O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

14 de outubro de 2009

A revolucionária Teresa D’Ávila

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Nada te perturbe.
Nada te espante.
Tudo passa.
A paciência tudo alcança.


Nada me perturbe.
Nada me espante.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta.

Ela nasceu no dia 28 de março de 1515 e foi batizada Tereza de Cepeda Y Ahumada , em Avila, Castilha, Espanha. Era filha de Alonso Sanchez de Cepeda e Beatrice Davila y Ahumada. Tereza foi educada pelas irmãs Agostinianas até 1532 quando ela voltou para casa por causa de sua saúde. Quatro anos mais tarde ela entrou para o Convento das Carmelitas Descalças, em Ávila, um estabelecimento que era negligente com relação pobreza e a clausura.
Ela voltou de novo para casa em 1536 por dois anos devido a sua saúde.
De 1555 a 1556 ela teve visões e ouviu vozes. No ano seguinte São Pedro de Alcântara passou a ser o seu diretor espiritual e ajudou-a sobremaneira em seu apostolado religioso. Desejosa de ser uma freira que obedecesse com austeridade a regra das Carmelitas, Santa Tereza fundou em 1567 o convento de São José em Ávila onde ela foi seguida por outras irmãs que desejavam uma vida mais austera.
Em 1568 ela recebeu permissão do Pior Geral da Ordem das Carmelitas para continuar no seu trabalho e ela fundou 16 outros conventos ,recebendo o apelido e "a freira ambulante " devido as suas freqüentes viagens.
Tereza se encontrou com São João da Cruz outro Carmelita buscando a reforma, em Medino del Campo, local do seu segundo convento. Ela fundou ainda um monastério para homens em Duruelo em 1568 , mas passou a responsabilidade dirigir e reformar ou fundar outros novos monastérios para São João da Cruz.

A oposição se desenvolveu entre as Carmelitas (calçadas)e membros da Ordem original e o Consilho de Piacenza em 1575 restringiu muito as suas atividades. A rixa continuou até que o Papa Gregório XIII (1572-1585) a pedido do Rei Felipe II, da Espanha, reconheceu as Reformadas Carmelitas Descalças como uma província separada da Ordem das Carmelitas originais. Nesta altura a maturidade espiritual de Santa Tereza era evidente e os seu livros e cartas foram sendo conhecidos e passaram a se tornar clássicos da literatura espiritual e logo incluíram sua autobiografia chamada "O caminho da Perfeição" e o seu livro "Castelo Interior" como clássicos da teologia espiritual.
Santa Tereza foi reverenciada como uma grande mística, tendo notável senso de humor e bom senso, combinando uma deslumbrante atividade, com uma mística contemplação.
Ela morreu no dia 4 de outubro de 1582 (14 de outubro pelo calendário Gregoriano que passou a vigorar no dia seguinte a sua morte, e avançou o calendário por 10 dias).
Foi canonizada em 1622 pelo Papa Gregório XV e declarada Doutora da Igreja em 1970 pelo Papa Paulo VI.




Não deixe que Morra !

J. Ricardo A de Oliveira
Vista hoje, quase 40 anos depois esta música de 1971 de Hurricane Smith, que embalou os passos nos bailes de muitos dos sessentões atuais, poderia ser encarada como profética.
Certamente imaginávamos que vivíamos sob a ameaça de uma 3ª Guerra mundial, de uma destruição atômica, mas não imaginávamos que poderíamos sofrer risco de extinção por nossas ações inconsequentes.
Mas, ainda é tempo !
Pequenas ações podem fazer toda a diferença. Algo simples como separar lixo orgânico do lixo do reciclável. Ou repensar o gasto de água potável, fechando a torneira emquanto se ensaboa. Ou talvez simplesmente apagando as luzes ao sair de um cômodo.
São pequenas ações, feitas por um grande número de pessoas que podem não deixar morrer o nosso sonho.

4 de outubro de 2009

Mercedes Sosa nos deixou

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Mercedes Sosa nos deixou,

neste domingo 4/10/09, aos 74 anos,

a voz da luta pelos direitos dos povos,

alguém que gritava

pelos os oprimidos da América Latina

calou-se.



(Mercedes Soza e Beth Carvalho)


"Solo le pido a Dios

Que el dolor no me sea indiferente,

Que la reseca Muerta no me encuentre


Vacia y sola sin haber hecho lo suficiente."

Mercedes Sosa
“La Negra”

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1 de outubro de 2009

Maria Clara L. Bingemer - O Pacto das catacumbas

(Maria Clara Lucchetti Bingemer)

Neste ano em que se celebra o centenário de Dom Helder Câmara, muitaslembranças e recordações do grande Dom, que foi um dos presentes maiores deDeus à Igreja do Brasil têm sido desentranhados e trazidos à luz novamente.Limpos da poeira do esquecimento por nossa às vezes curta e ingrata memória,brilham como estrelas de primeira grandeza realimentando nossa vidaespiritual e nossa capacidade ética.

Talvez um dos mais importantes seja a re-visita do chamado Pacto dasCatacumbas.
No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio Vaticano II, cerca de 40 Padres Conciliares celebraram umaEucaristia nas catacumbas de Domitila, em Roma, pedindo fidelidade aoEspírito de Jesus. Após essa celebração, firmaram o "Pacto das Catacumbas".
O documento é um desafio aos "irmãos no Episcopado" - aos bispos presentes,portanto, - a levarem uma "vida de pobreza", a construir uma Igreja que sequeria "servidora e pobre", como sugeriu o papa João XXIII. Os signatários -dentre eles, muitos brasileiros e latino-americanos, sendo que mais tardeoutros também se uniram ao pacto - se comprometiam a viver na pobreza, arejeitar todos os símbolos ou os privilégios do poder e a colocar os pobresno centro do seu ministério pastoral.
O texto teve forte influência sobre a Teologia da Libertação, quedespontaria e floresceria nos anos seguintes.Um dos signatários,propositores e mesmo articuladores do Pacto foi Dom Hélder Câmara.
O belo texto do Pacto é altamente inspirador para toda a Igreja hoje comoontem. Aqui o transcrevemos do livro "Concílio Vaticano II", Vol. V, QuartaSessão (Vozes, 1966), organizado por Dom Boaventura Kloppenburg, pp.526-528.

PACTO DAS CATACUMBAS DA IGREJA SERVA E POBRE

Nós, Bispos, reunidos no Concílio Vaticano II, esclarecidos sobre asdeficiências de nossa vida de pobreza segundo o Evangelho; incentivados unspelos outros, numa iniciativa em que cada um de nós quereria evitar asingularidade e a presunção; unidos a todos os nossos Irmãos no Episcopado;contando sobretudo com a graça e a força de Nosso Senhor Jesus Cristo, com aoração dos fiéis e dos sacerdotes de nossas respectivas dioceses;colocando-nos, pelo pensamento e pela oração, diante da Trindade, diante daIgreja de Cristo e diante dos sacerdotes e dos fiéis de nossas dioceses, nahumildade e na consciência de nossa fraqueza, mas também com toda adeterminação e toda a força de que Deus nos quer dar a graça,comprometemo-nos ao que se segue:

1) Procuraremos viver segundo o modo ordinário da nossa população, no queconcerne à habitação, à alimentação, aos meios de locomoção e a tudo que daíse segue.. Cf. Mt 5,3; 6,33s; 8,20.

2) Para sempre renunciamos à aparência e à realidade da riqueza,especialmente no traje (fazendas ricas, cores berrantes), nas insígnias dematéria preciosa (devem esses signos ser, com efeito, evangélicos). Cf. Mc6,9; Mt 10,9s; At 3,6. Nem ouro nem prata.

3) Não possuiremos nem imóveis, nem móveis, nem conta em banco, etc., emnosso próprio nome; e, se for preciso possuir, poremos tudo no nome dadiocese, ou das obras sociais ou caritativas. Cf. Mt 6,19-21; Lc 12,33s..

4) Cada vez que for possível, confiaremos a gestão financeira e materialem nossa diocese a uma comissão de leigos competentes e cônscios do seupapel apostólico, em mira a sermos menos administradores do que pastores eapóstolos. Cf. Mt 10,8; At. 6,1-7.

5) Recusamos ser chamados, oralmente ou por escrito, com nomes e títulosque signifiquem a grandeza e o poder (Eminência, Excelência, Monsenhor...).Preferimos ser chamados com o nome evangélico de Padre. Cf. Mt 20,25-28;23,6-11; Jo 13,12-15.

6) No nosso comportamento, nas nossas relações sociais, evitaremos aquiloque pode parecer conferir privilégios, prioridades ou mesmo uma preferênciaqualquer aos ricos e aos poderosos (ex.: banquetes oferecidos ou aceitos,classes nos serviços religiosos). Cf. Lc 13,12-14; 1Cor 9,14-19.

7) Do mesmo modo, evitaremos incentivar ou lisonjear a vaidade de quemquer que seja, com vistas a recompensar ou a solicitar dádivas, ou porqualquer outra razão. Convidaremos nossos fiéis a considerarem as suasdádivas como uma participação normal no culto, no apostolado e na açãosocial. Cf. Mt 6,2-4; Lc 15,9-13; 2Cor 12,4.

8) Daremos tudo o que for necessário de nosso tempo, reflexão, coração,meios, etc., ao serviço apostólico e pastoral das pessoas e dos gruposlaboriosos e economicamente fracos e subdesenvolvidos, sem que issoprejudique as outras pessoas e grupos da diocese.
Ampararemos os leigos, religiosos, diáconos ou sacerdotes que o Senhor chamaa evangelizarem os pobres e os operários compartilhando a vida operária e otrabalho. Cf. Lc 4,18s; Mc 6,4; Mt 11,4s; At 18,3s; 20,33-35; 1Cor 4,12 e9,1-27.

9) Cônscios das exigências da justiça e da caridade, e das suas relaçõesmútuas, procuraremos transformar as obras de "beneficência" em obras sociaisbaseadas na caridade e na justiça, que levam em conta todos e todas asexigências, como um humilde serviço dos organismos públicos competentes. Cf.Mt 25,31-46; Lc 13,12-14 e 33s.

10) Poremos tudo em obra para que os responsáveis pelo nosso governo e pelosnossos serviços públicos decidam e ponham em prática as leis, as estruturase as instituições sociais necessárias à justiça, à igualdade e aodesenvolvimento harmônico e total do homem todo em todos os homens, e, poraí, ao advento de uma outra ordem social, nova, digna dos filhos do homem edos filhos de Deus.. Cf. At. 2,44s; 4,32-35; 5,4; 2Cor 8 e 9 inteiros; 1Tim5, 16.

11) Achando a colegialidade dos bispos sua realização a mais evangélica naassunção do encargo comum das massas humanas em estado de miséria física,cultural e moral - dois terços da humanidade - comprometemo-nos:
· A participarmos, conforme nossos meios, dos investimentos urgentesdos episcopados das nações pobres;
· A requerermos juntos ao plano dos organismos internacionais, mastestemunhando o Evangelho, como o fez o Papa Paulo VI na ONU, a adoção deestruturas econômicas e culturais que não mais fabriquem nações proletáriasnum mundo cada vez mais rico, mas sim permitam às massas pobres saírem desua miséria.

12) Comprometemo-nos a partilhar, na caridade pastoral, nossa vida comnossos irmãos em Cristo, sacerdotes, religiosos e leigos, para que nossoministério constitua um verdadeiro serviço; assim:
· Esforçar-nos-emos para "revisar nossa vida" com eles;
· Suscitaremos colaboradores para serem mais uns animadores segundoo espírito, do que uns chefes segundo o mundo;
· Procuraremos ser o mais humanamente presentes, acolhedores...;
· Mostrar-nos-emos abertos a todos, seja qual for a sua religião.Cf. Mc 8,34s; At 6,1-7; 1Tim 3,8-10.

13) Tornados às nossas dioceses respectivas, daremos a conhecer aos nossosdiocesanos a nossa resolução, rogando-lhes ajudar-nos por sua compreensão,seu concurso e suas preces.
AJUDE-NOS DEUS A SERMOS FIÉIS. Com essas humildes e fervorosas palavrasterminavam os bispos seu pacto. Elas precediam suas assinaturas. Que amesma prece habite nosso coração e que o pacto das catacumbas, devidamenteadaptado a nosso estado de vida, quer sejamos leigos, religiosos ouclérigos, possa ser o norte de nossas vidas.

Fonte:
http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407http://amaivos.uol.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=13407&cod_canal=47> &cod_canal=47

31 de agosto de 2009

Quando entrar setembro

(Beto Guedes)


http://www.youtube.com/watch?v=6oeMm4KGsmA





Quando entrar setembro
E a boa nova andar nos campos
Quero ver brotar o perdão
Onde a gente plantou
Juntos outra vez


Já sonhamos juntos
Semeando as canções no vento
Quero ver crescer nossa voz
No que falta sonhar


Já choramos muito
Muitos se perderam no caminho
Mesmo assim não custa inventar
Uma nova canção
Que venha nos trazer


Sol de primavera
Abre as janelas do meu peito
A lição sabemos de cor
Só nos resta aprender
Aprender

20 de agosto de 2009

Marina e a repercussão internacional de sua candidatura

Os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições presidenciais de 2010 podem sofrer turbulências com a possibilidade da candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva pelo Partido Verde à presidência do País, segundo afirma o jornal espanhol El País.

Marina já admitiu que foi sondada pelo PV, o que teria "chacoalhado" o PT, seu atual partido, segundo o jornal. No entanto, ela não confirmou se aceitará a proposta do PV.
A ex-ministra deixou o governo em maio de 2008, em virtude da incompatibilidade de ideias com o governo de Lula.

Segundo o jornal, caso Marina decidisse disputar as eleições de 2010, poderia ocorrer uma "revolução" nos planos de Lula, uma vez que sua pré-candidata, a Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, foi escolhida principalmente por ser mulher. A participação de Marina no processo eleitoral poderia criar uma divisão nos votos do eleitorado feminino.

Segundo o jornal, apesar de Dilma ser uma "ex-guerrilheira" que lutou contra ditadura, Marina é negra, filha de pais pobres e trabalhou como seringueira porque não tinha como estudar.
Ela se tornou uma ferrenha defensora da floresta amazônica, além de ter criados laços de amizade com o ecologista assassinado Chico Mendes. Hoje, ela é vista como uma referência internacional em assuntos relativos a novas energias, segundo o El País.

O PV está na expectativa da resposta de Marina, e Lula deve usar seu poder de persuasão para evitar a saída da ex-ministra do PT. Marina disse que vai decidir pelo que é melhor para o Brasil dentro do que sempre defendeu em sua vida.

11 de agosto de 2009

alerta para futuro terrível sem acordo climático

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon
Chefe da ONU alerta para futuro terrível sem acordo climático


SEUL (Reuters) - O fracasso em agir rapidamente para combater as mudanças climáticas pode provocar o aumento da violência e uma grande instabilidade no mundo, uma vez que os padrões climáticos globais mudam drasticamente, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nesta terça-feira.


"Se nós falharmos em agir, a mudança climática vai intensificar as secas, as enchentes e outros desastres naturais", disse Ban em um fórum próximo de Seul que acontece semanas antes de uma conferência do próprio secretário-geral sobre as mudanças climáticas, em setembro.

"A falta de água vai afetar centenas de milhões de pessoas. A subnutrição vai tragar grandes partes do mundo em desenvolvimento. As tensões vão piorar. A instabilidade social - incluindo a violência - pode acontecer", afirmou Ban no evento em Incheon.

As emissões de gases causadores do efeito estufa são consideradas a principal causa para o aquecimento global. Os países vão se reunir em Copenhague em dezembro para trabalhar em um novo acordo climático global para reduzir as emissões que substituirá o Protocolo de Kyoto, que termina em 2012.

Ban, que considerou a mudança climática um tema fundamental para a humanidade, pediu que líderes mundiais atuem rapidamente para que um acordo possa ser alcançado em Copenhague.

Esta semana representantes de 180 países se reúnem em Bonn, Alemanha, para negociar sobre o clima, em meio a alertas de que o tempo está passando para que um acordo bastante completo seja concretizado até o fim do ano.

(Por Jon Herskovitz; com reportagem de Alister Doyle em Bonn)

29 de julho de 2009

Uma anciã chamada Igreja

autor: Víctor Codina, S.J.

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Todos desejaríamos que a Igreja fosse jovem, forte, vigorosa, ousada, criativa, primaveril, atraente… mas nós a encontramos cansada, pressionada, silenciosa, medrosa, quase muda. Parece-nos muito velha, às vezes quase tememos que tenha Alzheimer: recorda o passado, repete-o, mas parece que o que ocorre no momento lhe escapa, é quase míope para compreender as novas luzes que brilham e que exigem resposta. Outras vezes nos parece surda, não escuta os gritos e o vozerio de um mundo agitado e turbulento.

Os jovens a abandonam cansados de ver seu estado deplorável; tão calada, tão passiva, tão torpe, tão pouco acolhedora. Outros a atacam violentamente, ferem-na, inclusive anunciam sua morte próxima: "é questão de tempo, é do passado, é uma relíquia anacrônica, é um objeto de antiquário". Outros querem rejuvenescê-la com técnicas artificiais, antioxidantes, contra as rugas. Mas ela não se deixa. Outros a vêem suja, manchada, descuidada, abandonada, desprezada, como se ninguém cuidasse dela, tentando ajudá-la com carinho, é tão velha a pobre…

Mas ela fica calada, medita em seu interior, recorda o passado, quando era jovem e pobre, quando a perseguiram, quando a coroaram como rainha e mestra, quando a uniram a príncipes e reis, quando todos diziam ser seus filhos. E ela sorri, pois sempre quis ser como no começo, fiel ao Espírito, singela, pobre, transparente, aberta a todos, fecunda, livre, evangélica, como seu Esposo, o Senhor. Agradece a seus filhos que quiseram que ela voltasse às suas origens, aos seus filhos fiéis, que nunca procuravam seu próprio proveito senão o do Senhor.

É sábia, cheia de experiência, experiente em humanidade, sabe que há primaveras e também invernos; agora é inverno. Muitos se afastam dela escandalizados, mas sabe que depois do inverno virá o verão, tem boa memória. Não tem medo, tempos melhores virão, haverá filhos proféticos e corajosos que lhe devolverão o brilho evangélico de suas origens; tornar-se-á pobre, evangélica e pascoal. Tem paciência, espera, não se desanima, o Senhor, seu Esposo, está ausente, mas voltará; enquanto isso possui a presença vivificante de seu Espírito.

Ela é muito antiga, tem séculos de história, dos tempos de Adão, Abel, como os velhos Santos Padres pressentiram e por isso a chamaram de "anciã". Os impérios passam, reis e ditadores cairão, mas ela continua firme, silenciosa, com passo lento, caminhando para um fim sem ocaso. Espera sempre, sabe que o Senhor falou de sementes pequenas, mas que crescem, de pouco fermento, mas que fará a massa crescer, sabe também que o joio está com o trigo, por isso não quer arrancá-lo, pois todas as vezes que seus filhos tentaram fazer isso inquisitorialmente, foi um fracasso. Prefere usar a misericórdia, a paciência, o entendimento, o perdão e a indulgência, a excomungar e lançar anátemas.

Não quer pressionar, não quer forçar nada como alguns gostariam, não pretende ser cada vez mais numerosa e forte, não deseja ser poderosa e rica, pois os que isso queriam arruinaram-na. Não pretende saber tudo, não quer dar normas a todos, como alguns fizeram em outros tempos e ainda querem que continue fazendo agora. Ela prefere dialogar, mas muitos de seus filhos têm medo do diálogo. Os tempos mudaram, ela prefere silenciar, oferecer a água pura de sua verdade como as fontes dos povoados que oferecem água ao sedento, sem obrigar ninguém a beber. Quer abrir janelas, sacudir o pó de imperadores e reinos passados, quer respirar ares novos repletos de oxigênio mesmo sendo muito velha, mas muitos fecham apressados suas janelas, "com medo de que a velha se resfríe..."

Ainda que pareça silenciosa, muda e surda, no fundo escuta uma voz interior que lhe sussurra palavras de vida eterna. Quando nos parece cega, na realidade tem os olhos voltados para dentro, para o Senhor, seu Esposo que lhe dá força, dá-lhe seu Espírito para que nunca se desanime, não decaia, não perca a esperança, para aprender a viver novos tempos. Ainda deve percorrer um longo caminho, como aconteceu ao velho e cansado Elías no deserto.

Parece sofrer Alzheimer, mas na realidade o que ela quer é que nós a cuidemos, como um esposo carinhoso que cuida de sua esposa enferma, ela quer ser amada, atendida e que nós façamos uma reflexão sobre o que fizemos com ela, por que a deixamos nesta situação, por que a abandonamos procurando outras ideologias, outras religiões, outras cosmovisões, outras espiritualidades, mais atraentes e sedutoras, que nos deixam mais satisfeitos, mas que talvez não nos questionem tanto. Quem é o responsável por ela se encontrar assim hoje em dia? Quem é o culpado por ela parecer tão suja e imunda? Quem lhe arrebatou suas jóias para brilhar com elas? Quem foram as pessoas que se apropriaram dela, utilizando-a, manipulando-a, dizendo que eles "são" a Igreja, que a representam e falam em seu nome? Aquele que não tiver culpa que lance a primeira pedra, começando pelos mais velhos…

Esta Igreja com tanta idade atravessa fases como a lua, segundo alguns Santos Padres. Há momentos minguantes, de escuridão, de eclipse: agora estamos num deles. Mas, logo chegarão momentos de claridade e de luz crescente. Ela brilha com a luz do Sol que é o Senhor, não com luz própria. Deve esperar, ter paciência.
Essa velha senhora é visitada pelos pobres, crianças, mulheres fiéis, gente insignificante, que não lhe temem, que gostam dela, levam-lhe flores, sabem que seu coração está vivo e alegre e embora seja anciã é fértil. Sentem-se bem com ela, mesmo falando pouco ou ficando calada, escutam seu silêncio como uma música branca, sabem que seu coração é terno e jovem, misericordioso, que os compreende e que os ama. Ela agradece, sorri e acaricia-lhes suas mãos com carinho maternal.

Pessoas ilustres não a visitam, não recebe visitas de pessoas importantes e poderosas, pois já não podem tirar proveito dela, já extrairam tudo o que foi possível, abusaram dela. Ela agora já não serve, é lixo, uma velharia. São todos aqueles que com a desculpa de servi-la, se serviram dela para seus interesses, "em seu nome". E assim a deixaram, desprestigiada, com péssima fama. Utilizaram seu nome, invocaram a civilização cristã para se enriquecerem. Esta velha anciã cheia de achaques já não lhes serve.

Outros dizem que aceitam Jesus, seu Esposo mas não a velha e caduca Igreja, como se o Espírito de Jesus não animasse o corpo da Igreja. A velha Igreja sabe disso, dói em sua alma esta preterição, pois ninguém poderá ir a Jesus se não passar por ela, ninguém poderá separá-la de seu Esposo. É tentação, é orgulho. Mas ela se cala e espera, um dia talvez percebam e voltem para a velha Igreja. Ela tem um grande tesouro para comunicar à humanidade: chama-se Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado por nosso bem, para termos vida em abundância. Ela o entrega generosa aos que a procuram com simplicidade de coração, mesmo sendo idosa ou talvez por isso mesmo.

Um dia o Senhor regressará e embelezará sua fiel Esposa com luz resplandecente e vestidos novos; a Igreja voltará a ser jovem e bonita e Ele lhe agradecerá por ter tido tanta paciência e tanta resistência durante muitos anos, por haver sido a velha Igreja silenciosa e meio surda, sofrendo de uma doença que parecia incurável mas que na realidade não passava de um momento de debilidade, uma fase passageira da anciã Igreja, sempre jovem pela força do Espírito. Mas, até chegar esse dia, haverá alguém que queira cuidar desta senhora idosa chamada Igreja?

Autor: Víctor Codina, S.J. é professor de eclesiologia na Universidade Católica Boliviana de Cochabamba

20 de julho de 2009

Amigo,amigos,amizade...

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Eu nunca fui muito ligado nestas datas inventadas. Não sei porque mas sempre tenho a impressão de que há algo comercial sendo gestado por trás da boa intenção das pessoas.
Mas lendo essa crônica do Rubem Alves achei que serria uma boa maneira de marcar a data e de certa forma abraçar virtualmente os meus amigos e amigas.
Sintam-se então abraçados, meus amigos e amigas.
J. Ricardo


"...Dei-me conta, com uma intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade.
E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos dá.
A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e
bebida perdem o gosto e ficam meio tristes quando não temos um amigo com quem
compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que fazemos na vida pode se resumir
nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

(...)A experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na
eternidade. Um amigo é alguém com quem estivemos desde sempre. Pela
primeira vez, estando com alguém, não sentia a necessidade de falar. Bastava
a alegria de estarem juntos um ao lado do outro.

(...)Amigo é aquela pessoa em cuja companhia não é preciso falar. Temos aqui
um teste para saber quantos amigos temos. Se o silencio entre vocês dois lhe
causa ansiedade, se qdo. o assunto foge você se põe a procurar palavras para
encher o vazio, e manter a conversa animada, então a pessoa com quem você
está não é sua amiga. porque um amigo é alguém cuja presença procuramos não
por causa daquilo que se vai fazer juntos, seja bater papo, comer, jogar ou
transar. Até que tudo isso pode acontecer. Mas a diferença está em que, qdo.
a pessoa não é amiga, terminado o alegre e animado programa, vem o silencio
e o vazio - que são insuportaveis. Nesse momento o outro se transforma num
incomodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com ansiedade.
Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem
juntos, um ao lado do outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz
alegria independentemente do que se faça ou diga. A amizade anda por
caminhos que não passam pelos programas.
Uma estória oriental conta de uma arvore solitária que se via no alto da
montanha. Não tinha sido sempre assim. Em tempos passados a montanha
estivera coberta de arvores maravilhosas, altas esguias, que os lenhadores
cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser
transformada em tábuas. inútil para os seus propósitos, os lenhadores a
deixaram lá. Depois vieram os caçadores de essências em busca de madeiras
perfumadas. Mas a arvore torta, por não ter cheiro foi desprezada e lá
ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os
viajantes se assentam sob a sua sombra e descansam.
Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil
eventualmente, mas não é isso que o torna um amigo. Sua inútil de fiel
presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão.
Diante do amigo sabemos que não estamos sós.
E alegria maior não pode existir."

Rubem Alves

Como já disse o velho Milton," amigo é coisa pra se guardar do lado
esquerdo do peito.."

22 de junho de 2009

O Profeta no deserto

Marcelo Barros *
Adital -

Nestes dias, a cultura popular brasileira é tomada pela memória do nascimento de São João Batista. Muitos cânticos tradicionais recordam o que conta o início do evangelho de Lucas. Trata-se de uma linguagem narrativa, como os mestres judeus costumavam comentar passagens bíblicas do primeiro testamento. Os grupos de novena e de folia sabem que o importante destas tradições é a proclamação de que começou um tempo novo. O útero da mulher estéril (Isabel) tornou-se fértil e o pai mudo começou a profetizar. São sinais de uma transformação que, durante toda a sua vida, João Batista, como profeta, anunciou e pelo qual trabalhou.Conforme a espiritualidade cristã, João Batista é uma figura paradigmática de todos os tempos e não apenas um santo que viveu há mais de dois mil anos. Como os profetas de todos os tempos, ele nos recorda que o deserto pode ser fértil e, como dizem profetas populares de movimentos messiânicos brasileiros, "o mar vai virar sertão". Hoje, a sociedade tende a nos tornar meros consumidores de um mundo banalizado como imenso centro comercial. E a natureza sofre as conseqüências de ser tratada como mercadoria. Neste contexto, a figura do profeta toma outro contorno. Ao ressaltar no deserto o rio Jordão e o batismo como mergulho em uma vida nova, nos chama a valorizar a água como sinal de vida e a descobrir, mesmo na aridez, oásis de fertilidade e caminhos de vida nova e sadia. João Batista nos ajuda a descobrir que, em meio a todas as dificuldades e como profetas no deserto, podemos ser pessoas mergulhadas no divino (é isso que quer dizer batizadas) e testemunhas da ação divina de transformação do mundo. Há quem se espante que tanto João como Jesus de Nazaré reuniram mais pessoas consideradas socialmente pecadoras do que os religiosos de sua época que, aliás, não os aceitaram. Existe um tipo de espiritualidade que põe as pessoas em uma espécie de elite sagrada, a se impor uma série de ideais e metas que as pessoas tentam alcançar através de exercícios espirituais e orações. Este tipo de espiritualidade tem seu valor porque aponta um alto objetivo que as pessoas devem alcançar. O risco é que muita gente não enfrenta o negativo presente em suas vidas. Então, o edifício espiritual fica construído como se fosse uma casa sem alicerce. A qualquer momento, aquilo que é negado, mas nem por isso deixa de existir, assoma e toma conta da casa. Faz parte essencial da espiritualidade, nos lembra João Batista, assumir nossas negatividades e trabalhá-las, nos descobrindo frágeis e divididos, mas objetos prediletos do carinho divino. Um monge antigo do Oriente dizia que o céu, mas também o inferno, estão dentro de nós mesmos. A espiritualidade da Bíblia não idealiza profetas nem se concentra em ideais e metas muito altas. Assume as ambigüidades de Abraão, capaz de, para escapar com vida, entregar a própria mulher a um rei estrangeiro como concubina. Não nega a esperteza mentirosa de Jacó para roubar do irmão Esaú o direito à primogenitura. Não disfarça que Moisés, ao encontrar com Deus no Horeb, estava fugido, porque tinha assassinado um egípcio. Não idealiza Davi que, por gostar de mulheres, é capaz de mandar matar um auxiliar que lhe servia. Não desconhece a inconstância de Salomão e assim por diante. Nos evangelhos, Jesus lida com a impetuosidade de Pedro, com a ambição de poder dos discípulos e a enorme fragilidade da adesão dos amigos. Corrige o que precisa ser corrigido, mas não nega a realidade e sim parte dela para caminhar. É isso que faz João ao batizar o povo e dizer "No meio de vós, (em vós), está Alguém que não conheceis". É quando Jesus mergulha nas águas do rio Jordão, carregadas dos pecados de todo o povo batizado por João, que o Espírito Divino desce sobre ele e o Pai manifesta o seu imenso bem querer por Jesus e pela humanidade, chamada a escutá-lo e acolhê-lo como testemunha do amor e mestre de vida.Corremos o risco de transformar o mundo inteiro em deserto e precisamos ser instrumentos da profecia que anuncia a transformação dos desertos em jardins floridos. Mas, o deserto geográfico nos mostra que temos também um deserto interior, um espaço de solidão e silêncio no qual precisamos entrar para nos encontrar e para reconhecer a realidade interior a partir da qual podemos acolher o divino e ser transformados por ele. Carl Jung dizia que somos apenas o estábulo, no qual Deus se digna nascer. Mas, isso é muito e precisa ser descoberto e valorizado.

* Monge beneditino e escritor

20 de junho de 2009

O maravilhoso mundo moderno

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Um jovem que estava assistindo a um jogo de futebol, tomou para si a responsabilidade de explicar a um senhor, já maduro, próximo dele, por que era impossível a alguém da velha geração entender esta nova geração:

“Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo”, o estudante disse alto e claro de modo que todos em volta pudessem ouvi-lo.

“Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte.
Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, telefones celulares, computadores com grande capacidade de processamento e...,
fez uma pausa para tomar outro gole de cerveja.
Então o senhor se aproveitou do intervalo do gole para interromper a liturgia do estudante em sua ladainha e disse:
“-Você está certo, filho.
Nós não tivemos essas coisas quando nós éramos jovens...


Por isso nós as inventamos!!!
E você, seu rapazinho arrogante dos dias de hoje, o que você está fazendo para a próxima geração?”

"Todo mundo pensa em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Já é hora de pensarmos em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"


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19 de junho de 2009

Enfim Energia Limpa !

Brasil pode ter uma Itaipu dos ventos


A energia tirada dos ventos é tida, para muitos, como a união a fome com a vontade de comer. O Brasil tem, principalmente em seu litoral, uma forte incidência de ventos e há investidores que querem explorar esse potencial. O problema é a falta de um marco regulatório sobre essa atividade. “Do dia para a noite a regulação muda ou cria-se uma regra nova”, ressalta Luis Pescarmona, diretor geral da IMPSA, empresa argentina que atual no setor, e que participou dos debates sobre o tema na Conferência Ethos 2009.
A reportagem é de Glória Vasconcelos e publicada pela Agência Envolverde, 18-06-2009.


A IMPSA já atua em diversas regiões do Brasil e, segundo o seu diretor, tem obtido resultados muito positivos, não apenas nos seus resultados em termos de produção de energia, mas também no que se refere ao nível de desenvolvimento das comunidades em que está presente. “Não é apenas instalar as hélices. Temos visto pessoas que eram cortadores de cana, crescerem e produzerem coisas maravilhosas, com treinamentos e educação”, diz o empresário, explicando que o mercado de energia eólica é visto com bons olhos, pois gera, para cada 1500 MW produzidos, em média 2 mil empregos.
Até recentemente havia outras barreiras para o aproveitamento desse tipo de energia limpa, no Brasil, mas a maior delas, que era a tecnológica, já está superada, conta Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace Brasil. Outra dificuldade é a questão do preço da energia, que atualmente é definido em leilões promovidos pela Aneel.
Comentando o leilão programado para novembro, Pescarmona observa que até o momento as regras ainda não estão claras. Não sabemos o quanto será pago pela energia, que precisa ser um preço justo. “Ninguém vai investir se as regras para competição não forem claras”, ressalta. Na Europa para cada euro investido em estudo e tecnologia o retorno é cinco vezes maior. “Investimento é grande, mas o retorno é enorme” completa Pescarmona.
Hoje a energia eólica movimenta cerca de 50 bilhões por ano no Brasil segundo relatório do Pnuma divulgado recentemente. De acordo com Furtado, do Greenpeace, não há vontade política para regularizar o setor apesar de esse tipo de energia ser vista como uma solução mesmo com as mudanças climáticas.
Hoje o Greenpeace apoia o projeto de lei do deputado Edson Duarte (PV-BA), que incentiva as energias renováveis baseado no mecanismo tarifário feed-in, modelo que garante acesso dos geradores à rede e determina um preço justo e fixo pela venda dessa energia em contratos de longo prazo. E pode ser aprovado ainda este ano no Senado

17 de junho de 2009

“Sujeitos do Novo”

Carlos Signorelli Presidente do CNLB

[Curiosamente até setores da igreja de Roma que sempre se mantiveram à margem de discussãoes sobre mudanças e mudanças de paradigma parece que não podem mais ficar em cima do muro. (J Ricardo)]


Imaginemo-nos numa ponte pênsil, aquela feita de cordas e madeiras, e que une dois pontos separados por um despenhadeiro profundo.
Estamos em conjunto, uma multidão, caminhando de um lugar que conhecíamos e que estamos deixando para trás e rumando para um lugar, do outro lado do precipício, desconhecido para nós.
A ponte balança, as pessoas sentem-se mal, algumas temem por não saber onde vão chegar, como é o lugar, outras choram por se perceberem deslocadas do lugar que conheciam tanto. Por isso algumas param, sentam-se e negam-se a continuar. Outras decidem voltar, mas percebem que quanto mais caminham para o lugar de saída mais este vai se distanciando. Outros ainda, caminham como se nada estivesse acontecendo. Por fim, alguns decidem caminhar firmemente, acreditando que, onde quer que cheguem, ali vão construir a sua vida, a partir de sua utopia de vida.
Esta metáfora da ponte pênsil nos representa, ou seja, representa a todos os homens e mulheres que vivem agora neste Planeta. Estamos no processo de transição de um modelo civilizatório pra outro, ou seja, estamos em processo de mudança de paradigma de civilização.
O Documento de Aparecida chama isso de Mudança de Época, e para afirmar o seu sentido diz que não é apenas uma época de mudanças. Isto significa dizer é que este momento é o momento de transição de um conjunto de regras, costumes, valores, signos, estruturas e instituições sob as quais nascemos e às quais nos acostumamos, para outro, do qual nada sabemos, pois tudo está em processo de construção.
Tudo está em crise: o Estado, a forma de democracia que temos, a sustentabilidade do Planeta Terra, os símbolos todos, também os religiosos e, portanto, todas as religiões e suas instituições, inclusive a nossa Igreja. A educação está em crise, e a família, tão cara a muitos de nós, está em fase rápida de mudanças radicais.
Está se forjando um novo paradigma civilizacional, com um novo conjunto de valores e instituições. Nada está ainda dado de concreto desse novo. Mas sabemos que os valores da prática de Jesus devem estar presentes neste Novo. E estes valores só farão parte do novo se nós os plantarmos lá.
Eis a nossa responsabilidade como cristãos e cristãs: construirmos o Novo, nele plantando os valores que se originam da prática e da palavra de Jesus, e que queremos chamar de cristianismo.

16 de junho de 2009

Pedro Casaldáliga - 'Hoje não tenho mais esses sonhos'

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Circular 2009", de Dom Pedro Casaldáliga,
bispo emérito da prelazia de São Félix do Araguaia.
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O cardeal Carlo M. Martini, jesuíta, biblista, arcebispo que foi de Milão e colega meu de Parkinson, é um eclesiástico de diálogo, de acolhida, de renovação a fundo, tanto na Igreja como na Sociedade. Em seu livro de confidências e confissões
"Colóquios noturnos em Jerusalém", declara:

"Antes eu tinha sonhos acerca da Igreja. Sonhava com uma Igreja que percorre seu caminho na pobreza e na humildade, que não depende dos poderes deste mundo; na qual se extirpasse de raiz a desconfiança; que desse espaço às pessoas que pensem com mais amplidão; que desse ânimos, especialmente, àqueles que se sentem pequenos o pecadores. Sonhava com uma Igreja jovem. Hoje não tenho mais esses sonhos".

Esta afirmação categórica de Martini não é, não pode ser, uma declaração de fracasso, de decepção eclesial, de renúncia à utopia. Martini continua sonhando nada menos do que com o Reino, que é a utopia das utopias, um sonho do próprio Deus. Ele e milhões de pessoas na Igreja sonhamos com a "outra Igreja possível", ao serviço do "outro Mundo possível". E o cardeal Martini é uma boa testemunha e um bom guia nesse caminho alternativo; o tem demonstrado.Tanto na Igreja (na Igreja de Jesus que são várias Igrejas) como na Sociedade (que são vários povos, várias culturas, vários processos históricos) hoje mais do que nunca devemos radicalizar na procura da justiça e da paz, da dignidade humana e da igualdade na alteridade, do verdadeiro progresso dentro da ecologia profunda. E, como diz Bobbio, "é preciso instalar a liberdade no coração mesmo da igualdade"; hoje com uma visão e uma ação estritamente mundiais. É a outra globalização, a que reivindicam nossos pensadores, nossos militantes, nossos mártires, nossos famintos...A grande crise econômica atual é uma crise global de Humanidade que não se resolverá com nenhum tipo de capitalismo, porque não é possível um capitalismo humano; o capitalismo continua a ser homicida, ecocida, suicida. Não há modo de servir simultaneamente ao deus dos bancos e ao Deus da Vida, conjugar a prepotência e a usura com a convivência fraterna. A questão axial é: Trata-se de salvar o Sistema ou se trata de salvar à Humanidade? A grandes crises, grandes oportunidades. No idioma chinês a palavra crise se desdobra em dois sentidos: crise como perigo, crise como oportunidade.Na campanha eleitoral dos EUA se arvorou repetidamente "o sonho de Luther King", querendo atualizar esse sonho; e, por ocasião dos 50 anos da convocatória do Vaticano II, tem-se recordado, com saudade, o "Pacto das Catacumbas da Igreja serva e pobre". No dia 16 de novembro de 1965, poucos dias antes da clausura do Concílio, 40 Padres Conciliares celebraram a Eucaristia nas catacumbas romanas de Domitila, e firmaram o Pacto das Catacumbas. Dom Hélder Câmara, cujo centenário de nascimento estamos celebrando neste ano, era um dos principais animadores do grupo profético. O Pacto em seus 13 pontos insiste na pobreza evangélica da Igreja, sem títulos honoríficos, sem privilégios e sem ostentações mundanas; insiste na colegialidade e na corresponsabilidade da Igreja como Povo de Deus e na abertura ao mundo e na acolhida fraterna.Hoje, nós, na convulsa conjuntura atual, professamos a vigência de muitos sonhos, sociais, políticos, eclesiais, aos quais de jeito nenhum modo podemos renunciar. Seguimos rechaçando o capitalismo neoliberal, o neoimperialismo do dinheiro e das armas, uma economia de mercado e de consumismo que sepulta na pobreza e na fome a uma grande maioria da Humanidade. E seguiremos rechaçando toda discriminação por motivos de gênero, de cultura, de raça. Exigimos a transformação substancial dos organismos mundiais (a ONU, o FMI, o Banco Mundial, a OMC...). Comprometemo-nos a vivermos uma "ecologia profunda e integral", propiciando uma política agrária-agrícola alternativa à política depredadora do latifúndio, da monocultura, do agrotóxico. Participaremos nas transformações sociais, políticas e econômicas, para uma democracia de "alta intensidade".Como Igreja queremos viver, à luz do Evangelho, a paixão obsessiva de Jesus, o Reino. Queremos ser Igreja da opção pelos pobres, comunidade ecumênica e macroecumênica também. O Deus em quem acreditamos, o Abbá de Jesus, não pode ser de jeito nenhum causa de fundamentalismos, de exclusões, de inclusões absorventes, de orgulho proselitista. Chega de fazermos do nosso Deus o único Deus verdadeiro. "Meu Deus, me deixa ver a Deus? ". Com todo respeito pela opinião do Papa Bento XVI, o diálogo inter-religioso não somente é possível, é necessário. Faremos da corresponsabilidade eclesial a expressão legítima de uma fé adulta. Exigiremos, corrigindo séculos de descriminação, a plena igualdade da mulher na vida e nos ministérios da Igreja. Estimularemos a liberdade e o serviço reconhecido de nossos teólogos e teólogas. A Igreja será uma rede de comunidades orantes, servidoras, proféticas, testemunhas da Boa Nova: uma Boa Nova de vida, de liberdade, de comunhão feliz. Uma Boa Nova de misericórdia, de acolhida, de perdão, de ternura, samaritana à beira de todos os caminhos da Humanidade. Seguiremos fazendo que se viva na prática eclesial a advertência de Jesus: "Não será assim entre vocês" (Mt 21,26). Seja a autoridade serviço. O Vaticano deixará de ser Estado, e o Papa não será mais chefe de Estado. A Cúria terá de ser profundamente reformada, e as Igrejas locais cultivarão a inculturação do Evangelho e a ministerialidade compartilhada. A Igreja se comprometerá, sem medo, sem evasões, com as grandes causas de justiça e da paz, dos direitos humanos e da igualdade reconhecida de todos os povos. Será profecia de anuncio, de denúncia, de consolação. A política vivida por todos os cristãos e cristãs será aquela "expressão mais alta do amor fraterno" (Pio XI).Nós nos negamos a renunciar a estes sonhos mesmo quando possam parecer quimera. "Ainda cantamos, ainda sonhamos". Nós nos atemos à palavra de Jesus: "Fogo vim trazer à Terra; e que mais posso querer senão que arda" (Lc 12,49). Com humildade e coragem, no seguimento de Jesus, tentaremos viver estes sonhos no dia a dia de nossas vidas. Seguirá havendo crises e a Humanidade, com suas religiões e suas Igrejas, seguirá sendo santa e pecadora. Mas não faltarão as campanhas universais de solidariedade, os Foros Sociais, as Vias Campesinas, os movimentos populares, as conquistas dos Sem Terra, os pactos ecológicos, os caminhos alternativos da Nossa América, as Comunidades Eclesiais de Base, os processos de reconciliação entre o Shalom e o Salam, as vitórias indígenas e afro , em todo o caso, mais uma vez e sempre, "eu me atenho ao dito: a Esperança".Cada um e cada uma a quem possa chegar esta circular fraterna, em comunhão de fé religiosa ou de paixão humana, receba um abraço do tamanho destes sonhos. Os velhos ainda temos visões, diz a Bíblia (Jl 3,1). Li nestes dias esta definição: "A velhice é uma espécie de pós-guerra"; não precisamente de claudicação. O Parkinson é apenas um percalço do caminho e seguimos Reino adentro.

9 de junho de 2009

Novos desafios para o planeta

Marcelo Barros*





Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo

Em torno ao dia 05 de junho que a ONU consagra como “dia internacional do meio ambiente”, o mundo inteiro promove uma série de discussões e eventos que durarão toda a semana. De fato, os problemas ambientais se agravam. Hoje, não há quem não se assuste com a freqüência e a intensidade de inundações e secas, assim como, em algumas regiões do mundo, terremotos e furacões ganham fúria nunca vista.

Como disse Leonardo Boff na assembléia geral da ONU: “se a crise econômica é preocupante, a crise da não sustentabilidade da Terra se manifesta, cada dia mais, ameaçadora. Os cientistas que seguem o estado do Planeta, especialmente a Global Foot Print Network , haviam falado do Earth Overshoot Day, isto é, do dia em que se ultrapassarão os limites da Terra. Infelizmente, os dados revelam que, exatamente no dia 23 de setembro de 2008, a Terra ultrapassou em 30% sua capacidade de reposição dos recursos necessários para as demandas humanas. Neste momento atual, precisamos de mais de uma Terra para atender à nossa subsistência. Como garantir ainda a sustentabilidade da Terra, já que esta é a premissa para resolver as demais crises: a social, a alimentar, a energética e a climática? Agora, não temos uma “arca de Noé” que salve alguns e deixe perecer a todos os demais. Como asseverou recentemente, com muita propriedade, o Secretário Geral desta casa, Ban Ki-Moon: ´não podemos deixar que o urgente comprometa o essencial´. O urgente é resolver o caos econômico, mas o essencial é garantir a vitalidade e a integridade da Terra. É importante superar a crise financeira, mas o imprescindível e essencial é como vamos salvar a Casa Comum e a humanidade que é parte dela. Esta foi a razão pela qual a ONU adotou a resolução sobre o Dia internacional da Mãe Terra (International Mother Earth Day) a ser celebrado no dia 22 de abril de cada ano. Dado o agravamento da situação ambiental da Terra, especialmente o aquecimento global, temos de atuar juntos e rápido. Caso contrário, há o risco de que a Terra possa continuar, mas sem nós” (discurso na ONU – abril de 2009).

Infelizmente, governos e instituições internacionais continuam insistindo no modelo capitalista depredador. Somente o governo americano destinou este ano mais de US$ 4 trilhões a salvar bancos e multinacionais irresponsáveis que perderam dinheiro no cassino financeiro da imprevisibilidade. Este dinheiro do povo, dado aos ricos, “é um valor 40 vezes maior do que os recursos destinados a combater as mudanças climáticas no mundo e a pobreza” (Le Monde Diplomatique Brasil, maio de 2009, p. 3). O próprio governo brasileiro advoga que, contra a crise econômica que assola o planeta e também atinge o Brasil, a solução será consumir e comprar, porque isso gera empregos e receitas. As conseqüências ecológicas desta escolha não se colocam. Menos ainda o a questão ética fundamental. Quantos brasileiros podem viver esta febre do consumo? O PNUD do ano passado confirma: 20% das pessoas mais ricas absorvem 82% das riquezas mundiais, enquanto 20% dos mais pobres têm de se contentar apenas com 1, 6% desta riqueza que deveria ser comum. Uma ínfima minoria monopoliza o consumo e controla os processos econômicos que implicam na devastação da natureza e em uma imensa injustiça social.

Ainda nestes dias, a Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 458 que permite legalizar milhares de posse de terras públicas com até 1500 hectares (15 Km2) na Amazônia Legal. A senadora Marina Silva alerta que esta medida acabará de abrir totalmente as portas para a grilagem na Amazônia, para a destruição da floresta, além de favorecer a concentração de terras já escandalosa.

Ao contrário, em alguns países, como a Alemanha e o Canadá, investimentos públicos incentivam o uso de energia limpa, ao mesmo tempo em que contribuem para a luta contra o desemprego. Entretanto, cada vez mais os analistas e cientistas percebem que todo esforço será inútil se não se superar uma economia capitalista que consiste em acumulação de riquezas e desperdício de recursos, em prol de uma economia que preserve o planeta em vez de esgotá-lo.

Para quem vive uma busca espiritual, o cuidado amoroso com a Mãe Terra, com a água e com todo ser vivo fazem parte do testemunho que Deus é amor, está presente e atuante no universo. Apesar de todas as agressões e crimes cometidos contra o Planeta, ainda podemos salvá-lo. Em 2003, a UNESCO assumiu a “Carta da Terra”, como instrumento educativo e referência ética para o desenvolvimento sustentável. Participaram ativamente de sua concepção humanistas e pensadores do mundo inteiro. É preciso que a ONU assuma este documento que qualquer pessoa pode ler e comentar na internet (basta consultar: “carta da terra”). É o esboço de uma “declaração dos direitos da Terra” e toda a humanidade é chamada a conhecê-la e praticá-la.

* Monge beneditino e autor de 26 livros, dos quais o mais recente é "O Espírito vem pelas Águas". Ed. Rede-Loyola, 2003.

Fonte: www.brasildefato.com.br

5 de junho de 2009

Dia do Meio Ambiente

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Um dia para lembrar de que em todos os nossos dias deveríamos estar em plena atenção contra a destruição do paraíso que nos foi legado.


Crescei e multiplicai-vos disse o senhor Deus no mito da criação, mas será que ele imaginava naquela época que levaríamos tão a sério este mandado e que o faríamos de forma tão irresponsável?

Pois está aí!
Aquecimento global, desestrutura por todos os lados, fenômenos naturais fora de previsãoe controle – a criação ameaçada!

Parece que dar um basta não é mais tão fácil.

Há interesses, e recursos em jogo e marchamos para um trágico final.
De qualquer forma depende de cada um de nós fazer a nossa parte.




CRIE

RECICLE

REAPROVEITE


PLANTE ÁRVORES

NÃO DESPERDICE ENERGIA

NÃO DESTRUA O MEIO AMBIENTE

NÃO JOGUE LIXO FORA DAS LIXEIRAS

DIMINUA A QUANTIDADE DE SACOS PLÁSTICOS

ARENDA A SEPARAR O LIXO ORGÂNICO DO INORGÂNICO

DEVOLVA UM PLANETA MELHOR PARA AS NOVAS GERAÇÕES


21 de maio de 2009

Sobre o Celibato Obrigatório na ICAR

O sexo dos clérigos
Tomás Eloy Martinez
publicado no jornal El País, 20-05-2009

Quase se perdem na memória os tempos em que a Igreja Católica enfrentou desafios tão duros quanto os dos últimos anos. O que acontece não tem a gravidade do cisma litúrgico do bispo Marcel Lefebvre, tampouco o fervor revisionista na interpretação dos Evangelhos que desembocaram na Teologia da Libertação, e sim as violações de uma obrigação que não é matéria de dogma, mas de continua perturbação: o sexo dos clérigos.

Primeiro foram os delitos de pedofilia que, em dezembro de 2002, provocaram a renúncia do cardeal de Boston, Bernard Law, de quem se suspeitou de ocultação; 450 demandas milionárias por décadas de abusos contra menores deixaram a arquidiocese à beira da falência.
Agora, mais uma vez, como costuma acontecer, o escândalo surge quando vem à tona algo que se tentava ocultar: a descendência do ex-bispo paraguaio Fernando Lugo, agora presidente do Paraguai. O bispo de Ciudad del Este, no Alto Paraná, Paraguai, Rogelio Livieres, disse que os seus colegas sabiam sobre Lugo faz tempo. “Não sei por que se mascaram os temas da Igreja e não se ventilam. Em nossa época (...) tudo se descobre no final”, afirmou Livieres. E encontrou uma instantânea refutação oficial: "O Conselho Episcopal Permanente lamenta e rejeita as expressões do monsenhor Livieres, que dá a entender que houve encobrimento e cumplicidade dos bispos do Paraguai sobre a conduta moral do então membro do colegiado episcopal, monsenhor Fernando Lugo".
As palavras de Livieres lembram às que o argentino monsenhor Jerónimo Podestá, impulsor do Movimento Latino-americano de Sacerdotes Casados, escreveu, em 1990, ao então presidente do Episcopado Argentino, cardeal Raúl Primatesta: "Vejo com pena que, em geral, vocês tenham uma visão bastante alienada e tímida: não sabem o que pensam e sentem as pessoas no mundo de hoje.

A Igreja é o Povo de Deus e vocês sabem disso, mas no fundo continuam pensando que vocês são a Igreja".

Quando era bispo de Avellaneda na província de Buenos Aires, Argentina, no final dos anos de 1960, Podestá converteu-se em um pesadelo para a ditadura do general Juan Carlos Onganía. Reunia multidões de até 1 milhão de pessoas para cerimônias religiosas que se transformavam em espontâneas manifestações políticas.
Para o regime foi um alívio quando o bispo anunciou, em 1967, a decisão de se casar. Podestá bateu várias vezes na porta do Vaticano sem conseguir que Paulo VI lhe retirasse a suspensão a divinis. Insistia em recordar que, se Jesus optou pelo celibato, não o impôs aos seus apóstolos, entre eles havia casados e solteiros. O ex-bispo de Avellaneda dizia que o celibato é um dom, não um mandato divino, e que nada impede de sentir a vocação sacerdotal ao estar privado dessa graça.

A maioria dos católicos ignora que os sacerdotes e os bispos não tinham proibido o casamento durante os primeiros 10 séculos de vida cristã. Além de São Pedro, outros seis papas eram casados e – o mais chamativo ainda – 11 papas foram filhos de outros papas ou de membros da Igreja. Em 1073, Gregório VII impôs o celibato.
Um dos seus teólogos, Pedro Damián, afirmou que o casamento dos sacerdotes era herético, porque os distraia do serviço ao Senhor e contrariava o exemplo de Cristo.
Se a intenção do papa era restaurar a derrocada moral do clero e purificar a igreja com exemplos de castidade, dezenas de historiadores supõem que a decisão de impor o celibato também foi um meio para evitar que os bens dos bispos e dos sacerdotes casados fossem herdados pelos seus filhos e viúvas em vez de beneficiar à Igreja.
Qual é o sentido de reprimir as expressões da sexualidade, não apenas entre os clérigos, mas também na vida diária?
O que ganha a fé católica com isso?
Teme-se que o prazer distraia da oração, da relação com Deus, mas o desprezo pela mulher nos seminários e a contradição dos impulsos naturais do homem na realidade não fortalecem os vínculos entre a Igreja e o povo de Deus. Ao contrário, o celibato obrigatório costuma desanimar algumas vocações sacerdotais e provoca deserções no clero.
Pensava-se que "a vigente lei do sagrado celibato" devia seguir "unida firmemente o ministério eclesiástico", Paulo VI, atento aos clamores da modernização do Concílio Vaticano II, analisou as objeções em uma encíclica memorável, Sacerdotalis caelibatus, de 1967. Ali se perguntou:
"Não terá chegado o momento de abolir o vínculo que, na Igreja, une o sacerdócio ao celibato?
Não poderia ser facultativa esta difícil observância?
Não sairia favorecido o ministério sacerdotal se fosse facilitada a aproximação ecumênica?"
Por acaso Deus não se preocupou com os deslizes do ex-bispo Lugo, porque a sua glória está além do que estabelecem os seres humanos.
Mas a inflexibilidade da doutrina deixa entre os católicos a pergunta sobre o sentido e as normas criadas pela Igreja há 10 séculos, que não existiam antes e não teriam por que existir para sempre.
Jesus pregou a humildade, o amor a Deus e aos seus semelhantes. Suas lições de vida continuam sendo claras. Às vezes, no afã por interpretá-las, os seres humanos as escurecem.

18 de maio de 2009

Um Canto

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Neste momento dificil,
Quando se fala em aquecimento Global,
gripe suina,
epidemias e pandemias,
degelo polar,
inundações, onde antes havia seca,
seca, onde antes havia fertilidade...
Onde tantas incertezas nos acompanham
no exercício de nossa liberdade,
escolhí a poetiza Cecila.
E se um dia estaremos mudos,
cantemos ao instante, promessa de futuro,
que depende de nossas escolhas:

"Eu canto
porque o instante existe
e a minha vida esta completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto.
E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
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9 de maio de 2009

Obama sob pressão conservadora e religiosa

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Há pouco mais de um mês, quando o presidente Barack Obama foi convidado pela Universidade Católica de Notre Dame — uma instituição de altos estudos financiada pela Igreja Católica — para fazer o discurso de abertura do curso de graduação (e receber um título de doutor honoris causa), ele não imaginava que sua presença pudesse criar tanta polêmica.
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uma apresentação de Obama sobre questões religiosas
bastante progressista
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Um verdadeiro rolo compressor conservador formado por bispos católicos, religiosos cristãos protestantes e políticos republicanos de orientação religiosa se uniram para bombardear a decisão da universidade, considerada um equívoco diante de um líder que defende o direito ao aborto, à união civil de gays e lésbicas, à pesquisa com células-tronco, entre outros assuntos polêmicos para grupos religiosos.
A reportagem é de Gilberto Scofield Jr. e publicada pelo jornal O Globo, 09-05-2009.O arcebispo Raymond Burke, uma das vozes mais poderosas entre os católicos americanos, afirmou que o convite para o discurso (marcado para o próximo dia 1 7 ) era uma vergonha porque “Obama representa uma agenda antifamília e antivida”. O bispo Thomas Wenski, de Orlando, na Flórida, foi além:
— Quando você homenageia alguém, isso significa uma aprovação de suas posições, que diferem significativamente daquelas da Igreja Católica.Para ex-padre, religiosos estão sendo manipulados O ex-padre Thomas Reese, hoje mestre de Políticas Públicas e Religião do Centro Woodstock da Universidade de Georgetown, acredita que a gritaria dos bispos católicos não está sendo ouvida pelos católicos americanos. Para ele, os religiosos estariam sendo marionetes nas mãos de conservadores republicanos, frustrados com a perda da Casa Branca e do controle do Congresso:
— Os bispos católicos estão sendo manipulados por ativistas republicanos derrotados nas eleições. Há uma clara conspiração conservadora para criar conflitos entre a Igreja Católica e Obama. Mas o fato é que uma pesquisa da Pew Forum mostrou que 48% dos católicos sequer sabem desta polêmica e 50% não veem problemas no fato de ele discursar numa universidade religiosa — contemporizou Reese.

30 de abril de 2009

Luís Fernando Veríssimo - Viver

(Luís Fernando Veríssimo)


Acho a maior graça...
Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
"Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.




Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.



E telejornais...

os médicos deveriam proibir - como doem!

Caminhar faz bem,

dançar faz bem,

ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo,

faz muito bem;

você exercita o autocontrole eainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.



Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!

Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Sonhar é melhor do que nada"

...

28 de abril de 2009

James Lovelock - O Aquecimento Global é irreversível !

James Lovelock


James Lovelock

Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão,

diz cientista




James Lovelock, renomado cientista, diz que o aquecimento global é irreversível - e que mais de 6 bilhões de pessoas vão morrer neste século.Aos 88 anos, depois de quatro filhos e uma carreira longa e respeitada como um dos cientistas mais influentes do século 20, James Lovelock chegou a uma conclusão desconcertante: a raça humana está condenada. "Gostaria de ser mais esperançoso", ele me diz em uma manhã ensolarada enquanto caminhamos em um parque em Oslo (Noruega), onde o estudioso fará uma palestra em uma universidade. Lovelock é baixinho, invariavelmente educado, com cabelos brancos e óculos redondos que lhe dão ares de coruja. Seus passos são gingados; sua mente, vívida; seus modos, tudo menos pessimistas. Aliás, a chegada dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse - guerra, fome, pestilência e morte - parece deixá-lo animado. "Será uma época sombria", reconhece. "Mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante."Na visão de Lovelock, até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. Até 2040, o Saara vai invadir a Europa, e Berlim será tão quente quanto Bagdá. Atlanta acabará se transformando em uma selva de trepadeiras kudzu. Phoenix se tornará um lugar inabitável, assim como partes de Beijing (deserto), Miami (elevação do nível do mar) e Londres (enchentes). A falta de alimentos fará com que milhões de pessoas se dirijam para o norte, elevando as tensões políticas."Os chineses não terão para onde ir além da Sibéria", sentencia Lovelock. "O que os russos vão achar disso? Sinto que uma guerra entre a Rússia e a China seja inevitável." Com as dificuldades de sobrevivência e as migrações em massa, virão as epidemias. Até 2100, a população da Terra encolherá dos atuais 6,6 bilhões de habitantes para cerca de 500 milhões, sendo que a maior parte dos sobreviventes habitará altas latitudes - Canadá, Islândia, Escandinávia, Bacia Ártica.Até o final do século, segundo o cientista, o aquecimento global fará com que zonas de temperatura como a América do Norte e a Europa se aqueçam quase 8 graus Celsius - quase o dobro das previsões mais prováveis do relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática, a organização sancionada pela ONU que inclui os principais cientistas do mundo. "Nosso futuro", Lovelock escreveu, "é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane". E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre. "Verde", ele me diz, só meio de piada, "é a cor do mofo e da corrupção."Se tais previsões saíssem da boca de qualquer outra pessoa, daria para rir delas como se fossem devaneios. Mas não é tão fácil assim descartar as idéias de Lovelock. Na posição de inventor, ele criou um aparelho que ajudou a detectar o buraco crescente na camada de ozônio e que deu início ao movimento ambientalista da década de 1970. E, na posição de cientista, apresentou a teoria revolucionária conhecida como Gaia - a idéia de que nosso planeta é um superorganismo que, de certa maneira, está "vivo". Essa visão hoje serve como base a praticamente toda a ciência climática. Lynn Margulis, bióloga pioneira na Universidade de Massachusetts (Estados Unidos), diz que ele é "uma das mentes científicas mais inovadoras e rebeldes da atualidade". Richard Branson, empresário britânico, afirma que Lovelock o inspirou a gastar bilhões de dólares para lutar contra o aquecimento global. "James é um cientista brilhante que já esteve certo a respeito de muitas coisas no passado", diz Branson. E completa: "Se ele se sente pessimista a respeito do futuro, é importante para a humanidade prestar atenção."

23 de março de 2009

Estranha forma de amar...

(de autor desconhecido)
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...Você diz que ama os pássaros.
mas os prende em uma gaiola...
Você diz que ama as flores.
Mas as corta e coloca em vasos...
Você diz que ama os peixes do mar
e os come...
Quando você diz que me ama,
eu sinto muito medo !!!
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20 de março de 2009

Estudos científicos sobre Glandula Pineal

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Deixando um pouco de lado toda esta sujeirada sobre declarações de bispos vamos a um outro assunto mais interessante.Vale muito a pena assistir e refletir sobre o que este MÉDICO E CIENTISTA da USP apresenta nessa palestra que oferece a respeito de suas investigações sobre a PINEALAvanços científicos que merecem ser conhecidos por quem não parou no tempo e escolhe avançar além dos paradigmas instituidos como aquele que por muito tempo nos fez acreditar que a Terra era redonda e o Sol o centro do UNIVERSO.
http://www.youtube.com/watch?v=IcJw4-Ccbss
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17 de março de 2009

POR UM FRANCISCO ECUMÊNICO

( José Luiz Possato Jr)

Esse é um texto do amigo Zé Luiz que comigo é também facilitador na lista do Yahoo de Teologia e Libertação.É uma dimensão de São Chiquinho que me emociona, tanto pela coerencia com a vida dele e principalmente pela clareza da similaridade da mensagem do Mestre Jesus.
Parabéns Zé.
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Um Francisco ecumênico por excelência.
Não sei por que não percebi isso antes. É de se pensar o quanto o sentimento de posse nos fecha, a nós católicos, em nosso mundinho. Francisco é só dos católicos... Pior: só dos franciscanos. Gente... Francisco, se pertenceu a alguém, foi enamorado do mundo.O estopim dessa “revelação” foi uma peça de teatro que assistimos na Jornada: A História de Francisco e Clara. Era uma peça extremamente católica (em determinado momento, o prefeito beijou o anel do bispo), uma falta de sintonia muito grande com o evento... Mas quero ressaltar o início da apresentação, o momento da minha “intuição”.O show começa com o episódio da conversão de Francisco. Ele encontra um leproso, todo esfarrapado, à margem da estrada. Os amigos caçoam do “poverello”, mas Francisco sente algo diferente. Cria uma identidade com o mendigo. Chega ao ponto de se despir completamente para viver as mesmas condições de tantos miseráveis que ele finalmente consegue enxergar pelo caminho.Pessoas... Querem algo mais ecumênico do que isso??? Francisco não perguntou pela religião do leproso. Francisco não esperava que o leproso se convertesse para poder ajudá-lo. Diante da Cruz de São Damião, não sente vontade de ajudar na Liturgia, ou na Pastoral disso ou daquilo, ou no Ministério “x” ou “y”... Ele sente é vontade de sair correndo, anunciando aos quatro ventos o Amor de Cristo, um amor que arde sem se consumir e que nos impulsiona a amar o próximo, de maneira especial os menos amados, os escanteados e escanteadas da sociedade.Grande Francisco!!! Entendeste a oykoúmene muito melhor do que todos nós. Querem uma casa mais comum do que a Irmã Terra? Nela predadores (entendidos como poderosos políticos, latifundiários, grandes empresários, ou como leões mesmo, serpentes, lobos etc.) não perguntam pela fé de suas vítimas. Por outro lado, felizmente, o sol também não faz acepção de pessoas (Gl 2,6), nem de coisas, brilhando sobre tudo com a mesma intensidade.Pai Francisco, que adotaste até mesmo a Morte por Irmã! Ensina quem tem mais a partilhar com os poverelli! Ensina quem tem menos a denunciar os sistemas que, como teu próprio pai, só aceitam quem se enquadra em sua vã filosofia! Ensina a este pobre escritor, longe de tua humildade e de tua pequenez (que te fez um dos maiores no Reinado do Abba, Pai!), o teu amor incondicional, o perdão que transforma, o desprendimento que liberta...Ensina, por fim, que a Ecologia não é suficiente para desfazer nossa ruptura com o cosmo. Mais do que isso, precisamos urgente de uma ECOFILIA (amor à casa, à grande casa que é a Mãe Terra). Tu, ecófilo por excelência, faça ressoar em todos os cantos do Universo teu Hino ao Amor. Amém!!!
Paz & Bem!!!
José Luiz Possato Jr.
São Leopoldo-RS
jrpossato@hotmail.com
BLOG: http://osperegrinos.blogspot.com/

7 de fevereiro de 2009

alguns videos sobre o "DOM"

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Ainda em clima de comemoração pelo centenário ai vão endereços de videos sobre o DOM no you tube:

Dom Helder Camara

parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=tWGG9H7bJfM&feature=related
Parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=nmqJNlk5w6Y&feature=related
parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=7TrXcW1N3oU&feature=related
100 anos do DOM pela Globo
http://www.youtube.com/watch?v=rDqgIJ9iHWg&feature=related
A Ditadira e o DOM
http://www.youtube.com/watch?v=dYVRZO2NZJI&feature=related
Mariama
http://www.youtube.com/watch?v=6-y0xKqAHTw&feature=related

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