amargo embora o tamanho da colher seja o mesmo,
dependendo apenas se o que ela contém é um doce saboroso
ou um daqueles xaropes que de tão doce chegam a amargar.
Bom divertimento!
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Leia em voz alta o que está escrito no quadro abaixo.





Mais do que provavelmente você disse, 'A bird in the bush,'!
e...se isso É o que VOCÊ disse, então você não viu
que a palavra THE está repetida duas vezes!
Desculpe, olhe novamente.

Agora, vamos brincar com algumas palavras.
O que você vê?
Em preto você pode ler a palavra GOOD, em branco a palavra EVIL (dentro de cada letra preta tem uma letra branca).
Agora, o que você vê?

Você pode não ver isso à primeira vista, mas nos espaços em branco pode-se ler a palavra optical, na paisagem azul lê-se a palavra illusion. Olhe novamente! Pode ver porque esta pintura é chamada de ilusão de ótica?

O que você vê aqui?



Esta é difícil!
A palavra TEACH reflete como LEARN.

A Última.

O que você vê?
Você provavelmente leia a plavra ME em marrom, mas.......
quando olha através de ME você vê
YOU!

Precisa olhar novamente?
Teste Seu Cérebro

Esta é muito legal. A segunda é impressionante então por favor leia tudo.



TESTE DE OLHOS DE ALZHEIMERS

Cunte todos os '
F ' no seguinte texto:


FINISHED FILES ARE THE RE
SULT OF YEARS OF SCIENTI
FIC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS...

(VEJA ABAIXO)

QUANTOS ?
ERRADO, TEM
6 -- sem brincadeira.
LEIA NOVAMENTE !
Realmente, Volte e Tente encontrar o 6 F 's antes de rolar para baixo.

A razão por trás disso está mais abaixo.

O Cérebro não consegue processar 'OF'.


Incrível não? Volte e olhe novamente!!


Qualquer um que contar todos os 6 'F's' de primeira é um gênio.



Três é normal, quatro é bastante raro.

Envie isso para seus amigos.
Isso vai deixá-los doidos.!
E mantê-los ocupados
Por vários minutos..!

AGORA olhe para a mulher girando e veja para que lado ela está girando. Pense bem antes de olahr a resposta...

olhe para a mulher girando e veja...

se ela estiver girando para a direita o lado direito do seu cérebro está funcionando.
Se ela estiver girando para a esquerda o lado esquerdo do seu cérebro está funcionando.
Se ela girar para os dois lados você tem um QI de 160 ou melhor
CONTINUE ROLANDO A BARRA QUE TEM MAIS...

Mais coisas de cérebro. . . Da Universidade de Cambridge .


Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso.

Eu não cnogseui acreidatr que relmanet pidoa etndeer o que etvsaa Lndeno. O pdoer fnemoeanl da mntee huamna, de aorcdo com uma psqueisa da Unvireisadde de Cmabrigde, não ipmrota a odrem em que as lteras em uma plavara etsão, a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo. O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea. Itso pruqoe a mtene haunma não lê cdaa lreta idnvidailuemtne, mas a pvrlaaa cmoo um tdoo. Ipessrinaonte hien? É e eu smrepe pnenesi que slortaerr era ipmorantte! Se vcoê pdoe ler itso pssae aidntae !!

..........

22 de maio de 2010

O ilusório sistema capitalista!

Uma fábula curiosa para mostrar o quanto esse sistema artificial, que já quase levou o mundo ao caos, ameaça no momento a Grécia e a Europa, pode ser manipulado e é, na verdade, uma grande ilusão.

Conta-se que no último mês de abril, às margens do Mar Negro, chovia muito e o vilarejo estava totalmente abandonado.
Eram tempos muito difíceis e todos tinham dívidas e viviam de
empréstimos.
De repente, chega ao vilarejo um turista muito rico. Entra no único hotel do vilarejo, coloca sobre o balcão uma nota de 100 euros e sobe as escadas para escolher um quarto.
O dono do hotel pega os 100 euros e corre para pagar sua dívida com o açougueiro.
O açougueiro pega o dinheiro e corre para pagar o criador de gado.
O criador pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do
vilarejo, que por conta da crise, trabalhou fiado.
A prostituta corre para o hotel e paga o dono pelo quarto que
alugou para atender seus clientes.

Nesse instante, o turista desce as escadas após examinar os
quartos, pega o dinheiro de volta, diz que não gostou de nenhum dos quartos e abandona o vilarejo.

Ninguém lucrou absolutamente nada, mas toda a aldeia vive hoje sem dívidas, otimista por um futuro melhor....
Assim é se lhe parece...

Tempestade sobre Roma

artigo de Luiz Paulo Horta


"Representantes da Igreja de Roma podem até dizer que houve excessos nos ataques à Igreja; que em outros estratos da sociedade o índice de pedófilos é maior; que a maioria dos casos registrados é antiga, quando o Vaticano prestava atenção relativa ao assunto. Mas as feridas no vasto corpo da Igreja estão à mostra; e doem", escreve Luiz Paulo Horta, jornalista, membro da Academia Brasileira de Letras, em artigo publicado no jornalO Globo, 23-05-2010.


Eis o artigo.
A mística continua. Se você for a uma cerimônia na Basílica de São Pedro, dificilmente deixará de se impressionar com a majestade do lugar. E a eleição de um novo Papa sempre será capaz de desencadear maratonas jornalísticas.
Mas o clima em Roma, e em outras cidadelas do catolicismo, é de inquietação.
Há uma crise do catolicismo, e a tendência é que, antes de melhorar, ela piore.
A questão da pedofilia é só uma mancha num cenário bem mais vasto.
Representantes da Igreja de Roma podem até dizer que houve excessos nos ataques à Igreja; que em outros estratos da sociedade o índice de pedófilos é maior; que a maioria dos casos registrados é antiga, quando o Vaticano prestava atenção relativa ao assunto. Mas as feridas no vasto corpo da Igreja estão à mostra; e doem.
Por toda parte, caem os índices de adesão a Roma. Na Europa, isso é tão sério que já estão vendendo igrejas, por falta de uso.
No Brasil, dados sociológicos poderiam ser citados como atenuantes.
A “esmagadora maioria de católicos” de décadas passadas era uma ficção estatística. Cem anos atrás, o Brasil era maciçamente positivista, e só as mulheres iam à igreja. Mas rapazes de origem humilde ainda buscavam o sacerdócio como forma de afirmação social e tranquilidade econômica.
Hoje, o que vale mais a pena: enfrentar cinco, seis anos de seminário e a obrigação do celibato, ou entrar num curso rápido de formação de pastores, sem nenhuma obrigação maior e com retorno financeiro quase certo? No Brasil de hoje, em plena transformação, as comunidades evangélicas dão às pessoas deslocadas da cidade grande um ambiente afetivo, uma sensação de belonging. E você sai das reuniões com a Bíblia na mão, e amplas sugestões de abordagem para o Livro dos Livros.
Encontrar algo parecido, nos meios católicos, exige um certo esforço. A paróquia tradicional, muitas vezes, não é acolhedora, e o padre tem de dividir-se entre um excesso de tarefas. Há hoje, no Brasil, cerca de 15 mil padres para 180 milhões de habitantes, enquanto os pastores, segundo se diz, já passam de 50 mil. Quem vai ganhar essa corrida? A Igreja Católica já foi a alma da civilização ocidental. Depois, muita coisa aconteceu — começando com o próprio “racha” do cristianismo.
A reforma luterana bateu tão forte, que instalou-se um clima geral de desconfiança (regado a cachoeiras de sangue). A Igreja de Roma, que já mantinha a Bíblia a uma certa distância (por ser um livro difícil), passou a ser a Igreja do catecismo — a fé trocada em miúdos, para que todo mundo soubesse em que acreditar. A intenção era boa. Mas o legalismo e o juridicismo tomaram o lugar da experiência da fé. E esse é um caminho que terá de ser refeito. Ninguém adere a um determinado credo porque ele oferece um livro de normas bem explicadinhas.
O que provoca a fé é o encontro com uma realidade que extrapola os limites da razão; que se apresenta como uma experiência transformadora Esse encontro nunca foi exclusividade do cristianismo; mas, dentro da Igreja de Roma, o que se pode chamar de misticismo já teve momentos gloriosos, na vida de um São Francisco, de uma Teresa d’Ávila. É essa “novidade” da fé que contagia, que comove, que liberta da mediocridade.
A Igreja de Roma continua a ter trunfos poderosos. Por exemplo, a missa católica, que não encontra paralelo nos cultos evangélicos. Não apenas ela é uma obra-prima em termos de arquitetura, de organização, como ela se propõe a reencenar o sacrifício do Calvário. Nas mãos de um padre Pio, ou de outros santos, era isso mesmo o que ela significava, e o impacto era esmagador.
Esse sentido do mistério é que teria de ser recuperado nos cultos católicos de hoje, que às vezes parecem tão displicentes, e sem maior significação — um simples encontro de pessoas que concordam em pertencer à mesma denominação.
Uma outra riqueza da Igreja é a tradição, palavra que se tornou malvista, mas que significa, basicamente, transmissão — transmissão de uma mensagem que vem do fundo dos séculos.
Esse conhecimento comum, partilhado, está presente na vida dos santos, que nunca pensaram em reinventar a teologia: eles se limitavam a reativar, em suas vidas, os tesouros de uma experiência milenar. Mesmo quando erravam, ou perdiam o caminho — no Antigo Testamento, a história do rei Davi —, eles sabiam por onde regular as suas bússolas.
Há uma história moderna que ilustra essa aventura: a do cardeal Newman, que lá por 1830, ainda jovem, era a luz mais brilhante da Igreja Anglicana. Aos seus sermões em Oxford acorria a elite da Inglaterra, que estava conquistando o mundo mas não queria perder a pista das velhas crenças. Até que,um dia , Newman se põe a refletir sobre as bases da sua fé; entra numa grande crise pessoal, estuda a tradição cristã, e chega à conclusão de que o fio de ouro dos tempos apostólicos passava por Roma. Em nome desse reencontro com o catolicismo, ele abre mão de todos os títulos, de todas as honras; torna-se quase soldado raso num ambiente que custou a aceitá-lo definitivamente.
É o fascínio de Roma, que não morreu.
Mas, para torná-lo efetivo num mundo como o de hoje, muito exame de consciência vai ser necessário, muita mudança de atitude. E a disposição de, como Newman, começar lá de baixo.