O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

15 de fevereiro de 2016

Homilia do Papa na Missa com comunidades indígenas do Chiapas



Santa Missa com as comunidades indígenas de Chiapas em San Cristóbal de Las Casas
Segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Boletim da Santa Sé
«Li smantal Kajvaltike toj lek – a lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma» (Sal 19/18, 8): assim começa o salmo que escutámos. A lei do Senhor é perfeita; e o salmista encarrega-se de enumerar tudo o que esta lei gera de bom em quem a escuta e segue: reconforta a alma, torna sábios os simples, alegra o coração, é luz para iluminar o caminho.
Esta é a lei que o povo de Israel recebera das mãos de Moisés, uma lei que ajudaria o povo de Deus a viver na liberdade a que fora chamado. Lei que queria ser luz para os seus passos e acompanhar o peregrinar do seu povo; um povo que experimentara a escravidão e a tirania do Faraó, que experimentara a amargura e os maus-tratos, até que Deus disse «basta», até que Deus disse: «mais não». «Eu vi a aflição, ouvi o clamor, conheci a sua angústia» (cf. Ex 3, 9). Manifesta-se aqui o rosto do nosso Deus, o rosto do Pai que sofre com a dor, os maus-tratos, a injustiça na vida de seus filhos; e a sua Palavra, a sua lei torna-se símbolo de liberdade, símbolo de alegria, sabedoria e luz. Experiência, realidade que ecoa numa frase nascida da sabedoria criada nestas terras desde os tempos antigos e assim transcrita no Popol Vuh: «a aurora veio sobre todas as tribos reunidas. E logo a face da terra foi purificada pelo sol» (33). A aurora veio para os povos que sucessivamente caminharam sob as mais variadas trevas da história.
Nesta frase, há um anseio de viver em liberdade; um anseio que tem o sabor da terra prometida, onde a opressão, os maus-tratos e a degradação não sejam moeda corrente. No coração do homem e na memória de muitos dos nossos povos, está inscrito o anseio por uma terra, por um tempo em que o desprezo seja superado pela fraternidade, a injustiça seja vencida pela solidariedade e a violência seja cancelada pela paz.
O nosso Pai não só compartilha este anseio, mas Ele mesmo o suscitou e suscita dando-nos o seu Filho Jesus Cristo. N’Ele encontramos a solidariedade do Pai, que caminha ao nosso lado. N’Ele vemos como aquela lei perfeita assume uma carne, assume um rosto, assume a história, para acompanhar e sustentar o seu povo; faz-se Caminho, faz-se Verdade, faz-se Vida, para que as trevas não tenham a última palavra e a aurora não cesse de vir sobre a vida dos seus filhos.
De muitas formas e maneiras se procurou silenciar e cancelar este anseio, de muitas maneiras procuraram anestesiar-nos a alma, de muitas formas pretenderam pôr em letargo e adormecer a vida das nossas crianças e jovens com a insinuação de que nada pode mudar ou trata-se de sonhos impossíveis. Contra estas formas, a própria criação sabe levantar a sua voz: «Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que “geme e sofre as dores do parto” (Rm 8, 22)» (Enc. Laudato si’, 2).
O desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas têm a ver com todos nós (cf. ibid., 14) e interpelam-nos. Não podemos permanecer indiferentes perante uma das maiores crises ambientais da história. Nisto, vós tendes muito a ensinar-nos. Os vossos povos, como reconheceram os bispos da América Latina, sabem relacionar-se harmoniosamente com a natureza, que respeitam como «fonte de alimento, casa comum e altar do compartilhar humano» (Documento de Aparecida, 472).
No entanto, muitas vezes, de forma sistemática e estrutural, os vossos povos acabaram incompreendidos e excluídos da sociedade. Alguns consideram inferiores os vossos valores, a vossa cultura e as vossas tradições. Outros, fascinados pelo poder, o dinheiro e as leis do mercado, espoliaram-vos das vossas terras ou realizaram empreendimentos que as contaminaram. Que tristeza! Como nos seria útil a todos fazer um exame de consciência e aprender a pedir perdão!
O mundo de hoje, espoliado pela cultura do descarte, necessita de vós. Os jovens de hoje, expostos a uma cultura que tenta suprimir todas as riquezas e características culturais tendo em vista um mundo homogéneo, precisam que não se perca a sabedoria dos vossos anciãos. O mundo de hoje, prisioneiro do pragmatismo, tem necessidade de voltar a aprender o valor da gratuidade.

Estamos a celebrar a certeza de que «o Criador não nos abandona, nunca recua no seu projecto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado» (Enc. Laudato si’, 13). Celebramos que Jesus Cristo continua a morrer e ressuscitar em cada gesto que temos para com o menor de seus irmãos. Animemo-nos a continuar a ser testemunhas da sua Paixão, da sua Ressurreição, encarnando «li smantal Kajvaltike toj lek – a lei do Senhor é perfeita, reconforta a alma».

14 de fevereiro de 2016

Homilia do Papa no Santuário de Guadalupe – texto integral

O Papa Francisco celebrou a Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. Publicamos aqui o texto integral da homilia do Santo Padre:


Acabámos de escutar como Maria foi visitar a prima Isabel. Sem demora nem hesitação, apressadamente, vai fazer companhia à sua parente que estava nos últimos meses de gravidez.
O encontro com o anjo não deteve Maria, pois não Se sentiu privilegiada, nem no dever de Se afastar dos seus. Pelo contrário, reavivou e pôs em marcha uma atitude pela qual Maria é e será sempre lembrada: a mulher do sim, um sim de entrega a Deus e, ao mesmo tempo, um sim de entrega aos seus irmãos. É o sim que A pôs em marcha para dar o melhor de Si mesma, caminhando ao encontro dos outros.
Escutar esta passagem do Evangelho nesta casa tem um sabor especial. Maria, a mulher do sim, também quis visitar os habitantes desta terra da América na pessoa do índio São Juan Diego. Assim como se moveu pelas estradas da Judeia e da Galileia, da mesma forma alcançou Tepeyac, com as suas roupas, usando a sua língua, para servir esta grande nação. Assim como acompanhou a gravidez de Isabel, acompanhou e acompanha a gestação desta abençoada terra mexicana. Assim como Se apresentou ao humilde Juanito, de igual modo continua a fazer-se presente junto de todos nós, especialmente daqueles que sentem, como ele, que «não valem nada» (cf. Nican Mopohua, 55). Aquela escolha particular, digamos preferencial, de Juanito não foi contra ninguém, mas a favor de todos. Juan, o índio humilde que a si mesmo se designava como «mecapal, cacaxtle, cauda, asa, necessitado ele próprio de ser conduzido» (cf. ibidem), tornou-se «o mensageiro, muito digno de confiança».
Naquela madrugada de Dezembro de 1531, tinha lugar o primeiro milagre que se tornará depois a memória viva de tudo o que guarda este Santuário. Naquele amanhecer, naquele encontro, Deus despertou a esperança de seu filho Juan, a esperança do seu povo. Naquele amanhecer, Deus despertou e desperta a esperança dos mais humildes, dos atribulados, dos deslocados e marginalizados, de quantos sentem que não têm um lugar digno nestas terras. Naquele amanhecer, Deus aproximou-Se e aproxima-Se do coração atribulado mas resistente de tantas mães, pais, avós que viram os seus filhos partir, viram-nos perdidos ou mesmo arrebatados pela criminalidade.
Naquele amanhecer, Juanito experimenta na sua vida o que é a esperança, o que é a misericórdia de Deus. É escolhido para vigiar, cuidar, proteger e incentivar a construção deste Santuário. Mais do que uma vez, disse à Virgem que ele não era a pessoa certa; antes, se Ela queria levar por diante aquela obra, deveria escolher outros, porque ele não tinha instrução, não era formado, nem pertencia ao grupo daqueles que poderiam realizá-la. Maria, decididamente – com a decisão que nasce do coração misericordioso do Pai –, não aceita: ele seria o seu mensageiro.
Deste modo consegue manifestar algo difícil de expressar, uma verdadeira e própria imagem transparente de amor e de justiça: na construção do outro santuário – o santuário da vida, o das nossas comunidades, sociedades e culturas –, ninguém pode ser deixado de fora. Todos somos necessários, sobretudo aqueles que normalmente não contam porque não estão à «altura das circunstâncias» ou não «contribuem com o capital necessário» para a sua construção. O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as condições, especialmente dos jovens sem futuro, expostos a uma infinidade de situações dolorosas e arriscadas, e dos idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos. O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho...
Ao visitar este Santuário, pode-nos acontecer o mesmo que sucedeu a Juan Diego: olhar a Mãe a partir das nossas dores, medos, desesperos, tristezas, e dizer-Lhe: «Que posso dar eu, se não sou uma pessoa instruída?». Fixamos a Mãe, com olhos que dizem: «Há tantas situações que nos tiram a força, que nos fazem sentir que não há espaço para a esperança, para a mudança, para a transformação».
Por isso, pode fazer-nos bem um pouco de silêncio e olhá-La; olhá-La intensamente e com calma, dizendo-Lhe como aquele outro filho que A amava muito:
«Olhar-Te simplesmente - Mãe -,
deixando aberto só o olhar;
Olhar-Te de cima a baixo, sem Te dizer nada,
e dizer-Te tudo, mudo e reverente.
Não turbar o vento da tua fronte;
só abrigar a minha solidão violada
nos teus olhos de Mãe enamorada
e no teu ninho de terra transparente.
As horas precipitam; fustigados
mordem os homens insensatos a imundície
da vida e da morte, com os seus rumores.
Olhar-Te, Mãe; contemplar-Te apenas,
o coração silencioso na tua ternura,
no teu casto silêncio de açucenas» (Hino litúrgico).
E, enquanto ficamos a contemplá-La, ouvir que nos repete mais uma vez: «Que tens, meu filho, o menor de todos? O que é que entristece o teu coração?» (cf. Nican Mopohua, 107.108) «Porventura não estou aqui Eu, Eu que tenho a honra de ser tua mãe?» (ibid., 119).
Ela diz-nos que tem a «honra» de ser nossa mãe. Isto dá-nos a certeza de que as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis. São uma oração silenciosa que sobe até ao céu e que, em Maria, encontra sempre lugar sob o seu manto. N’Ela e com Ela, Deus faz-Se irmão e companheiro de estrada, carrega connosco as cruzes para não deixar as nossas dores esmagar-nos.
Porventura não sou tua mãe? Não estou Eu aqui? Não te deixes vencer pelas tuas dores, pelas tuas tristezas: diz-nos Ela. Hoje, volta a enviar-nos; hoje repete para nós: Sê o meu mensageiro, sê o meu enviado para construir muitos santuários novos, acompanhar tantas vidas, consolar tantas lágrimas. Basta que caminhes pelas estradas do teu bairro, da tua comunidade, da tua paróquia como meu mensageiro; levanta santuários compartilhando a alegria de saber que não estamos sozinhos, que Ela está connosco. Sê o meu mensageiro – diz-nos – dando de comer aos famintos, de beber aos sedentos; oferece um lugar aos necessitados, veste os nus e visita os doentes. Socorre os prisioneiros, perdoa a quem te fez mal, consola quem está triste, tem paciência com os outros e sobretudo implora e invoca o nosso Deus.
Porventura não sou a tua mãe? Porventura não estou Eu aqui? – diz-nos novamente Maria. Vai construir o meu santuário, ajuda-Me a erguer a vida dos meus filhos, teus irmãos.
(México, Basílica de Guadalupe, 13 de Fevereiro de 2016)


12 de fevereiro de 2016

Papa e Patriarca Russo assinam histórica declaração conjunta

Um acontecimento histórico, uma reconciliação após quase 1000 anos !





Cidade do Vaticano (RV) – Em 30 itens, o Papa Francisco e o Patriarca Kirill passam em resenha e assinam a concordância sobre temas-chave para a reaproximação entre católicos e ortodoxos. Entre os tópicos principais, a preocupação comum sobre a situação dos cristãos no Oriente Médio, o protagonismo de Cuba e o futuro das relações entre ortodoxos e greco-católicos. "Senti a consolação do Espírito neste diálogo. São iniciativas viáveis que se podem realizar", disse o Papa Francisco após a assinatura da declaração.
Abaixo, publicamos a íntegra do documento histórico:
Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia
"A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós" (2 Cor 13, 13).cimento Histórico
1.         Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.
Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para “falar de viva voz” (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana
2.         O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do “Novo Mundo” e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.
Alegramo-nos porque aqui cresce, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia de um grande futuro para esta região.
3.         Encontrando-nos longe das antigas disputas do “Velho Mundo”, sentimos mais fortemente a necessidade de um trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós (cf. 1 Ped 3, 15).
4.         Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho. Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milênio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram “semente de cristãos”.
5.         Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: “Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós” (Jo 17, 21).
6.         Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Em um mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!
7.         Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdamos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrimônio comum da Igreja do primeiro milênio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou em um período de mudança de época. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.
8.         O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Oriente Médio e do Norte da África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo veem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e em outros países do Oriente Médio, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.
9.         Pedimos a ação urgente da Comunidade internacional para prevenir uma nova expulsão dos cristãos do Oriente Médio. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis de outras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.
10.       Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a Comunidade internacional a unir-se para pôr fim à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir por meio do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.
Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se encontram os Metropolitas de Aleppo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.
11.       Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Oriente Médio, que é “fruto da justiça” (Is 32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.
Com um ardente apelo, dirigimo-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que deem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a Comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que atuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.
12.       Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: “Caríssimos, (...) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1 Ped 4, 12-13).
13.       Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar ações criminosas com slogans religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, “porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz” (1 Cor 14, 33).
14.       Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que acontece na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Em um quarto de século foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante atividade sócio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.
15.       Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação atual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia de um secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.
16.       O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia, convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição de outras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.
17.       O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.
18.       As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que “o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus” (1 Cor 1, 27-29).
19.       A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.
20.       A família funda-se no matrimônio, ato de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimônio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, seja banido da consciência pública.
21.       Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sangue das crianças não nascidas clama a Deus (cf. Gn 4, 10).
O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.
Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.
22.       Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra (cf. Mt 25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.
23.       Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt 5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã, transmitindo-lhes a pérola preciosa da fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que “fostes comprados por um alto preço” (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.
24.       Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milênio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.
Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas ações recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter “os mesmos sentimentos, uns com os outros” (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: “Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15, 20).
25.       Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.
26.       Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade em uma grave crise econômica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à atividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.
27.       Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canônicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.
28.       No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, “para que o mundo creia” (Jo 17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.
29.       Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salvífica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: “Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12, 32).
Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: “Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia” (1 Ped 2, 10).
30.       Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: “Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus”. Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!
Havana (Cuba), 12 de fevereiro de 2016.

5 de janeiro de 2016

A Lenda do quarto Rei Mago


Existe uma lenda que, sem ser parte da Revelação nos ensina o que Deus espera de nós:
Diz-se que havia um quarto Rei mago (Artaban), que também viu a estrela que brilhava sobre Belém e decidiu segui-la.
Como presente levava para oferecer à criança um baú cheio de pérolas preciosas. No entanto, em seu caminho foi encontrando várias pessoas necessitadas que pediam sua ajuda.
O Sábio as assistia com alegria e diligência, e foi deixando uma pérola com cada uma daquelas pessoas. Mas isso, entretanto, foi atrasando sua chegada e esvaziando o seu cofre. Ele encontrou muitos pobres, doentes, presos e miseráveis e não poderia deixá-los abandonados. Ele ficou com eles o tempo suficiente para aliviar-lhes os seus sofrimentos e, em seguida, retomou a marcha, mas foi novamente interrompido por outros desvalidos. Aconteceu que, quando ele finalmente chegou em Belém, os outros reis magos já tinham ido e a criança tinha fugido com seus pais para o Egito porque o rei Herodes queria matá-lo.
O sábio resolveu procurá-lo, mas já não tinha a estrela que o guiou antes.
Ele procurou e procurou e procurou ... e dizem que passou mais de 30 anos viajando pelo mundo, procurando a criança e ajudando os necessitados. Até que um dia chegou a Jerusalém apenas quando a multidão enfurecida exigiu a morte de um homem pobre. Olhando para ele, ele reconheceu algo familiar em seus olhos. Entre dor, sangue e sofrimento, eu podia ver em seus olhos o brilho da estrela. Aquele miserável que estava sendo executado era o menino que havia procurado por tanto tempo!
O seu coração encheu-se de tristeza, ele já estava velho e cansado pelo tempo. Embora ainda mantivesse uma pérola em sua bolsa, já era tarde demais para oferecê-la para a criança que agora se tornara um homem, pendurado em uma cruz. Ele tinha falhado em sua missão ...
E sem mais nenhum lugar para ir, ele ficou em Jerusalém para aguardar a chegada de sua morte.
Havia se passado três dias e uma luz ainda mais brilhante do que a estrela, encheu seu quarto. Era o Ressuscitado que vinha encontrá-lo!
O Rei Mago, ajoelhando-se diante dEle, pegou a única pérola que restava guardada e estendeu a mão fazendo uma reverência. Jesus tomou-a ternamente e disse:
"Você não falhou. Pelo contrário, pois em toda a sua vida, quando Eu estava nu, me vestistes; estava com fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Eu estava na prisão, e me visitastes. Era Eu que estava em todos os pobres que você assistiu em seu caminho, lhe sou muito grato por tantos presentes de amor, agora você vai ficar comigo para sempre, pois o Céu é a sua recompensa!

31 de dezembro de 2015

Oração de Ano Novo



Querido Pai
Neste momento entre um ano que termina e um outro que está prestes a começar, queremos diante de Ti fazer uma reverencia e honrar o teu senhorio e nossa alegre filiação.
 Olhando o ano que termina acredito que temos muito mais motivos para agradecer do que para lamentar ou reclamar.
Agradecemos a saúde, os sentimentos, as boas emoções, os encontros e a fraternidade. Pelo amor que nos une como família, por nossa fé, pela abundancia de recursos com que você Pai nos presenteia com sua bondade infinita. Te agradecemos pela esperança que nunca nos abandonou, e pela estrela que indicou o caminho, como aos Magos, por onde devíamos percorrer em segurança  caminhos que nos conduziram à felicidade.
Você  Pai que conhece o interior de nossos corações  sabe que temos muito mais para agradecer do que para pedir ou lamentar.
Em tuas mãos colocamos mais uma vez a graça da vida e a alegria de viver.
Perdoa-nos Pai se ainda somos lentos no perdão e na compreensão de teus caminhos e projetos. Aumenta a nossa fé, amplia a nossa compreensão e ajuda-nos a crescer no amor de tí que se revela em todos aqueles que passam por nós diariamente.
Queremos agora Pai, colocar em tuas mãos a nossa vida por inteiro, os nossos projetos, nossas metas deste ano que está iniciando. Toma-nos em tuas mãos, conduz as nossas vidas e nos faz pessoas melhores, mais amorosas, capazes de perdão e  compreensão pelas dificuldades de nossos  companheiros de jornada nesta terra. Amplia a nossa compreensão e aumenta a nossa fé.
Que em cada momento do ano de 2016 possamos te revelar em cada comportamento e atitude para que todos possam ver a tua luz que brilha em cada um de nós.
Assim é porque tu queres que seja assim.
Que assim seja então !

Amém

19 de dezembro de 2015

É preciso parar esta onda que espalha mau humor e ódio !

J. Ricardo A. de Oliveira


Hoje no supermercado eu no caixa vi uma cena que me deu o que pensar.
Uma senhora perguntou a um senhor se aquela fila era a fila dos idosos. 
Ele olhou-a de alto a baixo e mandou: 
Porque, tá querendo entrar aqui? Vê se toma vergonha que você é muito nova.
A senhora visivelmente envergonhada olhou para ele e disse: 
Senhor eu só fiz uma pergunta.
E de volta ele vociferou:
É se colar colou , né ?
Ela educadamente respondeu: 
Eu tenho sessenta e dois anos tenho direito a entrar nesta fila, não entrei na sua frente, só perguntei...
E Ele:
Que sessenta o escambau que você não tem cara de sessenta. Novinha querendo passar a perna nos outros
.

 A essa altura a senhora já tinha ido para uma outra fila mais distante, mas isso não impediu que as pessoas ao redor do tal velho continuassem a falar absurdos. A senhora já transformada em “aquela zinha”, ou “a espertinha” e outros absurdos até lógico chegar nas críticas ao governo, à presidente e tudo o que temos visto e ouvido no nosso dia a dia.
Lembrei de que ainda nesta semana que passou presenciei esse tipo de discussão com certa frequência na rua e até mesmo uma briga, entre duas mulheres que rolavam no chão até um ambulante, vendedor de empadas, resolver interferir, e mesmo levando uns tapas de ambas, conseguiu separar aquela cena grotesca. Vi gente brigando e aos palavrões impedir o transito em plena Praça Saens Peña. Parece que todos estão com os nervos à flor da pele.

Percebo que a semente que vem sendo lançada há alguns anos parece que começa a germinar. São anos e anos de noticiários despejando desgraças, e coisas desagradáveis diariamente, notícias sobre escândalos, roubalheira. É como se houvesse uma programação para incutir na cabeça das pessoas que não temos saída, que tudo vai muito mal. Que não devemos acreditar que podemos ter dias felizes e que vivemos em um lugar maravilhoso invejado por todo mundo.



Toda essa situação de ódio, revolta parece atender a uma programação.  Sempre fomos um povo cordato, hospitaleiro, que gosta de festa, de futebol e extremamente alegre. A Alegria sempre foi a marca dos brasileiros, sempre sorridentes e que em qualquer lugar fazem a diferença quando em grupo. Fico com a impressão de que estamos perdendo esta característica. O que venho percebendo nas ruas é um ódio crescente, um constante mal humor, como se os todos estivessem prontos para explodir. Ainda outro dia, andando pela rua esbarrei de leve em uma senhora e já estava me virando e dizendo “me perdoe senhora”, mas não deu tempo. A reação dela foi de aos berros dizer: seu idiota não olha por onde anda sua cavalgadura? 

Não sei, ou não quero acreditar que saiba, a quem interessa este estado de coisas. A Única coisa que sei é que precisamos mudar esta situação. É urgente voltar ao estado de ânimo que tínhamos, à alegria de viver, a àquele espírito característico que provocava nos estrangeiros o comentário: “são brasileiros”, como se isso explicasse tudo.

Tenho muitos amigos virtuais e em sua maioria são professores, terapeutas, sacerdotes católicos ou protestantes, dirigentes espíritas e de cultos afro. Gente que fala ao povo, que tem um espaço para fazer alertas e esclarecer. Penso que eles poderiam ajudar na conscientização das pessoas. Serem anunciadores da necessidade de olharmos o mundo com olhos mais compassivos e alegres. Acredito que poderiam dedicar uma parte de suas falas à restauração do bom humor, da esperança e do sonho. A alegria, como aliás o Papa Francisco tem alertado, é fundamental para a vida, para a saúde e para a construção de um mundo melhor.
 Façamos então todos nós uma cruzada contra o mau humor, vãos rejeitar toda essa campanha de más notícias, de notícias de desgraças, vamos parar de falar de desgraças,
Vamos investir em dias melhores, em sonhos que abandonamos e projetos que deixamos de acreditar. Vamos juntos construir um mundo novo acreditando que um outro mundo é possível.

30 de novembro de 2015

Uma história que se eternizou através dos tempos.


Sem Era nem Beira
(Pe. Zezinho)

José trabalhava na carpintaria,
cuidando zeloso da sua Maria.
Maria esperava chegar sua hora,
no ventre levava seu filho e Senhor.
Mas eis que um decreto os arranca do teto
que foi testemunha do mais puro amor.
E assim foi que antes de haveres nascido,
te vistes banido pelo imperador.
Por longas estradas que ainda não vias,
sem eira nem beira calado seguias.
No ventre materno escondido rumavas
p'ra onde mandava teu Pai lá do Céu.
Mas eis que em Belém não encontras morada,
Maria cansada não pôde esperar.
E assim Tu nascestes mirando as estrelas,
no ventre da terra e distante do lar.
A Tua pobreza escondia um segredo,
e naquele palácio o patrão teve medo.
E diz que um rei paranóico e doente,
num gesto demente mando te matar.
Mas eis que José pressuroso e aflito,
se exila no Egito p'ra te proteger.
E assim foi que ainda pequeno e calado,
te viste exilado p'ra sobreviver.
Voltaste do exílio para Galiléia,
que o filho do rei governava a Judéia.
Na carpintaria da casa de aldeia,
não representavas perigo nenhum.
José e Maria te viram crescendo,
e era alí um por todos e todos por um.
Mas eis que o fiel carpinteiro morria,
levaste Maria p'ra Carfanaum.
A vida era dura, passavam os dias,
o tempo chegara e de casa partias.
Alguem perguntou de que em lado moravas,
disseste em resposta o que dizem milhões.
"Se queres saber o caminho que eu traço,
acompanha meu traço, vem ver e sentir.
As aves do céu e as raposas tem casa,
mas eu nem sequer tenho aonde dormir."
Eu olhos os milagres de arquitetura,
colossos enormes rasgando as alturas.
E penso no povo que sofre e padece
por falta de teto de amor e de pão.
E leio o decreto que o tira do teto
porque não pagou seu patrão e credor.

E tu que já foste pisado e esmagado,
exilado e humilhado. Liberta teu povo, liberta Senhor.
E tu que já foste pisado e esmagado,
exilado e humilhado. Liberta teu povo, liberta Senhor.


21 de novembro de 2015

Os sinais estão aí...Vento quebra ao meio a árvore de Natal da Lagoa !

Vento quebra ao meio a árvore de Natal da Lagoa !



Para quem entende os símbolos, acho que é hora de trocar a velha música de Natal da Simone (Então é Natal...) por aquela outra: Começar de Novo...
A árvore quebrada da Lagoa Rodrigo de Freitas, símbolo do Natal Carioca é como a carta da Torre do Tarot a nos lembrar que a construção quebrou, faliu, desabou. Só nos resta uma alternativa: começar uma nova empreitada. 

        



 Mas não é só a reconstrução da árvore da lagoa, porque esta é só um símbolo. O papa já disse que não faz sentido comemorar  Natal em plena Guerra, e certamente ele se refere a todos os tipos de guerra..  Guerras mundiais e guerras particulares de nosso dia a dia.

Não foi só a árvore que quebrou é todo um estado de coisas que nos rodeia não só no Rio como em todo Brasil. Os sinais apontam para a necessidade de novos paradigmas, as novas perguntas já não podem ser respondidas pelas velhas práticas esclerosadas da velha política, da lei de Gérson e da Razão Cínica.
Por enquanto estamos tendo os sinais, mas se não formos capazes de dar as respostas adequadas certamente algo mais sério e contundente vai acabar acontecendo.
No passado, nossos antepassados sabiam ler os sinais dos tempos, precisamos recuperar essa sensibilidade sob pena de sermos mais uma espécie em extinção.




7 de novembro de 2015

A mentira que vivemos



Vídeo Excelente,para assistir mais de uma vez.

Deveria ser obrigatória a exibição deste filme nas escolas seguido de debate,

 enquanto há tempo...





Diwali – A festa das Luzes na India



É uma festa hindu alegre, que comemora o triunfo do bem sobre o mal e ilumina os lares e corações de todos que participam com esperança para o novo ano. Diwali, também conhecido como o Festival das Luzes é um festival de cinco dias centrada na família e na comunidade comunhão marcados com luzes, fogos de artifício, feiras de rua, oração e música. Como o nome sugere muito da celebração envolve acender velas ou pequenos Diyas, (espécie de lamparinas) que são acesas para indicar a vitória pessoal do bem sobre o mal e o retorno da fé. Este festival começa luminescentes cada dia antes do sol nascer com as cidades toda iluminada por milhares de velas acesas, faróis e lâmpadas. As flores são amarradas em guirlandas e envolvem as casas e empresas assim como as pessoas invadem as ruas para compartilhar sua alegria com os outros. Na terceira noite dos fogos de artifício iluminarão o céu. Todo mundo comemora, e usam o que tem de melhor usa para um novo ano de muita Luz, Fartura e Alegria.

diyas

 Em 2015, o Diwali começa com Dhanteras, e vai de 9 até 13 de novembro. As principais festividades ocorrem no terceiro dia (este ano, no dia 11 de novembro).
Cada dia do festival tem um significado diferente.
O primeiro, Dhanteras, marca o início do Diwali e é dedicado a celebrar a riqueza. A Deusa Lakshmi é adorada para proporcionar prosperidade, e as pessoas tradicionalmente compram ouro.

O segundo dia é conhecido como Naraka Chaturdasi. Krishna e a Deusa Kali são aclamados por ter destruído o demônio Narakasura e pela libertação de 16 mil princesas cativas neste dia.



No terceiro e principal dia, várias pequenas lâmpadas de argila (chamados diyas) e velas são acesas e colocadas nas casas, enquanto os fogos de artifício são disparados por todos os cantos, legitimando o nome de “Festival das Luzes”. Os indianos também limpam e decoram suas casas com rangoli (arte popular Hindu), compram roupas novas, apostam e trocam presentes e doces durante o festival.



No quarto dia, os comerciantes recomeçam o ano e oferecem preces.

O quinto e último dia, conhecido como Bhai Duj, é dedicado aos irmãos e eles se reúnem para compartilhar comida e honrar o vínculo entre eles.


4 de novembro de 2015

As 108 contas do Japamala

E em primeiro lugar, o que vem a ser um Japamala? 


Japamala
(Japa = repetição, Mala = cordão ou colar) é um objeto antigo de devoção espiritual, conhecido também como rosário de orações no ocidente. É um artesanato muito utilizado para ajudar nas orações e mentalizações como marcador.

"Japa" é uma palavra em sânscrito que vem da raiz verbal "jap", que significa "murmurar, sussurrar".
"Japa" é a prática feita pelos yogis na repetição em tom de murmúrio de mantras, de passagens das escrituras, ou do nome de uma divindade.
A repetição destes mantras, o "Japa", é uma "corrente", um "cordão de energia".
Mala é uma palavra de vários significados em sânscrito, porém neste caso, ela quer dizer, apenas, "cordão de contas".
Temos então duas correntes, uma espiritual, "Japa" e outra material, "Mala". Assim, as energias espirituais invocadas "Japa", energizam o "Mala".
Geralmente, o "mala", utilizado para o "japa", "murmurar", contém 108 contas.
Um Mala pode conter contas que também formam divisões de 108, de modo que o mesmo cálculo possa ser mantido.
Chegar ao "Meru", a conta central no mala, mostra que você fez o seu "japa" por 108 vezes. Completar o circuito de 108 mantras é um passo a mais no caminho da elevação espiritual. Cada Volta realizada no "Mala", é um degrau na escada para a união com o éter divino.
Um "mala" estimula seu usuário a fazer os "japas" diariamente.





Por que 108 contas em um Japamala?

Algumas pessoas me perguntam as vezes o porque das 108 contas do japamala, segue abaixo um bom resumo:

A frequência mais alta das rádios FM é 108.0.

108 = 0108 número forte Hebreu = neblina, vapor do solo a partir do qual as nuvens se formam, assim chamado porque envolve e cobre a Terra como um véu.

Esta derivação também é confirmada pela raiz árabe "med", que significa o que guarda e fortalece qualquer coisa, defesa.

Também significa atmosfera.

1-0-8 é o número de emergência na Índia (tal como 9-1-1 nos EUA).

Uma frase comum na India é "Ligue 108 e salve uma vida".

Para se ter uma idéia, este número é produto de operações matemática simples e precisas. Por exemplo, ao se multiplicar 1 elevado a ele mesmo por 2 elevado à 2ª e por 3 elevado à 3ª, o resultado é 1 x 4 x 27 = 108.

O alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas masculinos e 54 que são chamados femininos, resultando em 108 fonemas.

O número nove é considerado um número sagrado para os Hindus, 1 + 0 + 8 = 9.

O “108? também aparece como a representação do chackra cardíaco;

no Shri Yantra; nos textos védicos, onde 108 é o número em que se divide o tempo entre passado, presente e futuro;

na astrologia, com seu 9 planetas e 12 casas ( 9×12 =108);

na astronomia, que mede o diâmetro do Sol como sendo 108 vezes o diâmetro da Terra.

E ainda 108 são o número de Gopis de Krishna, 108 são os Upanisades, 108 são o número de contas do japamala e poderia citar ainda muito mais sobre o número 108.

É conhecido que o Mala ou rosário usado em toda a Índia, e que se espalhou pelo mundo, tanto dentro da religião Hindu, como em outras religiões possui 108 contas.

Este número “108” é um número sagrado, por diversas razões.

Estas razões são matemáticas e metafísicas (como a própria matemática).

Os antigos indianos eram excelentes matemáticos. Não houve matéria no campo da Álgebra e da Geometria, que não tenha sido estudado por eles.

Este número é produto de operações matemática precisas, por exemplo, se multiplicarmos 1 na primeira potência, por 2 na segunta potência, este resultado por 3 na terceira potência, teremos 108. isso porque o produto de 1 na 1, é 1, e de 2 na 2 é 4, e 3 na 3 é 27, portanto, 1 x 4 x. 27 = 108.

Mas talvez a influência mais direta do número 108 não tenha apenas relação matemática, mas sagrada com os fonemas do “alfabeto” sânscrito e a divisão do cosmo, de tempo e espaço.

Por sua vez, o alfabeto sânscrito possui 54 letras ou fonemas que são chamados masculinos, e 54 que são chamados femininos, sendo conhecidos como Siva e Sakti, respectivamente, e que somados resultam em 108.

Há uma série de outras colocações que encheriam muitos livros. Nós iremos aqui colocar alguns aspectos, e que o leitor terá por satisfeito seu interesse no sagrado número 108.

Vejamos, então, alguns aspectos e como eles dizem respeito ao número sagrado 108:

Sri Yantra

Outra grande fonte de meditação no sagrado 108 é o Sri Yantra.

Este símbolo sagrado é conhecido como o monte Meru.

Neste Yantra Marmas ou pontos, onde três linhas se entrecruzam, e há 54 sub-cruzamentos.

Cada um destes cruzamentos são masculinos e femininos, qualidades de Siva e Sakti.

Portanto, estes 54 cruzamentos, sendo masculinos e femininos, resultam no número 108. Por conseguinte, este número 108 define o Sri Yanta, bem como o próprio corpo humano.

Igualmente, o número nove é considerado um número sagrado para os Hindus, e se somarmos o número 108, da seguinte forma 1 + 0 + 8, teremos o número 9, que multiplicado por 12, também resultará em 108.

Isso se deve pela ciência da numerologia, em que cada número e seqüência, bem como arranjos, possuem um significado profundo, além da objetividade que pretende dar a matemática vulgar.

Chakra do coração

O Chakra do coração, ou do vórtice de energia do Anahata, possui linhas de interseção. Os Vedas dizem que há 108 linhas de energia no Chakra do coração, onde o Paramatma está residindo. É a partir do Chackra do coração que o Yogi atinge a iluminação do Sahasrara ou Chakra do auto da cabeça,

cuja energia é levada pelo canal central ou Sushumna para a coroa da realização em Deus.

Pontos Marmas

No corpo sutil há pontos de captação de energia.

Estes pontos são chamados de Marmas, e são como pontos de interseção por sobre os Nadis ou canais de distribuição de energia. Os textos védicos afirmam que há 108 Marmas por sobre o corpo, e que têm reflexos no corpo físico e nas diversas funções vitais.

O tempo

O tempo é dito que possui 108 sentimentos, os quais estão em número de 36 no passado, 36 no presente, e 36 no futuro.

Esta relação da psicologia da percepção do tempo, no mundo finito, é considerada uma dilação do Akasha.

Astrologia

A astrologia védica ou Jyotish considera os 9 planetas visíveis, bem com as 12 casas das constelações, chamados de Manshas ou Chandrakalas.

A relação de 9 x 12 é igual a 108.

A palavra Chandrakala é composta de Chandra = lua, e Kalas, divisões do tempo.

O diâmetro do sol é 108 vezes maior do que o da Terra.

Gopis do Senhor Krishna

Sri Krishna, o Senhor Supremo, protagonista do Bhagavad-gita, tinha 108 Gopis ou servas fixas, e 108 mil esposas. Isso é transcendental e não pode ser comparado com as coisas da paixão mundana e leviandade chula.

Relações diversas

O número 108 quando divido em porções fracionárias, possui 54, 36, 27, e nove.

Então há Malas ou rosários com estas subdivisões, e o devoto faz os devidos arranjos para completar as 108 voltas.

Islamismo: no Islã, o número 108 é usado como representante de Deus.

Sikh: na tradição Sikh, o número 108 está presente nas suas mantas de la, que possuem 108 nós na seqüência, além daqueles que estão nos seus Malas de japa.

Chineses: os budistas chineses, por notória influência da Índia, usam malas de 108 contas, que eles chamam de Su-chu, dividindo este Mala em 3 divisões de 36 contas.

Estágios da Alma: as Escrituras dizem que a alma possui 108 estágios na sua jornada por sobre a Terra, e se não atinge a liberação, deverá voltar para o seio de Paramatma e retornar mais tarde para uma nova jornada de 108 vidas.

Meru: em um Mala ou rosário, há uma pedra maior chamada de Meru. Ela não faz parte das 108 contas em seqüência, e marca o início e o fim de um Mala de Japa (canto do Mantra).

Pitágoras: para este filósofo grego, que bebeu da sabedoria dos matemáticos indianos, em viagens que fez para o continente indiano, como facilmente podemos ver na sua biografia, dizia que o número 9 era o limite para todos os números.

Todos os outros nomes existem e vêm do mesmo, isso é, de 0 a 9,

e com estes números pode-se fazer uma quantia infinita, nos seus diferentes arranjos.

Upanishadas: há 108 Upanishads principais.

Estes Upanishads estão agrupados em categorias dentro de os Vedas.

O agrupamento destes textos sagrados está conforme a seguir:

Rig-veda (10): Aitareya , Atmabodha, Kaushitaki, Mudgala, Nirvana, Nadabindu, Akshamaya, Tripura, Bahvruka, Saubhagyalakshmi.

Yajurveda (50): Katha, Taittiriya , Isavasya , Brihadaranyaka, Akshi, Ekakshara, Garbha, Prnagnihotra, Svetasvatara, Sariraka, Sukarahasya, Skanda, Sarvasara, Adhyatma, Niralamba, Paingala, Mantrika, Muktika, Subala, Avadhuta, Katharudra, Brahma, Jabala, Turiyatita, Paramahamsa, Bhikshuka, Yajnavalkya, Satyayani, Amrtanada, Amrtabindu, Kshurika, Tejobindu, Dhyanabindu, Brahmavidya, YogakundalinI, Yogatattva, Yogasikha, Varaha, Advayataraka, Trisikhibrahmana, mandalabrahmana, Hamsa, Kalisantaraaa, Narayana, Tarasara, Kalagnirudra, Dakshinamurti, Pancabrahma, Rudrahrdaya,
SarasvatIrahasya.

SamaVeda (16): Kena, Chandogya, Mahat, Maitrayani, Vajrasuci, Savitri, Aruneya, Kundika, Maitreyi, Samnyasa, Jabaladarsana, Yogacudaman, Avyakta, Vasudevai, Jabali, Rudrakshajabala.

Atharvaveda (32): Prasna , Mandukya, Mundaka, Atma, Surya, Narada-Parivrajakas, Parabrahma, Paramahamsa-Parivrajakas, Pasupatha-Brahma, Mahavakya, Sandilya, Krishna, Garuda, Gopalatapani, Tripadavibhuti-mahnarayana, Dattatreya, Kaivalya, Nrsimhatapani, Ramatapani, Ramarahasya, HayagrIva, Atharvasikha, Atharvasira, Ganapati, Brhajjabala, Bhasmajabala, Sarabha, Annapurna, Tripuratapani, Devi, Bhavana, Sita

No Hinduísmo 108 é o número de Gopis de Krishna nos Seus passatempos 108 são os locais sagrados para os Vaishnavas 108 são as contas do Mala para o Japa 108 são os Upanishads 108 são os Divyadeshes ou sagrados Tirthas, da Índia até o Nepal.

108 são as águas sagras instaladas em Muktinath, no Nepal.

Sanatana-dharma Com certeza, a conclusão do que vem a ser o número sagrado 108 deve-se aos Vedas, e a forma como os textos e métrica védica está a escrever os sagrados ensinamentos da Suprema Personalidade de Deus.

Há um livro escrito por Khurana, que dá as explicações que espelham bem estas colocações da métrica védica.

Diz ele, um círculo possui 360 graus, os quais quando multiplicados por 60 resultam em 21.600 minutos num círculo.

O número 60 advém de 60 Ghatis, os quais são sagrados.

Um Ghati é igual a 24 minutos, 60 Ghatis são 24 horas, a divisão de um dia.

Um Ghati é dividido em 60 partes ou Palas.

Então, estes Palas multiplicados por 60 resultam em 3.600.

Este valor multiplicador por 60, por um Pala contém 60 Vipalas, resulta, novamente, em 21.600.

A metade deste valor é a fase do dia, e a outra metade a fase da noite.

Então, 21.600 dividido por 2, resulta em 10.800.

Para fins práticos, usa-se 108.

Este ritmo ajuda a controlar o ritmo do tempo, bem como do espaço, permanecendo em harmonia com a natureza e a forma como ela se regula.

Um passatempo do Srimad Bhagavatam e do Tantra Shastra

Há uma história védica, chamada de “108 Pithas” ou lugares sagrados, onde há um passatempo do Senhor Siva e Sati devi. Esta história está completa no 4 Canto do Bhagavata-purana.

O passatempo narra que o Senhor Siva estava sempre em profunda meditação.

O Seu asceticismo estava gerando um grande calor por sobre o universo.

Por conseguinte, toda a existência estava correndo enorme perigo, e o Senhor Brahmaa (Seu pai), interferiu diante de Maa Shakti Devi, a mãe do universo, para que usasse Seu poder, no sentido de seduzir o Senhor Siva e demovê-Lo da Sua posição.

Então Maa Sakti concordou, e que iria nascer como Sati, filha de Sri Daksha.

O Senhor Siva havia ficado muito impressionado com o asceticismo de Sati, e com Sua extraordinária beleza.

Então Ele retornou a forma humana e casou-Se com Ela.

Anos mais tarde, numa festa, o pai de Sati Devi insultou o Senhor Siva.

Sati ficou tão humilhada que entrou em profunda meditação, tendo em vista imolar-Se.

O Senhor Siva ficou com o Seu coração despedaçado.

Ele chegou até o local do sacrifício de fogo, e tentou interferir agarrando o corpo de Sati, levando-A para o céu.

Mas na medida em que fazia isso, 108 pedaços do corpo de Sati Devi caíram e Se espalharam por sobre a Terra.

Eram 108 pedaços, que tornaram os locais onde caíram inteiramente sagrados.

Desde esta época estes locais são adorados e fonte de constante peregrinação

Lembrando:

Para quem usa o japamala com 108 contas, é feito apenas uma volta recitando os mantras.

Para quem usa japamala de 54 contas, é feito ida e volta (2x54=108) recitando os mantras

Para quem usa japamala de 27 contas, é feito ida e volta duas vezes (4x27=108) recitando os mantras.

Sabemos o porque 108 é um numero mágico,

então use e abuse da energia!!

SEMPRE, consagre seu japamala à um ser de luz que você tenha mais afinidades, e sempre que fizer seus mantras ou orações, peça para que esse ser de luz ative os mantras em seu ser.

Um outro beneficio de usar um japamala:

O japamala pode ser feito em cristais, o que além da energia dos mantras, podemos associar a energia dos cristais.

Temos aí uma poderosa ferramenta, que une, energias de todos os lados.
Link da matéria e créditos: Portal Somos Todos Um