O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

9 de julho de 2010

30 anos sem Vinicios

Vinicius de Moraes

(Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 — Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980)


"Quem já passou por esta vida e não viveu. Pode ser mais mas sabe menos do que eu porque a vida só se dá pra quem se deu... "





30 de junho de 2010

Só por Hoje - Os dez mandamentos da serenidade do Papa João XXIII


O Papa bom


1. Só por hoje tratarei de viver exclusivamente este meu dia, sem querer resolver o problema da minha vida, todo de uma só vez.

2. Só por hoje terei o máximo cuidado com o meu modo de tratar os outros: delicado nas minhas maneiras; não criticar ninguém; não pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém senão a mim.

3. Só por hoje me sentirei feliz com a certeza de ter sido criado para ser feliz não só no outro mundo, mas também neste.

4. Só por hoje me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias, se adaptem todas aos meus desejos.

5. Só por hoje dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, lembrando-me que assim como é preciso comer para sustentar o meu corpo, assim também a leitura é necessária para alimentar a vida da minha alma.

6. Só por hoje praticarei uma boa ação sem contá-la a ninguém.

7. Só por hoje farei uma coisa de que não gosto e se for ofendido nos meus sentimentos procurarei que ninguém o saiba.

8. Só por hoje me fareu um programa bem completo do meu dia. Talvez não o execute perfeitamente, mas em todo o caso, vou fazê-lo. E me guardarei bem de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9. Só por hoje ficarei vem firme na fé, de quje a Divina Providência se opucpa de mim como se existisse somente eu no mundo - ainda que as circunstâncias manifestem o contrário.

10. Só por hoje não terei medo de nada. Em particular, não terei medo de gozar o que é belo e não terei medo de crer na bondade.

Durante doze horas de um dia posso fazer bem o que me desanimaria se pensasse que teria que fazê-lo durante toda a minha vida.

19 de junho de 2010

Um cristianismo capaz de aprender

"Um cristianismo segundo o estilo de Jesus não se apresenta como instituição detentora de um sistema de dogmas a serem ensinados ao mundo, mas sim como espaço em que as pessoas encontram a liberdade para que possa vir para fora a presença de Deus que já habita a sua própria existência."

A opinião é de Christian Albini, doutor em ciências sociais e teólogo italiano membro daAssociação Teológica Italiana, em artigo publicado em seu blog Sperare per Tutti, 16-06-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.
Do estilo de Jesus, surge a provocação de um cristianismo que aprende. As patologias e as infidelidades ao evangelho que invadem todas as épocas da história eclesial podem ser lidas como rupturas da correspondência entre forma e conteúdo. Quando prevalece a forma, tem-se um cristianismo reduzido a estetismo litúrgico, a instituição hierárquica, a estrutura onde está ausente a substância daquele amor que Jesus porta até a cruz.

Quando, ao contrário, prevalece o conteúdo, tem-se um cristianismo reduzido a um aparato doutrinal e dogmático, uma verdade feita de fórmulas às quais deve-se assentir, privada de um laço vital com a existência das pessoas. Este último seria um cristianismo sem conversão, em que Zaqueu não redistribuiria as suas riquezas...

Jesus, ao invés disso, indica o caminho de um cristianismo capaz de aprender. Jesus, segundo Christoph Theobald, não define a sua identidade e não a impõe a ninguém. Cria um espaço de liberdade em torno de si comunicando, unicamente com a sua presença, uma proximidade benéfica a todos os que encontra. Jesus não dá um ensinamento metafísico, ético ou moral, mas deixa intuir de modo diferente, de acordo com a pessoa que encontra, uma nova maneira de ver o mundo e de situar-se nele. É como se colocasse cada um na condição de experimentar a própria conversão, a própria descoberta do Reino de Deus em meio a nós.

Um cristianismo segundo o estilo de Jesus, por isso, é capaz de aprender. Em outras palavras, não se apresenta como instituição detentora de um sistema de dogmas a serem ensinadas ao mundo, mas sim como espaço em que as pessoas encontram a liberdade para que possa vir para fora a presença de Deus que já habita a sua própria existência.

Cada pessoa – qualquer que seja sua religião, o seu pensamento e a sua cultura – é portadora de uma imagem que Deus que espera se revelar, como para os apóstolos noPentecostes, isto é, de tornar próprio o estilo de Jesus. Não de imitá-lo segundo cânones padronizados, mas de realizá-lo dentro da própria unicidade e irrepetibilidade.

Por isso, os cristãos deveriam estar em busca da manifestação de Deus própria de cada religião, cultura e pensamento, ao invés de assumir atitudes de desvalorização e condenação.

16 de junho de 2010

Tao te King - A não-violência

.

A SABEDORIA DA NÃO-VIOLÊNCIA
(DO ‘TAO TE KING’ DE LAO-TSE, SÉCULO VI a.C)
A Vida verdadeira é como a água:
Em silêncio se adapta, ao nível inferior,
Que os homens desprezam.
Não se opõe a nada,
Serve a tudo.
Não exige nada,
Porque sua origem é da Fonte Imortal.
O homem realizado não tem desejos de dentro,
Nem tem exigências de fora.
Ele é prestativo em se dar
E sincero em falar,
Suave no conduzir,
Poderoso no agir.
Age com serenidade.
Por isto é incontaminável.
.

29 de maio de 2010

não vale tapar o sol com uma peneira

J. Ricardo A. de Oliveira& Unisinos


Tem circulado na internet um e-mail justificando que apenas uma parcela mínima dos padres são criminosos.

eis em sintese o que aprece em todos os e-mails:

Reflita: Você sabe quantos padres tem o Brasil?

Temos 18 mil padres no Brasil (abril de 2010).
E mais de 100 milhões de fiéis.
Isso significa que cada padre tem que atender a mais de 5555 fiéis.

Agora faça essa conta comigo:
10% de 18 mil padres = 1.800 padres
1% de 18 mil padres = 180 padres
0,1% de 18 mil padres = 18 padres
0,01% de 18 mil padres = 1,8 padres

Quantos padres brasileiros estão envolvidos em escândalos pela mídia?
2 ou 3?
Isso significa menos de 0,02% de todos os padres do Brasil!

E os outros 99,98%?
Nós vamos condenar todos os padres por causa de 2 ou 3?
Nós vamos deixar de acreditar em 11 Discípulos porque Judas traiu Jesus?
Nós vamos deixar de acreditar no Senhor por causa disso?
Deixaremos de ir à Igreja e de comungar por causa da mídia escandalosa?

Pense bem: mesmo você sendo pecador e imperfeito, mesmo com dúvidas, mesmo assim Ele morreu por você!

A esse e-mail eu tenho sistematicamente respondido que:

Certamente que não vamos condenar inocentes e muito menos deixar de ir à igreja ou comungar, isso não faria o meno sentido, mas é preciso ter clareza.

Prefiro seguir Bento XVI e olhar de frente para o problema,porque se seguir o seu raciocínio posso refletir:

Qual a população do Brasil 180 000 000 de habitantes
10% = 18.000.000
quantos chefes de tráfico temos no Brasil
no máximo uns 1000
isso representa o,oo5%
será que não devemos nos preocupar em combater o Tráfico no país?

Seguimos a um Deus que nos recomendou sermos perfeitos como o Pai,
alertou-nos para que não fôssemos motivo de escândalo e foi um ferrenho denunciador
dos absurdos da classe sacerdotal de sua época.
Se quisermos preservar a tarefa que Ele nos enviou, a construção do Reino, precisamos
ser mais corajosos e combater tudo o que é joio no seio de nossa igreja.
Os padres que por acaso tropeçaram merecem todo o nosso cuidado e ajuda.
Entretanto, não podem continuar manchando o nome da igreja, não podem dar motivo para que a mídia se aproveite de suas faltas para enlamear toda a igreja.
A igreja precisa ser reconhecida, como sempre foi, como reserva moral, como uma instituição divina, não pode permitir que nela estejam abrigados aqueles que só fazem divulgar e fomentar a devassidão e o desregramento.
Não é a mídia que está tentando denegrir a igreja, mas sim aqueles que fornecem os motivos para a mídia ter assunto e motivo para isso.
Os fatos, lamentavelmente não podem ser negados, e escondidos,

Desculpe, mas prefiro acreditar no ato corajoso do papa em admitir que o pecado
está escondido dentro de nossa igreja e que precisamos trabalhar para erradicá-lo.
Um indivíduo que dirige embriagado, padre ou não é um criminoso que atenta contra vidas.
Tão grave como combater o aborto é combater motoristas embriagados que também são assassinos em potencial.
Tão grave como combater o sexo desregrado e promíscuo na sociedade e não admitir os preservativos com a justificativa de que preservamos a moral é combater pédofilos, sejam eles padres ou não, que matam a inocência daqueles a quem Jesus disse que herdariam o reino.

Sejamos simples, mansos e humildes, mas intolerantes para com o pecado.
O papa Paulo VI disse certa vez que a fumaça de Satanás havia entrado sorrateira na igreja,
precisamos apagar o fogo que produz esta fumaça...


Agora chegam notícias da Alemanha e as declarações são bombásticas e são de uma enviada da própria igreja.

Já não é mais a mídia.


O Artigo abaixo é verdadeiramente preocupante.

Pedofilia: o escândalo sacode os jesuítas

Centenas de crianças e jovens foram violentados ou sofreram agressões físicas brutais durante décadas nas instituições escolares dos jesuítas da Alemanha, e durante décadas a ordem sistematicamente encobriu e silenciou as denúncias. A denúncia foi feita nesta quinta-feira pela advogada Ursula Raue, estudiosa [b]encarregada pela própria Igreja[/b] para investigar o escândalo dos abusos sexuais nas escolas jesuítas, e pelo padre StefanDartmann, provincial da Companhia de Jesus na Alemanha.
A reportagem é de Andrea Tarquini, publicada no jornal La Repubblica, 28-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto
O relatório de Raue revela que o horror teve dimensões ainda mais amplas do que se pensava. E coincide com um êxodo em massa da Igreja Católica na Alemanha: 125 mil fiéis a deixaram, um recorde histórico que denuncia a gravíssima crise de credibilidade do catolicismo no país do Papa e que o expõe também a sérias dificuldades financeiras, com a diminuição das contribuições fiscais do fiéis.
"É escandaloso, é uma realidade que nos enche de vergonha e desonra. Peço perdão a todas as vítimas", disse o padre Dartmann. Ele condenou as décadas de silêncio, "fruto de uma cultura de solidariedade com os culpados em vez de suas vítimas, uma cultura não só escolhida por pessoas individuais, mas bem radicada na ordem naquele momento e, temo, ainda hoje". Mas Dartmann não quis indicar se haverá indenizações financeiras ou materiais para quem sofreu o martírio.
"Os casos confirmados são 205, mas temo que o número real é ainda maior", explicou Ursula Raue. Muitas vítimas, teme a investigadora oficial, provavelmente ainda não encontraram a coragem para superar a vergonha e para denunciar seu caso, enquanto outras já poderiam estar mortas. Segundo a mídia, pelo menos outros 50 casos foram confirmados em instituições católicas não administradas pelos jesuítas.
No seu relatório, a doutora Raue apresentou testemunhos terríveis. Pelo menos 12 sacerdotes, seis dos quais já faleceram, são culpados diretos. Outros 32 entre religiosos e assistentes leigos são fortemente suspeitos.
Havia o padre Eckhart, do prestigioso colégio Canisius de Berlim, que "batia muitas vezes e com gosto", ou o padre Michael, "que gostava de bater na bunda dos meninos nus na presença de outros menores e depois controlava quais dos outros menores tinha uma ereção".
Um outro religioso, do qual não se diz o nome, é acusado de ter violentado uma menina de nove anos e outra de 14 no confessionário. "O limite entre estupro e violência física era muitas vezes efêmero. Frequentemente, os padres se excitavam batendo nos menores", explicou Ursula Raue.
A lista das escolas religiosas envolvidas é um mapa de todo o país: Canisius de Berlim,Sankt Blasien, o colégio Aloisius em Bonn, Sankt Ansgar em Amburgo, instituições emGöttingen, o colégio da Imaculada em Büren e em Westfalia, diz a lista parcial divulgada nesta quinta-feira pela revista Spiegel.

Fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32898

26 de maio de 2010

''Mulheres sacerdotisas''

A igreja são os ramos e as folhas das árvores. O chão, asfalto e grama, aquela que cresce corajosamente no meio das rodovias de Milão. O altar é uma mesinha Ikea. E atrás dele está ela, Maria Vittoria Longhitano, paramento vermelho e a voz afetada pela emoção.
A reportagem é de Annachiara Sacchi, publicada no jornal Corriere della Sera, 24-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.




Inicia assim, ao ar livre, a "primeira" missa celebrada pela "primeira" mulher ordenada sacerdotisa na Itália. Avenida Caterina da Forlì, é aqui que se reúne a pequena comunidade da Igreja Vétero-Católica. São cerca de 50 fiéis: crianças, famílias, idosos. Há também os parentes de Maria Vittoria (a mãe e a irmã que chegaram da Sicília e o marido, Andrea), os amigos valdeses e alguns homossexuais e transsexuais que "só aqui" se sentem "mais perto de Deus".
Um auditório comovido assim como a oficiante que inicia a missa assim: "Espero ter voz". Mas apesar do tráfego, as suas palavras são claríssimas quando, durante a homilia, explica ter "sentido dor como mulher e como sacerdote" pelo não da Igreja Católica Romana de lhe permitir que rezasse a missa na capela diante dos jardins onde, como diaconisa, sempre pôde fazê-lo. Eis por que a missa é celebrada ao ar livre.
E eis por que, a partir do próximo domingo, madre Vittoria encontrará "asilo" na Igreja Batista da rua Jacopino da Tradate. "Comunicaram-me na semana passada: uma mulher não pode celebrar". Mas, "quanto maior a cruz, maior é a obra de redenção, e então é justo abrir caminho em um país que não se acostumou a ver uma mulher com os paramentos".
Coragem e determinação. Madre Vittoria cita duas figuras femininas. Uma é Emanuela Loi, policial vítima da máfia. A outra é Santa Rita. "A santa dos milagres impossíveis", à qual, explica, desde criança pedia para ser coroinha. "Hoje, me sinto como naquele momento, discriminada".
Madre Vittoria (que lembra também o massacre de Capaci) diz: "Obrigado por estarem perto de mim. Nós somos fracos, pobres, pequenos, mas tudo o que é negativo Deus tem o poder de transformar em força". E acrescenta: "Se não compreendermos o que é a marginalização – mesmo que cause raiva quando ela ocorre em nome de Jesus – não podemos ser instrumentos de libertação".
A missa chega ao fim. Para a comunidade, chega uma nova fase na Igreja Batista. "Ali – sorri Maria Vittoria –, terei que evitar o incenso: é a única coisa que não é admitida".

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32803

24 de maio de 2010

'Bento XVI é o Papa das oportunidades perdidas'', afirma Küng

Bento XVI é o Papa das "oportunidades perdidas", avalia o célebre teólogo suíço Hans Küng, declarando-se em "oposição leal" a Roma, em una entrevista que foi publicada neste domingo no parisiense Journal du Dimanche.

"O pontificado de Bento XVI é o das oportunidades perdidas e não o das oportunidades aproveitadas", deplorou o teólogo, que se converteu, nos últimos dez anos, em um dos críticos mais férreos da Cúria Romana.




A reportagem é do sítio Religión Digital, 23-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Ao detalhar essas "oportunidades perdidas", Küng citou: "a aproximação com as Igrejas protestantes, o acordo duradouro com os judeus – ele fala deles como do povo deicida –, o diálogo aberto com os muçulmanos – qualificou o Islã de religião violenta e desumana – e a oportunidade de ajudar os povos africanos em sua luta contra a superpopulação mediante a contracepção e a utilização dos preservativos para lutar contra a Aids".

O teólogo também critica o Papa por fomentar o retorno da missa tridentina em latim e a prática da eucaristia dando as costas à assembleia de fiéis. "Não são em nada sinais de abertura", avalia.

Hans Küng, conhecido por seus posicionamentos liberais, em especial com relação ao celibato dos sacerdotes, afirma que está em "oposição leal" com o Papa, por quem diz sentir estima.

"É porque tenho estima por Ratzinger que me oponho a ele. Temos caminhos paralelos, ambos viemos de famílias católicas, conservadoras. Fizemos nossos estudos de teologia ao mesmo tempo. Éramos os dois mais jovens especialistas conciliares do Vaticano II. Em 1968, nossos caminhos divergiram. Os movimentos contestatários dos estudantes chocaram Ratzinger profundamente", lembrou.

"Ele voltou para a Baviera e tomou um caminho cada vez mais conservador. Ele se converteu em bispo e assumiu a direção da Congregação para a Doutrina da Fé. Ele se encerrou há 30 anos nessa bolha conservadora que o isolou da realidade humana", acrescentou Küng.

fonte:
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32733

23 de maio de 2010

Nem sempre o que você vê é realmente o que existe.

Eu recebi de um amigo um e-mail com estas curiosidades
e não resisti em colocá-las no Blog.
Na verdade mais do que simples curiosidade estas imagens e situações são fenômenos estudados pela psicologia e estão ligadas a leis de percepção
que muitos não conhecem.
Essas leis são estudadas por uma escola Gestaltista de psicologia.
São importantes para nos alertar que nem sempre vemos o que pensamos ver, o que pode realmente tornar temerário qualquer julgamento nosso
sobre algo ou algum comportamento de uma pessoa.
Há toda uma série de disposições internas e mecanismos
que impedem a nossa percepção da realidade.

Por hora, divirtam-se com as pegadinhas a seus cérebros.
Mas não esqueçam que o frio pode ser quente,
como quando seguramos por muito tempo uma pedra de gelo.
O doce pode ser amargo embora o tamanho da colher seja o mesmo,
dependendo apenas se o que ela contém é um doce saboroso
ou um daqueles xaropes que de tão doce chegam a amargar.
Bom divertimento!
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Leia em voz alta o que está escrito no quadro abaixo.





Mais do que provavelmente você disse, 'A bird in the bush,'!
e...se isso É o que VOCÊ disse, então você não viu
que a palavra THE está repetida duas vezes!
Desculpe, olhe novamente.

Agora, vamos brincar com algumas palavras.
O que você vê?
Em preto você pode ler a palavra GOOD, em branco a palavra EVIL (dentro de cada letra preta tem uma letra branca).
Agora, o que você vê?

Você pode não ver isso à primeira vista, mas nos espaços em branco pode-se ler a palavra optical, na paisagem azul lê-se a palavra illusion. Olhe novamente! Pode ver porque esta pintura é chamada de ilusão de ótica?

O que você vê aqui?



Esta é difícil!
A palavra TEACH reflete como LEARN.

A Última.

O que você vê?
Você provavelmente leia a plavra ME em marrom, mas.......
quando olha através de ME você vê
YOU!

Precisa olhar novamente?
Teste Seu Cérebro

Esta é muito legal. A segunda é impressionante então por favor leia tudo.



TESTE DE OLHOS DE ALZHEIMERS

Cunte todos os '
F ' no seguinte texto:


FINISHED FILES ARE THE RE
SULT OF YEARS OF SCIENTI
FIC STUDY COMBINED WITH
THE EXPERIENCE OF YEARS...

(VEJA ABAIXO)

QUANTOS ?
ERRADO, TEM
6 -- sem brincadeira.
LEIA NOVAMENTE !
Realmente, Volte e Tente encontrar o 6 F 's antes de rolar para baixo.

A razão por trás disso está mais abaixo.

O Cérebro não consegue processar 'OF'.


Incrível não? Volte e olhe novamente!!


Qualquer um que contar todos os 6 'F's' de primeira é um gênio.



Três é normal, quatro é bastante raro.

Envie isso para seus amigos.
Isso vai deixá-los doidos.!
E mantê-los ocupados
Por vários minutos..!

AGORA olhe para a mulher girando e veja para que lado ela está girando. Pense bem antes de olahr a resposta...

olhe para a mulher girando e veja...

se ela estiver girando para a direita o lado direito do seu cérebro está funcionando.
Se ela estiver girando para a esquerda o lado esquerdo do seu cérebro está funcionando.
Se ela girar para os dois lados você tem um QI de 160 ou melhor
CONTINUE ROLANDO A BARRA QUE TEM MAIS...

Mais coisas de cérebro. . . Da Universidade de Cambridge .


Só pssaoes epsertas cnsoeugem ler itso.

Eu não cnogseui acreidatr que relmanet pidoa etndeer o que etvsaa Lndeno. O pdoer fnemoeanl da mntee huamna, de aorcdo com uma psqueisa da Unvireisadde de Cmabrigde, não ipmrota a odrem em que as lteras em uma plavara etsão, a úcina cisoa ipmotratne é que a piremira e a útimla ltreas etseajm no lguar ctreo. O rseto pdoe etasr uma ttaol bnauguça e vcoê adnia pdoreá ler sem perolbmea. Itso pruqoe a mtene haunma não lê cdaa lreta idnvidailuemtne, mas a pvrlaaa cmoo um tdoo. Ipessrinaonte hien? É e eu smrepe pnenesi que slortaerr era ipmorantte! Se vcoê pdoe ler itso pssae aidntae !!

..........

22 de maio de 2010

O ilusório sistema capitalista!

Uma fábula curiosa para mostrar o quanto esse sistema artificial, que já quase levou o mundo ao caos, ameaça no momento a Grécia e a Europa, pode ser manipulado e é, na verdade, uma grande ilusão.

Conta-se que no último mês de abril, às margens do Mar Negro, chovia muito e o vilarejo estava totalmente abandonado.
Eram tempos muito difíceis e todos tinham dívidas e viviam de
empréstimos.
De repente, chega ao vilarejo um turista muito rico. Entra no único hotel do vilarejo, coloca sobre o balcão uma nota de 100 euros e sobe as escadas para escolher um quarto.
O dono do hotel pega os 100 euros e corre para pagar sua dívida com o açougueiro.
O açougueiro pega o dinheiro e corre para pagar o criador de gado.
O criador pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do
vilarejo, que por conta da crise, trabalhou fiado.
A prostituta corre para o hotel e paga o dono pelo quarto que
alugou para atender seus clientes.

Nesse instante, o turista desce as escadas após examinar os
quartos, pega o dinheiro de volta, diz que não gostou de nenhum dos quartos e abandona o vilarejo.

Ninguém lucrou absolutamente nada, mas toda a aldeia vive hoje sem dívidas, otimista por um futuro melhor....
Assim é se lhe parece...

Tempestade sobre Roma

artigo de Luiz Paulo Horta


"Representantes da Igreja de Roma podem até dizer que houve excessos nos ataques à Igreja; que em outros estratos da sociedade o índice de pedófilos é maior; que a maioria dos casos registrados é antiga, quando o Vaticano prestava atenção relativa ao assunto. Mas as feridas no vasto corpo da Igreja estão à mostra; e doem", escreve Luiz Paulo Horta, jornalista, membro da Academia Brasileira de Letras, em artigo publicado no jornalO Globo, 23-05-2010.


Eis o artigo.
A mística continua. Se você for a uma cerimônia na Basílica de São Pedro, dificilmente deixará de se impressionar com a majestade do lugar. E a eleição de um novo Papa sempre será capaz de desencadear maratonas jornalísticas.
Mas o clima em Roma, e em outras cidadelas do catolicismo, é de inquietação.
Há uma crise do catolicismo, e a tendência é que, antes de melhorar, ela piore.
A questão da pedofilia é só uma mancha num cenário bem mais vasto.
Representantes da Igreja de Roma podem até dizer que houve excessos nos ataques à Igreja; que em outros estratos da sociedade o índice de pedófilos é maior; que a maioria dos casos registrados é antiga, quando o Vaticano prestava atenção relativa ao assunto. Mas as feridas no vasto corpo da Igreja estão à mostra; e doem.
Por toda parte, caem os índices de adesão a Roma. Na Europa, isso é tão sério que já estão vendendo igrejas, por falta de uso.
No Brasil, dados sociológicos poderiam ser citados como atenuantes.
A “esmagadora maioria de católicos” de décadas passadas era uma ficção estatística. Cem anos atrás, o Brasil era maciçamente positivista, e só as mulheres iam à igreja. Mas rapazes de origem humilde ainda buscavam o sacerdócio como forma de afirmação social e tranquilidade econômica.
Hoje, o que vale mais a pena: enfrentar cinco, seis anos de seminário e a obrigação do celibato, ou entrar num curso rápido de formação de pastores, sem nenhuma obrigação maior e com retorno financeiro quase certo? No Brasil de hoje, em plena transformação, as comunidades evangélicas dão às pessoas deslocadas da cidade grande um ambiente afetivo, uma sensação de belonging. E você sai das reuniões com a Bíblia na mão, e amplas sugestões de abordagem para o Livro dos Livros.
Encontrar algo parecido, nos meios católicos, exige um certo esforço. A paróquia tradicional, muitas vezes, não é acolhedora, e o padre tem de dividir-se entre um excesso de tarefas. Há hoje, no Brasil, cerca de 15 mil padres para 180 milhões de habitantes, enquanto os pastores, segundo se diz, já passam de 50 mil. Quem vai ganhar essa corrida? A Igreja Católica já foi a alma da civilização ocidental. Depois, muita coisa aconteceu — começando com o próprio “racha” do cristianismo.
A reforma luterana bateu tão forte, que instalou-se um clima geral de desconfiança (regado a cachoeiras de sangue). A Igreja de Roma, que já mantinha a Bíblia a uma certa distância (por ser um livro difícil), passou a ser a Igreja do catecismo — a fé trocada em miúdos, para que todo mundo soubesse em que acreditar. A intenção era boa. Mas o legalismo e o juridicismo tomaram o lugar da experiência da fé. E esse é um caminho que terá de ser refeito. Ninguém adere a um determinado credo porque ele oferece um livro de normas bem explicadinhas.
O que provoca a fé é o encontro com uma realidade que extrapola os limites da razão; que se apresenta como uma experiência transformadora Esse encontro nunca foi exclusividade do cristianismo; mas, dentro da Igreja de Roma, o que se pode chamar de misticismo já teve momentos gloriosos, na vida de um São Francisco, de uma Teresa d’Ávila. É essa “novidade” da fé que contagia, que comove, que liberta da mediocridade.
A Igreja de Roma continua a ter trunfos poderosos. Por exemplo, a missa católica, que não encontra paralelo nos cultos evangélicos. Não apenas ela é uma obra-prima em termos de arquitetura, de organização, como ela se propõe a reencenar o sacrifício do Calvário. Nas mãos de um padre Pio, ou de outros santos, era isso mesmo o que ela significava, e o impacto era esmagador.
Esse sentido do mistério é que teria de ser recuperado nos cultos católicos de hoje, que às vezes parecem tão displicentes, e sem maior significação — um simples encontro de pessoas que concordam em pertencer à mesma denominação.
Uma outra riqueza da Igreja é a tradição, palavra que se tornou malvista, mas que significa, basicamente, transmissão — transmissão de uma mensagem que vem do fundo dos séculos.
Esse conhecimento comum, partilhado, está presente na vida dos santos, que nunca pensaram em reinventar a teologia: eles se limitavam a reativar, em suas vidas, os tesouros de uma experiência milenar. Mesmo quando erravam, ou perdiam o caminho — no Antigo Testamento, a história do rei Davi —, eles sabiam por onde regular as suas bússolas.
Há uma história moderna que ilustra essa aventura: a do cardeal Newman, que lá por 1830, ainda jovem, era a luz mais brilhante da Igreja Anglicana. Aos seus sermões em Oxford acorria a elite da Inglaterra, que estava conquistando o mundo mas não queria perder a pista das velhas crenças. Até que,um dia , Newman se põe a refletir sobre as bases da sua fé; entra numa grande crise pessoal, estuda a tradição cristã, e chega à conclusão de que o fio de ouro dos tempos apostólicos passava por Roma. Em nome desse reencontro com o catolicismo, ele abre mão de todos os títulos, de todas as honras; torna-se quase soldado raso num ambiente que custou a aceitá-lo definitivamente.
É o fascínio de Roma, que não morreu.
Mas, para torná-lo efetivo num mundo como o de hoje, muito exame de consciência vai ser necessário, muita mudança de atitude. E a disposição de, como Newman, começar lá de baixo.


21 de maio de 2010

Tradições, convenções, religiões...

(J. Ricardo A. de Oliveira)
Porque não escapar?
Será preciso seguir sem questionar?
Perpetuar a dúvida,
Eternizar o tédio?
Repetir a mesmice da falsa tradição.



Porque não buscar a Luz?
A simples e clara luz
Que aquece e derrete a frieza da dúvida
E ilumina os difíceis e sofridos caminhos,
Que estreitos, conduzem a libertação.



Só é livre
Quem se descobre
Passageiro do eterno
Mensageiro do futuro,
E, de olhos bem arregalados
Surpreende-se a cada momento
Com a novidade do óbvio.

18 de maio de 2010

Os limites do último sistema feudal do Ocidente


Os bispos são "membros de elite do último sistema feudal do Ocidente e de uma das últimas monarquias absolutas do mundo". Por isso, não deveríamos ficar surpresos se eles, "assim como os príncipes do reino, respondem apenas ao seu soberano, o bispo deRoma".

Essa é a opinião do padre norte-americano
Donald Cozzens, autor de "The Changing Face of the Priesthood" [A mutável face do sacerdócio] e escritor da John Carroll University, universidade jesuíta de Cleveland, Ohio. O artigo foi publicado no sítioNational Catholic Reporter, 17-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

Com mitras um pouco tortas, a fila recente de bispos da
Irlanda à Alemanha, e de outros lugares, que deram um passo à frente para pedir desculpas pelos abusos sexuais cometidos por seus sacerdotes é algo sem precedentes para a Igreja Católica europeia.

Mesmo que as desculpas se acumulem e as políticas para lidar com as denúncias de abuso sejam endurecidas e encontros com as vítimas sejam prometidos, alguma coisa continua errada, o que diminui o valor do
"mea culpa" dos bispos.

Não existe nenhuma verdadeira responsabilização dos bispos que foram cúmplices dos abusos sexuais, por deixarem de remover padres predadores para que não tivessem acesso a crianças, ou dos bispos que falharam em cumprir com as leis civis que exigem que se denunciem abusos de menores.

E nem haverá tão em breve.

Duas explicações sobressaem. Uma pode ser considerada divina; a outra, completamente humana.

Bispos são homens ciumentos. Eles tem ciúmes da sua responsabilidade como mestres divinamente indicados da Igreja Católica. De acordo com a sua maneira de pensar, qualquer coisa que possa enfraquecer a sua autoridade divina e dada por Deus como professores e guardiães da fé merece uma imediata e feroz resistência. Desse ponto de vista, apelos para que os bispos sejam responsabilizados, salvo o próprio Papa, ofendem a dignidade do mandato dos bispos e são enquadrados por autoridades do
Vaticanocomo ataques à Igreja.

Em vez de responsabilizações, somos informados de que foram cometidos erros, às vezes trágicos em suas consequências. Mas, explica-se, foram erros cometidos pelos melhores interesses da Igreja. Qualquer coisa além disso, teme o Vaticano, debilitaria a autoridade da posição de ensino do bispo e diminuiria sua credibilidade.

A outra explicação jaz sobre bases mais humildes, embora ainda elevadas. Bispos são príncipes. Basta olhar para os seus mantos de arminho e pegar seus anéis com seus títulos corteses, "Sua Excelência", "Sua Graça", "Sua Eminência". Como membros de elite do último sistema feudal do
Ocidente e de uma das últimas monarquias absolutas do mundo, não deveríamos ficar surpresos se os bispos, assim como os príncipes do reino, respondem apenas ao seu soberano, o bispo de Roma.

Se os acúmulos reais da hierarquia fossem simplesmente vestígios do seu passado medieval, eles poderiam ser bastante inofensivos. Mas esses conceitos episcopais forjaram uma cultura do privilégio, do sigilo e da exceção, que agora é exposta como um prejuízo tanto para o seu ensino quanto para suas funções pastorais.

Mesmo os psicólogos mais teóricos conseguem imaginar como a vida da realeza inevitavelmente pode se tornar isolada – e como o poder real pode ser perigoso mesmo nos melhores homens. Uma perspectiva sóbria: é excessivamente difícil para qualquer um que tenha poder sentir a dor dos outros, mesmo a dor de jovens vítimas abusadas por seus pastores. É o bispo excepcional que mantém contato real com os membros do seu rebanho, que escuta os leigos como um discípulo a outro, que deixa a dor do abusado despedaçar o seu coração. Infelizmente, parece que é o bispo excepcional que coloca o bem dos filhos acima do bem da Igreja institucional.

Mais de meio século atrás, o teólogo luterano
Paul Tillich escreveu que qualquer religião que tomou para si o direito de julgar os valores e os costumes do mundo deve estar preparada para se sujeitar aos mesmos padrões de julgamento pelos quais julgou a esfera secular . Se uma religião não conseguir fazer isso, adverte Tilich, fica justificadamente sujeita ao julgamento do mundo.

Então, acrescenta Tillich, esse é o perigo particular da Igreja Católica.



fonte:http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=32526

29 de abril de 2010

Alguma poesia /Flores

(J. Ricardo A. de Oliveira)




Flores
Não sei se ainda há tempo,
Com tanto asfalto,
E tanto cimento.
Não sei se ainda vale a pena,
Lembrar e falar de pensamentos tão longínquos.
Com tantos letreiros luminosos
E caminhos tão escuros.
Mas, o que fazer
Se ainda existem pássaros
que insistem em cantar?

Uma espingarda?

E o que dizer de flores,
Que resolutas, insistem em crescer?

Uma tesoura?

Loucura?
Insanidade santa,
Bendita seja,
Esta esquizofrenia minha
Que isniste em acreditar
Que apesar desta escuridão,
Posso ver luz no final do túnel,
e acreditar no poeta de Itabira,
saudoso Drumond,
que afirma ter visto,
uma flor nascer no asfalto
.

26 de abril de 2010

Hércoles Jaci - Chico Xavier me levou ao cinema.

O Hercoles é dessas pessoas que passam pela nossa vida e deixam marcas, boas marcas.
Muito do que sei sobre Terapia Floral, eu aprendi com ele. Mas não foi só isso, junto com o pacote, com os florais de Bach, Califórnia, Minas, Austrália e um monte mais de sistemas, que nomeá-los seria cansativo ele nos mostrou uma nova maneira de "Ser Terapeutas".
O Hercoles apareceu em nossa vida, minha e de minha mulher, num momento de revisão de valores. Nós dois, eu recém saído da vida empresarial, ela e eu, amargando a perda com o fechamento do nosso Espaço Cultural e Terapeutico "O ENCONTRARTE".
Vimos um anúncio de um curso sobre Florais de Bach. Já conhecíamos os florais, mas não tinhamos nos animado a estudá-los e a nos transformar em terapeutas Florais.
Surge então o Hercoles, num colégio em meio a mata da floresta da Tijuca, um lugar lindíssimo, com um jeito todo especial de questionar a realidade para nos "fazer" terapeutas de flores. Mas, mais que isso, ele nos aprimorou a sensibilidade, o olhar dialógico, a visão holística do sujeito, que nem paciente e nem cliente se apresentava a nossa frente para ser cuidado.
Essa sensibilidade sempre foi a marca do Hercoles, seu humor e suas sacadas diretas.
Estivemos em contato com esse grande amigo e mestre durante toda a década de 90, em cursos, seminários e na pós graduação na UERJ.
Já não nos vemos já há muto tempo, mas trocamos e-mails, felicitações e mantemos o carinho por quem nos ajudou a encontrar um novo caminho.

Hoje Hercoles nos mandou um presente de sua sensibilidade na forma de e-mail.
Um relato sobre a sua experiência ao ver o filme do querido Chico Xavier.

Com a devida licença dele aí vai o relato.
Valeu Hercoles!

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Chico Xavier me levou ao cinema. 25/04/2010.

Sou de uma geração que sempre ia ao cinema, tenho amigos e amigas que adoram, vão ao cinema até hoje. Adoro cinema mas prefiro ver em casa no conforto do meu sofá, tenho uma preguiça de ir ver cinema no cinema. Mas senti uma vontade tão grande de ir ver o filme sobre Chico Xavier e convidei uma amiga de infância, Sandra Greco, para ir comigo. Já li todas as biografias sobre Chico Xavier, tive contato com as críticas sobre o filme, sentimentos dos atores, as notícias sobre as pré-estréias, várias entrevistas sobre a realização dessa produção; aumentando com isso meu desejo de ver a obra. Combinamos de ir na sessão das 18:20 h no Diamond Mall, perto de minha casa, porém achamos melhor, por causa da procura pelo filme, de chegar lá por volta de 17:45 h-sessão de domingo. Saí de casa com uma sensação de ir a uma matiné, pois desde a minha infância, adolescência não ia a uma matiné, que significa ir ao cinema ainda de dia.
A fila era grande, eram dois filmes em cartaz de muita procura no mesmo espaço com 5 salas : Chico Xavier e Alice no País das Maravilhas em 3 D; atração que mobiliza os pós modernos. Quando eu e minha amiga entramos na sala indicada para o filme depois de boa fila; estranhamos um pouco (ela também é pouco assídua no cinema) porque “achamos” o público mas para Alice no País da Maravilhas do que Chico Xavier. Cochichamos muito nos perguntando se era ali mesmo o nosso filme, posto que as pessoas portavam sacos de pipocas gigantes (me senti num cinema americano), o público era muito jovem, tinha até criança. Começaram as propagandas de filmes que passarão nos próximos dias e meses e eu ainda carregava a sensação de não estar na sala correta. Eram muitos anúncios e bastante barulho de pipoca, caixa de Mentex, balas, uma orquestra de celofane...Até que começou o filme. Nisso, qualquer pessoa um pouco mais sensível perceberia a energia, o clima mudar....A comilança parou, o celofane quietou o facho, o astral pós moderno foi se transformando. Aconteceu um silêncio vivo e atento, o fluxo da energia doce e humilde de Chico Xavier mesmerizou nossos sentidos. Há muitos anos peregrino numa busca espiritual, atrás de mim mesmo, de minha origem cósmica, dos meus por quês e dos meus para onde e sempre o cenário era ou a Índia, ou o deserto americano, os Andes, o sul da Espanha, o Oriente como um todo; mas, dessa vez o filme, a história do Chico e sua espiritualidade viva e prática tem a paisagem da minha terra; Minas Gerais. A espiritualidade na sua forma mais essencial estava se passando aqui em Minas. A fotografia e a direção do filme são de uma exuberância, numa focalização do simples, do barroco, das montanhas, daqui dessas Minas, dessa Mãe Terra montanhosa. A simplicidade de Minas Gerais é exuberante!!!!! A figura de Chico retratado por Daniel Filho é de uma doçura, de um humor, humildade, de um amor incondicional ; grandeza!!!. As cenas, os diálogos, a dinâmica do filme num “vai e volta” muito interessante, onde três atores muitos bons “fazem” o Chico em três fases etárias de sua vida. Chico era muito especial e assim como todos que são diferentes de alguma forma são perseguidos. Nossa sociedade hipócrita e ignorante não suporta o diferente, não admite o que destoa de uma verdade congelada e cristalizada.
Por volta de 1980/81 conheci um mestre indiano chamado Rajneesh (hoje o chamam de Osho) e me tornei discípulo dele. Ele faleceu em 1990. Era uma empreitada de enfrentamento dessa sociedade hipócrita e congelada, do sistema “entorpecedor” das consciências humanas . Nós, seus “sannyasins”(iniciados) éramos mal vistos pelos amigos, pelas famílias que abominavam aquela troupe de loucos e nós sabíamos (eu sabia que eu estava de fato “desenlouquecendo”) o quanto aquilo tudo era saudável, o quanto ouvir o mestre era nutritivo, o quanto sua orientação paradoxal e aparentemente anárquica era o melhor remédio para a cura de tudo que foi feito para abafar nossa essência. Em Julho de 1983 teríamos um grande encontro de todos os sannyasins do mundo com o mestre Rajneesh-Osho no estado do Oregon-USA. Nós ficamos completamente agitados nos preparando para ir nos juntar a ele, participar desse evento com +- 10..000 pessoas do mundo inteiro, onde o lema era viver, amar, rir, brincar, meditar, silenciar a mente e escutar a alma, a existência. Um sannyasin amigo daqui de Belo Horizonte queria muito ir a esse encontro e seu pai, que tinha condições financeiras, não queria patrocinar de jeito algum aquela viagem pois achava que era uma insanidade completa. Como esse pai era um espírita muito ligado ao Chico e naquele dia de maio de 1983, eu sabia que o Chico estaria em Belo Horizonte, tive uma intuição de irmos procurá-lo depois do evento ainda mais que esse pai estaria ao lado do Chico. Não deu outra, chegamos na garagem do enorme auditório onde o Chico recebeu uma condecoração e encontramos o Chico que estava com seus colaboradores, entre eles esse pai. Quando o tal pai nos viu (nós usávamos só vermelho e um colar no pescoço chamado “malla” com a foto do mestre) disse: - Veja Chico, lá está meu filho que você conhece desde que nasceu , lá está ele com a turma de loucos do tal guru que os estão convocando para essa viagem maluca que eu estava te contando. O Chico nos recebeu com seu melhor sorriso e quando eu fui beijar a sua mão e pedir a sua benção e ele disse com a voz do fundo da alma: -Deus te abençoe!!! . Eu senti meu liquor dentro da minha coluna. Eu tive uma sensação corporal de inteireza, de harmonia, senti uma vibração passar pelo meu corpo das mais fortes e inesquecíveis já vividas. Depois de cumprimentar e saudar cada um de nós, o Chico voltou-se para o pai aflito e disse: -Dê a passagem e as condições para seu filho ir nesse encontro, esse povo é muito feliz!!! Eles são muito alegres!!! Chico Xavier “sacou” Rajneesh (Osho); eu senti isso nessa hora. Chico ficou muito feliz com nossa presença. Veja a foto inédita tirada numa noite maio de 1983 em Belo Horizonte no anexo desse e-mail. Chico entendia perfeitamente aqueles que seguiam caminhos diferentes, aqueles que estavam à margem da massificação, aqueles que buscavam um bem maior, um bem mais abrangente do que o oferecido no adestramento social.
Voltando ao filme, quando percebi que estava terminando, me espantei, pois não senti que havia se passado 2 horas e nunca tinha assistido a um filme no qual parte dele ainda se passa enquanto se mostra os créditos finais e ninguém arreda pé. Quando a luz acendeu para irmos embora, senti na aura da sala o que o Chico fala sobre irmandade, amor universal, suavidade. Aquela comilança e ansiedade pós moderna percebidas antes do filme e a suspeita de estar numa sala para assistir Alice no País das Maravilhas em 3D deram lugar à uma paz, um contentamento interno, à uma decantação dessa ansiedade; à uma sensação de felicidade por voltar no cinema na matine de domingo. Chico Xavier me levou ao cinema!!!!!
Esse filme é um presente e eu indico para todos aqueles que acreditam no amor, acreditam que a vida é muito mais que esse olhar apequenado que nos permitiram ter. Esse filme traz a espiritualidade, a possibilidade desse reencontro com a essência aqui mesmo, por aqui nas Minas, aqui dentro de mim, dentro de cada um de nós; sempre....
Um abraço;
Hercoles Jaci- Psicólogo clínico e Organizacional- Professor na Pós em Belo Horizonte-MG. hercoles@uai.com.br




20 de abril de 2010

Carta aberta aos bispos católicos de todo o mundo

Hans Kung *

Nos anos 1962-1965 Joseph Ratzinger - hoje Bento XVI - e eu éramos os dois mais novos teólogos do Concílio. Hoje, somos os mais anciãos e os únicos em plena atividade. Sempre entendi meu compromisso teológico como um serviço à Igreja. Por isso, movido pela preocupação com a crise de confiança que atinge essa nossa Igreja, a mais profunda que recordamos desde os tempos da Reforma, dirijo-me a vós com uma carta aberta, na comemoração do quinto aniversário do pontificado de Bento XVI.
De fato, esse é o único meio de que disponho para entrar em contato com vocês.

Apreciei muito o convite do papa Bento, que, no início de seu pontificado, me concedeu uma conversa de quatro horas -apesar da minha posição crítica ao seu respeito- que se desenvolveu bem amigavelmente. Tive a esperança de que Joseph Ratzinger, meu colega na universidade de Tubingen, teria encontrado o caminho rumo a uma ulterior renovação da Igreja e um entendimento ecumênico, no espírito do Concílio Vaticano II. Infelizmente, minhas esperanças, bem como as de tantas/os crentes que vivem com compromisso a fé católica, não se realizaram. Tive a oportunidade de comunicar-lhe isso mais de uma vez através das correspondências que lhe enviei.

Sem dúvida, ele nunca deixou de cumprir com consciência os compromissos cotidianos do papado, e nos presenteou com três encíclicas sobre a fé, a esperança e a caridade. Porém, frente ao maior desafio de nosso tempo, a cada dia mais, seu pontificado apresenta-se como uma ocasião perdida, por não ter sabido captar uma serie de oportunidades:

- Faltou a reaproximação com as Igrejas evangélicas, sequer consideradas Igrejas no sentido próprio do termo: daí a impossibilidade de um reconhecimento de suas autoridades e da comum celebração da Eucaristia.

- Faltou a continuidade do diálogo com os judeus: o papa reintroduziu o uso pré-conciliar da oração para a iluminação dos judeus acolheu na Igreja alguns bispos notoriamente cismáticos e antissemitas; sustenta a beatificação de Pio XII; e leva a sério o judaísmo enquanto raiz histórica do cristianismo; não como comunidade de fé que hoje também busca seu caminho de salvação. No mundo inteiro os judeus expressaram indignação pelas palavras do Pregador da Casa Pontifícia que, na liturgia da Sexta-Feira Santa, comparou as críticas dirigidas ao papa com as perseguições anti-semitas.

- Com os muçulmanos faltou levar adiante um diálogo pautado na confiança. Sintomático nesse sentido é o discurso pronunciado pelo papa em Regensburg: mal aconselhado, Bento XVI apresentou o Islã com uma imagem caricatural, descrevendo- o como uma religião desumana e violenta e alimentando assim a desconfiança entre os muçulmanos.

- Faltou a reconciliação com os povos autóctones da América Latina: com toda seriedade, o papa afirmou que aqueles povos colonizados "desejassem" a acolher a religião dos conquistadores europeus.

- Desperdiçou-se a oportunidade de vir em socorro das populações da África na luta contra a superpopulação e contra o HIV, dando o aval à contracepção e ao uso de preservativos.

- Perdeu-se a oportunidade de se reconciliar com a ciência moderna, reconhecendo sem ambigüidade a teoria da evolução e aderindo sempre com as devidas diferenciações às novas perspectivas das pesquisas, por exemplo, sobre as células-tronco.

- Faltou, enfim, assumir, no interior mesmo do Vaticano, o espírito do Concílio Vaticano II como bússola da Igreja católica, levando adiante as reformas.

Este último ponto, queridíssimos bispos, tem um valor crucial. Este papa nunca parou de relativizar os textos do Concílio, interpretando- os em sentido regressivo e contrário ao espírito dos Padres Conciliares; chegando até a se contrapor expressamente ao Concílio Ecumênico que representa com base no direito canônico, a autoridade suprema da Igreja católica:

- Readmitiu, incondicionalmente, na Igreja Católica os bispos tradicionalistas da Fraternidade de Pio X, ordenados ilegalmente fora da Igreja Católica que recusaram o Concílio em alguns pontos essenciais;

- Promoveu através de todos os meios a missa medieval tridentina e, ocasionalmente, celebra ele mesmo a Eucaristia em latim virando as costas aos fiéis;

- Não concretiza o entendimento com a Igreja Anglicana previsto nos documentos ecumênicos oficiais (ARCIC); ao contrário, procura puxar os padres anglicanos casados para a Igreja Católica romana, renunciando à obrigação do celibato;

- Potencializou, em âmbito mundial, as forças anticonciliares no interior da Igreja através da nomeação de altos cargos anticonciliares (por ex.: Secretaria de Estado, Congregação para a Liturgia) e de bispos reacionários.

O papa Bento XVI parece afastar-se sempre mais da grande maioria do povo da Igreja que já, por si, é levado a desinteressar- se do que acontece em Roma e, no melhor dos casos, se identifica com sua paróquia e com o bispo local.


Sei que muitos de vocês sofrem com esta situação: a política anticonciliar do papa tem todo o apoio da Cúria Romana, que procura sufocar as críticas entre os bispos e no seio da Igreja e busca, por todos os meios, desacreditar aos dissidentes. Em Roma, faz-se o esforço para dar crédito, com renovadas exibições de luxo barroco e manifestações de grande impacto midiático, a uma imagem de Igreja forte, com um "vigário de Cristo" absolutista, que reúne em suas mãos os poderes legislativo, executivo e judiciário.
Mas a política de restauração de Bento XVI faliu. Suas aparições públicas, suas viagens, seus documentos, não serviram a influenciar no sentido da doutrina romana as idéias da maioria dos católicos sobre várias questões controvertidas e, em particular, sobre a moral sexual. Nem seus encontros com os jovens, pertencentes em grande parte a grupos carismáticos de orientação conservadora, puderam frear a fugas da Igreja, ou incrementar as vocações ao sacerdócio.

Em sua qualidade de bispos, certamente, vocês são os primeiros a perceber dolorosamente a renúncia de dezenas de milhares de sacerdotes que, desde o Concilio até hoje, se demitiram de seus cargos, sobretudo, devido à lei do celibato. O problema das novas vocações atinge não só os padres, mas também as congregações religiosas, as freiras, os leigos consagrados. A resignação e a frustração se difundem no meio do clero e, sobretudo, entre seus expoentes mais ativos; muitos sentem-se abandonados em suas necessidades e sofrem por causa da Igreja. Em muitas de suas dioceses vê-se claramente um maior número de igrejas desertas, de seminários e de presbitérios vazios. Em muitos países, com o pretexto da reforma eclesiástica, se decide por juntar muitas paróquias, muitas vezes contra sua vontade, para construir gigantescas 'unidades pastorais' confiadas a um pequeno número de padres sobrecarregados pelo trabalho excessivo.

E, por fim, aos muitos sinais da crise em andamento, junta-se o espantoso escândalo dos abusos cometidos por membros do clero contra milhares de adolescentes -nos Estados Unidos, na Irlan da, na Alemanha e em outros lugares-, acompanhado por uma falta de liderança, uma crise sem precedentes. Não se pode silenciar sobre o fato de que o sistema mundial de ocultamento dos abusos sexuais do clero respondesse às disposições da Congregação Romana para a Doutrina da Fé (pela qual era responsável, entre 1981 e 2005, o cardeal Ratzinger), que, no mais rigoroso silêncio, desde o pontificado de João Paulo II, reunia a documentação sobre estes casos. Em 18 de maio de 2001, Joseph Ratzinger divulgou para todos os bispos uma carta de tom solene sobre os delitos mais graves ("Epistula de delictis gravioribus" - Carta sobre os delitos mais graves), impondo ao caso de abuso o "segredo pontifício", cuja violação é castigada pela Igreja com severas sanções. É com razão, portanto, que muitos exigiram um pessoal 'mea culpa' ao prefeito de outrora, hoje papa Bento XVI. Este, porém, não acolheu a boa oportunidade da Semana Santa; ao contrário, fez declarar " urbi et orbi" (à cidade -Roma- e ao mundo), no domingo de Páscoa, sua inocência através do cardeal decano.

Para a Igreja Católica, as conseqüências de todos os escândalos divulgados são devastadores, como confirmaram alguns de seus maiores expoentes. A suspeita generalizada já golpeia indiscriminadamente inúmeros educadores e pastores de gran de compromisso e de conduta irrepreensível. É vossa tarefa, estimadíssimos bispos, perguntar-se qual será o futuro de vossas dioceses e o da nossa Igreja.




Não é minha intenção vos propor um programa de reformas. Já fiz isso mais de uma vez, quer antes, quer depois do Concílio. Aqui quero limitar-me a apresentar-lhes seis propostas, as quais, estou convencido, são partilhadas por milhões de católicos que não têm voz.

1. Não calem. O silêncio frente a tantos gravíssimos abusos vos torna responsáveis. Ao contrário, toda vez que pensam que determinadas leis, disposições ou decisões vão ter efeitos contraproducentes, deveriam declará-lo publicamente. Não escrevam cartas a Roma para fazer ato de submissão e devoção, mas para exigir reformas.

2. Tomem as rédeas para iniciativas reformadoras. Muitos, na Igreja e no episcopado, se queixam de Roma; nunca, porém, tomam a iniciativa. Mas, se hoje nesta ou naquela diocese ou comunidade os paroquianos param de frequentar a missa; se a atividade pastoral não dá resultados; se falta abertura para os problemas e os males do mundo; se a cooperação ecumênica está reduzida ao mínimo, não se pode descarregar todas as culpas sobre Roma. Todos, desde o bispo até ao padre e o/a leigo/a, devem comprometer- se com a renovação da Igreja em seu ambiente de vida pequeno ou grande que seja. Muitas coisas extraordinárias nasceram nas comunidades e, em geral, no seio da Igreja, em nível pessoal ou de pequenos grupos. É vossa tarefa na qualidade de bispos, promover e sustentar tais iniciativas, assim como responder, sobretudo nesse momento, às justificadas queixas dos fiéis.

5. Procurar soluções regionais: o Vaticano mostra-se, muitas vezes, surdo a justificadas exigências dos bispos, dos padres e dos leigos/as. Uma razão a mais para caminhar para soluções regiona is. Como bem sabem, um problema particularmente delicado é constituído pela lei do celibato, uma norma de origem medieval que, com razão, é agora colocada em discussão em todo o mundo precisamente no contexto do escândalo suscitado pelos abusos sexuais. Uma mudança em contraposição a Roma parece praticamente impossível; mas, não é por isso que estão condenados à passividade. Um padre que depois de serias reflexões tenha amadurecido a decisão de casar não deveria ser obrigado a se demitir automaticamente de seu cargo, se pudesse contar com o apoio de seu bispo e da comunidade. Uma conferência episcopal sozinha poderia abrir a estrada a caminho de uma solução regional. Melhor seria, porém, visar uma solução global para a Igreja no seu conjunto. Por isso,

6. peça-se a convocação de um Concílio: se para chegar à reforma litúrgica, à liberdade religiosa, ao ecumenismo e ao diálogo interreligioso foi necessário um Concíl io, o mesmo vale hoje frente aos problemas que se apresentam em termos tão dramáticos. Um século antes da Reforma, o Concílio de Constança tinha decidido a convocação de um Concílio a cada cinco anos, decisão que, porém, não foi atendida pela Cúria Romana, que, sem dúvidas, também hoje fará tudo que puder para evitar um concílio do qual pode temer uma limitação de seus poderes. É responsabilidade de todos vocês conseguir que se aprove a proposta de realização de um Concílio, ou pelo menos de uma assembléia episcopal representativa.

Frente a uma Igreja em crise, este é o apelo que dirijo a vocês, estimadíssimos bispos: vos convido a colocar na balança o peso de vossa autoridade episcopal, revalorizada pelo Concílio. Na difícil situação que estamos vivendo, os olhos do mundo estão dirigidos para vós. Inúmeros são os católicos que perderam a confiança em sua Igreja; e o único jeito para contribuir para restaurá-la é o de enfre ntar honestamente e abertamente os problemas, para adotar as reformas necessárias. Peço-lhes, respeitosamente, que façam o que lhes corresponde; quando possível, em colaboração com outros bispos; mas, se necessário, também sozinhos, com apostólica 'coragem' (At 4,29.31). Deem um sinal de esperança aos vossos fiéis; deem uma perspectiva à nossa Igreja.

Saúdo-vos na comunhão da fé cristã.


[Fonte: La Repúbblica (diário italiano), 15 abril 2010].

* Catedrático emérito de Teología Ecuménica en la Universidad de Tubinga (Alemania) y presidente de Global Ethic

19 de abril de 2010

Pedra revela Messias anterior a Jesus ?

Acid :: escreve o Blog (Saindo da Matrix).


Já se falava de um Messias ressuscitado antes de Jesus ter nascido. Pelo menos é essa a interpretação que investigadores fazem da inscrição, em hebraico, numa pedra encontrada no Mar Morto e que data do século I antes de Cristo.

A inscrição na pedra - adquirida por um colecionador israelita na Jordânia, há nove anos - sugere que a ressurreição do Messias não é única nem genuína do cristianismo. De acordo com aquele texto, que investigadores já decifraram, a ressurreição seria um conceito adotado pelo judaísmo ainda antes de o ser pelo cristianismo. A premissa de que Jesus era o Messias e ressuscitou três dias depois de morrer - vencendo a própria morte - serve de base à fé cristã. Confirmar-se que a ressurreição aconteceu antes de Cristo seria pôr em questão o dogma católico da ressurreição de Jesus.

O judaísmo sempre encarou Jesus apenas como um profeta que mudou as crenças tradicionais, mas não como o Messias ou o filho de Deus. Agora, esta descoberta vem reacender o debate, enquanto investigadores decifram as 87 linhas do texto em hebraico, escrito na pedra, e não esculpido, em duas colunas.

Irás viver

A imprensa israelita chama a pedra de "A Visão de Gabriel", uma vez que grande parte do texto remete para uma visão do Apocalipse transmitida pelo anjo Gabriel. Israel Knohl, professor de estudos bíblicos da Universidade Hebraica de Jerusalém, explicou que se trata de um texto profético escrito no século I antes de Cristo, e que cita este anjo dizendo a um certo "príncipe dos príncipes": "Daqui a três dias irás viver. Eu Gabriel, te ordeno".

Na interpretação do Sr. Knohl, o texto trata de uma figura messiânica que ele acha ser Simão. Acredita também que os escritores da história seriam os seguidores de Simão. No texto, o Sr. Knohl aponta que a morte e sofrimento desse Messias seriam necessárias para a salvação, segundo as linhas 19 a 21 da inscrição: "Em três dias, você saberá que o mal será derrotado pela justiça", e outras linhas que falam de sangue e sacrifício como o caminho para a justiça.

Dois investigadores israelitas, Ada Yardeni e Binyamin Elitzur, publicaram uma análise detalhada do escrito em 2007, confirmando a data. No entanto, consideraram indecifrável a palavra que se segue a "daqui a três dias", na 80ª linha. Knohl, por seu turno, argumenta que a palavra é "Hayeh" ou "viver" no imperativo. Segundo a interpretação deste docente, a lápide sugere a ideia de que o sangue do Messias morto e ressuscitado é necessário para atingir a redenção, o que demonstraria que a premissa terá sido adotada pelo judaísmo antes de o ser pelo cristianismo, já que o texto foi escrito previamente. Knohl sublinha que esta interpretação sustenta uma teoria que ele já tinha exposto num livro editado em 2000, segundo a qual existia um Messias antes de Cristo. Ele diz que um Messias sofredor é um conceito muito diferente da imagem judia tradicional de um Messias triunfante, poderoso descendente de David. "O que acontece no Novo Testamento foi a adoção de Jesus e seus seguidores de uma história anterior sobre um Messias".

Moshe Bar-Asher é respeitoso, mas cauteloso quanto à tese de Knohl: "Há um problema, pois em partes cruciais do texto há palavras faltando. Eu entendo a tendência do Sr. Knohl a achar aí evidências de um período pré-cristão, mas em dois pontos cruciais do texto há várias palavras faltando".
Knohl disse que é menos importante saber se foi ou não Simão o Messias, e mais importante o fato de que o texto sugere que um salvador que morre e ressuscita após 3 dias já era um conceito estabelecido na época de Jesus. "A missão de Jesus foi sofrer e ser morto pelos romanos, para que seu sangue fosse um sinal da redenção que viria. Isto dá a Última Ceia um significado absolutamente diferente. Ele deu o sangue não pelos nossos pecados, mas pela redenção do povo de Israel".

A polêmica revelação do investigador, a partir da sua interpretação dos escritos, foi revelada numa conferência no Museu de Israel, subordinada à celebração dos 60 anos da descoberta dos "Manuscritos do Mar Morto".

Referência:
The Independent;
The New York Times