Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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24 de setembro de 2016

Padre Pio de Pietrelcina

Hugo Lapa 

padre pio

Muitas almas iluminadas já vieram a Terra em missão e cada uma delas deixou um rastro de luz e sabedoria que é seguido por milhares ou milhões de adeptos. Uma dessas almas é Francesco Forgione, mais conhecido como Padre Pio de Pietrelcina, uma pessoa humilde que inspirou milhões de fiéis da Igreja Católica e até mesmo adeptos de outras religiões. Apesar de sua grande simplicidade e dedicação exclusiva a vida religiosa, Padre Pio ganhou notoriedade mundial pelas suas realizações e ficou famoso por sua história repleta de mistérios. Quem foi essa incrível figura que inspirou e continua inspirando gerações de religiosos e esoteristas?
A vida de Padre Pio é cheia de circunstâncias fabulosas do início ao fim. Padre Pio nasceu no dia 25 de maio de 1887 na cidade de Pietrelcina, num pequeno povoado da Província de Benevento, na Itália. A família de Francesco era bastante humilde e tinha poucos recursos financeiros a lhe oferecer. Porém, os orientais já observaram que é do terreno mais lamacento e oculto que a flor de lótus traz o branco mais puro da natureza, ou mesmo o lírio, com seu encanto e sua beleza que às vezes nasce do estrume. O pequeno Francesco já exibia, desde tenra idade, um comportamento exemplar. Era uma criança muito tranqüila, pacífica, observadora e incapaz de fazer mal a quem quer que fosse. Segundo os pais e pessoas próximas, Francesco nunca cometera nenhuma falta e não era uma criança de caprichos ou vaidades.
Sua mãe chegou a dizer que Francesco “sempre obedeceu a mim e a seu pai, a cada manhã e a cada tarde ia à igreja visitar a Jesus e a Virgem. Durante o dia não saia nunca com os seus companheiros. Às vezes eu dizia: – “Francì, vá um pouco a brincar”. Ele se negava dizendo: – “Não quero ir mãe, porque eles blasfemam”. Diz-se que Francesco havia sido uma criança um pouco tímida e retraída. Alguns esoteristas afirmam que os grandes seres de luz que vem ao mundo corpóreo procuram conservar-se introspectivos durante boa parte da infância, caso contrário seriam influenciados pela educação da época, com seus preconceitos e estereótipos. Além disso, conta-se que Padre Pio havia conhecido seu anjo da guarda e mantinha com ele um estreito contato. Futuramente, Padre Pio pedia as pessoas que sempre que possível procurassem dialogar internamente com seu anjo da Guarda, uma força ou consciência espiritual elevadíssima e bem próxima de nós.
Desde criança, Francesco já dava sinais de que seu caminho era o sacerdócio. Expressava profundo desejo de consagrar sua vida plenamente a Deus e aos desígnios divinos. Ainda jovem, quando era assíduo freqüentador da Igreja, pedia ao Sacristão que, em sua hora de almoço, o deixasse ficar orando e meditando sozinho na Igreja fechada, apenas ele e Deus.
Pessoas próximas contaram que Francesco não era muito dado a reuniões sociais. O jovem trocava os amigos e as festas por momentos em que se isolava e permanecia horas e horas em silêncio e profunda oração. Quando estava sozinho e mergulhado em longas meditações dedicadas a Deus, experimentava êxtases místicos muito profundos, onde presenciava aparições de entidades luminosas e fenômenos estranhos. Já em tenra idade, Francesco era invadido por vozes que lhe insultavam e procuravam desorientá-lo. Segundo os católicos, ele estava sendo tentado pelo demônio; segundo os espiritualistas, ele estava sendo alvo de investidas de espíritos obsessores de baixa estirpe que tentavam a todo custo desequilibrá-lo emocionalmente, tudo isso para que não cumprisse a missão sagrada a que estava destinado.
Aos 16 anos, Francesco entrou como clérigo da Ordem dos Capuchinhos, no dia 06 de janeiro de 1908. Pouco depois de seu ingresso, ele foi acometido por graves enfermidades e seu estado de saúde ficou precário durante muito tempo. Dizem que sua febre chegara a níveis altíssimos, até maiores do que um termômetro comum era capaz de medir. Por este motivo, ele foi conduzido a vários conventos diferentes, até permanecer em definitivo no Convento de San Giovanni Rotondo. Nessa época, ele já era conhecido como o Padre Pio de Pietrelcina. No convento de Rotondo, Padre Pio ficaria morando e exercendo o sacerdócio durante os próximos 50 anos.
Conta-se que apesar de Padre Pio ter sido castigado por várias doenças, elas colocavam-no num estado que era seguido por êxtases divinos. Vemos aqui uma aproximação desse fenômeno com o que os antropólogos chamam de “enfermidade xamânica” no Xamanismo. Diz Stanislav Grof que “os futuros xamãs podem perder o contato com o ambiente e ter intensas experiências interiores, que envolvem jornadas ao mundo inferior e ataques de demônios que os expõem a incríveis torturas e provações, que costumam culminar em experiências de morte e desmembramento seguidas pelo renascimento e subida para regiões celestiais”.
Parece que Padre Pio tinha conhecimento de que as doenças têm um caráter de purificação. Ele chegou a declarar isso em algumas ocasiões, como disse uma vez a uma senhora que durante 30 anos era castigada por uma doença que nenhum médico conseguia diagnosticar ou explicar. Padre Pio disse que“Sua enfermidade é uma grande graça de Deus”. Tal como a enfermidade xamânica, Padre Pio reconhecia a providência que as enfermidades traziam para a alma, quando esta aceitava os atributos divinos e um propósito superior que elas traziam.
Porém, algo ainda mais surpreendente ocorreu nessa época. Conta-se que entre uma doença e outra, Padre Pio chegou a ficar muito debilitado e teria ficado longos períodos sem ingerir qualquer alimento físico. Houve um momento em que o Padre ficou 21 dias sem ingerir nada, apenas a Hóstia Consagrada. A despeito de alimentar-se bem pouco, Padre Pio mantinha misteriosamente o peso de 90 kilos. Esse fenômeno de manter-se por um longo tempo sem a necessidade de alimento físico chama-se Inédia. Vários santos já exibiram esse prodígio, uma delas foi Tereza Neumann. Yogananda conta no livro “Autobiografia de um Iogue”, que conheceu uma mulher ioguini, já com mais de 60 anos de idade, que estava a nada mais nada menos do que 50 anos sem ingerir nenhum tipo de alimento sólido. Há outras referências na literatura espiritual sobre essa capacidade, uma delas é no clássico Yoga Sutras de Patanjali, obra que serviu de base para a estruturação de Yoga enquanto disciplina sistematizada. Patanjali conta que através de certo exercício yogue, é possível restringir a fome e a sede.
Voltando as misteriosas doenças de Padre Pio, alguns relatos nos fazem pensar que ele teria passado não apenas por dificuldades de saúde, mas também por ataques ainda mais ferozes de espíritos das sombras. Padre Pio ficava a noite sozinho no Convento de San Giovanni Rotondo. Os membros do convento eram frequentemente surpreendidos com barulhos fortíssimos de pancadas do que parecia ser uma luta homérica sendo travada. Sons altos de batidas, gritos e agressões eram ouvidos por todos e vinham diretamente do aposento onde ficava o Padre Pio. Quando eles se reuniam e subiam até o local, ao abrir a porta, encontravam o Padre Pio sozinho e com marcas de vermelhidão, inchaço e machucados diversos, como se tivesse sido agredido por alguém. Os seguidores de Padre Pio acreditavam que demônios originários do próprio inferno visitavam-no constantemente à noite para agredi-lo e submetê-lo a torturas e agressões. Padre Pio, no entanto, nunca reclamara dessa situação, guardando apenas para si o seu sofrimento.
Além das misteriosas aparições de espíritos trevosos, outro grande mistério acometera sua vida. O fenômeno começou a aparecer inicialmente quando Padre Pio começou a sentir fortes dores nas mãos. Então, na manhã do dia 20 de setembro de 1918, ele teria uma experiência que mudaria para sempre o curso de sua vida. O próprio Padre Pio narra o que aconteceu nesse dia: Foi na manhã do dia 20 do mês passado (setembro) no coro, depois da celebração da Santa Missa, quando fui surpreendido pelo descanso do espírito, pareceu um doce sonho. Todos os sentidos interiores e exteriores, além das mesmas faculdades da alma, se encontraram numa quietude indescritível. Em tudo isso houve um silêncio em torno de mim e dentro de mim; senti em seguida uma grande paz e um abandono na completa privação de tudo e uma disposição na mesma rotina.
Tudo aconteceu num instante. E enquanto isso se passava, eu vi na minha frente um misterioso personagem parecido com aquele que tinha visto na tarde de 5 de agosto. Este era diferente do primeiro, porque tinha as mãos, os pés e o peito emanando sangue. A visão me aterrorizava, o que senti naquele instante em mim não sabia dizê-lo. Senti-me desfalecer e morreria, se Deus não tivesse intervindo sustentar o meu coração, o qual sentia saltar-me do peito. A visão do personagem desapareceu e dei-me conta de que minhas mãos, pés e peito foram feridos e jorravam sangue. Imaginais o suplício que experimentei então e que estou experimentando continuamente todos os dias. A ferida do coração, continuamente, sangra. Começa na quinta feira pela tarde até sábado. Meu Pai, eu morro de dor pelo suplício e confusão que experimento no mais íntimo da alma. Temo morrer em sangue, se Deus não ouvir os gemidos do meu pobre coração, e ter piedade de retirar de mim está situação…”
Foi após essa sublime e dolorosa experiência que Padre Pio recebeu o que é conhecido como as chagas de Cristo, ou estigmas, tal como é conhecido no cristianismo. As chagas foram primeiramente recebidas por São Francisco de Assis, após sublime experiência mística. Depois de São Francisco, dizem que mais de duzentas personalidades espirituais já apresentaram os estigmas de Jesus em seu corpo. Conta-se que São Francisco de Assis recebera as chagas de Cristo após pedir ardentemente e desejar sentir o mesmo sofrimento que Jesus sentiu, para a remissão dos pecados da humanidade. Ele queria reviver em si a paixão de Cristo, pois amava muito a Jesus e pediu o privilégio de sentir o mesmo que Jesus sentiu.
Os iniciados, místicos e esoteristas estudam o significado simbólico e místico da crucificação. No momento em que Jesus atravessou a chamada Paixão de Cristo, ele viveu uma experiência de tomar para si mesmo o sofrimento ou o karma da humanidade, ao menos uma parte do karma humano ele teria escolhido trazer para si e senti-lo. Esse processo faria com que, ao invés do karma da humanidade se abatesse contra milhões e milhões de pessoas, somente Jesus, no ato da crucificação, sentiria as dores, doenças e sofrimentos do mundo. É isso que é chamado de a “remissão dos pecados” pela Igreja Católica e o que no esoterismo é conhecido como “transmutação do karma da humanidade”.
Dizem que a maioria dos avatares ou grandes almas, os redentores, que vieram a Terra, cada um deles transmutou uma parcela do karma planetário, acolhendo para si o sofrimento das massas e de certa forma “salvando” as pessoas de seus erros de vidas passadas. Isso permite a humanidade sofredora aprender pela sabedoria e não pelas experiências ou, em ultima instância, pelo sofrimento. Padre Pio lembra muito as palavras de São Paulo, quando diz “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é o Cristo que vive em mim” (Gal. 2/19, 20). Muitos católicos têm plena consciência desse fato. É o caso de Lilá Sant´anna, uma das biógrafas do Padre Pio. Em seu livro, ela afirma que “A substituição mística encontra-se na vida dos santos, como, por exemplo, em Padre Pio, que se oferecia em lugar de outras pessoas, a fim de aliviar-lhes o sofrimento.”
Assim que um santo recebe as chagas de Cristo, ele aceita intimamente dar continuidade a esse processo de purgação do karma planetário. Na medida em que sente a dor das chagas, ele está, em verdade, sentindo a dor do karma de milhares ou milhões de indivíduos e ajudando a aliviar o sofrimento humano. Foi assim primeiro com São Francisco de Assis, e com vários outros indivíduos que o sucederam. Uma dessas almas foi Padre Pio, que recebera os estigmas tal como ele mesmo relatou. Os estigmas de São Francisco de Assis duraram apenas dois anos, enquanto os estigmas de Padre Pio tiveram a duração de 50 anos. Por este e outros motivos, ele é chamado algumas vezes de “o herdeiro espiritual de São Francisco”, por sua vida se assemelhar em pontos importantes a vida de Francisco de Assis.
O fenômeno das chagas atraiu a atenção de cientistas, estudiosos, religiosos e jornalistas do mundo inteiro, que atravessavam países e continentes para vê-lo de perto. Padre Pio foi o primeiro Padre da Igreja Católica a apresentar os estigmas. Os estigmas apareceram nas palmas das mãos, nos pés e em outras partes do corpo. Apesar da dor lancinante que sofria quase todos os dias, Padre Pio aceitava o sofrimento com amor, resignação, sem tristezas, reclamações ou pesares. Não há notícias de que ele tenha se queixado, uma vez sequer, das dores que as chagas lhe proporcionavam. Além disso, manteve total responsabilidade com relação a vida sacerdotal. Como ele mesmo dizia“Do altar para o confessionário e do confessionário para o altar”. Muitas vezes, ficava até 14 horas atendendo fiéis que vinham do mundo inteiro para vê-lo e ter ao menos uma pequena fração de tempo com essa alma de luz. Padre Pio era também chamado de “O Homem da oração” e “O homem da esperança”.
A História dos acontecimentos fantásticos da vida de Padre Pio não para por aí. Há muitos relatos de que o herdeiro espiritual de São Francisco de Assis era possuidor de outra capacidade psíquica; outro “dom miraculoso”, como os católicos costumavam chamar. Esse fenômeno é bem conhecido do esoterismo, do misticismo oriental, da Parapsicologia e até mesmo do Catolicismo. Antes de Padre Pio, a personalidade espiritual mais conhecida que realizara essa extraordinária faculdade era Santo Antônio de Pádua. Trata-se do fenômeno da Bilocação. Bilocação ou Bicorporeidade é a capacidade que alguns espíritos mais elevados possuem de estarem em dois ou três lugares ao mesmo tempo, em corpo materializado por eles, de forma a se tornarem visíveis e tangíveis a outros. Dizem que os indivíduos que possuem esse dom são vistos em dois ou três lugares por pessoas diferentes, pois são capazes de se deslocar em consciência e criar um corpo físico em qualquer local que desejarem. Padre Pio por diversas vezes usou esse dom e várias testemunhas confirmaram a autenticidade do fenômeno. Ele encontrava-se simultaneamente em dois ou três lugares.
Grandes almas realizam esse prodígio com o intento de estar em locais diferentes onde sua presença é solicitada e se faz necessária, geralmente por motivo de orientação e cura.
Muitas pessoas contam que viram o Padre Pio em determinados lugares, bem afastados do convento de San Giovanni, mesmo sabendo que o Padre Pio quase nunca saía de lá. Um desses relatos veio da Mãe Speranza, a fundadora da Ordem das Criadas do Amor Misericordioso. Mãe Speranza disse que via Padre Pio quase que diariamente, durante um ano, em Roma. O detalhe interessante é que todos sabiam que o Padre Pio foi a Roma apenas uma vez para levar sua irmã que havia decidido entrar no convento. Outro caso espantoso ocorreu em 1951, quando Padre Pio apareceu para celebrar uma missa em um convento de freiras da Tchecoslováquia. Após o término da missa, as freiras foram carinhosamente oferecer a Padre Pio um café e agradecer-lhe a benção de uma visita tão luminosa e inesperada. Quando chegaram à sacristia, perceberam que o Padre Pio não estava mais lá e indagaram-se por onde ele teria saído. As freiras então entenderam o fato como um milagre e consideraram que o Padre tivesse lhes visitado através da bilocação.
Além destes ocorridos, há vários outros que poderiam ser contados com detalhes. O fato é que Padre Pio verdadeiramente não era uma pessoa orgulhosa, ele demonstrava os chamados “milagres” de uma forma natural e espontânea, sem ofender, alardear ou ostentar suas faculdades interiores, comportamento digno das almas puras e sábias que vieram a Terra. A bilocação tinha sempre um objetivo e jamais se prestava a demonstrações vazias e inócuas. Geralmente, Padre Pio se bilocava para ajudar alguém necessitado, para a realização de curas, ou para uma palavra de orientação e conforto aos espíritos perdidos em seus sofrimentos.
De qualquer forma, mesmo com o precioso dom da bilocação, Padre Pio não podia corresponder às demandas de todos. Como era muito solicitado por fiéis do mundo inteiro, ele ensinava as pessoas uma técnica simples e direta para a comunicação com ele e com o mundo espiritual. Padre Pio valorizava muito a figura de nosso Anjo da Guarda, o Sagrado Anjo Guardião, um ser de luz muito elevado que cuida das almas encarnadas protegendo-as e auxiliando em sua evolução espiritual. De acordo com o Catolicismo, os anjos são mensageiros enviados por Deus e que servem de mediação entre o homem e a divindade. Assim, cada pessoa teria um anjo da guarda e esse ser de luz pode ser usado algumas vezes quando nossa intenção é pura e quando ela vai na direção do nosso desenvolvimento interior.
Seguindo essa linha, Padre Pio afirmava que Para todas as pessoas que vivem há um Anjo da Guarda. Por isso ninguém se encontra sozinho.” Quando uma pessoa precisava de ajuda, ele pedia a pessoa: “Envie-me seu Anjo da guarda, porque ele não paga ingresso no trem e nem consome seus sapatos.” Parece que o Padre tinha mesmo contato direto com os anjos, pois demonstrava sempre ter recebido as mensagens dos fiéis, mesmo quando não havia nenhuma forma de saber o que lhe fora enviado. Essa era uma forma de comunicação muito eficiente para ele: “É inútil que me escrevas, porque eu não posso lhe responder. Envie-me seu Anjo da guarda sempre, e eu farei tudo.”Era costume corrente dos adeptos e seguidores de Padre Pio enviar-lhe o anjo da guarda, tal como ele mesmo ensinara.
Certa vez, uma pessoa chamada Amélia Banetti, considerada a “filha espiritual de Padre Pio”, pensou em lhe enviar felicitações pelo aniversário de 20 anos do aparecimento das chagas. Porém, ela morava numa Aldeia em Turim e lá não havia agência de correio. Chegado o dia, Amélia infelizmente não encontrou ninguém que pudesse ir a cidade para enviar um telegrama de felicitações, tal como o costume dos filhos espirituais. Então, Amélia resolveu pedir ardorosamente ao seu anjo da guarda que enviasse a mensagem de congratulações diretamente ao Padre Pio. Passados alguns dias, Amélia recebeu uma carta de Rosine Placentino, uma amiga de San Giovanni Rotondo. Na carta, ela transmitia uma mensagem do Padre Pio agradecendo-lhe os votos espirituais enviados por ela.
Além do fenômeno das chagas e da bilocação, Padre Pio também ficou conhecido pelas incríveis curas que realizava. Há muitos testemunhos e evidências documentais de que essas curas realmente ocorreram, pelos menos é o que relatam muitas pessoas que conviveram com o Padre Pio. Os casos de indivíduos que melhoraram de alguma doença física após uma solicitação ao Padre Pio, ou mesmo depois de uma visita em bilocação são vários, mas podemos citar alguns mais conhecidos, tal como enumerado no livro de Lilá Sant´anna: cura de epilepsia na Itália, cura de Paralisia infantil na Polônia, cura de câncer no estômago na Itália, calcificação hipofísica na cabeça de uma criança, também na Itália, ùlcera cancerosa, duas hemorragias cerebrais, esterilidade, dentre vários outros.
Há um caso em que um homem, cego de um olho, com 50 anos de idade, recebe um presente com uma foto do Padre Pio. O homem então começa a rezar continuamente se concentrando na imagem. Durante a noite, ele encontrou o Padre num de seus sonhos. Ao acordar, percebeu que a sua vista estava completamente curada. Em outro caso, uma mãe levou uma criança com Leucemia à presença de Padre Pio, em San Giovanni Rotondo. A mãe e a criança receberam a hóstia consagrada das mãos do Padre. Ao retornarem para casa, resolveram fazer novos exames médicos. Para a sua completa surpresa, os novos exames revelaram que a Leucemia havia desaparecido integralmente, sem que os médicos pudessem explicar o motivo para tal ocorrência.
Um outro paciente com lesão na córnea faz insistentes pedidos a Padre Pio para que seja curado do seu problema. Durante suas orações, sente um inconfundível perfume no ar, que ele reconheceu como sendo o perfume que as chagas do Padre Pio espargiam no ar. Após esse acontecimento, o homem fica completamente curado da lesão. Além destes casos, poderíamos citar muitos outros relatos semelhantes. Muitos deles foram comprovados por avaliações médicas posteriores, não deixando margem a dúvidas quanto à natureza inexplicável das curas.
Haveria alguma explicação para as curas do Padre Pio? Há alguma relação dessas curas fantásticas, consideradas por muitos como “milagres”, com as chagas do Padre Pio? Se lançarmos um olhar sobre o passado, em especial a mitologia grega, veremos que há um personagem mitológico, chamado Quíron, que talvez possa lançar alguma luz sobre essas questões. Quíron, para aqueles que não conhecem, era um centauro, que possuía a uma ferida que permanência eternamente aberta. Ele teria recebido uma flechada envenenada de Héracles (Hércules) e essa ferida jamais fechara desde então. Mas como era um titã, era imortal. Como reza a tradição, Quíron era um exímio curador.  Quíron era conhecido por sua inteligência e seus dotes medicinais. Porém, o mais interessante é que, segundo a descrição do mito, a ferida de Quíron era o fator que lhe possibilitava realizar suas curas. Conta-se que Quíron sofreu muito com as dores da flechada, mas esse sofrimento não era em vão.
Aqui vemos certa analogia com o Padre Pio. Apesar de estar seriamente ferido nas mãos e pés, Padre Pio possuía o dom da cura. Aqui lembramos os estudos do arquétipo do curador ferido, estudado pela psicologia junguiana, pela Psicologia Transpessoal e tema de várias tradições contemplativas e místicas do passado. O curador ferido é um ser que recebeu, de alguma forma, um ferimento grave, mas essa ferida o capacitou a desenvolver o dom de curar outras pessoas.
No xamanismo, por exemplo, há indivíduos que adquirem o dom de cura após uma experiência de intenso sofrimento, onde são feridos insistentemente por entidades demoníacas. Muitas vezes, o aspirante a xamã fica doente durante muito tempo, às vezes por anos. Da mesma forma que a escura e cálida noite precede o amanhacer, as doenças, as feridas e os sofrimentos são uma provação iniciática, que precede um grande despertar. Existe certo padrão em todas as experiências xamânicas de iniciação, tal como foi atestado por vários estudos, em especial por Mircea Eliade. O candidato recebe um chamado (algumas vezes de seus espíritos guardiães ou auxiliares) e aceita seguir a sua vocação. É então levado aos reinos inferiores, onde se depara com a presença de várias entidades trevosas. Ele então é submetido a uma série de torturas, onde na maioria das vezes percebe o seu corpo sendo estraçalhado e devorado por espíritos das sombras. O futuro xamã é ferido em várias partes do seu corpo. Porém, o mais interessante é que, esses ferimentos são os grandes agentes da transformação que se processa dentro dele e que o fazem despertar para uma renovação integral em seu ser, capacitando o iniciando a se tornar um xamã, um indivíduo com sabedoria, poderes curativos e outras habilidades.
Vale ressaltar que no Xamanismo, a atuação dos espíritos inferiores é uma benção, posto que são eles os agentes da doença ou do sofrimento que trará a cura. São, nesse sentido, os agentes da purificação que trará a cura interior, uma forma de cura muito superior ao alívio de um sintoma.
Assim, os xamãs têm a consciência de que apenas o indivíduo que sentiu em si mesmo uma ferida, ou uma grave doença se abater sobre ele, pode despertar para o dom da cura. Apenas aqueles que chegaram ao extremo da doença, das dores e dos ferimentos conseguem conhecer intuitivamente os mecanismos e a natureza da própria doença, e assim obter a cura dos mesmos males. Diz Mircea Eliade que: “Cada um dos espíritos devora a parte do corpo que lhe cabe, cujo efeito é conferir ao futuro xamã a faculdade de curar as doenças correspondentes”. Como já dissemos, Padre Pio ficou doente durante boa parte de sua vida, sofrendo de moléstias gravíssimas. Após essas experiências, ao contrário de ficar debilitado, ele parecia estar renovado interiormente, regressando à rotina com conhecimentos superiores.
Conta-se que Padre Pio dificilmente dormia. O convento de San Giovanni Rotondo vivia cheio e pessoas de diferentes partes do mundo vinham com ele se confessar. Padre Pio, com a sua inesgotável benevolência e amor que sentia pelas pessoas, permanecia longos períodos ouvindo suas confissões, seus pecados e suas queixas. Passava longos períodos atendendo no confessionário e alguns dias ficava até 16 horas contínuas ouvindo os devotos. Apesar de realizar tudo com amor, Padre Pio às vezes sentia um forte cansaço e chegava mesmo a dizer “Não tenho um minuto sequer para mim”. Apesar disso, todos sentiam uma vibração muito positiva que emanava do Padre. Ele não deixava de atender nenhum dos seus devotos necessitados.
Além de todas as correlações da vida do Padre Pio com outras tradições espirituais, há ainda uma semelhança com a devoção do Padre Pio perante a humanidade sofredora. Num dos seus discursos, próximo de sua morte, Padre proferiu algumas palavras que muito se assemelham aos seres que no Budismo são conhecidos como Bodhisatwas. Os Bodhisatwas são indivíduos que venceram a roda dos nascimentos e morte, extinguiram todo seu karma e se libertaram da ilusão do mundo, estando bem próximos do Nirvana. Nirvana é um estado de consciência de pura felicidade e bem aventurança, estado o qual aspiram todos os praticantes budistas. Os Bodhisatwas, ainda em vida, fazem um voto de renunciar ao nirvana até que toda a humanidade sofredora também possa alcançar o nirvana, o estado que eles mesmos alcançaram. Então, eles abdicam desse estado de sublime consciência universal e continuam no mundo, servindo aos necessitados e contribuindo para a sua evolução. Padre Pio, num dos seus discursos, disse que “Ficarei na porta do Paraíso até o último dos meus filhos entrar”. Para aqueles que conhecem o voto do Bodhisatwa, essa frase traduz perfeitamente a intenção da ajuda prestada aos seres que ainda permanecem no samrara, ou a roda dos nascimentos e mortes, onde há ilusão, erros e limites. Padre Pio prometeu permanecer na porta do paraíso, ou seja, fora dele, até que cada um dos filhos de Deus possa nele ingressar. Essa atitude demonstra um desprendimento muito grande e um profundo amor por todos os seres.

Fonte:
 https://hugolapa.wordpress.com/2009/11/03/padre-pio-de-pietrelcina/
(HUGO LAPA)
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