O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

19 de junho de 2009

Enfim Energia Limpa !

Brasil pode ter uma Itaipu dos ventos


A energia tirada dos ventos é tida, para muitos, como a união a fome com a vontade de comer. O Brasil tem, principalmente em seu litoral, uma forte incidência de ventos e há investidores que querem explorar esse potencial. O problema é a falta de um marco regulatório sobre essa atividade. “Do dia para a noite a regulação muda ou cria-se uma regra nova”, ressalta Luis Pescarmona, diretor geral da IMPSA, empresa argentina que atual no setor, e que participou dos debates sobre o tema na Conferência Ethos 2009.
A reportagem é de Glória Vasconcelos e publicada pela Agência Envolverde, 18-06-2009.


A IMPSA já atua em diversas regiões do Brasil e, segundo o seu diretor, tem obtido resultados muito positivos, não apenas nos seus resultados em termos de produção de energia, mas também no que se refere ao nível de desenvolvimento das comunidades em que está presente. “Não é apenas instalar as hélices. Temos visto pessoas que eram cortadores de cana, crescerem e produzerem coisas maravilhosas, com treinamentos e educação”, diz o empresário, explicando que o mercado de energia eólica é visto com bons olhos, pois gera, para cada 1500 MW produzidos, em média 2 mil empregos.
Até recentemente havia outras barreiras para o aproveitamento desse tipo de energia limpa, no Brasil, mas a maior delas, que era a tecnológica, já está superada, conta Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace Brasil. Outra dificuldade é a questão do preço da energia, que atualmente é definido em leilões promovidos pela Aneel.
Comentando o leilão programado para novembro, Pescarmona observa que até o momento as regras ainda não estão claras. Não sabemos o quanto será pago pela energia, que precisa ser um preço justo. “Ninguém vai investir se as regras para competição não forem claras”, ressalta. Na Europa para cada euro investido em estudo e tecnologia o retorno é cinco vezes maior. “Investimento é grande, mas o retorno é enorme” completa Pescarmona.
Hoje a energia eólica movimenta cerca de 50 bilhões por ano no Brasil segundo relatório do Pnuma divulgado recentemente. De acordo com Furtado, do Greenpeace, não há vontade política para regularizar o setor apesar de esse tipo de energia ser vista como uma solução mesmo com as mudanças climáticas.
Hoje o Greenpeace apoia o projeto de lei do deputado Edson Duarte (PV-BA), que incentiva as energias renováveis baseado no mecanismo tarifário feed-in, modelo que garante acesso dos geradores à rede e determina um preço justo e fixo pela venda dessa energia em contratos de longo prazo. E pode ser aprovado ainda este ano no Senado

17 de junho de 2009

“Sujeitos do Novo”

Carlos Signorelli Presidente do CNLB

[Curiosamente até setores da igreja de Roma que sempre se mantiveram à margem de discussãoes sobre mudanças e mudanças de paradigma parece que não podem mais ficar em cima do muro. (J Ricardo)]


Imaginemo-nos numa ponte pênsil, aquela feita de cordas e madeiras, e que une dois pontos separados por um despenhadeiro profundo.
Estamos em conjunto, uma multidão, caminhando de um lugar que conhecíamos e que estamos deixando para trás e rumando para um lugar, do outro lado do precipício, desconhecido para nós.
A ponte balança, as pessoas sentem-se mal, algumas temem por não saber onde vão chegar, como é o lugar, outras choram por se perceberem deslocadas do lugar que conheciam tanto. Por isso algumas param, sentam-se e negam-se a continuar. Outras decidem voltar, mas percebem que quanto mais caminham para o lugar de saída mais este vai se distanciando. Outros ainda, caminham como se nada estivesse acontecendo. Por fim, alguns decidem caminhar firmemente, acreditando que, onde quer que cheguem, ali vão construir a sua vida, a partir de sua utopia de vida.
Esta metáfora da ponte pênsil nos representa, ou seja, representa a todos os homens e mulheres que vivem agora neste Planeta. Estamos no processo de transição de um modelo civilizatório pra outro, ou seja, estamos em processo de mudança de paradigma de civilização.
O Documento de Aparecida chama isso de Mudança de Época, e para afirmar o seu sentido diz que não é apenas uma época de mudanças. Isto significa dizer é que este momento é o momento de transição de um conjunto de regras, costumes, valores, signos, estruturas e instituições sob as quais nascemos e às quais nos acostumamos, para outro, do qual nada sabemos, pois tudo está em processo de construção.
Tudo está em crise: o Estado, a forma de democracia que temos, a sustentabilidade do Planeta Terra, os símbolos todos, também os religiosos e, portanto, todas as religiões e suas instituições, inclusive a nossa Igreja. A educação está em crise, e a família, tão cara a muitos de nós, está em fase rápida de mudanças radicais.
Está se forjando um novo paradigma civilizacional, com um novo conjunto de valores e instituições. Nada está ainda dado de concreto desse novo. Mas sabemos que os valores da prática de Jesus devem estar presentes neste Novo. E estes valores só farão parte do novo se nós os plantarmos lá.
Eis a nossa responsabilidade como cristãos e cristãs: construirmos o Novo, nele plantando os valores que se originam da prática e da palavra de Jesus, e que queremos chamar de cristianismo.

16 de junho de 2009

Pedro Casaldáliga - 'Hoje não tenho mais esses sonhos'

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Circular 2009", de Dom Pedro Casaldáliga,
bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia.
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O cardeal Carlo M. Martini, jesuíta, biblista, arcebispo que foi de Milão e colega meu de Parkinson, é um eclesiástico de diálogo, de acolhida, de renovação a fundo, tanto na Igreja como na Sociedade. Em seu livro de confidências e confissões
"Colóquios noturnos em Jerusalém", declara:

"Antes eu tinha sonhos acerca da Igreja. Sonhava com uma Igreja que percorre seu caminho na pobreza e na humildade, que não depende dos poderes deste mundo; na qual se extirpasse de raiz a desconfiança; que desse espaço às pessoas que pensem com mais amplidão; que desse ânimos, especialmente, àqueles que se sentem pequenos o pecadores. Sonhava com uma Igreja jovem. Hoje não tenho mais esses sonhos".

Esta afirmação categórica de Martini não é, não pode ser, uma declaração de fracasso, de decepção eclesial, de renúncia à utopia. Martini continua sonhando nada menos do que com o Reino, que é a utopia das utopias, um sonho do próprio Deus. Ele e milhões de pessoas na Igreja sonhamos com a "outra Igreja possível", ao serviço do "outro Mundo possível". E o cardeal Martini é uma boa testemunha e um bom guia nesse caminho alternativo; o tem demonstrado.Tanto na Igreja (na Igreja de Jesus que são várias Igrejas) como na Sociedade (que são vários povos, várias culturas, vários processos históricos) hoje mais do que nunca devemos radicalizar na procura da justiça e da paz, da dignidade humana e da igualdade na alteridade, do verdadeiro progresso dentro da ecologia profunda. E, como diz Bobbio, "é preciso instalar a liberdade no coração mesmo da igualdade"; hoje com uma visão e uma ação estritamente mundiais. É a outra globalização, a que reivindicam nossos pensadores, nossos militantes, nossos mártires, nossos famintos...A grande crise econômica atual é uma crise global de Humanidade que não se resolverá com nenhum tipo de capitalismo, porque não é possível um capitalismo humano; o capitalismo continua a ser homicida, ecocida, suicida. Não há modo de servir simultaneamente ao deus dos bancos e ao Deus da Vida, conjugar a prepotência e a usura com a convivência fraterna. A questão axial é: Trata-se de salvar o Sistema ou se trata de salvar à Humanidade? A grandes crises, grandes oportunidades. No idioma chinês a palavra crise se desdobra em dois sentidos: crise como perigo, crise como oportunidade.Na campanha eleitoral dos EUA se arvorou repetidamente "o sonho de Luther King", querendo atualizar esse sonho; e, por ocasião dos 50 anos da convocatória do Vaticano II, tem-se recordado, com saudade, o "Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre". No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio, 40 Padres Conciliares celebraram a Eucaristia nas catacumbas romanas de Domitila, e firmaram o Pacto das Catacumbas. Dom Hélder Câmara, cujo centenário de nascimento estamos celebrando neste ano, era um dos principais animadores do grupo profético. O Pacto em seus 13 pontos insiste na pobreza evangélica da Igreja, sem títulos honoríficos, sem privilégios e sem ostentações mundanas; insiste na colegialidade e na corresponsabilidade da Igreja como Povo de Deus e na abertura ao mundo e na acolhida fraterna.Hoje, nós, na convulsa conjuntura atual, professamos a vigência de muitos sonhos, sociais, políticos, eclesiais, aos quais de jeito nenhum modo podemos renunciar. Seguimos rechaçando o capitalismo neoliberal, o neoimperialismo do dinheiro e das armas, uma economia de mercado e de consumismo que sepulta na pobreza e na fome a uma grande maioria da Humanidade. E seguiremos rechaçando toda discriminação por motivos de gênero, de cultura, de raça. Exigimos a transformação substancial dos organismos mundiais (a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC...). Comprometemo-nos a vivermos uma "ecologia profunda e integral", propiciando uma política agrária-agrícola alternativa à política depredadora do latifúndio, da monocultura, do agrotóxico. Participaremos nas transformações sociais, políticas e econômicas, para uma democracia de "alta intensidade".Como Igreja queremos viver, à luz do Evangelho, a paixão obsessiva de Jesus, o Reino. Queremos ser Igreja da opção pelos pobres, comunidade ecumênica e macroecumênica também. O Deus em quem acreditamos, o Abbá de Jesus, não pode ser de jeito nenhum causa de fundamentalismos, de exclusões, de inclusões absorventes, de orgulho proselitista. Chega de fazermos do nosso Deus o único Deus verdadeiro. "Meu Deus, me deixa ver a Deus? ". Com todo respeito pela opinião do Papa Bento XVI, o diálogo inter-religioso não somente é possível, é necessário. Faremos da corresponsabilidade eclesial a expressão legítima de uma fé adulta. Exigiremos, corrigindo séculos de descriminação, a plena igualdade da mulher na vida e nos ministérios da Igreja. Estimularemos a liberdade e o serviço reconhecido de nossos teólogos e teólogas. A Igreja será uma rede de comunidades orantes, servidoras, proféticas, testemunhas da Boa Nova: uma Boa Nova de vida, de liberdade, de comunhão feliz. Uma Boa Nova de misericórdia, de acolhida, de perdão, de ternura, samaritana à beira de todos os caminhos da Humanidade. Seguiremos fazendo que se viva na prática eclesial a advertência de Jesus: "Não será assim entre vocês" (Mt 21,26). Seja a autoridade serviço. O Vaticano deixará de ser Estado, e o Papa não será mais chefe de Estado. A Cúria terá de ser profundamente reformada, e as Igrejas locais cultivarão a inculturação do Evangelho e a ministerialidade compartilhada. A Igreja se comprometerá, sem medo, sem evasões, com as grandes causas de justiça e da paz, dos direitos humanos e da igualdade reconhecida de todos os povos. Será profecia de anuncio, de denúncia, de consolação. A política vivida por todos os cristãos e cristãs será aquela "expressão mais alta do amor fraterno" (Pio XI).Nós nos negamos a renunciar a estes sonhos mesmo quando possam parecer quimera. "Ainda cantamos, ainda sonhamos". Nós nos atemos à palavra de Jesus: "Fogo vim trazer à Terra; e que mais posso querer senão que arda" (Lc 12,49). Com humildade e coragem, no seguimento de Jesus, tentaremos viver estes sonhos no dia a dia de nossas vidas. Seguirá havendo crises e a Humanidade, com suas religiões e suas Igrejas, seguirá sendo santa e pecadora. Mas não faltarão as campanhas universais de solidariedade, os Foros Sociais, as Vias Campesinas, os movimentos populares, as conquistas dos Sem Terra, os pactos ecológicos, os caminhos alternativos da Nossa América, as Comunidades Eclesiais de Base, os processos de reconciliação entre o Shalom e o Salam, as vitórias indígenas e afro , em todo o caso, mais uma vez e sempre, "eu me atenho ao dito: a Esperança".Cada um e cada uma a quem possa chegar esta circular fraterna, em comunhão de fé religiosa ou de paixão humana, receba um abraço do tamanho destes sonhos. Os velhos ainda temos visões, diz a Bíblia (Jl 3,1). Li nestes dias esta definição: "A velhice é uma espécie de pós-guerra"; não precisamente de claudicação. O Parkinson é apenas um percalço do caminho e seguimos Reino adentro.

9 de junho de 2009

Novos desafios para o planeta

Marcelo Barros*





Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo

Em torno ao dia 05 de junho que a ONU consagra como “dia internacional do meio ambiente”, o mundo inteiro promove uma série de discussões e eventos que durarão toda a semana. De fato, os problemas ambientais se agravam. Hoje, não há quem não se assuste com a freqüência e a intensidade de inundações e secas, assim como, em algumas regiões do mundo, terremotos e furacões ganham fúria nunca vista.

Como disse Leonardo Boff na assembléia geral da ONU: “se a crise econômica é preocupante, a crise da não sustentabilidade da Terra se manifesta, cada dia mais, ameaçadora. Os cientistas que seguem o estado do Planeta, especialmente a Global Foot Print Network , haviam falado do Earth Overshoot Day, isto é, do dia em que se ultrapassarão os limites da Terra. Infelizmente, os dados revelam que, exatamente no dia 23 de setembro de 2008, a Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de reposição dos recursos necessários para as demandas humanas. Neste momento atual, precisamos de mais de uma Terra para atender à nossa subsistência. Como garantir ainda a sustentabilidade da Terra, já que esta é a premissa para resolver as demais crises: a social, a alimentar, a energética e a climática? Agora, não temos uma “arca de Noé” que salve alguns e deixe perecer a todos os demais. Como asseverou recentemente, com muita propriedade, o Secretário Geral desta casa, Ban Ki-Moon: ´não podemos deixar que o urgente comprometa o essencial´. O urgente é resolver o caos econômico, mas o essencial é garantir a vitalidade e a integridade da Terra. É importante superar a crise financeira, mas o imprescindível e essencial é como vamos salvar a Casa Comum e a humanidade que é parte dela. Esta foi a razão pela qual a ONU adotou a resolução sobre o Dia internacional da Mãe Terra (International Mother Earth Day) a ser celebrado no dia 22 de abril de cada ano. Dado o agravamento da situação ambiental da Terra, especialmente o aquecimento global, temos de atuar juntos e rápido. Caso contrário, há o risco de que a Terra possa continuar, mas sem nós” (discurso na ONU – abril de 2009).

Infelizmente, governos e instituições internacionais continuam insistindo no modelo capitalista depredador. Somente o governo americano destinou este ano mais de US$ 4 trilhões a salvar bancos e multinacionais irresponsáveis que perderam dinheiro no cassino financeiro da imprevisibilidade. Este dinheiro do povo, dado aos ricos, “é um valor 40 vezes maior do que os recursos destinados a combater as mudanças climáticas no mundo e a pobreza” (Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009, p. 3). O próprio governo brasileiro advoga que, contra a crise econômica que assola o planeta e também atinge o Brasil, a solução será consumir e comprar, porque isso gera empregos e receitas. As conseqüências ecológicas desta escolha não se colocam. Menos ainda o a questão ética fundamental. Quantos brasileiros podem viver esta febre do consumo? O PNUD do ano passado confirma: 20% das pessoas mais ricas absorvem 82% das riquezas mundiais, enquanto 20% dos mais pobres têm de se contentar apenas com 1, 6% desta riqueza que deveria ser comum. Uma ínfima minoria monopoliza o consumo e controla os processos econômicos que implicam na devastação da natureza e em uma imensa injustiça social.

Ainda nestes dias, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 458 que permite legalizar milhares de posse de terras públicas com até 1500 hectares (15 Km2) na Amazônia Legal. A senadora Marina Silva alerta que esta medida acabará de abrir totalmente as portas para a grilagem na Amazônia, para a destruição da floresta, além de favorecer a concentração de terras já escandalosa.

Ao contrário, em alguns países, como a Alemanha e o Canadá, investimentos públicos incentivam o uso de energia limpa, ao mesmo tempo em que contribuem para a luta contra o desemprego. Entretanto, cada vez mais os analistas e cientistas percebem que todo esforço será inútil se não se superar uma economia capitalista que consiste em acumulação de riquezas e desperdício de recursos, em prol de uma economia que preserve o planeta em vez de esgotá-lo.

Para quem vive uma busca espiritual, o cuidado amoroso com a Mãe Terra, com a água e com todo ser vivo fazem parte do testemunho que Deus é amor, está presente e atuante no universo. Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo. Em 2003, a UNESCO assumiu a “Carta da Terra”, como instrumento educativo e referência ética para o desenvolvimento sustentável. Participaram ativamente de sua concepção humanistas e pensadores do mundo inteiro. É preciso que a ONU assuma este documento que qualquer pessoa pode ler e comentar na internet (basta consultar: “carta da terra”). É o esboço de uma “declaração dos direitos da Terra” e toda a humanidade é chamada a conhecê-la e praticá-la.

* Monge beneditino e autor de 26 livros, dos quais o mais recente é "O Espírito vem pelas Águas". Ed. Rede-Loyola, 2003.

Fonte: www.brasildefato.com.br

5 de junho de 2009

Dia do Meio Ambiente

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Um dia para lembrar de que em todos os nossos dias deveríamos estar em plena atenção contra a destruição do paraíso que nos foi legado.


Crescei e multiplicai-vos disse o senhor Deus no mito da criação, mas será que ele imaginava naquela época que levaríamos tão a sério este mandado e que o faríamos de forma tão irresponsável?

Pois está aí!
Aquecimento global, desestrutura por todos os lados, fenômenos naturais fora de previsãoe controle – a criação ameaçada!

Parece que dar um basta não é mais tão fácil.

Há interesses, e recursos em jogo e marchamos para um trágico final.
De qualquer forma depende de cada um de nós fazer a nossa parte.




CRIE

RECICLE

REAPROVEITE


PLANTE ÁRVORES

NÃO DESPERDICE ENERGIA

NÃO DESTRUA O MEIO AMBIENTE

NÃO JOGUE LIXO FORA DAS LIXEIRAS

DIMINUA A QUANTIDADE DE SACOS PLÁSTICOS

ARENDA A SEPARAR O LIXO ORGÂNICO DO INORGÂNICO

DEVOLVA UM PLANETA MELHOR PARA AS NOVAS GERAÇÕES


21 de maio de 2009

Sobre o Celibato Obrigatório na ICAR

O sexo dos clérigos
Tomás Eloy Martinez
publicado no jornal El País, 20-05-2009

Quase se perdem na memória os tempos em que a Igreja Católica enfrentou desafios tão duros quanto os dos últimos anos. O que acontece não tem a gravidade do cisma litúrgico do bispo Marcel Lefebvre, tampouco o fervor revisionista na interpretação dos Evangelhos que desembocaram na Teologia da Libertação, e sim as violações de uma obrigação que não é matéria de dogma, mas de continua perturbação: o sexo dos clérigos.

Primeiro foram os delitos de pedofilia que, em dezembro de 2002, provocaram a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, de quem se suspeitou de ocultação; 450 demandas milionárias por décadas de abusos contra menores deixaram a arquidiocese à beira da falência.
Agora, mais uma vez, como costuma acontecer, o escândalo surge quando vem à tona algo que se tentava ocultar: a descendência do ex-bispo paraguaio Fernando Lugo, agora presidente do Paraguai. O bispo de Ciudad del Este, no Alto Paraná, Paraguai, Rogelio Livieres, disse que os seus colegas sabiam sobre Lugo faz tempo. “Não sei por que se mascaram os temas da Igreja e não se ventilam. Em nossa época (...) tudo se descobre no final”, afirmou Livieres. E encontrou uma instantânea refutação oficial: "O Conselho Episcopal Permanente lamenta e rejeita as expressões do monsenhor Livieres, que dá a entender que houve encobrimento e cumplicidade dos bispos do Paraguai sobre a conduta moral do então membro do colegiado episcopal, monsenhor Fernando Lugo".
As palavras de Livieres lembram às que o argentino monsenhor Jerónimo Podestá, impulsor do Movimento Latino-americano de Sacerdotes Casados, escreveu, em 1990, ao então presidente do Episcopado Argentino, cardeal Raúl Primatesta: "Vejo com pena que, em geral, vocês tenham uma visão bastante alienada e tímida: não sabem o que pensam e sentem as pessoas no mundo de hoje.

A Igreja é o Povo de Deus e vocês sabem disso, mas no fundo continuam pensando que vocês são a Igreja".

Quando era bispo de Avellaneda na província de Buenos Aires, Argentina, no final dos anos de 1960, Podestá converteu-se em um pesadelo para a ditadura do general Juan Carlos Onganía. Reunia multidões de até 1 milhão de pessoas para cerimônias religiosas que se transformavam em espontâneas manifestações políticas.
Para o regime foi um alívio quando o bispo anunciou, em 1967, a decisão de se casar. Podestá bateu várias vezes na porta do Vaticano sem conseguir que Paulo VI lhe retirasse a suspensão a divinis. Insistia em recordar que, se Jesus optou pelo celibato, não o impôs aos seus apóstolos, entre eles havia casados e solteiros. O ex-bispo de Avellaneda dizia que o celibato é um dom, não um mandato divino, e que nada impede de sentir a vocação sacerdotal ao estar privado dessa graça.

A maioria dos católicos ignora que os sacerdotes e os bispos não tinham proibido o casamento durante os primeiros 10 séculos de vida cristã. Além de São Pedro, outros seis papas eram casados e – o mais chamativo ainda – 11 papas foram filhos de outros papas ou de membros da Igreja. Em 1073, Gregório VII impôs o celibato.
Um dos seus teólogos, Pedro Damián, afirmou que o casamento dos sacerdotes era herético, porque os distraia do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo.
Se a intenção do papa era restaurar a derrocada moral do clero e purificar a igreja com exemplos de castidade, dezenas de historiadores supõem que a decisão de impor o celibato também foi um meio para evitar que os bens dos bispos e dos sacerdotes casados fossem herdados pelos seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja.
Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária?
O que ganha a fé católica com isso?
Teme-se que o prazer distraia da oração, da relação com Deus, mas o desprezo pela mulher nos seminários e a contradição dos impulsos naturais do homem na realidade não fortalecem os vínculos entre a Igreja e o povo de Deus. Ao contrário, o celibato obrigatório costuma desanimar algumas vocações sacerdotais e provoca deserções no clero.
Pensava-se que "a vigente lei do sagrado celibato" devia seguir "unida firmemente o ministério eclesiástico", Paulo VI, atento aos clamores da modernização do Concílio Vaticano II, analisou as objeções em uma encíclica memorável, Sacerdotalis caelibatus, de 1967. Ali se perguntou:
"Não terá chegado o momento de abolir o vínculo que, na Igreja, une o sacerdócio ao celibato?
Não poderia ser facultativa esta difícil observância?
Não sairia favorecido o ministério sacerdotal se fosse facilitada a aproximação ecumênica?"
Por acaso Deus não se preocupou com os deslizes do ex-bispo Lugo, porque a sua glória está além do que estabelecem os seres humanos.
Mas a inflexibilidade da doutrina deixa entre os católicos a pergunta sobre o sentido e as normas criadas pela Igreja há 10 séculos, que não existiam antes e não teriam por que existir para sempre.
Jesus pregou a humildade, o amor a Deus e aos seus semelhantes. Suas lições de vida continuam sendo claras. Às vezes, no afã por interpretá-las, os seres humanos as escurecem.

18 de maio de 2009

Um Canto

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Neste momento dificil,
Quando se fala em aquecimento Global,
gripe suina,
epidemias e pandemias,
degelo polar,
inundações, onde antes havia seca,
seca, onde antes havia fertilidade...
Onde tantas incertezas nos acompanham
no exercício de nossa liberdade,
escolhí a poetiza Cecila.
E se um dia estaremos mudos,
cantemos ao instante, promessa de futuro,
que depende de nossas escolhas:

"Eu canto
porque o instante existe
e a minha vida esta completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
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9 de maio de 2009

Obama sob pressão conservadora e religiosa

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Há pouco mais de um mês, quando o presidente Barack Obama foi convidado pela Universidade Católica de Notre Dame — uma instituição de altos estudos financiada pela Igreja Católica — para fazer o discurso de abertura do curso de graduação (e receber um título de doutor honoris causa), ele não imaginava que sua presença pudesse criar tanta polêmica.
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uma apresentação de Obama sobre questões religiosas
bastante progressista
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Um verdadeiro rolo compressor conservador formado por bispos católicos, religiosos cristãos protestantes e políticos republicanos de orientação religiosa se uniram para bombardear a decisão da universidade, considerada um equívoco diante de um líder que defende o direito ao aborto, à união civil de gays e lésbicas, à pesquisa com células-tronco, entre outros assuntos polêmicos para grupos religiosos.
A reportagem é de Gilberto Scofield Jr. e publicada pelo jornal O Globo, 09-05-2009.O arcebispo Raymond Burke, uma das vozes mais poderosas entre os católicos americanos, afirmou que o convite para o discurso (marcado para o próximo dia 1 7 ) era uma vergonha porque “Obama representa uma agenda antifamília e antivida”. O bispo Thomas Wenski, de Orlando, na Flórida, foi além:
— Quando você homenageia alguém, isso significa uma aprovação de suas posições, que diferem significativamente daquelas da Igreja Católica.Para ex-padre, religiosos estão sendo manipulados O ex-padre Thomas Reese, hoje mestre de Políticas Públicas e Religião do Centro Woodstock da Universidade de Georgetown, acredita que a gritaria dos bispos católicos não está sendo ouvida pelos católicos americanos. Para ele, os religiosos estariam sendo marionetes nas mãos de conservadores republicanos, frustrados com a perda da Casa Branca e do controle do Congresso:
— Os bispos católicos estão sendo manipulados por ativistas republicanos derrotados nas eleições. Há uma clara conspiração conservadora para criar conflitos entre a Igreja Católica e Obama. Mas o fato é que uma pesquisa da Pew Forum mostrou que 48% dos católicos sequer sabem desta polêmica e 50% não veem problemas no fato de ele discursar numa universidade religiosa — contemporizou Reese.

30 de abril de 2009

Luís Fernando Veríssimo - Viver

(Luís Fernando Veríssimo)


Acho a maior graça...
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
"Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.




Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.



E telejornais...

os médicos deveriam proibir - como doem!

Caminhar faz bem,

dançar faz bem,

ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,

faz muito bem;

você exercita o autocontrole eainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.



Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Sonhar é melhor do que nada"

...

28 de abril de 2009

James Lovelock - O Aquecimento Global é irreversível !

James Lovelock


James Lovelock

Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão,

diz cientista




James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível - e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século.Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. "Gostaria de ser mais esperançoso", ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelos brancos e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse - guerra, fome, pestilência e morte - parece deixá-lo animado. "Será uma época sombria", reconhece. "Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante."Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas."Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria", sentencia Lovelock. "O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável." Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes - Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius - quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. "Nosso futuro", Lovelock escreveu, "é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane". E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. "Verde", ele me diz, só meio de piada, "é a cor do mofo e da corrupção."Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia - a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está "vivo". Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é "uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade". Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. "James é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado", diz Branson. E completa: "Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção."

23 de março de 2009

Estranha forma de amar...

(de autor desconhecido)
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...Você diz que ama os pássaros.
mas os prende em uma gaiola...
Você diz que ama as flores.
Mas as corta e coloca em vasos...
Você diz que ama os peixes do mar
e os come...
Quando você diz que me ama,
eu sinto muito medo !!!
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20 de março de 2009

Estudos científicos sobre Glandula Pineal

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Deixando um pouco de lado toda esta sujeirada sobre declarações de bispos vamos a um outro assunto mais interessante.Vale muito a pena assistir e refletir sobre o que este MÉDICO E CIENTISTA da USP apresenta nessa palestra que oferece a respeito de suas investigações sobre a PINEALAvanços científicos que merecem ser conhecidos por quem não parou no tempo e escolhe avançar além dos paradigmas instituidos como aquele que por muito tempo nos fez acreditar que a Terra era redonda e o Sol o centro do UNIVERSO.
http://www.youtube.com/watch?v=IcJw4-Ccbss
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17 de março de 2009

POR UM FRANCISCO ECUMÊNICO

( José Luiz Possato Jr)

Esse é um texto do amigo Zé Luiz que comigo é também facilitador na lista do Yahoo de Teologia e Libertação.É uma dimensão de São Chiquinho que me emociona, tanto pela coerencia com a vida dele e principalmente pela clareza da similaridade da mensagem do Mestre Jesus.
Parabéns Zé.
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Um Francisco ecumênico por excelência.
Não sei por que não percebi isso antes. É de se pensar o quanto o sentimento de posse nos fecha, a nós católicos, em nosso mundinho. Francisco é só dos católicos... Pior: só dos franciscanos. Gente... Francisco, se pertenceu a alguém, foi enamorado do mundo.O estopim dessa “revelação” foi uma peça de teatro que assistimos na Jornada: A História de Francisco e Clara. Era uma peça extremamente católica (em determinado momento, o prefeito beijou o anel do bispo), uma falta de sintonia muito grande com o evento... Mas quero ressaltar o início da apresentação, o momento da minha “intuição”.O show começa com o episódio da conversão de Francisco. Ele encontra um leproso, todo esfarrapado, à margem da estrada. Os amigos caçoam do “poverello”, mas Francisco sente algo diferente. Cria uma identidade com o mendigo. Chega ao ponto de se despir completamente para viver as mesmas condições de tantos miseráveis que ele finalmente consegue enxergar pelo caminho.Pessoas... Querem algo mais ecumênico do que isso??? Francisco não perguntou pela religião do leproso. Francisco não esperava que o leproso se convertesse para poder ajudá-lo. Diante da Cruz de São Damião, não sente vontade de ajudar na Liturgia, ou na Pastoral disso ou daquilo, ou no Ministério “x” ou “y”... Ele sente é vontade de sair correndo, anunciando aos quatro ventos o Amor de Cristo, um amor que arde sem se consumir e que nos impulsiona a amar o próximo, de maneira especial os menos amados, os escanteados e escanteadas da sociedade.Grande Francisco!!! Entendeste a oykoúmene muito melhor do que todos nós. Querem uma casa mais comum do que a Irmã Terra? Nela predadores (entendidos como poderosos políticos, latifundiários, grandes empresários, ou como leões mesmo, serpentes, lobos etc.) não perguntam pela fé de suas vítimas. Por outro lado, felizmente, o sol também não faz acepção de pessoas (Gl 2,6), nem de coisas, brilhando sobre tudo com a mesma intensidade.Pai Francisco, que adotaste até mesmo a Morte por Irmã! Ensina quem tem mais a partilhar com os poverelli! Ensina quem tem menos a denunciar os sistemas que, como teu próprio pai, só aceitam quem se enquadra em sua vã filosofia! Ensina a este pobre escritor, longe de tua humildade e de tua pequenez (que te fez um dos maiores no Reinado do Abba, Pai!), o teu amor incondicional, o perdão que transforma, o desprendimento que liberta...Ensina, por fim, que a Ecologia não é suficiente para desfazer nossa ruptura com o cosmo. Mais do que isso, precisamos urgente de uma ECOFILIA (amor à casa, à grande casa que é a Mãe Terra). Tu, ecófilo por excelência, faça ressoar em todos os cantos do Universo teu Hino ao Amor. Amém!!!
Paz & Bem!!!
José Luiz Possato Jr.
São Leopoldo-RS
jrpossato@hotmail.com
BLOG: http://osperegrinos.blogspot.com/

7 de fevereiro de 2009

alguns videos sobre o "DOM"

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Ainda em clima de comemoração pelo centenário ai vão endereços de videos sobre o DOM no you tube:

Dom Helder Camara

parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=tWGG9H7bJfM&feature=related
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=nmqJNlk5w6Y&feature=related
parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=7TrXcW1N3oU&feature=related
100 anos do DOM pela Globo
http://www.youtube.com/watch?v=rDqgIJ9iHWg&feature=related
A Ditadira e o DOM
http://www.youtube.com/watch?v=dYVRZO2NZJI&feature=related
Mariama
http://www.youtube.com/watch?v=6-y0xKqAHTw&feature=related

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3 de dezembro de 2008

Uma Parábola dos novos tempos - A Reunião de Satanás

(autor desconhecido)

A Reunião de Satanás
Satanás convocou uma Convenção Mundial dos demônios.

Em seu discurso de abertura, ele disse:
"Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja"
"Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a verdade"

"Nem mesmo podemos impedi-los de formar um relacionamento íntimo com o seu Salvador".
E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado.
"Então vamos deixá-los ir para suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas organizam, vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo".
"O que quero que vocês façam é o seguinte", disse o diabo:
"Distraia-os a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Salvador"

Como vamos fazer isto? Gritaram os seus demônios.
Respondeu-lhes:
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes"
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado"
"Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 à 7 dias por semana, durante 10 à 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
"Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com os filhos" "À medida que suas famílias forem se fragmentando, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho".
"Estimulem suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranqüila que orienta seus espíritos".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais".
"Bombardeiem as suas mentes com noticias, 24 horas por dia"."Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão mal satisfeitos com suas próprias esposas".
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus.
Ao invés disso, mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos e ao cinema.
Mantenha-os sempre ocupados, ocupados."
Estimulem a COMPETIÇÃO: campeonatos, Olimpíadas. Façam com que procurem o tempo todo superarem-se uns aos outros. Estimulem a competição para que queberem sempre seus pórpios recordes, levem-nos até a exaustão e convençam a todos que isso é saudável e importante para o desenvolvimento de suas crianças.
"Quando se reunirem para encontros, ou uma reuniões espirituais, envolva-os em mexericos, fofocas, maledicências e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências bem pesadas e com a desagradavel sensação de que aquele lugar e aquelas pessoas não lhes fazem bem".
"Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas que não tenham nenhum tempo para coisas como silêncio, oração e contato com a voz de Deus em seu interior".
Muito em breve, eles estarão buscando em suas próprias forças, as soluções para seus problemas e causas que defendem, sacrificando sua saúde e suas famílias pelo bem da causa."
"Isto vai funcionar!! Vai funcionar !!
" Os demônios ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados, e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias. Não tendo nenhum tempo para contar à outros sobre o poder de Deus para transformar vidas.

Creio que a pergunta é:
Teve o diabo sucesso nas suas maquinações?

29 de novembro de 2008

“Autobiografia em Cinco Capítulos”

(Poema de Nyoshul Khenpo )

"capítulo I
Ando pela rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Eu caio.
Estou perdido...sem esperança.
Não é culpa minha.
Levo uma eternidade para encontrar a saída.
Capítulo II
Ando pela rua .
Há um buraco fundo na calçada,
mas, finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.
capítulo III
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Vejo que ele alí está
Ainda assim caio...é um hábito.
Meus olhos se abrem.
Sei onde estou.
A responsabilidade é toda minha!
Saio imediatamente.
Capítulo IV
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada.
Dou a volta.
Capítulo V
Ando por outra rua.”
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8 de outubro de 2008

As estranhas acusações de Clodovis Boff

As estranhas acusações de Clodovis Boff

José Comblin
Como vários amigos, fiquei estupefato quando li as acusações feitas por Clodovis Boff à teologia que ele chama de teologia de libertação. Não existe nenhuma instituição chamada teologia da libertação de tal modo que muitos podem perguntar-se se são da teologia da libertação ou não. A acusação feita à chamada teologia da libertação é totalmente indefinida.
Clodovis não cita nomes e não dá nenhuma referência, nenhuma a obras de alguns autores que seriam incriminados. Não cita as páginas em que estão os erros. A acusação é a seguinte: a teologia da libertação substituiu Cristo pelo pobre. O pobre ocupa o lugar de Cristo do cristianismo. Essa substituição é tão forte que os teólogos da libertação substituíram a cristologia por uma pobrelogia.
Essa acusação é espantosa. Suprimir o lugar central de Cristo é deixar de ser cristão. Na palavra de Clodovis os teólogos da libertação – cujo nome não aparece – já não são cristãos. Já estão fora da Igreja. Os sacramentos que celebram ou recebem são sacrilégios. Clodovis é muito mais severo do que a Sagrada Congregação para a Defesa da Fé, porque condena muitos de uma vez.
Além disso, os teólogos da libertação ficam totalmente desacreditados no povo de Deus. Deveriam ser evitados porque poderiam contaminar almas inocentes.
Não existe lista oficial dos teólogos da libertação. Mas há alguns nomes que eventualmente poderiam entrar numa lista não oficial, e sujeita à revisão se alguns não aceitam essa identificação.
Quero dar testemunho de que os teólogos da seguinte lista, que conheci ou conheço pessoalmente crêem no lugar central de Cristo no cristianismo e não defendem a pobrelogia. Quero defender publicamente Gustavo Guitiérrez, Juan Luis Segundo, Ronaldo Muñoz, João Batista Libânio, Luiz Carlos Susin, Cleto Caliman, Leonardo Boff, Carlos Palácio, F. Taborda, Agenor Brighenti, Jon Sobrino, I. Ellacuría, Pedro Trigo, Luis del Valle, Carlos Bravo, Miguel Concha, Virgilio Elizondo, Hugo Echegaray, Víctor Codina, Alberto Parra, Roberto Oliveros, José Luis Caravias, Pablo Richard, Paulo Suess, Diego Irrarázaval, Marcelo Barros, Juan Hernándes Pico. Estes teólogos acreditam no lugar central de Cristo e não substituem Cristo pelos pobres.  Todos querem destacar o lugar que ocupam os pobres na revelação cristã, mas ninguém os coloca no lugar de Cristo. Mas todos são suspeitos. Não quero citar nomes de teólogas para que não sejam expostas à suspeita, mas nenhuma se aproxima nem de longe da tese da pobrelogia. Aliás, elas se identificariam mais com a teologia feminina do que com a teologia da libertação.
Eu mesmo não sei se posso estar na lista e me pergunto se eu também não coloco os pobres no lugar de Cristo e já não seria mais cristão. No entanto, muitas pessoas me consideram como cristão. Eu estaria enganando-as? Como sair da dúvida?
Há com certeza teólogos que não conheço pessoalmente. Os culpados estariam entre eles? De qualquer maneira, já que a acusação é geral, ela atinge todos os nomes citados.
Achei muita petulância, para não dizer inconsciente arrogância, essa maneira de acusar todos os colegas teólogos latino-americanos, como se ele fosse o dono da verdade.
Se encontrou em alguns escritos algumas expressões que não entendeu bem, ou suscitam dúvidas  que se lembre do princípio de caridade: quando não entendo bem uma expressão, preciso dar ao autor o benefício da interpretação mais favorável, até que argumentos convincentes venham demonstrar o contrário.
O autor poderia dizer que escreveu dentro de um gênero literário, o gênero de requisitório, o que explicaria e justificaria as suas expressões inflamadas. Usou um linguajar de procurador. Não se deveria tomar tão literalmente as acusações que são, antes de mais nada, exercícios de eloqüência.
Sucede que há leitores que vão tomar literalmente as acusações. Podem inclusive abrir processos. Estas denúncias lembram um fato histórico que poderia ser um precedente.  Lembro-me do padre Roger Vekemans, que, para minha confusão, era do país em que nasci. Depois de Medellín, Vekemans declarou a guerra a Gustavo Gutierrez e lhe prometeu que iria destruí-lo. Deixou o Chile, foi para Colômbia e fundou um centro DESA, dedicado exclusivamente a atacar e denunciar a teologia da libertação. Vekemans lançou o tema da teologia da libertação como fachada que esconde o marxismo na Igreja. Segundo ele, a teologia da libertação era a penetração  do marxismo na Igreja. Era uma corrupção total do cristianismo.
Vekemans fundou uma revista para repetir indefinidamente as mesmas denúncias. Há uma frase famosa de Voltaire em que diz que repetindo sempre a mesma mentira, sempre produz um efeito. Foi o que fez Vekemans. Teve bastante êxito. Forneceu a Alfonso Lopez Trujillo toda a documentação para atacar os teólogos da libertação. Este foi mais alto. A Instrução do cardeal Ratzinger sobre a teologia da libertação repete todos os argumentos de Vekemans.
É verdade que o Papa João Paulo II proclamou que a teologia da libertação  estava morta. Mas de repente agora em Roma podem descobrir que ainda não estava totalmente morta e precisa de um golpe final.
A nova heresia já recebeu um nome: pobrologia. Dar um nome é muito perigoso porque as pessoas se contentam como repetir o nome, o que as dispensa de ler as obras. O nome inclusive não é muito adequado literariamente. Mistura o português com o grego. Todas as palavras que terminam em -logia, começam com uma palavra grega: teologia, cristologia, pneumatologia antropologia, cardiologia, oftalmologia, ecologia, psicologia, oncologia, dermatologia, etc. Aqui devia ser “ptochologia” já que em grego pobre se diz “”ptochos”.
Clodovis multiplica os argumentos para mostrar que Jesus está no centro do cristianismo. Ninguém vai discordar. É como ensinar o catecismo ao senhor vigário.. Mas essa repetição dos argumentos parece insinuar que os teólogos da libertação são muito ignorantes da cristologia. Então muitos leitores vão pensar que esses teólogos são mesmo muito ignorantes. O que se consegue com isso?

Quem vai sofrer com essas controvérsias, são os pobres. Os teólogos têm comida garantida, casa garantida. Se são condenados, não vão sofrer muito. Quem vai sofrer serão os pobres na medida em que a Igreja se desinteressa deles por medo de cair numa heresia. Sempre ouvi Gustavo Gutiérrez dizendo que a teologia da libertação pode morrer e não importa.  O que importa, são os pobres. Para um cristão a teologia é algo completamente secundário e dispensável. Mas os pobres não são dispensáveis. Não se pode ser cristão sem acolher a mensagem que vem dos pobres.
Alguns podem ficar exasperados pela preocupação constante pelos pobres. Lembro-me de uma frase que ficou famosa e que foi pronunciada por um alto dignitário eclesiástico. Dom Leonidas Proaño foi bispo de Riobamba no Equador durante 30 anos. Na sua diocese os índios constituem 80º% da população. Quando chegou na diocese, descobriu o estado de horrível miséria dos índios tratados como animais. Dedicou a sua vida à libertação dos índios, a libertação cristã. Viveu pobre, visitou constantemente os miseráveis  povoados da montanha onde moram os índios. A sua casa estava sempre aberta para os índios que vinham à cidade para vender as poucas coisas que podiam vender. A primeira coisa que fez dom Leônidas foi organizar uma casa de acolhida na cidade para que os índios pudessem tomar banho. Pois nas suas montanhas falta água. A segunda coisa que fez, foi a reforma agrária em duas fazendas da diocese em que descobriu os instrumentos de tortura que se usavam para forçar os índios a trabalhar.
Foram 30 anos de luta. Basta ver os índios hoje em dia para ver que o seu trabalho não foi em vão. Há alguns meses atrás o presidente da república foi a Riobamba para proclamar Proaño patrimônio da pátria. A assembléia constituinte decidiu que seria obrigatório em todas as escolas do país ensinar a vida e os ensinamentos de Proaño. Um dia um jornalista perguntou a essa alta personalidade eclesiástica o que pensava de dom Leônidas Proaño. A personalidade respondeu “É um homem muito bom. Mas ele tem a mania dos índios!”
Então poderíamos também dizer de alguns teólogos: “É um homem bom, mas ele tem a mania dos pobres!”.
Compreendi melhor a centralidade dos pobres no cristianismo num episódio da minha vida. Foi no Equador também. Foi em 1976, quando 17 bispos foram presos em Riobamba . Havia também umas 40 pessoas, padres, religiosas, leigos e leigas. Entre estes estava Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz. Eu estava no meio. Fomos todos levados por soldados armados de metralhetas até um quartel de Quito e deixados numa sala, sem explicação. No meio da noite, alguns bispos acharam que seria muito bom celebrar a eucaristia. Mas como achar pão e vinho? Uma senhora equatoriana foi falar com os soldados e conseguiu convencê-los que trouxessem algo de pão e de vinho.
Celebraram a eucaristia. Ora, nesse mesmo dia, um dos bispos, dom Parra León, bispo de Cumaná na Venezuela, celebrava os seus 50 anos de sacerdócio. Estava tão emocionado que chorava. Então ele disse: “Faz 50 anos que celebro a eucaristia todos os dias sem perder nenhum dia. Mas só agora estou entendendo!”.
Pode-se celebrar a eucaristia pensando em tudo o que ensinam os teólogos e os liturgistas. Pode-se celebrar com muita piedade e devoção, com muitos sentimentos de amor, mas sem entender. Não se entende a eucaristia e de modo geral não se entende Jesus Cristo a partir da piedade, dos sentimentos religiosos, ou a partir dos conhecimentos teológicos. Tudo isso é secundário e não permite penetrar na realidade. Quando o bispo estava preso ( uma prisão ainda bem suave), estava  numa situação  de impotência, era pobre. Então entendeu.
Clodovis quer salientar que o fundo da teologia é professar: “Cristo é o Senhor”. Acho que todos os teólogos sabem disso e ninguém vai discutir.  Mas o problema é outro. O problema é “quem diz “Cristo é Senhor”? Onde? Quando?
O general Videla dizia “Cristo é Senhor”. O general Pinochet dizia “Cristo é Senhor” Era fé? Ou era blasfêmia? A elite latino-americana que oprimiu os povos durante 500 anos sempre proclamou: “Cristo é Senhor”. Era ato de fé? Ainda é ato de fé? Este é o nosso problema. Os teólogos latino-americanos afirmaram: quem pode dizer “Cristo é Senhor” com sinceridade, como expressão de toda a sua vida, são os pobres. Daí o lugar central dos pobres, que não afeta em nada o lugar central de Cristo, pelo contrário, o confirma.
Os poderosos proclamam “Cristo é Senhor”, mas a sua vida diz: “Senhor, sou eu!” O grito de Paulo “Cristo é Senhor” é um protesto contra todos os “Senhores”, uma denúncia da opressão, um desafio lançado contra os que se acham os Senhores. É uma negação de todos os poderes opressores. Há somente um Senhor!
O papel da teologia não consiste em buscar quais são as palavras que expressam a fé, mas o que é a fé realmente vivida.
Pois, não se entende Jesus a partir da teologia, seja ela de libertação ou de prosperidade. A questão não é saber o que significam as palavras atribuídas a Jesus nas celebrações ou na teologia. Não se trata de entender as palavras escritas na Bíblia para entender a realidade. Jesus aparece no seu verdadeiro sentido, como realidade, a partir de uma situação na qual o cristão se assimila a ele. Vivendo o que ele viveu, se pode entender. Somente os pobres dizem de modo autêntico “Cristo é Senhor!” Todos os outros podem dizer as palavras corretas que no seu caso, somente expressam figuração, imaginação, sensibilidade, até comédia. A piedade pode enganar muito, criando a ilusão de fé quando se trata de uma fantasia mental, ou de uma fórmula administrativa de um bom funcionário que é pago para dizer essas coisas.
Quem não é pobre, pode aprender dos pobres, com a condição de ser muito humilde. Jesus viveu a impotência, a fragilidade dos pobres. Para entendê-lo é preciso entrar na mesma condição.
Jesus Cristo é o centro do Reino de Deus, o centro de toda a história da salvação, o centro de cada vida de discípulo. Mas não se trata do nome “Jesus Cristo”, mas da realidade. Ora, essa realidade de Cristo somente se manifesta a quem vive nele, com ele, fazendo a mesma experiência humana. Por isso há uma centralidade da pobreza como acesso à centralidade de Jesus Cristo.
Isto não é novidade. Em todas as fases da história da Igreja houve cristãos que entenderam bem isso. Na América latina, depois de séculos de dependência e de passividade colonial com os olhos fechados sobre a condição  dos índios ou dos negros, houve um despertar. Os olhos abriram-se. Bispos, sacerdotes, religiosas, religiosos, leigos e leigas, converteram-se quando descobriram a realidade da humanidade e o vazio da sua religião.
Por isso houve a Conferência de Medellín que foi como o descobrimento de Jesus Cristo na sua realidade, na sua presença. Era preciso descobrir os pobres para descobrir Jesus Cristo. A Conferência de Medellín foi preparada pelo Pacto das Catacumbas. No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio, 40 bispos do mundo inteiro reuniram-se na catacumba de Santa Domitila em Roma e assinaram o Pacto das Catacumbas. Cada um se comprometia a viver pobre, a rejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobres no centro do seu ministério pastoral. Não era comédia, porque já estavam agindo assim. Nesses quarenta havia um número importante de brasileiros e latino-americanos e , mais tarde, outros subscreveram também.
Alguns acham que a opção pelos pobres é expressão de caridade para com os pobres. Acham que significa amor aos pobres É isso também, mas é secundário. A grande questão é o conhecimento de Jesus Cristo. O que é conhecer Jesus? Onde e como se conhece Jesus Cristo? A centralidade dos pobres vem do fato que os pobres entenderem o que é Jesus Cristo. Não se quer dizer que todos os pobres fazem essa experiência, mas que o conhecimento se faz dentro dessa condição. Nós podemos aprender deles. Nada vamos aprender nocionalmente, mas vivencialmente.
A centralidade dos pobres não compromete em nada a centralidade de Cristo.  Pelo contrário, permite que se entenda melhor.
Um sacerdote pode ser um bom funcionário do culto, que celebra com muita piedade, sempre bem comportado, um desses padres que nunca dão problema ao bispo. Mas não entende nada. Provavelmente nunca teve oportunidade de aprender. A culpa não é dele.
Por outro lado, nos evangelhos Jesus identifica-se com os pobres. O que se dá aos pobres, é dado a ele. A sabedoria popular transmitiu fielmente esse ensinamento. Encontrar um pobre no caminho é encontrar Jesus  Cristo. O problema aparece nas grandes cidades. A gente encontra tantos pobres que é impossível evocar Jesus Cristo cada vez. Somente alguns podem fazer isso.

Por outro lado, muita gente tem dificuldade em aceitar que a consideração dos pobres muda toda a cristologia, como muda a pneumatologia, a eclesiologia e as representações usadas para falar de Deus. Muda toda a teologia tradicional, pelo menos no Ocidente. Isto não pode surpreender. A cristologia tradicional concentrou-se em torno dos dogmas dos 4 primeiros Concílios, e da teoria anselmiana da redenção. Isto quer dizer que era muito parcial, muito particular, centrada em poucas questões. Historicamente, novas questões aparecem que obrigam a situar tudo de uma nova maneira. Novas leituras da Bíblia fazem com que apareçam novas perspectivas.
É significativo que os bispos da geração de Medellín, os padres que os seguiram, tiveram que passar por uma conversão. De repente, descobriram que a teologia que tinham aprendido no seminário escondia uma parte da realidade e que fatos evidentes obrigaram a descobrir, por exemplo, o que a Bíblia diz dos pobres.
Um obstáculo é o preconceito de que Jesus anuncia uma boa nova para todos. Ora ele anuncia uma notícia péssima para os ricos que vão perder tudo, para os sacerdotes que vão perder o templo e desaparecer, para os doutores cuja ciência se torna irrelevante, para os fariseus cuja santidade fica desmascarada para Herodes.
A boa noticia é para os pobres, os desarmados, os perseguidos. Mas sucede que muitos cristãos fazem questão de apagar as diferenças e lêem o evangelho como se se dirigisse a todos igualmente, como se Jesus falasse para os homens em geral, sem nenhuma referência à sua situação, assim como fazem os filósofos gregos. O próprio documento de Aparecida apresenta o evangelho como boa noticias válida para todos, sem nenhuma diferença. De fato, para quem estudou somente a teologia tradicional, não há problema. Para eles o evangelho é o mesmo para todos, embora os textos bíblicos e inúmeros documentos da Tradição manifestem a cada página que não é verdade. A teologia podia esconder o evangelho. Desconfio que ela não era completamente inocente, mas que tinha alguns motivos menos religiosos para silenciar certos aspetos dos evangelhos.
Um dia um camponês do sertão pernambucano disse-me: “Eu sou alfabeto, mas quando ouço o vigário explicar o evangelho, acho que ele não lê tudo, porque o que lê, sempre dá razão a ele”.  Esse camponês era muito inteligente. Pois o vigário escolhe sempre o que é favorável a ele.
Claro está que Clodovis sabe tudo isso. Mas muitos leitores não sabem e podem ficar confirmados nos seus preconceitos. Continuarão achando que os pobres não têm nada a ver com a doutrina cristã, em particular com a cristologia. Pensarão como sempre que os pobres são objeto da caridade dos cristãos e os cristãos devem reconhecer esse dever de caridade. Como dizia um dia o cardeal Daniélou: “os pobres têm lugar num parágrafo de um artigo de um capítulo do tratado sobre a caridade”. Os pobres seriam objeto da compaixão dos cristãos porque sofrem muito.
Se essa fosse a opção preferencial pelos pobres, esta seria totalmente inofensiva e irrelevante.
Os pobres não tomam o lugar de Cristo, mas eles têm um lugar especial, fundamental, central em Cristo.Que a teologia da libertação morra ou não, não importa. Mas depois de Medellín a teologia não poderá continuar sendo o que era.

José Comblin

Teólogo

6 de outubro de 2008

Leonardo Boff critica recuo de Clodovis Boff


"Dizendo diretamente: o texto de Clodovis causa perplexidade e perturbação. A coisa não pode ser assim como ele a expõe e critica. Seguramente a maioria dos teólogos da libertação que conheço não se sentiriam ai representados. Ademais, o autor assume uma postura magisterial que caberia melhor às autoridades doutrinárias que a um teólogo, frater inter fratres". O comentário é de Leonardo Boff, teólogo, referindo-se ao artigo de Clodovis Boff, também teólogo, publicado na Revista Eclesiástica Brasileira vol. 67, n. 268, de setembro de 2007 Uma síntese foi publicada nas Notícias do Dia, 04-05-2008


trechos no artigo de Leonardo Boff:

"Nos últimos tempos se notou um certo recuo em sua atividade e reflexão, por razões que só a ele cabe dar. O texto que analisaremos (...) dedicado a análises da V Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em Aparecida, revela traços claros deste recuo".

"A minha suspeita é de que as criticas suscitadas por Clodovis Boff à Teologia da Libertação forneçam às autoridades eclesiásticas locais e romanas as armas para condená-la novamente e, quem sabe, bani-la definitivamente do espaço eclesial. Como as criticas devastadoras provém de dentro, de um de seus mais reconhecidos formuladores, elas podem prestar-se a tal intento infeliz. A impressão que sua argumentação provoca é de alguém que se despediu e já emigrou da Teologia da Libertação, daquela 'realmente existente' que, na verdade, é a única que existe e se pratica nas Igrejas. Esta teologia é atacada em seu núcleo definidor porque cometeu, segundo ele, um 'erro de princípio, grave para não dizer fatal...falha 'mortal' que, levada a termo, termina pela morte da Teologia da Libertação' (REB 1004 e 1006). Esse erro fatal – pasmem - é de ela ter colocado o pobre como 'primeiro princípio operativo da teologia', ou de ter substituído Deus ou Cristo pelo pobre (REB 1004). Afirma ainda que 'do erro de princípio só podem provir efeitos funestos'. Acena para a contaminação em curso de toda 'pastoral da libertação' nomeadamente 'as pastorais sociais'. Por causa deste erro fatal, se instrumentalizou a fé, fé-la cair no utilitarismo e no funcionalismo, ocasionou seu enredamento com a modernidade antropologizante e secularista, pondo em risco a identidade cristã 'no plano teológico, eclesial e da própria fé' (REB 1007). Tais acusações são de grande monta e nos lembram os textos acusatórios de figadais inimigos da Teologia da Libertação dos anos 80 do século XX. E pour cause!"

"Podemos imaginar que os que condenaram a Jon Sobrino (Clodovis aprova a Notificação romana), a Gustavo Gutiérrez, a Ivone Gebara, a Marcelo Barros, a José Maria Vigil, a Juan José Tamayo, a Castillo, a Dupuis e a Küng entre outros, se acercarão de Clodovis e lhe dirão satisfeitos e com o peito inflado de fervor doutrinário: 'Bravo, irmão. Enfim alguém que teve a coragem de desmascarar os equívocos e os graves e fatais erros da Teologia da Libertação'".

"Por isso, julgo que esta posição de Clodovis tem que ser refutada com argumentos bem fundados, por ser equivocada, teologicamente errônea e pastoralmente danosa. Não apenas por interesses da pastoral e de política eclesiástica mas por razões internas da teologia. Na minha avaliação, suas insuficiências teóricas e teológicas são tantas que invalidam o peso de seus argumentos".

"Há três ausências que tiram sustentabilidade à sua reflexão: a ausência de uma adequada teologia da encarnação; a ausência do sentido singular de pobre dado pela Teologia da Libertação; e a ausência de uma teologia do Espírito Santo..."



29 de junho de 2008

Sonho

(José Ricardo A. de Oliveira)
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Busco na noite escura o caminho
Sonho, no horizonte a Luz...
Corro para abraçar o tempo,
Onde crianças não estendam a mão.
Lanço-me na luminosidade aparente
Sigo, caminhar inseguro...
Vejo a encruzilhada do tempo:
Noite ou dia ?
Contemplo a nova aurora radiante.
Sinto a liberdade longe mas possível.
Creio viver um mundo novo,
Pleno de Paz, luz e amor.
Lá onde as amarras foram arrancadas,
Onde mãos se estendem para dar
Onde não é preciso pedir,
Mendigar,Implorar,Migalhas de amor.
Desperto!Sacudo a cabeça,
O sonho se esvai...
Com ele, a fraternidade inquietante.
Contemplo,
De frente para o tempo:
Quanto ainda falta caminhar?
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23 de junho de 2008

Thomas Merton - Reflexões

( Thomas Merton)
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“Vivemos à beira do desastre porque não sabemos como deixar a vida acontecer.Não respeitamos as contradições e paradoxos vivos e fecundos de que a verdadeira vida está cheia.Nós os destruímos, ou tentamos destruí-los, com nossas sistematizações obsessivas e absurdas.Quer o façamos em nome da matéria ou em nome do espírito, faz pouca diferença no final.Existem ateus que lutam contra Deus e ateus que afirmam acreditar Nele: o que ambos têm em comum é o ódio à vida, o medo da imprevisibilidade, o horror à graça e a recusa de todo dom espiritual.”
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21 de junho de 2008

Castañeda - A Importancia pessoal

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"De todos os presentes que recebemos, a importância pessoal é o mais cruel. Converte uma criatura mágica e cheia de vida em um pobre diabo arrogante e sem graça".


"Por causa de nossa importância, nós estamos cheios até as bordas de rancores, invejas e frustrações. Nós nos deixamos guiar pelos sentimentos de indulgência e fugimos da tarefa de nos conhecer a nós mesmos com pretextos como: 'me dá preguiça' ou 'que cansaço!'. Por trás de tudo isso há uma ansiedade que tentamos silenciar com um diálogo interno cada vez mais denso e menos natural".
(Don Juan Matus,xamã indígena, mestre de Castañeda)
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17 de junho de 2008

Dia Mundial da Invocação


Quarta-feira, 18 de junho de 2008 Vigília de 24 horas
Entoação da Grande Invocação a cada 15 minutos.




Todos os anos,
desde 1952, as pessoas de todo o mundo
celebram o Dia Mundial da Invocação
no dia da Lua Cheia de Gêmeos.
É um dia global de oração e meditação, em que pessoas de diferentes caminhos espirituais
se unem em um apelo universal à Divindade,
entoando a Grande Invocação.
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A GRANDE INVOCAÇÃO

Desde o ponto de Luz na Mente de Deus,
Que aflua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça à Terra.
Desde o ponto de Amor no Coração de Deus,
Que aflua amor aos corações dos homens.
Que o Cristo retorne à Terra.
Desde o centro onde a Vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens -
O propósito que os Mestres conhecem e servem.
Desde o centro a que chamamos raça dos homens,
Que se cumpra o Plano de Amor e Luz,
E que se sele a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor e o Poder
restabeleçam o Plano na Terra
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Este ano você está novamente convidado
a se unir aos colaboradores de todas as Américas
em uma Vigília de 24 horas pelo Dia Mundial da Invocação.
ENTOAR A GRANDE INVOCAÇÃO A CADA 15 MINUTOS
Escolha os horários da sua participação e registre-a em:
http://www.intuition-in-service.org/IISvigilTIMER.html

Ou, simplesmente, participe sem se registrar.
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2 de junho de 2008

A TERNURA DO CRISTO E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO.

(Rohane de Lima)



Hoje trago o texto de minha amiga Rohane da comunidade "Teologia da Libertação"do Orkut:


http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=258351



A TERNURA E OS EVANGELHOS
Nenhuma outra parte da Bíblia é tão carregada de ternura quanto o Novo Testamento.

Nos Evangelhos Jesus nos dá a Boa Nova, nos ensina a deixar de lado o “olho por olho, dente por dente”, desvia nosso olhar de um Deus iracundo e furioso e nos convida a olhar para um Deus que perdoa, apazigua, acolhe, ama e dá a outra face. O tempo todo Jesus nos ensina a curar, a viver e a morrer pelo outro, a orar, a confiar em Deus e não a temê-Lo. Jesus nos ensina a partilha do alimento e da confiança, nos ensina que julgar o outro não é função nossa e que em vez de julgar, devemos acolher com misericórdia.Segundo o psiquiatra colombiano Luiz Carlos Restrepo (in o Direito a Ternura, 1988) no original grego do Novo Testamento, ao referir-se a dimensão milagrosa de Cristo, os Evangelistas utilizam a palavra splacnisomai, que corresponde a conjugação de um verbo desaparecido no século II a III de nossa era e que poderíamos traduzir como “sentir nas vísceras”. Para os que estiveram perto do Jesus histórico, um dos sinais de sua grandeza era a capacidade de aproximar-se dos enfermos – tanto do corpo quanto da alma – sentindo-os com suas próprias vísceras. A tradução latina de splacnisomai é misericórdia; foi essa tradução que se integrou a tradição pastoral e litúrgica e aí a bagagem vivencial para tornar-se simples formalismo. A expressão “Senhor, tem misericórdia de mim” deve ser entendida pelo cristão como rogar a Deus que Ele nos sinta como suas vísceras. Sentir alguém nas vísceras é trazê-lo pra debaixo da própria pele e sentir sua dor como se fosse a nossa própria carne, é deixar de ver a dor do outro como diferente da minha. (Mateus 7, 22; Lucas 6, 31).Ao sermos Misericordiosos demonstramos uma disposição de alma, de ser semelhante a Cristo na relação com amigos, inimigos, desprezados, e pecadores. É uma manifestação da conduta. O misericordioso usa de bondade ao olhar para os outros; procura o melhor, não o pior; é lento para condenar, rápido para recomendar.Por que referir a ternura e não ao amor? Porque amor, quando não sentido entre casais, pais e filhos, amigos e irmãos, fica difícil de ser compreendido e é muitas vezes confundido com paixão; porque o amor tem no outro extremo, o ódio. Amamos do outro, o que ele tem de igual a nós, ou amamos uma imagem que projetamos do outro, onde sonhamos encontrar o que não possuímos. O amor é ainda um aprendizado difícil para a maioria de nós.A ternura é o meio do aprendizado entre o amor e o ódio – sentimentos humanos e cotidianos em nossas relações. A ternura é o caminho que percorremos quando nos descobrimos frágeis e falíveis. É pela ternura que, quando nos deparamos na fronteira do ódio, quando nossa impaciência está a ponto de tornar-se intolerância e violência, conseguimos olhar as diferenças como algo que nos enriquece mesmo nos aborrecendo e não correspondendo as nossas expectativas e que a singularidade do outro nos oferece oportunidade de crescimento e de evolução.É através do enternecimento que abrimos o coração e a mente para acolher o próximo mesmo quando desconhecido; é através a ternura que nos abrimos para o gesto amoroso que protege e confere paz. Com a ternura se alcança a contenção sem a dominação e sem a intolerância. Com a ternura somos misericordiosos com os “defeitos” (leia-se diferença) nos outros, até porque muitas vezes esses mesmo defeitos estão em nós (nas nossas vísceras!).Ainda em Restrepo (1988), podemos ler que "Somos ternos quando abandonamos a arrogância de uma lógica universal e nos sentimos afetados pelo contexto, pelos outros, pela variedade de espécies que nos cercam. Somos ternos quando nos abrimos a linguagem da sensibilidade, captando em nossas vísceras o prazer ou a dor do outro. Somos ternos quando reconhecemos nossos limites e entendemos que a força nasce de compartilhar com os outros o alimento afetivo. Somos ternos quando fomentamos o crescimento da diferença, sem tentar nivelar aquilo que nos contrasta. Somos ternos quando abandonamos a lógica da guerra, protegendo os nichos afetivos e vitais para que não sejam contaminados pelas exigências de funcionalidade e produtividade a todo transe que pululam no mundo contemporâneo”A partir da compreensão do que é ser terno, podemos perceber a imensa ternura que Jesus nos dedica quando nos encontra tão renitentes e tão primitivos no aprendizado do amor. Os Evangelhos são explícitos ao narrar que a missão de Jesus é nos ensinar a amar (Mateus 5,43-44; 6, 14-15 ;14, 13-21; 15, 29-36; 18,19; 22, 36-40. João 8-7) e não existe a conjugação do amor sem o outro, então somente através do outro chegaremos a Jesus e somente por Ele iremos ao Pai (João 14,6; 15, 12-17). No Sermão da Montanha, quando das bem-aveturanças, temos novamente a evidência de um Jesus cheio de ternura e misericórdia, nos ensinando a sermos ternos e misericordiosos: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados aqueles que são brandos e pacíficos, porque herdarão a Terra. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles. Bem-aventurados sois, quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós”. (Mateus, 5, 1 - 12)



A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E A TERNURA



Na segunda metade do século passado, (meados da década de 60) surge uma elaboração teológica embasada na vida do povo latino-americano. Como conseqüência da vivência, do engajamento social e político e do testemunho cristão no meio do povo, a Ação Católica inicia uma enorme reflexão teológica a partir da vida, do cotidiano desse mesmo povo. Os movimentos de Ação Católica, e o resultado do Concílio Vaticano II, levaram teólogos a elaborar uma teologia que iluminasse os cristãos, de forma ordenada e profunda – a buscar o engajamento político e social. Contidos nessa elaboração teológica, estavam valores de libertação - inspirados na longa experiência do Povo de Deus, do tempo do Antigo Testamento, e nas experiências dos cristãos, renovados pela Boa Nova de Jesus Cristo – havia, também, valores e contra-valores dos conflitos de classe, existentes no Sistema de Exploração do Trabalho. A Teologia da Libertação contém o conceito da Luta de Classes encontrados em Marx, assim como estão presentes os anseios e as lutas pela libertação, apresentados nos livros da Bíblia, presente nas experiências do povo Hebreu e também na pregação e na prática de Jesus Cristo. (Mt. 5, 1-12; 9, 14-17; 23 (todo); Mc. 11, 15-19; 12,1-10;12, 38-40; Lc. 1,46-55; 2,33-35; 4, 17-21 e 24, 17-21)).Daí o porquê do crescimento da Teologia da Libertação na América Latina: “a religião passa a ser um fator de mobilização e não de freio” (BOFF, 1980). O pastor não diz às ovelhas que se contentem com o sofrimento provocado pela miséria, pela exploração e pela exclusão A religião não mais se apresenta como “ópio do povo”. A religião passa a ser um fator de libertação e de esperança para o homem e não mais se reduz a uma ideologia que mantém o status quo social e político. A TL mostra que Deus encarna-se na história, gera libertação de um povo humilhado, gera vida e esperança a um povo condenado a viver sem sonhos. Podemos dizer, metaforicamente, que a TL revela Deus como àquele que resgata a dignidade dos humilhados da terra. Dando grande ênfase à situação social humana, a TL encontra ressonância entre a maioria dos fiéis no Brasil e na América Latina – espaço geográfico onde a maioria da população é de oprimidos, miseráveis e excluídos – num período em que as práticas de governar baseavam-se em torturas e perseguições políticas e aí a TL foi fundamental para que a Igreja viesse a denunciar os crimes dos governos militares, exigindo seu fim e a volta da democracia. A opção pelos pobres, assumida pela Igreja, está alicerçada nos profundos conceitos de justiça nela contidos.A partir dessa luz os fieis deixam de ser meros freqüentadores de missas e novenas e passam a constituir de fato as comunidades, como nos tempos iniciais do cristianismo. Unidos trabalham pelo fortalecimento da Nova Igreja, assumem funções dentro das comunidades, para educar-se, acolher-se e cuidar uns dos outros nos grupos de trabalho. Descobrem o direito de serem iguais quando a diferença os exclui e inferioriza e reivindicam o direito de ser diferentes quando a igualdade os descaracteriza.As reuniões de Medellin e Puebla, já sob as luzes da Teologia da Libertação, motivaram as Comunidades Eclesiais de Base, para a Igreja que trabalhava o sentido da libertação evangélica, para vencer a “moderna” opressão imposta pelo poder de nossos tempos. Das CEBs, nascem grupos que assumiram as lutas por moradia, transporte, saneamento básico, iluminação pública, educação, creche, saúde pública. A Teologia da Libertação mostra que Deus é “Pai-Nosso” e que por isso homens e mulheres devem se relacionar como irmãos e irmãs, sem exclusão, sem opressão ou sem qualquer tipo de violação da dignidade humana. Lutar pela libertação é valorizar a paternidade universal de Deus, que se manifesta nas relações justas e fraternas entre todos os seres humanos. Como caráter teológico, foi o momento único da Igreja como Instituição, em trabalhar na união dos cristãos e na busca dessa comunhão, disseminou o ideal de auxílio aos excluídos, de acolhimento e empoderamento dos oprimidos para uma caminhada transformadora que libertasse a todos. Aos oprimidos, busca liberta-los da ignorância que os deixa vulneráveis e a mercê dos opressores, ao mesmo tempo que oferece ao opressor – através do mesmo evangelho e do mesmo amor – a oportunidade de libertar-se para o gesto de amar e desprender-se na busca do sentimento de pertencimento a uma comunidade de irmãos e irmãs, filhos e filhas de um mesmo Pai.Fontes:RESTREPO, Luiz Carlos. O direito a ternura. Ed. Vozes. Petrópolis-RJ. 1998.

FERNANDES, Rubem César. Teologia da Libertação in www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/artcult/religiao/tlibert/index.htm



Minhas reflexões sobre o Texto:
(José Ricardo A. de Oliveira)

De minha parte eu aprendi que "dar a outra face" é na realidade, mostrar a outra face da questão, o outro lado da moeda, uma outra possibilidade para a situação que se apresenta.Não tem nada que ver com humilhar-se diante do agressor.Como por exemplo no caso da pergunta se é licito pagar impostos.Jesus apresenta uma outra possibilidade que é dar a César o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus.Já que Cesar apesar de exigir que o adorem como, não é um Deus é um déspota que exige o pagamento injusto dos impostos.E penso também que até para se exercer a justiça, para dizer a verdade temos que saber como fazer, como dizia o Che, sem perder a ternura.O mundo segue hoje na direção do capital, da impessoalidade, do desrespeito pelo outro.A máxima é que: eu sou o centro do mundo, e dane-se quem não estiver comigo., como na famigerada Lei de Gerson: há que se levar vantagem em tudo.Vejo que a mensagem do Cristo é justamente a "contra mão" dessa realidade. A justiça é feita, mas dentro da perspectiva do amor, da caridade, ou como disse nossa amiga Rohane da ternura.O amor e a ternura são coisas piegas para o mundo capitalista, não dão lucro e não abrem caminho para a exansão e o crescimento.Por isso o cristão é aquele que faz valer seus direitos e principalmente o direito de seu irmão, mas não o faz como os déspotas ou como os que não levam em consideração o semelhante, porque por mais dificil que seja ele precisa reconhecer a filiação divina em todos os seres humanos mesmo que seja um Hitler, um Benedito 16 ou um Bush.Aí talvez esteja a grande dificuldade nossa e a nossa necessidade de aprimoramento.

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1 de junho de 2008

Parábola de Jesus no terreiro

(Frei Carlos Mesters, O.Carm.)

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“Quando Deus andou no mundo.!”Certa vez, Jesus reuniu os discípulos e as discípulas e disse: "Quando vocês forem anunciar a Boa Nova do Reino, não levem dinheiro nem comida, mas confiem no povo. Chegando num lugar, se forem acolhidos e o povo partilhar comida e casa com vocês, e se vocês participarem da vida deles trabalhando e tratarem dos doentes e do pessoal marginalizado, então podem dizer ao povo com toda certeza:'Gente! Olhe aqui! O Reino chegou! Está chegando!"
E elesforam...Jesus também foi. Andou, andou.

Estava começando a escurecer, quando chegou num terreiro. O pessoal que entrava, o saudava e dizia:
"Boa Noite, Jesus! Entre e participe com a gente!"
Jesus entrou. Viu o povo reunido. A maioria era pobre. Alguns, não muitos, da classe média. Todo mundo dançando, alegre. Havia muita criança no meio. Viu como todos eles se abraçavam. Viu como os brancos eram acolhidos pelos negros como irmãos. Jesus, ele também, foi sendo acolhido e abraçado. Estranhou, pois conheciam o nome dele. Eles o chamavam de Jesus, como se fosse um irmão e amigo de longa data. Gostou de ser acolhido assim.Viu também como a Mãe-de-santo recebia o abraço de todos e como ela retribuía acolhendo a todos. Viu como invocavam os orixás e como alguns vinham distribuindo passes para ajudar os aflitos, os doentes e os necessitados.



Jesus também entrou na fila e foi até a mãe-de-santo. Quando chegou a vez dele, abraçou-a e ela disse:
"A paz esteja com você, Jesus!"
Jesus respondeu:
"Com a senhora também!"
E acrescentou: "Posso fazer uma pergunta?"
E ela disse: "Pois não, Jesus!"
E ele: "Como é que a senhora me conhece? Como é que o pessoal sabe o meu nome?"
E ela falou: "Mas Jesus, aqui todo mundo conhece você. Você é muito amigo da gente. Sinta-se em casa no meio de nós!"
Jesus olhou para ela e disse: "Muito obrigado!"
E continuou: "Mãe, estou gostando! O Reino de Deus já está aqui no meio de vocês!"
Ela olhou para ele e disse: "Muito obrigado, Jesus!
Mas isto a gente já sabia. Ou melhor, já adivinhava! Obrigado por confirmar a gente. Você deve ter um orixá muito bom. Vamos dançar, para que ele venha nos ajudar!"
E Jesus entrou na dança. Dentro dele o coração pulava de alegria. Sentia uma felicidade imensa e dizia baixinho:

"Pai, eu te agradeço, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste ao povo humilde aqui do terreiro.
Sim, Pai, assim foi do teu agrado!".
Dançou um tempão. No fim, comeu pipoca, cocada e batata assada com óleo de dendê, que o pessoal partilhava com ele.
E dentro dele, o coração repetia sem cessar:
"Sim, o Reino de Deus chegou! Pai, eu te agradeço! Assim foi do teu agrado!"