J. Ricardo A. de Oliveira
Hoje no supermercado eu no caixa vi uma cena que me deu o que pensar.
Uma senhora perguntou a um senhor se aquela fila era a fila dos idosos.
Ele
olhou-a de alto a baixo e mandou:
Porque,
tá querendo entrar aqui? Vê se toma vergonha que você é muito nova.
A senhora visivelmente envergonhada olhou para ele e disse:
Senhor eu só fiz uma pergunta.
E de volta ele vociferou:
É se colar
colou , né ?
Ela educadamente respondeu:
Eu tenho
sessenta e dois anos tenho direito a entrar nesta fila, não entrei na sua
frente, só perguntei...
E Ele:
Que sessenta o escambau que você não tem cara de sessenta. Novinha querendo passar a perna nos outros.
A essa altura a senhora já tinha ido
para uma outra fila mais distante, mas isso não impediu que as pessoas ao redor
do tal velho continuassem a falar absurdos. A senhora já transformada em “aquela
zinha”, ou “a espertinha” e outros absurdos até lógico chegar nas críticas ao
governo, à presidente e tudo o que temos visto e ouvido no nosso dia a dia.
Lembrei de que ainda nesta semana que passou presenciei esse tipo de
discussão com certa frequência na rua e até mesmo uma briga, entre duas mulheres
que rolavam no chão até um ambulante, vendedor de empadas, resolver interferir, e mesmo levando uns tapas de ambas, conseguiu separar aquela cena
grotesca. Vi gente brigando e aos palavrões impedir o transito em
plena Praça Saens Peña. Parece que todos estão com os nervos à flor da pele.
Percebo que a semente que vem sendo lançada há alguns anos parece que
começa a germinar. São anos e anos de noticiários despejando desgraças, e
coisas desagradáveis diariamente, notícias sobre escândalos, roubalheira. É
como se houvesse uma programação para incutir na cabeça das pessoas que não
temos saída, que tudo vai muito mal. Que não devemos acreditar que podemos ter
dias felizes e que vivemos em um lugar maravilhoso invejado por todo mundo.

Toda essa situação de ódio, revolta parece atender a uma
programação. Sempre fomos um povo
cordato, hospitaleiro, que gosta de festa, de futebol e extremamente alegre. A
Alegria sempre foi a marca dos brasileiros, sempre sorridentes e que em
qualquer lugar fazem a diferença quando em grupo. Fico com a impressão de que
estamos perdendo esta característica. O que venho percebendo nas ruas é um ódio
crescente, um constante mal humor, como se os todos estivessem prontos para explodir. Ainda outro dia, andando pela rua esbarrei de leve em uma senhora e já
estava me virando e dizendo “me perdoe senhora”, mas não deu tempo. A reação
dela foi de aos berros dizer: seu idiota não olha por onde anda sua cavalgadura?
Não sei, ou não quero acreditar que saiba, a quem interessa este estado de
coisas. A Única coisa que sei é que precisamos mudar esta situação. É urgente voltar
ao estado de ânimo que tínhamos, à alegria de viver, a àquele espírito característico
que provocava nos estrangeiros o comentário: “são brasileiros”, como se isso
explicasse tudo.
Tenho muitos amigos virtuais e em sua maioria são professores, terapeutas, sacerdotes católicos ou protestantes, dirigentes espíritas e de cultos afro. Gente que fala ao povo, que tem um espaço para fazer alertas e esclarecer. Penso que eles poderiam ajudar na conscientização das pessoas. Serem
anunciadores da necessidade de olharmos o mundo com olhos mais compassivos e
alegres. Acredito que poderiam dedicar uma parte de suas falas à restauração do bom
humor, da esperança e do sonho. A alegria, como aliás o Papa Francisco tem
alertado, é fundamental para a vida, para a saúde e para a construção de um
mundo melhor.
Façamos então todos nós uma
cruzada contra o mau humor, vãos rejeitar toda essa campanha de más notícias,
de notícias de desgraças, vamos parar de falar de desgraças,
Vamos investir em dias melhores, em sonhos que
abandonamos e projetos que deixamos de acreditar. Vamos juntos construir um
mundo novo acreditando que um outro mundo é possível.