O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

29 de junho de 2020

O Apostolo Pedro, o prebítero (ancião)

“Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.

Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”

(Bruno Camurati)

Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo.

O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.

Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nú, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...

Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.

Pedro Tú és céfas!

Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.


Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

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11 de junho de 2020

Corpus Christi - Dom Helder




Dom Helder Câmara, celebrando a missa do Corpo de Cristo antes de iniciar a procissão carregando o ostensório com o Santíssimo Sacramento.

Na oração da coleta, não conseguiu ler o que estava no missal e, com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, rezou:

"Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como podemos passar pelas ruas com o pão, sinal de tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão? Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados."

21 de abril de 2020

A camada energética da terra está sobrecarregada


 Esta seria a imagem energética da terra 
se pudéssemos vê-la.                   

Procurem prestar atenção, quando eventualmente estiverem na rua, no banco, no mercado e até mesmo em casa, como todo mundo reclama. Reclama, e reclamamos muito e de tudo, todos nós.
Já imaginou que "formas-pensamento" estão sendo geradas, e todas elas se chocando no astral e atingindo a cada um de nós.
O  mau humor, a raiva, o ódio antes de chegar em alguém terá que necessariamente passar por quem o está  emitindo. Assim quem primeiro receberá esta carga não muito agradável é o próprio emissor.

Portanto, suba a frequência, e a sua vibração!
Não reclame, AGRADEÇA sempre!

Mesmo quando tudo estiver escuro,
Seja a Luz!
Ilumine, agradeça!

Quando tudo estiver por um fio, não estique, AFROUXE,  AGRADEÇA !
O seu mau humor em nada melhorará, pelo contrário, só fará você não
conseguir  ver claramente.

Por isso, SORRIA e AGRADEÇA !

Acostume-se a agradecer, e não a obrigar-se.
Diga sempre: grato ou agradecido, NUNCA “obrigado”.
Não se obrigue para não cobrar depois.

AGRADEÇA distribuindo assim sua boa vontade.

Da mesma forma não se desculpe.
Não se coloque na posição do culpado.
Do culpado ao coitado, há apenas um curto caminho.
Peça perdão se achar que a responsabilidade é sua.
Pedir perdão é buscar a liberdade, desculpar-se, é tomar-se devedor,
de quem liberou de suas costas, uma culpa irreal.

E lembre-se, nas adversidades e nos piores momentos, de repetir para si mesmo:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ !

Melhore a qualidade da vida na Terra.
Cuide bem do lugar onde você vive.
Cuide bem daquilo que você come.
Cuide bem do ar que você respira.
Cuide bem da água que você bebe.
E em todas as ocasiões:

S O R R I A !!!
Gente feliz, alegre é mais difícil de ser manipulada.

Nunca perca de vista que somos todos um. 




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11 de abril de 2020

Páscoa, é tempo de renovação.



Ó Noite de Alegria verdadeira,
uniu de novo o céu e a terra inteira !

Na natureza tudo parece estar em vias de mudança,

as folhas mais amareladas, caem das árvores.

 A temperatura é mais amena, os dias um pouco mais curtos...

Momentos de transição.



A passagem do verão para o inverno parece nos lembrar 

que a vitalidade do verão 
precisa passar por uma transformação 
para que possa, mais adiante, voltar a ser verão.


A Páscoa é também a lembrança de uma passagem. 

A constatação, de que tudo é impermanente. 

Assim como na primeira páscoa 

o povo judeu conquistou a libertação de seu cativeiro no Egito, 

os cristãos rememoram a mensagem de libertação 

que Jesus veio nos trazer.




A morte não é o final da vida, é apenas uma etapa,
uma transição necessária para atingirmos escalas mais altas,
mais próximas daquele que nos criou
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Naquela manhã, diante do túmulo vazio, 

Maria de Magdala encontra-se com Jesus.

Era ela que estava com Maria aos pés da cruz
até o fim, quando os outros fugiram.

É a ela que Ele pede que avisem a Pedro e aos outros.
Foi a ela que ele escolheu dar primeiro esta notícia:
Estou aqui !

eu vencí !



Da mesma forma que os apóstolos acreditaram

no que parecia impossível,

é preciso manter sempre acesa a esperança,

manter firme o sonho

de que uma nova maneira de viver é possível:

mais fraterna, igualitária e amorosa. 




Jesus Ressuscitou!

O AMOR venceu!

É tempo de ressuscitar os sorrisos,

 o amor, a certeza de novos e melhores dias

Ressuscitar a Alegria e a esperança.
Ressuscitar a vontade de lutar
por um mundo que tenha a face do amor.
A face de Jesus.

Que a nossa páscoa seja a certeza de que caminhamos todos para a luz, 
para a igualdade, para o renascimento da Paz, da justiça 
e da alegria para todos, sem exceções.


Feliz Páscoa !

10 de abril de 2020

Pai, Perdoa. Eles não sabem o que fazem... Até hoje continuam não sabendo


O mundo cristão para hoje para lembrar de um inocente condenado à morte e morte de Cruz.  Um suplício contado e recontado e revivido nestes mais de 2000 anos que nos separam do ato em sí.



Neste ano com as igrejas fechadas não haverá nas igrejas  as adorações à Cruz, Vias Sacras.
o estranho costume de beijar a imagem do senhor morto. O Sermão das Chagas. Descendimento da cruz. Procissões do Enterro, com senhoras chorosas, 
acompanhando o esquife, e ainda o lamento de Verônica.

Eu nunca entendi  porque muitos preferem valorizar a cruz, o sofrimento e a morte 
ao invés da Alegria, da Vida e a Ressureição.



Os primeiros cristãos usavam como símbolo um peixe. São muitas as imagens encontradas nas catacumbas romanas.
Mas a igreja ao se submeter a Roma  preferiu a Cruz, o crucifixo, 
o sofrimento e a celebração do sacrifício incruento
ao invés do Ágape fraterno, 
do banquete de ação de graças do simples "partir do Pão". 

            

Jesus não está mais na cruz, Ele venceu a morte, 
e é esta imagem que deveria ter sido fixada.



 A imagem de um Deus que venceu, se libertou e que a partir disto pode libertar 
a todos os que forem até ele em busca de alívio para suas dificuldades.

Toda esta série de equívocos acabou por desvirtuar 
aquilo que de mais importante há na missão que Jesus nos confiou.


Ele disse: Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância!


Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei!

Cada vez que fizerdes qualquer coisa a um dos meus pequeninos é a mim que o fareis!


Quando será que vamos acordar e passar da sexta feira de escuridão 





para um domingo repleto de Luz ?



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9 de abril de 2020

Uma quinta feira entre uma aclamação e uma crucifixão

Ele havia sido aclamado como um Rei, era de se esperar que agisse como um, mas surpreendeu a todos, aliás como era de seu feitio. Tirou o manto, tomou um jarro e uma bacia,  ajoelhou-se diante de seus companheiros e começou a lavar-lhes os pés. 


Mas essa não seria uma tarefa de escravos? 
Um deles tentou impedi-lo, e ele o repreendeu:  se não lhe lavo os pés, não terás parte comigo! 
Então era um ritual de iniciação aquilo? 
Sim era um ritual de iniciação mas muitos poucos entenderam desta forma,
e consta que ele ainda arrematou: Viram o que fiz ? Lavei os pés de vocês.
Então de agora em diante lavai os pés uns dos outros. 

 Mas aquela era uma ocasião especial e que estava só começando, e ele ainda os fez sentar à mesa e tomando de um pedaço de pão ele proferiu a benção e mais uma vez os surpreendeu. 

Este é o meu corpo que será dado por vós.
Fez o mesmo com o vinho, e o deu para que repartissem entre eles.

E então deu a segunda parte da iniciação, todas as vezes que vocês fizerem isso, será para relembrar este momento.

Lavem os pés uns dos outros e jamais esqueçam que eu estou me doando por vocês e para completar, para que não houvesse nenhuma dúvida arrematou: Amai-vos uns aos outros como eu vos amo, nisto está TODA a lei e toda a profecia.


Ele, como sempre, foi tão simples, tão direto. Não falou em sacrifícios, não falou em transubstanciações. Toda a Lei e toda profecia estava resumida em Amar como ele amou, e todo aquele que quiser fazer parte de seu reino, que é o reino do Pai só precisa saber ajoelhar-se diante de um semelhante seu, e lavar seus pés, humildar-se, porque para quem ama não existe humilhação. E de forma simples repartir o pão e o vinho, se fazendo “um” com aquele a quem se ama.

Dou-vos um novo mandamento:
Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.




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5 de abril de 2020

Hosana ao Filho de David

Hosana  !
Bendito o que vem em nome do Senhor!   
Bendito o Messias que vem para libertar o seu povo !
Jesus é recebido pelo povo como REI !

Com todo aquele alvoroço, mesmo quem não o conhecia
teve que prestar  atenção para aquela figura aclamada pelo povo.
Que povo é esse que grita, aclama, estende suas vestes para o REI dos pobres passar?


" mas, este não é o filho do carpinteiro de Nazaré?"
"Não é o filho do operário?"
"Não é o filho doidinho de Maria ?"
"E de Nazaré, pode sair alguma coisa que preste?"


Será que é este mesmo povo que poucos dias depois vai gritar 
contra esse inocente: CRUCIFICA-O ?

Não creio. 

Certamente entre os primeiros estavam seus admiradores, discípulos, gente que o conhecia e já tinha ouvido a sua mensagem  toda uma multidão de admiradores que o seguia pela Galileia.
Entre os últimos, estavam os comprometidos com o sistema: 
fariseus, doutores da lei, vendedores do templo. 
Aqueles que não queriam mudanças.
Os que tinham medo de perder os privilégios.
Os que tinham medo de desagradar os poderosos, os mesmos de sempre, que independente de quem está dominando, estão sempre no rol dos amigos do poder.
 Dizem que foram os mesmos que o aclamaram e depois o condenaram à morte, eu não acredito, a capacidade que os poderosos têm, ainda hoje, de manipular e forjar fatos é enorme. Com todo esse alvoroço certamente os poderosos perceberam que ali estava alguém muito perigoso. Era preciso eliminar rápido antes que tudo aquilo crescesse e tomasse um vulto incontrolável. O medo da força do povo reunido é muito grande.

Ainda hoje colocam na boca da assembleia nas igrejas esse grito maldito e absurdo. Porque será que querem manter o povo com esse sentimento de culpa?
Recuso-me a gritar contra aquele que escolhi como mestre e ideal de minha vida, assim como não quero vê-lo preso na cruz eternamente. 

O meu mestre e senhor já não está mais na cruz, ele ressuscitou e está vivo em cada um de nós. Por isso hoje a minha aclamação, mesmo sem os ramos na mão é a um verdadeiro REI que venceu a morte e nos conduz triunfante na construção do reino do pai.







HOSANA !

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28 de março de 2020

Diante de Deus um homem que representa toda a humanidade




Era um fim de uma tarde fria, chovia. A  imensa praça estava totalmente vazia, como nunca antes esteve.
Mas  para os que tem olhos de fé, certamente não viam aquela figura branca, trôpega que  subia a rampa lentamente sozinho. Não, não estava só. Uma multidão de anjos o rodeavam e embora o ambiente irradiasse um silêncio absoluto, os que tem ouvidos de fé, podiam ouvir os cantos lindíssimos que invocavam O Sublime. Conforme ele subia a rampa em direção às escadas que o conduziriam ao altar, os anjos entoavam:
Kadoish, Kadoish Adonai Tsabaioz ! Santo, santo é o Senhor!


Do altar ouviram-se súplicas. Ele era naquele momento como que um ponto focal de toda a humanidade. Emocionado ele proclamou a palavra vinda do alto e que falava de homens simples, de uma fé, que vence as tempestades, e de um Jesus que dormia.  E ele clamou. 
Como no evangelho, toda a humanidade está com medo, a tempestade ameaça a todos.
No evangelho Jesus dormia...
E ele, no meio da praça clamou, e como Jesus havia dito aos discípulos, disse-nos que avivássemos a nossa fé.

Os meus olhos jamais esquecerão aquela figura frágil e abatida, como que carregando a tristeza das inúmeras mortes, que continuam acontecendo no mundo, intercedendo por toda a humanidade, alí. De pé sozinho diante da mãe e do filho, numa praça que de tão vazia parecia muito mais imensa do que ela já é.
Na praça repleta de anjos, prontos a espalhar pelo mundo a benção e a esperança vai também a certeza de que é tempo de mudanças, tempo de olhar para os pequeninos de Jesus e deixar de lado a loucura que estava dominando toda a humanidade: a sede de poder e de lucros.


Da cidade eterna para o mundo, Urbi et Orbi, mais que uma benção, um aviso, um recado:
é tempo de recobrar a fé, só ela nos fará vencer a tempestade.


12 de março de 2020

Por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado



A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.
Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou [...]é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso.
Nas catacumbas romanas, tanto nas de Santa Priscila como nas de São Calixto, onde se escondiam os cristãos para fugir da perseguição romana, não existem pinturas de Jesus na cruz. O líder dos cristãos aparece ou na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos, ou ainda criança nos braços da sua mãe. Nunca morto.
Lembro que no Instituto Bíblico de Roma nosso professor de idioma ugarítico, o jesuíta Follet, explicava-nos essa ausência da imagem de Jesus crucificado entre os primeiros cristãos: “Se o seu pai tivesse sido condenado à cadeira elétrica ou à guilhotina, certamente, por mais inocente que tivesse sido, vocês não levariam no pescoço uma efígie desses instrumentos de morte”, nos dizia ele. E acrescentava: “Ninguém conserva fotos dos seus familiares ou amigos quando mortos, e sim vivos e felizes”. Isso é o que ocorria com os cristãos: preferiam recordar Jesus em vida ou glorificado depois da sua morte.
Curiosamente, foi um imperador romano, o pagão Constantino, o Grande, quem introduziu a representação da cruz, mas sem o corpo de Jesus. Foi quando se converteu ao cristianismo, depois de ter tido um sonho, antes da batalha contra Magêncio, em que viu uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “Com este signo vencerá”. O Império Romano começava a se debilitar, e o imperador percebeu a força da seita dos cristãos que se deixavam matar em vez de adorar seus deuses pagãos. Constantino quis conquistar aquela gente, e o cristianismo passou de açoitado a ser religião oficial. O imperador ganhou a batalha, e sacralizou-se o sinal da cruz, que foi aceito como símbolo cristão pelo Concílio de Niceia no ano 325.
Mesmo assim, trava-se apenas da cruz nua, sem o corpo de Cristo. Os primeiros crucifixos com o Jesus agonizante ou morto aparecem só no século V, e com muitas polêmicas. Os cristãos continuavam preferindo a imagem de Jesus vivo ou ressuscitado. Apenas na Idade Média, mais de mil anos depois da morte de Jesus, apareceram as primeiras representações dos crucifixos com o corpo dele mostrando os sinais de dor, sangrando pelas mãos, os pés e nas laterais.
A única pintura do crucifixo que aparece já no século I, considerada como a “primeira blasfêmia cristã”, é um grafite numa parede de gesso em Roma, ridicularizando os cristãos e Jesus. O crucificado aparece com a cabeça de um asno e a seguinte inscrição: “Alexamenos, adorando o seu deus”. Era uma zombaria com os primeiros cristãos, cujo deus os romanos haviam matado como um criminoso comum.
Isso significava, ensinavam-nos no Instituto Bíblico, que, sob a influência da conversão de Constantino, a Igreja começou também a se hierarquizar e a se revestir com os símbolos do poder mundano. Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.
Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.
A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.

4 de março de 2020

Se nada muda, mudo eu.


Tenho a impressão que os últimos acontecimentos nos dão a medida do buraco em que fomos jogados. Seja pelo prefake que atribui aos moradores as mazelas da cidade, com um certo deboche, desdenhando de quem vive pendurado nas encostas, por total falta de opção, ou ainda por um governador que comemora com pulinhos e socos no ar, a morte de uma pessoa com sérios comprometimentos mentais. Sem falar de um chefe de governo, que parece debochar de quem votou nele, ja que nenhuma de suas promessas de campanha está sendo cumprida.

Para completar o deboche, ele ainda usa de um humorista para representá-lo numa entrevista à imprensa, no momento em que a bolsa despenca, dolar sobe e o PIB parece derreter.
E com tudo isso, o silênco das ruas é ensurdecedor...
eu me recuso a permanecer neste buraco!
Eu vou mudar de rumo, mudar de norte, pra ver se no fundo me sorri a sorte.
Vou seguir a sugestão do Vander Lee e tentar morar no interior do meu interior.
Investir em ser grato, distante de todo esse lixo recheado de agressividade, odio e desamor.
Vou cuidar e perseguir as virtudes filosóficas: O bom, o belo, o justo e o verdadeiro, afinal, Platão há milênios ja dizia que esse é o caminho.
Deixo aqui, junto com este desabafo, a minha saudade desse mineiro e de sua mineirice:
"Onde Deus possa me ouvir"
Quem sabe eu consigo ouvir Deus explicando motivo de tudo isso.






28 de fevereiro de 2020

SOMOS UM !

Destruir a natureza em nível mais profundo é uma espécie de suicídio!


Enquanto não compreendermos que fazemos parte da natureza e não somos superiores a ela nem a nenhuma outra criatura, continuaremos nos matando. Somos UM , pertencemos a uma unidade que engloba tudo e todos.
Até mesmo aqueles que não aceitamos, não gostamos ou temos aversão. Todos somos criaturas da grande inteligência que criou o universo, não importa o nome que se queira dar a esse princípio criador.


Não importa muito se Adão e Eva, ou Big bang.criacionismo ou evolucionismo, Houve um princípio, uma causa primeira. Mesmo que o NADA tenha explodido, esse nada já é a causa primeira e o princípio de todas as coisas, o apelido que terá, dependerá da crença de cada um ateus ou crentes.

27 de fevereiro de 2020

A grande Quaresma


Tempo de revisão de vida e de preparação. São Francisco era muito simpático às quaresmas e fazia várias: a “Grande Quaresma”, a “Quaresma do Advento”, a “Quaresma da Epifania”, a “Quaresma de São Miguel” e a “Quaresma de Nossa Senhora”. Mas como ele mesmo denominava, a mais importante era a “Grande Quaresma”, os 40 dias que antecedem a Páscoa.


 É o momento para refazer a caminhada junto com Jesus até o calvário, ser pregado junto com Ele na cruz, descer com Ele ao túmulo, para depois poder explodir de alegria com sua ressureição. Uma revisão indispensável, nestes nossos tempos tão difíceis de tanta irritação, agressividade gratuita, violência e egoísmo, uma verdadeira faxina para nos recompor.


Tempo de reflexão e de esforço para mudanças significativas em nossos hábitos e comportamentos. Tempo para ressignificar velhas práticas como o Jejum e a esmola, muitas vezes dissociados e muito ligados apenas ao sofrimento pelo sofrimento e a prepotência do ato de se sentir superior a quem se dá a esmola.


O Jejum segundo o papa Leão Magno, era prescrito para nos lembrar não apenas da abstinência, mas sobretudo do emprego daquilo que seria economizado com o Jejum nas obras assistenciais aos pobres

No antigo manuscrito dos primeiros cristãos, “O Pastor de Hermas”, 
(século II), há uma referência clara a como o jejum que deve ser praticado:

 “Eis como deveis praticar o jejum, tu comerás só pão e água, depois calcularás quanto terias gasto para o teu alimento naquele dia e tu oferecerás este dinheiro a uma viúva, a um órfão ou a um pobre; assim tu te privarás de alguma coisa para que o teu sacrifício seja útil para alguém alimentar-se. E então ele rezará ao Senhor por tí em agradecimento. Se tu jejuares desse modo, o teu sacrifício será agradável a Deus”.

Façamos de nossa quaresma um tempo de revisão e mudança principalmente eliminando preconceitos e resistências a ver Jesus em cada pessoa que se aproximar de nós, sem qualquer exceção.



26 de fevereiro de 2020

Sinais


Ao longo da minha vida eu tenho aprendido a ler os sinais. E fico com a impressão que a Marques da Sapucaí neste ano foi muito pródiga de sinais. Não bastasse a Mangueira nos mostrar Jesus, o verdadeiro, o que vive no meio de nós, temos como resultado algo interessante como indicação de caminhos a seguir.
Vivemos tempos turbulentos, muitas ameaças, muito medo sendo disseminado. E então quando nos sentimos desprotegidos, a quem vamos recorrer e pedir proteção? E vem o resultado do desfile como um grande sinal:
O samba da escola vencedora manda ensaboar. A sujeira é tanta que há que ensaboar.

E é  a ela, a mãe a quem devemos recorrer proteção neste ensaboar para fazer a limpeza.

“Ó, mãe! Ensaboa, mãe!  Ensaboa, pra depois quarar...”
 E ainda dá mais uma pista quando canta:

“Ora yê yê ô Oxum!
 Seu dourado tem axé
Faz o seu quilombo no Abaeté
Quem lava a alma dessa gente veste ouro “

Sim, Ora yê yê ô Oxum!
É a ela, a mãe, a Senhora da Conceição,
aquela mesma que nos deu o “Jesus da gente”,
a mãe  a quem vamos entregar os destinos de nossas vidas nesta transição difícil que se aproxima.

Ora yê yê ô !

Salva Mãe ! Salva-nos Mãmãe Oxum!
Salve-nos Nossa Senhora da Conceição!

25 de fevereiro de 2020

Eu encontrei Jesus!

J Ricardo A de Oliveira
Eu encontrei Jesus!Não, não pense que fiz algum retiro do tipo Cursilho da Cristandade, ou entrei para alguma igreja pentecostal. Não, eu o encontrei, simplesmente.
Eu estava indo para o consultório, andava distraído pela rua ainda um pouco deserta, era cedo, e o vi. Ele estava deitado, num banco da praça, tinha a seu lado um grande saco preto repleto de latinhas de alumínio. Tinha uma aparência sofrida, o rosto marcado e aparência de quem há muito não toma um banho. Não me viu, dormia profundamente. Segui...



 Mais adiante tornei a encontrá-lo, estava também deitado, mas desta vez no chão. A despeito do calor estava coberto com um pano imundo. Tinha a seu lado uma cadeira de rodas muito velha em estado lastimável. Não pude ver seu rosto, estava voltado para a parede. Segui meu caminho e não muito distante na porta da padaria, ele novamente. Estava acordado e me estendeu a mão. Não era um cumprimento, era uma súplica. Tão humilde estava que cheguei a duvidar que pudesse se tratar do filho de Deus. Mas não havia dúvida era ele. Me pediu que pagasse um café e um pão, não tinha comido nada desde a véspera. Convidei-o a vir comigo à padaria. Ao entrarmos um segurança truculento pareceu não me notar, mas foi direto a Ele e segurando-O  pelo braço disse em alto e bom som, “cai fora!“
Ele tentou argumentar e com voz mais forte o brucutu gritou:
”tá querendo levar uma porrada ?”
Interferi, disse que estava comigo e só então acho que o segurança me percebeu, mas foi logo atalhando, não “dotô, aqui ele não entra”. Perguntei O porquê  e o homem se encrespou e logo alguns  clientes vieram e seu auxilio contra mim argumentando que  ele fedia, estava imundo... Ví que neste novo Brasil não adiantava argumentar,  alguém já ensaiava as costumeiras  frases: “ leva pra casa”, “só pode ser petralha”, “esses comunistas de merda...”
Não resisti. Fui até Ele e disse, não adianta Senhor, me espere ali fora que eu compro a sua média com pão e manteiga e levo ali fora.
Eu estava visivelmente envergonhado da forma como trataram o filho de Deus e certamente parecia bem transtornado. Ele não, talvez já esteja acostumado a esse tipo de ofensas, afinal para quem foi coroado de espinhos e pendurado numa cruz, isso deve ser coisa pequena. Levei até ele a média, o pão e pude perceber, pelo brilho de seus olhos diante daquela visão, que a fome era realmente muito maior do que eu imaginava.  Me despedi e ele esboçou um obrigado, mas estava como que extasiado com aquelas que para ele deviam ser iguarias...
Segui, um pouco ainda aturdido com aquela cena e caminhei.  


Bem na porta da igreja ele estava sentado, visivelmente drogado, murmurava algo em sentido,  um misto de lamento, súplica e revolta.
A porta da igreja, ou melhor, meia porta estava  entreaberta. Lembrei que depois que o sacerdócio passou a ser tratado como profissão, a segunda feira é dia do reposo remunerado dos sacerdotes, e a maioria das igrejas  ou não abrem ou fecham cedo...

Já estava quase chegando ao meu prédio e pude ouvir uma gritaria, um corre- corre e gritos de pega! Pega! Passou por mim um Jesus adolescente, correndo, olhos esbugalhados. Ficou frente a frente comigo, nossos olhares, por fração de segundos se cruzaram.  Pude notar neles o medo, o pavor.  Só tive tempo de lhe dizer disfarçadamente: Corre! Vai!  Ele foi...
Logo os que vinham atrás me perguntaram por que não o segurei. Respondi que não sabia que ele era o assaltante...
Subi para o meu consultório, ainda com a respiração meio ofegante e com o coração aos pulos.

 Estas coisas têm me acontecido quase que cotidianamente. E eu tenho tentado entender.  Sei que muitos me condenam, falam aquelas coisas de ensinar a pescar , mas eu argumento que na atual situação em que nos colocaram não há varas de pesca e nem redes disponíveis. Tenho certeza de que pescariam se houvesse oportunidade.
Lamento muito que isso aconteça em uma cidade em que o prefeito é um bispo, de uma igreja que se diz cristã.  É triste ver que cenas como estas aconteçam nas portas das igrejas, sem que os ditos fiéis consigam reconhecer seu Deus e senhor. 
Ando  preocupado por que as aparições de Jesus tem se multiplicado recentemente.  Antes eu O via esporadicamente, hoje,  há dias que O vejo mais de 20 vezes.
Certamente seria mais cômodo para mim adorá-lo nas espécies consagradas, ajoelhar-me diante da hóstia transubstanciada.  Ou ainda diante de uma bela imagem do coração divino de Jesus ou até diante  do crucifixo, incomodo e desafiador. Temo que a maioria de nós, tenha parado na sexta feira da paixão, e não tenha conseguido realizar em nós o mistério da ressurreição.  Não conseguimos perceber o Jesus manso e humilde que caminha no meio de nós. Mas ele está no meio de nós, e apesar da maioria de nós repetir isso mecanicamente, não realizamos  isso no dia a dia.
Ele está no meio de nós!
Ele é o mendigo, o ladrão, a prostituta, o pastor e o padre, a mãe e o pai de santo, o traficante, o miliciano, o policial, o prefeito o governador e o presidente da república, eu e você.
Por mais absurdo que isso seja, por mais que muitos  estejam me considerando um herege, essa é a pura realidade que não queremos encarar. O mundo seria outro e bem melhor se acordássemos para essa realidade, se manifestássemos esse Deus que se encarnou na humanidade. Esse é o mistério da salvação. Essa é a redenção almejada. Que todos sejam UM, “como eu e o pai somos um”

Me veio a ideia de que Natal poderia ser todo dia, se deixassemos Jesus nascer através de nós.  Se nos dispuséssemos a dar a luz, a ser como a silenciosa Maria, ouviríamos os anjos anunciando que Jesus, veio promover a Paz na terra, entre os que têm a boa vontade de promover o seu nascimento.

24 de fevereiro de 2020

A verdade vos fará Livres - Mangueira 2020



Mangueira:
Toquinho e Vinícius já tinham profetizado que “ um bom samba é uma forma de oração”, mas nunca alguém tinha realizado na pratica, esta profecia como a Mangueira nos proporcionou na madrugada desta segunda feira de carnaval. 
Lindo, tocante, profético e sobretudo uma verdadeira celebração religiosa. Muito digna, e extremamente profunda a provocação da estação primeira, nesta reflexão sobre o “Jesus da gente”. Nunca tinha visto alguém realizar um cristianismo tão verdadeiro e autêntico.
O carnavalesco Leandro Vieira não sei se propositalmente ou não, acabou fazendo o que o Papa Francisco tem pedido insistentemente a Igreja católica, com muito pouco sucesso, por parte de seus bispos e padres. O Jesus da gente é o líder da “igreja em saída” da igreja “com cheiro de ovelha”.

O Jesus que está verdadeiramente no meio de nós, proclamado por religiosos, mas nunca realizado na prática como Leandro da Mangueira ousou mostrar. O Jesus negro, gay, mulher, o pobre perseguido pela polícia e pela sociedade. o Jesus mendigo,  filho do José desempregado e da Maria de tantas dores, que “sobe e desce as ladeiras” das favelas.
O Jesus índio, a cada dia mais próximo da extinção pelas ações genocidas, dos poderes constituídos. A mangueira ousou mostrar sem maquiagem o verdadeiro Jesus que disse que estaria conosco até o fim dos tempos.




Certamente a Mangueira não agradou  a quem detém o poder, nem civil nem religioso. Seu desfile denuncia séculos de mentiras e estratégias para manter o poder pelo medo e a culpa. 
A imagem de um Jesus que nada tem a ver com o jovem galileu. O Jesus que embora exaltado em ostensórios sobre o altar prefere estar embaixo dos viadutos ou esmolando pelas calçadas da cidade.
Não existiria homofobia, preconceito racial, feminicídio, exploração, e desigualdade sócio econômica, se cada um reconhecesse no seu semelhante, o mesmo Jesus que anima a sua própria vida. É essa identidade, esse Emanuel, o Deus conosco, que quando reconhecido dá sentido ao “amai ao próximo como a ti mesmo” e o “amai-vos uns aos outros como eu vos amo”.
Ele deixou claro em várias passagens do evangelho, que foram deturpadas na busca do controle do poder. Porque fizeram o povo não levar a sério o “os ladrões e as prostitutas vos precederão no Reino”, dito aos sacerdotes do templo?


A Mangueira num só desfile desmonta as teologias inventadas, da prosperidade, do sucesso, da predileção pelos que mais doam seus parcos recursos aos padres e pastores gananciosos .
Mais que cantar e desfilar a Mangueira rezou e nos fez rezar, por um novo Brasil sem preconceitos, com melhor distribuição da riqueza, com respeito e igualdade e oportunidade para todos, sem armas nas mãos, sem destruição e genocídio.

O Jesus real foi posto para sambar na avenida, e faz a sua ressureição na consciência do povo pobre e sofrido que sempre foi barrado nas igrejas por estar maltrapilho. O Jesus da gente não precisa de templo feito por mãos como diz o salmo, ele vive no coração de cada um de nós que bate como  surdo de marcação, tão característico da Mangueira.

Chegou a hora de todos nós, não só a Mangueira pegar a visão:
Não há futuro sem partilha e muito menos Messias de arma na mão.

Felizmente ainda temos sacerdotes de varias correntes cristãs que anunciam e vivem o verdadeiro Jesus da gente e estavam abrindo a procissão negra da Mangueira na avenida.
 



Cantemos todos com a Mangueira,
Jesus ressuscitou!    Aleluia !!!

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade

Mangueira

Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré

Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também


video completo do desfile