Ele não quis e não quer estar ACIMA DE NADA e deixou como recado que os últimos serão os primeiros no seu reino.
O absurdo e a Graça
21 de novembro de 2020
Cristo Rei do Universo

20 de novembro de 2020
Sobre Coreografias na Igreja
Talvez por viver em uma arquidiocese onde a renovação carismática é maioria tenho algumas reservas com relação a algumas práticas.
Mas preciso dar um voo no tempo. Acho que foi lá pela década de 80 que surgiu o
habito de coreografar músicas. A apresentadora XUXA e depois a Angélica, grupos
como "menudos e assemelhados, passaram a criar em seus admiradores o
habito de fazer as "dancinhas", coreografias marcadas por eles nos
palcos.
Isso a meu ver foi uma grande agressão à individualidade dos jovens. Lembro bem
de minhas filhas e sobrinhas treinando e discutindo qual era o gesto exato, o
correto para determinado trecho da musica. Hoje muitos nem se dão mais conta
disso e é comum em festas ver-se a "massa" fazendo determinados
gestos, em conjunto ao ouvir e cantar certas musicas.
Repito que considero isso um grande atentado à individualidade, já que acho que
musica se ouve e se expressa cada um de seu modo.
A musica toca ao coração e o corpo expressa a emoção. Mas quando isso é feito
de forma coreografada, infelizmente as emoções escorrem pelo ralo.
Posto isto, voo para a igreja e descubro que esse habito desembarcou nas celebrações
e por toda parte pode-se perceber uma massa que repete gestos muitos deles sem
nenhuma expressão emocional, mera repetição de algum animador que se posta à
frente da assembleia qual um animador de auditório.
Que fique claro que não reprovo os gestos, as palmas, a alegria ou a dança, mas
desde que elas sejam a expressão daquilo que o coração sente. Algo como o mover
do espírito através do corpo.
Não sei meu caro a sua experiência em
grupos renovados, mas confesso não consigo entender certas práticas, do tipo :
cante agora para o seu irmão do lado...
agora para o irmão da frente...
E as pessoas como teleguiados cantam
coisas do tipo : "você é a pessoa mais importante na minha vida", e
muitas vezes nem conhecem para quem está dizendo isso ou, pior, ao sair da
igreja, nem lembra de dizer tchau para a pessoa mais importante de sua vida !
Toda a minha critica, está relacionada ao vazio, à mera repetição pela
repetição, ao seguimento de um animador . Acho que podemos fazer bem melhor
para nosso Deus, acho que podemos deixar o coração trasbordar, cada um a seu
modo a alegria e a nossa devoção, sem o medo de estar fazendo errado o
"gestinho" que o animador de auditório está propondo.
Espero que me entendam, mas isso é também um desabafo de quem não consegue
encontrar uma comunidade que louve com o coração e não só com coreografias o
Deus do Amor.

1 de novembro de 2020
Partir e chegar, são só dois lados da mesma viagem (Milton Nascimento)
Mas quem quer saber de morte? Apesar de todos sermos cristãos e anunciarmos com grande empenho e alegria a ressurreição, a grande maioria de nós não quer ouvir falar da morte. Fala-se até na morte dos outros, mas nunca da nossa.
Quantos de nós se dão conta da tradicional frase que se encontra nas portas dos cemitérios: Revertere ad locum tuum, ou seja “Volta para o lugar de onde viestes !”Sim a volta é compulsória, ninguém , nenhum de nós ficará aqui eternamente porque aqui estamos de passagem , embora vivamos como se aqui fossemos ficar de forma definitiva.
O Pe. Pierre Teilhard de Chardin dizia: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana."
Jesus venceu a morte, abriu os portões da eternidade a toda a humanidade. Ou cremos no que anunciamos ou corremos o risco de ficarmos presos na cruz da sexta feira da paixão. Sim todo aquele que baseia a sua vida na finitude da materialidade está condenado a permanecer pregado na cruz, preso ao sofrimento, sentenciado ao suplício eterno.
Crer em Jesus e na ressurreição é libertar-se da materialidade e abrir os olhos para um horizonte infinito que só pode ser contemplado por olhos que ressuscitaram. Vencer a morte é perceber que o seu contrário jamais será a vida, posto que essa é eterna; o que se opõe à morte é o nascimento. Nascer e morrer são só dois momentos da vida plena e eterna. São, como diz Milton Nascimento: “e assim, chegar e partir, são só dois lados da mesma viagem “
Celebremos então a memória de nossos queridos que vivos estão, só que junto ao Pai, aguardando o momento de festejar nosso reencontro para que vivamos terna e eternamente felizes junto ao Senhor.
