O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

18 de maio de 2010

Os limites do último sistema feudal do Ocidente


Os bispos são "membros de elite do último sistema feudal do Ocidente e de uma das últimas monarquias absolutas do mundo". Por isso, não deveríamos ficar surpresos se eles, "assim como os príncipes do reino, respondem apenas ao seu soberano, o bispo deRoma".

Essa é a opinião do padre norte-americano
Donald Cozzens, autor de "The Changing Face of the Priesthood" [A mutável face do sacerdócio] e escritor da John Carroll University, universidade jesuíta de Cleveland, Ohio. O artigo foi publicado no sítioNational Catholic Reporter, 17-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Com mitras um pouco tortas, a fila recente de bispos da
Irlanda à Alemanha, e de outros lugares, que deram um passo à frente para pedir desculpas pelos abusos sexuais cometidos por seus sacerdotes é algo sem precedentes para a Igreja Católica europeia.

Mesmo que as desculpas se acumulem e as políticas para lidar com as denúncias de abuso sejam endurecidas e encontros com as vítimas sejam prometidos, alguma coisa continua errada, o que diminui o valor do
"mea culpa" dos bispos.

Não existe nenhuma verdadeira responsabilização dos bispos que foram cúmplices dos abusos sexuais, por deixarem de remover padres predadores para que não tivessem acesso a crianças, ou dos bispos que falharam em cumprir com as leis civis que exigem que se denunciem abusos de menores.

E nem haverá tão em breve.

Duas explicações sobressaem. Uma pode ser considerada divina; a outra, completamente humana.

Bispos são homens ciumentos. Eles tem ciúmes da sua responsabilidade como mestres divinamente indicados da Igreja Católica. De acordo com a sua maneira de pensar, qualquer coisa que possa enfraquecer a sua autoridade divina e dada por Deus como professores e guardiães da fé merece uma imediata e feroz resistência. Desse ponto de vista, apelos para que os bispos sejam responsabilizados, salvo o próprio Papa, ofendem a dignidade do mandato dos bispos e são enquadrados por autoridades do
Vaticanocomo ataques à Igreja.

Em vez de responsabilizações, somos informados de que foram cometidos erros, às vezes trágicos em suas consequências. Mas, explica-se, foram erros cometidos pelos melhores interesses da Igreja. Qualquer coisa além disso, teme o Vaticano, debilitaria a autoridade da posição de ensino do bispo e diminuiria sua credibilidade.

A outra explicação jaz sobre bases mais humildes, embora ainda elevadas. Bispos são príncipes. Basta olhar para os seus mantos de arminho e pegar seus anéis com seus títulos corteses, "Sua Excelência", "Sua Graça", "Sua Eminência". Como membros de elite do último sistema feudal do
Ocidente e de uma das últimas monarquias absolutas do mundo, não deveríamos ficar surpresos se os bispos, assim como os príncipes do reino, respondem apenas ao seu soberano, o bispo de Roma.

Se os acúmulos reais da hierarquia fossem simplesmente vestígios do seu passado medieval, eles poderiam ser bastante inofensivos. Mas esses conceitos episcopais forjaram uma cultura do privilégio, do sigilo e da exceção, que agora é exposta como um prejuízo tanto para o seu ensino quanto para suas funções pastorais.

Mesmo os psicólogos mais teóricos conseguem imaginar como a vida da realeza inevitavelmente pode se tornar isolada – e como o poder real pode ser perigoso mesmo nos melhores homens. Uma perspectiva sóbria: é excessivamente difícil para qualquer um que tenha poder sentir a dor dos outros, mesmo a dor de jovens vítimas abusadas por seus pastores. É o bispo excepcional que mantém contato real com os membros do seu rebanho, que escuta os leigos como um discípulo a outro, que deixa a dor do abusado despedaçar o seu coração. Infelizmente, parece que é o bispo excepcional que coloca o bem dos filhos acima do bem da Igreja institucional.

Mais de meio século atrás, o teólogo luterano
Paul Tillich escreveu que qualquer religião que tomou para si o direito de julgar os valores e os costumes do mundo deve estar preparada para se sujeitar aos mesmos padrões de julgamento pelos quais julgou a esfera secular . Se uma religião não conseguir fazer isso, adverte Tilich, fica justificadamente sujeita ao julgamento do mundo.

Então, acrescenta Tillich, esse é o perigo particular da Igreja Católica.



fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32526

29 de abril de 2010

Alguma poesia /Flores

(J. Ricardo A. de Oliveira)




Flores
Não sei se ainda há tempo,
Com tanto asfalto,
E tanto cimento.
Não sei se ainda vale a pena,
Lembrar e falar de pensamentos tão longínquos.
Com tantos letreiros luminosos
E caminhos tão escuros.
Mas, o que fazer
Se ainda existem pássaros
que insistem em cantar?

Uma espingarda?

E o que dizer de flores,
Que resolutas, insistem em crescer?

Uma tesoura?

Loucura?
Insanidade santa,
Bendita seja,
Esta esquizofrenia minha
Que isniste em acreditar
Que apesar desta escuridão,
Posso ver luz no final do túnel,
e acreditar no poeta de Itabira,
saudoso Drumond,
que afirma ter visto,
uma flor nascer no asfalto
.

26 de abril de 2010

Hércoles Jaci - Chico Xavier me levou ao cinema.

O Hercoles é dessas pessoas que passam pela nossa vida e deixam marcas, boas marcas.
Muito do que sei sobre Terapia Floral, eu aprendi com ele. Mas não foi só isso, junto com o pacote, com os florais de Bach, Califórnia, Minas, Austrália e um monte mais de sistemas, que nomeá-los seria cansativo ele nos mostrou uma nova maneira de "Ser Terapeutas".
O Hercoles apareceu em nossa vida, minha e de minha mulher, num momento de revisão de valores. Nós dois, eu recém saído da vida empresarial, ela e eu, amargando a perda com o fechamento do nosso Espaço Cultural e Terapeutico "O ENCONTRARTE".
Vimos um anúncio de um curso sobre Florais de Bach. Já conhecíamos os florais, mas não tinhamos nos animado a estudá-los e a nos transformar em terapeutas Florais.
Surge então o Hercoles, num colégio em meio a mata da floresta da Tijuca, um lugar lindíssimo, com um jeito todo especial de questionar a realidade para nos "fazer" terapeutas de flores. Mas, mais que isso, ele nos aprimorou a sensibilidade, o olhar dialógico, a visão holística do sujeito, que nem paciente e nem cliente se apresentava a nossa frente para ser cuidado.
Essa sensibilidade sempre foi a marca do Hercoles, seu humor e suas sacadas diretas.
Estivemos em contato com esse grande amigo e mestre durante toda a década de 90, em cursos, seminários e na pós graduação na UERJ.
Já não nos vemos já há muto tempo, mas trocamos e-mails, felicitações e mantemos o carinho por quem nos ajudou a encontrar um novo caminho.

Hoje Hercoles nos mandou um presente de sua sensibilidade na forma de e-mail.
Um relato sobre a sua experiência ao ver o filme do querido Chico Xavier.

Com a devida licença dele aí vai o relato.
Valeu Hercoles!

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Chico Xavier me levou ao cinema. 25/04/2010.

Sou de uma geração que sempre ia ao cinema, tenho amigos e amigas que adoram, vão ao cinema até hoje. Adoro cinema mas prefiro ver em casa no conforto do meu sofá, tenho uma preguiça de ir ver cinema no cinema. Mas senti uma vontade tão grande de ir ver o filme sobre Chico Xavier e convidei uma amiga de infância, Sandra Greco, para ir comigo. Já li todas as biografias sobre Chico Xavier, tive contato com as críticas sobre o filme, sentimentos dos atores, as notícias sobre as pré-estréias, várias entrevistas sobre a realização dessa produção; aumentando com isso meu desejo de ver a obra. Combinamos de ir na sessão das 18:20 h no Diamond Mall, perto de minha casa, porém achamos melhor, por causa da procura pelo filme, de chegar lá por volta de 17:45 h-sessão de domingo. Saí de casa com uma sensação de ir a uma matiné, pois desde a minha infância, adolescência não ia a uma matiné, que significa ir ao cinema ainda de dia.
A fila era grande, eram dois filmes em cartaz de muita procura no mesmo espaço com 5 salas : Chico Xavier e Alice no País das Maravilhas em 3 D; atração que mobiliza os pós modernos. Quando eu e minha amiga entramos na sala indicada para o filme depois de boa fila; estranhamos um pouco (ela também é pouco assídua no cinema) porque “achamos” o público mas para Alice no País da Maravilhas do que Chico Xavier. Cochichamos muito nos perguntando se era ali mesmo o nosso filme, posto que as pessoas portavam sacos de pipocas gigantes (me senti num cinema americano), o público era muito jovem, tinha até criança. Começaram as propagandas de filmes que passarão nos próximos dias e meses e eu ainda carregava a sensação de não estar na sala correta. Eram muitos anúncios e bastante barulho de pipoca, caixa de Mentex, balas, uma orquestra de celofane...Até que começou o filme. Nisso, qualquer pessoa um pouco mais sensível perceberia a energia, o clima mudar....A comilança parou, o celofane quietou o facho, o astral pós moderno foi se transformando. Aconteceu um silêncio vivo e atento, o fluxo da energia doce e humilde de Chico Xavier mesmerizou nossos sentidos. Há muitos anos peregrino numa busca espiritual, atrás de mim mesmo, de minha origem cósmica, dos meus por quês e dos meus para onde e sempre o cenário era ou a Índia, ou o deserto americano, os Andes, o sul da Espanha, o Oriente como um todo; mas, dessa vez o filme, a história do Chico e sua espiritualidade viva e prática tem a paisagem da minha terra; Minas Gerais. A espiritualidade na sua forma mais essencial estava se passando aqui em Minas. A fotografia e a direção do filme são de uma exuberância, numa focalização do simples, do barroco, das montanhas, daqui dessas Minas, dessa Mãe Terra montanhosa. A simplicidade de Minas Gerais é exuberante!!!!! A figura de Chico retratado por Daniel Filho é de uma doçura, de um humor, humildade, de um amor incondicional ; grandeza!!!. As cenas, os diálogos, a dinâmica do filme num “vai e volta” muito interessante, onde três atores muitos bons “fazem” o Chico em três fases etárias de sua vida. Chico era muito especial e assim como todos que são diferentes de alguma forma são perseguidos. Nossa sociedade hipócrita e ignorante não suporta o diferente, não admite o que destoa de uma verdade congelada e cristalizada.
Por volta de 1980/81 conheci um mestre indiano chamado Rajneesh (hoje o chamam de Osho) e me tornei discípulo dele. Ele faleceu em 1990. Era uma empreitada de enfrentamento dessa sociedade hipócrita e congelada, do sistema “entorpecedor” das consciências humanas . Nós, seus “sannyasins”(iniciados) éramos mal vistos pelos amigos, pelas famílias que abominavam aquela troupe de loucos e nós sabíamos (eu sabia que eu estava de fato “desenlouquecendo”) o quanto aquilo tudo era saudável, o quanto ouvir o mestre era nutritivo, o quanto sua orientação paradoxal e aparentemente anárquica era o melhor remédio para a cura de tudo que foi feito para abafar nossa essência. Em Julho de 1983 teríamos um grande encontro de todos os sannyasins do mundo com o mestre Rajneesh-Osho no estado do Oregon-USA. Nós ficamos completamente agitados nos preparando para ir nos juntar a ele, participar desse evento com +- 10..000 pessoas do mundo inteiro, onde o lema era viver, amar, rir, brincar, meditar, silenciar a mente e escutar a alma, a existência. Um sannyasin amigo daqui de Belo Horizonte queria muito ir a esse encontro e seu pai, que tinha condições financeiras, não queria patrocinar de jeito algum aquela viagem pois achava que era uma insanidade completa. Como esse pai era um espírita muito ligado ao Chico e naquele dia de maio de 1983, eu sabia que o Chico estaria em Belo Horizonte, tive uma intuição de irmos procurá-lo depois do evento ainda mais que esse pai estaria ao lado do Chico. Não deu outra, chegamos na garagem do enorme auditório onde o Chico recebeu uma condecoração e encontramos o Chico que estava com seus colaboradores, entre eles esse pai. Quando o tal pai nos viu (nós usávamos só vermelho e um colar no pescoço chamado “malla” com a foto do mestre) disse: - Veja Chico, lá está meu filho que você conhece desde que nasceu , lá está ele com a turma de loucos do tal guru que os estão convocando para essa viagem maluca que eu estava te contando. O Chico nos recebeu com seu melhor sorriso e quando eu fui beijar a sua mão e pedir a sua benção e ele disse com a voz do fundo da alma: -Deus te abençoe!!! . Eu senti meu liquor dentro da minha coluna. Eu tive uma sensação corporal de inteireza, de harmonia, senti uma vibração passar pelo meu corpo das mais fortes e inesquecíveis já vividas. Depois de cumprimentar e saudar cada um de nós, o Chico voltou-se para o pai aflito e disse: -Dê a passagem e as condições para seu filho ir nesse encontro, esse povo é muito feliz!!! Eles são muito alegres!!! Chico Xavier “sacou” Rajneesh (Osho); eu senti isso nessa hora. Chico ficou muito feliz com nossa presença. Veja a foto inédita tirada numa noite maio de 1983 em Belo Horizonte no anexo desse e-mail. Chico entendia perfeitamente aqueles que seguiam caminhos diferentes, aqueles que estavam à margem da massificação, aqueles que buscavam um bem maior, um bem mais abrangente do que o oferecido no adestramento social.
Voltando ao filme, quando percebi que estava terminando, me espantei, pois não senti que havia se passado 2 horas e nunca tinha assistido a um filme no qual parte dele ainda se passa enquanto se mostra os créditos finais e ninguém arreda pé. Quando a luz acendeu para irmos embora, senti na aura da sala o que o Chico fala sobre irmandade, amor universal, suavidade. Aquela comilança e ansiedade pós moderna percebidas antes do filme e a suspeita de estar numa sala para assistir Alice no País das Maravilhas em 3D deram lugar à uma paz, um contentamento interno, à uma decantação dessa ansiedade; à uma sensação de felicidade por voltar no cinema na matine de domingo. Chico Xavier me levou ao cinema!!!!!
Esse filme é um presente e eu indico para todos aqueles que acreditam no amor, acreditam que a vida é muito mais que esse olhar apequenado que nos permitiram ter. Esse filme traz a espiritualidade, a possibilidade desse reencontro com a essência aqui mesmo, por aqui nas Minas, aqui dentro de mim, dentro de cada um de nós; sempre....
Um abraço;
Hercoles Jaci- Psicólogo clínico e Organizacional- Professor na Pós em Belo Horizonte-MG. hercoles@uai.com.br




20 de abril de 2010

Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo

Hans Kung *

Nos anos 1962-1965 Joseph Ratzinger - hoje Bento XVI - e eu éramos os dois mais novos teólogos do Concílio. Hoje, somos os mais anciãos e os únicos em plena atividade. Sempre entendi meu compromisso teológico como um serviço à Igreja. Por isso, movido pela preocupação com a crise de confiança que atinge essa nossa Igreja, a mais profunda que recordamos desde os tempos da Reforma, dirijo-me a vós com uma carta aberta, na comemoração do quinto aniversário do pontificado de Bento XVI.
De fato, esse é o único meio de que disponho para entrar em contato com vocês.

Apreciei muito o convite do papa Bento, que, no início de seu pontificado, me concedeu uma conversa de quatro horas -apesar da minha posição crítica ao seu respeito- que se desenvolveu bem amigavelmente. Tive a esperança de que Joseph Ratzinger, meu colega na universidade de Tubingen, teria encontrado o caminho rumo a uma ulterior renovação da Igreja e um entendimento ecumênico, no espírito do Concílio Vaticano II. Infelizmente, minhas esperanças, bem como as de tantas/os crentes que vivem com compromisso a fé católica, não se realizaram. Tive a oportunidade de comunicar-lhe isso mais de uma vez através das correspondências que lhe enviei.

Sem dúvida, ele nunca deixou de cumprir com consciência os compromissos cotidianos do papado, e nos presenteou com três encíclicas sobre a fé, a esperança e a caridade. Porém, frente ao maior desafio de nosso tempo, a cada dia mais, seu pontificado apresenta-se como uma ocasião perdida, por não ter sabido captar uma serie de oportunidades:

- Faltou a reaproximação com as Igrejas evangélicas, sequer consideradas Igrejas no sentido próprio do termo: daí a impossibilidade de um reconhecimento de suas autoridades e da comum celebração da Eucaristia.

- Faltou a continuidade do diálogo com os judeus: o papa reintroduziu o uso pré-conciliar da oração para a iluminação dos judeus acolheu na Igreja alguns bispos notoriamente cismáticos e antissemitas; sustenta a beatificação de Pio XII; e leva a sério o judaísmo enquanto raiz histórica do cristianismo; não como comunidade de fé que hoje também busca seu caminho de salvação. No mundo inteiro os judeus expressaram indignação pelas palavras do Pregador da Casa Pontifícia que, na liturgia da Sexta-Feira Santa, comparou as críticas dirigidas ao papa com as perseguições anti-semitas.

- Com os muçulmanos faltou levar adiante um diálogo pautado na confiança. Sintomático nesse sentido é o discurso pronunciado pelo papa em Regensburg: mal aconselhado, Bento XVI apresentou o Islã com uma imagem caricatural, descrevendo- o como uma religião desumana e violenta e alimentando assim a desconfiança entre os muçulmanos.

- Faltou a reconciliação com os povos autóctones da América Latina: com toda seriedade, o papa afirmou que aqueles povos colonizados "desejassem" a acolher a religião dos conquistadores europeus.

- Desperdiçou-se a oportunidade de vir em socorro das populações da África na luta contra a superpopulação e contra o HIV, dando o aval à contracepção e ao uso de preservativos.

- Perdeu-se a oportunidade de se reconciliar com a ciência moderna, reconhecendo sem ambigüidade a teoria da evolução e aderindo sempre com as devidas diferenciações às novas perspectivas das pesquisas, por exemplo, sobre as células-tronco.

- Faltou, enfim, assumir, no interior mesmo do Vaticano, o espírito do Concílio Vaticano II como bússola da Igreja católica, levando adiante as reformas.

Este último ponto, queridíssimos bispos, tem um valor crucial. Este papa nunca parou de relativizar os textos do Concílio, interpretando- os em sentido regressivo e contrário ao espírito dos Padres Conciliares; chegando até a se contrapor expressamente ao Concílio Ecumênico que representa com base no direito canônico, a autoridade suprema da Igreja católica:

- Readmitiu, incondicionalmente, na Igreja Católica os bispos tradicionalistas da Fraternidade de Pio X, ordenados ilegalmente fora da Igreja Católica que recusaram o Concílio em alguns pontos essenciais;

- Promoveu através de todos os meios a missa medieval tridentina e, ocasionalmente, celebra ele mesmo a Eucaristia em latim virando as costas aos fiéis;

- Não concretiza o entendimento com a Igreja Anglicana previsto nos documentos ecumênicos oficiais (ARCIC); ao contrário, procura puxar os padres anglicanos casados para a Igreja Católica romana, renunciando à obrigação do celibato;

- Potencializou, em âmbito mundial, as forças anticonciliares no interior da Igreja através da nomeação de altos cargos anticonciliares (por ex.: Secretaria de Estado, Congregação para a Liturgia) e de bispos reacionários.

O papa Bento XVI parece afastar-se sempre mais da grande maioria do povo da Igreja que já, por si, é levado a desinteressar- se do que acontece em Roma e, no melhor dos casos, se identifica com sua paróquia e com o bispo local.


Sei que muitos de vocês sofrem com esta situação: a política anticonciliar do papa tem todo o apoio da Cúria Romana, que procura sufocar as críticas entre os bispos e no seio da Igreja e busca, por todos os meios, desacreditar aos dissidentes. Em Roma, faz-se o esforço para dar crédito, com renovadas exibições de luxo barroco e manifestações de grande impacto midiático, a uma imagem de Igreja forte, com um "vigário de Cristo" absolutista, que reúne em suas mãos os poderes legislativo, executivo e judiciário.
Mas a política de restauração de Bento XVI faliu. Suas aparições públicas, suas viagens, seus documentos, não serviram a influenciar no sentido da doutrina romana as idéias da maioria dos católicos sobre várias questões controvertidas e, em particular, sobre a moral sexual. Nem seus encontros com os jovens, pertencentes em grande parte a grupos carismáticos de orientação conservadora, puderam frear a fugas da Igreja, ou incrementar as vocações ao sacerdócio.

Em sua qualidade de bispos, certamente, vocês são os primeiros a perceber dolorosamente a renúncia de dezenas de milhares de sacerdotes que, desde o Concilio até hoje, se demitiram de seus cargos, sobretudo, devido à lei do celibato. O problema das novas vocações atinge não só os padres, mas também as congregações religiosas, as freiras, os leigos consagrados. A resignação e a frustração se difundem no meio do clero e, sobretudo, entre seus expoentes mais ativos; muitos sentem-se abandonados em suas necessidades e sofrem por causa da Igreja. Em muitas de suas dioceses vê-se claramente um maior número de igrejas desertas, de seminários e de presbitérios vazios. Em muitos países, com o pretexto da reforma eclesiástica, se decide por juntar muitas paróquias, muitas vezes contra sua vontade, para construir gigantescas 'unidades pastorais' confiadas a um pequeno número de padres sobrecarregados pelo trabalho excessivo.

E, por fim, aos muitos sinais da crise em andamento, junta-se o espantoso escândalo dos abusos cometidos por membros do clero contra milhares de adolescentes -nos Estados Unidos, na Irlan da, na Alemanha e em outros lugares-, acompanhado por uma falta de liderança, uma crise sem precedentes. Não se pode silenciar sobre o fato de que o sistema mundial de ocultamento dos abusos sexuais do clero respondesse às disposições da Congregação Romana para a Doutrina da Fé (pela qual era responsável, entre 1981 e 2005, o cardeal Ratzinger), que, no mais rigoroso silêncio, desde o pontificado de João Paulo II, reunia a documentação sobre estes casos. Em 18 de maio de 2001, Joseph Ratzinger divulgou para todos os bispos uma carta de tom solene sobre os delitos mais graves ("Epistula de delictis gravioribus" - Carta sobre os delitos mais graves), impondo ao caso de abuso o "segredo pontifício", cuja violação é castigada pela Igreja com severas sanções. É com razão, portanto, que muitos exigiram um pessoal 'mea culpa' ao prefeito de outrora, hoje papa Bento XVI. Este, porém, não acolheu a boa oportunidade da Semana Santa; ao contrário, fez declarar " urbi et orbi" (à cidade -Roma- e ao mundo), no domingo de Páscoa, sua inocência através do cardeal decano.

Para a Igreja Católica, as conseqüências de todos os escândalos divulgados são devastadores, como confirmaram alguns de seus maiores expoentes. A suspeita generalizada já golpeia indiscriminadamente inúmeros educadores e pastores de gran de compromisso e de conduta irrepreensível. É vossa tarefa, estimadíssimos bispos, perguntar-se qual será o futuro de vossas dioceses e o da nossa Igreja.




Não é minha intenção vos propor um programa de reformas. Já fiz isso mais de uma vez, quer antes, quer depois do Concílio. Aqui quero limitar-me a apresentar-lhes seis propostas, as quais, estou convencido, são partilhadas por milhões de católicos que não têm voz.

1. Não calem. O silêncio frente a tantos gravíssimos abusos vos torna responsáveis. Ao contrário, toda vez que pensam que determinadas leis, disposições ou decisões vão ter efeitos contraproducentes, deveriam declará-lo publicamente. Não escrevam cartas a Roma para fazer ato de submissão e devoção, mas para exigir reformas.

2. Tomem as rédeas para iniciativas reformadoras. Muitos, na Igreja e no episcopado, se queixam de Roma; nunca, porém, tomam a iniciativa. Mas, se hoje nesta ou naquela diocese ou comunidade os paroquianos param de frequentar a missa; se a atividade pastoral não dá resultados; se falta abertura para os problemas e os males do mundo; se a cooperação ecumênica está reduzida ao mínimo, não se pode descarregar todas as culpas sobre Roma. Todos, desde o bispo até ao padre e o/a leigo/a, devem comprometer- se com a renovação da Igreja em seu ambiente de vida pequeno ou grande que seja. Muitas coisas extraordinárias nasceram nas comunidades e, em geral, no seio da Igreja, em nível pessoal ou de pequenos grupos. É vossa tarefa na qualidade de bispos, promover e sustentar tais iniciativas, assim como responder, sobretudo nesse momento, às justificadas queixas dos fiéis.

5. Procurar soluções regionais: o Vaticano mostra-se, muitas vezes, surdo a justificadas exigências dos bispos, dos padres e dos leigos/as. Uma razão a mais para caminhar para soluções regiona is. Como bem sabem, um problema particularmente delicado é constituído pela lei do celibato, uma norma de origem medieval que, com razão, é agora colocada em discussão em todo o mundo precisamente no contexto do escândalo suscitado pelos abusos sexuais. Uma mudança em contraposição a Roma parece praticamente impossível; mas, não é por isso que estão condenados à passividade. Um padre que depois de serias reflexões tenha amadurecido a decisão de casar não deveria ser obrigado a se demitir automaticamente de seu cargo, se pudesse contar com o apoio de seu bispo e da comunidade. Uma conferência episcopal sozinha poderia abrir a estrada a caminho de uma solução regional. Melhor seria, porém, visar uma solução global para a Igreja no seu conjunto. Por isso,

6. peça-se a convocação de um Concílio: se para chegar à reforma litúrgica, à liberdade religiosa, ao ecumenismo e ao diálogo interreligioso foi necessário um Concíl io, o mesmo vale hoje frente aos problemas que se apresentam em termos tão dramáticos. Um século antes da Reforma, o Concílio de Constança tinha decidido a convocação de um Concílio a cada cinco anos, decisão que, porém, não foi atendida pela Cúria Romana, que, sem dúvidas, também hoje fará tudo que puder para evitar um concílio do qual pode temer uma limitação de seus poderes. É responsabilidade de todos vocês conseguir que se aprove a proposta de realização de um Concílio, ou pelo menos de uma assembléia episcopal representativa.

Frente a uma Igreja em crise, este é o apelo que dirijo a vocês, estimadíssimos bispos: vos convido a colocar na balança o peso de vossa autoridade episcopal, revalorizada pelo Concílio. Na difícil situação que estamos vivendo, os olhos do mundo estão dirigidos para vós. Inúmeros são os católicos que perderam a confiança em sua Igreja; e o único jeito para contribuir para restaurá-la é o de enfre ntar honestamente e abertamente os problemas, para adotar as reformas necessárias. Peço-lhes, respeitosamente, que façam o que lhes corresponde; quando possível, em colaboração com outros bispos; mas, se necessário, também sozinhos, com apostólica 'coragem' (At 4,29.31). Deem um sinal de esperança aos vossos fiéis; deem uma perspectiva à nossa Igreja.

Saúdo-vos na comunhão da fé cristã.


[Fonte: La Repúbblica (diário italiano), 15 abril 2010].

* Catedrático emérito de Teología Ecuménica en la Universidad de Tubinga (Alemania) y presidente de Global Ethic

19 de abril de 2010

Pedra revela Messias anterior a Jesus ?

Acid :: escreve o Blog (Saindo da Matrix).


Já se falava de um Messias ressuscitado antes de Jesus ter nascido. Pelo menos é essa a interpretação que investigadores fazem da inscrição, em hebraico, numa pedra encontrada no Mar Morto e que data do século I antes de Cristo.

A inscrição na pedra - adquirida por um colecionador israelita na Jordânia, há nove anos - sugere que a ressurreição do Messias não é única nem genuína do cristianismo. De acordo com aquele texto, que investigadores já decifraram, a ressurreição seria um conceito adotado pelo judaísmo ainda antes de o ser pelo cristianismo. A premissa de que Jesus era o Messias e ressuscitou três dias depois de morrer - vencendo a própria morte - serve de base à fé cristã. Confirmar-se que a ressurreição aconteceu antes de Cristo seria pôr em questão o dogma católico da ressurreição de Jesus.

O judaísmo sempre encarou Jesus apenas como um profeta que mudou as crenças tradicionais, mas não como o Messias ou o filho de Deus. Agora, esta descoberta vem reacender o debate, enquanto investigadores decifram as 87 linhas do texto em hebraico, escrito na pedra, e não esculpido, em duas colunas.

Irás viver

A imprensa israelita chama a pedra de "A Visão de Gabriel", uma vez que grande parte do texto remete para uma visão do Apocalipse transmitida pelo anjo Gabriel. Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica de Jerusalém, explicou que se trata de um texto profético escrito no século I antes de Cristo, e que cita este anjo dizendo a um certo "príncipe dos príncipes": "Daqui a três dias irás viver. Eu Gabriel, te ordeno".

Na interpretação do Sr. Knohl, o texto trata de uma figura messiânica que ele acha ser Simão. Acredita também que os escritores da história seriam os seguidores de Simão. No texto, o Sr. Knohl aponta que a morte e sofrimento desse Messias seriam necessárias para a salvação, segundo as linhas 19 a 21 da inscrição: "Em três dias, você saberá que o mal será derrotado pela justiça", e outras linhas que falam de sangue e sacrifício como o caminho para a justiça.

Dois investigadores israelitas, Ada Yardeni e Binyamin Elitzur, publicaram uma análise detalhada do escrito em 2007, confirmando a data. No entanto, consideraram indecifrável a palavra que se segue a "daqui a três dias", na 80ª linha. Knohl, por seu turno, argumenta que a palavra é "Hayeh" ou "viver" no imperativo. Segundo a interpretação deste docente, a lápide sugere a ideia de que o sangue do Messias morto e ressuscitado é necessário para atingir a redenção, o que demonstraria que a premissa terá sido adotada pelo judaísmo antes de o ser pelo cristianismo, já que o texto foi escrito previamente. Knohl sublinha que esta interpretação sustenta uma teoria que ele já tinha exposto num livro editado em 2000, segundo a qual existia um Messias antes de Cristo. Ele diz que um Messias sofredor é um conceito muito diferente da imagem judia tradicional de um Messias triunfante, poderoso descendente de David. "O que acontece no Novo Testamento foi a adoção de Jesus e seus seguidores de uma história anterior sobre um Messias".

Moshe Bar-Asher é respeitoso, mas cauteloso quanto à tese de Knohl: "Há um problema, pois em partes cruciais do texto há palavras faltando. Eu entendo a tendência do Sr. Knohl a achar aí evidências de um período pré-cristão, mas em dois pontos cruciais do texto há várias palavras faltando".
Knohl disse que é menos importante saber se foi ou não Simão o Messias, e mais importante o fato de que o texto sugere que um salvador que morre e ressuscita após 3 dias já era um conceito estabelecido na época de Jesus. "A missão de Jesus foi sofrer e ser morto pelos romanos, para que seu sangue fosse um sinal da redenção que viria. Isto dá a Última Ceia um significado absolutamente diferente. Ele deu o sangue não pelos nossos pecados, mas pela redenção do povo de Israel".

A polêmica revelação do investigador, a partir da sua interpretação dos escritos, foi revelada numa conferência no Museu de Israel, subordinada à celebração dos 60 anos da descoberta dos "Manuscritos do Mar Morto".

Referência:
The Independent;
The New York Times

15 de abril de 2010

Maria Clara Bingemer - Onde dormirão os pobres?

(Maria Clara Lucchetti Bingemer)

Nunca esquecerei onde estava naquela segunda feira quando o mundo pareceu desabar. De vestido longo, indo para a posse na Academia Brasileira de Letras da queridíssima Cleonice Berardinelli. Não havia táxis e quando se encontrou um, foi preciso enfrentar vários rios de lama e enxurradas de pedras para chegar à Academia. Pior ainda foi voltar para casa, façanha só compensada pelo prazer que foi escutar a fala impecável e refinada de Cleonice com sua voz que parecia música.

Entrar sob um teto seguro e dormir em cama seca foi experiência de alívio até acordar na manhã seguinte com o telefonema angustiado de uma aluna que me dizia não poder sair de casa para ir à universidade fazer a prova. Foi então que a televisão começou a mostrar a sucessão de horrores em que se transformou minha cidade, meu estado, meu povo, minha gente. Em um mar de água, lama e pedras, gente se misturava à enxurrada, pobres corpos arrastados pela força das águas juntamente com tábuas, sofás, geladeiras, televisões, bichos de pelúcia, tristes destroços do que antes eram vidas de pessoas como eu.

Na telinha se sucediam autoridades desorientadas que alternavam conselhos desorbitados para as pessoas deixarem imediatamente suas moradias com considerações inconseqüentes sobre as causas da tragédia, que sempre culpavam os moradores. Como tiveram a idéia de construir seus barracos em semelhante despenhadeiro? Por que insistiam em morar ali? A troco de que não se haviam mudado para outro lugar? Depois começou o circo patético das acusações mútuas, o presidente responsabilizando o governador, o governador jogando a culpa para o prefeito, o prefeito olhando em volta e não tendo a quem culpar e culpando os moradores.

Aos meus ouvidos voltava e voltava, como um refrão doloroso, o título de um já antigo livro do teólogo peruano Gustavo Gutiérrez: Donde dormirán los pobres? Onde dormirão todas estas pessoas que da noite para o dia perderam tudo que possuíam, inclusive o teto que levaram uma vida inteira para ter? Foram enviados para abrigos, escolas, hospitais, CIEPS. Mas...e depois? Quando a chuva passar, quando todo mundo esquecer, quando as encostas voltarem a ser ocupadas porque não há chão, não há teto, não há terra, não há justiça...onde dormirão os pobres?
Onde dormirá o pequeno Vinicius de oito anos para que não morra soterrado enquanto joga videogame sem sequer se dar conta da avalancha que lhe vem por cima? Onde dormirá a telefonista Natalia que falava ao celular com o namorado até dizer o que foi, sem ela saber, seu testamento: “Está caindo tudo aqui. Caiu tudo.” Onde dormirá o filho de seis anos de Verônica de quem os jornais imprimiram o rosto desarvorado diante das águas que o levaram sem que ela pudesse agarrá-lo por um dos braços? E a esposa e filha de Leonardo, estudante de Engenharia que, ao despertar com a lama caindo sobre seu corpo, procurou por elas e já não a encontrou?

Todos eles e elas dormem agora debaixo de muitas camadas de terra, lixo e lama. Ou estão nas gavetas do Instituto Médico Legal esperando que parentes vão reconhecê-los para dar-lhes sepultura. Como eles, muitos outros. Sobem para várias centenas já os mortos no Rio de Janeiro, vítimas da tragédia mais que anunciada que já virou tradição anual das águas de março que este ano vieram mais tarde, em abril, e mais violentas, carregando morro abaixo sonhos, vidas e muito mais.

É fácil culpar os pobres, acusando-os de ignorância e imprudência. Mais ainda : de teimosia por insistir em construir suas casas em terrenos perigosos. Mais fácil ainda culpar os mortos. Todos concordamos que um lixão com toneladas de dejetos não é solo firme nem adequado para se construir habitações onde seres humanos vão morar. Porém quando é a única alternativa e ninguém oferece outra, o que se faz? Ocupa-se o solo que se apresenta, mesmo que seja um lixão. Os pobres não são geólogos nem urbanistas. Vivem em tal precariedade que sua unidade de tempo é o minuto. Com o minuto contam e sobre o minuto presente constroem o pouco que a vida lhes oferece. E em um minuto igualmente perdem tudo, todo o pouco que tinham, e sobretudo as vidas que lhes eram caras e preciosas. E com tenacidade sobre humana se dispõem a recomeçar do zero, com dor redobrada, perdas incalculáveis e teimosa esperança.

Não, senhores, os pobres não têm culpa de estar no lugar errado no momento errado. A responsabilidade é de sucessivos governos que há mais de quatro décadas acompanham o efeito devastador que as chuvas de final de verão realizam em uma cidade cheia de encostas cada vez mais ocupadas por moradias populares e que este ano recebeu uma carga de precipitações de proporções nunca vistas. Como são pobres pode ser adiada a solução? Como não contam nas estatísticas, suas vidas podem estar em risco permanente?

O Cristo Redentor chora sobre a Cidade Maravilhosa como naquele tempo sobre a Jerusalém assassina de profetas. Vê vidas destroçadas, famílias enlutadas, comunidades inteiras destruídas. Seu olhar compassivo se comove vendo os barracões de zinco pedindo socorro à cidade que se espalha a seus pés.

Os movimentos de solidariedade angariam e distribuem donativos por toda parte. A população não fica indiferente. Mas não basta. É urgente uma solução mais permanente. Há que repensar urbanisticamente o Rio de Janeiro. Há que redesenhar com inteligência e cuidado a ocupação de suas encostas. E isso é solução a médio e longo prazo. Não a toque de caixa em ano eleitoral com ritmo eleitoreiro. São vidas, muitíssimas que estão em jogo. Não é brincadeira.

Enquanto esta estratégia urbana não for pensada e, sobretudo executada seriamente, ficará sem resposta a grave e profunda pergunta lançada por Gustavo Gutiérrez: “Onde dormirão os pobres”? Tomara que enquanto esta pergunta ressoar sem resposta, nenhum de nós consiga repousar a cabeça no travesseiro e dormir.

Fonte:
http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=14791&cod_canal=47

3 de abril de 2010

Liturgia das horas - Sábado Santo


De uma antiga Homilia no grande Sábado
Santo (séc IV), de um autor grego
desconhecido - Da Liturgia das Horas –
II leitura do Sábado Santo.

“Que está acontecendo hoje? Um grande
silêncio reina sobre a terra. Um grande
silêncio e uma grande solidão. Um grande
silêncio porque o Rei está dormindo; a
terra estremeceu e ficou silenciosa,
porque o Deus feito homem adormeceu e
acordou os que dormiam à séculos. Deus
morreu na carne e despertou a mansão dos
mortos.

Ele vai, antes de tudo, à procura de
Adão, nosso primeiro pai, a ovelha
perdida. Faz questão de visitar os
que estão mergulhados nas trevas e na
sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao
encontro de Adão e Eva cativos, e agora
libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam,
levando em suas mãos a arma da cruz
vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro
pai, o viu, exclamou para todos os
demais, batendo no peito e cheio de
admiração: “O meu Senhor está no meio de
nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com
teu espírito”. E tomando-o pela mão,
disse: “Acorda, tu que dormes,
levante dentre os mortos, e Cristo te
iluminará. Eu sou o teu Deus, que por
tua causa me tornei teu filho; por ti e
por aqueles que nasceram de ti, agora
digo, e com todo o meu poder, ordeno aos
que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que
jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”;
e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”


Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes,
porque não te criei para permaneceres na
mansão dos mortos. Levanta-te, obra de
minhas mãos; eu sou a vida dos mortos.
Levanta-te, obra das minhas mãos;
levanta-te, ó minha imagem, tu que foste
criado à minha semelhança. Levanta-te,
saiamos daqui; tu em mim e eu em ti,
somos uma só e indivisível pessoa.


Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu
filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua
condição de escravo. Por ti, eu, que
habito no mais alto dos céus, desci à
terra, e fui mesmo sepultado abaixo da
terra; por ti, feito homem, tornei-me
como alguém sem apoio, abandonado entre
os mortos. Por ti, que deixaste o jardim
do paraíso, ao sair de um jardim fui
entregue aos judeus e num jardim,
crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti
recebi; para restituir-te o sopro da
vida original. Vê nas minhas faces as
bofetadas que levei para restaurar,
conforme à minha imagem, a tua beleza
corrompida. Vê em minhas costas as
marcas dos açoites que suportei por ti
para retirar dos teus ombros os pesos
dos pecados. Vê minhas mãos fortemente
pregadas à árvore da cruz, por causa de
ti, como outrora estendeste levianamente
tuas mãos para a árvore do paraíso.
Adormeci na cruz e por tua causa a lança
penetrou no meu lado, como Eva surgiu do
teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado
curou a dor do teu lado. Meu sono vai
arrancar-te do sono da morte. Minha
lança deteve a lança que estava voltada
contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te
expulsou da terra do paraíso; eu, porém,
já não te coloco no paraíso mas num
trono celeste. O inimigo afastou de ti a
árvore, símbolo da vida; eu, porém, que
sou a vida, estou agora junto de ti.
Constituí anjos que, como servos, te
guardassem; ordeno agora que eles te
adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Está preparado o trono dos querubins,
prontos e a postos os mensageiros,
constituído o leito nupcial, preparado o
banquete, as mansões e os tabernáculos
eternos adornados, abertos os tesouros
de todos os bens e o reino dos céus
preparado para ti desde toda a
eternidade.”

2 de abril de 2010

A “teologia da cruz” como subversão e poesia dos crucificados

(Paulo Nascimento)


Fecisti nos ad Te et inquietum est cor nostrum, donec requiescat in Te.
[Fizeste-nos para Ti, e nosso coração permanece inquieto enquanto não repousa em Ti.]
(Santo Agostinho, Confissões, Livro I)


Considero a “teologia da cruz”, como elaborada por Paulo de Tarso, um duplo exercício intelectual de subversão e poesia.
Mas também não posso deixar de dizer que o Cristianismo parece ter desprezado o sentido político da crucificação de Jesus. Para Rudolf Bultmann foi justamente Paulo o primeiro a “espiritualizar” a crucificação, tornando-a de um evento político num evento religioso. Eu discordo totalmente dessa interpretação. Prefiro pensar com Pablo Richard, para quem a despolitização do evento da crucificação de Jesus de Nazaré foi levada a cabo mais tardiamente, pelos quatro primeiros concílios ecumêmicos da Igreja Católica. Na verdade, já o Credo Apostólico parece testemunhar um claro desprezo tanto pela práxis de Jesus de Nazaré quanto pelas razões humanas da crucificação. No Credo, os únicos elementos mencionados da vida concreta de Jesus são seu nascimento e sua morte. Os três anos de sua subversiva atividade não são contemplados na produção desse documento dos primeiros séculos da Era Cristã. Portanto, Paulo de Tarso não deveria ser responsabilizado por tal esvaziamento dos significados políticos da cruz.
A Sexta-feira Santa talvez seja o melhor dia do ano para dizer que a crucificação de Jesus foi um evento político-religioso. Gosto da frase de Frei Betto, mencionada pelo meu amigo Ascânio Júnior, que diz que “Jesus não morreu atropelado por um jumento numa esquina de Jerusalém”. Nossa teologia cristã se aferrou por muito tempo à idéia de que o Império Romano interpretou de forma equivocada a práxis de Jesus. Instigados pelas perturbações religiosas da elite sacerdotal judaica, os romanos teriam se equivocado na acusação impetrada contra Jesus de Nazaré. Dessa forma, a sua crucificação permaneceria sendo um evento de dimensões meramente religiosas, ligada à “teologia do sacrifício vicário” oferecido por Deus aos seres humanos.
Richard A. Horsley e John Dominic Crossan talvez sejam dois dos melhores nomes que têm nos ajudado a compreender o significado político da crucificação de Jesus de Nazaré. Conforme eles, a acusação romana resumida na inscrição ao alto da cruz Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum foi legítima. Com isso não se está concordando com a sentença do aparelho judicial romano em sua condenação de Jesus de Nazaré. O que se está afirmando é que conforme a natureza da atividade de Jesus de Nazaré, outra acusação não seria possível. Também se está afirmando que somente hoje, a partir de nossa dicotomia moderna entre práticas estritamente políticas e práticas estritamente religiosas, é que podemos pensar que a práxis de Jesus era exclusivamente dirigida à correção das almas humanas. Ora, sua crucificação é a melhor prova de que as coisas não eram bem assim!
A crucificação, por parte dos romanos, constituía a pena capital do aparelho jurídico imperial a fim de preservar o controle, a dominação e a expropriação econômica das províncias subjugadas pela presença romana. O controle, a dominação e a expropriação das províncias subjugadas davam o suporte econômico para a Pax et Securitas Romana, que era pax et securitas somente para os próprios romanos. Profetas ambulantes movidos à base de meros sonhos religiosos, numerosos naqueles dias, nunca exigiram o gasto de um prego por parte de Roma. Pregos, madeiros, soldados e armas, eram exclusivamente utilizados contra aqueles que representavam uma ameaça concreta às campanhas imperiais de expropriação das colônias, sobretudo com a prática abusiva de impostos. Conforme Horsley, a cruz romana deveria ser dirigida exclusivamente aos “bandidos”, isto é, ela era uma forma de reprimir os insurretos que representassem uma ameaça à expropriação imperial feita em nome da pax romana.
Nesse contexto, a atividade de Jesus de Nazaré não pode ser circunscrita a uma atividade meramente religiosa. Ela se inscreve numa tradição de resistência anti-imperial presente em Israel, representada sobretudo pelos profetas. Mais do que a correção das almas humanas, a práxis de Jesus de Nazaré deve ser vista como a luta por revitalizar as formas tradicionais de vida na Palestina, que vinham sendo paulatinamente esmagadas pela opressão imperial. Tais formas tradicionais de vida deveriam ser marcadas pelo comunitarismo, pela fraternidade e por uma sociedade sem os flagelos da pobreza, da miséria e da exclusão (por exemplo, cf. Dt 15,7-11). Não estou equiparando o “movimento de Jesus” aos demais movimentos revolucionários e aos banditismos sociais contemporâneos a Jesus de Nazaré na Palestina. Mas a cruz, como repressão máxima do aparelho jurídico romano, foi o fim comum entre Jesus de Nazaré e os demais líderes de movimentos anti-imperiais de que temos notícia naqueles dias.
A “teologia da cruz” como subversão dos crucificados
Paulo de Tarso, mais do que todos nós hoje, sabia de todos esses pormenores. E ainda que ele quisesse esvaziar o conteúdo político da cruz, isso não lhe seria possível, a menos que sua atividade apostólica fosse desempenhada fora do alcance geográfico do Império Romano. Sua “teologia da cruz”, pelo contrário, se dá justamente no miolo do Império. E eu concordo com Neil Elliott quando afirma que, mais do que isso, a “teologia da cruz” em Paulo se dá em oposição deliberada ao Império. Utilizar a cruz como símbolo teológico tal como Paulo o fez seria insano, a menos que ele quisesse fazê-lo como oposição deliberada ao Império, como diz Elliott.
Num raciocínio simples, perguntemo-nos o seguinte: como o Império reagiria ao saber que alguém propalava em algumas de suas principais cidades (Corinto, Roma, Éfeso, Tessalônica etc) que um dos muitos “bandidos” e “insurretos judeus” abatidos pela crucificação agora havia ascendido à condição de Sotér kai Kýrios (Salvador e Senhor)? Não seria subversivo atribuir a um crucificado os títulos cabíveis somente ao Divino César – justamente os títulos de Senhor e Salvador (1Co 12,3)? Mais ainda subversivo do que atribuir os títulos pontifícios a um crucificado galileu, é afirmar que os “príncipes deste mundo” (archontes em grego, uma explícita alusão aos dirigentes do Império [1Co 2,6-8]) estão julgados por terem crucificado aquele insurreto.
Portanto, fazer do crucificado Sotér kai Kýrios não pode ser tomado como um esvaziamento do caráter político da cruz. Num contexto de dominação imperial, essa teologização só pode ser vista como um grande ato subversivo, de afronta deliberada às autoridades romanas, sobretudo ao Imperador. Não devemos esquecer que a política de expansão romana se dava justamente à base das prerrogativas messiânicas da pax, securitas et soteria – paz, segurança e salvação –, agora tributadas ao crucificado Jesus de Nazaré.
No plano das possibilidades e desdobramentos dessa “teologia da cruz”, temos então a potencialização e o empoderamento de todos crucificados e crucificadas do mundo. O próprio Paulo chegou a explorar esses desdobramentos, ao dizer que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são” (1Co 1,27-28). É por isso que a palavra da cruz só pode ser “loucura” para uns e “poder de Deus” para outros (1Co 1,18).
Isso quer dizer que uma “teologia cruz”, enquanto potencialização e empoderamento dos humilhados e humilhadas da terra, é mais do que necessária entre nós que hoje vivemos entre milhares de crucificados e crucificadas [Não é Alagoas, por exemplo, um estado majoritariamente feito de crucificados e crucificadas?]. Nesse sentido, a “teologia da cruz” consiste em falar do potencial que os humilhados e humilhadas têm de retomar a força e de serem autores de sua própria história. Significa tratar-lhes de forma não infantilizada. Mas, como dizia o grande psicólogo social Ignácio Martin-Baró, significa explorar o potencial de libertação latente no coração dos próprios oprimidos. Significa ainda viver à luz da convicção de que, se a história hoje é escrita em função dos crucificadores, amanhã é possível uma reversão disso, de modo que ela seja escrita pelos crucificados.
Assim como o crucificado de ontem foi feito Senhor e Salvador, uma “teologia da cruz” consiste em que os crucificados e crucificadas de hoje também possam ser feitos “senhores” e “salvadores”, pelo menos de suas próprias histórias.
A “teologia da cruz” como poesia e reconciliação
A Adélia Prado dizia no programa Sempre um Papo que a criação poética consiste num exercício de transcendência. A pedra que Carlos Drummond de Andrade viu não é a mesma que eu vi hoje no meio do caminho. O corpo feminino que instigou Vinicius de Moraes a escrever o poema Receita de Mulher não é o mesmo corpo feminino que o anatomista vê. Os seres humanos se tornam poetas e poetizas assim que esta capacidade de ver as coisas “transcendidas” os alcança. E é assim mesmo: é essa capacidade que os alcança, e não elas a ela!
Pensando assim eu reputo a “teologia da cruz” como uma poesia de tamanho maior. Porque ver a pedra no meio do caminho e um belo corpo feminino transcendidos, talvez esteja entre a média da criação poética. Mas ver um espetáculo como a crucificação, marcado pelo horror e o terror, transcendido como a forma com que “Deus reconcilia consigo todo o mundo” (2Co 5,19), ou é o Maior Delírio Psicótico da História, ou é a criação poética maximizada à toda potência. É por meio da fé que fazemos a segunda opção!
A crucificação era um espetáculo de horrores. Como Michel Foucault mostrou muito depois em Vigiar e Punir, “o corpo” era o local de manifestação das penas judiciárias. Todos os pormenores do ritual de suplício no corpo dos condenados deveriam ser minimamente regulamentados pelos códigos penais vigentes. No caso das crucificações romanas, a quantidade de chibatadas, o quebrar dos braços e pernas, a posição e a quantidade dos pregos, a caracterização pública do tipo de crime cometido (no caso de Jesus, a ridicularização da sua “realeza” por meio da coroa de espinhos), deveriam estar detalhadamente explicitados nos códigos penais. Conforme Foucault, o horror dos suplícios se prestava a duas coisas: (1) à afirmação do poder soberano sobre os corpos dos supliciados; (2) e o caráter exemplar para as testemunhas. Não é possível afirmar se Mel Gibson, em Paixão de Cristo, reproduziu com fidelidade o horror da crucificação de Jesus de Nazaré. Mas é possível arriscar a opinião de que sua dramaturgia deva estar mais próxima da crueldade das crucificações que a maioria das representações iconográficas que temos delas.
A “teologia da cruz”, tal como a temos em Paulo, transcende esse aspecto de horror ao ver na cruz a reconciliação do mundo com Deus (Cl 2,14-15).
Mas que significa estar reconciliado com Deus? Num mundo cheio de crucificados e crucificadas, como ter a paz que advém da reconciliação com Deus? Nesse mundo de crucificados e crucificadas, paz e sossego não seriam sinônimos de cinismo? Gosto da resposta que Rubem Alves deu a essas perguntas em sua tese de doutorado. Ele dizia em 1969: “Estamos reconciliados com Deus na medida em que compartilhamos da sua irreconciliação com o mundo, irreconciliação que faz com que Deus e os homens sofram. Por isso a paz com Deus significa uma ‘espada’ para o mundo: o julgamento permanente e a rejeição da inverdade daquilo que é, em favor de um novo amanhã de reconciliação e libertação”.
Sim, uma vez que Deus não está em paz com o mundo, estar reconciliado com Ele significa estar “inquieto” junto a Ele, até que “a justiça corra com um rio perene” (Am 5,24). A “teologia da cruz”, portanto, consiste nessa inquietação que nos impele a uma prática transformadora no mundo, e que tem por fundamento o movimento poético de ver a reconciliação do mundo com Deus, num lugar onde aparentemente reina um espetáculo de horrores.

Trabalhos citados
ALVES, Rubem. Da Esperança. Campinas: Papirus, 1987
BULTMANN, Rudolf. O significado do Jesus histórico para a teologia de Paulo. In: Crer e compreender: Ensaios selecionados. São Leopoldo: Sinodal, 2001
CROSSAN, John Dominic. O Jesus Histórico: A vida de um camponês judeu no mediterrâneo. Rio de Janeiro: Imago, 1997
ELLIOTT, Neil. A mensagem antiimperial da cruz. In: HORSLEY, Richard A. (Org). Paulo e o império: Religião e poder na sociedade imperial romana. São Paulo: Paulus, 2004
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: História da violência nas prisões. 36ª edição, Petrópolis: Vozes, 2009
HORSLEY, Richard A. Jesus e o império: O reino de Deus e a nova desordem mundial. São Paulo: Paulus, 2004
________ (Org.). Paulo e o império: Religião e poder na sociedade imperial romana. São Paulo: Paulus, 2004
MARTIN-BARÓ, Ignácio. Para uma Psicologia da Libertação. In: GUZZO, Raquel & LACERDA JR., Fernando. Psicologia Social: O resgate da Psicologia da Libertação. São Paulo: Alínea, 2009
RICHARD, Pablo. El Jesús histórico y los cuatro evangelios: Memoria, credo y canon para una reforma de la Iglesia. http://www.servicioskoinonia.org/relat/343.htm

www.opiocoisanenhuma.blogspot.com
www.aliancadebatistas.com.br
http://www.novosdialogos.com/


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21 de março de 2010

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS

(Rabino Nilton Bonder)

Toda sexta-feira à noite começa o Shabat para a tradição judaica.
Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino no sétimo dia da Criação.
Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo.
A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta.
Hoje, o tempo de "pausa" é preenchido por diversão e alienação.
Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações para não nos ocuparmos. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições.
Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo...
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim.
Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente.
As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado...
Nossos namorados querem "ficar", trocando o "ser" pelo "estar".
Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI - um dia seremos nossos?
Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante.
Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos...
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida.
A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é: o que vamos fazer hoje? Já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande "radical livre" que envelhece nossa alegria - o sonho de fazer do tempo uma mercadoria.
Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar.
Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

15 de março de 2010

Os Chacras

Com o lançamento do livro de Leonardo Boff [Meditação da luz: O caminho da simplicidade]que cita os Chacras e a energia Kundalini cresceu a curiosidade de algumas pessoas sobre esse assunto. sendo assim resolvi postar algo a respeito.



OS CHAKRAS
Em cada ser humano existe uma rede de nervos e órgãos sensoriais que interpretam o mundo físico exterior. Ao mesmo tempo, em nós, reside um sistema sutil de canais (nadis) e centros de energia (chakras) que cuidam do nosso ser físico, intelectual, emocional e espiritual.
A palavra chakra (chacra) é sânscrita e significa roda. Os chakras, ou centros de força, são pontos de conexão ou enlace, pelos quais flui a energia de um a outro veículo ou corpo do homem da superfície, quando este se encontra sob a lei do karma e sob a lei do livre arbítrio. Os clarividentes podem vê-los facilmente no duplo etérico, em cuja superfície aparecem sob forma de depressões semelhantes a pratinhos ou vórtices. Desse modo cada chakra assemelha-se a uma flor cujas pétalas estão em movimento constante e harmônico. Quando já totalmente desenvolvidos, assemelham-se a círculos de uns cinco centímetros de diâmetro, que brilham mortiçamente no homem comum, mas que, ao se excitarem vividamente, aumentam de tamanho e são vistos como refulgentes e coruscantes torvelinhos à maneira de diminutos sóis. Todas essas rodas giram incessantemente e pela boca aberta de cada uma delas flui continuamente a energia do mundo superior, a manifestação da corrente vital diamante do Segundo Aspecto do Logos Solar, a que chamamos energia primária, de natureza sétupla, cujas modalidades in totum agem sobre cada chakra, ainda que com particular predomínio de uma delas segundo o chakra. Sem esse influxo de energia, não existiria o corpo físico.

São ao mesmo tempo transmissores e transformadores de energia de corpo para o corpo, uma vez que seu mecanismo sincroniza as energias emocionais, mentais e etéricas. Eles aumentam ou reduzem a energia, ou moderam ou aceleram sua atividade, de um corpo para outro, de modo que a energia mais rápida do corpo emocional possa afetar a energia mais lenta do etérico, e vice-versa.
As cores, que variam de chakra para chakra, também reluzem de um modo que contribui para sua aparência de flor. Numa pessoa saudável, as formas dos chakras se encontram num belo equilíbrio simétrico e orgânico, em que todas as partes fluem em uníssono, num padrão rítmico. Seu movimento tem na verdade um caráter harmônico e musical, com ritmos que variam de acordo com as diferenças individuais de constituição e temperamento.
Portanto, os chakras atuam em todos os seres humanos. Nas pessoas pouco evoluídas seu movimento é lento, o estritamente necessário para formar o vórtice adequado ao influxo de energia. No homem bastante evoluído, refulgem e palpitam com vívida luz, de maneira que por eles passa uma quantidade muitíssimo maior de energia, e o indivíduo obtém como resultado o acréscimo de suas potências e faculdades.

Os principais chakras do corpo etérico estão alinhados ao longo de um eixo vertical, com os cinco chakras inferiores paralelos à medula espinhal, estendendo-se da base da coluna vertebral ao crânio, e os outros dois, um situado entre as sobrancelhas e o outro no alto da cabeça. Este último, o Chakra Coronário, é em geral maior do que os outros, sendo a sede dominante da consciência.



Os chakras variam de tamanho e brilho, que indicam talentos e habilidades especiais. O centro laríngeo e frontal de um cantor talentoso, por exemplo, é bem maior do que o normal, além de mais brilhante e mais luminoso, girando ainda com maior rapidez.
Cada um dos centros possui ligações especiais com determinados órgãos do corpo, bem como com certos estados de consciência.
As glândulas endócrinas – projeções físicas de cada um dos sete chakras – são sustentadas pelos padrões de energia oriundos de cada um deles a que estão relacionadas.
Os chakras também revelam a ênfase fundamental do indivíduo – o foco do "Eu". Se uma pessoa se identifica basicamente com os sentimentos, os centros do coração e o do plexo solar serão mais ativos e proeminentes do que os outros. Um frontal muito brilhante indica um grau de integração pessoal; um coronário luminoso indica o desenvolvimento da consciência espiritual.
O fio da consciência que desperta está ligado ao núcleo do Chakra Coronário. Durante o sono esse fluxo de energia diminui, sendo reativado no momento do despertar. O fio da vida (Cordão de Sutratma) contudo, liga o Chakra Cardíaco ao coração físico, e essa ligação não se rompe durante a vida. Na ocasião da morte, o fio da consciência se retira do Chakra Coronário e o fio da vida se desliga do coração, sinalizando a desintegração de todos os outros chakras.

As principais funções dos chacras etéricos são:
1- absorver e distribuir o prana ou energia vital ao corpo etérico e, através deste, ao corpo físico;
2- manter as ligações dinâmicas com os chakras correspondentes nos corpos emocional e mental.
O físico é afetado não apenas pela velocidade do fluxo da energia etérica, mas também pelo grau de harmonia no seu ritmo, e qualquer obstrução que possa deformar os padrões normais de energia resultam na perda de vitalidade e em doença. O processo da doença é bastante visível nos chakras, uma vez que não apenas rompe seu movimento harmônico como também altera a textura dos seus componentes.


CHAKRAS E BIJA-MANTRAS*



SÉTIMO CHAKRA - CORONÁRIO
(do sânscrito: "Sahashara": "O lótus da mil pétalas")

Localização: topo da cabeça
Correlação física: ligado à glândula pineal (epífise). É o chakra mais importante, pois é o responsável pela irrigação energética do cérebro. Bem desenvolvido, facilita a lembrança e a conscientização das projeções da consciência. É muito importante na telepatia e na mediunidade. É o chakra por onde penetra a energia cósmica.
Cor: branco fosforescente, violeta ou dourado
Pedra: Quartzo Branco
Bija-mantra: "Brahmarandra" ou o "OM"
O chacra coronário tem 972 pétalas (raios), sendo 960 na parte periférica e mais 12 raios em seu núcleo central (960 + 12 = 972). Por motivos esotéricos, os iogues arredondaram logo para 1000 pétalas.

Corresponde ao Sol Central Espiritual. É regido por Urano antes da primeira Iniciação e após a
terceira. Entra em atividade após a 3ª Iniciação, e é o órgão para a distribuição do primeiro aspecto (energia monádica e do aspecto vontade da divindade). Está vinculado à personalidade através do ANTAKARANA e alcança sua plena atividade após a destruição do Corpo Causal, na 4ª Iniciação. É o órgão de síntese, porque após a 3ª Iniciação e antes da destruição do corpo causal reúne em si os três aspectos da vida manifestada.
É o centro de Shambala no corpo físico e o agente do Pai, ou primeiro aspecto divino. Registra o propósito, corresponde ao "fogo elétrico"do Sistema Solar e é de qualidade dinâmica.
A glândula pineal é a sua exteriorização física. Está ativa durante a infância, até que a vontade esteja suficientemente desenvolvida, para atar o homem à vida física. Nas última etapas da vida humana entra de novo em atividade como agente para cumprir na terra a energia volitiva do ser humano. Este centro está relacionado com o Chakra Básico (Muladhara). A interação entre ambos produz a manifestação da vontade ou propósito divino. Quando as forças do Centro Coronário e do básico se combinam, produzem a mais alta manifestação do "fogo elétrico"individual, que quando se expressa plenamente é denominado fogo kundalini.
Está relacionado com o PRIMEIRO RAIO.


SEXTO CHAKRA - FRONTAL
(do sânscrito: "Ajnã": "Centro de comando". Também chamado Agnya)

Localização: fronte
Correlação física: ligado à glândula hipófise (pituitária).
É o responsável pela irrigação energética dos olhos. Bem desenvolvido, facilita a clarividência e a intuição. Por vezes, a sua atividade cria uma palpitação na testa ou sensação de calor (parece um coração batendo na testa).
Cor: branco-anil fosforescente, amarelo ou esverdeado
Pedra: Ametista ou Sodalita
Bija-mantra: "OM"

Corresponde ao Sol físico e é a expressão da personalidade integrada e atuante. É regido por Mercúrio antes da primeira iniciação e após a terceira. Adquire plena atividade quando se recebe a 3ª Iniciação. É o órgão de distribuição da energia do 3º aspecto, a Inteligência Ativa.
Está relacionado com a personalidade mediante o ‘cordão criador" e, portanto, está intimamente relacionado com o Centro Laríngeo (centro da atividade criadora)
O estabelecimento de uma interação ativa entre o Centro Ajna e o laríngeo produz uma vida criativa e uma manifesta expressão da vida divina por parte do inciado. Quando as forças do Centro Ajna e do laríngeo se combinam, produzem a mais alta manifestação do "fogo por fricção".
Este centro relaciona a tríade espiritual com a personalidade. Este centro registra ou enfoca a intenção de criar. Não é um órgão de criação, como o Centro Laríngeo, porém contém a idéia que jaz por trás da criatividade ativa, o conseguinte ato de criação que oportunamente produz a forma ideal para a idéia. Expressa as duas formas mais elevadas da imaginação e do desejo, sendo estes, dois fatores dinâmicos que estão contidos em todo ato criativo.
Este centro fusiona, expressa. É o centro que simboliza a natureza dual da manifestação nos três mundos. Fusiona as energias criativas da garganta e as energias sublimadas do desejo ou verdadeiro amor do coração.
É também o órgão do idealismo e está relacionado com o SEXTO RAIO.
A pituitária constitui a sua exteriorização física densa. Os dois lóbulos dessa glândula correspondem às duas pétalas do Centro Ajna.


QUINTO CHAKRA - LARÍNGEO
(do sânscrito: "Vishudda": "O purificador")

Localização: garganta
Correlação física: ligado à glândula tireóide e paratireóide. É o responsável pela irrigação da boca, garganta e órgãos respiratórios. Bem desenvolvido, facilita a psicofonia e a clariaudiência. É considerado também como um filtro energético que bloqueia as energias emocionais, para que elas não cheguem até os chakras da cabeça.
Cor: azul celeste, lilás, branco-prateado ou rosa
Pedra: Lápis - Lazuli
Bija-mantra: "HAM"

Localiza-se na parte posterior da nuca, estendendo-se para cima até a medula oblongada, envolvendo a glândula carótida e desce até os omoplatas. É um centro extremamente poderoso e um dos mais desenvolvidos no homem. Na atual raça, ária, está despertando rapidamente.
É regido por Saturno antes da primeira iniciação e após a terceira. É o centro através do qual a Tríade espiritual, a personalidade e a Alma atuam. É o órgão para a distribuição da energia criativa, a energia do Terceiro Aspecto, empregada pelos aspirantes de discípulos probacionistas. No homem comum, o centro é o Sacro. Nos discípulos e iniciados é o Ajna.
Relaciona-se com a personalidade através do "cordão criador", com a alma através do "cordão da consciência"e com a mônada através do Sutratma ou "fio da vida".
É o órgão da palavra criadora. Registra o propósito ou intenção criativa da alma, transmitido pela fluência da energia desde o Centro Ajna. A fusão das duas energias ( matéria e espírito) conduz a algum tipo de atividade criadora. É a analogia superior do Centro Sacro (neste centro se encerram as energias criadoras positiva e negativa, personificadas independentemente no homem e na mulher, as quais se põem em relação através de um ato criador, ainda que sem um propósito definido).
A tireóide é a personificação física densa desta glândula, de importância capital para o bem-estar do ser humano comum. Seu propósito é resguardar a saúde, balancear o equilíbrio corporal e simboliza o Terceiro Aspecto da inteligência impregnada pela mente. Tem vinculação com o Espírito Santo, influindo sobre a Mãe, a Virgem Maria. As paratireóides simbolizam Maria e José e sua relação com o Espírito Santo.
Este loto está invertido nas primeiras etapas da evolução e incluem os pulmões ou parte deles. Durante a evolução, gira lentamente para cima e suas pétalas se estendem até as orelhas, incluindo a medula oblongada e a carótida.

QUARTO CHAKRA - CARDÍACO (do sânscrito: "Anahata": "Invicto", "Inviolado")

Localização: coração
Correlação física: ligado à glândula timo. É o chakra responsável pela irrigação do coração. É considerado o canal de movimentação dos sentimentos. É o chakra mais afetado pelo desequilíbrio emocional. Bem desenvolvido, torna-se um canal de amor para o trabalho de assistência espiritual.Quando existe um bloqueio nesse chakra, a pessoa sente depressão, angústia, irritação ou pontadas no peito.
Cor: amarelo-ouro
Pedras: Quartzos Verde e o Rosa
Bija-mantra: "YAM"

("Como o homem pensa em seu coração, assim ele é")
Localiza-se entre as omoplatas e registra a energia do amor. Nos seres mais evoluídos, se transforma em agente de amor espiritual (Budi).
Corresponde ao "coração do Sol", e portanto é a fonte espiritual de Luz e Amor.
Corresponde ao "fogo solar" dentro do sistema solar, e é de qualidade magnética e atividade radiativa. É o órgão da energia que produz a inclusividade.
Funciona ativamente após a 2ª Iniciação, a qual marca a consumação do propósito pelo qual a natureza emocional (com sua destacada qualidade do desejo) é colocada sob o controle da alma e o desejo do eu inferior foi transmutado em amor. A capacidade de pensar com o coração é o resultado do processo de transmutação do desejo em amor, durante a tarefa de elevar as energias do plexo solar até o coração. Pensar com o coração também indica que o aspecto superior do Centro Cardíaco alcançou um ponto de real atividade. A reflexão como resultado do correto sentimento substitui a sensibilidade pessoal.
Sua exteriorização física densa é a glândula timo.
É o órgão de fusão. À medida que o Centro Cardíaco entra em atividade, o aspirante é atraído lentamente para uma relação mais estreita com a sua alma.
Pode-se dizer que simbolicamente "o coração do homem está atrelado ao plexo solar", ou, em outras palavras, o "amor ao desejo". Nas primeiras etapas de evolução, suas pétalas voltam-se para baixo, até o plexo solar. Na medida que o homem evolui o loto do plexo (também voltado para baixo) também gira para cima, isso porque as energias "aprisionadas"nas regiões inferiores agora sofrem um processo de transmutação, procurando evadir-se da "prisão", como resposta à atração espiritual.


TERCEIRO CHAKRA - UMBILICAL (do sânscrito: "Manipura": "Cidade das jóias". Também chamado Nabhi)

Localização: plexo solar. Cerca de dois centímetros acima do umbigo
Correlação física: ligado ao pâncreas. É o responsável pela irrigação do sistema digestivo.Quando está bloqueado, causa enjôo, medo ou irritação.Bem desenvolvido, facilita a percepção das energias ambientais.
Cor: verde-forte
Pedra: Topázio Citrino
Bija-mantra: "RAM"

Localizado abaixo das omoplatas, é um chakra extremamente ativo. Obteve um elevado grau de desenvolvimento na raça atlante. Este centro está peculiarmente relacionado aos centros Cardíaco e Ajna.
O plexo solar é um reflexo do "coração do Sol", assim como o é também o Centro Cardíaco. Constitui o fator central da vida da humanidade comum e do discípulo probacionista. Nesse ponto a mente começa definidamente a funcionar, ainda que tenuemente. É o ponto de saída do corpo astral para o mundo externo e o instrumento através do qual flui a energia emocional. É o órgão do desejo, que deve ser controlado e transmutado em amor/aspiração.
Este centro integra a energia do Segundo Aspecto da divindade.
O plexo solar só entrou em funcionamento durante a época atlante. É o centro distribuidor de todas as energias que se encontram sob o diafragma. É o centro mais separatista dos centros (excessão para o Ajna, para quem segue o caminho da "esquerda"), porque se encontra no ponto médio, entre o Centro Laríngeo e o Centro Cardíaco – acima do diafragma – e os centros Sacro e Básico, abaixo do diafragma.
É o centro do veículo etérico e através dele flui a "brilhante luz gerada na Atlântida" e se faz contato com a luz astral, portanto é o centro onde trabalha a maioria dos médiuns e atuam os clarividentes.
A exteriorização física deste centro é o pâncreas, com uma exteriorização secundária no estômago e no fígado. É um órgão de síntese e recolhe em si mesmo todas as energias inferiores durante certa etapa do desenvolvimento superior do ser humano. Suas pétalas se estendem até o Centro Cardíaco, significando com isso que a energia emocional (ambição e desejo) se esforçam para alcançar o caminho superior.

SEGUNDO CHAKRA - SACRO (do sânscrito: "Swadhistana": "Morada do Prazer")

Localização: baixo ventre (pela sua própria localização no corpo, esse chakra seria melhor denominado como "gênito-urinário").
Correlação física: ligado às gônadas (homem: testículos; mulher: ovários). É o responsável pela irrigação dos órgãos sexuais; é também responsável pela vitalização do feto em formação, função essa que divide com o chakra básico. Aliás, a ligação desse dois chakras é estreita demais. Isso se deve ao fato de que parte da energia kundalini é veiculada do básico para dentro do chakra sacro. É por esse fator que alguns tibetanos consideram esses dois chakras como um único centro.
Cor: laranja, roxo ou vermelho (dependendo das circunstâncias).
Pedra: calcita
Bija-mantra: "VAM"

Localiza-se na parte inferior da zona lombar e é muito poderoso, pois controla a vida sexual, e deve continuar assim até que dois terços da humanidade receba a iniciação, porque os processos procriadores devem continuar e estar ativos a fim de proporcionarem corpos para as almas que vão encarnar.
Este centro corresponde ao Sol físico e suas energias devem ser elevadas ao Centro Laríngeo. Este centro foi levado à plena atividade na época lemuriana. Registra a energia do Terceiro aspecto da divindade. Sua energia é a do Espírito Santo.
A exteriorização física deste centro está nas gônadas, os órgãos físicos da procriação.
Este centro está estreitamente relacionado com a matéria e existe uma afluência de energia entre os três pontos existentes na parte inferior do corpo humano, ou seja: o baço, órgão do prana ou da vitalidade física que provém do Sol; o Centro Sacro, agente que predispõe à procriação física e o centro na base da coluna vertebral que nutre o princípio doador da vida, a vontade de viver em todas as partes da estrutura humana.
Estes três criam um grande triângulo de forças relacionado com a matéria, a substância, a construção de formas, a criação, a vitalidade e a persistência da forma. Este triângulo é um reflexo de outro superior, composto por:
• Centro laríngeo, que corresponde ao Centro Sacro.
• Corpo pituitário, que corresponde ao Centro Esplênico (baço).
• A glândula pineal, que corresponde ao Centro Básico.


PRIMEIRO CHAKRA - BÁSICO (do sânscrito: "Muladhara": "Base e fundamento"; "Suporte")

Localização: base da coluna
Correlação física: ligado às glândulas supra-renais. É o responsável pela absorção da kundalini (energia telúrica) e pelo estímulo direto da energia no corpo e na circulação do sangue.
Cor: vermelhão
Pedra: granada
Bija-mantra: "LAM"

Este centro localiza-se na base da coluna vertebral e sustém os demais centros. Na época atual encontra-se passivo, pois só entra em atividade por um ato de vontade dirigida e controlada pelo iniciado. Responde ao aspecto VONTADE. Da mesma forma que o princípio vida está situado no coração, também a vontade de ser está situada na base da coluna abaixo do osso sacro. Seu principal aspecto é a inocência. Inocência é a qualidade pela qual nós experimentamos alegria pura, infantil, sem as limitações do preconceito ou condicionamentos. A inocência nos dá dignidade, equilíbrio e um enorme senso de direção e propósito na vida. É apenas simplicidade, pureza e alegria.
Neste centro se unem espírito e matéria, e a vida se relaciona com a forma. É o centro onde a "serpente de Deus"experimenta duas transformações:
• A serpente da matéria permanece enrolada sobre si mesma.
• Tal serpente é transformada na "serpente da sabedoria".
• A serpente da sabedoria é transladada e se converte no "dragão de luz vivente".
Estas três etapas estão nutridas pela vida e pela energia que flui e desce através de toda a coluna vertebral, por intermédio da analogia etérica do cordão vertical.
*Bija-mantra (do sânscrito): "Núcleo vibratório de um mantra"; "Mantra-semente"; "Senha vibratória para evocação de uma determinada freqüência espiritual".
Kundalini (do sânscrito: "Enroscada"; "Fogo Serpentino") é a energia que entra no campo energético por intermédio do chakra básico. É também chamada genericamente aqui no Ocidente de energia telúrica (energia da terra) ou geoenergia. Contudo, essa definição ocidental é muito pobre. Os orientais, notadamente os hindus, tibetanos e chineses antigos (taoístas), aprofundaram-se bastante no estudo dessa energia. Ela também é chamada pelos iogues de "Shakti" (do sânscrito): a força divina aninhada na base da coluna (chakra básico). O despertar da kundalini é um processo puramente espiritual e energético em essência. Envolve a ativação dos chakras, principalmente do chakra cardíaco, que equilibra e distribui corretamente o fluxo ascendente da shakti ao longo dos nádis.
OBS. a palavra INICIAÇÃO aqui se refere às Iniciações relacionadas à Grande Fraternidade Branca Universal.
Todos os centros (Lótus) estão desde o início invertidos, com as pétalas para baixo, em direção à base da coluna vertebral. Durante o processo de evolução, todos gradualmente abrem suas pétalas e giram lentamente para cima, "para a cúspide do cetro". A única excessão é o LOTUS do Centro Coronário, que durante a liberação mantém a posição invertida, com o talo do loto (em realidade o antakarana ascendendo ao "sétimo céu", vinculando o iniciado com o primeiro e principal centro planetário, Shambala.
A excessão está no CENTRO AJNA. Este centro tem somente duas pétalas, não é um verdadeiro loto no mesmo sentido dos demais centros. Suas pétalas estão compostas de 96 pétalas menores ( 48+ 48) ou unidades de força, mas estes não assumem a forma da flor de lotus, como os demais centros. Se abrem como AS ASAS DE UM AVIÃO, à direita e esquerda da cabeça, simbolizando as sendas da direita e da esquerda, os caminhos da matéria e do espírito. Constituem os braços da cruz onde o homem está crucificado, duas correntes de energia ou luz, cruzadas obliquamente através da corrente da vida que desce da mônada até a base da coluna vertebral, passando através da cabeça.

* * *

Há muito mais chakras do que os sete principais. Há chakras secundários nas palmas das mãos, plantas dos pés, pulmões, fígado, estômago, orelhas, mandíbulas, ombros, joelhos, entre as escápulas (omoplatas) e espalhados por todo corpo. E, em escala menor, pode-se dizer que para cada poro do corpo há um pequeno chakra em correlação direta no campo vibratório correspondente.

Fonte principal:
“OS CHAKRAS – os centros magnéticos vitais do ser humano” – C. W. Leadbeater

27 de fevereiro de 2010

GUERREIRO DA PAZ

Nestes momentos difíceis de ajustamento para nossa civilização
é hora de convocar o conselho dos anciãos
e colocar em alerta os Guerreiros da Paz.

http://www.youtube.com/watch?v=DhoEb7nZ9sQ





GUERREIRO DA PAZ

Eu chamo a força, eu chamo a força
eu chamo a força
força das pedras para me firmar
Eu chamo a terra, eu chamo a terra
eu chamo a terra
eu chamo a terra para me enraizar
Eu chamo o vento, eu chamo o vento
eu chamo o vento
eu chamo o vento vem me elevar
Eu chamo o fogo, eu chamo o fogo
eu chamo o fogo
eu chamo o fogo para me purificar
Eu chamo a Lua, chamo o Sol
chamo as estrelas
Chamo o universo para me iluminar
Eu chamo a água, chamo a chuva
e chamo o rio
Eu chamo todos para me lavar
Eu chamo o raio, o relâmpago e o trovão
Eu chamo todo o poder da criação
Eu chamo o mar, chamo o céu e o infinito
Eu chamo todos para nos libertar
Eu chamo Cristo, eu chamo Budha
Eu chamo Krishna
Eu chamo a força de todos orixás
Eu chamo todos com suas forças divinas
Eu quero ver o universo iluminar
Eu agradeço pela vida e a coragem
Ao universo pela oportunidade
E a minha vida eu dedico com amor
Ao sonho vivo da nossa humanidade
Sou mensageiro, sou cometa, eu sou indígena
Eu sou filho da nação do Arco Íris
Com meus irmãos eu vou ser mais um
guerreiro
Na nobre causa do Inka Redentor
Eu sou guerreiro, eu sou guerreiro e vou lutando
A minha espada é a palavra do amor
O meu escudo é a bondade no meu peito
E o meu elmo são os dons do meu senhor
Eu agradeço a nossa Mãe e ao nosso Pai
E aos meus irmãos por todos me ajudar
A minha glória para todos eu entrego
Porque nós todos somos um nesta união
Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde o principio
todos nós somos irmãos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva o Poder de todo o universo!

**************************************


WARRIOR OF PEACE
I call the force, I call the force
I call the force
forces of the stones to firm me
I call the earth, I call the earth
I call the earth
I call the earth to root me
I call the wind, I call the wind
I call the wind
I call the wind comes to rise me up
I call the fire, I call the fire
I call the fire
I call the fire to become purified
I call the Moon, I call the Sun
I call the stars
I call the universe to illuminate me
I call the water, I call the rain
and I call the river
I call all to wash me
I call the ray, the lightning and the thunder
I call all the power of the creation
I call the sea, I call the sky and the infinite
I call all to free us
I call Christ, I call Budha
I call Krishna
I call the force of all Orixás
I call all with their divine forces
I want to see the universe light up
I thank for the life and the courage
To the universe for the opportunity
And my life I dedicate with love
To our humanity's alive dream
I am messenger, I am comet, I am indigenous
I am son of the nation of the rainbow
With my siblings I will be one more
warrior
In the noble cause of Inka Redentor
I am warrior, I am warrior and I am going struggling
My sword is the word of the love
My shield is the kindness in my chest
And my helmet is my gentleman's talents
I thank our Mother and to our Father
And to all my brothers for to help me
My glory for all I give
Because us all are one in this union
Ñdarei a sã
ñdarei a sã ñdarei a sã
ñdarei a sã
From the begining
all of us are brothers!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Live the Power of the whole universe!

******************************************

GUERRERO DE PAZ
El que une la verdad...
Llamo la fuerza, llamo la fuerza
llamo la fuerza
fuerza de las piedras para firmarme
Llamo la terra, llamo la terra
llamo la terra
llamo la tierra para enraizarme

Llamo el viento, Llamo el viento
Llamo el viento
Llamo el viento vem a elevarme
Llamo el fuego, Llamo el fuego
Llamo el fuego
Llamo el fuego para purificarme

Llamo la luna, llamo el Sol
llamo las estrelas
Llamo el universo para iluminarme
Llamo el agua, llamo la lluvia
y llamo el rio
los llamo a todos para lavarme

Llamo el rayo, el relámpago y el trueno
Llamo todo el poder de la creacion
Llamo el mar, llamo el cielo y el infinito
Llamo a todos para libertarnos

Yo llamo Cristo, llamo a Budha
llamo a Krishna
Llamo la fuerza de los Orixás
Llamo a todos con sus fuerzas divinas
Yo quiero ver el universo iluminar

Yo agradezco por la vida y el corage
Al universo por la oportunidad
Y mi vida dedico con amor
al sueño vivo de nuestra humanidad

Soy mensajero, soy cometa, soy indígena
Soy hijo de la nación del Arco Íris
con mis hermanos voy a ser un guerrero más
En la noble causa del Inca redentor

Yo soy guerrero, soy guerrero y voy luchando
Mi espada es la palabra del Amor
Mi escudo es la bondad en mi pecho
Y mi casco son los dones de mi señor

Yo agradezco a nuestra Madre y a nuestro Padre
Y a mis hermanos por ayudarme
Mi gloria para todos yo entrego
Porque todos somos uno dentro de esta unión

Ñdarei a sã
ñdarei a sã
ñdarei a sã
Desde el principio
todos somos hermanos!
Orei ouá
Orei ouá
Orei ouá
Viva el Poder de todo el universo!

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سلحشور صلح ال qué unë در verdad من اسمش زور ، من اسمش قدرت من اسمش قدرت نیروی سنگ ها به من ثابت من اسمش زمین ، من اسمش زمین من اسمش زمین من تماس بگیرید برای دریافت زمین ریشه
من اسمش باد ، من اسمش باد من اسمش باد من اسمش باد آمد بلند من تا من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش آتش من اسمش را به آتش مرا پاک
من اسمش ماه ، من خورشید ستاره کهکشان من اسمش را به من تعلیم من اسمش آب تماس ، من تماس با باران و من اسمش تمام رودخانه برای شستن
من اسمش رعد و برق ، رعد و برق و غرش من اسمش تمام قدرت خلقت من اسمش دریا ، بینهایت آسمان تماس بگیرید و من اسمش را به هر کس آزاد است؟
من اسمش مسیح ، من اسمش را بودا من اسمش کریشنا من اسمش قدرت تمام خدایانشان من اسمش همه نیروهای خود را الهی من می خواهم برای دیدن نور جهان
من از شما سپاسگزارم به زندگی و جهان شده توسط شجاعت و فرصت را وقف زندگی من دوست دارم زندگی رویای انسانیت ما
من فرستاده ، من مرتکب ، من هند من پسر رنگینکمان کشور با برادران من من بیشتر جنگجو در علت اصیل آمرزنده اینکا
من قوی ، من قوی بود و من مبارزه با شمشیر من این است که کلمه ای از عشق من این است سپر خوبی در قفسه سینه ام و من کلاه از هدایای پروردگار من
Ndari Ndari Ndari صدا صدا صدا از همان آغاز ما همه برادران! من دعا کنم دعا دعا ÖÜå ÖÜå ÖÜå زنده باد قدرت تمام جهان!