O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

12 de fevereiro de 2016

Papa e Patriarca Russo assinam histórica declaração conjunta

Um acontecimento histórico, uma reconciliação após quase 1000 anos !





Cidade do Vaticano (RV) – Em 30 itens, o Papa Francisco e o Patriarca Kirill passam em resenha e assinam a concordância sobre temas-chave para a reaproximação entre católicos e ortodoxos. Entre os tópicos principais, a preocupação comum sobre a situação dos cristãos no Oriente Médio, o protagonismo de Cuba e o futuro das relações entre ortodoxos e greco-católicos. "Senti a consolação do Espírito neste diálogo. São iniciativas viáveis que se podem realizar", disse o Papa Francisco após a assinatura da declaração.
Abaixo, publicamos a íntegra do documento histórico:
Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós" (2 Cor 13, 13).cimento Histórico
1.         Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.
Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para “falar de viva voz” (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana
2.         O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do “Novo Mundo” e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.
Alegramo-nos porque aqui cresce, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia de um grande futuro para esta região.
3.         Encontrando-nos longe das antigas disputas do “Velho Mundo”, sentimos mais fortemente a necessidade de um trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós (cf. 1 Ped 3, 15).
4.         Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho. Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milênio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram “semente de cristãos”.
5.         Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: “Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós” (Jo 17, 21).
6.         Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Em um mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!
7.         Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdamos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrimônio comum da Igreja do primeiro milênio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou em um período de mudança de época. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.
8.         O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Oriente Médio e do Norte da África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo veem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e em outros países do Oriente Médio, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.
9.         Pedimos a ação urgente da Comunidade internacional para prevenir uma nova expulsão dos cristãos do Oriente Médio. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis de outras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.
10.       Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a Comunidade internacional a unir-se para pôr fim à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir por meio do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.
Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se encontram os Metropolitas de Aleppo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.
11.       Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Oriente Médio, que é “fruto da justiça” (Is 32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.
Com um ardente apelo, dirigimo-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que deem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a Comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que atuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
12.       Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: “Caríssimos, (...) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1 Ped 4, 12-13).
13.       Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar ações criminosas com slogans religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, “porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz” (1 Cor 14, 33).
14.       Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que acontece na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Em um quarto de século foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante atividade sócio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.
15.       Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação atual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia de um secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.
16.       O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia, convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição de outras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.
17.       O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.
18.       As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que “o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus” (1 Cor 1, 27-29).
19.       A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.
20.       A família funda-se no matrimônio, ato de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimônio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, seja banido da consciência pública.
21.       Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sangue das crianças não nascidas clama a Deus (cf. Gn 4, 10).
O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.
Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.
22.       Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra (cf. Mt 25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.
23.       Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt 5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã, transmitindo-lhes a pérola preciosa da fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que “fostes comprados por um alto preço” (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.
24.       Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milênio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.
Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas ações recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter “os mesmos sentimentos, uns com os outros” (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: “Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15, 20).
25.       Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.
26.       Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade em uma grave crise econômica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à atividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.
27.       Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canônicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.
28.       No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, “para que o mundo creia” (Jo 17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.
29.       Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salvífica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: “Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12, 32).
Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: “Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia” (1 Ped 2, 10).
30.       Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: “Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus”. Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!
Havana (Cuba), 12 de fevereiro de 2016.

5 de janeiro de 2016

A Lenda do quarto Rei Mago


Existe uma lenda que, sem ser parte da Revelação nos ensina o que Deus espera de nós:
Diz-se que havia um quarto Rei mago (Artaban), que também viu a estrela que brilhava sobre Belém e decidiu segui-la.
Como presente levava para oferecer à criança um baú cheio de pérolas preciosas. No entanto, em seu caminho foi encontrando várias pessoas necessitadas que pediam sua ajuda.
O Sábio as assistia com alegria e diligência, e foi deixando uma pérola com cada uma daquelas pessoas. Mas isso, entretanto, foi atrasando sua chegada e esvaziando o seu cofre. Ele encontrou muitos pobres, doentes, presos e miseráveis e não poderia deixá-los abandonados. Ele ficou com eles o tempo suficiente para aliviar-lhes os seus sofrimentos e, em seguida, retomou a marcha, mas foi novamente interrompido por outros desvalidos. Aconteceu que, quando ele finalmente chegou em Belém, os outros reis magos já tinham ido e a criança tinha fugido com seus pais para o Egito porque o rei Herodes queria matá-lo.
O sábio resolveu procurá-lo, mas já não tinha a estrela que o guiou antes.
Ele procurou e procurou e procurou ... e dizem que passou mais de 30 anos viajando pelo mundo, procurando a criança e ajudando os necessitados. Até que um dia chegou a Jerusalém apenas quando a multidão enfurecida exigiu a morte de um homem pobre. Olhando para ele, ele reconheceu algo familiar em seus olhos. Entre dor, sangue e sofrimento, eu podia ver em seus olhos o brilho da estrela. Aquele miserável que estava sendo executado era o menino que havia procurado por tanto tempo!
O seu coração encheu-se de tristeza, ele já estava velho e cansado pelo tempo. Embora ainda mantivesse uma pérola em sua bolsa, já era tarde demais para oferecê-la para a criança que agora se tornara um homem, pendurado em uma cruz. Ele tinha falhado em sua missão ...
E sem mais nenhum lugar para ir, ele ficou em Jerusalém para aguardar a chegada de sua morte.
Havia se passado três dias e uma luz ainda mais brilhante do que a estrela, encheu seu quarto. Era o Ressuscitado que vinha encontrá-lo!
O Rei Mago, ajoelhando-se diante dEle, pegou a única pérola que restava guardada e estendeu a mão fazendo uma reverência. Jesus tomou-a ternamente e disse:
"Você não falhou. Pelo contrário, pois em toda a sua vida, quando Eu estava nu, me vestistes; estava com fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Eu estava na prisão, e me visitastes. Era Eu que estava em todos os pobres que você assistiu em seu caminho, lhe sou muito grato por tantos presentes de amor, agora você vai ficar comigo para sempre, pois o Céu é a sua recompensa!

31 de dezembro de 2015

Oração de Ano Novo



Querido Pai
Neste momento entre um ano que termina e um outro que está prestes a começar, queremos diante de Ti fazer uma reverencia e honrar o teu senhorio e nossa alegre filiação.
 Olhando o ano que termina acredito que temos muito mais motivos para agradecer do que para lamentar ou reclamar.
Agradecemos a saúde, os sentimentos, as boas emoções, os encontros e a fraternidade. Pelo amor que nos une como família, por nossa fé, pela abundancia de recursos com que você Pai nos presenteia com sua bondade infinita. Te agradecemos pela esperança que nunca nos abandonou, e pela estrela que indicou o caminho, como aos Magos, por onde devíamos percorrer em segurança  caminhos que nos conduziram à felicidade.
Você  Pai que conhece o interior de nossos corações  sabe que temos muito mais para agradecer do que para pedir ou lamentar.
Em tuas mãos colocamos mais uma vez a graça da vida e a alegria de viver.
Perdoa-nos Pai se ainda somos lentos no perdão e na compreensão de teus caminhos e projetos. Aumenta a nossa fé, amplia a nossa compreensão e ajuda-nos a crescer no amor de tí que se revela em todos aqueles que passam por nós diariamente.
Queremos agora Pai, colocar em tuas mãos a nossa vida por inteiro, os nossos projetos, nossas metas deste ano que está iniciando. Toma-nos em tuas mãos, conduz as nossas vidas e nos faz pessoas melhores, mais amorosas, capazes de perdão e  compreensão pelas dificuldades de nossos  companheiros de jornada nesta terra. Amplia a nossa compreensão e aumenta a nossa fé.
Que em cada momento do ano de 2016 possamos te revelar em cada comportamento e atitude para que todos possam ver a tua luz que brilha em cada um de nós.
Assim é porque tu queres que seja assim.
Que assim seja então !

Amém

19 de dezembro de 2015

É preciso parar esta onda que espalha mau humor e ódio !

J. Ricardo A. de Oliveira


Hoje no supermercado eu no caixa vi uma cena que me deu o que pensar.
Uma senhora perguntou a um senhor se aquela fila era a fila dos idosos. 
Ele olhou-a de alto a baixo e mandou: 
Porque, tá querendo entrar aqui? Vê se toma vergonha que você é muito nova.
A senhora visivelmente envergonhada olhou para ele e disse: 
Senhor eu só fiz uma pergunta.
E de volta ele vociferou:
É se colar colou , né ?
Ela educadamente respondeu: 
Eu tenho sessenta e dois anos tenho direito a entrar nesta fila, não entrei na sua frente, só perguntei...
E Ele:
Que sessenta o escambau que você não tem cara de sessenta. Novinha querendo passar a perna nos outros
.

 A essa altura a senhora já tinha ido para uma outra fila mais distante, mas isso não impediu que as pessoas ao redor do tal velho continuassem a falar absurdos. A senhora já transformada em “aquela zinha”, ou “a espertinha” e outros absurdos até lógico chegar nas críticas ao governo, à presidente e tudo o que temos visto e ouvido no nosso dia a dia.
Lembrei de que ainda nesta semana que passou presenciei esse tipo de discussão com certa frequência na rua e até mesmo uma briga, entre duas mulheres que rolavam no chão até um ambulante, vendedor de empadas, resolver interferir, e mesmo levando uns tapas de ambas, conseguiu separar aquela cena grotesca. Vi gente brigando e aos palavrões impedir o transito em plena Praça Saens Peña. Parece que todos estão com os nervos à flor da pele.

Percebo que a semente que vem sendo lançada há alguns anos parece que começa a germinar. São anos e anos de noticiários despejando desgraças, e coisas desagradáveis diariamente, notícias sobre escândalos, roubalheira. É como se houvesse uma programação para incutir na cabeça das pessoas que não temos saída, que tudo vai muito mal. Que não devemos acreditar que podemos ter dias felizes e que vivemos em um lugar maravilhoso invejado por todo mundo.



Toda essa situação de ódio, revolta parece atender a uma programação.  Sempre fomos um povo cordato, hospitaleiro, que gosta de festa, de futebol e extremamente alegre. A Alegria sempre foi a marca dos brasileiros, sempre sorridentes e que em qualquer lugar fazem a diferença quando em grupo. Fico com a impressão de que estamos perdendo esta característica. O que venho percebendo nas ruas é um ódio crescente, um constante mal humor, como se os todos estivessem prontos para explodir. Ainda outro dia, andando pela rua esbarrei de leve em uma senhora e já estava me virando e dizendo “me perdoe senhora”, mas não deu tempo. A reação dela foi de aos berros dizer: seu idiota não olha por onde anda sua cavalgadura? 

Não sei, ou não quero acreditar que saiba, a quem interessa este estado de coisas. A Única coisa que sei é que precisamos mudar esta situação. É urgente voltar ao estado de ânimo que tínhamos, à alegria de viver, a àquele espírito característico que provocava nos estrangeiros o comentário: “são brasileiros”, como se isso explicasse tudo.

Tenho muitos amigos virtuais e em sua maioria são professores, terapeutas, sacerdotes católicos ou protestantes, dirigentes espíritas e de cultos afro. Gente que fala ao povo, que tem um espaço para fazer alertas e esclarecer. Penso que eles poderiam ajudar na conscientização das pessoas. Serem anunciadores da necessidade de olharmos o mundo com olhos mais compassivos e alegres. Acredito que poderiam dedicar uma parte de suas falas à restauração do bom humor, da esperança e do sonho. A alegria, como aliás o Papa Francisco tem alertado, é fundamental para a vida, para a saúde e para a construção de um mundo melhor.
 Façamos então todos nós uma cruzada contra o mau humor, vãos rejeitar toda essa campanha de más notícias, de notícias de desgraças, vamos parar de falar de desgraças,
Vamos investir em dias melhores, em sonhos que abandonamos e projetos que deixamos de acreditar. Vamos juntos construir um mundo novo acreditando que um outro mundo é possível.

30 de novembro de 2015

Uma história que se eternizou através dos tempos.


Sem Era nem Beira
(Pe. Zezinho)

José trabalhava na carpintaria,
cuidando zeloso da sua Maria.
Maria esperava chegar sua hora,
no ventre levava seu filho e Senhor.
Mas eis que um decreto os arranca do teto
que foi testemunha do mais puro amor.
E assim foi que antes de haveres nascido,
te vistes banido pelo imperador.
Por longas estradas que ainda não vias,
sem eira nem beira calado seguias.
No ventre materno escondido rumavas
p'ra onde mandava teu Pai lá do Céu.
Mas eis que em Belém não encontras morada,
Maria cansada não pôde esperar.
E assim Tu nascestes mirando as estrelas,
no ventre da terra e distante do lar.
A Tua pobreza escondia um segredo,
e naquele palácio o patrão teve medo.
E diz que um rei paranóico e doente,
num gesto demente mando te matar.
Mas eis que José pressuroso e aflito,
se exila no Egito p'ra te proteger.
E assim foi que ainda pequeno e calado,
te viste exilado p'ra sobreviver.
Voltaste do exílio para Galiléia,
que o filho do rei governava a Judéia.
Na carpintaria da casa de aldeia,
não representavas perigo nenhum.
José e Maria te viram crescendo,
e era alí um por todos e todos por um.
Mas eis que o fiel carpinteiro morria,
levaste Maria p'ra Carfanaum.
A vida era dura, passavam os dias,
o tempo chegara e de casa partias.
Alguem perguntou de que em lado moravas,
disseste em resposta o que dizem milhões.
"Se queres saber o caminho que eu traço,
acompanha meu traço, vem ver e sentir.
As aves do céu e as raposas tem casa,
mas eu nem sequer tenho aonde dormir."
Eu olhos os milagres de arquitetura,
colossos enormes rasgando as alturas.
E penso no povo que sofre e padece
por falta de teto de amor e de pão.
E leio o decreto que o tira do teto
porque não pagou seu patrão e credor.

E tu que já foste pisado e esmagado,
exilado e humilhado. Liberta teu povo, liberta Senhor.
E tu que já foste pisado e esmagado,
exilado e humilhado. Liberta teu povo, liberta Senhor.


21 de novembro de 2015

Os sinais estão aí...Vento quebra ao meio a árvore de Natal da Lagoa !

Vento quebra ao meio a árvore de Natal da Lagoa !



Para quem entende os símbolos, acho que é hora de trocar a velha música de Natal da Simone (Então é Natal...) por aquela outra: Começar de Novo...
A árvore quebrada da Lagoa Rodrigo de Freitas, símbolo do Natal Carioca é como a carta da Torre do Tarot a nos lembrar que a construção quebrou, faliu, desabou. Só nos resta uma alternativa: começar uma nova empreitada. 

        



 Mas não é só a reconstrução da árvore da lagoa, porque esta é só um símbolo. O papa já disse que não faz sentido comemorar  Natal em plena Guerra, e certamente ele se refere a todos os tipos de guerra..  Guerras mundiais e guerras particulares de nosso dia a dia.

Não foi só a árvore que quebrou é todo um estado de coisas que nos rodeia não só no Rio como em todo Brasil. Os sinais apontam para a necessidade de novos paradigmas, as novas perguntas já não podem ser respondidas pelas velhas práticas esclerosadas da velha política, da lei de Gérson e da Razão Cínica.
Por enquanto estamos tendo os sinais, mas se não formos capazes de dar as respostas adequadas certamente algo mais sério e contundente vai acabar acontecendo.
No passado, nossos antepassados sabiam ler os sinais dos tempos, precisamos recuperar essa sensibilidade sob pena de sermos mais uma espécie em extinção.




7 de novembro de 2015

A mentira que vivemos



Vídeo Excelente,para assistir mais de uma vez.

Deveria ser obrigatória a exibição deste filme nas escolas seguido de debate,

 enquanto há tempo...





Diwali – A festa das Luzes na India



É uma festa hindu alegre, que comemora o triunfo do bem sobre o mal e ilumina os lares e corações de todos que participam com esperança para o novo ano. Diwali, também conhecido como o Festival das Luzes é um festival de cinco dias centrada na família e na comunidade comunhão marcados com luzes, fogos de artifício, feiras de rua, oração e música. Como o nome sugere muito da celebração envolve acender velas ou pequenos Diyas, (espécie de lamparinas) que são acesas para indicar a vitória pessoal do bem sobre o mal e o retorno da fé. Este festival começa luminescentes cada dia antes do sol nascer com as cidades toda iluminada por milhares de velas acesas, faróis e lâmpadas. As flores são amarradas em guirlandas e envolvem as casas e empresas assim como as pessoas invadem as ruas para compartilhar sua alegria com os outros. Na terceira noite dos fogos de artifício iluminarão o céu. Todo mundo comemora, e usam o que tem de melhor usa para um novo ano de muita Luz, Fartura e Alegria.

diyas

 Em 2015, o Diwali começa com Dhanteras, e vai de 9 até 13 de novembro. As principais festividades ocorrem no terceiro dia (este ano, no dia 11 de novembro).
Cada dia do festival tem um significado diferente.
O primeiro, Dhanteras, marca o início do Diwali e é dedicado a celebrar a riqueza. A Deusa Lakshmi é adorada para proporcionar prosperidade, e as pessoas tradicionalmente compram ouro.

O segundo dia é conhecido como Naraka Chaturdasi. Krishna e a Deusa Kali são aclamados por ter destruído o demônio Narakasura e pela libertação de 16 mil princesas cativas neste dia.



No terceiro e principal dia, várias pequenas lâmpadas de argila (chamados diyas) e velas são acesas e colocadas nas casas, enquanto os fogos de artifício são disparados por todos os cantos, legitimando o nome de “Festival das Luzes”. Os indianos também limpam e decoram suas casas com rangoli (arte popular Hindu), compram roupas novas, apostam e trocam presentes e doces durante o festival.



No quarto dia, os comerciantes recomeçam o ano e oferecem preces.

O quinto e último dia, conhecido como Bhai Duj, é dedicado aos irmãos e eles se reúnem para compartilhar comida e honrar o vínculo entre eles.


4 de novembro de 2015

As 108 contas do Japamala

E em primeiro lugar, o que vem a ser um Japamala? 


Japamala
(Japa = repetição, Mala = cordão ou colar) é um objeto antigo de devoção espiritual, conhecido também como rosário de orações no ocidente. É um artesanato muito utilizado para ajudar nas orações e mentalizações como marcador.

"Japa" é uma palavra em sânscrito que vem da raiz verbal "jap", que significa "murmurar, sussurrar".
"Japa" é a prática feita pelos yogis na repetição em tom de murmúrio de mantras, de passagens das escrituras, ou do nome de uma divindade.
A repetição destes mantras, o "Japa", é uma "corrente", um "cordão de energia".
Mala é uma palavra de vários significados em sânscrito, porém neste caso, ela quer dizer, apenas, "cordão de contas".
Temos então duas correntes, uma espiritual, "Japa" e outra material, "Mala". Assim, as energias espirituais invocadas "Japa", energizam o "Mala".
Geralmente, o "mala", utilizado para o "japa", "murmurar", contém 108 contas.
Um Mala pode conter contas que também formam divisões de 108, de modo que o mesmo cálculo possa ser mantido.
Chegar ao "Meru", a conta central no mala, mostra que você fez o seu "japa" por 108 vezes. Completar o circuito de 108 mantras é um passo a mais no caminho da elevação espiritual. Cada Volta realizada no "Mala", é um degrau na escada para a união com o éter divino.
Um "mala" estimula seu usuário a fazer os "japas" diariamente.





Por que 108 contas em um Japamala?

Algumas pessoas me perguntam as vezes o porque das 108 contas do japamala, segue abaixo um bom resumo:

A frequência mais alta das rádios FM é 108.0.

108 = 0108 número forte Hebreu = neblina, vapor do solo a partir do qual as nuvens se formam, assim chamado porque envolve e cobre a Terra como um véu.

Esta derivação também é confirmada pela raiz árabe "med", que significa o que guarda e fortalece qualquer coisa, defesa.

Também significa atmosfera.

1-0-8 é o número de emergência na Índia (tal como 9-1-1 nos EUA).

Uma frase comum na India é "Ligue 108 e salve uma vida".

Para se ter uma idéia, este número é produto de operações matemática simples e precisas. Por exemplo, ao se multiplicar 1 elevado a ele mesmo por 2 elevado à 2ª e por 3 elevado à 3ª, o resultado é 1 x 4 x 27 = 108.

O alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas masculinos e 54 que são chamados femininos, resultando em 108 fonemas.

O número nove é considerado um número sagrado para os Hindus, 1 + 0 + 8 = 9.

O “108? também aparece como a representação do chackra cardíaco;

no Shri Yantra; nos textos védicos, onde 108 é o número em que se divide o tempo entre passado, presente e futuro;

na astrologia, com seu 9 planetas e 12 casas ( 9×12 =108);

na astronomia, que mede o diâmetro do Sol como sendo 108 vezes o diâmetro da Terra.

E ainda 108 são o número de Gopis de Krishna, 108 são os Upanisades, 108 são o número de contas do japamala e poderia citar ainda muito mais sobre o número 108.

É conhecido que o Mala ou rosário usado em toda a Índia, e que se espalhou pelo mundo, tanto dentro da religião Hindu, como em outras religiões possui 108 contas.

Este número “108” é um número sagrado, por diversas razões.

Estas razões são matemáticas e metafísicas (como a própria matemática).

Os antigos indianos eram excelentes matemáticos. Não houve matéria no campo da Álgebra e da Geometria, que não tenha sido estudado por eles.

Este número é produto de operações matemática precisas, por exemplo, se multiplicarmos 1 na primeira potência, por 2 na segunta potência, este resultado por 3 na terceira potência, teremos 108. isso porque o produto de 1 na 1, é 1, e de 2 na 2 é 4, e 3 na 3 é 27, portanto, 1 x 4 x. 27 = 108.

Mas talvez a influência mais direta do número 108 não tenha apenas relação matemática, mas sagrada com os fonemas do “alfabeto” sânscrito e a divisão do cosmo, de tempo e espaço.

Por sua vez, o alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas que são chamados masculinos, e 54 que são chamados femininos, sendo conhecidos como Siva e Sakti, respectivamente, e que somados resultam em 108.

Há uma série de outras colocações que encheriam muitos livros. Nós iremos aqui colocar alguns aspectos, e que o leitor terá por satisfeito seu interesse no sagrado número 108.

Vejamos, então, alguns aspectos e como eles dizem respeito ao número sagrado 108:

Sri Yantra

Outra grande fonte de meditação no sagrado 108 é o Sri Yantra.

Este símbolo sagrado é conhecido como o monte Meru.

Neste Yantra Marmas ou pontos, onde três linhas se entrecruzam, e há 54 sub-cruzamentos.

Cada um destes cruzamentos são masculinos e femininos, qualidades de Siva e Sakti.

Portanto, estes 54 cruzamentos, sendo masculinos e femininos, resultam no número 108. Por conseguinte, este número 108 define o Sri Yanta, bem como o próprio corpo humano.

Igualmente, o número nove é considerado um número sagrado para os Hindus, e se somarmos o número 108, da seguinte forma 1 + 0 + 8, teremos o número 9, que multiplicado por 12, também resultará em 108.

Isso se deve pela ciência da numerologia, em que cada número e seqüência, bem como arranjos, possuem um significado profundo, além da objetividade que pretende dar a matemática vulgar.

Chakra do coração

O Chakra do coração, ou do vórtice de energia do Anahata, possui linhas de interseção. Os Vedas dizem que há 108 linhas de energia no Chakra do coração, onde o Paramatma está residindo. É a partir do Chackra do coração que o Yogi atinge a iluminação do Sahasrara ou Chakra do auto da cabeça,

cuja energia é levada pelo canal central ou Sushumna para a coroa da realização em Deus.

Pontos Marmas

No corpo sutil há pontos de captação de energia.

Estes pontos são chamados de Marmas, e são como pontos de interseção por sobre os Nadis ou canais de distribuição de energia. Os textos védicos afirmam que há 108 Marmas por sobre o corpo, e que têm reflexos no corpo físico e nas diversas funções vitais.

O tempo

O tempo é dito que possui 108 sentimentos, os quais estão em número de 36 no passado, 36 no presente, e 36 no futuro.

Esta relação da psicologia da percepção do tempo, no mundo finito, é considerada uma dilação do Akasha.

Astrologia

A astrologia védica ou Jyotish considera os 9 planetas visíveis, bem com as 12 casas das constelações, chamados de Manshas ou Chandrakalas.

A relação de 9 x 12 é igual a 108.

A palavra Chandrakala é composta de Chandra = lua, e Kalas, divisões do tempo.

O diâmetro do sol é 108 vezes maior do que o da Terra.

Gopis do Senhor Krishna

Sri Krishna, o Senhor Supremo, protagonista do Bhagavad-gita, tinha 108 Gopis ou servas fixas, e 108 mil esposas. Isso é transcendental e não pode ser comparado com as coisas da paixão mundana e leviandade chula.

Relações diversas

O número 108 quando divido em porções fracionárias, possui 54, 36, 27, e nove.

Então há Malas ou rosários com estas subdivisões, e o devoto faz os devidos arranjos para completar as 108 voltas.

Islamismo: no Islã, o número 108 é usado como representante de Deus.

Sikh: na tradição Sikh, o número 108 está presente nas suas mantas de la, que possuem 108 nós na seqüência, além daqueles que estão nos seus Malas de japa.

Chineses: os budistas chineses, por notória influência da Índia, usam malas de 108 contas, que eles chamam de Su-chu, dividindo este Mala em 3 divisões de 36 contas.

Estágios da Alma: as Escrituras dizem que a alma possui 108 estágios na sua jornada por sobre a Terra, e se não atinge a liberação, deverá voltar para o seio de Paramatma e retornar mais tarde para uma nova jornada de 108 vidas.

Meru: em um Mala ou rosário, há uma pedra maior chamada de Meru. Ela não faz parte das 108 contas em seqüência, e marca o início e o fim de um Mala de Japa (canto do Mantra).

Pitágoras: para este filósofo grego, que bebeu da sabedoria dos matemáticos indianos, em viagens que fez para o continente indiano, como facilmente podemos ver na sua biografia, dizia que o número 9 era o limite para todos os números.

Todos os outros nomes existem e vêm do mesmo, isso é, de 0 a 9,

e com estes números pode-se fazer uma quantia infinita, nos seus diferentes arranjos.

Upanishadas: há 108 Upanishads principais.

Estes Upanishads estão agrupados em categorias dentro de os Vedas.

O agrupamento destes textos sagrados está conforme a seguir:

Rig-veda (10): Aitareya , Atmabodha, Kaushitaki, Mudgala, Nirvana, Nadabindu, Akshamaya, Tripura, Bahvruka, Saubhagyalakshmi.

Yajurveda (50): Katha, Taittiriya , Isavasya , Brihadaranyaka, Akshi, Ekakshara, Garbha, Prnagnihotra, Svetasvatara, Sariraka, Sukarahasya, Skanda, Sarvasara, Adhyatma, Niralamba, Paingala, Mantrika, Muktika, Subala, Avadhuta, Katharudra, Brahma, Jabala, Turiyatita, Paramahamsa, Bhikshuka, Yajnavalkya, Satyayani, Amrtanada, Amrtabindu, Kshurika, Tejobindu, Dhyanabindu, Brahmavidya, YogakundalinI, Yogatattva, Yogasikha, Varaha, Advayataraka, Trisikhibrahmana, mandalabrahmana, Hamsa, Kalisantaraaa, Narayana, Tarasara, Kalagnirudra, Dakshinamurti, Pancabrahma, Rudrahrdaya,
SarasvatIrahasya.

SamaVeda (16): Kena, Chandogya, Mahat, Maitrayani, Vajrasuci, Savitri, Aruneya, Kundika, Maitreyi, Samnyasa, Jabaladarsana, Yogacudaman, Avyakta, Vasudevai, Jabali, Rudrakshajabala.

Atharvaveda (32): Prasna , Mandukya, Mundaka, Atma, Surya, Narada-Parivrajakas, Parabrahma, Paramahamsa-Parivrajakas, Pasupatha-Brahma, Mahavakya, Sandilya, Krishna, Garuda, Gopalatapani, Tripadavibhuti-mahnarayana, Dattatreya, Kaivalya, Nrsimhatapani, Ramatapani, Ramarahasya, HayagrIva, Atharvasikha, Atharvasira, Ganapati, Brhajjabala, Bhasmajabala, Sarabha, Annapurna, Tripuratapani, Devi, Bhavana, Sita

No Hinduísmo 108 é o número de Gopis de Krishna nos Seus passatempos 108 são os locais sagrados para os Vaishnavas 108 são as contas do Mala para o Japa 108 são os Upanishads 108 são os Divyadeshes ou sagrados Tirthas, da Índia até o Nepal.

108 são as águas sagras instaladas em Muktinath, no Nepal.

Sanatana-dharma Com certeza, a conclusão do que vem a ser o número sagrado 108 deve-se aos Vedas, e a forma como os textos e métrica védica está a escrever os sagrados ensinamentos da Suprema Personalidade de Deus.

Há um livro escrito por Khurana, que dá as explicações que espelham bem estas colocações da métrica védica.

Diz ele, um círculo possui 360 graus, os quais quando multiplicados por 60 resultam em 21.600 minutos num círculo.

O número 60 advém de 60 Ghatis, os quais são sagrados.

Um Ghati é igual a 24 minutos, 60 Ghatis são 24 horas, a divisão de um dia.

Um Ghati é dividido em 60 partes ou Palas.

Então, estes Palas multiplicados por 60 resultam em 3.600.

Este valor multiplicador por 60, por um Pala contém 60 Vipalas, resulta, novamente, em 21.600.

A metade deste valor é a fase do dia, e a outra metade a fase da noite.

Então, 21.600 dividido por 2, resulta em 10.800.

Para fins práticos, usa-se 108.

Este ritmo ajuda a controlar o ritmo do tempo, bem como do espaço, permanecendo em harmonia com a natureza e a forma como ela se regula.

Um passatempo do Srimad Bhagavatam e do Tantra Shastra

Há uma história védica, chamada de “108 Pithas” ou lugares sagrados, onde há um passatempo do Senhor Siva e Sati devi. Esta história está completa no 4 Canto do Bhagavata-purana.

O passatempo narra que o Senhor Siva estava sempre em profunda meditação.

O Seu asceticismo estava gerando um grande calor por sobre o universo.

Por conseguinte, toda a existência estava correndo enorme perigo, e o Senhor Brahmaa (Seu pai), interferiu diante de Maa Shakti Devi, a mãe do universo, para que usasse Seu poder, no sentido de seduzir o Senhor Siva e demovê-Lo da Sua posição.

Então Maa Sakti concordou, e que iria nascer como Sati, filha de Sri Daksha.

O Senhor Siva havia ficado muito impressionado com o asceticismo de Sati, e com Sua extraordinária beleza.

Então Ele retornou a forma humana e casou-Se com Ela.

Anos mais tarde, numa festa, o pai de Sati Devi insultou o Senhor Siva.

Sati ficou tão humilhada que entrou em profunda meditação, tendo em vista imolar-Se.

O Senhor Siva ficou com o Seu coração despedaçado.

Ele chegou até o local do sacrifício de fogo, e tentou interferir agarrando o corpo de Sati, levando-A para o céu.

Mas na medida em que fazia isso, 108 pedaços do corpo de Sati Devi caíram e Se espalharam por sobre a Terra.

Eram 108 pedaços, que tornaram os locais onde caíram inteiramente sagrados.

Desde esta época estes locais são adorados e fonte de constante peregrinação

Lembrando:

Para quem usa o japamala com 108 contas, é feito apenas uma volta recitando os mantras.

Para quem usa japamala de 54 contas, é feito ida e volta (2x54=108) recitando os mantras

Para quem usa japamala de 27 contas, é feito ida e volta duas vezes (4x27=108) recitando os mantras.

Sabemos o porque 108 é um numero mágico,

então use e abuse da energia!!

SEMPRE, consagre seu japamala à um ser de luz que você tenha mais afinidades, e sempre que fizer seus mantras ou orações, peça para que esse ser de luz ative os mantras em seu ser.

Um outro beneficio de usar um japamala:

O japamala pode ser feito em cristais, o que além da energia dos mantras, podemos associar a energia dos cristais.

Temos aí uma poderosa ferramenta, que une, energias de todos os lados.
Link da matéria e créditos: Portal Somos Todos Um 

A pasteurização do absurdo não tem graça.

(J. Ricardo A. de Oliveira)

De onde veio a brilhante ideia de que todos tem que concordar com tudo ?
Eu gosto de azul, mas você pode gostar de amarelo. 
Eu posso ser botafoguense e você flamenguista. Não precisamos nos matar por essa diferença.
Eu posso admirar o presidente Lula e você achar que um outro presidente seria melhor para o Brasil.
Você pode discordar do governo da presidenta, mas não precisa desrespeitá-la, agredí-la ou xingá-la, da mesma forma que eu não preciso odiá-lo por discordar de mim.
Eu sou contra o aborto mas isso não quer dizer que você não possa se posicionar a favor. Eu sou cristão e você pode ser muçulmano.
Não é porque eu sou hétero que vou espancar e humilhar quem tem outro tipo de orientação sexual. A homo afetividade não é doença, portanto não há o que curar, não é contagiosa. 
O que precisa de tratamento e cura é o preconceito.



Pelamordeeussss! 

Cada um é cada um.
Deus nos deu o livre arbítrio para que pudéssemos escolher.
Então vamos tornar a buscar o caminho da Paz e do respeito mútuo, sejamos civilizados e vamos respeitar a opinião alheia, ouví-la e escolher, cada um tem o direito de exercer a sua liberdade de escolha.
Vamos contribuir para diminuir esse ódio que está tirando a paz de um país que sempre foi admirado por sua cordialidade , afetividade e hospitalidade.
A diversidade nos enriquece e amplia as possibilidades.
Chega de exclusão e preconceito!

27 de outubro de 2015

D. Helder e o preto velho




O teólogo Marcelo Barros recorda que, uma vez, acompanhou o arcebispo a uma favela.
Passando pelas vielas, D. Hélder cumprimentava as pessoas e entrava em cada barraco.
Chegou atrasado ao centro comunitário, onde as pessoas o esperavam para uma reunião. Numa das casas, um senhor da Umbanda deu-lhe de presente uma imagem de um Preto Velho (um dos espíritos da religião africana).
D. Hélder chegou à reunião, trazendo nos braços o Preto Velho.


A quem se espantou com o atraso, explicou: 
“Estava me encontrando com um irmão, do qual séculos me distanciaram”.

Quando lhe perguntaram se o contato do arcebispo com líderes de outras religiões negras não favorecia o sincretismo e a confusão, D. Hélder respondeu: 
“O sincretismo existe desde que os nossos antepassados obrigaram os negros a se batizarem. Durante séculos, eles foram obrigados a viver a sua fé de modo escondido. O que eu faço é reconhecer o seu direito a exercerem a sua religião. Sei que muitos, desde crianças, são, ao mesmo tempo, católicos e de um culto afro. Conhecendo-os, vejo que são pessoas de tanta fé e tão dedicadas aos outros que só posso pensar que essa integração faz bem”.

Com os agradecimentos ao amigo Jorge Alexandre que publicou esta passagem no Facebook

O trauma infantil que transformou o Papa


A reveladora carta na qual o Papa conta sobre uma dificuldade que marcou dolorosamente sua infância e que lhe ensinou uma grande lição


O sacerdote e destacado mariólogo brasileiro Alexandre Awi, em uma entrevista dada no Chile em abril de 2015, compartilhou uma inédita e emotiva vivência do Papa Francisco, que nos mostra sua “humanidade” e a riqueza espiritual que, desde a infância, forjou a alma daquele que é hoje o Vigário de Cristo na terra.

O Pe. Alexandre conta que, logo após a JMJ 2013 (na qual trabalhou como tradutor e secretário do Papa Francisco), escreveu para uma revista salesiana do Brasil um artigo sobre a “cultura do encontro”, comentando a riqueza pastoral, espiritual e outras que, a seu ver, o Papa oferece ao mundo com esta proposta.

Já no Documento de Aparecida (e muito antes dele), o atual Vigário de Cristo se referia a esta questão, que foi um eixo temático nas catequeses do seu pontificado. Mas o que o Pe. Alexandre desconhecia era que o anseio por uma “cultura do encontro” estava profundamente arraigado nas experiências vividas na infância por Jorge Mario Bergoglio, hoje Papa Francisco.

Foi o próprio Pontífice quem revelou isso ao Pe. Alexandre, em uma carta na qual lhe agradece pelo seu artigo:
 “Obrigado pelo artigo sobre a cultura do encontro. Acho que preciso lhe contar algo sobre esta expressão. Quando refizeram a fachada da catedral de Buenos Aires, optaram por copiar o modelo da Madeleine de Paris e, como era a época da reorganização nacional e se buscava a unidade da nação, optaram por esculpir no frontispício a cena do encontro de José com seus irmãos. Essa imagem me tocou profundamente – acho que, em parte, devido à minha história familiar e, em grande parte, pela graça de Deus.

Em minha família, houve uma longa história de desencontros. Tios, primos brigados e separados. Quando se comentava algum caso desses ou se pré-anunciava alguma briga, eu, criança, chorava muito, escondido, e às vezes oferecia algum sacrifício ou alguma penitência, para que essas coisas não acontecessem. Isso me machucava muito. Graças a Deus, na minha casa, meus pais e os 5 irmãos vivíamos em paz.

Acho que esta história da minha infância me marcou muito e foi criando no meu coração a vontade de que as pessoas não brigassem, de que continuassem unidas. E, se brigassem, que depois se reconciliassem.

Releio o que escrevi e me dá um pouco de vergonha, mas acho que nesta história já uma espécie de semente do que, com o passar dos anos e de maneira conceitual, chamei de ‘cultura do encontro’. 
É um anseio que carrego desde criança.”


Fonte :
http://pt.aleteia.org/2015/06/22/


Com meus agradecimentos à amigaNara Rubia Ribeiro que compartilhou a matéria do site Aleteia

25 de outubro de 2015

Sínodo. Mensagem do Papa: defender o homem e não ideias


Após os vários agradecimentos a todos os que contribuíram para um percurso sinodal de intenso ritmo de trabalho o Papa Francisco disse ter-se interrogado sobre o que “há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?”



Muitas as respostas encontradas pelo Santo Padre para completar o significado do Sínodo: a importância do matrimonio, escutar as vozes das famílias e dos pastores, olhar e ler a realidade, testemunhar o Evangelho como fonte viva de novidade eterna, afirmar a Igreja como sendo dos pobres e dos pecadores e abrir horizontes para difundir a liberdade dos Filhos de Deus.
Em particular, o Papa Francisco considerou que a experiência do Sínodo fez compreender melhor que defender a doutrina é defender o seu espírito e o homem em vez de ideias:
“A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão.”
Francisco recordou Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI e no final do seu intenso discurso afirmou que “para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!”
Publicamos aqui  o texto integral do Santo Padre:
Amadas Beatitudes, Eminências, Excelências, Queridos irmãos e irmãs!
Quero, antes de mais, agradecer ao Senhor por ter guiado o nosso caminho sinodal nestes anos através do Espírito Santo, que nunca deixa faltar à Igreja o seu apoio.
Agradeço de todo o coração ao Cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário-Geral do Sínodo, a D. Fabio Fabene, Subsecretário e, juntamente com eles, agradeço ao Relator, o Cardeal Peter Erdö, e ao Secretário Especial, D. Bruno Forte, aos presidentes delegados, aos secretários, consultores, tradutores e todos aqueles que trabalharam de forma incansável e com total dedicação à Igreja: um cordial obrigado!
Agradeço a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditores, auditoras e conselheiros, párocos e famílias pela vossa activa e frutuosa participação.
Agradeço ainda a todas as pessoas que se empenharam, de forma anónima e em silêncio, prestando a sua generosa contribuição para os trabalhos deste Sínodo.
Estai certos de que a todos recordo na minha oração ao Senhor para que vos recompense com a abundância dos seus dons e graças!
Enquanto acompanhava os trabalhos do Sínodo, pus-me esta pergunta: Que há-de significar, para a Igreja, encerrar este Sínodo dedicado à família?
Certamente não significa que esgotamos todos os temas inerentes à família, mas que procuramos iluminá-los com a luz do Evangelho, da tradição e da história bimilenária da Igreja, infundindo neles a alegria da esperança, sem cair na fácil repetição do que é indiscutível ou já se disse.
Seguramente não significa que encontramos soluções exaustivas para todas as dificuldades e dúvidas que desafiam e ameaçam a família, mas que colocamos tais dificuldades e dúvidas sob a luz da Fé, examinamo-las cuidadosamente, abordamo-las sem medo e sem esconder a cabeça na areia.
Significa que solicitamos todos a compreender a importância da instituição da família e do Matrimonio entre homem e mulher, fundado sobre a unidade e a indissolubilidade e a apreciá-la como base fundamental da sociedade e da vida humana.
Significa que escutamos e fizemos escutar as vozes das famílias e dos pastores da Igreja que vieram a Roma carregando sobre os ombros os fardos e as esperanças, as riquezas e os desafios das famílias do mundo inteiro.
Significa que demos provas da vitalidade da Igreja Católica, que não tem medo de abalar as consciências anestesiadas ou sujar as mãos discutindo, animada e francamente, sobre a família.
Significa que procuramos olhar e ler a realidade, melhor dito as realidades, de hoje com os olhos de Deus, para acender e iluminar, com a chama da fé, os corações dos homens, num período histórico de desânimo e de crise social, economica, moral e de prevalecente negatividade.
Significa que testemunhamos a todos que o Evangelho continua a ser, para a Igreja, a fonte viva de novidade eterna, contra aqueles que querem «endoutriná-lo» como pedras mortas para as jogar contra os outros.
Significa também que espoliamos os corações fechados que, frequentemente, se escondem mesmo por detrás dos ensinamentos da Igreja ou das boas intenções para se sentar na cátedra de Moisés e julgar, às vezes com superioridade e superficialidade, os casos difíceis e as famílias feridas.
Significa que afirmamos que a Igreja é Igreja dos pobres em espírito e dos pecadores à procura do perdão e não apenas dos justos e dos santos, ou melhor dos justos e dos santos quando se sentem pobres e pecadores.
Significa que procuramos abrir os horizontes para superar toda a hermenêutica conspiradora ou perspectiva fechada, para defender e difundir a liberdade dos filhos de Deus, para transmitir a beleza da Novidade cristã, por vezes coberta pela ferrugem duma linguagem arcaica ou simplesmente incompreensível.
No caminho deste Sínodo, as diferentes opiniões que se expressaram livremente – e às vezes, infelizmente, com métodos não inteiramente benévolos – enriqueceram e animaram certamente o diálogo, proporcionando a imagem viva duma Igreja que não usa «impressos prontos», mas que, da fonte inexaurível da sua fé, tira água viva para saciar os corações ressequidos.1
E vimos também – sem entrar nas questões dogmáticas, bem definidas pelo Magistério da Igreja – que aquilo que parece normal para um bispo de um continente, pode resultar estranho, quase um escândalo, para o bispo doutro continente; aquilo que se considera violação de um direito numa sociedade, pode ser preceito óbvio e intocável noutra; aquilo que para alguns é liberdade de consciência, para outros pode ser só confusão. Na realidade, as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral, se quiser ser observado e aplicado, precisa de ser inculturado.2 O Sínodo de 1985, que comemorava o vigésimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II, falou da inculturação como da «íntima transformação dos autênticos valores culturais mediante a integração no cristianismo e a encarnação do cristianismo nas várias culturas humanas».3 A inculturação não debilita os valores verdadeiros, mas demonstra a sua verdadeira força e a sua autenticidade, já que eles adaptam-se sem se alterar, antes transformam pacífica e gradualmente as várias culturas.
Vimos, inclusive através da riqueza da nossa diversidade, que o desafio que temos pela frente é sempre o mesmo: anunciar o Evangelho ao homem de hoje, defendendo a família de todos os ataques ideológicos e individualistas.
E, sem nunca cair no perigo do relativismo ou de demonizar os outros, procurámos abraçar plena e corajosamente a bondade e a misericórdia de Deus, que ultrapassa os nossos cálculos humanos e nada mais quer senão que «todos os homens sejam salvos» (1 Tim 2, 4), para integrar e viver este Sínodo no contexto do Ano Extraordinário da Misericórdia que a Igreja está chamada a viver.
Amados irmãos!
A experiência do Sínodo fez-nos compreender melhor também que os verdadeiros defensores da doutrina não são os que defendem a letra, mas o espírito; não as ideias, mas o homem; não as fórmulas, mas a gratuidade do amor de Deus e do seu perdão. Isto não significa de forma alguma diminuir a importância das fórmulas, das leis e dos mandamentos divinos, mas exaltar a grandeza do verdadeiro Deus, que não nos trata segundo os nossos méritos nem segundo as nossas obras, mas unicamente segundo a generosidade sem limites da sua Misericórdia (cf. Rm 3, 21-30; Sal 129/130; Lc 11, 37-54). Significa vencer as tentações constantes do irmão mais velho (cf. Lc 15, 25-32) e dos trabalhadores invejosos (cf. Mt 20, 1-16). Antes, significa valorizar ainda mais as leis e os mandamentos, criados para o homem e não vice-versa (cf. Mc 2, 27).
Neste sentido, o necessário arrependimento, as obras e os esforços humanos ganham um sentido mais profundo, não como preço da Salvação – que não se pode adquirir – realizada por Cristo gratuitamente na Cruz, mas como resposta Àquele que nos amou primeiro e salvou com o preço do seu sangue inocente, quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5, 6).
O primeiro dever da Igreja não é aplicar condenações ou anátemas, mas proclamar a misericórdia de Deus, chamar à conversão e conduzir todos os homens à salvação do Senhor (cf. Jo 12, 44-50).
Do Beato Paulo VI temos estas palavras estupendas: «Por conseguinte podemos pensar que cada um dos nossos pecados ou fugas de Deus acende n’Ele uma chama de amor mais intenso, um desejo de nos reaver e inserir de novo no seu plano de salvação (...). Deus, em Cristo, revela-Se infinitamente bom (...). Deus é bom. E não apenas em Si mesmo; Deus – dizemo-lo chorando – é bom para nós. Ele nos ama, procura, pensa, conhece, inspira e espera… Ele – se tal se pode dizer – será feliz no dia em que regressarmos e Lhe dissermos: Senhor, na vossa bondade, perdoai-me. Vemos, assim, o nosso arrependimento tornar-se a alegria de Deus».5
Por sua vez São João Paulo II afirmava que «a Igreja vive uma vida autêntica, quando professa e proclama a misericórdia, (...) e quando aproxima os homens das fontes da misericórdia do Salvador das quais ela é depositária e dispensadora».6
Também o Papa Bento XVI disse: «Na realidade, a misericórdia é o núcleo da mensagem evangélica, é o próprio nome de Deus (...). Tudo o que a Igreja diz e realiza, manifesta a misericórdia que Deus sente pelo homem, portanto, por nós. Quando a Igreja deve reafirmar uma verdade menosprezada, ou um bem traído, fá-lo sempre estimulada pelo amor misericordioso, para que os homens tenham vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10)».7
Sob esta luz e graça, neste tempo de graça que a Igreja viveu dialogando e discutindo sobre a família, sentimo-nos enriquecidos mutuamente; e muitos de nós experimentaram a acção do Espírito Santo, que é o verdadeiro protagonista e artífice do Sínodo. Para todos nós, a palavra «família» já não soa como antes, a ponto de encontrarmos nela o resumo da sua vocação e o significado de todo o caminho sinodal.8
Na verdade, para a Igreja, encerrar o Sínodo significa voltar realmente a «caminhar juntos» para levar a toda a parte do mundo, a cada diocese, a cada comunidade e a cada situação a luz do Evangelho, o abraço da Igreja e o apoio da misericórdia Deus!
Obrigado! 
Obrigado!
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1 Cf. PAPA FRANCISCO, Carta ao Magno Chanceler da "Pontificia Universidad Católica Argentina", no centenário da Faculdade de Teologia, 3 de Março de 2015.
2 Cf. PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA, Fé e cultura à luz da Bíblia. Actas da Sessão Plenária de 1979 da Pontifícia Comissão Bíblica, LDC, Leumann 1981; CONC. ECUM. VAT. II, Gaudium et spes, 44.
3 Relação final (7 de Dezembro de 1985), II/D.4: L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 22/XII/1985), 652.
4 «Em virtude da sua missão pastoral, a Igreja deve manter-se sempre atenta às mudanças históricas e à evolução das mentalidades. Certamente não para se submeter a elas, mas para superar os obstáculos que possam opor-se à recepção das suas recomendações e das suas directrizes» (Entrevista ao Cardeal Georges Cottier, La Civiltà Cattolica, 3963-3964, 8 de Agosto de 2015, p. 272).
5 Homilia, 23 de Junho de 1968: Insegnamenti 6, 1968, 1177-1178.
6 Carta. enc. Dives in misericordia, 30 de Novembro de 1980, 13. Disse também: «No mistério pascal, (…) Deus mostra-Se-nos por aquilo que é: um Pai de coração terno, que não se rende diante da ingratidão dos seus filhos, e está
sempre disposto ao perdão» (JOÃO PAULO II, Alocução do «Regina Caeli», 23 de Abril de 1995: Insegnamenti 18/1, 1995, 1035). E descrevia a resistência à misericórdia com estas palavras: «A mentalidade contemporânea, talvez mais do que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem» (Carta enc. Dives in misericordia, 2).
7 Alocução do «Regina Caeli», 30 de Março de 2008: Insegnamenti 4/1, 2008, 489-490. E, referindo-se ao poder da misericórdia, afirma: «É a misericórdia que põe um limite ao mal. Nela expressa-se a natureza muito peculiar de Deus - a sua santidade, o poder da verdade e do amor» (Homilia no Domingo da Divina Misericórdia, 15 de Abril de 2017: Insegnamenti 3/1, 2007, 667).
8 Uma análise, em acróstico, da palavra «família» ajuda-nos a resumir a missão da Igreja na sua tarefa de: Formar as novas gerações para viverem seriamente o amor, não como pretensão individualista baseada apenas no prazer e no «usa e joga fora», mas para acreditarem novamente no amor autêntico, fecundo e perpétuo, como o único caminho para sair de si mesmo, para se abrir ao outro, para sair da solidão, para viver a vontade de Deus, para se realizar plenamente, para compreender que o matrimónio é o «espaço onde se manifesta o amor divino, para defender a sacralidade da vida, de toda a vida, para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente» (Homilia na Missa de Abertura do Sínodo, 4 de Outubro de 2015) e para valorizar os cursos pré-matrimoniais como oportunidade de aprofundar o sentido cristão do sacramento do Matrimónio; Aviar-se ao encontro dos outros, porque uma Igreja fechada em si mesma é uma Igreja morta; uma Igreja que não sai do seu aprisco para procurar, acolher e conduzir todos a Cristo é uma Igreja que atraiçoa a sua missão e vocação; Manifestar e estender a misericórdia de Deus às famílias necessitadas, às pessoas abandonadas, aos idosos negligenciados, aos filhos feridos pela separação dos pais, às famílias pobres que lutam para sobreviver, aos pecadores que batem às nossas portas e àqueles que se mantêm longe, aos deficientes e a todos aqueles que se sentem feridos na alma e no corpo e aos casais dilacerados pela dor, a doença, a morte ou a perseguição; Iluminar as consciências, frequentemente rodeadas por dinâmicas nocivas e subtis que procuram até pôr-se no lugar de Deus criador: tais dinâmicas devem ser desmascaradas e combatidas no pleno respeito pela dignidade de cada pessoa; ganhar e reconstruir com humildade a confiança na Igreja, seriamente diminuída por causa da conduta e dos pecados dos seus próprios filhos; infelizmente, o contratestemunho e os escândalos cometidos dentro da Igreja por alguns clérigos afectaram a sua credibilidade e obscureceram o fulgor da sua mensagem salvífica; Labutar intensamente por apoiar e incentivar as famílias sãs, as famílias fiéis, as famílias numerosas que continuam, não obstante as suas fadigas diárias, a dar um grande testemunho de fidelidade aos ensinamentos da Igreja e aos mandamentos do Senhor; Idear uma pastoral familiar renovada, que esteja baseada no Evangelho e respeite as diferenças culturais; uma pastoral capaz de transmitir a Boa Nova com linguagem atraente e jubilosa e tirar do coração dos jovens o medo de assumir compromissos definitivos; uma pastoral que preste uma atenção particular aos filhos que são as verdadeiras vítimas das lacerações familiares; uma pastoral inovadora que implemente uma preparação adequada para o sacramento do Matrimónio e ponha termo a costumes vigentes que muitas vezes se preocupam mais com a aparência duma formalidade do que com a educação para um compromisso que dure a vida inteira; Amar incondicionalmente todas as famílias e, de modo particular, aquelas que atravessam um período de dificuldade: nenhuma família deve sentir-se sozinha ou excluída do amor e do abraço da Igreja; o verdadeiro escândalo é o medo de amar e de manifestar concretamente este amor.
[01826-PO.01] [Texto original: Italiano]

[B0817-XX.01]

13 de outubro de 2015

" Uma declaração internacional de teólogas/os"


"O Sínodo não pode se reduzir às questões relacionadas com o matrimônio cristão. Acreditamos que é prioritário que ele contribua para a eliminação das causas de exclusão e pobreza de milhões de famílias a partir da opção ético-evangélica pelas pessoas pobres e marginalizadas."
Publicamos aqui a "Declaração Internacional de Teólogas e Teólogos sobre o Sínodo", assinada por inúmeros estudiosos de vários países, vinculados à Associação de Teólogas e Teólogos João XXIII. A declaração foi publicada no sítio Religión Digital, 12-10-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Eis o texto.
Não pertence à Fé da Igreja o fato de manter intacto um determinado modelo de família, próprio de um tempo e de uma cultura. Segundo os Evangelhos, Jesus de Nazaré foi profundamente crítico com o modelo de família do seu tempo e da sua cultura. Por isso, a Associação de Teólogas e Teólogos João XXIII considera necessário apresentar ao Sínodo dos Bispos que está sendo realizado em Roma as seguintes propostas:
1. Acreditamos que é preciso respeitar as diferentes identidades, opções e orientações sexuais como expressão da pluralidade de formas de viver a sexualidade entre os seres humanos. Consequentemente, devem ser reconhecidas naIgreja Católica a homossexualidade e os casamentos homossexuais em igualdade de condições que a heterossexualidade e os casamentos heterossexuais. Não se devem excluir as pessoas cristãs homossexuais de nenhuma tarefa, atividade e responsabilidade eclesial, nem da participação nos sacramentos.
Não parece se compaginar o respeito às pessoas não heterossexuais com a sua exclusão de determinadas funções eclesiais, como, por exemplo, o exercício como padrinho em um batizado ou o ministério sacerdotal e teológico. Ambas exclusões que foram produzidas recentemente na diocese de Cádiz com um transexual e na Congregação para a Doutrina da Fé com um sacerdote homossexual, e que demonstram uma clara discriminação em razão da orientação sexual e desmentem a ideia tão repetida nos documentos do magistério eclesiástico de acolhida às pessoas não heterossexuais.
2. Acreditamos que deve ser revista a condenação indiscriminada da interrupção voluntária da gravidez por parte do magistério eclesiástico. Consideramos necessária a revogação do cânone 1.398 do Código de Direito Canônico, que decreta a excomunhão para quem produz o aborto, se este for produzido, e que é contrária à absolvição do pecado do aborto decretada pelo Papa Francisco por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Também deve ser respeitado o direito das mulheres de decidir em consciência sobre essa matéria.
3. Não existem razões bíblicas, teológicas, históricas, pastorais e menos ainda dogmáticas para excluir os homens casados ou mulheres de quaisquer ministérios eclesiais, ordenados ou não ordenados. A igualdade dos cristãos e das cristãs pelo batismo deve se traduzir em condições iguais para homens e mulheres no acesso ao âmbito do sagrado, na elaboração da doutrina teológica e moral, assim como na participação nas responsabilidades eclesiais e nos órgãos diretivos, sem discriminação alguma por razões de gênero, etnia ou classe social. Por isso, pedimos que se eliminem os obstáculos ideológicos, culturais e disciplinares de caráter sexista e se leve a cabo a plena incorporação das mulheres nos âmbitos indicados, incluindo o acesso ao sacerdócio e ao episcopado.
4. Em relação ao divórcio, não existe dogma de fé que o impeça, nem que proíba o acesso das pessoas separadas ou divorciadas que voltaram a se casar à Eucaristia. A atual disciplina excludente nessa matéria, talvez compreensível no passado, hoje não tem justificação e, longe de aproximar as pessoas nessa circunstância à comunidade cristã, as marginaliza, afasta e estigmatiza. Além disso, carece de fundamento evangélico.
Por isso, acreditamos que o Sínodo dos Bispos deve eliminar tal proibição, atualmente vigente, e facilitar o acesso à comunhão eucarística para as pessoas separadas ou divorciadas que voltaram a se casar, sem lhes impor qualquer exigência corretiva. Nós, pessoas crentes, somos sujeitos morais com capacidade para decidir livremente
em consciência nesse campo. Tal decisão deve ser respeitada.
5. É necessário reconhecer os importantes avanços levados a cabo pelo feminismo na igualdade entre homens e mulheres e na libertação destas. À luz desses avanços, deve ser revisada a estrutura patriarcal da doutrina
e da prática sobre o matrimônio cristão.
6. O Sínodo não pode se reduzir às questões relacionadas com o matrimônio cristão. Acreditamos que é prioritário
que ele faça uma análise da situação de pobreza e de exclusão social em que se encontram milhões de famílias,
que a denuncie profeticamente, que expresse a sua solidariedade com as famílias mais vulneráveis e contribua
para a eliminação das causas de tal situação a partir da opção ético-evangélica pelas pessoas pobres
e marginalizadas.
Assinam esta declaração:
Xavier Alegre. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
José Arregi. Teólogo. Espanha
Olga Lucía Álvarez. Associação Presbíteras Católicas Romanas. Colômbia
Juan Barreto. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Fernando Bermúdez. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Leonardo Boff. Ecoteólogo, membro do Comitê da Carta da Teerra e escritor. Brasil
Ancizar Cadavid Restrepo. Teólogo. Colômbia
José María Castillo. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
José Centeno. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Juan Antonio Estrada. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Máximo García. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Antonio Gil de Zúñiga. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Ivone Gebara. Teóloga e filósofa. Brasil
Hernández Fajardo Axel. Professor aposentado da Escola Ecumênica das Ciências das Religiões.
Universidad Nacional. Costa Rica
Rosa María Hernández. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Mary Hunt. Teóloga. Women's Alliance for Theology, Ethics and Ritual (WATER).
Gabriela Juárez Palacio. Teóloga. Sócia-fundadora das Teólogas e Investigadoras.
Rosa Leiva. Federação Latino-Americana de Presbíteros Casados. Equador
Juan Masiá. Teólogo. Japão
Federico Mayor Zaragoza. Presidente da Fundação Cultura de Paz e da Comissão Internacional
contra a Pena de Morte. Espanha
Cyprien Melibi. Teólogo. Camarões
Arnoldo Mora Rodríguez. Sócio-fundador do Departamento Ecumênico de Investigações (DEI).
Costa Rica
Mario Mullo. Federação Latino-Americana de Sacerdotes Casados. Equador
Carmiña Navia. Teóloga. Colômbia
Marisa Noriega. Teóloga. Sócia-fundadora da Associação Mexicana de Reflexão Teológica Feminista.
México
Gladys Parentelli. Auditora no Concílio Vaticano II. Venezuela
Federico Pastor. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Victorino Pérez Prieto. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Suyapa Pérez Scapini. Teóloga. El Salvador
Margarita Mª Pintos. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Javier Omar Ruiz Arroyave. Ativista. Masculinidades Libertadoras. Colômbia
José Sánchez Suárez. Teólogo. Comunidade Teológica do México
Santiago Sánchez Torrado. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Fernando Silva. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Aida Soto Bernal. Associação Presbíteras Católicas Romanas. Colômbia
Juan José Tamayo. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Elsa Tamez. Teóloga e biblista. México
Andrea Toca. Teóloga. Sócia-fundadora da Associação Mexicana de Reflexão Teológica Feminista.
México
Fernando Torres Millán. Teólogo. Coordenador do Kairós Educativo. Colômbia
Olga Vasquez. Teóloga. El Salvador
Evaristo Villar. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha
Juan Yzuel. Associação de Teólogos e Teólogas João XXIII. Espanha