O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

18 de julho de 2018

Jesus, Joshua, Raboni Joshua o Mestre


Penso que só passamos a ser realmente "humanos" depois da vinda de Jesus.
Ele veio trazer a possibilidade de uma etapa importante na evolução 
da espécie humana, desenvolver a emoção, 
abrir o "chacra cardíaco" da humanidade. 
Daí sua imagem tão popular com o coração aberto 
e sua mensagem de Amor incondicional.

Definitivamente Ele é um mestre.
Só Ele pode abrir para nós a capacidade de resolver conflitos 
sem uma espada ou um punho fechado.

"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amo ".

Não importa se é filho de Deus, o próprio Deus, ou um ser especial. 
Na verdade, Ele é único, pena que tenhamos evoluído tão pouco desde sua vinda. Pena que tantos queiram aprisioná-lo em suas prisões-religiões, menores que Ele.  Por ele tanto já se matou e tantos se matam.

Uma incoerência com a missão que ele veio cumprir e  com o que pediu que fizéssemos depois de sua volta para o Pai.
Temos falhado muito neste aspecto, interpretamos errado seu pedido,
nos entrincheiramos em nossas pequenas verdades
 esquecemos que nada pode limitar o Amor,
nem mesmo rótulos poderosos ou pensamentos de maioria

"A maioria dos homens, fechados em seu corpo mortal
como caramujos em suas conchas,
enrolados como ouriços  nas suas obsessões,

modela sobre sí mesmo
a ideia do Deus bem-aventurado"
(Clemente de Alexandria 150-215 DC


Deus é sopro, pois o sopro do vento pertence a todos
Atravessa tudo, nada aprisiona,nada O oprime
nada O pode capturar
( Maximo Confessor 590-662 DC)

 O Reino de Deus está no meio de vós, foi o que Ele disse, e disse também que somos templo, morada do Espírito de Deus. 
Ele está em tudo e em todos os lugares. 

Jesus é meu irmão expresso em rostos como um Babalorixá, Padre,  Pastor,  Rabino,  Aiatolá,  Lama e tantos outros sacerdotes de tantos rótulos religiosos.
Ele é o trabalhador, o professor, o médico, a enfermeira, a cozinheira e também o aluno, o funcionário, o cliente e toda a diversidade de pessoas, profissões, nacionalidades.
Ele é, em tudo e em  todos...
É o humilde e também o poderoso. 
E é aquele mesmo que me aponta o revolver, que furta a carteira no ônibus, ou que se prostitui nas ruas.  É corrupto na política, e também o corruptor.
É o que abusa de um menor usando sua capa de sacerdote, e o menor abusado.
O que se preocupa mais com o dízimo do que com o amor dos irmãos, e também o fiel que paga o dízimo...
Mas é também o sacerdote honesto, o pastor piedoso o político consciencioso.
É aquele que empresta seu corpo para uma entidade fazer caridade ou é o que finge receber a entidade para tirar proveito da situação, ou simplesmente, o indivíduo honesto, pacato, sincero; a mulher dedicada, o marido, os filhos...É branco, negro aziático e indigena, é heterossexual, homossexual e trans...

É como já disse o Raulzito:  "o principio, o fim e o meio..."

Ele está no meio de nós, de Todos nós.

E prometeu estar presente sempre que pelo menos dois de nós 

nos reuníssemos em seu nome. E, todas as vezes
que fizermos qualquer coisa 
 a um de seus pequeninos,

é a Ele que estaremos fazendo.

Deu-nos um mandamente que se resume, segundo Ele,
toda Lei e toda a Profecia:

Amar como Ele nos ama. 


Que Ele nos traga a Paz inquieta, acalente nossos sonhos e esperanças
e nos torne operários construtores do seu reino de amor.

15 de junho de 2018

Aborto uma encruzilhada entre o Absurdo e a Graça

Há toda uma questão que vem mexendo com as pessoas, com a regulamentação do Aborto em países da América Latina. Penso que é preciso acordarmos para que os estados são laicos e a pluralidade de crenças e escolhas de vida imensa. O que vejo como importante é encararmos o fato de que nós precisamos fortalecer o discurso inclusivo, a mudança de valores e a abertura para um maior conhecimento e valorização da vida. E isso não pode estar somente ligado aos ainda em gestação, mas a tudo que se refere a uma agressão a Vida, não só a intrauterina.


Sou contrário ao aborto, não tenho a menor dúvida quanto a isso, aliás será que alguém é a favor? Mas será que isso me dá o direito de impedir o livre arbítrio dos que não pensam como eu, dos que não professam as mesmas crenças que tenho? Aqui estamos falando de leis, de legislação de países com uma grande multiplicidade de crenças, comportamentos, ideologias e até da ausência de qualquer crença ou religiosidade. Para os que por convicções próprias não aceitam o aborto, a lei que o permite ou descriminaliza não fará diferença, ele continuará não sendo aceito e não praticado.



No Brasil e em boa parte dos países em desenvolvimento o aborto é uma questão de saúde pública, e pior, é algo que só prejudica as mulheres mais pobres.  As mulheres de poder aquisitivo mais alto sempre contaram com as clinicas clandestinas que cobram fortunas para fazer o aborto, que por ser proibido, acabam tendo como vantagem a maior discrição, fazendo com que ninguém fique sabendo. Por força da minha profissão recebo mulheres, muitas que na aparência são “religiosas”, e que já praticaram ás escondidas um ou mais de um aborto. Todas foram bem assistidas e acompanhadas e na maioria das vezes encaminhadas por suas famílias também “religiosas”. Já as mulheres do povo, que não tem a possibilidade de pagar uma destas clínicas, acabam por  optar pelos métodos mais absurdos, que vão de agulhas de tricô aos chás , quando não caem nas mãos de algum “aborteiro”  irresponsável que colocam em risco a vida dessas mulheres  que muitas vezes vão a óbito por ignorância e falta de acompanhamento adequado.
Na minha opinião a verdadeira luta   deveria passar por uma campanha de conscientização desde as escolas no que se refere a educação sexual, métodos de prevenção e contracepção e planejamento familiar. Foi-se o tempo em que se poderia ter 8, 10 ou mais filhos. Ninguém hoje pode ter essa quantidade de filhos e cria-los com dignidade. Só mesmo as famílias com muitos recursos, e que justamente são as que optam por um número limitado de crianças. O mundo mudou e já não são aceitos os discursos e pregações de sexo só para procriação, namoro santo, por parte de pessoas que não fazem parte destas comunidades religiosas. Entretanto falar em educação sexual e contracepção parece ser algo que os mesmos adeptos dos tais S.O.S Vida também combatem. Aliás essa questão destes setores tradicionalistas e do fundamentalismo religioso, que tanto barulho fazem contra a legislação do aborto, são justamente os que não aceitam os métodos contraceptivos a não ser o natural, que não funciona com a grande maioria dos casais. Vivemos em outros tempos, a erotização está por toda parte como um dos principais objetos do marketing, a sociedade de consumo não se furta a consumir todo tipo de pessoas.


Mas então, dizem alguns, se não puderem evitar, que deixem nascer e que sejam entregues a uma instituição. Sem querer discutir esse absurdo que é ter um filho e rejeitá-lo, vemos que estas crianças em sua maioria são condenadas a ficar nas instituições até a idade adulta, especialmente as que forem negras, rotuladas como feias ou os portadores de algum tipo de deficiência. 




          Casa Mello Matos para crianças - RJ

Mas podem ser adotadas, há muitos casais que não podem ter filhos é o que usam como argumento.
 A realidade é outra, a maioria dos casais querem escolher e fazer restrições e exigências quanto a criança a ser adotada. Cor da pele, de cabelo, de olhos, tipo de cabelo, aparecia em geral... Fora o fato de alguns casais que tratam essas crianças como mercadoria, e não exitam em devolvê-las aos orfanatos depois de um tempo com essas crianças e constatarem que não era essa “mercadoria” que queriam.  Isso sem falar que a grande maioria quer recém-nascidos o que condena os maiores de 5/6 anos de idade, considerados já velhos para a adoção.




E para além disso tudo, aquela criança, rejeitada antes de nascer e abandonada após o seu nascimento, ainda tem que contar com as exigências legais para a adoção, que em nosso país são muito complicadas. Temos ainda que somar a isso, a carga de preconceito que muitos têm contra as crianças adotadas e contra quem quer adotá-las.  Os mesmos religiosos contrários ao aborto e aos métodos contraceptivos são também contrários a adoção de crianças por pais homo afetivos.


                                Criança adotada depois que 90 casais a rejeitaram por suas deficiencias




Como se vê, a questão não é complexa, na verdade ela é simples, mas o que a torna complexa é o preconceito, o fundamentalismo e o fanatismo religioso, que parece não ter se acostumado com o fato de que não estamos mais na idade média quando a igreja era o centro de tudo.
Não vivemos em feudos, a legislação não pode ser para parte da população, há uma grande massa de pessoas em situação de extrema pobreza e miserabilidade, uma grande parcela destes é também privada de informação e cultura que lhe permita planejar sua vida, escolher o melhor momento da concepção, ou até mesmo evitar a concepção.




É fundamental que consigamos sair desta situação de ser contra somente os abortos de indivíduos em estágio intrauterino e passemos a ser contra todo tipo de aborto, o dos nascidos que não consegue chegar aos 5 anos de idade, o dos que passando pelos cinco anos morrem na adolescência por terem sido cooptados pelo tráfico e todo tipo de criminalidade como forma de sobrevivência e dos que adultos estão abortados de uma vida digna que lhes permita trabalhos moradia e alimentação dignas de qualquer ser humano


Do contrário é uma hipocrisia ser ferrenhamente contra o aborto dos não nascidos e omissos ao aborto dos que nasceram e se encontram abandonados total pela vida.


.

31 de março de 2018

Uma crucificação em nossos dias




Num exercício de imaginação, fiquei hoje após a meditação sobre a crucificação de Jesus entre ladrões, pénsando em como seria esta cena em nossos dias e em uma das nossas capitais do Sul/sudeste.
Imaginei aquela cruz e as pessoas ao redor a gritar: Vai pra Cuba! Ladrão! Enganador! Gentalha! Quem manda ficar vivendo com pobres, negros e putas, agora colhe o que plantou. Bandido bom é bandido morto ! Imediatamente lembrei de há algum tempo atrás o rapaz que foi amarrado a um poste, por ter furtado alguma coisa.
Lembrei como as pessoas se apressam a julgar e a fazer o que chamam de “justiça”, sem se preocupar em avaliar o que realmente aconteceu, os motivos que levaram aquela pessoa a cometer aquele ato.
Pensei também, como disse ontem, naquelas três figuras de rosto sofrido e desesperadas com a perda de alguém a quem amavam e por quem eram tão amadas: Maria, Madalena e João. E um dos justiceiros repetindo aquilo que se tornou quase um mantra: Tá com peninha? Leva pra casa!
Dois mil anos ainda não foram suficientes para sensibilizar os corações da humanidade e para que aprendêssemos a saber o que estamos fazendo.

30 de março de 2018

as diferentes religiões e as diferentes visões filosóficas






"Milhares e milhões de pessoas têm encontrado enorme benefício nos ensinamentos de Jesus Cristo, o que lhes permitiu viver suas vidas em plenitude.

A religião é um caminho,  mas se aceitarmos uma religião, devemos praticá-la com sinceridade.

Todas as tradições religiosas falam sobre o amor, compaixão, alegria e tolerância e os seus diferentes pontos de vista filosóficos têm a intenção de apoiar a prática destes valores.

Diferentes tradições espirituais, até mesmo diferentes escolas do budismo, podem propor diferentes visões filosóficas, mas transmitem uma mensagem comum de amor e compaixão."
                                                                 Sua Santidade Dalai Lama


28 de março de 2018

O final da grande caminhada




''Ao final desta grande caminhada que se chama VIDA, perceberemos que o que realmente importa são aquelas coisas que podemos carregar dentro de nossos corações.
Portanto, guarde somente os bons sentimentos.
Assim chegaremos com o coração leve e a mala cheia de boas lembranças…''


fonte:
https://www.facebook.com/A-Voz-do-Sil%C3%AAncio-393713223993217/

22 de fevereiro de 2018

Mundo Virtual

(O texto não é meu, encontrei na rede sem indicação de autor)





- Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor. 
Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja. 
Abro o lap-top. Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim. 

- Tia, dá um trocado?
- Não tenho, menino.
- Só uma moedinha para comprar um pão.
- Está bem, compro um para você. 




- Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.
- Tia, pede para colocar margarina e queijo também. 
Percebo que o menino tinha ficado ali. 
- Ok. Vou pedir, mas depois me deixa trabalhar, estou ocupadíssima. 
Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento.
Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir "a luta ".
Meus resquícios de consciência, me impedem de dizer.
Digo que está tudo bem. Deixe-o ficar. Que traga o pedido do menino. 
- Tia, você tem Internet?
- Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.
- O que é Internet?
- É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no um mundo virtual.
- E o que é virtual? 
Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.
- Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. é lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.
- Legal isso. Adoro!
- Menino, você entendeu que é virtual?
- Sim, também vivo neste mundo virtual.
- Nossa! Você tem computador?
- Não, mas meu mundo também é desse jeito ....Virtual. 
- Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo, eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa, minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo, meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de natal e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual não é tia???



- Fechei meu lap top, não antes que lágrimas caíssem sobre o teclado. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel nos rodeia de verdade e não a queremos perceber !!!



2 de fevereiro de 2018

Tempos difíceis





Se os tempos são de incerteza...
E dentro do peito só mora a tristeza...
Há uma certeza que irá mudar essa direção !

Tenho certeza de que a vida é bela,
Independente se alegre ou triste:
Há um alguém que me chama para a colheita,
De novos frutos de libertação.

Abro os meus braços e meu coração
Não temo mais a dor nem a solidão,
Sozinho só está quem buscou
O medo, o ódio e a escuridão.

Foi o Senhor da vida que me libertou,
Foi o senhor da luz que meu caminho iluminou,
É o senhor do amor
que me abriga sempre no seu coração.

Confiante então nesta grande Luz
Não adio a decisão,
Entrego logo a minha vida àquele que conduz
A humanidade com sua compaixão.

Foi Ele mesmo que me ensinou
A resistir e lutar contra a escuridão
E a transformar a minha vida
Cantando, sempre, a mesma canção.


O senhor da vida me libertou
O senhor da Luz me iluminou
Há um caminho a frente a percorrer
Confiante sei que como nunca estarei só,
Não há motivo para esmorecer.
.

18 de novembro de 2017

Uma Escola do Olhar

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino

Eis a importância da prática da transdisciplinaridade . Saber que há diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade. E que precisamos de todos eles para ver melhor.
Os Antigos Terapeutas [de Alexandria] buscavam despertar, em si, o que chamamos o olho do Querubim. O Querubim, na tradição antiga, é um estado de visão, representado como asas repletas de olhos. Essa imagem é encontrada em diversas culturas, particularmente na tradição da Etiópia, onde há querubins nos tetos das igrejas: olhos que nos olham.
Certa vez, quando adoeci na Etiópia, fiquei surpreso ao ver um médico me dar um pequeno rolinho e dizer: - Seu remédio. Ao desenrolar vi que havia nele asas com olhos. Tocou-me profundamente porque compreendi que tratava-se de colocar outro olhar sobre a doença.
Há a visão do médico, do psicólogo, dos amigos, mas há também o olhar do Anjo. Esse olhar que vê o que acontece segundo um outro ponto de vista, de outra profundidade e que contempla a nossa doença ou sintomas não somente como os olhos humanos são capazes. Então pode se abrir, talvez, uma outra interpretação sobre aquilo que nos ocorre.
Assim, convido-o a imaginar um olho, com facetas, como o de uma abelha. Como ele nos veria nesse momento? Não tem nada a ver com a nossa maneira habitual de olhar. Ou um cavalo – você já pensou em mirar alguém com o olhar de um cavalo? Aparecemos com uma forma completamente diferente. Trago essas imagens para nos lembrar que a visão do mundo que temos é ligada ao nosso instrumento de percepção e no olho de um cavalo ou de uma abelha há todo um outro mundo. A maneira de ver alguém pode mudar, segundo a qualidade do nosso olhar.
Então, a tarefa é despertar em nós essas diferentes facetas. Isso me faz pensar nas diferentes áreas do cérebro, nas diferentes capacidades de apreender o mundo.
Vou propor o olhar dos Antigos Terapeutas que possui sete olhos. Geralmente paramos no terceiro olho.

O primeiro olhar é o do ver – eu vejo.

O segundo é o olhar da ciência – eu observo, eu analiso. E´um olhar apoiado, aprofundado.

O terceiro olhar é o que pergunta – eu interrogo. O que é esse sintoma? O que ele manifesta? O quê? O que é?

O quarto olhar é o que se pergunta – eu me interrogo. Como é que eu vejo? E´o olho da filosofia metafísica. O que é o Ser? O que é o ser humano? Trata-se do como eu conheço. Esta é a filosofia de Kant , por exemplo, que se interroga sobre como a ciência é possível. Eu conheço muitas coisas, mas não apreendo o instrumento através do qual eu conheço as coisas. Para um Terapeuta há uma questão muito importante: Qual é o instrumento por meio do qual ele conhece o outro e interpreta sua doença? E´necessário purificar este instrumento e ver que, segundo o modo de percepção que adotamos, a realidade dos sintomas pode ser completamente diferente. Não somente interrogo o real, esse corpo que acompanho, mas também sobre minha maneira de conhece-lo.

O quinto olhar se abre para o sentido – eu acolho o sentido.
Por intermédio dos sintomas, dos sonhos, da fala, simplesmente acolho o sentido, antes de interpreta-lo.

O sexto olhar é o da interpretação – eu interpreto. Essa interpretação pode ser criadora. Após o exercício de todos esses olhos da observação, da análise, da interrogação, da escuta acolhedora, me torno capaz de interpretar e dar um sentido ao que a pessoa está vivendo.

O sétimo olhar é o que direciona e liberta – vá com sentido! Da mesma maneira que dizemos:- Vá com Deus! Poderíamos dizer: - Vá com sentido! Vá com a interpretação da sua doença, não apenas na sua dimensão mental; também com os meios de cura-la, de cuidar de você. Essa é a grande palavra dos Terapeutas: Vá em direção a você mesmo, eu estou com você! Esta foi a palavra de Deus dirigida a Abraão”

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino
 Jean Yves Leloup
(Para aprofundar consultar o livro de mesmo nome do autor)

3 de novembro de 2017

Jaconé



É aqui
Que cansado,
Ao fim da tarde, o sol
Descansa seus raios dourados
Nas ondas alegres deste mar.


E nesta hora, dizem,
Que o  mar apaixonado
Faz cafuné,
Nas brancas areias de Jaconé.

Revisitando lembranças...


Tempo de sonhos
Dos só - risos
Tempo criança,
De lembranças
e de lambanças...

Tempo de rua,
Portões abertos.
Momentos de alegria
Liberdade.
quando a vida fluía...
Tempo de espera
Sonho fantasiado,
Baionetas e sentinelas.
A vida aprisionada,
Para um adulto idealizado.
Ilusão do paraíso,
Muito riso e pouco sizo
Realidade de fumaça,
sem alicerces,
inconsistência sem juízo.

Desperto.
Acordado vivo o pesadelo:
Portões fechados,
crianças marginalizados,
adolescentes espancados,
Liberdades limitadas,
sorrisos encarcerados;
No saldo,
Só a teimosa esperança.


O que será do agora?

2 de novembro de 2017

Oração pelos ancestrais


GRATIDÃO, queridos pais, avós, e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho!
Imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, se tornaram, hoje, a minha realidade!
A partir deste ponto, e com muito Amor, levo LUZ à tristeza que houve nas gerações passadas.
Levo LUZ às raivas, às partidas prematuras aos nomes não recebidos, aos destinos trágicos, traumáticos.
Levo LUZ à flecha que cortou o caminho e tornou a caminhada mais fácil para nós. 
Levo LUZ à alegria, as histórias repetidas.
Levo LUZ ao não dito, às sombras, aos segredos de familia.
Levo LUZ às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos!
Levo LUZ a todas as memórias de limitação, a todas as crenças destrutivas que permearam meu sistema familiar.



Aqui, agora, semeio nova esperança, união, prosperidade, que leve equilíbrio, alegria e FÉ!
Que sejam o PERDÃO e o AMOR os responsáveis por curar todos os enganos e reunir todos os que se acham separados!
Que sejam, agora, passado e futuro cobertos por um ARCO-IRIS de LUZ que cure e harmonize todos os relacionamentos!
Neste instante, que a FORÇA e a BENÇÃO de cada geração alcance a geração seguinte!
Que assim seja! E assim é!

PERDÃO, COMPAIXÃO, LIBERTAÇÃO, AMOR e LUZ 
a todos os nossos ancestrais!
( desconheço o autor)

26 de outubro de 2017

Será nova a onda tradicionalista na Igreja?


A foto do cardeal Burke que apareceu esta semana me levou a refletir e a ir longe...
Fiquei a imaginar que tipo de cristianismo chegou até nós. E isso me levou a pesquisar e a rever coisas escritas, procurar livros e anotações e um frio percorreu a espinha. Isso não é cristianismo. Mas que cristianismo chegou até nós? Muitas vezes, muitos de nós costumamos culpar Trento pelos absurdos. Mas O concílio na verdade não é o culpado. Os absurdos na igreja não começaram em 1545. É preciso assumir que muito antes do concílio de Trento, os Burkes da vida já eram figurinhas carimbadas na igreja com suas caudas, e esquisitices. Aliás se fossem só caudas até que não seria tão terrível. Mas o que falar das cruzadas, das mortes encomendadas, dos envenenamentos para obter poder, do assassinato de papas, reis, de amantes concubinas de bispos e toda sorte de apoios perversos a monarcas que mudavam de lado conforme mudava o vento do poder e dos tesouros. E as matanças em nome de Deus, a "Santa" Inquisição e a escravização do povo? O que pensar de toda aquela gente faminta, morrendo de peste e os prelados protegidos em seus priorados, monastérios e palácios. Peço que me perdoem, mas não consigo ver nenhum vestígio do jovem galileu nesta história.


Penso que na verdade os tradicionalistas sempre foram a igreja, o que é novo são os restauradores. Esses sim são o ponto fora da curva. Um Francisco de Assis entre outros poucos, que ousaram e quase pagaram com a vida, buscar o verdadeiro Jesus nesta instituição que desde que se aliou ao poder romano matou e substituiu por outro o verdadeiro e incômodo Joshua. Não é Burke, Lefebvre, João Clá, ou Plinio de Oliveira ou qualquer outro conservador, fundamentalista que estão fora da norma nesta igreja. São os Franciscos, o de Assis e o de Roma, e essa teimosia de atender o pedido de Jesus para restaurarem a sua igreja que são nota destoante nesta igreja que se perdeu do Cristo.


Será que alguém consegue imaginar um jovem cercado de gente da pior espécie para os padrões da sociedade cristã atual sendo levado a sério em uma pregação em uma praça qualquer de alguma cidade do mundo? Qualquer jovem malvestido que brada para o povo que passa qualquer um daqueles “ Ai de vós” que Jesus gritou aos quatro ventos, ou dizendo alto e bom som qualquer das bem-aventuranças? Seria tido como louco, drogado, embriagado, um vagabundo qualquer.  O livro dos Atos dos Apóstolos sempre me deixou com uma estranha sensação de que algo não bate, não encaixa. O livro “A Igreja Católica” do teólogo Hans Kung então me sacode as bases e os alicerces das minhas crenças. A história dos concílios, os livros de crônicas do período medieval, a Reforma Protestante e a Contra- reforma... Deus meu como estamos distantes... Diante disso a morte de João Paulo I, a renúncia de Bento XVI, os vários escândalos financeiros e sexuais nada mais são que repetição de algo que vem se repetindo ao longo destes quase dois mil anos.  Será que cabe falar em uma tradição? Em magistério da igreja? Qual tradição? A de Jesus e dos apóstolos, ou essa que manchou de sangue e vergonha os séculos em nome de um outro jesus? Qual magistério, o dos apóstolos, ou esse outro que inclui alguns papas que nem cristãos eram?
É muito triste, inclusive para mim que por um breve período de tempo tive o "Dom" como diretor espiritual e com o concílio vivi a esperança da mudança que deu origem ao surgimento de verdadeiros santos como o Ir Marcelo, o Leonardo Boff,  frei Beto e D Paulo e Ir Pedro Casaldáliga, e muitos outros além dos atuais como o amigo Cesar Kuzma. É triste constatar que eles na verdade são a exceção. São os perseguidos e cassados como Jon Sobrino, Leonardo Boff, e até assassinados como D. Romero, Pe. Burnier, Pe. Herrique Pereira Neto e o próprio João Paulo I. Esses lutadores, esses verdadeiros guardiões do verdadeiro cristianismo não tem lugar nesta igreja, que sobreviveu anunciando um Cristo que nada tem a ver com o verdadeiro, que não segue os seus ensinamentos. É essa igreja, a mesma que Francisco está tentando colocar nos trilhos, tal como o outro xará seu, de Assis, tentou mas não conseguiu, porque foi traído por seus iguais e sufocado pelo peso de uma igreja imperial, de uma igreja comprometida com o luxo e com a defesa dos poderosos. Espero que o nosso Francisco não morra de desgosto como o outro que não conseguiu fazer valer a regra que queria para sua ordem mendicante.
Sei que muita gente vai me achar, para variar, herege, mas já não tenho ilusões e nem certezas quanto ao que chegou até nós da verdadeira tradição dos primeiros tempos.
 Sei que vivemos tempos em que tudo parece desmoronar e isso me dá uma sensação boa, a de que é possível que Francisco de Roma consiga a restauração da instituição que Francisco de Assis não conseguiu.
Por hora me contento em tentar ser como aquelas primeiras comunidades, que se reuniam para ouvir a palavra, partiam o pão nas casas, e tentavam fazer do amor a sua maior lei, sendo que este último tópico confesso ainda é muito difícil de cumprir.


História dos 21 Concílios da Igreja – de Niceia ao Vaticano II Christopher M. Bellito Edições Loyola
A Igreja Católica – Hans Kung – Objetiva
História do Cristianismo- Paul Johnson- Imago

20 de outubro de 2017

Flores




Não sei se ainda há tempo,
Com tanto asfalto,
E tanto cimento.
Não sei se ainda vale a pena,
Lembrar e falar de pensamentos.
Com tantos letreiros luminosos
E caminhos tão escuros.
O que fazer
Se ainda existem pássaros
que insistem em voar?
Uma espingarda?
E o que dizer de flores,
Que resolutas, insistem em crescer?
Uma tesoura?
Loucura?
Insanidade santa,
Bendita seja,
Esta esquizofrenia aprendiz
Que insiste em acreditar
Que apesar da escuridão,
Possa eu ainda ver uma luz
e acreditar no poeta de Itabira,
saudoso Drummond,
que afirma ter visto,
uma flor nascer no asfalto.
( J Ricardo A. Oliveira)

19 de outubro de 2017

Quando o comportamento de certos prelados nos angustiam



Escrevendo para uma amiga no facebook, eu disse a ela que eu já tinha ficado muito angustiado, mas uma luz brotou no meu coração e comecei a ver com outros olhos e com outro entendimento toda essa situação.
Somos eternos, dois milênios nos separam de Jesus, por mais que os Constantinos paganizem a mensagem do mestre, e uma malta de maus papas tenham desviado o caminho traçado por Jesus e os apóstolos, sempre haverá um Francisco de Assis sendo enviado pelo espírito Santo para reconstruir a eclésia e retomar a construção do Reino que parecia perdida entre as pompas, o luxo e a luxuria dos maus clerigos.
E mesmo mais de mil anos passados quando depois de um papado desatroso e um papado mais próximo do fundamentalismo como foi Bento, que revogou as excomunhões de Lefebrvistas, o Espirito Santo mais uma vez nos surpreende nos mandando outro Francisco, o Francisco do fim do mundo, Latinoamericano, o Francisco de Roma.
Tudo isso acabou por suavisar minha angústia. As portas do inferno não prevalecerão sobre a minha igreja diz a escritura.
Os tempos são cinzentos,não há dúvida, há sim muitas nuvens no céu e por muitas vezes é muito desanimador. 

De minha parte sinto tanta ou mais angústia como a que sentia naqueles anos de chumbo.
Mas é preciso seguir, como profeticamente o Vandré nos fez cantar naquela noite inesquecivel, naquele Maracanazinho lotado.
Vamos novamente "caminhando , cantando e seguindo a canção". Os poetas são sábios e nos ensinam que "é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar", porque de minha parte, "a sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida".
Eu quase consigo ouvir outra vez a Nara Leão cantado: Finda a tempestade, o Sol Nascerá...







.

17 de outubro de 2017

Diaconisas

                                                      Febe a diacosnisa do novo testamento
Eu fico realmente curioso com a capacidade para fazer distorções que foram feitas e articuladas ao longo dos anos e que distorceram até as escrituras.
É curioso que de maneira desonesta, e se orgulham de rechaçar tudo o que não é “canônico”, falam dos apócrifos como se fossem escrituras do próprio demônio, mas se aproveitam dele para contar a história de Maria já que não se encontra nos evangelhos oficiais os vários fatos da ascendência e vida de Maria instrutora e primeira discípula do mestre.
Fica difícil negar as evidências bíblicas sobre as diaconisas, dizendo que seu fundamento não está na Bíblia, mas em autores consagrados.
Mas não seria Febe uma diaconisa?
Ou estaria a Bíblia Ave Maria errada?
Ou será que o erro é de Paulo autor da carta aos Romanos ?
E não me venham com uma destas desculpas esfarrapadas, que ao longo dos tempos, o magistério da igreja tem dado e que não convencem nem mais às crianças.
Atentem que no Segundo Testamento Grego, está registrado que “diakonos”, em Rm 16,1, é substantivo, acusativo, feminino, singular.
Se o texto em Romanos não for suficiente temos como alternativa o texto em 1Timóteo que coloco em duas versões na Bíblia Ferreira de Almeida e na Ave Maria:
Em Timóteo, temos uma série orientações acerca do diácono:
I Tim. 3.9
Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. 9-Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa. 10-"Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos."[u]11-As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo[/u].12-O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. ( Biblia Ferreira se Almeida)
I Tim. 3.9
Do mesmo modo, os diáconos sejam honestos, não de duas atitudes nem propensos ao excesso da bebida e ao espírito de lucro; 9.que guardem o mistério da fé numa consciência pura. 10.Antes de poderem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis.[u] 11.As mulheres também sejam honestas, não difamadoras, mas sóbrias e fiéis em tudo.[/u] 12.Os diáconos não sejam casados senão uma vez, e saibam governar os filhos e a casa. 13.E os que desempenharem bem este ministério, alcançarão honrosa posição e grande confiança na fé, em Jesus Cristo.( Bíblia Ave Maia)
A tudo isso devemos levar em consideração que nesta época a realidade do cristianismo era bem diversa da de nossos dias. Ainda não havia ocorrido a rendição à Roma, e nem mesmo existiam os sacerdotes ordenados como os conhecemos hoje, fruto da assimilação e inculturação com as religiões pagãs de Roma, uma vez que dois eram os entendimentos naquela época:
Ou todos os batizados eram tidos como sacerdotes, ou de que só havia um único sacerdote verdadeiro o Cristo.
Aliás, isso era o grande diferencial do caminho instituído por Jesus para a construção do Reino. Eram os pagãos que valorizavam os sacerdotes entre o homem e os deuses. Eram os sacerdotes que se incumbiam de aplacar a ira dos deuses. Para os cristãos que tinham um único e verdadeiro Deus e que Jesus revelou ser um abah, paizinho amoroso, não havia ira a ser acalmada e muito menos a necessidade de intermediário entre o pai amoroso e seus filhinhos.
"A idéia de "ordem" não tem origem bíblica. Tem origem política.
"Ordenação (ordinatio) era o termo técnico empregado no império romano para designar a nomeação de um funcionário imperial. Hoje se diz que a pessoa foi "nomeada" para um cargo. Naquela época se dizia que foi "ordenada".
Desde que Constantino transformou a Igreja num braço religioso do império romano, no século IV, os bispos, sacerdotes e diáconos passaram a fazer parte da hierarquia dos funcionários do império, com o direito de ostentarem títulos (como "pontífice" para o Papa) e vestes (como o pálio e a estola) que realçavam sua dignidade imperial. Mas o termo "hierarquia" só passou a ser aplicado à estrutura da Igreja a partir do século V. Introduzido por Dionísio Areopagita, como adequado a uma instituição que copiava seu modelo de Estado absolutista com sua pirâmide de poder.
O termo evangélico(bíblico) adequado aos ministérios estruturados na Igreja é "Diaconia" que significa "serviço".
(Sacramento da Ordem, A comunidade de Fé, pag. 126, Editora Ática - autor: Frei Betto)
O Conclio de Calcedônia, em 451, proibiu as "ordenações absolutas", sem relação a uma comunidade eclesial. Entenderam os bispos reunidos no concílio que é validamente ministro da Igreja quem for chamado e aceito por uma comunidade. Portanto, a ordenção incluia, naquele tempo, não só a imposição das mãos do bispo, mas também a inserção numa comunidade eclesial. E o padre que ficasse sem comunidade ficava também sem ministério na Igreja. Isso durou até o século XII. Portanto, durante mais de dez séculos, o "ser" do sacerdote esteve vinculado ao "fazer".
Não se concebia o sacerdócio como algo em si mesmo, como algo desligado do serviço a uma comunidade. Inclusive o quarto Concílio de Toledo, em 633, determinou que os bispos, padres e diáconos que haviam sido destituídos de suas funções por alguma falta grave, só poderiam retomá-las mediante nova ordenação.
Foi durante o século XII e XIII que se elaborou a teologia do sacramento da ordem. Era um momento em que a Igreja já não estava mais organizada em comunidades e sim em territórios feudais. A divisão geográfica passou a predominar sobre a dimensão comunitária.
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 127, ed. Ática, autor: Frei Betto)
...No terceiro Concílio de Latrão, em 1179, aceita-se que um sacerdote sem comunidade possa continuar no exercício de seu ministério desde que o bispo assuma seu sustento.
Da concepção de ministério como serviço à comunidade passou-se a idéia de um funcionário de culto mantido pelo bispo ou pela sua diocese.
E o quarto Concílio de Latrão, em 1215, declarou que a eucaristia só pode ser celebrada por um sacerdote devidamente ordenado - o que veio a reduzir a função do sacerdote à celebração eucarística, ainda que não esteja vinculado a uma comunidade ou mantenha um estilo de vida aparentemente pouco evangélico.
Ministérios e Carismas no Novo Testamento (NT)
(...) No NT são chamados "ministros" ou "diáconos" aqueles que exercem uma função de serviço a comunidade cristã. Função concedida pela própria comunidade ou por seu responsável (At 1, 17.25; 6,4;Rm11,13; 12,7; 1Cor 3,5; 12,5; 2Cor 4,1; 2Tm 4,5) É o caso dos "Bispos"  vigilantes), que presidem a comunidade; dos "presbíteros"( = anciãos) ou sacerdotes, e dos "diáconos"  servidores), que se dedicam especialmente aos cuidados dos pobres (At 6, 1-7)
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 128 - ed.Ática - autor: Frei Betto)
Essas mulheres maravilhosas e seus ministérios
É muito triste que se observe esse tipo de mentalidade misógina ainda hoje quando o mundo já deu tantas voltas.
Na décadade 80 eu estive numa comunidade uma certa vez e quem celebrou a ceia foi exatamente uma mulher, ela era a mais velha do grupo e por isso sua experiência falava mais alto. Ela é a parteira, é a conselheira, a rezadeira e porque não, a presbítera ?
Voltei com a alma lavada e agradecido a Deus por esta surpresa. Na verdade eu fui convidado para conhecer esse grupo e para vez por outra, estar com eles em suas reuniões e celebrações.
Eles são um grupo independente composto por alguns católicos, espíritas e dois ex evangélicos. Reúnem-se para discutir suas necessidades, estudar a palavra e celebrar uma ceia.
Cantam rezam e se alegram na partilha da palavra e da vida.
Eu não sabia que uma mulher liderava o grupo e pude ver de perto o quanto ela é cheia do Espirito Santo e com que autoridade ela proclama as coisas de Deus e os orienta em suas necessidades. Quanta sabedoria, quanto conhecimento numa mulher de uns 60 ou 70 anos presumidos e não mais de um metro e meio de altura.
Que Deus seja louvado, porque onde o Espírito santo atua verdadeiramente as hierarquias humanas não são capazes de impedir a que ele sopre e conduza o seu povo.
(J.Ricardo A Oliveira)

16 de outubro de 2017

Geraldo Magela, o doidinho de Deus

Geraldo era alguém muito interessante. Um jovem teimoso e insistente.
Era fraco e doente e ninguém o queria. Mas ele insistia e diante da negativa das ordens religiosos em aceita-lo partiu para o inusitado, resolveu perseguir pelo caminho os redentoristas até que eles não tiveram como não aceita-lo. Mas mesmo assim foi enviado para a ordem com um bilhete que lhe qualificava como um jovem fraco, doente e  inútil.
Ele não se importava. Dizia que queria ser santo. Aliás, foi isso que escreveu no bilhete que deixou em casa quando fugiu para ir atrás dos redentoristas: “Vou ser santo”.


Aprontou todas para atender aos pobres e excluídos, e fazia isso com a autoridade de quem era intimo da madona e do menino. Afinal era com ele que na sua infância ele brincava, e era sempre ela, a madona, que o presenteava com o pãozinho de farinha branca, que em casa ninguém compreendia onde ele tinha conseguido. Eram muito pobres, esses luxos naquela época eram coisa de quem tinha muitos recursos. E ele com naturalidade dizia que fora a Madona, a mãe de seu amigo, que lhe havia presenteado. Chegou a causar  suspeitas em sua mãe... Mas esse era Geraldo, que na necessidade se fazia de alfaiate para sustentar a família, sem nunca compreender como ele conseguia tal proeza sem nunca ter aprendido o oficio. Mas fazia muito mais, não sabia negar comida a quem pedia e como porteiro esvaziava a dispensa  para que nenhum pobre sentisse fome... Isso quase lhe causava castigos, mas sempre era socorrido por seu amigo e pela madona que sem que ele soubesse providenciavam tudo para que nada faltasse.
Geraldo nunca se ordenou, foi sempre um irmão na ordem e causava espanto por seus hábitos estranhos, tais como dormir no chão sob o altar, dizendo que não queria se afastar de seu grande amigo. Outras vezes conversava e convencia assaltantes a não lhe roubar e a se converter. São tantas as histórias. Talvez por isso seja um santo com tantos devotos, especialmente entre os necessitados e os perseguidos.

Ele era o doidinho de Deus, era assim que o chamavam, o louquinho que nos convida a ir além das etiquetas e dos padrões para fazer a vontade daquele seu particular amigo, Jesus, que para ele era o prisioneiro do sacrário... posso dizer que foi ele que me apresentou a esse modo de se referir a Jesus: "O prisoneiro do altar", "o prisioneiro do sacrário".
 Que Geraldo nos inspire com sua vida completamente incomum, toda ela dedicada ao amor aos “pequeninos” de Jesus.