O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

19 de janeiro de 2012

''Na Igreja, também há quem trabalhe contra o Evangelho''. Artigo de Enzo Bianchi

Não basta se dizer crente em Cristo; é preciso se dizer e ser seguidor de Jesus na forma ditada pelo Evangelho que, antes de ser um livro quadriforme, é a vida do homem Jesus.

A opinião é do monge e teólogo italiano Enzo Bianchi, prior e fundador da Comunidade de Bose, em artigo publicado na revista Jesus, de janeiro de 2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Estes são os dias da memória do nascimento e da infância de Jesus, e os Evangelhos que nos querem narrar a vinda ao mundo do Filho de Deus, daquele que só Deus nos podia dar, de Jesus, Palavra do Pai feita carne (cf. Jo 1,14) por ação do Espírito de Deus, são obrigados, no entanto, a testemunhar que essa vinda, esse admirável dom se realizou no silêncio, na discrição e foi percebido só por alguns, por poucos fiéis.

Eram muitíssimos aqueles que se diziam fiéis e eram contados no número do povo de Deus, eram muitos aqueles que frequentavam o templo, as sinagogas e falavam do Deus uno e vivo. Porém, só pouquíssimos homens e mulheres, anônimos em sua maioria, souberam esperar realmente o Messias, souberam reconhecê-lo e acolhê-lo entre eles como um dom de Deus. Se não tivessem acolhido e olhado com esperança para esse menino, para Jesus, jamais saberíamos da sua existência nem conheceríamos os seus nomes: Zacarias, um sacerdote, e Isabel, sua esposa; José, um artesão, e Maria, sua esposa; Simeão, um velho sacerdote; Ana, uma velha e pobre viúva; alguns pastores de Belém.

Por outro lado, os profetas já tinham entendido e souberam ler a realidade e a verdade da comunidade do Senhor. Dentro do povo de Israel, o povo empírico que é humanamente legível como um povo de fiéis, o Senhor sente na verdade como suas testemunhas só um "resto", uma "porção" quase escondida que não se impõe, que não tem força, que não sabe o que significa vencer, que não é contada... São fiéis humildes, sobretudo, pobres até no coração, mansos que não tem ninguém em quem esperar, senão no Senhor; são fiéis que não buscam apoios mundanos, que não tecem relações para ter poder, que não sonham coisas grandes para além das suas forças (cf. Sl 131, 1): são os 'anawim, os pobres do Senhor.

Mas essa realidade não se refere apenas aos tempos da antiga aliança; refere-se também ao nosso hoje. Na nossa linguagem, muitas vezes abusamos da palavra "Igreja", que repetimos frequentemente de modo ambíguo, quando não até desviado e desviante. Porque a Igreja é uma realidade misteriosa, em que nós acreditamos, mas que não podemos verificar com segurança. A Igreja é a comunhão com os santos no céu daqueles que "o Senhor conhece como seus" (cf. 2Tim 2, 19; Nm 16, 5), como membros do seu corpo; é uma comunhão que não é mensurável (só o Senhor a "conta"!); é uma comunhão constituída por pecadores sempre perdoados, que conhecem o seu pecado e o oferecem ao Senhor como invocação de misericórdia; é uma comunhão daqueles que não simplesmente dizem acreditar em Deus e ser cristãos, mas buscam sincera e obstinadamente dar forma à sua vida segundo o Evangelho.

Sim, a Igreja é uma comunhão que conhece Jesus Cristo como Evangelho, não um Jesus fruto das suas próprias projeções, das suas próprias ideologias e, por isso, desfraldado como "o que temos de mais caro no cristianismo", mas sim o Jesus do Evangelho, que é o Evangelho feito carne, a carne de um homem que viveu humanamente. Não basta se dizer crente em Cristo; é preciso se dizer e ser seguidor de Jesus na forma ditada pelo Evangelho que, antes de ser um livro quadriforme, é a vida do homem Jesus.

Portanto, é preciso discernir quando se fala de Igreja. Não se trata de gostar de posições elitistas, de se alegrar sentindo-se entre poucos, nem de se sentir vítimas, como afirmavam muitos pregadores do século XIII: Duo sunt ecclesiae, "duas são as Igrejas," uma que persegue, a outra que é perseguida. Trata-se de não pensar em "vencer", em "se impor", mas sim em saber discernir, na medida do possível, um núcleo que olha para Cristo como para o Evangelho e, para o Evangelho, como para Cristo, sem distinções ou separações: um núcleo que ouve o Evangelho, que permite que a sua vida seja moldada pelo Evangelho; um núcleo de fiéis que, apesar de suas inadequações e contradições provocadas pelo Evangelho, quer que o Evangelho vença sobre si mesmos; um núcleo que conhece o fogo do Evangelho, aquele fogo que é redespertado por baixo das cinzas pelas quais às vezes parece estar coberto, todas as vezes que um homem ou uma mulher o busca.

Sim, o cristão deve saber que no povo de Deus também, na Igreja também, pode haver aqueles que trabalham contra o Evangelho, aqueles que se dizem cristãos e consideram o Evangelho uma utopia, que dizem crer em Deus em Cristo, mas que riem das palavras de Jesus, do seu Evangelho.

Fonte:

11 de janeiro de 2012

Redescobrir a essencia da Igreja

Na primeira Constituição, sobre a liturgia, já há a eclesiologia de comunhão da Lumen Gentium, mas ainda não a entendemos. A 50 anos da convocação do Vaticano II, fala oMons. Iginio Rogger, ainda hoje o maior historiador doConcílio de Trento e, nos anos 1960, um dos protagonistas da reforma litúrgica conciliar.

A reportagem é de Maria Teresa Pontara Pederiva, publicada na revista Vita Trentina, 08-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Do Concílio de Trento, ele conhece todos os detalhes, mas sobre o Vaticano II ele também não brinca e cita de cor passagens das Constituições, em latim, porque, diz, "a tradução italiana muitas vezes perdeu o pleno sentido do original". Mons. Iginio Rogger, nascido em 1919, professor de história da Igreja e de liturgia, foi um dos seus protagonistas trentinos.

Eis a entrevista.

Como foram acolhidos o anúncio e a convocação do Concílio?


Ninguém esperava. No anúncio em janeiro de 1959, naBasílica de São Paulo, eu estava trabalhando no quarto volume de História da Igreja: parecia ser o fim do Vaticano I, ainda sem uma solene conclusão formal. Mas lembremos o que aconteceu aqui no momento da convocação. Em fevereiro de 1961, por decisão-relâmpago do papa, encerrava-se o episcopado De Ferrari, devido à doença, e o governo da diocese era confiado a um administrador apostólico, o bispo Gargitter, de Bressanone. Seguiu-se um biênio em que a atenção estava sim in loco, mas aumentavam as interrogações sobre o que estava acontecendo lá em cima. A incerteza, em parte, terminou com a nomeação de Gottardi, em fevereiro de 1963. Nesse meio tempo, iniciou um Concílio que não se assemelha a nenhum dos anteriores, porque desaparecem todos os velhos esquemas.

Em que sentido?

No número de pessoas envolvidas e nas intenções: não para condenar heresias, mas sim para atualizar ideias e estruturas. E por uma definição mais exata e completa da Igreja, embora o nosso contexto catequético não sentia nenhuma necessidade disso. A palavra innovatores era conhecida pelo Concílio de Trento em âmbito protestante: algo a ser combatido, assim como as doutrinas secularizantes do século XVIII. E ainda a recomposição da unidade dos cristãos, a conexão com o mundo contemporâneo...

De Trentino, quem estava presente em Roma?

Gargitter representava a todos nós. Em junho de 1963, entrou Gottardi, em julho, abriu-se o Museu Diocesano e, em dezembro, o quarto centenário da conclusão do Concílio de Trento. Enquanto isso, com a morte de Roncalli, sucedeuPaulo VI, e, nos dias 3 a 4 de dezembro, somos admitidos ao Concílio como delegação trentina: no dia 3 para a solene comemoração da clausura do Concílio de Trento; no dia seguinte para a aprovação da Sacrosanctum Concilium, a primeira Constituição Conciliar, apesar de todas as manobras dos tradicionalistas.

Em que termos ela é inovadora?

Enquanto me perguntava se a Igreja deveria ser monarquia papal ou uma colegialidade de responsabilidades, aSacrosanctum Concilium já oferece uma resposta. É iluminadora a aprovação: essas coisas placuerunt aos Padres do Concílio, ou seja, "foram decididas". É um parlamento! E o papa, em virtude dos poderes que lhe foram conferidos, as aprova. Não era mais o tempo de Pio IX! Para mim, foi uma alegria.

Quanto ela foi compartilhada naquela época e agora?

Ainda hoje, pouco: Ratzinger não sentiu a necessidade de convocar um concílio sobre a questão do missal em latim. Na Sacrosanctum Concilium, já está claro o construto teológico da Lumen Gentium: uma eclesiologia bem definida, que, com grave dor, eu constato que ainda não foi recebida.

Pode nos dar alguns exemplos?


Uma série de circunstâncias congelaram a situação. Tudo deveria ser educado, amadurecido...

Quer dizer que faltou um envolvimento?

As celebrações litúrgicas são ações da Igreja", mas se não sabe se o que são... devem ser explicadas. Da Dei Verbum é preciso citar mais frequentemente: "Deus fala ao seu povo", ao povo de hoje, como de todos os tempos. Como a Sacrosanctum Concilium, nº. 7: "Cristo está sempre presente (praesens adest) na sua Igreja e de modo especial nas ações litúrgicas". Quando se fala de extensão das línguas nacionais (nº. 36), refere-se às autoridades territoriais, aos bispos. Nos nº. 41 e 42, a vida litúrgica "em torno ao bispo", depois estendida às paróquias. E ainda "sentido da comunidade paroquial" e "celebração comunitária da missa dominical". Eu ainda tenho o texto do Pe. Hertling que usávamos na universidade, Communio und Primat: a Igreja nada mais é do que comunhão. Com ele também amadureceu o Vaticano II.

E depois como se seguiu em frente?

Havia sido estabelecido um órgão separado, presidido pelo cardeal Lercaro, para os novos livros litúrgicos. Para o missal, liderava o Mons. Wagner, diretor do instituto litúrgico de Trier, na época o mais competente. A partir de janeiro de 1964, eu estava envolvido na comissão do novo Breviário, rebatizado de Liturgia das Horas. Na introdução, as minhas palavras: Oratio populi Dei. Eu lembrava de São Cipriano: quando rezamos, sempre dizemos "Pai Nosso". A oração do cristão nunca é individual. Na Missa, reintroduzimos a oração dos fiéis perdida ao longo dos séculos, justamente por causa da língua latina, que tinha excluído o povo. Eu também estava na comissão De cantibus: pensemos no Sanctus, canto do povo, a ser cantado espontaneamente, não para ouvir do coro.

E a música?

É melhor um violão que ajude a assembleia, do que instrumentos que fazem cantar o coro por conta própria. É preciso nos entendermos com relação ao termo sagrado: até a adoração do bezerro de ouro era sagrada!

E o retorno ao latim?

Não podemos mudar as coisas ao nosso próprio gosto. A história vai responder, mas eu não cometeria o erro de voltar para trás: o Pai Eterno quer nos ajudar a entender, porque nos quer bem, a todos.

O problema, então, é sempre a ideia de Igreja?

Em 1950, tendo voltado da Gregoriana, comecei a ensinar história da Igreja, mas em 1955 percebeu-se a urgência de uma disciplina litúrgica, para além do rubricismo de então (como se posicionavam os dedos). Por isso, eu também ensinava liturgia. É Cristo quem batiza, é ele quem fala quando se lê a Escritura, mas não se recebe a Eucaristia se não nos sentimos irmãos. "Onde dois ou mais estiverem reunidos...". Clemente Romano escreve: "A Igreja de Deus, que é peregrina em Roma, à Igreja de Deus peregrina em Corinto". Não é menos Igreja do que a de Corinto! Não é a sujeição ao romano pontífice – segundo a infalibilidade de Pio IX –, o pertencimento à Igreja, mas sim a fidelidade a Cristo. Todas as Igrejas são primeiras e apostólicas, lá onde, juntas, comprovem a sua unidade, junto com o sucessor de Pedro. O que faltou nestes anos é a dimensão histórica. Virgílio recorre a Ambrósio para a confirmação a bispo de Trento, porque vê nele a catolicidade. Sem comunhão, fazem-se apenas guerras de religião.

O senhor sente a necessidade de um outro Concílio?

Eu diria que não. Há momentos em que não se pode perder o trem: já existe o Vaticano II a ser implementado.Guardini dizia: "Ainda somos capazes de liturgia?". Se não entendermos o que é a Igreja, acho difícil responder que sim. Ainda é preciso trabalhar.


31 de dezembro de 2011

Para um ano novo mais feliz

Marcelo Barros

O desejo é uma palavra mágica. Quando desejamos com força interior, emitimos uma energia misteriosa que nos impulsiona para o compromisso de realizarmos aquilo que desejamos. Isso pode ter conseqüências concretas para as pessoas e para o mundo. Nesses dias, há quem diga aos amigos e amigas "feliz ano novo” como mera formalidade. Entretanto, o mundo e nosso continente necessitam muito de que 2012 seja um ano mais feliz e de paz para cada um de nós e para nossa pátria grande. Por isso, quem almeja de coração os melhores votos de ano novo precisa saber como transformar o seu desejo em caminho positivo que construa um futuro novo e melhor.
Quando eu era menino, as pessoas acreditavam muito no poder do olhar. Diziam que existe o olhar bom que emite energia positiva e existe o mau olhado que provoca problemas. As vizinhas gostavam de contar histórias de uma visita que receberam. A mulher gostou da planta ornamental que havia no terraço da casa. Olhou-a com inveja. No dia seguinte, a planta que estava viçosa e florescente, amanheceu seca e murcha. As antigas culturas e religiões crêem na força da palavra. Em algumas religiões, as palavras curam ou, ao contrário, podem matar. Na Bíblia, vários salmos pedem a Deus que nos proteja das pessoas que, com sua palavra, podem provocar males como doenças e tragédias ecológicas (Cf. Sl 6, 39, etc). Essa cultura de pessoas que amaldiçoam vinha de Sumer, onde havia rituais de Shurpu, maldições comuns em algumas culturas populares que não tinham outra força além da palavra. No tempo da escravidão, um senhor de engenho mandava dizer a um escravo que, naquela noite mandasse a sua filha de menor idade à casa grande. O negro já sabia quais as intenções do senhor. Ele não tinha outro recurso do que a ameaça de uma maldição, principalmente se o senhor acreditasse que o despacho lhe faria mal. De fato, a própria Bíblia diz que a maldição de um empobrecido é ouvida e atendida por Deus (Cf. Eclo 4, 6). No Novo Testamento, a carta de Pedro insiste que temos a vocação de abençoar e não de maldizer. Somos chamados para invocar o bem sobre as pessoas e o universo (1 Pd 3, 9).
A palavra é eficaz quando nasce no mais profundo do coração e é precedida pela prática da vida. A Bíblia diz que é como uma espada de dois gumes que penetra até as entranhas (Hb 4). Isaías compara a palavra de Deus com a chuva que cai, molha a terra. E não volta ao céu sem ter cumprido sua missão de fecundar e produzir o grão (Is 55). O Mahatma Gandhi ensinava: "Comece por você mesmo a mudança que deseja para o mundo”. Somente pelo fato de desejar, não temos a força para transformar organizações e sistemas do mundo, mas podemos sim colaborar para que se façam as condições necessárias para que elas mudem. Então, que você expresse para os seus e para todos o desejo de um feliz ano novo, através de um verdadeiro compromisso social, solidário e renovador. Então se tornarão verdadeiras em sua vida, as palavras de uma antiga bênção irlandesa: "O vento sopre suave em teus ombros. Que o sol brilhe suavemente sobre o teu rosto, as chuvas caiam serenas onde vives. E até que eu te encontre de novo, Deus te guarde na palma de sua mão”.

29 de dezembro de 2011

ERA UMA VEZ… E AINDA É


Vera Corrêa

Era uma vez, há muitos, muitos, muitos anos atrás… há tantos anos, que nem o tempo existia ainda… Nesse tempo sem tempo havia um Reino de Luz, onde tudo era Amor, Beleza e Harmonia… e nós vivíamos lá!… Nós éramos os habitantes desse Reino Encantado!
Mas éramos um pouco diferentes do que somos hoje. Nosso corpo não era deste jeito… era mais transparente, mais leve, mais luminoso. E não precisava de tanta coisa para sobreviver. Tudo o que precisávamos era suprido pela Luz da qual fazíamos parte.
Sim, porque, na verdade, não éramos seres totalmente separados uns dos outros, mas como células de um grande corpo luminoso e amoroso que nos sustentava e nos mantinha sempre felizes e saudáveis.
Mas não pense que ficávamos ali sem fazer nada! A Luz adorava criar, e nós, como parte dela, estávamos sempre criando também… criávamos estrelas, cometas, mundos das mais diferentes espécies! Era muito divertido!!! E tudo permanecia na mais perfeita ordem, porque era criado com Amor e sustentado pelo Amor.
Mas um dia resolvemos fazer uma coisa inédita; resolvemos criar um planeta onde se pudesse experimentar não só o Amor, mas a ausência dele também… porque queríamos saber como seria uma vida desse tipo. E assim fizemos!
Criamos um planeta lindo! Com mares, montanhas, cachoeiras, rios, lagos, florestas maravilhosas, flores incrivelmente belas, inúmeras espécies de animais, pássaros e peixes … tudo com muito Amor e Harmonia. E então pedimos à nossa Mãe-Luz que nos deixasse ir para lá e nos desse a liberdade de escolher permanentemente entre o Amor e a ausência dele.
A Luz, que era puro Amor, não podia deixar de atender este pedido dos seus filhos. Naturalmente, ela nos deu sua permissão, mas nos advertiu:
- “Meus Amados, sendo vocês Filhos do Amor, dificilmente conseguirão vivenciar qualquer coisa que não seja Amor, porque estarão sempre agindo, pensando e sentindo com base no Amor. Se realmente quiserem ter essa experiência, terão que esquecer provisoriamente a sua natureza verdadeira e assumir um papel totalmente estranho a ela. Inclusive precisarão de um corpo mais apropriado para essa nova condição. Vocês estão mesmo dispostos a fazer isto?”
- “Sim, estamos!” – respondemos em uníssono.
- “Façamos, então, o seguinte…” – disse a Luz – “Alguns irão e outros ficarão aqui para lhes dar apoio à distância. Assim, mesmo que vocês se esqueçam por completo que são Filhos da Luz e do Amor, seus irmãos estarão aqui para relembrá-los e ajudá-los a voltar ao Lar, caso esta seja a sua escolha.”
No Reino da Luz não existe competição, portanto foi fácil decidir quem ia e quem ficava.
A Luz criou, então, um corpo perfeito para nos abrigar e mais uma vez nos advertiu:
- “Este corpo exigirá de vocês alguns cuidados que ainda desconhecem, mas saibam que tudo o que ele precisar estará à disposição de vocês nesse planeta. Para que não se sintam totalmente isolados de nós, deixarei uma pequena centelha da nossa Luz permanentemente acesa num local recôndito desse corpo, numa das câmaras do que vocês chamarão de coração. Essa chama os conectará conosco naturalmente, sempre que sentirem saudades de algo que não saberão definir, mas que terão certeza que existe… um lugar de Amor, de Paz, de Conforto eterno… Vocês nos chamarão por muitos nomes, e nós sempre os atenderemos… mas nem sempre vocês reconhecerão a nossa ajuda.”
Tendo dito isto, a Luz nos perguntou mais uma vez se estávamos realmente dispostos a enfrentar essa nova vida e, como respondemos afirmativamente, no mesmo instante nos encontramos dentro de um corpo de carne e osso, num planeta maravilhoso, mas em condições totalmente novas!
A primeira novidade – nada agradável, aliás – foi a sensação de solidão, pois não chegamos todos juntos ao mesmo lugar do planeta e, mesmo aqueles que estavam relativamente próximos, também se sentiam isolados, pois já tínhamos nos esquecido que éramos todos parte de um só corpo e, assim, sentíamo-nos estranhos uns aos outros.
Então veio a noite e, com ela, o escuro e o frio. Em seguida, a fome, a sede, o cansaço… Sem perceber, estávamos tomando contato com a dualidade que nós mesmos tínhamos escolhido experimentar. A cada aspecto do Amor, que nos era familiar, correspondia um aspecto, até então desconhecido para nós, da ausência do Amor. Neste novo Reino, havia alegria, mas também tristeza; havia fartura, mas também carência; havia bondade, mas também maldade; saúde, mas também doença; prazer, mas também dor…
E o sentimento de puro Amor que antes nos unia, começou a dividir seu espaço com a ausência de Amor, que se expressava das mais diversas formas: desconfiança, inveja, ciúme, raiva, intolerância, gerando uma sensação que jamais havíamos experimentado antes: o medo!
No começo ainda tínhamos certa consciência da Luz amorosa que se mantinha intacta em nossos corações e intuitivamente nos conectávamos com Ela em busca de conforto e orientação para enfrentarmos todas as adversidades que se apresentavam em nosso caminho.
Através desse contato, fomos inspirados a pesquisar os recursos que estavam à nossa disposição e a inventar uma infinidade de meios materiais que nos assegurassem a sobrevivência do nosso corpo, bem como uma vida confortável, segura, prazerosa e feliz.
Mas, com o passar do tempo, fomos nos apaixonando tanto por nossas próprias invenções e nos apegando tanto a elas, que passamos a acreditar, não só que elas eram imprescindíveis, como também insuficientes para alcançarmos a felicidade que tanto almejávamos. E começamos a dedicar grande parte do nosso tempo a invenções cada vez mais sofisticadas e à busca de recursos para adquiri-las, de modo que pudéssemos satisfazer nossa vontade cada vez mais exigente de
ter, ter, ter… ter tanto ou mais do que os nossos semelhantes, acreditando que isso nos faria mais importantes e poderosos do que eles.
Assim passamos a competir uns com os outros na busca de uma vida material que considerávamos ideal. E essa competição aumentou tanto, que chegamos ao ponto de enganar uns aos outros para termos mais posses do que eles; chegamos ao ponto de escravizar uns aos outros; chegamos ao ponto de matar uns aos outros! E assim, nos esquecemos da Luz Amorosa que habitava nossos próprios corações.
Nossa Mãe-Luz continuava nos observando, e toda vez que a balança da dualidade começava a pender demais para o lado da ausência de Amor, Ela preparava um dos nossos irmãos de Luz para vir até nós e, através dos seus ensinamentos e do seu próprio exemplo, reacender a chama do Amor em nossos corações e nos reconectar à nossa própria Luz.
Isto aconteceu muitas e muitas vezes no decorrer da nossa experiência neste planeta, até que um dia nos envolvemos numa guerra tão horrorosa, que Mamãe-Luz decidiu mudar de tática… Ao invés de nos enviar um dos nossos irmãos, Ela resolveu intensificar um pouco mais a Centelha de Luz que habitava o coração de cada um de nós, de modo que nossa mente percebesse a existência dessa Luz e ficasse curiosa sobre sua procedência e função.
No início, foram poucos que lhe deram atenção. Mas estes lançaram tantos questionamentos, que aos poucos foram despertando a curiosidade de outros e mais outros, até que chegou um momento em que a grande maioria dos seres humanos estava se perguntando: “Quem sou eu, realmente?… O que é isto que sinto em meu coração e que me traz a lembrança de um lugar de paz, harmonia e eterna felicidade?… Se existe um lugar como esse, o que estou fazendo aqui, então?…”
E cada questionamento nos levava mais perto da reconexão com o Reino de Luz de onde viemos, permitindo-nos perceber ligeiramente a presença amorosa dos seres de Luz, que a princípio chamávamos de Mestres, por não nos lembrarmos que eram nossos próprios irmãos que haviam se comprometido a nos ajudar a voltar ao Lar, quando assim decidíssemos.
E quanto mais nos conectávamos com esses “Mestres”, mais ia clareando a lembrança da nossa identidade verdadeira; mais íamos percebendo o Amor em todos e em tudo; mais íamos nos dando conta do nosso poder de transformar a ausência de Amor em Amor, pois fomos compreendendo que nós somos o próprio Amor se expressando das mais diversas maneiras e, na verdade, a ausência de Amor é apenas uma ilusão, uma espécie de sonho que quisemos experimentar para expandirmos a nossa noção de Amor.
Nesse processo, tomamos consciência de que formamos uma unidade e que, assim como não existe competição entre as partes de um corpo humano, também não deve existir competição entre nós. Do mesmo modo que o nosso fígado tem uma função, os rins têm outra, os pulmões têm outra, as glândulas outra e todos trabalham juntos em estreita colaboração para o perfeito funcionamento do nosso corpo físico, assim também cada um de nós tem sua função específica neste planeta, e todos precisamos colaborar uns com os outros, de modo que a Humanidade, como um todo, reflita a Paz, o Amor e a Harmonia do Reino de Luz de onde viemos.  
E assim chegamos no ponto em que nos encontramos hoje, finalizando um ciclo que durou séculos e séculos. Muitos ainda estão adormecidos, apegados ao sonho da dualidade, enredados nas malhas da competição e do consumo desenfreado de bens materiais. Mas muitos mais estão despertando, e estes estão ajudando os adormecidos a despertarem também para a realidade de que somos seres incrivelmente criativos e que, assim como criamos um mundo de dualidade, baseado no medo, na manipulação e no poder de uns sobre outros, podemos voltar a criar - através da nossa intenção pura - um mundo baseado no amor e respeito mútuos, onde todos vivam em perfeita colaboração, felizes para sempre!
Neste momento, as portas do Reino de Luz e Amor estão abertas para nós, aguardando o nosso retorno; e nossos irmãos, que lá ficaram, estão nos lembrando que esse Reino não é um lugar definido no espaço e no tempo, e sim um Estado de Ser infinito e atemporal. E nos dizem alegremente:
- “Estamos apenas esperando que despertem desse sonho, pois
O QUE ERA UMA VEZ… AINDA É!”

autororização da autora via e-mail:
Fico feliz de saber que gostou do meu texto e está ajudando a divulgá-lo. “Era uma vez e ainda é” foi escrita para isso mesmo – quanto mais pessoas tiverem acesso a essa mensagem, melhor!

Diga a seu amigo que tem minha autorização para publicá-la no Blog dele, e que lhe serei muito grata por isso.
Só lhe peço que mantenha meus créditos como autora, como indicado no final do texto – não apenas meu nome, como também meu e-mail, para que outros como você possam me escrever em caso de dúvidas ou sugestões.

Abraços e Feliz Ano Novo para ambos!

Vera Corrêa





19 de dezembro de 2011

Para um Natal novo e feliz

Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor



O próprio termo Natal significa nascimento e, portanto, vida nova. O comércio faz das festas natalinas uma incessante repetição das mesmas músicas, mesmos tipos de ornamentação e até os mesmos artigos de consumo. Ao contrário, a festa cristã do Natal não deve ser apenas a repetição de outros natais que já vivemos e sim celebração de uma nova e atual visita divina à humanidade. O Natal não é o aniversário do nascimento de Jesus, visto que ninguém sabe o dia exato em que ele nasceu. Os cristãos antigos transformaram a festa do solstício do inverno na festa do nascimento de Jesus para testemunhar que, através de Jesus, o próprio Deus veio assumir nossa história e trazer ao mundo o seu projeto de paz, justiça e amor.
Atualmente, o Natal tomou uma dimensão maior do que a celebração cristã. Mesmo entre pessoas não religiosas ou de outras tradições, o Natal se tornou ocasião de confraternização e unidade. Uma vez, em Caracas, na porta de uma mesquita, vi um cartaz, através do qual os muçulmanos desejavam a todos que passassem por ali um feliz Natal. Nessa época, é comum as famílias se encontrarem. Mesmo irmãos que moram longe uns dos outros viajam à casa dos pais para passar o Natal outra vez juntos. As mães e pais têm alegria de preparar a casa para receber os filhos que nesses dias voltam ao aconchego familiar. No âmbito da fé, a celebração do Natal tem este mesmo espírito: preparar a casa e o coração para acolhermos o mistério de amor (que as religiões chamam de Deus) e que se oferece ao nosso alcance.
Neste Natal, a casa da humanidade está pouco preparada. Uma grave crise de civilização assola o mundo. Em todos os continentes, a pobreza e a injustiça aumentaram. Nas casas, as pessoas enfeitam salas e armam presépios, mas Jesus continua a dizer: "É quando vocês socorrem um pequenino que acolhem a mim” (Mt 25, 31 ss).
Na América Latina, há muitos sinais de mudanças. Vários países aprovaram novas constituições políticas. Pela primeira vez na história, os mais pobres estão sendo sujeitos ativos de um processo de transformação social e política que não se limita a figuras importantes como o presidente da República ou tal chefe político. O processo envolve grupos e comunidades de pessoas pobres, índios, lavradores e gente de periferia urbana. Em vários países, dificilmente isso teria ocorrido se não tivesse sido preparado pela participação de cristãos nos grupos e movimentos sociais. Apesar de muitos sofrimentos e de contradições inerentes a todo processo deste tipo, para muitos latino-americanos, neste ano, isso significa poder celebrar um Natal novo e renovador.
Muitos se negam a crer em qualquer novidade e outros torcem o nariz procurando defeitos e erros nestes processos sociais e políticos. O profeta João escreveu: "nós somos as pessoas que acreditam no amor” (1 Jo 3). Este Natal vem como uma interpelação para que cada pessoa se reveja e responda: "Como você está de utopia?”
O Natal nos chama para revigorarmos em nós a capacidade de crer, esperar e preparar a realização do projeto divino nesse mundo. Esta é a proposta de Jesus. Quando o evangelho nos diz "a palavra se fez carne” (Jo 1, 14), está nos convidando a sermos cada vez mais humanos, como ele, Jesus. Carlos Drummond de Andrade interpretava isso ao dizer que, no Natal, imaginava o verbo outrar que, precisaria ser inventado na língua portuguesa. No Natal, uma das músicas cantadas pelas comunidades eclesiais de base no Centro-oeste foi composta por um lavrador do Pará. Tem como refrão: "Dentro da noite escura, da terra dura do povo meu, nasce uma luz radiante, no peito errante, já amanheceu”.

12 de dezembro de 2011

Livros de bronze do primeiro século foram encontados na Jordania

Ciência confirma a Igreja:
 Livros de bronze seriam a maior descoberta de todos os tempos 
e falam de Nosso Senhor Jesus Cristo


































Aspecto de um dos livros em análise

Numa gruta de Saham, Jordânia, localizada numa colina com vista ao Mar da Galiléia, foram encontrados 70 livros do século I da era cristã que, segundo as primeiras avaliações, contêm as mais antigas representações do cristianismo.

Os livros têm a peculiaridade de serem gravados em folhas de bronze presas por anéis metálicos. O tamanho das folhas vai de 7,62 x 50,8 cms a 25,4 x 20,32 cms. Em média, cada livro tem entre oito e nove páginas, com imagens na frente e no verso.

Segundo o jornal britânico "Daily Mail", 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 e as peças estão sendo avaliadas por peritos na Inglaterra e na Suíça.

A cova fica a menos de 160 quilômetros de Qumran, a zona onde se encontraram os rolos do Mar Morto, uma das maiores evidências da historicidade do Evangelho, informou a agência ACI Digital.

Importantes documentos do mesmo período já haviam sido encontrados na mesma região.


                                                               a gruta onde foram encontrados
No local ter-se-iam refugiado, no ano 70 d.C., os cristãos de Jerusalém, durante a destruição da cidade pelas legiões de Tito, que afogaram em sangue uma revolução de judeus que queriam a independência.

Cumpria-se então a profecia de Nosso Senhor relativa à destruição de Jerusalém deicida e à dispersão do povo judaico.

Segundo o "Daily Mail" os académicos, que estão convencidos da autenticidade dos livros, julgam que é uma descoberta tão importante quanto a dos rolos do Mar Morto em 1947.

Nelas, há imagens, símbolos e textos que se referem a Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Paixão.

David Elkington, especialista britânico em arqueologia e história religiosa antiga, foi um dos poucos que examinaram os livros. Para ele, tratar-se-ia de uma das maiores descobertas da história do Cristianismo.

"É uma coisa de cortar a respiração pensar que nós encontrámos estes objectos deixados pelos primeiros santos da Igreja", disse ele.

                                                               S. Simeão de Jerusalém

Com efeito, na época da desastrosa rebelião judaica, o bispo de Jerusalém era São Simeão, filho de Cleofás (irmão de São José) e de uma irmã de Nossa Senhora. Por isso, São Simeão era primo-irmão de Nosso Senhor Jesus Cristo e pertencia à linhagem real de David.

Quando o apóstolo Santiago, "O Menor" (primeiro bispo de Jerusalém) foi assassinado pelos judeus que continuavam seguidores da Sinagoga os Apóstolos que ficaram, em rotura com o passado, escolheram Simeão como sucessor e ele recebeu Espírito Santo em Pentecostes.

Os primeiros católicos - naquela época não tinham aparecido heresias e todos os cristãos eram católicos - lembravam com fidelidade o anúncio feito por Nosso Senhor de que Jerusalém seria destruída e o Templo arrasado. Porém, não sabiam a data.

O santo bispo foi alertado pelo Céu da iminência do desastre e de que deveriam abandonar a cidade sem demora. São Simeão conduziu os primeiros cristãos à cidade de Pella, na actual Jordânia, como narra Eusébio de Cesárea, Padre da Igreja.

Após o arrasamento do Templo, São Simeão voltou com os cristãos que se restabeleceram sobre as ruínas. O facto favoreceu o florescimento da Igreja e a conversão de numerosos judeus pelos milagres operados pelos santos.

      Os livros geraram muita disputa














Assim, começou a reconstituir-se uma comunidade de judeus fiéis à plenitude do Antigo Testamento e ao Messias Redentor aguardado pelos Patriarcas e anunciado pelos Profetas.

Porém, o imperador romano Adriano mandou arrasar os escombros da cidade, e os seus sucessores pagãos, Vespasiano e Domiciano, mandaram matar a todos os descendentes de David.

São Simeão fugiu. Mas, durante a perseguição de Trajano foi crucificado e martirizado pelo governador romano Ático. São Simeão recebeu com fidalguia o martírio quando tinha 120 anos. (cf. ACI Digital)



Emociona pensar que esses heróicos católicos judeus tenham deixado para a posteridade o testemunho da sua Fé inscrito em livros tão trabalhados. O facto aponta também para a unicidade da Igreja Católica.

Philip Davies, professor emérito de Estudos Bíblicos da Universidade de Sheffield, disse ser evidente a origem cristã dos livros que incluem um mapa da cidade de Jerusalém. No mapa é representada o que parece ser a balaustrada do Templo, mencionada nas Escrituras.

"Assim que eu vi fiquei estupefato", disse. "O que me impressionou foi ver uma imagem evidentemente cristã: Há uma cruz na frente e, detrás dela, há o que deve ser o sepulcro de Jesus, quer dizer, uma pequena construção com uma abertura e, mais no fundo, ainda os muros de uma cidade".

"Noutras páginas destes livros também existem representações de muralhas que, quase de certeza, reproduzem as de Jerusalém. E há uma crucifixão cristã acontecendo fora dos muros da cidade", acrescentou.