O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

2 de setembro de 2010

Jesus teve discípulas mulheres?

Ariel Álvarez Valdés


Que Jesus teve discípulos homens é algo que nenhum estudioso jamais negou. Sabemos que durante sua vida pública sempre esteve rodeado por um grupo de homens que o seguiam por toda parte. Mas será que haviam discípulas mulheres? Se fosse assim, teria sido um fenômeno surpreendente e escandaloso, já que entre os judeus do século I era mal visto que um mestre ensinasse a Bíblia para as mulheres e que, além disso, elas o acompanhassem.

Se lemos o primeiro evangelho escrito, o de Marcos, veremos que Jesus só aparece rodeado de homens, nunca de mulheres. Mas o final do evangelho nos depara uma surpresa. Quando Jesus está na cruz, depois de morrer, Marcos diz que “ali havia umas mulheres, olhando de longe: Maria Madalena, Maria, a mãe de Santiago o menor e de José, e Salomé. Elas seguiam Jesus e o serviam quando estava na Galileia. E também havia muitas outras, que o acompanharam a Jerusalém” (Mc 15, 40-41).

Quem são estas mulheres? Marcos dá o nome de algumas delas, as mais conhecidas em seu ambiente, e destaca três características.

A primeira é que “seguiam” Jesus. O verbo “seguir” é um verbo especial, que os evangelhos costumam reservar para os discípulos de Jesus. Por exemplo, quando Jesus chamou Pedro e André, que estavam pescando, eles deixaram as redes e “ seguiram-no ” (Mc 1, 18). Quando chamou Santiago e João, também deixaram seu pai e “ o seguiram ” (Mt 4, 22). Quando convidou Levi, somente lhe disse “siga-me” e ele “ seguiu-o” (Mc 2, 14). E chamou o homem rico, dizendo: “Siga-me” (Mc 10, 21)

Segundo Marcos, uma das condições que Jesus estabelecera a seus discípulos era que “o seguissem” (Mc 8, 34). Tratava-se de algo tão fundamental e a idéia estava tão arraigada nos Doze, que dizem que uma vez o apóstolo João encontrou pelo caminho um homem muito bom, crente, que até realizava milagres, mas não fora considerado discípulo porque “não seguia” Jesus (Mc 9, 38). E quando aqueles Doze discípulos quiseram que Jesus recordasse que eles eram verdadeiros seguidores, disseram-lhe: “Nós deixamos tudo e seguimos o senhor ” (Mc 10, 28).

COM A ESCOLA ÀS COSTAS

Mas não era um seguimento simbólico, como quando dizemos “eu sigo tal autor” para dizer simplesmente que somos adeptos de suas idéias. Não. Jesus pedia o seguimento físico, literal, pelos lugares e povoados que ele percorria pregando e curando doentes. Essa era a principal diferença com os outros mestres e rabinos de sua época. Estes reuniam seus discípulos num lugar ou centro de estudo, onde eles aprendiam a Lei, e depois voltavam para suas casas. Além disso, o plano de estudos que lhes ofereciam durava uma quantidade fixa de anos. Em compensação, Jesus inventara algo inovador. Não os convocava para nenhuma escola nem lhes oferecia um curso fixo: convidava-os a experimentar em sua própria vida a Boa Nova que ele pregava. E para isso os levava a todas partes para que vissem como aparecia o Reino de Deus entre as pessoas.

Bem, se Marcos nos diz que aquelas mulheres que estavam ao pé da cruz “seguiam Jesus”, é porque faziam parte do grupo itinerante de seus discípulos.

NÃO É SÓ LAVAR OS PRATOS

O evangelista diz também que elas é que “serviam” Jesus quando estava na Galileia. Mas que tipo de serviço prestavam no grupo? Normalmente, pensa-se que faziam trabalhos “de mulheres”, isto é, cozinhar, servir a mesa, lavar os pratos, costurar a roupa. Um grupo itinerante, como o de Jesus, precisaria de alguém que se ocupasse destas atividades.

E bem podiam ter sido essas as tarefas delas. Mas vemos que muitas destas funções eram feitas pelos homens . Assim, os discípulos aparecem servindo a comida (Mc 6, 41), recolhendo as sobras (Jn 6, 12), comprando alimentos (Jn 4, 8). No evangelho de Marcos, a palavra “servir” não significa fazer tarefas domésticas, senão anunciar o Evangelho. Ao falar de sua missão neste mundo, Jesus disse que não veio “para ser servido, senão servir e dar sua vida” (Mc 10, 48). Ou seja, servir, na linguagem evangélica, significa dar a vida pelos irmãos, mas cumprindo uma missão evangelizadora. Essa, diz Jesus, é a missão de todo discípulo (Lc 12, 35-48; 17, 7-10). Inclusive a perfeição cristã é obtida com o serviço (Mt 25, 44).

Em outras palavras, se estas mulheres “serviam” Jesus é porque de alguma maneira pregavam o Evangelho, curavam doentes, expulsavam demônios e realizavam as mesmas funções dos demais discípulos, não porque cumprissem tarefas de cozinha e de limpeza.

Por último, Marcos diz que elas “ subiram a Jerusalém com Jesus”. Isto é, não eram mulheres locais, que ao inteirar-se de sua morte se reuniram espontaneamente para contemplar o macabro espetáculo, senão mulheres da Galileia que haviam viajado com Jesus e seus discípulos a Jerusalém para celebrar a Páscoa. Fizeram, pois, a longa viagem relatada em Mc 10, 1 - 11, 11.

OUTROS NOMES PARA A MESMA FUNÇÃO

Se Jesus teve durante sua vida pública, além dos Doze, um grupo de mulheres que o acompanhavam em suas viagens e em sua missão, por que Marcos não falou sobre elas em seu evangelho, mencionando-as somente no final? Talvez, porque sua presença no grupo de Jesus era um dado escandaloso para os leitores. Por isso preferiu não falar sobre elas. Mas o fato de que elas estivessem presentes durante sua morte, e inclusive durante sua ressurreição, era tão conhecido que Marcos já não pôde ficar calado.

Mas Marcos não é o único evangelista que as menciona. Elas são mencionadas em Mateus também, quando relata a morte de Jesus, acrescenta: “ Ali havia muitas mulheres, olhando de longe, aquelas que seguiram Jesus desde a Galileia para servi-lo. Entre elas estavam Maria Madalena, María a mãe de Santiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu” (Mt 27, 55-56).

Mateus, assim como Marcos, dá o nome de três delas. Somente muda o da terceira mulher. Enquanto Marcos cita Salomé, Mateus fala da mãe dos filhos de Zebedeu (isto é, a mãe de Santiago e João). Talvez, Mateus tenha feito isso porque não sabia quem era Salomé. Em compensação, sabía que a mãe dos Zebedeus esteve seguindo Jesus durante sua vida; de fato, ela é mencionada em uma cena (Mt 20, 20). De qualquer maneira, ele fala a mesma coisa que Marcos: seguiam o Senhor e o serviam.

EMBORA PREJUDICASSE SEU MARIDO

Lucas também menciona as mulheres discípulas no final da vida de Jesus (Lc 23, 49; 23, 55). Mas este autor nos depara uma surpresa, pois fez algo que nenhum outro evangelista fez: menciona-as como acompanhantes de Jesus “durante” sua vida pública.

Segundo Lucas, em certa ocasião, Jesus ia para a Galileia: “Percorria as cidades e povoados, proclamando e anunciando o Reino de Deus; acompanhavam-no os Doze discípulos e algumas mulheres que foram curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual sairam sete demônios; Joana, mulher de Cusa, um alto funcionário de Herodes; Susana, e muitas outras que o serviam com seus bens” (Lc 8, 1-3).

Observemos como o evangelista coloca tanto os Doze como as mulheres num mesmo nível, já que une os dois grupos com a conjunção “e”, que serve para igualá-los. Também nos diz que eram mulheres de boa posição econômica, já que ajudavam economicamente o movimento de Jesus com seu próprio dinheiro.

Mas sobretudo resulta interessante ver os nomes que aparecem na lista, especialmente o de uma tal Joana. Dizem que estava casada com Cusa. Ele era nada menos que um funcionário de Herodes Antipas, governador da Galileia, com quem Jesus se levava tão mal. A tensão entre ambos se devia a que Antipas mandara degolar João, o Batista, por considerá-lo seu inimigo.

Que terá dito Antipas, ao inteirar-se de que a esposa de um de seus homens mais importantes andava deambulando atrás de Jesus, um Mestre revolucionário radical e ex- discípulo de João, o Batista? Para piorar as coisas, em certa ocasião o próprio Jesus criticou publicamente Antipas, chamando-o de “raposa”, por seu temperamento pérfido e cobiçoso (Lc 13, 31-32). Tudo isto, deve ter feito perigar o posto de Cusa? Será que o governador ficou bravo e o expulsou do seu trabalho? Não sabemos. O que sim sabemos é que Joana, apesar de ter colocado em risco a carreira de seu marido, nunca abandonou o Mestre e o seguiu até o final (Lc 24, 10).

AS LIÇÕES FEMININAS

O fato de que os evangelhos mencionem nada menos que em cinco oportunidades um grupo de mulheres que seguiam Jesus é, sem dúvida, um indício de que estamos diante de um valioso depoimento histórico. Mas falta responder umas perguntas: estas mulheres também escutavam os ensinamentos privados de Jesus, ou não? Estavam, também nesse sentido, no mesmo nível que os discípulos homens?

A questão é importante porque na época de Jesus, os judeus não permitiam que as mulheres estudassem a Palavra de Deus. Pensava-se que elas estavam em condições intelectuais inferiores e que era perigoso ensinar-lhes algo tão sagrado pelos erros que podiam extrair das Escrituras. Sabemos, por exemplo, que os rabinos diziam: “É preferível queimar o Livro da Lei, antes que mostrá-lo para uma mulher”. Outro mestre judeu, Rabí Eliezer, no século I d.C. comentava: “Quem ensina a Lei para sua filha, ensina-lhe obscenidades”. Também diziam os rabinos: “Todos os males que existem no mundo entram, durante o tempo que os homens perdem falando com as mulheres”. Diante deste clima adverso à educação das mulheres, como é que Jesus agiu?

Os evangelhos não nos dizem nada. No entanto, quando elas vão a sua tumba, na manhã de Páscoa e a encontram vazia, São Lucas conta que apareceram dois anjos e lhes dizem: “Por que procuram entre os mortos aquele que está vivo? Não está aqui, ressuscitou. Lembrem-se como lhes falou quando ainda estava na Galileia, dizendo: ‘É necessário que o Filho do Homem seja entregue nas mãos dos pecadores e seja crucificado, e no terceiro dia ressuscite’”. E Lucas continua: “Elas, então, recordaram suas palavras” (Lc 24, 5-8). Nesta passagem se repete duas vezes a palavra “recordar”. Ou seja que, segundo Lucas, as mulheres escutaram os ensinos privados que Jesus dera na Galileia sobre os últimos acontecimentos de sua vida e que nos evangelhos aparecem como transmitidas somente par aos homens (Lc 9, 18-27). Marcos (16, 6-7) também dá a entender que elas participaram desses ensinamentos.

UMA OUSADIA ESCANDALOSA

Durante sua vida, Jesus configurou um novo tipo de discipulado itinerante. Mas sua atitude mais inovadora e audaz foi a de ter admitido mulheres nesse grupo, que viajavam com ele, compartilhando essas instruções.

Em sua época, as mulheres não gozavam de tais liberdades. Não era bem visto que tivessem tratamento direto com homens que não fossem seus próprios familiares (Jn 4, 27). E, quando iam ao templo , com motivo de uma festa religiosa, não podiam ingressar no pátio onde estavam os homens, devendo permanecer num claustro exclusivo. Também quando iam rezar nas sinagogas, permaneciam separadas dos homens.

Afastadas dos problemas sociais, excluídas da vida pública, separadas dos debates religiosos, sem concorrência em questões políticas, eram as grandes perdedoras na sociedade judia dos tempos de Jesus. Sua função se reduzia ao cuidado da casa e dos filhos. Por isso não deixa de surpreender a ousadia do Mestre de Nazaré.

A ATITUDE DO CORAÇÃO

Se normalmente as pessoas criticavam Jesus, dizendo que era um comilão e um bêbado, amigo de pecadores (Mt 11, 19) e de prostitutas (Lc 7, 39); denominavam-no de louco (Mc 3, 20-21) e endemoninhado (Jn 8, 48). Mas vê-lo, além disso, acompanhado por um séquito de mulheres sem maridos, algumas das quais eram antigas endemoninhadas, que o sustentavam economicamente e que viajavam com ele pelas zonas rurais da Galileia, escutando e aprendendo seus ensinamentos, deve ter sido algo escandaloso e, sem dúvida, deve ter aumentado a desconfiança de sua pessoa. As pessoas certamente deveriam perguntar como era possível que um mestre afamado como ele admitisse pessoas que a tradição judia considerava não capacitadas para o estudo e para o serviço religioso. Mas a resposta de Jesus, ao aceitá-las em seu grupo, foi que toda pessoa é apta para o serviço de Deus.

Nas mãos de Jesus, no grupo de Jesus, na escola de Jesus, todos somos valiosos e importantes. Mais ainda, todos somos necessários. Daquelas mulheres, que a sociedade da época não considerava, Jesus soube extrair enormes riquezas e descobrir um potencial impressionante. Porque nosso valor como pessoas não depende da aceitação dos demais, nem de que os outros nos reconheçam ou aprovem. Depende do chamado de Jesus para cada um. Isso é o que torna alguém extraordinariamente importante. E ele ainda continua, chamando-nos a fazer coisas grandiosas. Todos. Basta escutá-lo e perguntar-lhe: aonde nos quer levar?
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Ariel Álvarez Valdés. Doutor em Teologia Bíblica, Santiago del Estero, Argentina. Artigo publicado na revista Mensaje

Fonte: Mirada Global


26 de agosto de 2010

Somos todos Um, reflita! Mude o que estiver a seu alcance!

Um vídeo para ser visto e revisto, tantas vezes quantas forem necessárias

até que consigamos ampliar a nossa consciencia de que

" SOMOS TODOS UM,

tudo absolutamente tudo e todos estamos interligados.

Que haja saude!

Que haja Paz!

Que haja Felicidade !

Paz e Luz a todos os seres!

25 de agosto de 2010

Escritos sobre o Hesicasmo *

Jean Yves Leloup


Meditar como uma montanha

Assim começava para o jovem filósofo uma verdadeira iniciação à oração hesicasta. A primeira indicação que lhe fora dada dizia respeito à estabilidade. O enraizamento de uma boa postura.
De fato, o primeiro conselho que podemos dar a alguém que quer meditar não é de ordem espiritual, mas física: sente-se.
Sentar-se como uma montanha, isso quer dizer sentar-se com peso: estar pesado da presença. Nos primeiros dias, o jovem teve muita dificuldade em permanecer assim imóvel, as pernas cruzadas, o quadril ligeiramente mais alto que os joelhos (foi nessa postura que ele encontrara a estabilidade). Uma manhã, ele realmente sentiu o significado de “meditar como uma montanha”. Ele estava ali, com todo seu peso, imóvel. Ele e a montanha formavam um só, silenciosos sob o sol. Sua noção do tempo mudara completamente. As montanhas possuem um outro tempo, um outro ritmo. Estar sentado como uma montanha é ter a eternidade diante de si, é a atitude justa para aquele que quer entrar na meditação: saber que ele tem a eternidade detrás, dentro e diante de si. Antes de erguer uma igreja, era preciso ser pedra e sobre essa pedra (essa solidez imperturbável do rochedo), Deus pôde erguer sua Igreja e fazer do corpo do homem o seu templo. Era dessa forma que ele compreendia o sentido das palavras evangélicas: “És pedra e sobre essa pedra edificarei minha igreja.”
Assim ele permaneceu durante várias semanas. O mais difícil para ele era passar horas “sem fazer nada”. Era preciso reaprender a ser, simplesmente ser – sem objetivo nem motivo. Meditar como uma montanha era a própria meditação do Ser, “do simples fato de Ser”, antes de todo pensamento, todo prazer e toda dor. O padre Serafim o visitava todos os dias, compartilhando com ele seus tomates e suas azeitonas. Apesar dessa dieta frugal, o jovem parecia ter ganhado peso. Seu caminhar estava mais tranqüilo. A montanha parecia ter entrado na sua pele. Ele sabia respeitar o tempo, acolher as estações, permanecer em silêncio e ficar tranqüilo como uma terra por vezes dura e árida, mas por vezes também como o flanco de uma colina à espera da época da colheita.
Meditar como uma montanha também modificara o ritmo dos seus pensamentos. Ele aprendera a “ver” sem julgar, como se ele desse a tudo aquilo que brota sobre a montanha o “direito de existir”.
Certo dia, alguns peregrinos o tomaram por um monge; impressionados pela qualidade da presença, eles pediram-lhe uma bênção. Ele nada respondeu, imperturbável como a pedra. Tendo sabido disso, naquela mesma noite o Padre Serafim começou a lhe dar bastonadas... O jovem homem se pôs então a gemer.
“Ah bom, eu achei que você tivesse se tornado tão estúpido quanto as pedras do caminho... A meditação hesicasta tem um enraizamento, a estabilidade das montanhas, mas seu objetivo não é fazer de você um cepo morto, mas um homem vivo.”
Ele tomou o jovem pelo braço e o conduziu até o fundo do jardim onde, entre as ervas selvagens, eles conseguiam divisar algumas flores. “Agora não se trata mais de meditar como uma montanha estéril. Aprenda a meditar como uma papoula, mas não esqueça da montanha...”

Meditar como uma papoula

Foi assim que o jovem aprendeu a florescer... A meditação é antes de tudo uma postura e foi isso o que a montanha lhe havia ensinado. A meditação também é uma “orientação” e era isso o que a papoula estava ensinando-lhe agora: voltar-se em direção ao sol, voltar-se do mais profundo de si mesmo em direção à luz. Aspirar em todo seu sangue, toda a seiva.
Essa orientação voltada ao belo, à luz, fazia com que ele às vezes ficasse vermelho como uma papoula. Era como se a “bela luz” fosse a luz de um olhar que lhe sorria, esperando dele um perfume qualquer... Junto à papoula, ele aprendeu igualmente que, para permanecer na sua orientação, a flor deveria ter “a haste ereta” e ele começou a endireitar a coluna vertebral.
Isso lhe colocou alguns problemas, pois ele tinha lido em alguns textos da Filocalia que o monge deveria estar ligeiramente curvado. Algumas vezes, até mesmo sentindo dor. O olhar voltado para o coração e as entranhas.
Ele pediu ao padre Serafim algumas explicações. Os olhos do staretz o olharam com malícia: “Isso era para os fortões d’outrora. Eles eram cheios de energia, e era preciso lembrar-lhes a humildade da sua condição humana, que eles se curvem um pouco durante a meditação – isso não lhes fará nenhum mal... Mas você, você tem necessidade de energia, então, no momento da meditação, endireite-se, esteja vigilante, mantenha-se ereto e voltado para a luz, mas sem orgulho... aliás, se você observar bem a papoula, ela lhe ensinará não apenas a retidão da haste, mas também uma certa maleabilidade sob as inspirações do vento e também uma grande humildade...”
De fato, o ensinamento da papoula também estava presente na sua fugacidade, na sua fragilidade. Era preciso aprender a florescer, mas também a fanar. O jovem compreendeu melhor as palavras do profeta:
“Toda carne é como a grama e sua delicadeza é como a das flores dos campos. A grama seca, a flor murcha... As nações são como uma gota de orvalho na beira de um balde... Os juízes da terra acabarão de ser plantados, sua haste acabou de deitar raízes na terra... e então eles secarão e a tempestade os levará como uma palha.” (Isaías 40).
A montanha tinha lhe dado o sentido da Eternidade, a papoula lhe ensinava a fragilidade do tempo: meditar é conhecer o Eterno na fugacidade do instante, um instante reto, bem orientado. É florescer o tempo que nos é dado a florescer, amar o tempo que nos é dado a amar, gratuitamente, sem porquê, pois para quem? Por que florescem as papoulas?
Assim, ele aprendeu a meditar “sem objetivo nem ganho”, apenas pelo prazer de ser e de amar a luz. “O amor é a sua própria recompensa”, dizia ainda Ângelus Silesius. “É a montanha que floresce na papoula, pensou o jovem. É todo o universo que medita em mim. Que ele possa ficar vermelho de alegria enquanto durar minha vida.” Esse pensamento certamente era demais. O padre Serafim começou a sacudir o nosso filósofo e mais uma vez o tomou pelo braço. Ele o conduziu por um caminho escarpado que levava até a beira do mar, a uma pequena praia deserta. “Pare de ruminar como uma vaca o bom senso das papoulas... Tenha também o coração marinho. Aprenda a meditar como o oceano.”


Meditar como o oceano

O jovem aproximou-se do mar. Ele tinha adquirido uma boa base e uma orientação reta. Ele estava na boa postura. O que lhe faltava? O que o marulhar do oceano poderia lhe ensinar? O vento se ergueu. O fluxo e o refluxo do mar tornaram-se mais profundos e isso despertou nele a lembrança do oceano. O velho monge tinha aconselhado-o, de fato, a meditar “como o oceano” e não como o mar. Como ele tinha adivinhado que o jovem tinha passado longas horas às margens do Atlântico, sobretudo à noite e que ele já conhecia a arte de acordar seu sopro com a grande respiração das ondas. Eu inspiro, eu expiro..., depois, eu sou inspirado, eu sou expirado. Eu me deixo levar pelo sopro, assim como nos deixamos levar pelas ondas... Assim ele se deixava ser carregado pelo ritmo das respirações oceânicas. Mas a gota de oceano que outrora “dissipava-se no mar”, guardava hoje sua forma, sua consciência. Será que isso era o efeito da sua postura? Do seu enraizamento na terra? Ele não era mais levado pelo ritmo aprofundado da sua respiração. A gota d’água guardava sua identidade e, no entanto, ela sabia “ser uma” com o oceano. Foi assim que o jovem aprendeu que meditar é respirar profundamente, deixar ser o fluxo e o refluxo do sopro.
Ele aprendeu igualmente que, mesmo havendo ondas na superfície, o fundo do oceano permanecia tranqüilo. Os pensamentos vão e vêm, nos fazem espumar, mas o fundo continua imóvel. Meditar a partir das ondas que somos para perdermos o pé e deitarmos raízes no fundo do oceano. Tudo isso tornava-se a cada dia um pouco mais vivo para ele e ele se lembrava das palavras de um poeta que o marcara nos tempos da sua adolescência: “A Existência é um mar incessantemente cheio de ondas. Desse mar as pessoas normais só percebem as ondas. Veja como, das profundezas do mar, inumeráveis ondas aparecem na superfície, enquanto o mar permanece oculto nas ondas”. Hoje o mar lhe aparecia menos "oculto nas ondas”, a unicidade de todas as coisas lhe parecia mais evidente, e isso não abolia o múltiplo. Ele tinha menos necessidade de opor o fundo e a forma, o visível e o invisível. Tudo isso constituía o oceano único da vida.
No fundo do seu sopro não se encontrava o Ruah? O pneuma? O grande sopro de Deus?
“Aquele que escuta com atenção sua respiração, lhe disse então o velho monge Serafim, não está longe de Deus.”
“Escute quem está no final do teu expirar. Quem está na fonte do teu inspirar.” Realmente, existia ali alguns segundos de silêncio mais profundos do que o fluxo e o refluxo das ondas, e havia ali algo que parecia carregar o oceano...

Meditar como um pássaro

Estar em uma boa postura, estar orientado em direção à luz, respirar como um oceano... isso ainda não é a oração hesicasta, lhe disse o Padre Serafim. "Agora você deve aprender a meditar como um pássaro", e ele o levou até uma pequena célula próxima à sua ermida onde viviam duas rolas. De início, o arrulhar desses dois pequenos animais lhe pareceu charmoso, mas não demorou para que esse som irritasse o jovem filósofo. De fato, elas escolhiam o momento onde ele estava caindo de sono para arrulhar as mais ternas palavras. Ele perguntou ao velho monge o que tudo isso significava e se essa comédia iria durar muito tempo. A montanha, o oceano, a papoula ainda passavam (mesmo que possamos nos perguntar o que existe de cristão nisso tudo), mas, agora, propor-lhe essa ave langorosa como mestre de meditação, era demais! O padre Serafim explicou-lhe que no Antigo Testamento, a meditação é expressa pelos termos da raiz “haga”, frequentemente traduzido para o grego por mélété – meletan – e para o latim por meditaria – meditatio. Em seu sentido primitivo, essa raiz queria dizer “murmurar em voz baixa”. Ela é igualmente utilizada para designar os gritos dos animais, por exemplo, o rugir do leão (Isaías 31, 4), o piar das andorinhas e o canto da pomba (Isaías 38, 14), mas também o grunhido dos ursos.
“Não temos ursos no Monte Athos. É por esta razão que o trouxe até as rolas, mas o ensinamento é o mesmo. É preciso meditar com a sua garganta, não apenas para acolher o sopro, mas também para murmurar o nome de Deus noite e dia...”
Quando você está feliz, quase sem se dar conta, você cantarola, você às vezes murmura palavras sem sentido e esse murmúrio faz todo o seu corpo vibrar de alegria simples e serena.
Meditar é murmurar como a rola, deixar subir em si esse canto que vem do coração, assim como você aprendeu a deixar subir em você o perfume que vem da flor... meditar é respirar cantando. Sem nos demorarmos muito no significado agora, eu proponho que você repita, murmure, cantarole as palavras que estão no coração de todos os monges do Athos: “Kyrie eleison, kyrie eleison...” Isso não agradou muito ao jovem filósofo. Ele já tinha ouvido essas palavras em algumas celebrações de casamento ou enterro; em francês elas eram traduzidas por: “Senhor, tenha piedade”.
O monge Serafim começou a sorrir: “Sim, esse é um dos significados dessa invocação, mas há muitos outros. Essas palavras também querem dizer: “Senhor, envie teu Espírito...! Que a tua ternura esteja sobre mim e sobre todos, que teu Nome seja abençoado, etc...”, mas não procure compreender o sentido dessa invocação, ele se revelará sozinho a você. Por enquanto, esteja sensível e atento à vibração que ela desperta em seu corpo e em seu coração. Tente harmonizar pacificamente essa invocação com o ritmo da sua respiração. Quando os pensamentos o atormentarem, volte suavemente a essa invocação, respire mais profundamente, mantenha-se ereto e imóvel e você conhecerá um início de hesychia, a paz que Deus dá, incomensuravelmente, àqueles que o amam. Passados alguns dias, o “Kyrie eleison” tornou-se um pouco mais familiar. Ele o acompanhava assim como o zumbir acompanha a abelha quando ela faz o seu mel. Ele nem sempre o repetia com os lábios. O zumbido tornara-se mais interior e sua vibração mais profunda.
O “Kyrie eleison” que ele renunciara a “pensar” acerca do seu significado, o conduzia por vezes a um silêncio desconhecido e ele se encontrava na atitude do apóstolo Tomé quando este descobriu o Cristo ressuscitado: “Kyrie eleison”, Meu Senhor é meu Deus.
A invocação o mergulhou pouco a pouco em um clima de intenso respeito por tudo aquilo que existe. Mas também de adoração por aquilo que mantém-se oculto na raiz de todas as existências. O padre Serafim disse-lhe então: “Agora você não está longe de meditar como um homem. Eu devo ensinar-lhe a meditação de Abraão.”

Meditar como Abraão

Até aqui o ensinamento do stárets fora de ordem natural e terapêutica. Os antigos monges, segundo o testemunho de Philon de Alexandria, eram, de fato, “terapeutas”. Seu papel, antes de conduzirem à iluminação, era o de curar a natureza, colocá-la em melhores condições para que ela pudesse receber a graça, a graça que não contradizia a natureza, mas a restaurava e a realizava. Era isso que o homem idoso estava fazendo com o jovem filósofo, ensinando-lhe um método de meditação que alguns poderiam chamar de “puramente natural”. A montanha, a papoula, o oceano, o pássaro – tantos elementos da natureza que lembram ao homem que ele deve, antes de ir mais longe, recapitular os diferentes níveis do ser, ou ainda os diferentes reinos que compõem o macrocosmo. O reino mineral, o reino vegetal, o reino animal... Frequentemente o homem perde o contato com o cosmos, com o rochedo, com os animais e isso acaba provocando nele todo tipo de doenças, de mal-estares, de insegurança, de ansiedade. Ele se sente “demais”, estranho e estrangeiro no mundo. Meditar era primeiro entrar na meditação e no louvor do universo, pois “todas as coisas sabem orar antes de nós”, dizem os padres. O homem é o lugar onde a oração do mundo toma consciência dela mesma. O homem está aqui para nomear aquilo que todas as criaturas balbuciam. Com a meditação de Abraão, nós entramos em uma nova e mais elevada consciência que chamamos de fé, ou seja, a adesão da inteligência e do coração a esse “Tu” ou a esse “Você” que é, que transparece quando chamamos todas os seres pelos seus primeiros nomes. Essa é a experiência e a meditação de Abraão: atrás do estremecer das estrelas, existem mais do que estrelas, uma presença difícil de nomear, que nada pode nomear e que no entanto possui todos os nomes...
É algo maior do que o universo e que, no entanto, não pode ser compreendido fora do universo. A diferença que existe entre Deus e a natureza é a diferença que existe entre o azul do céu e o azul de um olhar... Abraão estava em busca desse olhar além de todos os azuis... Após ter aprendido a sentar, após ter aprendido o enraizamento, a orientação positiva em direção à luz, a respiração apaziguada dos oceanos, o canto interior, o jovem era convidado ao despertar do coração. “De repente, você é alguém”. Aquilo que é próprio ao coração, de fato, é personalizar todas as coisas e, nesse caso, personalizar o Absoluto, a Fonte de tudo aquilo que é e respira, nomeá-la, chamá-la de “Meu Deus”, “Meu Criador” e caminhar em Sua presença. Meditar, para Abraão, é manter, sob as mais variadas formas, o contato com essa Presença. Essa forma de meditação entra nos detalhes concretos da vida quotidiana. O episódio do carvalho de Mambré nos mostra Abraão “sentado à entrada da tenda, na hora mais quente do dia” e ali ele vai acolher três estrangeiros que vão se revelar como enviados de Deus. Meditar como Abraão, dizia o Padre Serafim, “é praticar a hospitalidade, o copo d’água que damos àquele que tem sede, não se afaste do silêncio, ele o aproxima da fonte.” Meditar como Abraão, você compreende, desperta não apenas em você a paz e a luz, mas também o Amor por todos os homens.” E o padre Serafim leu para o jovem a famosa passagem do livro do Gênesis onde se fala da intercessão de Abraão:
“Abraão estava diante de YHWH, Aquele que é – que era – que será.” Ele aproximou-se e disse: “Vais realmente suprimir o justo junto com o pecador? Talvez haja cinqüenta justos na cidade, vais realmente suprimi-los e não perdoarás a cidade devido aos cinqüenta justos que estão no seu seio...?”
Abraão, pouco a pouco, teve que reduzir o número de justos para que Sodoma não fosse destruída. “Que o meu Senhor não se irrite e falarei uma última vez: talvez encontremos dez justos...” (cf. Gênesis 18, 16) Meditar como Abraão é interceder pela vida dos homens, nada ignorar da sua podridão e, no entanto, “jamais desesperar da misericórdia de Deus”. Esse tipo de meditação liberta o coração de todo julgamento e de toda condenação, em qualquer tempo ou lugar; quaisquer que sejam os horrores que você venha a contemplar, ele chama o perdão e a bênção. Meditar como Abraão nos leva ainda mais longe. A palavra tinha dificuldade em sair da garganta do padre Serafim, como se ele tivesse querido poupar o jovem de uma experiência pela qual ele próprio tivera que passar e que despertava na sua lembrança um sutil tremor: isso pode nos levar até ao Sacrifício... e ele citou a passagem do Gênesis onde Abraão se mostra pronto a sacrificar seu próprio filho Isaac. “Tudo pertence a Deus, continuou o padre Serafim, murmurando. Tudo é dele, por ele e para ele”; meditar como Abraão o conduz a essa total falta de posse de si mesmo e daquilo que você tem de mais caro... procure aquilo que lhe é mais caro, aquilo com o qual você identifica o seu eu: para Abraão era o seu filho, seu único filho. Se você é capaz desse dom, desse abandono total, dessa infinita confiança naquele que transcende toda razão e todo bom senso, tudo lhe será dado cem vezes mais: “Deus proverá”. Meditar como Abraão é não ter nada no coração e na consciência “além d’Ele”. Quando ele subiu até o topo da montanha, Abraão só pensava em seu filho. Quando ele desceu, ele só pensava em Deus.
Passar pelo cimo do sacrifício é descobrir que nada pertence ao “eu”. Meditar como Abraão é unir-se pela fé àquele que transcende o Universo, é praticar a hospitalidade, interceder pela salvação de todos os homens. É esquecer-se a si mesmo e romper os apegos mais legítimos para descobrir-se a si mesmo, nossos próximos e todo o Universo, habitado pela infinita presença “d’Aquele Único que É”.

Meditar como Jesus

O padre Serafim mostrou-se cada vez mais discreto. Ele sentia os progressos feitos pelo jovem na sua meditação e na sua oração. Ele o surpreendera diversas vezes com o rosto banhado de lágrimas, meditando como Abraão e intercedendo por todos os homens. “Meu Deus, misericórdia, o que vai ser dos pecadores...?” Um dia o jovem veio até ele e perguntou: “Pai, por que o senhor nunca me fala de Jesus? Qual era a sua oração, sua maneira de meditar? Não falamos de outra coisa durante a liturgia e os sermões. Na oração do coração, como nos fala a Filocalia, é o seu nome que devemos invocar. Por que o senhor não me fala nada a respeito?”
O padre Serafim tinha o ar perturbado. Era como se o jovem lhe pedisse algo indecente, como se fosse preciso revelar seu próprio segredo. Quanto maior é a revelação que recebemos, tanto maior deve ser a humildade daquele que a transmite. Sem dúvida, ele não se sentia humilde o suficiente: “Isso, apenas o Espírito Santo pode ensinar-lhe. Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; nem quem é o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Lucas 10, 22). É preciso que você se torne filho para orar como o filho e manter com Aquele que ele chama de seu Pai e nosso Pai as mesmas relações de intimidade que Ele e isso é obra do Espírito Santo, ele o lembrará de tudo aquilo que Jesus disse. O Evangelho se tornará vivo em você e ele lhe ensinará a orar como é preciso.” O jovem insistiu. “Diga-me alguma coisa a mais.” O velho sorriu. “Agora, o melhor que eu tenho a fazer é começar a latir. Mas você também tomaria isso por um sinal de santidade. Então, é melhor simplesmente dizer-lhe as coisas.”
Meditar como Jesus recapitula todas as formas de meditação que eu ensinei até agora. Jesus é o homem cósmico. Ele sabia meditar como a montanha, como a papoula, como o oceano, como a pomba. Ele também sabia meditar como Abraão. O coração não tinha limites, ele amava até seus inimigos, seus carrascos: “Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”. Ao praticar a hospitalidade para com aqueles que chamamos de doentes e de pecadores, paralíticos, prostitutas, colaboradores... À noite ele se retirava para orar em segredo e aí, ele murmurava como uma criança: “abba”, o que quer dizer “papai”... Isso pode lhe parecer irrisório, chamar de “papai” o Deus transcendente, infinito, incomparável, que está além de tudo! É quase ridículo e, no entanto, essa é a oração de Jesus e nessa simples palavra, tudo era dito. O céu e a terra tornam-se terrivelmente próximos. Deus e o homem fazem apenas um. Talvez seja necessário dizer “papai” à noite para compreender isso... Mas hoje em dias essas relações íntimas de um pai e de uma mãe com seus filhos não querem dizer mais nada. Talvez essa seja uma imagem ruim...?
É por essa razão que eu prefiro nada dizer, não utilizar nenhuma imagem e esperar que o Espírito Santo coloque em você os sentimentos e o conhecimento que estavam em Jesus Cristo e que esse “abba” não venha da ponta dos seus lábios mas do fundo do seu coração. Nesse dia, você começará a compreender o que é a oração e a meditação hesicastas.” Agora, vá!

O jovem ficou ainda alguns meses no Monte Athos. A oração de Jesus o conduziu aos abismos, por vezes aos limites de uma certa “loucura”: Não sou mais eu que vivo, é o Cristo que vive em mim” – a exemplo de São Paulo, ele podia dizer essas palavras. Delírio de humildade, de intercessão, de desejo “que todos os homens sejam salvos e alcancem o pleno conhecimento da verdade.” Ele tornou-se Amor, ele tornou-se fogo. A sarça ardente não era mais uma metáfora, mas uma realidade: “Ele queimava e, no entanto, ele não era consumido.” Estranhos fenômenos de luz visitavam o seu corpo. Alguns diziam tê-lo visto caminhar sobre a água ou manter-se sentado, imóvel, a trinta centímetros do chão...
Dessa vez, o padre Serafim começou a latir: “Chega! Agora, vá!” e ele pediu que ele deixasse o Monte Athos, que ele voltasse para casa e ali ele veria o que sobrava das suas belas meditações hesicastas!... O jovem partiu. Ele voltou para a França. Acharam que ele tinha emagrecido e não acharam nada de espiritual na sua barba de aspecto sujo e seu ar negligente... Mas a vida da cidade não fez com que ele esquecesse o ensinamento do seu stárets!
Quando ele se sentia muito agitado, sempre sem tempo, ele ia se sentar como uma montanha na varanda de um café. Quando ele sentia em si o orgulho, a vaidade, ele lembrava-se da papoula, “toda flor murcha”, e novamente seu coração voltava-se para a luz que não passa. Quando a tristeza, a raiva, o desgosto invadiam sua alma, ele respirava ao largo, como um oceano, ele tomava fôlego no sopro de Deus, ele invocava seu Nome e murmurava: “Kyrie eleison...” Quando ele via o sofrimento dos homens, sua maldade e sua impotência em mudar alguma coisa, ele se lembrava da meditação de Abraão. Quando ele era caluniado, quando diziam coisas infames a seu respeito, ela ficava feliz por meditar com o Cristo... Externamente, ele era um homem como os outros. Ele não procurava ter “ares de santo”... Ele até esquecera que praticava o método da oração hesicasta, ele simplesmente tentava amar Deus instante após instante e caminhar na Sua Presença...

*(do livro de mesmo título da editora Vozes)

11 de agosto de 2010

30 anos de Campanha por um tradicionalismo católico absurdo

Bento XVI e o catolicismo conservador.
30 anos de campanha, segundo revista americana


Alguns acreditam que o Papa Bento XVI é
"o maior estudioso que governa a Igreja desde o papa Inocêncio III",
do século XIII.
Escândalos de abusos de crianças têm marcado o seu mandato.


A reportagem é de Robert Marquand, publicada pela revista The Christian Science Monitor, 06-08-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Nos últimos 30 anos, o Vaticano tem se movido fortemente para reafirmar a autoridade de um Catolicismo Romano tradicional e até mesmo ortodoxo – trazendo a noção de uma "única igreja verdadeira" para a Europa e então para o mundo em geral. A intenção foi inverter a tendência "aberta" ou de liberalização da Igreja representada pelo Vaticano II.

Nas últimas três décadas, o Vaticano reprimiu a Teologia da Libertação, afirmou a moral sexual tradicional e agora está apoiando silenciosamente grupos católicos ultradevotos como a Opus Dei e a Legião de Cristo – ao mesmo tempo em que restringe o alcance ecumênico e descreve as Igrejas Protestantes como não autênticas.

O exemplo mais constante, diligente e sério dessas medidas é um tímido mas brilhante teólogo alemão, Josef Ratzinger – hoje Papa Bento XVI.

O estudioso renascentista Anthony Grafton, da Universidade de Princeton, que não católico, diz que o Papa Bento XVI é "provavelmente o maior estudioso que governa a Igreja desde [o papa] Inocêncio III", do século XIII.

"Não há nenhuma grande questão, nenhuma direção na teologia católica, que não foi dominada por Ratzinger ao longo das últimas três décadas", diz Hermann Häring, teólogo liberal, que estudou com Ratzinger e escreveu um livro sobre sua teologia.

No entanto, um grande esforço para restaurar a autoridade e fazer com que a Igreja seja mair pura coincide com uma impureza épica – o abuso de crianças por milhares de padres e muitos bispos nos Estados Unidos, na Europa e em outros lugares. Para entender as respostas passadas, presentes e talvez futuras do Papa Bento XVI à crise dos abusos sexuais, deve-se examinar o arco de sua vida religiosa.

Sua visão de reforma da Igreja Católica foi muitas vezes tão absorvente que a pedofilia foi varrida para debaixo do tapete do Vaticano, dizem algumas fontes. Ao mesmo tempo, a repressão do Concílio Vaticano II – o controverso concílio papal de três anos em meados da década de 60 – ampliou uma cultura do medo, do sigilo e da hierarquia. "Muitas regras e códigos caíram, mas os esforços para 'se pronunciar' foram frustrados", diz uma autoridade jesuíta na Alemanha, com conhecimento do assunto.

"[O Papa] João Paulo II foi o rosto da missão mundial da Igreja, enquanto Ratzinger ficou em Roma, trabalhando sobre livros, estabelecendo regras como o executor do Papa", diz Karl-Josef Kuschel, da Universidade de Tübingen, na Alemanha [e também vice-presidente da Fundação Ética Mundial]. "Ratzinger nomeou bispos durante 30 anos. Agora é a sua Igreja. Os bispos hoje foram escolhidos exatamente porque concordam com ele".

Em dezenas de entrevistas com autoridades da Igreja e teólogos da Alemanha, dos EUA, da Espanha e da França, muitos católicos dizem que o Vaticano não está perdendo oportunidades nem está "desafinado" em seu tratamento da pedofilia. Pelo contrário, os casos de abuso estão se esgotando de forma espasmódica dentro da visão do Papa sobre a Igreja como árbitro último da autoridade espiritual, das Escrituras e da santidade na Terra. Nesse sentido, o Vaticano não está buscando se adaptar, se modernizar ou se abrir a novas interpretações. Declarações recentes do Vaticano contra a ordenação de mulheres e que reafirmam o celibato sacerdotal são pequenos exemplos disso.

"O mundo é mau, e a Igreja é pura", diz uma autoridade da Igreja austríaca. "Isso é grave para Bento XVI. Ele não quer que a Igreja seja uma piada. Ele é suspeito de caos e de evitar a disciplina e a ordem, e de esforços humanos para adotar a cultura popular e criar uma Igreja fora do mundo, em vez de uma Igreja que transforma o mundo. Isso o frustra profundamente. Ele vê toda a salvação ocorrendo dentro da Igreja Católica. Ele acredita nisso".

Entretanto, ironicamente, os abusos de crianças, sem dúvida, trouxeram uma desordem ainda maior do que o fermento do Vaticano II no final dos anos 60. Na metade deste ano, o Papa descreveu a pedofilia como "fofocas mesquinhas da opinião dominante" [na verdade, a frase foi proferida pelo cardeal Angelo Sodano], antes de fazer um giro de 180 graus e pedir perdão na Basílica de São Pedro no dia 11 de junho: "Nós imploramos insistentemente o perdão de Deus e das pessoas envolvidas, prometendo fazer todo o possível para assegurar que tais abusos nunca aconteçam novamente".

De progressista a tradicionalista

Ratzinger nem sempre foi visto como o executor conservador da doutrina católica. Em 1965, a chegada de Ratzinger à faculdade de teologia em Tübingen trouxe uma agitação de antecipação. O best-seller de Ratzinger "Introdução ao Cristianismo" parecia ser um novo impulso para a democracia e a liberdade. A universidade tinha uma faculdade conjunta entre protestantes e católicos. A mudança estava no ar. Ratzinger foi trazido por Hans Küng, uma jovem celebridade progressista suíça do Vaticano II. Por um tempo, parecia que os dois homens estavam no começo de uma bela amizade.

O nazismo e a guerra perturbaram os jovens católicos alemães, que eram suspeitos de uma ideologia absoluta. O Vaticano II pareceu "abrir" a Igreja e permitir o diálogo e a divulgação de opiniões, sem medo da represália eclesiástica. Em Tübingen, os protestantes participavam do aprendizado católico. Os católicos aprendiam conceitos protestantes de interpretação das escrituras e ideias subjetivas sobre espiritualidade a partir dos ensinamentos do teólogo suíço Karl Barth e do teólogo alemão Rudolf Bultmann.

Porém, a primeira palestra de Ratzinger para a faculdade conjunta, uma tradição importante para os novos professores, foi surpreendente. Ele falou sobre "O significado dos Padres da Igreja para o cristianismo". Küng ficou "um pouco chocado", diz o professor Häring. "Ratzinger disse que a base da verdadeira teologia não era a Bíblia, mas a Bíblia conforme interpretada por cinco séculos de Padres da Igreja. Basicamente, ele estava dizendo à faculdade protestante: 'Percam-se'. Ele estava dizendo: 'Vocês devem retornar à teologia grega... ao helenismo".

As passeatas de protesto estudantis em Tübingen nos anos 60 foram um divisor de águas para Ratzinger, levando-o para o conservadorismo. Ele foi embora para um tranquilo colégio bávaro. Ele escreveu contra a democracia na Igreja, repreendeu severamente a influência do marxismo e criticou o que ele chamou de "ditadura do relativismo". Ele não gostava das expressões individualismo, crise da fé, busca de liberdade e de sentido, dos momentos existenciais. "Ele via isso como indivíduos separados da instituição coletiva da Igreja, na qual a salvação e o sentido são encontrados. Ao serviço da Igreja verdadeira, descobre-se uma nova vida", diz o professor Kuschel.

Em 1977, Ratzinger tornou-se arcebispo de Munique e de Freising. O ex-jesuíta Paul Imhoff se lembra de Ratzinger como alguém absorvido pelo catolicismo medieval. Imhoff, que foi ordenado por Ratzinger antes de deixar a Igreja para se casar com uma estudante de teologia, foi para um "carnaval de professores" com ele. "Tivemos piadas, dança, diversão inofensiva... Ratzinger era encantador. Mas todo o tempo ele falou sobre a restauração da velha Europa... em que a Igreja tem precedência sobre o Estado".

Pedofilia: não em seu radar

Os casos de pedofilia começaram a aumentar nos arquivos do Vaticano nos anos 80. Mas então, como chefe da disciplina da Igreja, Ratzinger focou-se principalmente em silenciar os padres ou os teólogos da libertação, como o brasileiro Leonardo Boff, que tentou capacitar os agricultores e os campesinos. A década de 90 trouxe críticas severas contra o aborto, os direitos dos homossexuais, o casamento gay, contracepção e a promoção da abstinência e do celibato – enquanto os bispos dos EUA denunciavam centenas de casos de abusos de crianças, mas recebendo pouca clareza sobre como lidar com eles.

A maioria dos prefeitos da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) da Igreja atuam por dois mandatos, ou 10 anos. Ratzinger atuou por 24 anos e em seguida tornou-se Papa.

Nos últimos anos, um foco do Vaticano sobre o alcance ecumênico abriu caminho para o alcance evangelizador. Em junho, um novo escritório pontifício para "evangelizar" as áreas do mundo que sofrem de "um eclipse do sentido de Deus" foi anunciado. A Igreja tem rejeitado os protestantes e tem marcado linhas duras contra o Islã. Mas Roma reforçou os laços com as Igrejas Ortodoxas Orientais.

No dia 21 de julho, o patriarca ortodoxo russo Kirill elogiou o Papa por se manter firme contra a ordenação sacerdotal de mulheres e por não sucumbir a "elementos pecaminosos do mundo" que se infiltraram nas Igrejas protestantes por meio do clero gay e feminino, e se ofereceu para trabalhar com o Papa em questões mundiais.

Hoje, após a sua jornada de 30 anos para reformar a Igreja, os escândalos sexuais podem ser uma herança considerável. Ainda não está claro para onde o Papa se dirige. No mês passado, houve algumas mudanças no tom e na atenção. No final de julho, a Igreja estendeu para 20 anos o período em que as reivindicações das vítimas podem ser investigadas. Mas a questão fundamental – se os padres abusadores devem ser denunciados às autoridades civis – ainda não foi decidida em Roma.

Além de seus poucos pronunciamentos, as opiniões do Papa acerca dos escândalos sexuais é um enigma. Fontes do Vaticano dizem que o pontífice passa seu tempo escrevendo livros e só vê duas autoridades da Igreja regularmente. "Até os bispos agora têm que esperar duas semanas ou mais para uma reunião", diz uma autoridade da Igreja que está preocupada com isolamento do Papa.

Fonte: http://lc4.in/3M7P

7 de agosto de 2010

O papa é Pop...



Parece que o papa resolveu entrar para a carreira artistica e vai deixar cobrar ingresso por suas performances, estaria tudo bem se estas suas performances não fossem missas... Parece que o bispo (P)edir Ma(is)cedo está fazendo escola. E depois querem falar mal da IURD...
As missas do Papa no Reino Unido e a cobrança de entradas
Nada é grátis em tempos de crise. Nem mesmo as missas papais. Os peregrinos que assistirem às três missas que Bento XVI celebrará em sua visita ao Reino Unido em setembro deverão pagar um ingresso que custará entre 5 libras (6 euros) no ato de Hyde Park em Londres a 25 libras (30 euros) na missa de Birmingham. A entrada em Glasgow custará 20 libras (24 euros).
A reportagem é de Walter Oppenheimer, publicada pelo jornal El País, e reproduzida pelo portal UOL, 07-08-2010.
Trata-se da primeira visita de Estado do papa ao Reino Unido. A de João Paulo II, em 1982, teve somente um caráter pastoral. Desta vez Bento XVI será recebido pela rainha, mas o papa não dormirá no Palácio de Buckingham, como costumam fazer os chefes de Estado, porque em setembro Elizabeth II ainda estará em sua residência escocesa em Balmoral. A recepção será no palácio de Holyrood, em Edimburgo, e o pontífice dormirá em Londres.
O Vaticano afirma que sua iniciativa de cobrar dos fiéis deve ser entendida como uma "contribuição", que decidiram chamar de "passaporte do peregrino" e da qual estarão isentos aqueles que não puderem se permitir essa despesa. O pagamento inclui o transporte até o local das missas.
Os passaportes para o ato em Londres foram fixados em princípio em 10 libras, mas foram reduzidos em 50% depois que muitos fiéis explicaram aos organizadores que a maioria dos procedentes da periferia de Londres já tem a viagem paga até o centro da capital, porque possuem abonos mensais do transporte público, e, portanto, pagar de novo através do citado passaporte só faria dobrar o gasto em transporte.
Como se trata de uma visita de Estado, o Reino Unido cobrirá a maior parte do custo. As estimativas iniciais de que os contribuintes deveriam enfrentar uma fatura de 10 milhões de euros dispararam até 14,5 milhões de euros, sem contar os gastos de segurança. O Vaticano cobrirá as atividades pastorais (cerca de 8,5 milhões de euros).
O dinheiro é importante em um país como o Reino Unido, onde a mídia e o público costumam analisar com lupa como se gasta o dinheiro dos contribuintes. Sobretudo em atos tão chamativos quanto uma visita papal, com a qual nem todos comungam. Não só porque os católicos são minoria - embora crescente -, mas porque vem cercada de polêmica depois dos vários abusos sexuais contra crianças cometidos por religiosos ou instituições dependentes da Igreja Católica em diversos países. Com especial gravidade na vizinha, próxima e ainda muito católica Irlanda.
A BBC vai receber Bento XVI com um documentário sobre o escândalo dos abusos sexuais no qual seu autor, Mark Dowd, vai buscar o que definiu como "o verdadeiroJoseph Ratzinger". Os documentaristas viajaram à Baviera para entrevistar o irmão do papa, Georg Ratzinger, que revela como os escândalos o afetaram. Em outro documentário, a ex-deputada conservadora católica Ann Widdecombe explora a vida do cardeal John Henry Newman, teólogo e educador do século XIX que será beatificado nesta visita papal.
Dá-se a curiosa circunstância de que os movimentos homossexuais britânicos consideramNewman um homossexual disfarçado, que foi enterrado ao lado de seu companheiro durante 32 anos e que eles consideram sobretudo seu amante, Ambrose Saint John. Muitos católicos britânicos preferem crer que os dois nunca foram nada além de bons amigos.
Sexo ronda a visita
A questão da homossexualidade ameaça estar presente durante toda esta visita do papa, ou pelo menos nos comentários prévios. Não só por causa do drama dos abusos sexuais de crianças ou pela polêmica mais trivial sobre a sexualidade do que poderá ser o primeiro santo católico inglês em muitos séculos, John Henry Newman, mas devido à hesitação do Vaticano a submeter-se às leis de igualdade do Reino Unido, que no papel podem obrigá-lo a deixar de discriminar seus empregados conforme sua orientação sexual. Isto é, a Igreja Católica poderá ser obrigada a aceitar em suas escolas professores que se declarem publicamente homossexuais. Hoje, assim como ocorre na Espanha, a Igreja tem o privilégio de demiti-los.
Bento XVI atacou em fevereiro passado essa legislação e pediu aos bispos católicos da Inglaterra e Gales que a combatessem "com zelo missionário".
Também haverá debate sobre a ordenação de sacerdotes mulheres, com uma campanha publicitária a seu favor em Londres que está prevista justamente para antes da chegada do papa à cidade.

1 de agosto de 2010

Viver

J Ricardo A. de Oliveira

Degustar cada momento,

Saborear a experiência que os anos

Vividos nos dão.

Abrir bem largo os braços

E abraçar

Todo o tempo que resta.

Será a vida,

Esta incansável caminhante

Que jamais se detém?

Nem pára para olhar um sorriso

Ou o rolar de uma lágrima

De dor ou emoção benfazeja?

Vida

Ziguezagueante

Passageira.

Ora nas altas colinas da alegria

Noutras mergulhada nos abismos da dor.

Suspiro...

Contemplo o céu e concluo:

Vida,

Para que ter pressa ?

Tempo,

Porque a ansiedade?

A vida é sem duvida bela

E, sabe ser pródiga com quem a venera.

Uma vida,

plenamente

Vivida,

Não pode ser

Omitida,

Nem mesmo suprimida.

A vida assim,

Mal vivida

Passa a ser

Devida e sofrida.

Vidas assim mal vividas,

Deixam de ser dádiva,

Transformam-se em

Dívidas.

31 de julho de 2010

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)

Pároquia de Santo Afonso no início do Século Passado

Os Redentorista sempre fizeram parte de minha vida. Desde criança que a nossa casa sempre esteve na área da paróquia de Santo Afonso.
Aprendi aos poucos a admirá-lo e na juventude passei a admirá-lo ainda mais quando conheci sua história, muito pouco contada ,e que guarda algumas semelhanças com a de S Francisco. Afonso também abandonou tudo para dedicar-se aos excluídos. Formou uma congregação e teve muitas dificuldades para manter o carisma inicial numa época em que as familias mais abastadas tinham seu sacerdote familiar ( particular).
A decisão de Afonso de dedicar-se aos “lazaroni”, ou seja os mais excluídos de Nápoles fez dele um “subversivo” que precisava ser observado. Essa sua decisão lhe custou muitos dissabores e até perseguições de uma igreja que na sua época não via com bons olhos suas escollhas.
Certamente dele devem ter dito como disseram de Francisco que desvirtuava os jovens que passavam a seguir seu estilo de vida despojado.

Foi na Paróquia de Santo Afonso que me criei e mais atuei: como missionário Leigo redentorista na criação do primeiro grupo da paróquia, MECE, na pastoral da Saúde, na Liga católica, na pastoral da Acolhida (criada por mim na época- 1998), na evangelização e como membro do Conselho Pastoral Paroquial.
Tenho profunda admiração pelos Redentoristas, e uma simpatia especial para com os santos da congregação.
Hoje 1º de Agosto é dia da congregação estar em festa, e quero me juntar a todos os redentoristas para lembrar, comemorar e pedir a intercessão de Santo Afonso.



Afonso Maria de Ligório, bispo, escritor, poeta, musicista, Doutor da Igreja, foi fundador de uma das mais ativas e numerosas congregações religiosas: os Padres Redentoristas.
Nasceu perto de Nápoles, Itália, em 1696, filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles. Do pai herdara uma vontade férrea, inteligência viva e perspicaz, enquanto que a mãe plasmou seu coração para a fé a bondade. Ainda pequeno, recebeu do Santo São Francisco de Jerônimo da Companhia de Jesus, a seguinte profecia:
"Esta criança, não morrerá antes dos 90 anos; será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus".
Seu pai destinou-o aos estudos das artes liberais, das ciências exatas, das disciplinas jurídicas, conseguindo Afonso rápidos e surpreendentes progressos. Aos dezesseis anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e começou a colher louros e triunfos no foro. Seu pai sentia-se orgulhoso do brilhante futuro que se abria ao filho e já tinha preparado uma noiva, rica e nobre, mas no coração de Afonso, já havia a graça divina aberto profundos sulcos, e inspirado outras rotas de grandeza.
Como advogado, já de renome, recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini contra outro príncipe, o grão-duque de Toscana. Meticulosamente nosso advogado estudou o processo, reviu os autos, conferiu documentos. Fez uma brilhante defesa no foro. A vitória parecia mais que garantida quando o contra-atacante lhe chamou a atenção para uma pequena falha que lhe passara despercebida. Afonso reconheceu que se enganara e exclamou:
"Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!".

Este acontecimento determinou a reviravolta mais profunda de sua vida. O jovem e brilhante advogado abandonou definitivamente a advocacia para dedicar-se às causas mais nobres na seara evangélica. Completou os estudos de teologia e foi ordenado sacerdote aos trinta anos. Esta mudança custou-lhe renhidas lutas com o pai, que não podia conformar-se com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza e à rica herança da família. Mais tarde, ainda com pavor Afonso recordava dessas horas de combate. Desde então Afonso colocou suas altas qualidades de ciência e de oratória a serviço de Cristo, dedicou-se sobretudo à pregação, com o lema:

"Deus me enviou a evangelizar os pobres".

Procurava de preferência os pobres "Lazaroni" e a meninada abandonada pelas ruas de Nápoles. Muito se mortificava Dom José, vendo seu filho metido no meio do povinho, desprezível a seus olhos de fidalgo. Nosso santo não se deixava esmorecer.
Passou a morar no Hospício dos Padres Chineses e pensou seriamente em ir para as missões pagãs. Entretanto, os planos de Deus terminaram por conduzi-lo a um convento de irmãs em Scala, perto de Amalfi, para onde foi por ter adoecido, e necessitar de repouso.
Nesse convento havia a Irmã Maria Celeste Crostarosa que se destacava por sua virtude. A 3 de outubro de 1731 revelou-lhe a Irmã a visão que tivera:
Afonso estava designado por Deus para fundar uma Congregação.Começou então o duelo entre Deus e a humildade do Santo. A luta foi um verdadeiro martírio para Afonso. A santa Irmã chegou mesmo a intimá-lo:
"D. Afonso, Deus não o quer em Nápoles; chama-o para fundar um novo Instituto". Resolvido a isso, depois de ter sido orientado pelo seu confessor Facoia, mais tarde bispo, teve o Santo de enfrentar tremenda oposição do pai. Este recriminava ao filho dureza de coração por querer abandoná-lo para meter-se na aventura de fundar um novo Instituto. Mas a graça venceu, e a 9 de novembro de 1732 fundou Afonso, em Scala, a Congregação dos Padres Redentoristas, que no começo tinha o nome de Instituto do SS. Salvador.Os primeiros companheiros de Afonso eram todos sacerdotes, e logo começaram a dedicar-se à pregação. Não tardou aparecer desunião nas idéias. Queriam uns que o Instituto, além da pregação, se dedicasse também ao ensino. Afonso insistiu na exclusividade da pregação aos pobres, às regiões de gente abandonada, na forma de missões e retiros. Venceu seu ponto de vista.
Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou as Regras do Instituto, que tinha por fim a imitação de Jesus Cristo e a pregação de missões e retiros de preferência à classe mais abandonada.
Mais do que sua palavra, pregava o seu exemplo de virtude, de penitência, de caridade e de santa inocência. As cidades disputavam Afonso como pregador. Um dia chegou ao seu conhecimento, que o queriam nomear arcebispo de Palermo. Pediu orações para que se evitasse "o grande escândalo" desta nomeação. Mas em 1762 o Papa Clemente XIII impunha-lhe a mitra de Santa Águeda dos Godos.

Os diocesanos passaram mas viram que tinham um santo por bispo, quando vendeu até as alfaias, os móveis de seu pobre palácio, seu anel de bispo, para acudir aos necessitados.
Em 1775, a seu pedido, livrou-o do bispado. Papa Pio VI.
O santo patriarca voltou pobre para o seu convento, e ali a mão de Deus o experimentou e lhe burilou lindas facetas de virtude. Afonso, acabrunhado por sofrimentos físicos, teve o desgosto de ver a cisão no seu Instituto e, por mal-entendidos, foi até excluído na Congregação que fundara. Os últimos anos do Santo são síntese, tudo adversidades inimagináveis. Das profundezas da sua alma dorida clamava a Deus misericórdia e auxílio. Em tudo reconhecia a adorável vontade de Deus. Após longo martírio no corpo e na alma morreu calmamente no Senhor a 1º de agosto de 1787 na idade de 91 anos. Em 1816 foi declarado beato. Foi canonizado em 1839 por Gregório XVI.
Santo Afonso foi um prodigioso escritor. Nos seus últimos doze anos de vida, para não faltar ao programa que se propusera quando jovem, de não perder mais tempos tempo jamais, dedicou-se à redação de livros, enriquecendo a coleção de obras ascéticas e teológicas. Deixou para os sacerdotes a sua célebre Teologia Moral; para os religiosos a Verdadeira Esposa de Cristo; para o povo cristão, livros cheios de verdadeira e ungida piedade, tais como as Meditações sbre a Paixão do Salvador, Glórias de Maria, Visitas ao SS. Sacramento, Tratado sobre a oração. Foi historiador, apologeta, pregador, poeta e exímio musicista. A devoção popular muito deve às suas canções por ele escritas e musicadas. Até hoje no tempo de Natal, é comum escutar o seu "Tu Scendi dalle Stelle" - Tu desces das estrelas. A Igreja deu-lhe o título de Doutor zelosíssimo. As obras de Santo Afonso têm a perenidade das fontes seculares.

28 de julho de 2010

O que Acontecerá em 2012?

Marcelo Del Debbio
Pela qualidade da informação e pela importancia do esclarecimento e pela lucidez do autor resolvi colocá-lo aqui. Trata-se de um atrtigo estremamente oportuno e inteligente, nestes nossos tempos de tanta desinformação.( J. Ricardo)

Este artigo foi publicado originalmente no Sedentário, em setembro, e está atualmente em:

http://www.deldebbio.com.br/index.php/2009/11/23/o-que-acontecera-em-2012/#more-2522


Durante quase todos os períodos históricos, a humanidade sempre está diante de um suposto “Fim dos Tempos”, “Apocalipse”, “Armageddon”, “Ragnarok”, “Bug do Milênio” ou coisa que o valha. Desde que João escreveu seu tratado sobre a Kabbalah (cada um dos 22 capítulos do Livro das revelações fala sobre um dos aspectos de cada Caminho da Árvore da Kabbalah), os religiosos aproveitam a onda do “fim do mundo” para faturar uns trocados nos dízimos e proteções da vida.
Por volta da década de 80, chegou a vez do movimento dos picaretas New Age faturarem uns trocados com a idéia do fim do mundo.
Afinal de contas, o que acontecerá dia 21 do 12 de 2012?

O livro do Apocalipse (chamado também Apocalipse de São João, pelos católicos e ortodoxos, e Apocalipse de João, pelos protestantes, ou ainda Revelação a João) é um livro da Bíblia —o último da seleção “oficial” da galera de Constantino.
A palavra apocalipse, do grego αποκάλυψις (termo primeiramente usado por F. Lücke em 1832) e significa, em grego, “Revelação”. Um “apocalipse”, na terminologia do judaísmo e do cristianismo, é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de “apocalipse” aos relatos escritos dessas revelações. Ou seja, NADA de “Fim do Mundo”.
Devido ao fato de, na maioria das bíblias em língua portuguesa se usar o título “Apocalipse” e não “Revelação”, até o significado da palavra ficou todo deturpado, sendo às vezes usado como sinônimo (errôneo) de “fim do mundo”.
Para os cristãos, o livro possui a pré-visão dos últimos acontecimentos antes, durante e após o retorno do Messias de Deus. Alguns Protestantes e Católicos entendem que os acontecimentos previstos no livro já teriam começado. Outros acham que tudo acontecerá ao pé da letra, com direito a dragões de sete cabeças voando pelas cidades turísticas do globo e cristitas sendo abduzidos no meio da rua (“Arrebatamento”).
A literatura apocalíptica tem uma importância considerável na história da tradição judaico-cristã-islâmica, ao veicular crenças como a ressurreição dos mortos, o dia do Juízo Final, o céu, o inferno e outras que são ali referidas de forma mais ou menos explícita. Algumas pessoas defendem que o fato de várias civilizações no mundo terem apresentado narrações apocalípticas sugere que estas têm uma origem comum e ancestral (supostamente revelada ao homem por um ser dotado de inteligência superior, entre outras teorias) que foi sendo deturpada pela transmissão oral. Esta visão assume, por vezes, um carácter ecológico, ao propor que a mensagem do apocalipse se refere à capacidade que o homem civilizado tem para destruir o mundo.
Estão certos em parte. O caráter do texto realmente é Simbólico, mas apenas trata da evolução do Homem em relação ao próprio Interior do Homem. São passagens alquímicas que simbolizam os estágios de aperfeiçoamento do ser humano dentro das sete virtudes, culminando com a derrota de seus próprios demônios internos.

Mas e 2012?
Agora as expectativas se voltam para 2012. Sim, eis o próximo fim-do-mundo! Por quê 2012? Por que foi escolhido pelos místicos americanos, oras! Desta vez é o famoso movimento New Age (ou como diria o Cartman, dos “Hippies fedidos”) que profetiza o final dos tempos. Eles se baseiam agora no calendário de Contagem Longa dos maias. Ou melhor, se baseiam num suposto fim do calendário maia.

Os Calendários Maias
Os maias, a bem da verdade, usavam três calendários diferentes e inter-relacionados, todos organizados como hierarquias de ciclos de dias, com várias durações. A Contagem Longa era o principal calendário para fins históricos. O Haab era o calendário civil, e o Tzolkin, o religioso. Todos os calendários maias são baseados apenas na contagem serial de dias, ou seja, não são calendários sincronizados ao Sol ou à Lua, como o nosso calendário. Apesar disso, tanto a Longa Contagem quanto o Haab contém ciclos de 360 e 365, respectivamente, valores muito próximos do número de dias do ano solar. Por basear-se apenas na contagem dos dias, a Longa Contagem é muito parecida com o sistema de dias julianos e outras representações modernas de datas e tempo. Também é interessante notar que tal calendário conta a partir do zero. Ou seja, mesmo antes dos hindus, os maias foram o primeiro povo a usar o zero.

Vamos organizar uma tabela com os ciclos do calendário Maia:

Kin – Equivale a 1 dia
Uinal – Equivale a 20 Kins (20 dias)
Tun – Equivale a 18 Uinal (360 dias / 1 ano aprox.)
Katun – Equivale a 20 Tun (7.200 dias / 19,7 anos)
Baktun – Equivale a 20 Katun (144.000 dias / 394,3 anos)
Pictun – Equivale a 20 Baktun (2.880.000 dias / 7.885 anos)
Calabtun – Equivale a 20 Pictun (57.600.000 dias / 157.704 anos)
Kinchiltun – Equivale a 20 Calabtun (1.152.000.000 dias / 3.154.071)
Alautun – Equivale a 20 Kinchiltun (23.040.000.000 dias / 63.081.429 anos)


A Longa Contagem é organizada de acordo com a hierarquia de ciclos mostrados acima. Cada ciclo é composto de 20 unidades do ciclo anterior, com exceção do tun, que é composto de 18 uinal de 20 dias cada. Isso resulta num tun de 360 dias, o que é uma boa aproximação com o ano solar, tendo em vista que outros povos antigos, como os romanos, usavam um calendário exclusivamente baseado no ciclo solar, com 360 dias.

Os Maias acreditavam que, ao fim de cada ciclo Pictun, equivalente a 7.885 anos, o universo seria destruído e recriado. Esta é a verdadeira profecia maia. Infelizmente (ou felizmente), este ciclo só acabará em 12 de outubro de 4772.

Por outro lado, 2012 vai ser MESMO um ano de mudança no calendário maia e é nisso que se baseiam as presentes previsões reptilianas. Para os adeptos da teoria dos “maias engenheiros dimensionais do tempo” de plantão, o fim do mundo chegará em 21 de dezembro de 2012. Mas se convertermos esta data para o calendário maia de Longa Contagem, obteremos o seguinte resultado: 13.0.0.0.0. Isso significa que esse será apenas o início do 13º ciclo Baktun. Seria o equivalente ao início do século 13 para os maias, enquanto nós já estamos, de acordo com nossa contagem, no século 21 (o 12º ciclo Baktun começou em 18 de Setembro de 1618). Isso tudo acontece apenas por que são meios diferentes de contar o tempo, que além disso começaram a ser contados em épocas distintas.
Então, da mesma maneira que o mundo não acaba em 31 de Dezembro, o mundo não acabará dia 21/12/2012. Simples assim…

Mas, então, por quê 21 de dezembro de 2012 foi escolhido pelos místicos, esquisotéricos e charlatões? A resposta é simples e óbvia; uma soma de dois fatores:
1) superstição. Como vimos, essa data corresponde a 13.0.0.0.0. O que está acontecendo com o pessoal da New Age é o velho medo do número 13. Só isso.
2) O povo picareta quer ganhar dinheiro. Ninguém ficaria assustado e compraria os livros best-sellers se o “fim do mundo” fosse em 4772… está muito distante…

A única vantagem é que conseguiremos expulsar todos os hippies fedidos malucos das cidades próximas da praia. Nunca mais teremos de ouvir aquelas musiquinhas peruanas no centro da cidade. Eles se refugiarão próximos à região de Brasília e São Thomé das Letras (eu só fico triste pelos meus leitores do Distrito Federal, que terão de agüentar esse povo)…

Como curiosidade, quem quiser calcular sua data de nascimento no calendário Maia pode acessar este site:

http://users.hartwick.edu/hartleyc/mayacalendar/mayacalendar.html

25 de julho de 2010

“Um Tal Jesus”




A Boa Notícia Contada aos Povos da América Latina

Este livro, ou melhor, estes livros (12 livros com 12 capítulos cada) são maravilhosos!
Esta obra que cativa a muitos foi escrita pelos irmãos María e José Ignacio López Vigil e a principio era uma radio-novela em espanhol. No Brasil foi publicado pelo IPJ.
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- Muito legal o formato em que esses são escritos, além de ser em forma que proporciona uma encenação teatral, também são de uma linguagem cotidiana e mostra um pouco mais da trajetória do Jesus histórico e das suas ações na terra.

“Um Tal Jesus” também causou muitas polêmicas, ao ponto de autoridades religiosas condenarem e proibirem a publicação com ameaças e até excomunhões. Os irmãos María e José Ignacio López Vigil foram até mesmo acusados de heregesia. ('pode' uma coisa dessa!?)



(Mais informações sobre os Autores!) http://www.untaljesus.net/about.htm

- Os livros são ótimos, mostram de fato a face do “Moreno”, que sorria, que se indignava e agia e que muitas vezes apenas nos é mostrado de uma forma européia e majestosa, fazendo assim com que o lado humano de Jesus seja esquecido.
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- Para quem não leu! - Leiam e conheçam o “Moreno” de Nazaré!!!
Os livros podem ser adquiridos pelo IPJ (impressos ou para download) e tb no site oficial. http://www.untaljesus.net/ (download)
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“Um Tal Jesus” - 12 Fascículos Completos para Download!( Ctrl + Clik )

ou no endereço abaixo

http://www.4shared.com/file/96201429/94f218f0/Um_Tal_Jesus_completo.html
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22 de julho de 2010

O Último Discurso do Grande Ditador

CHARLES CHAPLIN



Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

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A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

21 de julho de 2010

O Cântico da Terra

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

20 de julho de 2010

Por que sou cristão?

Marie-Dominique Chenu

Por que sou cristão?
Publicamos aqui um artigo do grande teólogo francês dominicano Marie-Dominique Chenu, falecido há 20 anos, republicado na revista Koinonia, nº. 352, maio de 2010.

Nele, Chenu afirma que, "se sou cristão, não é porque acredito em um Deus-Deus, como um ser absoluto, eterno, imutável, inconhecível". Mas sim em "um Homem-Deus". A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

Na medida em que a fé da minha infância tornou-se adulta, isto é, consciente de si mesma e do próprio conteúdo além da ingênua espontaneidade, tornou por isso mesmo "crítica". Não apenas busquei discernir os motivos do meu crer, mas encontrei prazer ao alimentar a minha fé com inteligência, de tal modo que ela se estendesse entre dois polos: um consentir amoroso à Palavra de Deus e um remeter sempre totalmente em questão.

A fé gera então uma "teologia", isto é, um conhecimento do mistério no qual a busca se entrecruza com a certeza, em uma dialética permanente. Quanto mais sou fascinado pelo meu consentir, mais a minha curiosidade é estimulada pelo amor do mistério que assim me conquistou.

Essa estranha forma de conhecimento é exercida em todo o campo da economia judaico-cristã, em um messianismo que começa com a vocação de Abraão e continua dia após dia a partir da ressurreição de Cristo, que o prolonga para além de toda previsão por obra do Espírito enviado por Ele.

O centro nevrálgico desse "mistério" se encontra não em uma verdade eterna qualquer, mas sim em um "evento": Deus entra na história, mas de um tal modo que o objeto da minha comunhão divinizante não é diretamente Deus em si mesmo, na sua transcendência, mas sim um Homem-Deus. Ao entrevistador que lhe perguntava quem era Deus para ele, o arcebispo ortodoxo da Inglaterra respondeu categoricamente: "É um homem, até na sua dimensão política, segundo a própria lógica da encarnação. Assim, é um homem que me ensina como o homem pode se tornar Deus" (Clemente de Alexandria, século III).

Se, portanto, eu sou cristão, não é porque acredito em um Deus-Deus, como um ser absoluto, eterno, imutável, inconhecível. O limite dos enunciados do Concílio Vaticano I é o de serem completamente guiados pela obsessão de provar a existência de Deus com motivações que deveriam refutar o ateísmo desde então até suas origens. Naquela metafísica sagrada, se desenvolvia um deísmo autoritário, no qual a religião cristã dificilmente podia evitar de se transformar em um aparato ideológico, em contraste com a história e com a autonomia do homem. Viu-se logo: Deus se tornava insuportável aos homens, se não se fizesse homem. Indício dessa mudança de perspectiva: não se falava mais de teologia, mas sim de "teodiceia", uma teologia sem mistério, se pode-se assim dizer.

O Concílio Vaticano II reencontra a presença humana de Deus: esse é o denominador comum de todas as suas posições, começando pela sua própria constituição. A resistência que a sua inspiração e o seu dinamismo, ainda mais do que os seus decretos, encontram hoje em algumas formas de integralismo vem justamente dessa imperialismo, sustentado pela Igreja, a partir de Constantino até a Santa Aliança. Eis que o Evangelho retorna, a boa notícia do Homem-Deus, a palavra retorna mais de 200 vezes nos textos, enquanto no Vaticano I era pronunciada só duas vezes.

Realiza-se o anúncio do profeta Sofonias que coloca na boca de Javé estas palavras: "Me enamorei de vocês, e quero vir a viver com vocês: então, dançarei de alegria". Que desapareça, segundo a decisão de João XXIII, a Igreja dos anátemas! Se a instituição é necessária, também com a sua dimensão política, segundo a lógica própria da encarnação, então ela não será outra coisa que um serviço, um conjunto de "ministérios".

Eis por que e como eu sou cristão, adepto de um Deus envolvido nas mudanças do mundo, no nó do mistério de Deus e do mistério do homem, em uma Igreja que traça o seu caminho no homem (João Paulo II).

18 de julho de 2010

Ai que saudade dos tempos de outrora.

José Antônio Oliveira de Resende*
Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé.Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia.
Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...
Que saudade do compadre e da comadre!
* José Antônio é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

12 de julho de 2010

Somos um, será que temos consciência disto?


Até que ponto, se tivéssemos consciência de que SOMOS UM,
nos destruiríamos da maneira como estamos fazendo?

Possa este vídeo alertar, e mais que isso,
despertar a consciência de cada um daqueles que o assistirem.

Somos UM,
na medida em que destruirmos o que existe a nossa volta,
estaremos NOS destruindo.

Esquecemos de que somos criaturas,
no máximos parceiros do criador
mas, jamais, o senhor da criação

SOMOS UM

http://www.youtube.com/watch?v=L8_uZd9XDbQ




 





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